A astúcia do coelho: diálogos transtextuais entre tradições orais africanas e afrobrasileiras
DOI:
https://doi.org/10.31892/rbpab2525-426X.2026.v11.n26.e1301Palavras-chave:
África, Brasil, Cultura afrobrasileira, Conto oral, Arte verbal oral, MemóriaResumo
A arte oral de contar histórias sempre fez parte da vida humana e, por muito tempo, foi uma atividade essencial das sociedades para garantir a manutenção de memórias e saberes transmitidos no tecido das narrativas. Um dos lugares onde essa arte se faz presente com vigor é o continente africano. As expressões poéticas da tradição oral têm sido apontadas por diferentes pesquisadores como traço distintivo das culturas africanas. Em terras brasileiras, também é possível encontrar a permanência dessa arte oral. A imagem de contadores que reúnem pessoas em torno de sua palavra pode ser encontrada em diferentes regiões, sobretudo no interior do Brasil. E em meio às várias contribuições negro-africanas na constituição de diferentes expressões do patrimônio cultural brasileiro, é possível observar tais contribuições também na tradição oral. Inscrito em uma arte sempre movente, que promove intensos trânsitos das narrativas por tempos e lugares diversos, o encontro entre vozes africanas e afrobrasileiras em contos orais revela-se por intermédio de relações transculturais e transtextuais variadas. Um exemplo são as histórias em que um animal pequeno, geralmente representado pelo coelho, supera animais maiores e fisicamente mais fortes em disputas e conflitos, sempre no uso da astúcia e da inteligência.
Palavras-chave: África; Brasil; cultura afrobrasileira; conto oral; arte verbal oral; memória.
Downloads
Referências
ALCOFORADO, Doralice F. Xavier; SUÁREZ ALBÁN, Maria del Rosário (org.). Contos populares brasileiros: Bahia. Recife: Fundação Joaquim Nabuco: Massangana, 2001.
ALMEIDA, Maria Inês de; QUEIROZ, Sônia. Na captura da voz: as edições da narrativa oral no Brasil. Belo Horizonte: Autêntica: FALE/UFMG, 2004.
ALTUNA, Raúl Ruiz de Asúa. Cultura tradicional banto. Luanda: Secretariado Arquidiocesano de Pastoral, 1985.
ANDRADE, Costa. Lenha seca. 2. ed. Luanda: União dos Escritores Angolanos, 1989.
ARROYO, Leonardo. Estórias do galo e do candimba. 3. ed. São Paulo: Melhoramentos, 1965.
CAMPOS, João da Silva. Contos e fábulas populares da Bahia. In: MAGALHÃES, Basílio de. O folclore no Brasil. 3. ed. Rio de Janeiro: Edições O Cruzeiro, 1960. p. 173-331.
BAKHTIN, Mikhail. Estética da criação verbal. Tradução Paulo Bezerra. Rio de Janeiro: Forense Universitária, 1981.
CASCUDO, Luís da Câmara. Contos tradicionais do Brasil. 8. ed. São Paulo: Global, 2000.
CASCUDO, Luís da Câmara. Literatura oral no Brasil. 3. ed. Belo Horizonte: Ed. Itatiaia; São Paulo: EdUSP, 1984.
CASCUDO, Luís da Câmara. Made in África. 4. ed. São Paulo: Global, 2002.
CHATELAIN, Héli. Contos populares de Angola: cinquenta contos em quimbundo coligidos e anotados. Lisboa: Agência Geral do Ultramar, 1964.
DAVID, Raul. Contos tradicionais da nossa terra. Luanda: UEA, 1979. (Cadernos de Lavra e Oficina, 22).
DORNAS FILHO, João. Algumas questões de folclore. Revista do Arquivo Municipal, São Paulo, v. 4, n. 44, p. 145-180, abr. 1938.
EDUARDO, Otávio da Costa. Aspectos do folclore de uma comunidade rural. Revista do Arquivo Municipal, São Paulo, v. 18, n. 144, p. 11-60, nov./dez. 1951.
