Trabalhadoras Domésticas

relações de trabalho antes, durante e após a pandemia

Autores

Palavras-chave:

; Formação de Professores

Resumo

Esse artigo apresenta análise de parte dos dados produzidos em pesquisa de pós-doutorado, que buscou identificar como a pandemia de covid-19 afetou as relações de trabalho de alunas matriculadas na EJA que atuavam como empregadas domésticas até o momento em que se recomendou o isolamento social. A pesquisa de natureza qualitativa, pautada pela realização de entrevistas semiestruturadas, identificou que exerciam uma ocupação marcada por elevada informalidade, apesar de passada uma década da “PEC das Domésticas”,  de modo que seus rendimentos não estavam garantidos em caso de ausência de trabalho.  Os resultados mostram como o endurecimento das medidas de quarentena impactaram diretamente seus meios de subsistência. Dispensadas sem nenhum tipo de acerto ou apoio financeiro, a necessidade de sobrevivência foi fator decisivo para buscarem novas fontes de renda para subsistência, em vez de priorizarem o isolamento. Concluímos que vivem em seu dia a dia, ainda atualmente, consequências da pandemia, convivendo diariamente com os resultados das mudanças ocorridas naquele período no que diz respeito à vida profissional. Assim, o evento da pandemia causou uma mudança de efeitos duráveis, expondo de modo ainda mais a necessidade de políticas públicas que atendam a essa população, diminuindo a sua  fragilidade e aumentando suas possibilidades de reorganizar ou replanejar suas vidas, seus sonhos e projetos.

Downloads

Não há dados estatísticos.

Biografia do Autor

Ludimila Correa Bastos, UFMG

Possui graduação em Pedagogia pela Universidade Federal de Minas Gerais (2008) e mestrado em Educação
(2011) pela mesma instituição. Doutora em Educação (2017), também pela UFMG. Professora das séries inciais do Ensino Fundamental na EJA.Diretora escolar na rede pública de ensino

Carmem Eiterer, UFMG

Graduada em Filosofia pela FFLCH-USP (Bacharel, 1992 e Licenciatura, 1993), Mestre em Educação pela FE-USP (Área Didática, sub área Linguagem e Educação - 1996) e Doutora em Educação pela FE-USP (Área Didática sub área Linguagem e Educação - 2001) com pós-doutorado pela UFBA e pela UFRJ. Professora Titular em Didática atua no Departamento de Métodos e Técnicas de Ensino (DMTE) da Faculdade de Educação da Universidade Federal de Minas Gerais (FaE-UFMG). Leciona Didática junto a diferentes cursos de Licenciatura na Graduação. Pesquisadora do NEJA - Núcleo de Educação de Jovens e Adultos desde 2002. Orienta diferentes pesquisas de mestrado e doutorado relativas à Educação de Jovens e Adultos (EJA), especialmente no recorte das especificidades dos sujeitos da educação. Integra a Linha de Pesquisa Educação, Cultura, Movimentos Sociais e Ações Coletivas do Programa de Pós Graduação em Educação: Educação e Inclusão Social desde 2005. Integra o grupo de pesquisa Didaktikè e a linha Didática e Docência no Programa de Mestrado Profissional - Promestre (FaE-UFMG) onde orienta estudos em temas relativos à Didática.

Referências

ALMEIDA NETO, Francisco Sérgio de. Abrem-se as portas da senzala? Análise da dinâmica da ação coletiva das filiadas ao sindicato das empregadas domésticas de João Pessoa – PB. 2014. 176 f. Dissertação (Mestrado em Administração). Centro de Ciências Sociais Aplicadas, Universidade Federal da Paraíba, João Pessoa, 2014.

ANGOTTI, Bruna; VIEIRA, Regina Stela Corrêa (org.). Cuidar, verbo coletivo, diálogo sobre o cuidado na pandemia da Covid-19. Santa Catarina: UNOESC, 2020. 256 p.

ARAUJO, Veronica Souza de; OLIVEIRA, Rachel Barros de. Cuida de quem te cuida: a luta das trabalhadoras domésticas durante a pandemia de Covid-19 no Brasil. Revista Trabalho Necessário, v. 19, n. 38, p. 126-151, jan/abr. 2021. DOI: https://doi.org/10.22409/tn.v19i38.48187. Disponível em: https://periodicos.uff.br/trabalhonecessario/article/view/48187/28410. Acesso em: 24/04/2024.

ÁVILA, Maria Betânia; FERREIRA, Verônica. Trabalho doméstico remunerado: contradições estruturantes e emergentes nas relações sociais no Brasil. Recife: SOS Corpo- Instituto Feminista para a Democracia, 2020.

