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			<journal-id journal-id-type="publisher-id">RIEJA</journal-id>
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				<journal-title>Revista Internacional de Educação de Jovens e Adultos</journal-title>
				<abbrev-journal-title abbrev-type="publisher">Rev. Int. Educ. Jovens Adultos</abbrev-journal-title>
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			<issn pub-type="epub">2595-6329</issn>
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				<publisher-name>Universidade do Estado da Bahia</publisher-name>
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			<article-id pub-id-type="doi">10.22491/RIEJA.V9I17.27987</article-id>
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				<subj-group subj-group-type="heading">
					<subject>DOSSIÊ</subject>
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				<article-title><italic>ENSINOAPRENDIZAGEM</italic> COM O CURRÍCULO INTEGRADO DA EJA-EPT (PROEJA): ESTUDO DE CASO NO CURSO TÉCNICO EM ARTESANATO DO IFAL</article-title>
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					<trans-title>TEACHING AND LEARNING WITHIN THE INTEGRATED CURRICULUM OF EJA-EPT (PROEJA): A CASE STUDY IN THE TECHNICAL COURSE IN CRAFTS AT IFAL</trans-title>
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					<trans-title>ENSEÑANZA-APRENDIZAJE CON EL CURRÍCULO INTEGRADO DE EJA-EPT (PROEJA): ESTUDIO DE CASO EN EL CURSO TÉCNICO EN ARTESANÍA DEL IFAL</trans-title>
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				<contrib contrib-type="author">
					<contrib-id contrib-id-type="orcid">0000-0003-1320-2501</contrib-id>
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						<surname>LIRA</surname>
						<given-names>IOLITA MARQUES DE</given-names>
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					<bio>
						<p>Doutora e Mestra em Educação pela Universidade Federal de Alagoas (PPGE/CEDU/UFAL). Especialista em Metodologia do Ensino de Projetos pelo Centro Federal de Educação e Tecnologia de Minas Gerais (CEFET-MG). Professora do Instituto Federal de Alagoas (IFAL). Membro do Grupo de Pesquisa Multidisciplinar em Educação de Jovens e Adultos (Multieja - UFAL/CNPq).</p>
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				<contrib contrib-type="author">
					<contrib-id contrib-id-type="orcid">0000-0003-3659-4165</contrib-id>
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						<surname>FREITAS</surname>
						<given-names>MARINAIDE</given-names>
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					<xref ref-type="aff" rid="aff2"><sup>2</sup></xref>
					<xref ref-type="corresp" rid="c2"/>
					<bio>
						<p>Doutora em Linguística. Pós-doutora em Educação (U. Porto). Professora da Pós-graduação em Educação do Centro de Educação (CEDU) da Universidade Federal de Alagoas (UFAL). Líder do Grupo de Pesquisa Multidisciplinar em Educação de Jovens e Adultos (Multieja - CEDU - UFAL - CNPq). Integra o Núcleo de Acesso e Permanência na Educação (IFF/UENF). Faz parte da Comunidade Prática de Investigação CAFTe - Currículo, Avaliação, Formação e Tecnologias Educativas, da Faculdade de Psicologia e Ciências da Educação da Universidade do Porto - Portugal. Ocupa a Cadeira de número 27 da Academia Alagoana de Educação (ACALE).</p>
					</bio>
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					<contrib-id contrib-id-type="orcid">0000-0001-7592-1881</contrib-id>
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						<surname>GAIA</surname>
						<given-names>ROSSANA VIANA</given-names>
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					<xref ref-type="aff" rid="aff1"><sup>3</sup></xref>
					<xref ref-type="corresp" rid="c3"/>
					<bio>
						<p>Doutora em Linguística pela Universidade Federal de Alagoas (PPGLL/UFAL). Mestra em Educação pela Universidade Federal da Paraíba (PPGE/UFPE). Especialista em Docência na Educação Profissional (IFAL) e em Literatura Brasileira (UFAL). Professora titular aposentada do Instituto Federal de Alagoas (IFAL). Integra o Grupo de Estudos e Pesquisas sobre Educação Profissional e Tecnológica (GEPEPT/IFAL/CNPq).</p>
					</bio>
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				<label>1,3</label>
				<institution content-type="original"> Instituto Federal de Alagoas - IFAL</institution>
				<institution content-type="normalized">Instituto Federal de Alagoas</institution>
				<institution content-type="orgname">Instituto Federal de Alagoas - IFAL</institution>
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				<label>2</label>
				<institution content-type="original">Universidade Federal de Alagoas - UFAL</institution>
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			<author-notes>
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					<label>E-mail:</label>
					<email>iolita.lira@ifal.edu.br</email>
				</corresp>
				<corresp id="c2">
					<label>E-mail:</label>
					<email>naide12@hotmail.com</email>
				</corresp>
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					<label>E-mail:</label>
					<email>rossana.gaia@ifal.edu.br</email>
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			</author-notes>
			<pub-date date-type="pub" publication-format="electronic">
				<day>25</day>
				<month>08</month>
				<year>2026</year>
			</pub-date>
			<pub-date date-type="collection" publication-format="electronic">
				<year>2026</year>
			</pub-date>
			<volume>9</volume>
			<issue>17</issue>
			<fpage>12</fpage>
			<lpage>26</lpage>
			<history>
				<date date-type="pub">
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					<month>07</month>
					<year>2026</year>
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				<license license-type="open-access" xlink:href="https://creativecommons.org/licenses/by-nc/4.0/" xml:lang="pt">
					<license-p>Este é um artigo publicado em acesso aberto sob uma licença Creative Commons</license-p>
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			<abstract>
				<title>RESUMO</title>
