Confluência e Resistência Afro-Indígena

Os saberes associados ao consumo da mandioca como instrumento de soberania alimentar

Autores

Palavras-chave:

Contracolonialidade, Cosmovisão Indígena, Identidade brasileira, Saberes ancestrais, interseccionalidade

Resumo

O estudo da cultura alimentar no Brasil é discutido a partir da tríade: portugueses, indígenas e africanos. Apesar disso, poucos estudos protagonizam os saberes alimentares afrodiaspóricos e indígenas, ainda que estejam frequentemente presentes no prato do brasileiro. Sendo assim, esse artigo busca abordar a confluência dos aspectos nutricionais, afetivos e identitários relacionados ao consumo da mandioca, bem como atrelar esse cultivo a um importante instrumento para garantia da soberania alimentar. Essa discussão partirá de princípios teórico-metodológicos como o contracolonialismo (Santos, 2023), afrocentricidade (Asante, 2009) e interseccionalidade (Akotirene, 2019), a fim de contrapor o que é proposto pela academia eurocêntrica e brancocentrada no que tange a temática supracitada. 

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Biografia do Autor

Luziane Amaral de Jesus, Universidade Federal do Oeste da Bahia

Estudante de doutorado no Programa de Pós-Graduação em Ensino, Filosofia e História das Ciências PPGEFHC (UFBA/UEFS). Bolsista CAPES. Mestra em Estudos Linguísticos (UEFS). Licenciada em Letras (FTC e UEFS). Professora de Língua Portuguesa (UFOB). Atua com as seguintes temáticas: letramentos, práticas textuais e discursivas, estudos afrodiaspóricos. Integra o grupo de pesquisa Reexistências Afrodiaspóricas (UFOB).

Mayana Rocha Soares, Universidade Federal do Oeste da Bahia

Doutora pelo Programa de Pós-graduação em Literatura e Cultura (PPGLITCULT/UFBA), cuja tese, intitulada Nós: afetos e literatura, discute a produção afetiva negra sapatão em textos literários brasileiros, em especial, nordestinos. A tese recebeu Menção Honrosa do Prêmio CAPES 2022. Mestra em Estudo de Linguagens pelo Programa de Pós-graduação em Estudos de Linguagens, PPGEL/UNEB. Especialista em Estudos Culturais, História e Linguagens, pelo Centro Universitário Jorge Amado (UNIJORGE). Licenciada em Ciências Sociais pela Universidade Federal da Bahia (UFBA) e em Letras com habilitação plena em Língua Portuguesa e Língua Espanhola, e respectivas Literaturas, pelo Centro Universitário Jorge Amado (UNIJORGE). Integrou a equipe de intercâmbio na "Missão de Estudos" na PUC-Rio, realizada pelo convênio do PROCAD (UNEB - PUC-RIO, PUC-GOIAS e UEFS), em 2016. Atualmente é Professora Adjunta na Universidade Federal do Oeste da Bahia (UFOB) e coordena o grupo de pesquisa Reexistências Afrodiaspóricas. Pesquisa temas voltados aos afetos coloniais e afetos de Bem Viver, produções de subjetividades negras sapatonas, crítica literária, numa perspectiva afrodiaspórica.

Vitória Santos do Carmo, Universidade Federal do Oeste da Bahia

Estudante na Universidade Federal do Oeste da Bahia.

Referências

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Publicado

2025-11-25

Como Citar

AMARAL DE JESUS, L.; ROCHA SOARES, M.; SANTOS DO CARMO, V. Confluência e Resistência Afro-Indígena: Os saberes associados ao consumo da mandioca como instrumento de soberania alimentar. Revista Coletivo SECONBA, [S. l.], v. 9, n. 1, p. 4–13, 2025. Disponível em: https://www.revistas.uneb.br/seconba/article/view/25713. Acesso em: 11 fev. 2026.