Tramar-se em palavras: a literatura na formação e na experiência docente

Autores

DOI:

https://doi.org/10.31892/rbpab2525-426X.2025.v10.n25.e1294

Palavras-chave:

Educação Literária, currículo;, formação docente

Resumo

Nesta tese quis entender o lugar dado à narrativa literária nos processos de subjetivação docente e de objetivação do conhecimento literário em diferentes dispositivos no contexto da formação inicial no curso de Licenciatura em Letras de uma universidade pública brasileira, em especial, nas disciplinas Teoria Literária e Didática da Língua Portuguesa e Literatura. Além da dimensão biográfica, a articulação entre formação/profissionalização docente/currículo e narrativa literária foi motivada graças a outras duas dimensões: a atualidade da temática, sobretudo, o papel da narrativa para a compreensão da produção de subjetividades, e o debate teórico entre três campos de estudo (currículo, formação e teoria literária). Para o aprofundamento desse diálogo, com recorte de estudo voltado para o ensino superior, no primeiro campo, a aproximação entre a perspectiva teórico-epistemológica pós-fundacional e a pesquisa biográfica (Gabriel, 2014, 2017, 2018, 2021, Delory-Momberger, 2012, 2014, 2016, 2022; Arfuch, 2010) norteou-me ao longo da pesquisa. Entendi, assim, o currículo como “espaço biográfico”, percebendo-o como mecanismo atuante nos processos de subjetivação e de objetivação do conhecimento disciplinarizado de literatura. No segundo, a apropriação gradativa das discussões em torno da didática da literatura, auxiliou-me a vislumbrar como o ato de biografar articula esses processos, de modo a confirmar o sujeito docente como um sujeito do conhecimento e da experiência, principalmente, se este mobiliza uma formação na qual o conhecimento literário sob o viés da teoria/crítica surge alinhado às diversas possibilidades de leitura elaboradas na recepção (Candido, 2002, 2004; Bragança, 2018; Rouxel, 2012, 2013; Rezende, 2013, 2020, 2022; Dias, 2016, 2019, 2023). Por fim, no terceiro campo, retomei a concepção de experiência plena (Erfahrung) em Walter Benjamin a partir do tempo-de-agora (Jetztzeit), revisitando as condições que a favoreceriam, a concepção de história, temporalidade e narrativa do teórico. E nas relações entre o contar e a ação política e histórica do sujeito, o pacto biográfico surgiu entrelaçado ao ato biográfico (Benjamin, 1994, 2000; Gagnebin, 2013, 1994; Löwy, 2005). Esses referenciais alicerçaram-me durante a análise de diferentes documentos curriculares e dos depoimentos de ex-estudantes do curso de Letras, a fim de perceber o lugar atribuído à narrativa literária durante a formação inicial e trajetória das egressas em seu processo de identificação como docente ao longo da profissionalização. A pesquisa biográfica inicialmente vista como ferramenta de apreensão do objeto de estudo em questão, além de se configurar como suporte necessário à reflexão acerca dos processos formativos, pouco a pouco foi traduzindo, de modo refratado pela linguagem, a forma narrativa e o processo social representados pelos quadros de inteligibilidade referenciados. O resultado, então, foi um texto múltiplo, seja pela tentativa de dar vazão a várias vozes consideradas significativas em sua elaboração, seja pela própria forma de escrita escolhida. Tal multiplicidade, por um lado, traduziu um desejo de representar o modo como foi aflorando certas afinidades eletivas com as quais fui me deparando nesta autoria, as reflexões provocadas e os afetamentos causados, que inspiraram a culminância deste texto; por outro, simbolizou travessias possíveis informadas na arquitetura textual, retratando uma sorte de ato político que corrobora uma sinergia entre a vida, a arte e a ciência. Quanto ao resultado do estudo, algumas narrativas já presentes no debate educacional ressurgiram junto a certos lampejos, configurando novas formas de pensar o currículo e a formação docente. No entanto, a Educação Literária apareceu via movimentos solitários instituídos por um ou outro docente e/ou grupo, requerendo uma ação coletiva consistente e articulada para que se efetive realmente.

Downloads

Não há dados estatísticos.

Biografia do Autor

Daniela Araújo Vieira, Universidade Federal do Rio de Janeiro

Mestre em Ciências da Literatura, área Teoria Literária, pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Formador Interna da Área de Linguagens da Escola de Aperfeiçoamento dos Servidores do RJ, e formadora do Núcleo de Tecnologia, Ensino e Formação (NuTEF - SERRANA I).

Referências

VIEIRA, Daniela de Araújo. Subjetivação docente e narrativa literária: que articulação no currículo de Licenciatura em Letras? / Daniela de Araújo Vieira. 303f. - Tese (doutorado). Programa de Pós-Graduação em Educação (PPGE) da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Rio de Janeiro, 2024.

Downloads

Publicado

2025-12-14

Como Citar

VIEIRA, D. A. Tramar-se em palavras: a literatura na formação e na experiência docente. Revista Brasileira de Pesquisa (Auto)biográfica, [S. l.], v. 10, n. 25, p. e1294, 2025. DOI: 10.31892/rbpab2525-426X.2025.v10.n25.e1294. Disponível em: https://www.revistas.uneb.br/rbpab/article/view/24001. Acesso em: 21 abr. 2026.

Edição

Seção

Resumos de Teses e Dissertações