				<p>Este artigo apresenta os achados de uma pesquisa desenvolvida no Grupo de Pesquisa Multidisciplinar em Educação de Jovens e Adultos (Multieja, Ufal-CNPq), com o objetivo de compreender, nos cotidianos do Curso Técnico em Artesanato (CTA) do Instituto Federal de Alagoas (Ifal), o processo de <italic>ensinoaprendizagem</italic> de uma egressa, entre os anos de 2008 e 2012. A investigação problematizou até que ponto o currículo da Educação de Jovens e Adultos integrado à Educação Profissional Tecnológica (EJA/EPT - Proeja), praticado no CTA, permitiu/permite o avanço ─ ou não ─ da cópia à criação nos produtos artesanais desenvolvidos durante a formação. A metodologia adotada foi o estudo de caso, por meio de uma investigação qualitativa, com a abordagem nos/dos/com os cotidianos, a partir de sessões-conversas, quando escutamos as memórias dos seus <italic>praticantespensantes</italic> ─ entre elas, a egressa e sete docentes que participaram de sua formação. As análises foram construídas com base nas narrativas escritas e imagéticas, dos documentos institucionais e materiais da estudante, em diálogo com autores como Benjamin, Bosi, De Certeau, Freire, Oliveira e Ostrower. A triangulação dos dados evidenciou o avanço na criação e novos posicionamentos da artesã-estudante no mundo, sob a perspectiva do “ser mais”, superando as “situações-limite” e alcançando os “inéditos viáveis”, resultado de práticas emancipatórias sustentadas pela ação comprometida das/dos docentes e da discente em um currículo <italic>pensadopraticado</italic>.</p>
			</abstract>
			<trans-abstract xml:lang="en">
				<title>ABSTRACT</title>
				<p>This study describes the findings of research within the Multidisciplinary Research Group on Youth and Adult Education (Multieja, Ufal-CNPq) to understand the teaching and learning process in the Technical Course in Crafts (CTA) at the Federal Institute of Alagoas via the experience of a graduate from 2008 to 2012. It investigated the extent to which the Youth and Adult Education curriculum - integrated with Vocational and Technological Education (EJA/EPT - Proeja) as implemented in the CTA - enabled or failed to enable a shift from reproduction to creation in the artisanal products developed during training. A case study methodology was adopted grounded in qualitative research and an in/of/with everyday life approach based on conversational sessions by which we accessed the memories of its reflective practitioners (including the graduate and seven teachers in her training). The analysis stemmed from written and visual narratives, institutional documents, and the student’s own materials in dialogue with authors such as Benjamin, Bosi, De Certeau, Freire, Oliveira, and Ostrower. Data triangulation showed progress in creation and in the student-artisan’s reconfiguration of her place in the world from the perspective of “being more,” overcoming “limit situations,” and achieving “viable newness”: the outcome of emancipatory practices sustained by the committed engagement of teachers and students in a thought-practiced curriculum.</p>
			</trans-abstract>
			<trans-abstract xml:lang="es">
				<title>RESUMEN</title>
				<p>Este artículo presenta los hallazgos de una investigación desarrollada en el Grupo de Investigación Multidisciplinario en Educación de Jóvenes y Adultos (Multieja, Ufal-CNPq), con el objetivo de comprender, en lo cotidiano del Curso Técnico en Artesanía (CTA) del Instituto Federal de Alagoas (Ifal), el proceso de enseñanza-aprendizaje de una persona egresada entre los años 2008 y 2012. Esta investigación problematizó en qué medida el currículo de Educación de Jóvenes y Adultos integrado a la Educación Profesional Tecnológica (EJA/EPT - Proeja), practicado en el CTA, permitió/posibilita el avance ─o no─ de la copia a la creación en los productos artesanales desarrollados durante la formación. La metodología adoptada fue el estudio de caso, mediante una investigación cualitativa, con abordaje en/de/con la vida cotidiana, a partir de sesiones de conversación, cuando escuchamos las memorias de sus practicantes pensantes ─entre ellos, la graduada y siete profesores que participaron de su formación. Los análisis se construyeron con base en narrativas escritas y visuales, documentos institucionales y materiales de la estudiante, en diálogo con autores como Benjamin, Bosi, De Certeau, Freire, Oliveira y Ostrower. La triangulación de datos destacó el avance en la creación y nuevos posicionamientos de la artesana-estudiante en el mundo, desde la perspectiva de “ser más” al superar “situaciones límite” y lograr “cosas nuevas viables”, fruto de prácticas emancipadoras apoyadas en la acción comprometida de los y las docentes y de la estudiante en un currículo pensado practicado.</p>
			</trans-abstract>
			<kwd-group xml:lang="pt">
				<title>Palavras chaves:</title>
				<kwd>Currículo integrado</kwd>
				<kwd>EJA-EPT</kwd>
				<kwd>Cotidianos</kwd>
			</kwd-group>
			<kwd-group xml:lang="en">
				<title>Keywords:</title>
				<kwd>Integrated curriculum</kwd>
				<kwd>EJA-EPT</kwd>
				<kwd>Everyday life</kwd>
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				<title>Palabras clave:</title>
				<kwd>Currículo integrado</kwd>
				<kwd>EJA-EPT</kwd>
				<kwd>Vida cotidiana</kwd>
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	<body>
		<sec sec-type="intro">
			<title>CONSIDERAÇÕES INICIAIS</title>
			<p>Este artigo apresenta os resultados de uma pesquisa de mestrado, situada em uma investigação matriz sobre currículo integrado<xref ref-type="fn" rid="fn1"><sup>1</sup></xref> realizada no Grupo de Pesquisa Multidisciplinar em Educação de Jovens e Adultos (Multieja, CNPq/Ufal), com o objetivo de compreender, nos cotidianos do Curso Técnico em Artesanato (CTA) do Instituto Federal de Alagoas (Ifal), o processo de <italic>ensinoaprendizagem</italic><xref ref-type="fn" rid="fn2"><sup>2</sup></xref> de uma egressa que, estudou no curso entre os anos de 2008 e 2012.</p>
			<p>O referido Grupo, ao longo de sua existência, vem aprofundando entre seus debates e estudos, caminhos investigativos trilhados com base na necessidade de construção de lugares epistêmicos que referendassem o movimento operado de entrecruzamento e interfaces científicas. Do processo de avaliação e reorganização das suas linhas de estudo, elaborou, as seguintes Redes/Raízes Investigativas: i) Educação e Linguagem; ii) História e Memória; iii) Permanência Escolar; iv) Culturas Organizacionais escolares; v) Currículos e Cotidianos escolares, estando a pesquisa que ora socializamos seus achados, articulados a essa última linha, trazendo no seu contexto os saberes da educação de jovens e adultos e a educação profissional. </p>
