A autobiografia do Príncipe Harry como um processo de auto-organização e reflexões sobre pertencimento do sujeito

Autores

DOI:

https://doi.org/10.31892/rbpab2525-426X.2025.v10.n25.e1229

Palavras-chave:

Autobiografia, Narrativa, Narrativa de si, Autopoiese, Pertencimento

Resumo

A vida de cada pessoa é uma grande narrativa. E, narrar a si mesmo é uma maneira de se inscrever no mundo. A narrativa autobiografia, aqui estudada, é um tipo de texto centrado na experiência única, pessoal e intransponível do autor-narrador-personagem. Trata-se, então, de um exemplo de escrita autopoiética, termo cunhado pelos biólogos Maturana e Varela, em 1995, para explicar a capacidade dos seres vivos de produzirem a si próprios. No artigo em questão estudamos as autonarrativas através do livro O que sobra, recentemente lançado pelo Príncipe Harry. Fundamentaremos as reflexões debruçando-nos sobre os estudos bibliográficos, com abordagem qualitativa descritiva, que abarcam a narratologia, as narrativas de si, a autobiografia, os conceitos sobre identidade e pertencimento e a autopoiese. Observamos a obra como um todo no intuito de localizar no texto passagens em que ocorrem incidências acentuadas de narrativa de si, do ser em edificação, que se autorretrata. Após o estudo em tela, consideramos a importância da narrativa enquanto construção verbal que fala acerca do mundo, que apresenta um mundo: o mundo do autor-narrador-personagem. E, mais do que disso, enxergamos a narração de si como importante ferramenta de ordenamento da experiência humana, de construção da realidade e de constituição do “Eu”.

Downloads

Não há dados estatísticos.

Biografia do Autor

Ana Claudia de Almeida, Universidade de Santa Cruz do Sul

Doutoranda em Letras pela Universidade de Santa Cruz do Sul (UNISC). Bolsistas PROSUC/CAPES. Membro do Grupo de Pesquisa em Leitura Comparada das Mídias (UNISC). Mestre em Letras pela UNISC. Graduada em Letras pela Universidade Federal do Pampa (UNIPAMPA); e em Jornalismo pela UNISC. 

Referências

BAUMAN, Zygmunt. Identidade: entrevista a Benedetto Vecchi. Tradução: Carlos Alberto Medeiros. Rio de Janeiro: Zahar, 2005.

BENJAMIN, Walter. O narrador: considerações sobre a obra de Nikolai Leskov. In: BENJAMIN, Walter. Magia e técnica, arte e política. Obras escolhidas. São Paulo: Brasiliense, 3.ed., 1987. p. 27-31

CULLER, Jonathan. Teoria literária: uma introdução. São Paulo: Beca Produções Culturais Ltda, 1999.

DELGADO, Andréa Ferreira, SCHMIDT. A rede de memórias e a invenção de Cora Coralina. In: BENITO BISSO. O Biográfico - Perspectivas Interdisciplinares. Santa Cruz do Sul: Edunisc, 2000. p. 235-249.

FORBES. Revista. Disponível em: <https://forbes.com.br/forbeslife/2023/01/livro-do-principe-harry-vende-mais-de-14-milhao-de-copias/#:~:text=O%20livro%20de%20mem%C3%B3rias%20do,do%20controverso%20e%20explosivo%20livro>. Acesso em: 05 abr. 2023.

GAI, Eunice Terezinha Pizza. Narrativas e conhecimento. Revista do Programa de Pós-Graduação em Letras da Universidade de Passo Fundo - v. 5 - n. 2 - p. 137-144 - jul./dez. 2009.

HARRY, Duque de Sussex. O que sobra. Tradução Cássio de Arantes Leite [et al.].1ª ed. Rio de Janeiro: Objetiva, 2023.

MOEHRINGER, J. R. Notes from Prince Harry’s Ghostwriter. [Entrevista concedida a]. The New Yorker. Disponível em: <https://www.newyorker.com/magazine/2023/05/15/j-r-moehringer-ghostwriter-prince-harry-memoir-spare>. Acesso em: 08 mai 2023.

LEJEUNE, Philippe. El pacto autobiográfico y otros estudios. Madrid: Megazul-Endymion, 1994. 441 p.

MATURANA, Humberto R.; VARELA, Francisco J. A árvore do conhecimento - As Bases Biológicas do Conhecimento Humano. Campinas: Ed. Psy, 1995.

MATURANA, Humberto R.; Varela, Francisco J. De Máquinas y Seres vivos: autopoiesis, la organización de lo vivo. 5ª ed. Santiago de Chile: Ed. Universitaria, 1998.

MOTTA, Luiz Gonzaga. Análise crítica da narrativa. Brasília: Ed. da UnB, 2013. 254 p.

O GLOBO. Jornal. Disponível em: <https://oglobo.globo.com/blogs/ancelmo-gois/post/2023/01/livro-do-principe-harry-e-fenomeno-de-vendas-veja-os-numeros-nos-eua-e-no-brasil.ghtml>. Acesso em 05 abr. 2023.

SANTOS, Kássia Nobre. Quando a fonte vira personagem: análise do livro-reportagem. “A vida que ninguém vê”, de Eliane Brum. 2013. Dissertação (Mestrado) – Universidade de Santa Cruz do Sul, 2013. Disponível em: <http://btd.unisc.br/Dissertacoes/KassiaSantos.pdf>. Acesso em: 11 abr. 2015.

SODRÉ, Muniz. Best-seller: a literatura de mercado. 2. ed. São Paulo: Ática, 1988. 79 p.

THE GUARDIAN. Jornal. Disponível em: <https://www.theguardian.com/books/2023/jan/15/spare-by-prince-harry-review-dry-your-eyes-mate>. Acesso em: 05 abr. 2023.

VIEIRA, Karine Moura. Do fazer um saber: a construção do biografar: o discurso de autoria sobre a prática jornalística na produção de biografias por jornalistas brasileiros. 2015. Tese (Doutorado) - Programa de Pós-graduação em Ciências da Comunicação, Universidade do Vale do Rio dos Sinos. São Leopoldo, 2015.

VILAS-BOAS, Sérgio. Biografismo: reflexões sobre as escritas Da Vida. São Paulo: UNESP, 2008.

Publicado

2025-10-03

Como Citar

ALMEIDA, A. C. de. A autobiografia do Príncipe Harry como um processo de auto-organização e reflexões sobre pertencimento do sujeito. Revista Brasileira de Pesquisa (Auto)biográfica, [S. l.], v. 10, n. 25, p. e1229, 2025. DOI: 10.31892/rbpab2525-426X.2025.v10.n25.e1229. Disponível em: https://www.revistas.uneb.br/rbpab/article/view/17583. Acesso em: 5 dez. 2025.

Edição

Seção

Dossiê Literatura, narrativa e (auto)biografia