O som de uma voz muda: indizibilidade e invisibilidade da violência doméstica na pandemia
DOI:
https://doi.org/10.31892/rbpab2525-426X.2026.v11.n26.e1307Palavras-chave:
Feminismo descolonial, Violência contra a mulher, Trabalho colonizador, PandemiaResumo
Este artigo apresenta a voz de Maria, que nos concedeu a palavra para que este texto tivesse vida. Trata-se de uma pesquisa experimental, tendo uma pessoa como fonte de interlocução, ao realizar a tradução de histórias como as de Maria, que tem como legado ser subalterna a um sistema de dominação que determina o destino opressivo em que vivem milhões de mulheres. Nossos objetivos são discutir uma teoria que subsidie o processo de descrição e de interpretação dessa vida histórica socialmente silenciada e ensaiar uma epistemologia a partir desse lugar de enunciação. Para pensar a condição da mulher no contexto de desumanização, requereu-se o conceito de “Colonialidade de Gênero”, de Lugones (2008), que oferece uma abordagem descolonial. Para falar do trabalho colonizador e da atividade doméstica, recorreu-se a Federici (2019). Além de dados sobre a violência doméstica contra a mulher no Brasil, a abordagem teórica conjuga o conceito de interseccionalidade de Crenshaw (1989), Akotirene (2019) e Saffioti (2004). Nossos resultados apontam Maria como uma mulher entre tantas que sofrem violência doméstica e desvela que qualquer abordagem epistemológica sobre estas mulheres precisa levar em consideração o significado da falta de opções sociais, culturais e políticas que intervenham em suas vidasDownloads
Referências
AKOTIRENE, Carla. Interseccionalidade. São Paulo, SP: Sueli Carneiro; Pólen, 2019. p. 152
ANDRADE, Rodrigo de O. Faces da violência doméstica: Estudos investigam perfil de mulheres vítimas de violência doméstica no Brasil. Revista pesquisa FAPESP, ed. 277. 2019. Disponível em: <https://revistapesquisa.fapesp.br/faces-da-violencia-domestica/>. Acesso em: 22 outubro. 2020.
BANDEIRA, Lourdes. Maria. Violência de gênero: a construção de um campo teórico e de investigação. Sociedade e Estado, v. 29, n. 2, p. 449–469, maio 2014. Disponível em: < https://doi.org/10.1590/S0102-69922014000200008>. Acesso em: 20 nov. 2020.
BASTOS, Gabriela; CARBONARI, Flávia; TAVARES, Paula. O Combate a Violência Doméstica Contra a Mulher (VCM) no Brasil em Época de COVI-19. Grupo Banco Mundial. 2020. Disponível em: <https://www.worldbank.org/pt/country/brazil/publication/brazil-addressing-violence-against-women-under-covid-19>. Acesso em: 22 outubro. 2020.
BASTOS, Rogério Lustosa. Ciências Humanas e Complexidades. Projetos, Métodos e Técnicas de Pesquisa. O Caos e a Nova Ciência. 2 ed. Rio de Janeiro: e-papers. 2009. 146p.
COSTA, Cláudia de Lima. Feminismo e Tradução Cultural: sobre a colonialidade de gênero e a descolonização do saber. Portuguese Cultural Studies, v. 4, Out. 2012. Págs. 41-65. Disponível em: <https://doi.org/10.7275/R5668B30>. Acesso em: 22 outubro. 2020.
CRENSHAW, Kimberle. Desmarginalizando a interseção de raça e sexo: uma crítica feminista negra da doutrina antidiscriminação, teoria feminista e política antirracista. Fórum Legal da Universidade de Chicago. Vol. 1989: Iss. 1, Article 8. 1989. pp. 139-167. Disponível em: < http://chicagounbound.uchicago.edu/uclf/vol1989/iss1/8>. Acesso em: 25 outubro. 2020.
DA MATTA, Roberto (et al.). Brasileiro: Cidadão? São Paulo: editores associados. 1992.