			<p>O curso Técnico em Artesanato, objeto da pesquisa, iniciou a partir do Decreto nº 5.478, em 2005 (<xref ref-type="bibr" rid="B3">BRASIL, 2005</xref>), que representou um marco nas políticas públicas voltadas à educação de jovens e adultos, mais especificamente a educação profissional e tecnológica no Brasil, quando institui-se uma nova modalidade de cursos destinada aos então Centro Federais de Educação Tecnológica (CEFET), que passou a denominar-se Institutos Federais. Posteriormente reformulado pelo Decreto nº 5.840/2006 de 13 de julho de 2006 essa iniciativa ampliou o acesso à educação para jovens e adultos historicamente excluídos dos processos formais de escolarização, ao conciliar a formação básica com a qualificação profissional. Nesse cenário, foi criado o Programa Nacional de Integração da Educação Profissional com a Educação Básica na Modalidade de Educação de Jovens e Adultos (Proeja), com o objetivo de elevar os índices de escolarização e qualificação para o mundo do trabalho, promovendo uma nova leitura de mundo para esses sujeitos(as).</p>
			<p>Para contribuir na construção e implementação desses cursos no âmbito do Proeja, o Ministério da Educação (MEC) elaborou o Documento Base do programa, no qual se destaca a necessidade de uma formação que ultrapasse os limites da capacidade técnica, enfatizando o desenvolvimento da autonomia intelectual, ética, política e humana. Uma proposta com a finalidade de promover o processo formativo crítico e emancipatório, orientado por valores que priorizam o ser humano, suas relações sociais e ambientais, bem como o uso ético das tecnologias (<xref ref-type="bibr" rid="B4">BRASIL, 2007</xref>).</p>
			<p>O Documento Base ainda registra que:</p>
			<disp-quote>
				<p>Os sujeitos [e sujeitas] desse processo não tem garantia de emprego ou melhoria material de vida, mas abrirão possibilidade de alcançar esses objetivos, além de se enriquecerem com outras referências culturais, sociais, históricas, laborais, ou seja, terão a possibilidade de ler o mundo, no sentido freiriano, estando no mundo e o compreendendo de forma diferente da anterior ao processo formativo (<xref ref-type="bibr" rid="B4">BRASIL, 2007</xref>, p. 36).</p>
			</disp-quote>
			<p>A investigação, ora em foco, problematizou até que ponto o currículo da Educação de Jovens e Adultos integrado à Educação Profissional Tecnológica (EJA/EPT<xref ref-type="fn" rid="fn3"><sup>3</sup></xref> - Proeja), praticado no CTA, permitiu/permite o avanço ─ ou não ─ da cópia à criação nos produtos artesanais desenvolvidos no processo de formação de uma artesã-estudante e consequentemente no impacto emancipatório? </p>
			<p>Para alcançar o objetivo e “responder” a problematização utilizamos como metodologia o estudo de caso, por meio de uma investigação qualitativa, com a abordagem nos/dos/com os cotidianos. Entendemos o cotidiano como:</p>
			<disp-quote>
				<p>[…] à vida de todo o dia e aos seus criadores que são, ao mesmo tempo, suas criações, simultaneamente, singulares e coletivas: os sujeitos - que somos e que vamos nos tornando −, as nossas práticas e os sentidos que a elas vamos atribuindo, tecendo e articulando redes de conhecimentos, de significações e de relações que vão construindo nossas subjetividades e orientando nossas ações. Cotidianos, então, lugar de produção de conhecimentos, incluindo-se, entre eles, os valores, e de produção da existência (<xref ref-type="bibr" rid="B12">FERRAÇO; SOARES; ALVES, 2018</xref>, p. 85).</p>
			</disp-quote>
			<p>Nesse sentido, compreendemos que a abordagem nos/dos/cotidianos permite compreender os processos de tessitura da emancipação social, ao descortinar práticas sociais que contribuem para transformar as formas de interação entre os(as) diferentes sujeitos(as) (<xref ref-type="bibr" rid="B26">OLIVEIRA, 2013</xref>). Trata-se de uma perspectiva que reconhece os cotidianos como espaços de aprendizagem e de formação mútua, nos quais “<italic>aprendemosensinamosaprendemos</italic>, formamos e nos formamos” (<xref ref-type="bibr" rid="B12">FERRAÇO; SOARES; ALVES, 2018</xref>, p. 98), em uma dinâmica contínua e coletiva de produção de saberes e sentidos. Para tanto, fizemos dois movimentos: por meio de sessões conversas<xref ref-type="fn" rid="fn4"><sup>4</sup></xref> escutamos as memórias dos seus <italic>praticantespensantes</italic> - a Egressa - sujeita do estudo e sete docentes que participaram de sua formação, como também, analisamos documentos.</p>
			<p>A sessão conversa, inspirada nos Círculos de Cultura de Paulo Freire, configurou-se como espaço dialógico de escuta sensível, partilha de experiência e a reconstrução das memórias formativas no período de 2008 - 2012 do curso durante a participação da artesã-estudante, sem a exigência de consenso, mas com o compromisso de uma reflexão crítica e transformadora. As sessões foram organizadas em dois encontros informais, um com a egressa e outro como o grupo de professores. </p>
			<p>Nas distintas contribuições de relatos da Egressa e seus/suas professores/as, para garantir o anonimato dos professores, utilizamos as letras iniciais dos componentes: Introdução ao Design (ID), Biologia (BIO), Atelier de Antropologia e Projeto de Valor Cultural (AAP) e a artesã-estudante recebeu o nome de Egressa.</p>
			<p>A informalidade e a fluidez das conversas favoreceram a emergência de narrativas menos estruturadas, mas significativas, contribuindo para a compreensão ampliada e situada dos cotidianos escolares e de seus possíveis efeitos emancipatórios. Sabemos que o tempo da pesquisa está no passado, nas memórias da egressa e de seus professores, um “mapa afetivo e intelectual da sua experiência” como diz <xref ref-type="bibr" rid="B2">Bosi (1993</xref>, p. 283), influenciada emocionalmente por quem visita a própria história e observa a si mesma.</p>
			<p>A análise documental foi utilizada como ferramenta, para identificar informações em documentos, com base na problematização e objetivo, o estudo entrecruzou as narrativas encontradas nas leituras das escritas e imagens registradas em documentos da Egressa, como o Portifólio construído durante o curso e o Trabalho de Conclusão de Curso (TCC) em Design de Interiores. Foram inseridos nessa análise os documentos da Instituição: o Projeto Pedagógico do Curso (PPC), Relatórios e Atas de Reuniões. </p>
