FONOAUDIOLOGIA E EDUCAÇÃO EM SAÚDE: UM RELATO DE EXPERIÊNCIA NOS GRUPOS DE FAMÍLIA DE PACIENTES COM AUTISMO EM UM CENTRO DE ATENÇÃO PSICOSSOCIAL DE SALVADOR
DOI:
https://doi.org/10.5281/zenodo.17872928Palavras-chave:
Fonoaudiologia, Educação em Saúde, Saúde Mental, Transtorno do Espectro AutistaResumo
Introdução: No Brasil, a Reforma Psiquiátrica foi pensada a partir da transformação do modelo assistencial oferecido às pessoas em transtorno mental. Assim os Centros de Atenção Psicossocial constituem uma rede substitutiva que se propõe a atender as demandas de Saúde Mental, o que inclui os indivíduos diagnosticados com Transtorno do Espectro Autista. Relato: Trata-se de um relato de experiência com objetivo de apresentar as vivências de uma fonoaudióloga residente nos grupos de família, destinado a cuidadores de crianças com Autismo, de um serviço de Saúde Mental, na cidade de Salvador, de agosto a novembro de 2022. Os encontros foram pautados na temática do desenvolvimento da linguagem infantil e apontaram o quanto é importante reconhecer a diversidade nas formas de comunicação. As fragilidades dos serviços especializados destacaram a urgência de investimentos nas redes de atenção, para atender as necessidades dos usuários. A Educação em Saúde emergiu como uma ferramenta valiosa na promoção do bem-estar e na capacitação dos atores envolvidos. Conclusão: As contribuições da Fonoaudiologia foram significativas por contemplar uma abordagem que vai além da identificação e tratamento de patologias. É fundamental que os fonoaudiólogos tenham a oportunidade de compor as equipes multiprofissionais e assumir um papel ativo na promoção da saúde mental e na reabilitação psicossocial das pessoas com autismo e suas famílias. Essa integração requer investimento em educação, disseminação científica e mudança de paradigma a favor de uma prática mais inclusiva e centrada nas necessidades dos sujeitos.
Palavras-chave: Fonoaudiologia; Educação em Saúde; Transtorno do Espectro Autista; Saúde Mental.
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