Dez anos como professor, trinta anos de formação: reflexões sobre uma trajetória docente em artes
REFLECTIONS ON A TEACHING JOURNEY IN THE ARTS
DOI:
https://doi.org/10.31892/rbpab2525-426X.2025.v10.n25.e1273Palavras-chave:
Pesquisa (auto)biográfica, Formação docente, Educação e arteResumo
Este artigo parte de uma escrita autobiográfica para refletir sobre minha trajetória como professor de artes, desde as primeiras vivências escolares na infância até a atuação na educação básica e superior. Inspirado nos estudos autobiográficos compreendendo a formação docente como um processo contínuo e inacabado. Resgato e reflito sobre memórias, afetos e práticas pedagógicas vividas em diferentes contextos, articulando-as a referenciais teóricos da educação, da arte e da cultura visual. Essas reflexões revelam que minha formação ultrapassa os limites formais da licenciatura, sendo profundamente marcada por experiências de convivência escolar, participação em movimentos estudantis, atuação em projetos e diálogo constante com estudantes e professores. Reconheço que a escuta sensível, a valorização dos saberes do cotidiano e a integração entre arte e educação foram e continuam sendo pilares que sustentam minha prática, configurando-a como um exercício ético, estético e político. Concluo que ser professor é permanecer estudante: seguir aprendendo com os encontros, acolher as incertezas e reinventar-se continuamente. A arte, nesse percurso, não é apenas conteúdo, mas território de criação e transformação compartilhada.
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