			<p>Neste estudo, compreendemos o currículo integrado, como a articulação <italic>teoriaprática</italic> e os aspectos que englobam a educação geral, o ensino médio e profissional, para promover uma visão holística do aprendizado. Tratando das instituições de ensino federal, a integração trata de “três campos da educação que historicamente não estão muito próximos: o ensino médio, a formação profissional técnica de nível médio e a educação de jovens e adultos” (<xref ref-type="bibr" rid="B24">MOURA; HENRIQUE, 2012</xref>, p. 116), desafiando a dicotomia existente entre o ensino da formação geral e o ensino profissionalizante.</p>
			<p>Sobre o processo criativo, a cópia - foco importante nesta pesquisa -, foi considerada como uma ferramenta educativa, uma maneira de aprender um método ─ seja por tradição, revistas ou internet ─ para desenvolver habilidades motoras. Já a criação como algo inovador, acessível a todos, que envolve compreensão, relação, ordenação, configuração e atribuição de significado. </p>
			<p>Entre as questões de vida da Egressa, suas situações-limites e os inéditos-viáveis a serem alcançados, para permitir sua emancipação e consequentemente, “ser mais”, os definimos a partir dos conceitos freirianos. As situações-limites, vistas “[…] como se fosse determinantes históricas, esmagadoras, em face as quais não lhes cabe alternativas, senão adaptar-se” (<xref ref-type="bibr" rid="B15">FREIRE, 1983</xref>, p.110); os inéditos-viáveis, acreditar “[…] no sonho e na possibilidade da utopia. Nesse escopo, acredita-se na transformação das pessoas e no mundo” (<xref ref-type="bibr" rid="B13">FREIRE, 2017</xref>, p. 226); a emancipação, “[…] a grande tarefa humanística e histórica dos oprimidos - libertar-se a si e aos opressores” (<xref ref-type="bibr" rid="B15">FREIRE, 1983</xref>, p.31); e assim, “ser mais”, tornar-se sujeita de si, de sua fala e de sua ação, em um processo de construção ontológica permanente, onde a educação libertadora possibilita enfrentar “situações-limites”, fortalecer a identidade cultural, resistir às opressões e ter o sonho de transformação de si e da sociedade.</p>
			<p>Este artigo está organizado após as considerações iniciais, em caracterização da egressa e caracterização do currículo com as <italic>soluçõesações</italic> descritas pelos <italic>praticantespensantes</italic>. E por fim, as considerações finais. </p>
		</sec>
		<sec>
			<title>CARACTERIZAÇÃO DA EGRESSA</title>
			<p>A escolha da egressa para compor este estudo resultou, em primeiro lugar, por sua participação na primeira turma do curso, iniciada em 2008. Sua trajetória foi marcada por uma identidade forte e expressiva, que articula uma mistura de culturas e saberes, reflete suas raízes negras e indígenas, pernambucana de nascimento e alagoana, por afetividade. Observa-se na coleta de dados a presença significativa da história pessoal/social pela trajetória e representação entre tradição e transformação.</p>
			<p>Em segundo, a sua continuidade nos estudos por meio da verticalização no ensino superior do Ifal, dentro do mesmo eixo tecnológico de Produção Cultural e <italic>Design.</italic> Soma-se a isso o reconhecimento alcançado, tanto em âmbito local quanto nacional, a partir da sua produção artesanal desenvolvida após a conclusão do curso técnico. Reconhecimento em 2018, pela produção com identidade própria, originalidade, qualidade, inovação e proposta criativa no uso dos materiais, com o recebimento do Selo AMA do Instituto Nacional de Moda e <italic>Design</italic> (IN-MOD/Sebrae) em uma seleção nacional e o lançamento do livro com sua biografia, <italic>Noeme: florear de beleza</italic> de <xref ref-type="bibr" rid="B25">Oliveira (2023</xref>).</p>
			<p>Ao nomeá-la como Egressa, destacamos que os saberes prévios, adquiridos antes de ingressar no curso − e que integravam seus cotidianos − foram considerados e valorizados como parte do processo formativo. Essa é uma característica marcantes dos(as) sujeitos(as) da EJA. Essa perspectiva está em consonância com o Projeto Pedagógico do Curso (PPC), que estabelece, como pré-requisito para ingresso, que a pessoa candidata seja artesã ou demonstre habilidades no fazer artesanal. Dessa forma, o curso, ofertado no âmbito do Programa Nacional de Integração da Educação Profissional com a Educação Básica, na Modalidade da Educação de Jovens e Adultos (Proeja), alcança sua finalidade de ampliar o repertório profissional e contribuir para a formação crítica à leitura e à ação no mundo (<xref ref-type="bibr" rid="B17">IFAL, 2008</xref>). </p>
			<p>Durante a formação, a Egressa identificou cinco professores e duas professoras como parceiros no processo de aprendizagem. Reconhecendo-os como “[…] co-piloto[a] que, em cada momento solicitado [pela estudante], [esteve] pronto[a] a mostrar caminhos de pesquisa e de aprofundamento, levando [a estudante] à conquista dos seus objectivos e crescimento” (<xref ref-type="bibr" rid="B21">Marinho, 2008</xref>, p. 18). Entre esses/essas docentes, estavam três da formação técnica e quatro da formação geral, os/as quais participaram das primeiras discussões do curso e se mostraram fundamentais para a implementação de práticas interdisciplinares, desafiando preconceitos e rompendo a histórica dicotomia entre formação geral e a formação profissional.</p>
			<p>Embora <xref ref-type="bibr" rid="B1">Bosi (2016</xref>, p. 414), nos alerte sobre o risco de professores/as em guardar “[…] o caráter e a fisionomia de cada aluno[a]”, tal situação não se aplicou a Egressa. Ao contrário, é que deixou suas marcas - como se fossem disparadores de memórias -, sendo lembrada e reconhecida por suas características singulares. A partir disso, sua caracterização foi construída com base nas leituras de <xref ref-type="bibr" rid="B28">Ostrower (1999</xref>), Benjamin (2012) e <xref ref-type="bibr" rid="B9">De Certeau (2016</xref>) e, associadas à sua própria autodescrição encontrada em documentos e registros.</p>
