RANKINGS: ESTRATÉGIA DE DEFESA DA UNIVERSIDADE PÚBLICA?

Autores

DOI:

https://doi.org/10.21879/faeeba2358-0194.2019.v28.n55.p28-42

Palavras-chave:

Rankings, Mídia, Avaliação da educação superior

Resumo

Neste artigo analisamos os limites da utilização de rankings para construir
argumentações em defesa da universidade pública brasileira frente às tentativas
de desqualificá-la. Objetivamos responder as seguintes questões: quais são os
principais rankings veiculados e quais indicadores compõem as suas respectivas
métricas? Quais são os limites dessas tabelas classificatórias apontados pela
literatura acadêmica e pelos meios de comunicação? De que maneira, nos
discursos midiáticos, são utilizados os resultados dos rankings para defender/
atacar a universidade pública? Que argumentações são utilizadas? Neste
contexto resulta preocupante o fato de o atual governo sequer considerar, em
suas decisões e proposições, os informes, embora parciais e imprecisos, sobre a
posição das universidades brasileiras nos rankings. Em termos metodológicos,
utilizamos a análise da métrica de dois reconhecidos rankings internacionais e
matérias jornalísticas, relacionadas ao tema, publicadas no ano de 2019.

Downloads

Não há dados estatísticos.

Biografia do Autor

Lara Carlette Thiengo, Universidade Federal dos Vales de Jequitinhonha e Mucuri

Pós Doutoranda em Educação pela Universidade do Oeste de Santa Catarina (UNOESC). Doutora em Educação pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC). Professora Adjunta da Universidade Federal dos Vales de Jequitinhonha e Mucuri (UFVJM).

Lucídio Bianchetti, Universidade Federal de Santa Catarina

Doutor em Educação pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP). Professor Aposentado/Voluntário do
Programa de Pós-Graduação em Educação da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC).

Maria Lourdes Almeida Pinto, Universidade do Oeste de Santa Catarina

Doutora em Educação pela Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). Docente Pesquisadora do Programa de Pós-
Graduação em Educação da Universidade do Oeste de Santa Catarina (UNOESC- SC) na linha de pesquisa Educação, Políticas Públicas e Cidadania.

Referências

ACUSADA de “balbúrdia”, UFBA teve melhora em ranking. Correio da Bahia, Salvador, 30 abr. 2019. Disponível em: https://www.correio24horas.com.br/noticia/nid/acusada-de-balburdia-ufba-teve-melhora-de-avaliacao-em-ranking/. Acesso em: 30 maio 2019.

ALTBACH, P. et al. Trends in global higher education: tracking an academic evolution. Boston: Sense Publishers, 2010.

AZEVEDO, M. L. N. A integração dos sistemas de educação superior na Europa. De Roma à Bolonha ou da integração econômica à integração acadêmica. In: SILVA JÚNIOR, J. dos R.; OLIVEIRA, J. F.; MANCEBO, D. (org.). Reforma universitária: dimensões e perspectivas. Campinas, SP: Alínea, 2016. p. 171-186.

BALL, S. J. Educação Global S. A.: novas redes políticas e o imaginário neoliberal. Ponta Grossa: UEPG, 2014.

BANCO MUNDIAL. Um ajuste justo: análise da eficiência e equidade do gasto público no Brasil. 2017. Disponível em: http://documents.worldbank.org/curated/en/884871511196609355/pdf/121480-REVISED-PORTUGUESE-Brazil-Public-Expenditure-Review-Overview-Portuguese-Final-revised.pdf. Acesso em: 15 maio 2019.

BARABASCH, A.; PETRICK, S. Multi-level policy transfer in Turkey and its impact on the development of the vocational education and training (VET) sector. Globalisation, Societies and Education, v. 10, n. 1, p. 119-143, 2012. Disponível em: https://bit.ly/2XRyHLr. Acesso em: 20 set. 2017.

BERG, J. H. A. Competindo no cenário mundial: a Universidade de São Paulo e o ranking global de universidades. 2015. 168 f. Dissertação (Mestrado em Relações Internacionais) – Universidade de São Paulo, São Paulo, 2015.

