A língua transgressora

Os ensinamentos de hooks em diálogo com a Sociolinguística

Palavras-chave: hooks, Sociolinguística, Política de Língua, Vernáculo Negro, Identidade

Resumo

O presente artigo tem, como objetivo, discutir acerca das contribuições de hooks para os estudos linguísticos. A autora sugere reflexões que vão ao encontro dos estudos desenvolvidos na Sociolinguística, abordagem presente na ciência da língua. Consideramos que hooks propõe atitudes transgressoras que representam políticas de língua eficazes para o reconhecimento de variantes linguísticas e o ensino dialetal diverso. Ademais, hooks nos deixa o legado de reconhecer uma identidade linguística no vernáculo negro, também presente no Brasil. Isso só é possível quando passamos a ser sujeitos da língua, entendendo que suas modificações e modos alternativos de uso representam a memória e a história de um povo. Para realizar esta discussão, fizemos um entrelaçamento entre o pensamento de hooks, os estudos sociolinguísticos e as contribuições de autores como Lélia Gonzalez, Bispo dos Santos, Franz Fanon e Grada Kilomba.

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Biografia do Autor

Ana Carolina de Souza Silva, Universidade de Brasília (UnB)

Doutoranda em Linguística (PPGL/UnB), mestra em Linguística (PPGL/UnB) e graduada em Letras Português do Brasil como Segunda Língua (UnB).

Luís Augusto Ferreira Saraiva, Universidade de Brasília (UnB)

Doutor em Bioética (PPGBioética/UnB), mestre em Metafísica (PPGμ/Unb) e graduado em História ( UFMA) e em Filosofia (FSF).

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Publicado
2022-06-30
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Como Citar
Silva, A. C. de S., & Saraiva, L. A. F. (2022). A língua transgressora: Os ensinamentos de hooks em diálogo com a Sociolinguística. Abatirá - Revista De Ciências Humanas E Linguagens, 3(5), 361 - 379. Recuperado de https://www.revistas.uneb.br/index.php/abatira/article/view/14448