A criança de terreiro que fui e outras confluências formativas de vida e docência
DOI:
https://doi.org/10.31892/rbpab2525-426X.2025.v10.n25.e1235Palavras-chave:
(Auto)biografias, Criança de Terreiro, (Auto) Biografia de Terreiro., Escrita de si., Formação Docente.Resumo
Este artigo se aproxima da pesquisa autobiográfica. Compartilho como minha vivência de criança de terreiro e outras vivências de infância constituíram minha educação, formação docente, práticas pedagógicas e de pesquisas, além de minha própria existência. As experiências formativas trazidas não se restringirão ao terreiro, mas reunirão confluências: a rua, a escola, a casa de meus avós, o cinema, a leitura, a música. Por crianças de terreiros, entendo as crianças atravessadas pelos terreiros. O conceito compreende a criança que permanece toda a sua vida nos terreiros, mas não exclui as que visitam terreiros ou, de alguma forma, vivenciaram o terreiro e tiveram suas vidas afetadas por eles. Ao invés de relações dicotômicas, as crianças de terreiro aprendem e ensinam na confluência, onde saberes ancestrais, tecnologias antigas e contemporâneas se entrelaçam. O texto que apresento percebe que narrar a trajetória de crianças de terreiros é estratégia epistemológica e política que desafia epistemologias hegemônicas e enriquece a formação docente. Esse reencontro sensível com a minha própria história solicita e instaura uma postura ética e plural na sala de aula, abrindo frestas para que mundos singulares e cosmopercepções afro‑brasileiras, incluindo seus autores e autoras, não sejam excluídos, mas coexistam e alimentem nossas reflexões formativas.
Downloads
Referências
ALVITO, Marcos. Nós contra o mundo. Revista de História da Biblioteca Nacional, Rio de Janeiro, Biblioteca Nacional, ano 8, n. 87, p. 27-29, 2012. Disponível em: http://revistadehistoria.com.br/secao/artigos-revista/nos-contra-o-mundo. Acesso em: 28 mar. 2024.
BENJAMIN, Walter. Magia e técnica, arte e política: ensaios sobre literatura e história da cultura. São Paulo: Brasiliense, 1987.
BISPO, Antônio dos Santos. A terra dá, a terra quer. São Paulo: Ubu Editora/PISEAGRAMA, 2023.
BORGES, Jorge Luis. O livro dos sonhos. São Paulo: Difel, 1986.
BOURDIEU, Pierre. Escritos de educação. Petrópolis: Vozes, 2006.
BUTLER, Judith. Problemas de Gênero: feminismo e subversão da Identidade. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2003.
CAPUTO, Stela Guedes. Educação nos terreiros: e como a escola se relaciona com crianças de candomblé. Rio de Janeiro: Pallas, 2012.
COLE, Nat King. Nature boy. New York: Capitol Records, 1948. Vinil simples, 2min53s.
DELEUZE, Gilles; GUATTARI, Felix. Mil Platôs: capitalismo e esquizofrenia. Rio de Janeiro: Editora 34, 1997.
FREIRE, Paulo. A importância do ato de ler: em três artigos que se completam. São Paulo: Cortez, 1982.
GARCÍA MÁRQUEZ, Gabriel. Viver para contar. Trad. Eric Nepomuceno. Rio de Janeiro: Record, 2003.
HAMPÂTÉ BÂ, Amadou. Discurso sobre preservar Mali e sua tradição na Conferência Geral da UNESCO. UNESCO, 01 de dezembro de 1960. Disponível em: https://www.ina.fr/ina-eclaire-actu/audio/phd86073514/discours-de-hamadou-hampate-ba-a-la-commission-afrique-de-l-unesco. Acesso em: 28 mar. 2024.
HAMPÂTÉ BÂ, Amadou. Amkoullel, o menino fula. São Paulo: Palas Athena, 2008.
HAMPÂTÉ BÂ, Amadou. A tradição viva. In: HAMPÂTÉ BÂ, Amadou. História Geral da África. v. 1. São Paulo: Unesco; Cortez, 2010. p. 167-214.
Hooks, bell. Remembered Rapture: The Writer at Work. New York: Henry Holt and Company, 1999.
Hooks, bell. Ensinando a Transgredir: a educação como prática da liberdade. São Paulo: WMF Martins Fontes, 2013.
KILOMBA, Grada. Memórias da plantação: episódios de racismo cotidiano. Rio de Janeiro: Cobogó, 2019.
LUGONES, María. Colonialidade e Gênero. In: HOLANDA, Heloísa Buarque de (Org.). Pensamento feminista hoje: Perspectivas Decoloniais. Rio de Janeiro: Bazar do Tempo, 2020.
NOGUEIRA, Sidnei. Intolerância religiosa. São Paulo: Pólen, 2020.
OPOKU, Kofi Asare. A religião na África durante a época colonial. In: BOAHEN, Albert Adu (ed.). História Geral da África. v. 7. Brasília: UNESCO, 2010. P. 591-624.
OYĚWÙMÍ, Oyèrónkẹ. A invenção das mulheres: construindo um sentido africano para os discursos ocidentais de gênero. Rio de Janeiro: Bazar do Tempo, 2021.
PAULA, Benito Di. Do jeito que a vida quer. Álbum: Benito Di Paula. Rio de Janeiro: Copacabana Discos, 1976. Vinil, faixa 3, 2min51s.
PRECIADO, Paul. Manifesto Contrassexual. São Paulo: n-1 Edições, 2014.
RICOUER, Paul. A memória, a história, o esquecimento. São Paulo: Unicamp, 2014.
SARMENTO, Manuel Jacinto. As culturas da infância nas encruzilhadas da 2ª modernidade. In: SARMENTO, Manuel Jacinto; CERISARA, Ana Beatriz. (Coord.). Crianças e miúdos: perspectivas sociopedagógicas da infância e educação. Porto: Asa, 2004. P. 9-34.
SANTOS, Antônio Bispo dos. A terra dá, a terra quer. São Paulo: Ubu, 2023.
SANTOS, Edméa. Pesquisa-formação na cibercultura. Teresina: EDUFPI, 2019.
SILVA, Alexandra Lima. Flores de Ébano: escritas de si como prática de liberdade. Rio de Janeiro: Kitabu, 2022.
SOUZA, Elizeu Clementino de. Territórios das escritas do eu: pensar a profissão, narrar a vida. Educação, Porto Alegre, PUCRS, v. 34, n. 2, p. 213-220, maio/ago. 2011. Disponível em: https://revistaseletronicas.pucrs.br/faced/article/view/8707/6359. Acesso em: mar. 2024.
SOUZA, Elizeu Clementino de; MEIRELES, Mariana Martins de. Olhar, escutar e sentir: modos de pesquisar-narrar em educação. Revista Educação e Cultura Contemporânea, Rio de Janeiro, Estácio de Sá, v. 15, n. 39, p. 282-303, 2018. Disponível em: https://mestradoedoutoradoestacio.periodicoscientificos.com.br/index.php/reeduc/article/view/4750/47966110. Acesso em: 29 mar. 2024.
VANSINA, Jan. História Geral da África. Metodologia e Pré-História da África. v. 1. São Paulo: Cortez, 2011.




