BASTOS, Ludimila Corrêa; EITERER, Carmem Lúcia. Traçando metas, vencendo desafios: experiências escolares de mulheres egressas da EJA. In: EITERER, Carmem Lúcia;

CAMPOS, Rogério Cunha. (Orgs.). Sujeitos sociais, processos educativos e enfrentamentos da exclusão. 1ª ed. Belo Horizonte: Mazza edições, v. 01, 2012, p. 92-107.

BENEDITO, Alessandra. Igualdade e diversidade no trabalho da mulher negra: superando obstáculos por meio do trabalho decente. 2008. 151 f. Dissertação (Mestrado em Direito Político e Econômico). Faculdade de Direito, Universidade Presbiteriana Mackenzie, São Paulo, 2008.

BRITES, Jurema. Afeto e desigualdade: gênero, geração e classe entre empregadas domésticas e seus empregadores. Cadernos Pagu, n. 29, p. 91–109, jul. 2007. Disponível em: https://doi.org/10.1590/S0104-83332007000200005. Acesso em: 29/08/2023.

EVANGELISTA, Ana Paula. Negros são os que mais morrem por covid-19 e os que menos recebem vacinas no Brasil. Fiocruz: Escola Politécnica de Saúde Joaquim Venâncio, 2021.

GIRARD-NUNES, Christiane; SILVA, Pedro Henrique Isaac. Entre o prescrito e o real: o papel da subjetividade na efetivação dos direitos das empregadas domésticas no Brasil. Revista Sociedade e Estado. [S. l.], v. 28, n. 3., p. 587-606, set-dez, 2013. Disponível em: https://www.scielo.br/j/se/a/7HnVhjZQJxmQysymVPNNDhL/?lang=pt. Acesso em: 28/10/2023.

GUIMARÃES, Araujo Nadya; VIEIRA, Priscila Ferreira Faria. As “ajudas”: o cuidado que não diz seu nome. In.: Estudos Avançados, USP, 38, p. 1-18, dez. 2020. Doi: 10.1590/s0103-4014.2020.3498.00.

IBGE – Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD). Rio de Janeiro, 2018. Acesso em: 10/10/2023.

IBGE – Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. Instrumentos de coleta. PNAD COVID-19. Rio de Janeiro, 2021. Disponível em: https://biblioteca.ibge.gov.br/visualizacao/instrumentos_de_coleta/doc5586.pdf. Acesso em 25/03/2023.

IBGE – Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD). Rio de Janeiro, 2011. Disponível em: http://www.ibge.gov.br/home/estatistica/populacao/trabalhoerendimento/pnad2011. Acesso em: 22/03/2023

IBGE – Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD). Rio de Janeiro, 2022. Disponível em: http://www.ibge.gov.br/home/estatistica/populacao/trabalhoerendimento/pnadcontinua2022. Acesso em: 26/12/2023)

IPEA – Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada. 120 anos da Abolição. Brasília: Ipea, 2023.Disponível em: http://www.ipea.gov.br/sites/002/pdf/08_05_13_120anosAbolicaoVcoletiva. Acesso em 21/03/2023.

OTTO, Natália Bittencourt. Quem consegue viver sem empregada? Gênero e classe social na cobertura da PEC das Domésticas. In: Seminário Corpo, Gênero e Sexualidade, 2014, Juiz de Fora, MG. Anais do VI Seminário Corpo, Gênero e Sexualidade; II Seminário Internacional Corpo, Gênero e Sexualidade. Juiz de Fora, MG: Lavras, 2014. p. 3318-3333.

PAINEL de casos de doença pelo coronavírus 2019 (COVID-19) no Brasil. [S. l.]. Disponível em: https://covid.saude.gov.br/. Acesso em: 16/02/2023.

PINHEIRO, Luana; TOKARSKI, Carolina e VASCONCELOS, Marcia. Vulnerabilidades das trabalhadoras domésticas no contexto da pandemia de covid-19 no Brasil. ONU Mulheres: Disoc- Diretoria de Estudos e Políticas Sociais, nº 75, jun., 2020.

SILVA, Julia Canela. Mulheres que se contam: histórias de vida e narrativas de educandas chefes de família da Educação de Jovens e Adultos. 1052 f. Dissertação (Mestrado em Educação), Faculdade de Educação, Universidade Federal de Juiz de Fora. Juiz de Fora, 2023.

Arquivos adicionais

Publicado

2025-03-19

Como Citar

CORREA BASTOS, L.; EITERER, C. L. Trabalhadoras Domésticas: relações de trabalho antes, durante e após a pandemia . Revista Internacional de Educação de Jovens e Adultos, [S. l.], v. 7, n. 14, p. 163–180, 2025. Disponível em: https://www.revistas.uneb.br/rieja/article/view/22309. Acesso em: 11 jun. 2026.