			<p>A Egressa foi caracterizada como uma mulher diferenciada, de origem humilde e marcada por um desejo constante de crescimento. Nordestina aberta às experiências, se destacou por seu perfil investigativo, perceptível não apenas em sua postura em sala de aula, mas refletido também em suas produções artesanais. Enquanto mãe, revelou-se atenta à geração de oportunidades para si e para os seus, sendo reconhecida como uma “heroína comum”, exemplo de quem busca constantemente “ser mais”.</p>
			<p>Na sessão-conversa com os(as) professores(as), a Egressa foi descrita como (extra)ordinária, ousada e inventiva - traços que revelam tanto sua criatividade quanto sua disposição em romper padrões. Consciente de seu papel como sujeita social e histórica, demonstrou obstinação em conquistar espaços que lhe haviam sido negados, revelado com detalhes em sua biografia (<xref ref-type="bibr" rid="B25">OLIVEIRA, 2023</xref>). Sua sensibilidade cultural se manifestava em um interesse genuíno pelo que constitui a si mesma e ao outro. Desde a infância, fazia bricolagens como forma de resistência e expressão - práticas que atravessam sua vida até a maturidade, das quais se orgulha e que traduzem seus percursos e conquistas.</p>
			<p>Em sua própria narrativa, a Egressa complementa essa imagem ao afirmar que seu conhecimento foi enriquecido, tanto em qualidade quanto em conteúdo. Seu relato detalha o crescimento pessoal e profissional, além de incorporar, em suas peças artesanais, os saberes e reflexões aprendidos nos componentes curriculares do curso.</p>
			<p>Essa descrição e os registros analisados a referenciam como sujeita central desta pesquisa. No entanto, é importante ressaltar que outras artesãs-estudantes que participam do curso também tiveram suas práticas fortalecidas. A bricolagem de saberes, experimentada ao longo da formação, possibilitou a essas mulheres a criação de novos arranjos e combinações − tanto em seus produtos quanto em seus modos de vida -. Esse processo de reinvenção envolveu planejar, buscar informações, analisar possibilidades, exercitar a síntese e, sobretudo, desenvolver o potencial criativo que cada uma trazia consigo. Assim, o curso configurou-se como espaço fértil para a articulação entre saberes tradicionais e conhecimentos sistematizados, o que amplia horizontes e promove a autonomia das estudantes dentrofora do fazer artesanal.</p>
			<p>A trajetória da Egressa, como de tantas outras artesãs-estudantes, está marcada por direitos conquistados com esforços e por direitos interditados desde muito cedo. Muitas vezes, a interdição começa dentro da própria casa, pela imposição de papéis tradicionais de filha, esposa e mãe, o que dificulta ou interrompe o acesso à educação. Essas barreiras não são apenas práticas, mas simbólicas, como mostra a literatura de Paulo <xref ref-type="bibr" rid="B15">Freire (1983</xref>): só quando os(as) sujeitos(as) tomam consciência de sua condição é que podem romper com a opressão. O conto “A moça tecelã”, de Marina <xref ref-type="bibr" rid="B7">Colasanti (1991</xref>), ilustra como o casamento pode tornar-se uma prisão quando a mulher é privada de seus sonhos e submetida às exigências do outro. A exemplo das falas a seguir, depoimentos dados à outras pesquisas, são elas: Eu era muito-pau mandado do meu marido […] (<xref ref-type="bibr" rid="B16">GOMES, 2021</xref>, p. 171); […] casei nova, com 14 anos, […], aí pronto, tive meu primeiro filho, parei de estudar (<xref ref-type="bibr" rid="B16">GOMES, 2021</xref>, p. 154).</p>
			<p>Esse contexto não visa condenar o casamento, mas evidenciar que, muitas vezes, funciona como obstáculo à educação e à autonomia, especialmente quando aliado a sobrecarga do trabalho doméstico e de cuidado com a família (<xref ref-type="bibr" rid="B29">SIEBER; FUNARI; MORAES, 2019</xref>). <xref ref-type="bibr" rid="B30">Silva e Eggert (2011</xref>), trazem a categoria de “madresposa”, de Marcele Lagarde, revela como ser “de alguém” e “para os outros” é naturalizado socialmente para as mulheres, tornando o tempo de estudar quase inexistente. Ao mesmo tempo, a maternidade surge tanto como causa de afastamento da escola quanto como motivação para o retorno: muitas retomam os estudos para serem exemplo para os filhos, para garantia de um futuro melhor ou simplesmente para reencontrarem a si mesmas. Os relatos extraídos de outras pesquisas, exemplificam as escolhas: […] eu queria que a minha filha visse isso tudo e dissesse assim: − Olha ela não conseguiu antes, mas tá trabalhando, eu vou fazer a mesma coisa” (<xref ref-type="bibr" rid="B16">GOMES, 2021</xref>, p. 170); Como posso entrar aqui, se são jovens que estudam aqui, eu já passei da validade [referindo-se a idade] (GOMES, 2021, p. 162).</p>
			<p>Revelam como o direito de estudar é conquistado com muita luta e persistência. Algumas relatam a experiência do adoecimento por sobrecarga, outras falam do medo do fracasso ou da vergonha por estudar em idade considerada “inadequada”. Ainda assim, o desejo de transformação é maior. Muitas mulheres entram no curso desacreditadas, mas aos poucos reencontram o prazer de aprender, de criar, de se verem reconhecidas. O curso Técnicos em Artesanato do Ifal tem se mostrado em espaço de acolhimento, aprendizado e empoderamento, resgatando histórias, saberes e projetos de vida.</p>
			<p>Esse processo de conscientização, como ensina <xref ref-type="bibr" rid="B14">Freire (2013</xref>), só acontece na relação com o outro. É por meio do reconhecimento e do diálogo que as estudantes se sentem valorizadas e capazes. Nesse sentido, a formação no Ifal não apenas habilita profissionalmente, mas contribui para reconstruir identidades e para exercitar o “direito de ter direito”. O curso, nesse contexto, não é apenas um espaço de aprendizado técnico, mas de reconstrução simbólica, política e afetiva - um território de esperança.</p>
		</sec>
		<sec>
			<title>CARACTERIZAÇÃO DO CURRÍCULO </title>
			<p>O currículo que integra os conhecimentos do Ensino Médio à formação técnica em Artesanato, voltado para a Educação de Jovens e Adultos, foi elaborado nos anos de 2006 e 2007, implantado em 2008, no Instituto Federal de Alagoas (Ifal) − uma instituição centenária, cuja trajetória está marcada pelo compromisso com a educação profissional e tecnológica. À época, a concepção pedagógica dominante ainda se baseava em uma concepção tradicional e tecnicista, centrada nas “dimensões instrumentais, utilitárias e econômicas da educação” (<xref ref-type="bibr" rid="B31">SILVA, 2010</xref>, p. 12). No entanto, o surgimento do curso representou uma proposta inovadora, ao articular o trabalho artesanal como eixo estruturante da formação.</p>