DEP, Defensoria Pública Do Estado do Rio Grande Do Norte. Durante a pandemia, Nudem/Natal registra mais de 500 atendimentos em defesa de mulheres. Disponível em: <https://www.defensoria.rn.def.br/noticia/durante-pandemia-nudemnatal-registra-mais-de-500-atendimentos-em-defesa-de-mulheres>. Acesso em: 14 out, 2020.
FANON, Frantz. Os condenados da terra. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1968.
FANON, Frantz. Pele negra, máscaras brancas. Salvador: Ed. UFBA. 2008.
FEDERICI, Silvia. Calibã e a Bruxa: mulheres, corpo e acumulação primitiva. Coletivo Sycoráx. 2004. 464p.
FEDERICI, Silvia. O Ponto Zero da Revolução: trabalho doméstico, reprodução e luta feminista. São Paulo: Elefante. 2019. 388p.
FERRARA, Jéssica Antunes. Diálogos entre Colonialidade e Gênero. Revista Estudos Feministas, 27 (2), e54394. Epub 27 de junho de 2019. Disponível em: < https://doi.org/10.1590/1806-9584-2019v27n254394>. Acesso em 16 outubro, 2020.
FBSP Fórum Brasileiro de Segurança Pública. Visível e invisível: A vitimização de Mulheres no Brasil. (2019). Disponível em: <http://www.forumseguranca.org.br/publicacoes/visivel-e-invisivel-a-vitimizacao-de-mulheres-no-brasil-2-edicao/>. Acesso em 18 out, 2020.
FBSP Fórum Brasileiro de Segurança Pública. Violência doméstica durante a pandemia de COVID-19. Nota Técnica. 1ª edição. 16 de Abril de 2020. (2020a). Disponível em: <https://forumseguranca.org.br/wp-content/uploads/2018/05/violencia-domestica-covid-19-v3.pdf>. Acesso em 18 outubro, 2020
FBSP Fórum Brasileiro de Segurança Pública. Violência doméstica durante a pandemia de COVID-19. Nota Técnica. 2ª edição. 29 de Maio de 2020. (2020b). Disponível em: <https://forumseguranca.org.br/wp-content/uploads/2020/06/violencia-domestica-covid-19-ed02-v5.pdf>. Acesso em 18 outubro, 2020.
FBSP Fórum Brasileiro de Segurança Pública. Violência doméstica durante a pandemia de COVID-19. Nota Técnica. 3ª edição. 24 de Julho de 2020. (2020c). de https://forumseguranca.org.br/wp-content/uploads/2018/05/violencia-domestica-covid-19-ed03-v2.pdf.> Acesso em 18 outubro, 2020.
FBSP Fórum Brasileiro de Segurança Pública. Violência Doméstica e Sexual. Anuário Brasileiro de Segurança Pública. Edição 2021. (2021d). Disponível em:< https://forumseguranca.org.br/wp-content/uploads/2021/07/anuario-2021-completo-v4-bx.pdf>. Acesso em 12, outubro, 2020.
GUEDES, Moema de Castro. Percepções sobre o papel do Estado, trabalho produtivo e trabalho reprodutivo: uma análise do Rio de Janeiro. Cadernos Pagu, (47), e164720. 2016. Disponível em: <https://dx.doi.org/10.1590/18094449201600470020> Acesso em 15 outubro, 2020.
HIRATA, Helena. Emprego, responsabilidades familiares e obstáculos sócio-culturais à igualdade de gênero na economia. Revista do Observatório Brasil da Igualdade de Gênero, Brasília, SPM, vol.1, 2010, pp. 45-49.
HIRATA, Helena. Gênero, classe e raça: interseccionalidade e consubstancialidade das relações sociais. Tempo social: revista sociologia da USP, v. 26, n1, 2014, pp. 61-73.
HIRATA, Helena. Mudanças e permanências nas desigualdades de gênero: divisão sexual do trabalho numa perspectiva comparada. Friedrich Ebert Stiftung Brasil, n.7.2015, p. 04-21.
HOOKS, Bell. Mulheres negras: moldando a teoria feminista. Brasília: Revista Brasileira de Ciência Política, 2015, pp.193-210.
