Ensinoaprendizagem com o currículo integrado da EJA-EPT (PROEJA)
estudo de caso no curso técnico em artesanato do IFAL
Resumo
Este artigo apresenta os achados de uma pesquisa desenvolvida no Grupo de Pesquisa Multidisciplinar em Educação de Jovens e Adultos (Multieja, Ufal-CNPq), com o objetivo de compreender, nos cotidianos do Curso Técnico em Artesanato (CTA) do Instituto Federal de Alagoas (Ifal), o processo de ensinoaprendizagem de uma egressa, entre os anos de 2008 e 2012. A investigação problematizou até que ponto o currículo da Educação de Jovens e Adultos integrado à Educação Profissional Tecnológica (EJA/EPT – Proeja), praticado no CTA, permitiu/permite o avanço ─ ou não ─ da cópia à criação nos produtos artesanais desenvolvidos durante a formação. A metodologia adotada foi o estudo de caso, por meio de uma investigação qualitativa, com a abordagem nos/dos/com os cotidianos, a partir de sessões-conversas, quando escutamos as memórias dos seus praticantespensantes ─ entre elas, a egressa e sete docentes que participaram de sua formação. As análises foram construídas com base nas narrativas escritas e imagéticas, dos documentos institucionais e materiais da estudante, em diálogo com autores como Benjamin, Bosi, De Certeau, Freire, Oliveira e Ostrower. A triangulação dos dados evidenciou o avanço na criação e novos posicionamentos da artesã-estudante no mundo, sob a perspectiva do “ser mais”, superando as “situações-limite” e alcançando os “inéditos viáveis”, resultado de práticas emancipatórias sustentadas pela ação comprometida das/dos docentes e da discente em um currículo pensadopraticado.
Palavras-chave:
currículo integrado, EJA-EPT, cotidianosDOI:
https://doi.org/10.22491/rieja.v9i17.27987Referências
BOSI, Ecléa. Memória e sociedade: lembranças de velhos. São Paulo: Companhia das Letras, 2016.
BOSI, Ecléa. A pesquisa em memória social. Psicologia USP, v. 4, n. 1-2, p. 277-284, 1993. Disponível em: http://pepsic.bvsalud.org/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1678-51771993000100012. Acesso em: 17 jan. 2024.
BRASIL. Decreto nº 5.478/2005, de 24 de junho de 2005. Institui, no âmbito das instituições federais de educação tecnológica, o Programa de Integração da Educação Profissional ao Ensino Médio na modalidade de Educação de Jovens e Adultos – Proeja. Brasília, DF: Presidência da República, 2005. Disponível em: https://legislacao.presidencia.gov.br/atos/?tipo=DEC&numero=5478&ano=2005&ato=2ffk3ZU5UMRpWT7b4. Acesso em: 14 jun. 2022.
BRASIL. Ministério da Educação. PROEJA: Programa Nacional de Integração da Educação Profissional com a Educação Básica na Modalidade de Educação de Jovens e Adultos – Educação Profissional Técnica de Nível Médio / Ensino Médio – Documento Base. Brasília, DF: Ministério da Educação, 2007.
BÜRDEK, Bernhard E. Design: história, teoria e prática do design de produtos. São Paulo: Blücher, 2006.
CANDAU, Vera Maria Ferrão. Diferenças Culturais, cotidiano escolar e práticas pedagógicas. Currículo sem Fronteiras, v. 11, n. 2, p. 240-255, jul/dez 2011. Disponível em: http://www.curriculosemfronteiras.org/vol11iss2articles/candau.pdf. Acesso em: 22 maio 2026.
COLASANTI, Marina. A moça tecelã. São Paulo: Global Editorial, 1991.
CUNHA, Aline Lemos da; EGGERT, Edla. O ensino do crochê de grampada como possibilidade emancipatória para mulheres negras em Rio Grande, RS. In: EGGERT, Edla (org.). Processos educativos no fazer artesanal de mulheres do Rio Grande do Sul. Santa Cruz do Sul: EDUNISC, 2011. p. 58-74.
DE CERTEAU, Michel. A cultura do plural. Campinas: Papirus, 2016.
ENCONTRO Nacional da EJA aprova proposições para efetivar acesso, permanência e êxito dos estudantes. IFG, 25 maio 2018. Disponível em: https://www.ifg.edu.br/component/content/article/130-ifg/campus/cidade-de-goias/noticias-campus-cidade-de-goias/8449-encontro-nacional-da-eja-aprova-proposicoes-para-efetivar-acesso-permanencia-e-exito-dos-estudantes. Acesso em: 16 de jun. de 2024.
FAZENDA, Ivani Catarina Arantes. Interdisciplinaridade: história, teoria e pesquisa. Campinas: Papirus, 2005.
FERRAÇO, Carlos Eduardo; SOARES, Maria da Conceição Silva; ALVES, Nilda. A pesquisa nos/dos/cotidianos em educação. In: FERRAÇO, Carlos Eduardo; SOARES, Maria da Conceição Silva Soares; ALVES, Nilda. (org.). Michel de Certeau e as pesquisas nos/dos/com os cotidianos em educação. Rio de Janeiro: UERJ, 2018. p. 89-103.
FREIRE, Ana Maria Araújo. Inédito Viável. In: STRECK, Danilo R.; REDIN, Euclides; ZITKOSKI, Jaime José (org.). Dicionário Paulo Freire. Belo Horizonte: Autêntica Editora, 2017. p. 223-225.