			<p>O grupo de professores envolvidos na elaboração do novo PPC, vivenciavam as atividades de revitalização do artesanato, voltados à geração de emprego e renda, o que os fez propor um currículo de “base humanística [filosófica, antropológica, sociológica e psicológica] científica e técnica, com ênfase no design” (<xref ref-type="bibr" rid="B17">IFAL, 2008</xref>, p. 9). A proposta buscava reconhecer o valor dos saberes locais e do fazer artesanal, práticas legítimas de conhecimento, promovendo a integração entre tradição e inovação, técnica e cultura, escola e comunidade.</p>
			<p>Organizado em três anos, o currículo está estruturado em seis semestres de 400h cada, totalizando 2.400h, das quais 1.300h são de dicadas ao núcleo comum do Ensino Médio e 1.100h à formação profissional do Ensino Técnico (<xref ref-type="bibr" rid="B17">IFAL, 2008</xref>). Suas principais características incluem uma matriz curricular interdisciplinar, metodologia contextualizada, objetivos a serem alcançados por semestre, o estudo das humanidades como eixo transversal e a avaliação por banca. </p>
			<p>A matriz curricular do curso, estruturada de forma interdisciplinar, apresenta um objetivo central por semestre - já mencionados anteriormente - que atua como eixo aglutinador das ações pedagógicas. Esse objetivo não apenas orienta o planejamento, mas também dá sentido à organização dos componentes curriculares, selecionados da maneira intencional e estratégica, ainda na construção do curso. Cada componente é pensado em função da coletividade e do apoio mútuo entre áreas, assim contribui para concretizar o propósito formativo do semestre.</p>
			<p>Contudo, para que essas ações interdisciplinares se concretizem, a matriz não é suficiente: demanda recriação cotidiana, sustentada por diálogos constantes e pela articulação entre saberes formais e os conhecimentos vividos, construídos dentrofora da instituição por sujeitos que aprendem e ensinam em movimento (<xref ref-type="bibr" rid="B12">FERRAÇO; SOARES; ALVES, 2018</xref>). Para que a totalidade da formação seja alcançada, é essencial a soma dos saberes de docentes e discentes.</p>
			<p>Nesse sentido, as Reuniões Pedagógicas (RP) assumem papel fundamental no ordenamento e acompanhamento do percurso formativo, funcionando como espaço de escuta, planejamento conjunto e reorganização contínua da prática educativa.</p>
			<p>Outro diferencial do curso é a existência de componentes híbridos, ministrados em dupla por um ou uma docente da área técnica e outro(a) da área das ciências humanas, promovendo o diálogo entre diferentes campos do saber, que norteiam as atividades do semestre e favorecem uma formação integral. Seu objetivo é fomentar a criação artesanal a partir da percepção de si e do outro, do reconhecimento das diferenças e da construção coletivas do saberfazer. Inspirado no Curso Básico da Bauhaus de 1919, “escola alemã de artes aplicadas, referência para o design” (<xref ref-type="bibr" rid="B5">BÜRDEK, 2006</xref>, p. 28), cujo modelo propõe a aprendizagem por meio da prática e da convivência entre um “Mestre da Forma” e uma Mestre Artesão” (<xref ref-type="bibr" rid="B5">BÜRDEK, 2006</xref>, p.31).</p>
			<p>Esse trabalho em parceria é vivenciado pelas(os) estudantes como experiência de colaboração efetiva. A Egressa, descreve o componente como uma referência de trabalho em equipe, para <xref ref-type="bibr" rid="B11">Fazenda (2005</xref>), essa parceria é condição para a interdisciplinaridade, pois possibilita a complementaridade dos pensamentos. A Egressa também destaca como a diferença de perfis entre os(as) docentes contribuiu para o aprendizado: um mais exigente, cobrava o cumprimento dos objetivos, e o outro mais flexível, oferecia segurança para o fazer criativo. Essa articulação entre formações visa formar não apenas um artesão e uma artesã técnico(a), mais um(a) sujeito(a) político(a), capaz de refletir criticamente o mundo com a palavra e o fazer (<xref ref-type="bibr" rid="B22">MÉSZÁROS, 2008</xref>).</p>
			<p>Os componentes híbridos - denominados Ateliês - estão distribuídos ao longo da matriz curricular e promovem o diálogo entre as humanidades e a prática artesanal. Cada semestre articula uma área do conhecimento com um projeto específico: Filosofia e Projeto de Valor Estético, Antropologia e Projeto de Valor Cultural, Psicologia e Projeto de Composição, Sociologia e Projeto de Responsabilidade Social (<xref ref-type="bibr" rid="B17">IFAL, 2008</xref>, p. 15), ministrados no 2º, 3º, 4º e 5º semestres respectivamente. Esses componentes permitem que os(as) artesãos(ãs)-estudantes reflitam sobre a vida, o belo, suas identidades culturais e sociais, e que compreendam suas criações como expressão de suas histórias e responsabilidades coletivas. Assim, os Ateliês funcionam como componentes integradores que, ao promoverem a circulação de conceitos entre campos distintos (<xref ref-type="bibr" rid="B23">MORIN, 2004</xref>), contribuem para a formação ética, estética e crítica, ampliam horizontes e valorizam a complexidade humana possibilitando expressá-la como artesanato.</p>
			<p>A avaliação, por sua vez, também rompe com os modelos tradicionais. Ao final de cada semestre, os(as) artesãos(ãs)-estudantes apresentam um produto artesanal a uma banca interdisciplinar, compostas de todos(as) professores(as) que atuam no semestre, estudantes do curso − independente do semestre cursado −e, eventualmente, convidados(as). Essa dinâmica promove o reconhecimento público do processo formativo e a valorização do trabalho criativo, além de desenvolver o senso crítico e a escuta qualificada entre todos os envolvidos. Esse formato exige esforço coordenado, desconstrução das práticas docentes tradicionais e compromisso com o trabalho coletivo. </p>
			<p>Esse momento é mais do que uma avaliação: trata-se de uma vivência de argumentação, fortalecimento da autoestima e valorização dos conhecimentos construídos coletivamente ao longo do percurso. Nele, os(as) artesãos(ãs)-estudantes apresentam e defendem suas peças artesanais, revelam o amadurecimento alcançado, os saberes apropriados e internalizados, bem como a capacidade de articular a teoriaprática. Considerada o ápice metodológico do curso, a banca simula uma futura negociação no campo profissional, funcionando como espaço de crescimento pessoal e de projetação crítica do fazer artesanal.</p>
