Escritos em prisões
o que contam os sujeitos da EJA privados de liberdade no Sul do Brasil
Resumo
No debate sobre a Educação de Jovens e Adultos, destaca-se a importância de compreender os sujeitos em sua diversidade sociocultural, a fim de a) reconhecer e valorizar os saberes produzidos por estes homens e mulheres cujo direito à educação não foi garantido no período previsto pela legislação brasileira e, desse modo, b) criar processos educativos adequados aos objetivos, necessidades e interesses de aprendizagem destas pessoas. Nesta perspectiva, o artigo pretende contribuir com um enfoque específico sobre as pessoas que se encontram em situação de prisão, uma vez que o perfil educacional majoritário da população prisional brasileira é de Ensino fundamental (completo ou incompleto). Entendemos que, diante das opressões e desigualdades sociais e raciais perpetuadas historicamente no Brasil desde a colonização, o Estado pouco avançou em relação à reparação histórica – função atribuída à EJA pelo Parecer n.11/2001 do Conselho Nacional de Educação. Este mesmo Estado tem se dedicado com afinco a criminalizar e encarcerar a população cujos direitos fundamentais são cada vez mais negligenciados, com a consolidação do neoliberalismo. O objetivo do artigo é compreender os sujeitos da EJA em situação de prisão a partir do que narram sobre si em seus escritos. Para isso, realizamos a análise documental de textos produzidos por homens e mulheres privados de liberdade, em diferentes projetos educativos escolares e não escolares, em estabelecimentos prisionais da região Sul do Brasil e publicados em revistas e livros. As reflexões deste artigo estão vinculadas às pesquisas desenvolvidas pelas autoras.
Palavras-chave:
educação em contextos de privação de liberdade, educação em prisões, direito à educação, sujeitos da EJADOI:
https://doi.org/10.22491/rieja.v9i17.28438Referências
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