BRASIL. MINISTÉRIO DA EDUCAÇÃO. Nota pública. Bloqueio total do MEC nas universidades foi de 3,4%. Disponível em: http://portal.mec.gov.br/component/content/index.php?option=com_content&view=article&id=75781:bloqueio-total-do-mec-nas-universidades-foi-de-3-4&catid=33381&Itemid=86. Acesso em: 10 maio 2019.

CALDERÓN, A. I. A responsabilidade social da educação superior: uma leitura à luz das mudanças discursivas da Unesco. ENCONTRO NACIONAL DE DIDÁTICA E PRÁTICA DE ENSINO, 15., 2010, Belo Horizonte. Anais [...]. Belo Horizonte: UFMG, 2010. vol. 1, p. 30-42.

CROSS, D; THOMSON, S; SINCLAIR, A. Research in Brazil: a report for CAPES by clarivate analytics. Clarivate Analytics, 2017. Disponível em: http://www.capes.gov.br/images/stories/download/diversos/17012018-CAPES-InCitesReport-Final.pdf. Acesso em: 18 jan. 2019.

DIAS SOBRINHO, J. Dilemas de educação superior no mundo globalizado: sociedade do conhecimento ou economia do conhecimento? São Paulo: Casa do Psicólogo, 2005.

ENDERS, J. Una “carrera armamentista” en la academia: los rankings internacionales y la competencia global para crear universidades de clase mundial. Revista de la Educación Superior, v. 44, n. 176, p. 83-109, 2015.

FRIGOTTO, G. O enfoque da dialética materialista histórica na pesquisa educacional. In: FAZENDA, I. (org.). Metodologia da pesquisa educacional. São Paulo: Cortez, 1991. p. 69-90.

GRAMSCI, A. Cadernos do cárcere: os intelectuais; o princípio educativo; jornalismo. 6. ed. Vol. 2. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2011.

HAZELKORN, E. World-class universities or world class systems? Rankings and higher education policy choices. In: HAZELKORN, E.; WELLS, P.; MAROPE, M. (Ed.). Rankings and accountability in higher education: uses and misuses. Paris: UNESCO, 2013. p. 1-23.

LEAL, F. G.; LEHER, R.; AZEVEDO, M. L. N. Perspectivas e desafios para a educação superior na ALiCe o Caribe: entrevista com Roberto Leher, reitor da Universidade Federal do Rio de Janeiro, com comentários de Mário Luiz de Azevedo, da Universidade Estadual de Maringá. Arquivos Analíticos de Políticas Educativas, v. 26, n. 166, dez. 2018. Disponível em: http://dx.doi.org/10.14507/epaa.26.4286. Acesso em: 05 mar. 2019.

MÉSZÁROS, I. A educação para além do capital. São Paulo: Boitempo, 2005

MOURA, B. A.; MOURA, L. B. A. Ranqueamento de universidades: reflexões acerca da construção de reconhecimento institucional. Acta Scientiarum, Maringá, PR, v. 35, n. 2, p. 213-222, dez. 2013. Disponível em: http://periodicos.uem.br/ojs/index.php/ActaSciEduc/article/view/20400/pdf. Acesso em: 20 out. 2018.

ORDORIKA, I.; GÓMEZ, R. R. El ranking Times en el mercado del prestigio universitario. Perfiles Educativos, v. 32, n. 129, p. 8-22, 2010. Disponível em: https://bit.ly/2F0jYW5. Acesso em: 20 set. 2017.

RANKING UNIVERSITÁRIO FOLHA 2018 (RUF). Classificação. São Paulo, 2018. Disponível em: http://ruf.folha.uol.com.br/2018/. Acesso em: 10 maio 2019.

RIGHETTI, S.; GAMBA, E. Alvos de corte, universidades federais deram salto de produção em 10 anos. Folha de São Paulo, Sã Paulo, 30 abr. 2019. Disponível em: https://www1.folha.uol.com.br/educacao/2019/04/alvos-de-corte-universidades-federais-deram-salto-de-producao-em-10-anos.shtml. Acesso em: 15 maio 2019.