			<p>Inspirada em experiências anteriores da mesma coordenação, o curso superior em Design de Interiores, a prática da banca foi adotada como parte essencial da proposta avaliativa, mesmo não estando formalmente descrita no Projeto Pedagógico do Curso (PPC). No entanto, ela aparece documentada em editais e trabalhos estudantis. O PPC, por sua vez, define a avaliação como processo diagnóstico, formativo e somativo, em que os aspectos qualitativos devem prevalecer sobre os quantitativos, considerando as dimensões cognitivas, afetivas e psicossociais do(a) estudantes (<xref ref-type="bibr" rid="B17">IFAL, 2008</xref>). Os instrumentos avaliativos previstos no PPC incluem provas, autoavaliações, portifólios, trabalhos em grupo e projetos (<xref ref-type="bibr" rid="B17">IFAL, 2008</xref>). </p>
			<p>A qualidade desse processo está diretamente ligada à forma como as práticas pedagógicas são conduzidas. Durante o semestre, nos momentos de orientação - chamados de assessoramentos - o(a) professor(a) aproxima-se dos(as) estudantes, individualmente ou em grupos, para oferecer escuta, tirar dúvidas e acompanhar o desenvolvimento dos projetos. Essa prática valoriza a singularidade de cada um(a), respeita seus tempos e modos de aprender, conforme apontam <xref ref-type="bibr" rid="B8">Cunha e Eggert (2011</xref>). Em turmas reduzidas, como as do curso, cada artesão(ã)-estudante recebe atenção direta, o que remete à proposta freiriana de ensino com afetividade e compromisso (FREIRE, 1996). Ensinar, nesse contexto, também se torna um ato artesanal: feito de forma cuidadosa, um(a) a um(a) - um gesto pedagógico que reconhece o outro como sujeito(a) e estimula sua autonomia e motivação para aprender (<xref ref-type="bibr" rid="B8">CUNHA; EGGERT, 2011</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="B19">LIMA; SOARES, 2019</xref>).</p>
			<p>Em sua proposta metodológica, o curso propõe o respeito às diversidades e às diferenças; a (re)construção dos saberesfazeres que circulam e estão dentrofora da instituição; a valorização das expressões culturais para fortalecer o pertencimento ao território alagoano e à própria identidade; e o estímulo à criação autoral, incentivando o(a) estudante a sair da cópia. O processo de projeto é central na formação, inclui etapas de pesquisa, manipulação, experimentação e aplicação de métodos do design no desenvolvimento de produtos artesanais.</p>
			<p>Durante a realização da pesquisa, identificamos a existência de diferentes ritmos de aprendizagem, “de estilos cognitivos, de modos de aprender e traços de personalidade” (<xref ref-type="bibr" rid="B6">CANDAU, 2011</xref>, p. 243), que emergem no encontro entre professores(as) e estudantes - sujeitos(as) diversos(as), que compartilham o desafio de construir caminhos formativos em meio a realidades complexas, marcadas por histórias de resistência e desejo de transformação. </p>
		</sec>
		<sec>
			<title>AS SOLUÇÕESAÇÕES </title>
			<p>O caráter (trans)formador das soluçõesações construídas ao longo do curso Técnico em Artesanato se revela nas trocas de saberes e experiências entre professores(as) e estudantes, tanto nas aulas formais quanto nas interações cotidianas. O diálogo, o compartilhamento de técnicas e o aprendizado fortalecem as práticas educativas sensíveis às especificidades da Educação de Jovens e Adultos, reconhecendo sujeitos(as) historicamente invisibilizados - verdadeiros heróis e heroínas anônimos(as) movidos(as) pelo desejo de “ser mais”. Os registros apresentados a seguir ilustram esse processo formativo em sua dimensão humana coletiva. </p>
			<p>Para a Egressa, o processo de aprendizagem envolve “reeditar a leitura como prática do cotidiano e trabalhar o pertencimento ao Ifal”. Ela destaca que, ao longo do curso, aprendeu o valor da parceria, da superação e do respeito às diferenças, especialmente nos componentes curriculares híbridos. Por sua vez, os(as) professores(as) enfatizam que ensinar na EJA exige, antes de tudo, conhecer quem aprende - por exemplo, solicitando que o(a) estudante relate seu cotidiano, como as atividades semanais, de modo a compreender sua realidade, seu tempo para o estudo. Nos relatos docentes, também se reconhece que ensinar e aprender são processos simultâneos e interdependentes.</p>
			<p>O fortalecimento dos vínculos no curso ocorre no reconhecimento do(a) artesão(ã)-estudante em sua totalidade, fazendo-os(as) conhecer “nossa terra, conhecer nossa cultura, nosso povo” (AAP). Os(as) docentes identificam que fatores como autoestima, história de vida, limitações de tempo, oportunidades e recursos financeiros impactam a formação na educação de jovens e adultos. Por isso, defendem práticas constantes de acolhimento, orientação e estímulo, auxílio estudantil, com respeito à singularidade e à individualidade de cada sujeito(a). Como disse a Egressa - “[…] ‘estar na escola’, […] é fantástico […]”. A sala de aula torna-se, assim, um lugar de encontros e de construção de esperança, onde o “saber mais” se associa à consciência de si, à identidade cultural e à capacidade de sonhar (<xref ref-type="bibr" rid="B15">FREIRE, 1983</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="B18">LEITE, 2021</xref>). </p>
			<p>A experiência ao longo da pesquisa reforça, cada vez mais, a convicção de que o Curso Técnico em Artesanato (CTA) possui potencial efetivamente emancipatório e transformador, especialmente no contexto da Educação de Jovens e Adultos integrada ao Ensino Médio e à Educação Profissional Tecnica e Tecnológica</p>
		</sec>
		<sec sec-type="conclusions">
			<title>CONSIDERAÇÕES FINAIS </title>
			<p>Este texto, resultado de uma pesquisa realizada no Curso Técnico em Artesanato (CTA) do Instituto Federal de Alagoas (Ifal), com uma egressa e sete de seus professores, teve como objetivo compreender, nos cotidianos da formação, se o currículo integrado da Educação de Jovens e Adultos Integrada a Educação Profissional (EJA-EPT) − pensadopraticado no CTA - tem promovido transformações significativas na trajetória de seus(suas) artesãos(ãs)-estudantes, especialmente no que diz respeito aos avanços da cópia à criação, e à sua posição no mundo enquanto sujeito(a) e profissional.</p>
