Construções com objeto incorporado ou construções com verbo leve?
Uma análise de sentenças com DP nu objeto em mídias digitais
DOI:
https://doi.org/10.35499/tl.v19i1.23837Resumo
Este trabalho discute sobre o DP nu objeto do português brasileiro (PB) em construções coletadas em mídias digitais, procurando investigar se se tratam de construções com objeto incorporado ou construções com verbos leves (CVLs). Para descrição e análise dos dados, adotam-se, principalmente, as perspectivas gerativistas de Longobardi (1994), Dayal (2015), Taveira da Cruz (2008) e Ribeiro e Cyrino (2011). Na literatura especializada, argumentam-se que o nome nu objeto raramente possui valor referencial (Wall, 2013) e que qualquer nome nu objeto singular é um objeto incorporado (Saraiva, 1992). Este estudo, seguindo Taveira da Cruz (2008), assume que a incorporação é uma opção. Nesse sentido, o DP nu objeto pode integrar tanto construções com objetos incorporados, quando expressa atividade institucionalizada, quanto CVLs quando exprimem leitura composicional, com nome objeto referencial (Ribeiro; Cyrino, 2011). Nesse último caso, o DP nu pós-verbal aparece modificado por constituintes que o particulariza e também com comportamento variável de presença/ausência do determinante, devido ao fato de as informações, para cobrir a ideia adequada, serem dadas pelo contexto, possibilitando que o determinante fique ausente (Ribeiro; Cyrino, 2011). Este estudo justifica-se por suscitar reflexões e questionamentos quanto à natureza do DP nu pós-verbal no PB.
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