A criança de terreiro que fui e outras confluências formativas de vida e docência

Autores

DOI:

https://doi.org/10.31892/rbpab2525-426X.2025.v10.n25.e1235

Palavras-chave:

(Auto)biografias, Criança de Terreiro, (Auto) Biografia de Terreiro., Escrita de si., Formação Docente.

Resumo

Este artigo se aproxima da pesquisa autobiográfica. Compartilho como minha vivência de criança de terreiro e outras vivências de infância constituíram minha educação, formação docente, práticas pedagógicas e de pesquisas, além de minha própria existência. As experiências formativas trazidas não se restringirão ao terreiro, mas reunirão confluências: a rua, a escola, a casa de meus avós, o cinema, a leitura, a música. Por crianças de terreiros, entendo as crianças atravessadas pelos terreiros. O conceito compreende a criança que permanece toda a sua vida nos terreiros, mas não exclui as que visitam terreiros ou, de alguma forma, vivenciaram o terreiro e tiveram suas vidas afetadas por eles. Ao invés de relações dicotômicas, as crianças de terreiro aprendem e ensinam na confluência, onde saberes ancestrais, tecnologias antigas e contemporâneas se entrelaçam. O texto que apresento percebe que narrar a trajetória de crianças de terreiros é estratégia epistemológica e política que desafia epistemologias hegemônicas e enriquece a formação docente. Esse reencontro sensível com a minha própria história solicita e instaura uma postura ética e plural na sala de aula, abrindo frestas para que mundos singulares e cosmopercepções afro‑brasileiras, incluindo seus autores e autoras, não sejam excluídos, mas coexistam e alimentem nossas reflexões formativas.

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Biografia do Autor

Stela Guedes Caputo, UERJ

Doutora em Educação pela Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro. Professora da Faculdade de Educação e do Programa de Pós-Graduação da UERJ.  Pós Doutorado em Educação pela UERJ. Foi bolsista PRODOC-CAPES de setembro de 2006 a abril de 2009, na UERJ, sendo professora visitante na graduação e na pós-graduação nesta instituição também durante este período. Coordenadora do Grupo de Pesquisa Kekéré (pequeno, em Yorubá) com ênfase em pesquisas com crianças e jovens de terreiros de Candomblés brasileiros. 

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Publicado

2025-10-04

Como Citar

CAPUTO, S. G. A criança de terreiro que fui e outras confluências formativas de vida e docência . Revista Brasileira de Pesquisa (Auto)biográfica, [S. l.], v. 10, n. 25, p. e1235, 2025. DOI: 10.31892/rbpab2525-426X.2025.v10.n25.e1235. Disponível em: https://www.revistas.uneb.br/rbpab/article/view/18894. Acesso em: 5 dez. 2025.