IPEA Instituto de Pesquisa Econômica. Atlas da Violência. Rio de janeiro: IPEA, FBSP. Atlas. Disponível em: <http://www.ipea.gov.br/atlasviolencia/download/9/atlas-2018> Acesso em 5 outubro.
LIMA, Lara Carvalho Vilela de; BUENO, Cléra Maria Lobo Bitar. Envelhecimento e Gênero: A Vulnerabilidade de Idosas no Brasil. Revista Saúde e Pesquisa, 2 (2), 2009, pp. 273-280. Disponível em: <https://periodicos.unicesumar.edu.br/index.php/saudpesq/article/view/1173>. Acesso em 15 outubro, 2020.
LOBO, Janaina Campos. Uma outra pandemia no Brasil: as vítimas da violência doméstica no isolamento social e a “incomunicabilidade da dor. Rio Grande do Sul: Tessituras, 2020.
LUGONES, Maria. Colonialidade e gênero. Tabula Rasa , Bogotá, n. 9, pág. 73-102, 2008. Disponível em <http://www.scielo.org.co/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1794-24892008000200006&lng=en&nrm=iso>. Acesso em 25 de março de 2024.
LUGONES, Maria. Rumo a um feminismo descolonial. Revista Estudos Feministas, [S. l.], v. 22, n. 3, p. 935–952, 2014. Disponível em: https://periodicos.ufsc.br/index.php/ref/article/view/36755. Acesso em: 25 mar. 2024.
Observatório da Violência do Rio Grande do Norte (OBVIUM). Mortes Matadas de Mulheres e Meninas 2015-2019. OBVIUM. Vol. 4, Edição Especial, n. 16. Natal: ISSUU. 2020
RIBEIRO, Djamila. O que é lugar de fala? Belo Horizonte: Letramento, 2017. 112 p. (Feminismos Plurais)
SAFFIOTI, Heleieth. O poder do Macho. São Paulo: Moderna. 1987.
SAFFIOTI, Heleieth. Gênero patriarcado violência. 2 ed. São Paulo: Expressão popular. 2004.
SANTOS, Sérgio Henrique. Feminicídios e denúncias de Violência Doméstica crescem no RN durante isolamento social por causa do coronavírus, diz estudo. G1, Rio Grande do Norte. 2020. Disponível em: < https://www.google.com.br/amp/s/g1.globo.com/google/amp/rn/rio-grande-do-norte/noticia/2020/04/21/feminicidios-e-denuncias-de-violencia-domestica-crescem-no-rn-durante-isolamento-por-causa-do-coronavirus-diz-estudo.ghtml> . Acesso em em 18. out, 2020.
SANTOS, Sérgio Henrique. (2021). Violência contra a mulher cresce 29% no RN no primeiro semestre de 2021. Disponível em: < https://g1.globo.com/rn/rio-grande-do-norte/noticia/2021/06/30/violencia-contra-a-mulher-cresce-29percent-no-rn-no-primeiro-semestre-de-2021.ghtml>. Acesso em 12, outubro, 2021.
SESED, Secretaria de Estado da Segurança Pública e Defesa Social. Última Análise Revista Boletim de Condutas Violentas Letais Intencionais da Coordenadoria de Informações Estatísticas e Análises Criminais – COINE e Observatório da Violência – OBVIO. Natal: SESED, 2021. Ano 01, Ed. 3. 33p.
SOUSA, Luana Passos. GUEDES, Dyeggo Rocha. A desigual divisão sexual do trabalho: um olhar sobre a última década. Estudos Avançados, [S. l.], v. 30, n. 87, p. 123–139, 2016. Disponível em: <https://www.revistas.usp.br/eav/article/view/119119>. Acesso em: 25 mar. 2024.
VIEIRA, Pamela. Rocha., GARCIA, Leila. Posenato. MACIEL, Ethel. Leonor. Noia. Isolamento social e o aumento da violência doméstica: o que isso nos revela?. Revista Brasileira De Epidemiologia, 23, e200033. 2020. Disponível em: < https://doi.org/10.1590/1980-549720200033> . Acesso em: 12 de outubro, 2021.




































