A PRODUÇÃO DO SABER-CUIDAR EM ENFERMAGEM A PARTIR DAS INTERSECCIONALIDADES ÉTNICO-RACIAIS, DE CLASSE E DE GÊNERO NO BRASIL

Palavras-chave: Enfermagem, História da Enfermagem, Racismo, Sexismo

Resumo

Em uma sociedade marcada pela colonialidade e eurocentrismo, o currículo também será marcado a partir deste lugar, apagando, silenciando e/ou estereotipando as culturas marginalizadas, pois os processos educativos estão intrinsecamente relacionados aos contextos sociais nos quais se desenvolvem. Sendo o Brasil um país extremamente racista, a formação de quadros de profissionais da enfermagem pode estar mantendo e reafirmando concepções distorcidas sobre a população negra. Nesse contexto, este ensaio tem como objetivo refletir sobre a historiografia da profissionalização da enfermagem no Brasil a partir da interseccionalidade de gênero, raça e classe, e suas repercussões para a produção do saber-cuidar. É importante revisitarmos esta historiografia para podermos refletir sobre a realidade presente a partir de outros parâmetros, pois precisamos considerar os desdobramentos deste histórico racista na formação em saúde, nas relações de trabalho dentro da equipe de enfermagem (entre enfermeiras brancas e técnicas/auxiliares negras) assim como seus efeitos no cuidado direto aos corpos negros, não atendendo efetivamente suas necessidades dentro das práticas cotidianas de cuidado à saúde.

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Biografia do Autor

Suiane Costa Ferreira, Docente na Universidade do Estado da Bahia - Brasil

Enfermeira com doutorado em Educação e Contemporaneidade pela Universidade do Estado da Bahia

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Publicado
2021-09-13
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Como Citar
Ferreira, S. C., Caitano de Jesus , L., & Pinto, A. J. C. C. (2021). A PRODUÇÃO DO SABER-CUIDAR EM ENFERMAGEM A PARTIR DAS INTERSECCIONALIDADES ÉTNICO-RACIAIS, DE CLASSE E DE GÊNERO NO BRASIL. Cenas Educacionais, 4, e11858. Recuperado de https://www.revistas.uneb.br/index.php/cenaseducacionais/article/view/11858
Seção
Dossiê Temático