Lições de trabalho com o texto em sala de aula
DOI:
https://doi.org/10.35499/tl.v19i1.23597Resumo
Este artigo, recorte de uma tese de doutorado, investiga de que maneira o procedimento de reescrita se adapta a cada produção escrita, conferindo a cada texto uma lição singular. Ao evidenciar o trabalho linguístico do aprendiz e do professor na construção textual, a reescrita possibilita ao estudante perceber e regular sua leitura e escrita, desenvolvendo uma postura analítica sobre seu texto. Assumida como parte do processo de escrita, a reescrita envolve diferentes operações linguísticas e, inevitavelmente, o cálculo do outro, que orienta escolhas de formulação, estrutura e sentido. Metodologicamente, adotamos a metáfora das lições necessárias à conquista da singularidade na escrita, proposta por Riolfi (2011). O corpus é composto por 23 textos de alunos do 9º ano do ensino fundamental, dos quais três são detalhados para demonstrar como o professor pode ampliar a reescrita além de práticas usuais, como “passar a limpo” ou “produzir um novo texto”. As categorias de análise são: “(Re)escrita como organização do dizer”, “(Re)escrita como processo recursivo” e “(Re)escrita como reposicionamento subjetivo”. Fundamentado em Bakhtin (2012), Geraldi (1984;2015;2019), Riolfi (2011) e Fairchild (2014), o estudo indica que escrever na escola pode ser um “sofrimento consentido”, mas tende a se transformar em um processo dialógico.
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Referências
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