Projetos estéticos decoloniais
uma leitura comparada de Tenda dos milagres (1969), de Jorge Amado e Viva o povo brasileiro (1984), de João Ubaldo Ribeiro
DOI:
https://doi.org/10.35499/tl.v19i2.25988Resumo
Neste artigo, realizamos uma leitura crítica acerca da representação do discurso da brasilidade em duas obras híbridas de história e ficção de autores baianos. A escrita insere-se no campo da literatura comparada, concentrando-se no recorte específico que nos leva a investigar como a literatura baiana revisita e reelabora a noção da brasilidade. O nosso objeto de estudo são os romances históricos críticos Tenda dos milagres (1969), de Jorge Amado, e Viva o povo brasileiro (1984), de João Ubaldo Ribeiro. A escolha desse corpus busca reconhecer os trabalhos estéticos dos autores baianos como verdadeiros projetos decoloniais. Interessa-nos, neste estudo, a aproximação da representação do discurso da brasilidade nas narrativas amadiana e ubaldiana, explicitando as convergências de alguns traços das personagens, de modo a identificar o arquivamento da violência na formação da identidade nacional. Atrelado a isso, destacamos as vias pelas quais os romances históricos críticos que compõem o corpus de nossa pesquisa podem ser examinados como uma prática escritural de opção decolonial. Para auxiliar este percurso, baseamo-nos nos postulados sobre o conceito de identidade nacional abordado por Luiz Costa Lima (2005) e José Luiz Fiorin (2009); o romance histórico, na obra de Fleck (2017); e os estudos decoloniais de Mignolo (2007) e Dorado Mendez e Fleck (2022), entre outros. Com isso, o estudo evidencia as aproximações entre os textos literários e busca demonstrar como a literatura serve de espaço para a descolonização das mentes, das identidades e do imaginário na América Latina.
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Referências
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