A constituição da identidade docente na licenciatura em geografia: narrativas (auto)biográficas do/no estágio supervisionado
DOI:
https://doi.org/10.31892/rbpab2525-426X.2025.v10.n25.e1291Palavras-chave:
Narrativas (auto)biográficas, Memorial, Diário, Prática de Docência, GeografiaResumo
A presente pesquisa tem como objetivo analisar as contribuições dos recursos (auto)biográficos Diário narrativo e Memorial de vida e formação, no curso de Geografia na Universidade Federal do Paraná (UFPR), notadamente nas disciplinas de Prática de Docência e Estágio Supervisionado, considerando a constituição da identidade profissional do professor nesta área de ensino. Parte-se do pressuposto de que a construção de saberes necessários ao processo de formação e futura atuação docente não se restringem aos saberes acadêmicos/profissionais, e estão profundamente influenciados, pelas experiências de vida dos sujeitos, anteriores ao processo de formação docente na licenciatura de Geografia. Buscou-se focalizar a compreensão do processo de tornar-se professor nesta área, do ponto de vista do sujeito aprendente, considerando suas subjetividades. Propôs-se como estudo teórico, a abordagem sobre a história da formação docente no Brasil e na área de Geografia, considerando este processo no Ensino Superior, e nas disciplinas de Estágio supervisionado e Prática de docência. Para a proposta de investigação, optou-se pelo método (auto)biográfico, e da metodologia de pesquisa-formação a partir de procedimentos das narrativas escritas e orais. Na pesquisa de campo, foram utilizados os Memoriais de vida e formação, os Diários narrativos, a Entrevista narrativa e a Observação participante, realizadas entre os meses de Fevereiro e Setembro de 2022. O método de análise das narrativas (auto)biográficas, pautou-se na análise interpretativa-compreensiva com base em Souza (2006). A pesquisa foi realizada com oito (8) acadêmicos da Licenciatura em Geografia e dois (2) docentes de Prática de Docência e Estágio Supervisionado. As narrativas foram elaboradas tendo como pontos sensíveis a investigar: o contexto familiar e as diferentes fases da vida escolar, a escolha do curso de Geografia, o ingresso na universidade e expectativas; as realidades das escolas e disciplinas de Estágio Supervisionado e Prática de Docência em Geografia. As análises das narrativas escritas e orais, levaram a identificar os diferentes processos de escolha do curso na área de Geografia, a partir das noções iniciais sobre a identidade profissional docente, destacando-se: o gosto pelo conteúdo a ser ensinado, a influência da família sobre “ser professor”, seja ela de aprovação ou relutância nesta escolha; o peso da situação/atuação de professores da escola básica, os aspectos indutores para a docência. As narrativas escritas sobre as aprendizagens da docência, possibilitaram que o estudante olhasse para si e para o outro, no percurso e processos de preparação para a docência, a partir da percepção sobre as atividades e aquisições necessárias ao reconhecimento da identidade profissional da docência em Geografia. Emergiram no reconhecimento desta identidade da formação docente em Geografia: a influência da cultura escolar e da escola na docência; a análise e atenção ao trabalho curricular das propostas oficiais em vigor; o desenvolvimento de atividades diante das necessidades e interesses da formação do estudantes diante do contexto atual e da formação da cidadania contemporânea na área de Geografia; o acolhimento, empatia e alteridade no percurso formativo; a reflexão intelectual durante o curso. Percebeu-se que a liberdade de expressão e veículos de escrita e voz na pesquisa, representou a possibilidade de maior protagonismo dos estudantes em sua autoformação, autoanálise e autonomia, como elementos constitutivos da formação da identidade profissional docente na área de Geografia.
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Referências
SOUZA, Elizeu Clementino de. A arte de contar e trocar experiências: reflexões teórico-metodológicas sobre história de vida em formação. Revista Educação em Questão. Natal, RN: EDUFRN. V. 25, n. 11, jan./abr., p. 22-39, 2006. Disponível em: https://periodicos.ufrn.br/educacaoemquestao/article/view/8285/5958. Acesso em: 28 jul. 2023.




