			<p>A experiência analisada, na qual se constatou proposta de alteração paradigmática revelou a necessidade de os(as) professores/as dedicarem tempo, esforço e intencionalidade pedagógica a serviço de uma formação integral voltada aos(às) artesãos(ãs)-estudantes. As práticas educativas experienciadas, marcadas pela sensibilidade às realidades da EJA, foram apropriadas de forma inventiva pela egressa, que demonstrou ousadia e capacidade de se expor, recriar e inovar a partir do curso e das redes de pertencimento e trocas construídas ao longo do processo formativo de ensinoaprendizagem. </p>
			<p>Os relatos dos(as) participantes da pesquisa evidenciaram que o curso cumpre um papel relevante ao articular políticas públicas de inclusão educacional com práticas pedagógicas humanizadas, ancoradas na valorização dos conhecimentos das humanidades, da cultura local e no respeito a diversidade. A experiência da egressa reafirma a potência da EJA-EPT como política transformadora, capaz de promover não apenas o acesso ao conhecimento técnico e científico, mas também o fortalecimento da identidade, da autonomia e da autoestima dos(as) sujeitos(as) historicamente excluídos. Embora os resultados da pesquisa apontem práticas exitosas e sensíveis às diferenças, também reforçam a necessidade de contínua reflexão sobre as condições e número de ofertas institucionais, pedagógicas e sociais que garantam a permanência, o êxito e o direito de “ser mais” de cada estudante. O percurso da egressa revela que, quando há abertura ao diálogo, construção coletiva e reconhecimento dos saberes plurais, a escola torna-se, de fato, um espaço de emancipação. </p>
			<p>A triangulação dos dados evidenciou que a egressa avançou significativamente em sua capacidade de criação e em sua forma de se posicionar no mundo, verticalizou em sua formação do curso técnico, a graduação e avança para o mestrado. Sob a perspectiva freiriana do “ser mais”, ela demonstrou ter superado as “situações-limites” e alcançado os “inéditos-viáveis”, construídos a partir de um processo educativo que articula saberes, experiências e afeto. Esses avanços são frutos de suas características pessoais, de práticas emancipatórias caracterizadas por meio do envolvimento ativo e comprometido de docentes e discentes em um currículo pensado e vivido coletivamente. O Curso Técnico em Artesanato, enquanto proposta de EJA-EPT, reafirma, assim, seu potencial transformador e sua contribuição para a formação de sujeitos(as) autônomos, críticos e criadores de novas realidades.</p>
		</sec>
	</body>
	<back>
		<ref-list>
			<title>REFERÊNCIAS</title>
			<ref id="B1">
				<mixed-citation>BOSI, Ecléa. Memória e sociedade: lembranças de velhos. São Paulo: Companhia das Letras, 2016.</mixed-citation>
				<element-citation publication-type="book">
					<person-group person-group-type="author">
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							<surname>BOSI</surname>
							<given-names>Ecléa</given-names>
						</name>
					</person-group>
					<source>Memória e sociedade: lembranças de velhos</source>
					<publisher-loc>São Paulo</publisher-loc>
					<publisher-name>Companhia das Letras</publisher-name>
					<year>2016</year>
				</element-citation>
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			<ref id="B2">
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						<name>
							<surname>BOSI</surname>
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					<article-title>A pesquisa em memória social</article-title>
					<source>Psicologia USP</source>
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					<article-title>Institui, no âmbito das instituições federais de educação tecnológica, o Programa de Integração da Educação Profissional ao Ensino Médio na modalidade de Educação de Jovens e Adultos - Proeja</article-title>
					<publisher-loc>Brasília, DF</publisher-loc>
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					<date-in-citation content-type="access-date" iso-8601-date="2022-06-14">14 jun. 2022</date-in-citation>
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					<publisher-loc>Brasília, DF</publisher-loc>
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				</element-citation>
			</ref>
			<ref id="B31">
				<mixed-citation>SILVA, Tomaz Tadeu da. O currículo como fetiche: a poética e a política do texto curricular. Belo Horizonte: Autêntica Editora, 2010.</mixed-citation>
				<element-citation publication-type="book">
					<person-group person-group-type="author">
						<name>
							<surname>SILVA</surname>
							<given-names>Tomaz Tadeu da</given-names>
						</name>
					</person-group>
					<source>O currículo como fetiche: a poética e a política do texto curricular</source>
					<publisher-loc>Belo Horizonte</publisher-loc>
					<publisher-name>Autêntica Editora</publisher-name>
					<year>2010</year>
				</element-citation>
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		<fn-group>
			<fn fn-type="other" id="fn1">
				<label>1</label>
				<p>Desta pesquisa resultou na dissertação intitulada “Da cópia à criação no curso Técnico em Artesanato do Ifal: experiência na educação de jovens e adultos, no Campus Maceió - Alagoas”. Programa de Pós-Graduação em Educação do Centro de Educação da Universidade Federal de Alagoas (Ufal)., defendida em 2019.</p>
			</fn>
			<fn fn-type="other" id="fn2">
				<label>2</label>
				<p>Usamos alguns termos de modo coeso, com base em reflexões anteriores, no sentido de demonstrar a não dicotomia entre eles.</p>
			</fn>
			<fn fn-type="other" id="fn3">
				<label>3</label>
				<p>Neste artigo, adotamos a nomenclatura EJA-EPT em substituição ao termo Proeja, com o intuito de reafirmar a necessidade de que essa oferta educacional seja reconhecida como política permanente, e não apenas como programa. Tal posicionamento foi defendido no I Encontro Nacional da EJA da Rede Federal, realizado em maio de 2018, no Instituto Federal de Goiás (<xref ref-type="bibr" rid="B10">Encontro..., 2018</xref>).</p>
			</fn>
			<fn fn-type="other" id="fn4">
				<label>4</label>
				<p>Autorizado pelo Comitê de Ética em Pesquisa com Seres Humanos (CEP) da Ufal com o número 99304818.1.0000.5013.</p>
			</fn>
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