Geometria Antirracista no 7º ano: Uma sequência didática decolonial para desnaturalizar o eurocentrismo no ensino de matemática
Palavras-chave:
Geometria decolonial, Etnomatemática, Educação antirracistaResumo
Este artigo discute a necessidade da valorização de epistemologias africanas e indígenas no ensino da matemática escolar, com foco na geometria. A partir de uma proposta de sequência didática para o 7º ano do Ensino Fundamental aplicada na Escola Municipal Professor Roberto Santos em Barreiras/BA, busca-se desnaturalizar o eurocentrismo presente na formação dos currículos escolares e introduzir uma abordagem decolonial, que reconhece saberes plurais como fontes legítimas de conhecimento matemático. A pesquisa, de caráter qualitativo, foi realizada por meio de seis aulas que incluíram a construção de figuras não euclidianas, a análise de grafismos Yanomami e a pintura de padrões Adinkra. Os resultados revelaram, inicialmente, que os alunos tinham uma visão eurocêntrica do conhecimento matemático. Após a intervenção, desenvolveram consciência crítica sobre a marginalização do conhecimento não europeu, sendo capazes de relacionar conceitos geométricos a manifestações artísticas e culturais africanas e indígenas. Ao considerar a matemática como construção histórica e cultural, este trabalho propõe uma educação mais justa, inclusiva e representativa.
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Referências
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