ROBERTSON, S. L.; OLDS, K. World university rankings: on the new arts of governing (quality). Bristol: Centre for Globalisation, Education and Societies, 2012.

SALDAÑA, P. MEC estende corte de 30% de verbas a todas universidades federais. Folha de S. Paulo, São Paulo. 30 abr. 2019. Disponível em: https://www1.folha.uol.com.br/educacao/2019/04/mec-estende-corte-de-30-de-verbas-a-todas-universidades-federais.shtml. Acesso em: 05 maio 2019.

SANTOS, S. M. O desempenho das universidades brasileiras nos rankings internacionais: áreas de destaque da produção científica brasileira. 2015. 344 f. Tese (Doutorado em Ciência da Informação) – Universidade de São Paulo, São Paulo, 2015.

SHANGAI RANKING. Métrica do Shangai Ranking. Shangai, 2018. Disponível em: http://www.shanghairanking.com/pt/. Acesso em: 10 mar. 2019.

SHIROMA, E. O. Redes de políticas públicas e governança da educação – pesquisando a convergência das políticas para docentes nas agendas para a próxima década. Relatório de Pesquisa APQ/CNPq. Florianópolis: UFSC, 2016.

SINCLAIR, T. J. The new masters of capital: american bond rating agencies and the politics of creditworthiness. New York: Cornell University Press, 2005.

ST. CLAIR, A. L. Global poverty: the co-production of knowledge and politics. Global Social Policy, v. 6, n. 1, p. 57-77, 2006. Disponível em: https://bit.ly/2Hi34Wt. Acesso em: 20 nov. 2017.

THIENGO, L. C. Universidades de classe mundial e o consenso pela excelência: tendências globais e locais. 366 f. Tese (Doutorado em Educação) – Programa de Pós-Graduação em Educação, Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), Florianópolis, 2018.

UNIVERSIDADES ameaçadas de corte por ministro aparecem em ranking do CRWU entre as “melhores do planeta”. Fórum, São Paulo, 30 abr. 2019. Disponível em: https://www.revistaforum.com.br/universidades-ameacadas-de-corte-por-ministro-aparecem-em-ranking-do-crwu-entre-as-melhores-do-planeta/. Acesso em: 30 abr. 2019.

UNIVERSIDADES Federais da Zona da Mata e Vertentes analisam impacto do bloqueio de verba pelo MEC. G1, Rio de Janeiro, 30 maio 2019. Disponível em: https://g1.globo.com/mg/zona-da-mata/noticia/2019/05/03/universidades-federais-da-zona-da-mata-e-vertentes-analisam-impacto-do-bloqueio-de-verba-pelo-mec.ghtml. Acesso em: 02 jun. 2019.

USHER, A. As melhores instituições de ensino superior do ranking Times Higher Education e a misteriosa “ascensão da Ásia”. Ensino Superior, Campinas, SP, 2015. Disponível em: https://www.revistaensinosuperior.gr.unicamp.br/international-higher-education/as-melhores-instituicoes-de-ensino-superior-do-ranking-times-higher-education-e-a-misteriosa-ascensao-da-asia. Acesso em: 20 out. 2018.

VALADARES, J. Estudantes protestam em Salvador contra cortes nas universidades federais. Folha de S. Paulo, São Paulo, 06 maio 2019. Disponível em: https://www1.folha.uol.com.br/educacao/2019/05/estudantes-protestam-em-salvador-contra-cortes-nas-universidades-federais.shtml. Acesso em: 10 maio 2019.

Publicado

2019-08-31

Como Citar

THIENGO, L. C.; BIANCHETTI, L.; ALMEIDA PINTO, M. L. RANKINGS: ESTRATÉGIA DE DEFESA DA UNIVERSIDADE PÚBLICA?. Revista da FAEEBA - Educação e Contemporaneidade, [S. l.], v. 28, n. 55, p. 28–42, 2019. DOI: 10.21879/faeeba2358-0194.2019.v28.n55.p28-42. Disponível em: https://www.revistas.uneb.br/index.php/faeeba/article/view/7167. Acesso em: 1 mar. 2024.