FREIRE, Paulo. Educação e mudança. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 2013.
FREIRE, Paulo. Pedagogia do oprimido. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1983.
GOMES, Maria de Fátima Feitosa Amorim. Permanência escolar na educação de jovens e adultos: in(re)sistência pelo direito à educação. 2021. Tese (Doutorado em Educação) – Centro de Educação, Universidade Federal de Alagoas, Maceió, 2021.
INSTITUTO FEDERAL DE ALAGOAS. Plano pedagógico do curso técnico integrado em artesanato. Maceió: Ifal, 2008. Disponível em: https://www2.ifal.edu.br/campus/maceio/ensino/cursos/tecnicos-integrados/arquivos/plano-pedagogico-do-curso-tecnico-integrado-em-artesanato-eja-campus-maceio-2008.pdf/view. Acesso em: 22 maio 2026.
LEITE, Vania Finholdt Angelo. Ser Mais: coerência entre a vida e o conceito de Paulo Freire. Práxis Educativa, v. 16, e2116581, 2021. Disponível em: https://revistas.uepg.br/index.php/praxiseducativa/pt_BR/article/view/16581. Acesso em: 30 jun. 2024.
LIMA, Cleiton Faria; SOARES, Aparecido José Couto. Estresse, atenção e efeitos na aprendizagem de adultos: dados da literatura. In: Revista Contemporânea de Educação, v. 14, n. 31, set/dez. 2019, p. 235-253. Disponível em: https://revistas.ufrj.br/index.php/rce/article/view/24007. Acesso em: 12 dez. 2023.
LIRA, Iolita Marques de. Da cópia à criação no curso técnico em artesanato do Ifal: experiências na educação profissional de jovens e adultos. 190 f. Dissertação (Mestrado em Educação Brasileira) – Centro de Educação, Universidade Federal de Alagoas, Maceió, 2019.
MARINHO, Paulo Manuel Teixeira. Portfólio: um caminho didáctico. Recife: Bagaço, 2008.
MÉSZÁROS, István. A educação para além do capital. São Paulo: Boitempo, 2008.
MORIN, André. Articular os saberes. São Paulo: De Petrus, 2004, p. 65-80.
MOURA, Dante Henrique; HENRIQUE, Ana Lúcia Sarmento. Proeja: entre desafios e possibilidades. In: Holos, v. 2, 2012, p. 114-129. Disponível em: https://www2.ifrn.edu.br/ojs/index.php/HOLOS/article/view/914. Acesso em: 23 nov. 2022
OLIVEIRA, Fernanda. Noeme: florear de beleza. Rio de Janeiro: Oito e Meio, 2023.
OLIVEIRA, Inês Barbosa de. Currículos e pesquisas com os cotidianos: o caráter emancipatório dos currículos pensadospraticados pelos praticantespensantes dos cotidianos das escolas. In: FERRAÇO, Carlos Eduardo; CARVALHO, Janete Magalhães (org.). Currículos, pesquisas, conhecimentos e produção de subjetividades. Petrópolis: DP et Alii; Vitória: Nupec/Ufes, 2013. p. 47-70.
OLIVEIRA, Inês Barbosa de. O currículo como criação cotidiana. Petrópolis: DP et Alii; Rio de Janeiro: Faperj, 2012.
OSTROWER, Fayga. Criatividade e processos de criação. Petrópolis: Vozes, 1999.
SIEBER, Shana Sampaio; FUNARI, Juliana Nascimento; MORAES, Lorena Lima de. “Se eu não tivesse casado, eu não tinha parado de estudar”: desafios para igualdade de gênero no acesso à educação de jovens e adultos do campo à cidade. In: #Tear: Revista de Educação Ciência e Tecnologia, v. 8, n. 1, 2019, p. 1-22. Disponível em: https://periodicos.ifrs.edu.br/index.php/tear/article/view/3373/2301. Acesso em: 21 mar. 2023.
SILVA, Márcia Alves da; EGGERT, Edla. Descosturar o doméstico e a ‘madresposa’ – a busca da autonomia por meio do trabalho artesanal. In: EGGERT, Edla (org.). Processos educativos no fazer artesanal de mulheres do Rio Grande do Sul. Santa Cruz do Sul: EDUNISC, 2011. p. 41-59.
SILVA, Tomaz Tadeu da. O currículo como fetiche: a poética e a política do texto curricular. Belo Horizonte: Autêntica Editora, 2010.
Downloads
Publicado
Como Citar
Edição
Seção
Licença
Copyright (c) 2026 Iolita Lira, Marinaide Freitas Ferri, Rossana Viana Gaia

Este trabalho está licenciado sob uma licença Creative Commons Attribution-NonCommercial 4.0 International License.
http://creativecommons.org/licenses/by-nc/4.0
Autores mantém os direitos autorais e concedem à revista o direito de primeira publicação, com o trabalho simultaneamente licenciado sob a Licença Creative Commons Attribution que permite o compartilhamento do trabalho.
Copiar e redistribuir o material em qualquer suporte ou formato.
Adaptar — remixar, transformar, e criar a partir do material
Encaminhamento dos textos para a revista implica a autorização para a publicação.
A aceitação para a publicação implica na cessão de direitos de primeira publicação para a revista.
Os direitos autorais permanecem com os autores.
Os autores dos textos assumem que são autores de todo o conteúdo fornecido na submissão e que possuem autorização para uso de conteúdo protegido por direitos autorais reproduzido em sua submissão.

