Artesanatos no Sistema Socioeducativo
desvelamento de sentidos para o trabalho pedagógico
Palavras-chave:
Medidas Socioeducacionais, Percepção do Adolescente, Expressividade, Educação como ArteResumo
Esse artigo busca compreender o processo socioeducativo de adolescentes internados no Centro de Atendimento Socioeducativo de Lages (SC) a partir da análise da prática de fabricação de artesanatos (Origamis). Objetiva-se apreender alguns sentidos da expressividade de sujeitos privados de liberdade, a partir de suas produções no seu “tempo livre” (escola como skholè). Trata-se de uma pesquisa qualitativa, baseada em uma investigação narrativa com aporte documental. A fundamentação da pesquisa se concentra na análise do discurso legal do Sistema Socioeducativo, bem como em autores que discutem contemporaneamente o sentido da escola, como Masschelein e Simons. A pesquisa proporcionou verificar registros de outras trajetórias sensíveis dentro do sistema. O foco tão somente nos processos de escolarização, na inserção desses jovens na escola do espaço socioeducativo, não é suficiente para pensarmos as potencialidades do trabalho pedagógico, da construção de pontes de conversa e compreensão para um processo de socioeducação mais amplo. Percebe-se que, com a fabricação de artesanatos, algumas compreensões sobre seus processos de vida atravessam a interação pedagógica, como os sentidos de Poder; “Cadeia”?; O “menino” e o “pai”; A figura materna; Futuro. Com isso, acredita-se e espera-se, como educadores, que pequenos gestos com os adolescentes dentro da unidade oportunizem novas miradas sobre a vida e sobre o papel da educação nesse contexto. Uma simples folha de papel é, assim, capaz de transformar experiências, de construir memórias, transportando afetividades e compreensões de mundo.
Downloads
Referências
BRASIL. Constituição da República Federativa do Brasil, de 05 de dezembro de 1988. Brasília, 1988. Disponível em: https://www.stf.jus.br/arquivo/cms/publicacaoLegislacaoAnotada/anexo/constituicao.pdf. Acesso em 19 fev. 2023.
BRASIL. Lei nº 12.594, de 18 de janeiro de 2012. Brasília, 2012. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2011-2014/2012/lei/l12594.htm. Acesso em: 18 fev. 2023.
BRASIL. Lei nº 8.069, de 13 de julho de 1990. Brasília, 1990. Disponível em: https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l8069.htm. Acesso em: 17 fev. 2023.
BRETON, Hervé. Investigação narrativa em ciências humanas e sociais. Trad. Camila Aloisio Alves. São Paulo: Fundação Carlos Chagas, 2023.
COSCIONI, V. et al. O cumprimento da medida socioeducativa de internação no Brasil: uma revisão sistemática da literatura. Psico, Porto Alegre, v. 48, n. 3, p. 231, set. 2017. DOI: https://doi.org/10.15448//1980-8623.2017.3.24920. Disponível em: https://revistaseletronicas.pucrs.br/ojs/index.php/revistapsico/article/view/24920. Acesso em: 27 fev. 2023.
COSTA, C. S. S.; ALBERTO, M. F. P.; SILVA, E. B. F. L. Vivências nas Medidas Socioeducativas: Possibilidades para o Projeto de Vida dos Jovens. Psicologia Ciência e Profissão, Brasília, v. 39, p. 1-16, 2019. DOI: https://doi.org/10.1590/1982-3703003186311. Disponível em: https://www.scielo.br/j/pcp/a/gGk76g3HvbkQ95Y6G6ryGKB/?format=html. Acesso em: 27 fev. 2023.
FOUCAULT, Michel. Vigiar e punir. Petrópolis: Vozes, 1987.
FOUCAULT, Michel. A verdade e as formas jurídicas. Rio de Janeiro: Nau Editora, 1999.
FUNDAÇÃO ABRINQ. Observatório da Criança e do Adolescente. População estimada pelo IBGE segundo faixas etárias. São Paulo: Fundação Abrinq, 2023. Disponível em: https://observatoriocrianca.org.br/cenario-infancia/temas/populacao/1048-populacao-estimada-pelo-ibge-segundo-faixas-etarias?filters=1,1627. Acesso em: 27 fev. 2023.
MASSCHELEIN, Jan.; SIMONS, Maarten. A pedagogia, a democracia, a escola. Belo Horizonte: Autêntica, 2014a.
MASSCHELEIN, Jan.; SIMONS, Maarten. Em defesa da escola: uma questão pública. Belo Horizonte: Autêntica, 2014b.
MOTT, F.L. et al, Early childbearing and completion of high-school. Fam Plann Perspect 17: 234, 1985.
MPSC. Ministério Público de Santa Catarina. Santa Catarina é um dos poucos estados sem superlotação no sistema socioeducativo. Florianópolis: MPSC, 2019. Disponível em: https://www.mpsc.mp.br/noticias/santa-catarina-e-um-dos-poucos-estados-sem-superlotacao-no-sistema-socioeducativo. Acesso em: 27 fev. 2023.
SANTA CATARINA. DEASE – Departamento de Administração Socioeducativa. Florianópolis, 2023. Disponível em: https://www.dease.sc.gov.br/unidades/centro-de-atendimento-socioeducativo. Acesso em 21 fev. 2023.
Arquivos adicionais
Publicado
Como Citar
Edição
Seção
Licença
Copyright (c) 2025 Ariana de Sousa Bitencourt, Vinícius Bertoncini Vicenzi

Este trabalho está licenciado sob uma licença Creative Commons Attribution-NonCommercial 4.0 International License.
http://creativecommons.org/licenses/by-nc/4.0
Autores mantém os direitos autorais e concedem à revista o direito de primeira publicação, com o trabalho simultaneamente licenciado sob a Licença Creative Commons Attribution que permite o compartilhamento do trabalho.
Copiar e redistribuir o material em qualquer suporte ou formato.
Adaptar — remixar, transformar, e criar a partir do material
Encaminhamento dos textos para a revista implica a autorização para a publicação.
A aceitação para a publicação implica na cessão de direitos de primeira publicação para a revista.
Os direitos autorais permanecem com os autores.
Os autores dos textos assumem que são autores de todo o conteúdo fornecido na submissão e que possuem autorização para uso de conteúdo protegido por direitos autorais reproduzido em sua submissão.