FONSECA, António. Contribuição ao estudo da literatura oral angolana. Luanda: INLD, 1996.
GUIMARÃES, Antonio Sérgio Alfredo. Comentários à correspondência entre Melville Herskovits e Arthur Ramos (1935-1941). Disponível em: http://www.fflch.usp.br/sociologia/asag/Coment%E1rios%20%E0%20correspond%EAncia%20entre%20Herslovits%20e%20Ramos.pdf. Acesso em: 5 nov. 2011.
INSTITUTO NACIONAL DO LIVRO E DO DISCO. Contos moçambicanos. Maputo: Instituto Nacional do Livro e do Disco, 1979. v. 1.
JESUS, Maria Cecília de; ALVES, Maria das Dores. Histórias que a Cecília contava. Organização de Maria Selma de Carvalho, José Murilo de Carvalho, Ana Emília de Carvalho. Belo Horizonte: Ed. UFMG, 2008.
JUNOD, Henri A. Mœurs et coutumes des Bantous: l avie d’une tribu sud-africaine. Paris: Payot, 1936.
LARA, Silvio Hunold; PACHECO, Gustavo (org.). Memória do Jongo: as gravações históricas de Stanley J. Stein. Vassouras, 1949. Rio de Janeiro: Folha Seca; Campinas: CECULT, 2007.
LONGEVO, Eduardo. O coelho e a onça: histórias brasileiras de origem africana. São Paulo: Paulinas, 2010.
ORTIZ, Fernando. Del fenomeno social de la “transculturación” y de su importancia en Cuba. In: _ ORTIZ, Fernando. Contrapunteo cubano del tabaco y el azúcar. Caracas: Biblioteca Ayacucho, 1978. p. 92-97.
ORTIZ, Fernando. Do fenômeno social da transculturação e sua importância em Cuba. [200-]. Disponível em: www.ufrgs.br/cdrom/ortiz/. Acesso em: 8 ago. 2010.
O TEMPO passa e a história fica. [Belo Horizonte]: SEE-MG; Brasília, DF. MEC, 1997.
ROMERO, Sílvio. Contos populares do Brasil. 3. ed. Belo Horizonte: Ed. Itatiaia; São Paulo: EdUSP, 1985.
RONDELLI, Beth. O narrado e o vivido: o processo comunicativo das narrativas orais entre pescadores do Maranhão. Rio de Janeiro: FUNARTE-IBAC, Coordenação de Folclore e Cultura Popular, 1993.
ROSÁRIO, Lourenço Joaquim da Costa. A narrativa africana de expressão oral. Lisboa: Instituto de Cultura e Língua Portuguesa. Luanda: Angolê, 1989.
ROSÁRIO, Lourenço do. Contos africanos. Lisboa: Texto Editora, 2001.
SANTOS, Deoscóredes Maximiliano dos. Contos negros da Bahia. Rio de
Janeiro: Edições GRD, 1961.
SOUZA, Josiley Francisco de. Do canto da voz ao batuque da letra: a presença africana em narrativas orais inscritas no Brasil. 2012. Tese (Doutorado em Literatura Comparada) – Faculdade de Letras, Universidade Federal de Minas Gerais, Belo Horizonte, 2012.
STARLING, Nair. Nossas lendas. 8. ed. Rio de Janeiro: Ed. Paulo de Azevedo, 1962.
STUCKRAD, Kocku von. História da astrologia: da antiguidade aos nossos dias. Tradução Kelly Passos. São Paulo: Globo, 2007.
ZUMTHOR, Paul. Introdução à poesia oral. Tradução Jerusa Pires Ferreira, Maria Lúcia Diniz Pochat, Maria Inês de Almeida. São Paulo: Hucitec: EdUC, 1997.




































