Reflexões biográficas como trajetória de (re)significação da violência contra a mulher

Autores

DOI:

https://doi.org/10.31892/rbpab2525-426X.2025.v10.n25.e1255

Palavras-chave:

Violência contra a mulher, Narrativas (auto)biográficas, Violência doméstica, Narrativas de si, Saúde coletiva

Resumo

Este artigo objetiva compartilhar os entrelaces existentes entre as histórias de vida e as ressignificações pessoais relacionados à violência contra mulheres. Trata-se de uma pesquisa qualitativa realizada com cinco mulheres vítimas de violência, atendidas em uma Unidade Básica de Saúde, utilizando-se dos círculos reflexivos biográficos como dispositivo de investigação e enfrentamento pessoal. Os resultados avaliaram um corpus geral constituído por cinco textos, separados em 101 segmentos de texto (ST). O conteúdo analisado foi categorizado em três classes: Classe 1 – “Ele começou a me bater em casa”, com 29 ST (34,52%); Classe 2 – “O que eu digo é que falem, não se calem”, com 33 ST (39,29%) e a Classe 3 – “Tinha medo, muito medo”, com 22 ST (26,19%). Desvelou-se que a violência doméstica foi a mais prevalente e que fatores como filhos, a falta de moradia e trabalho, bem como a religião são determinantes para o enfrentamento. Pode-se evidenciar que as redes de apoio constituem a principal rota de superação dos entraves pessoais e sociais dessas mulheres e que os círculos reflexivos biográficos, se apresentam como uma estratégia capaz de promover a auto-organização e reflexão das experiências vivenciadas e possibilitar novas compreensões sobre si e sobre o outro.

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Biografia do Autor

Antônia Sabrina de Matos Pereira , Universidade de Fortaleza

Mestra em Saúde Coletiva, pela Universidade de Fortaleza (UNIFOR). Integrante do Núcleo de Estudos e Pesquisas em Saúde da Criança e do Adolescente (NUPESC). 

Nilson Vieira Pinto, Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Ceará

Doutor em Biotecnologia pela Universidade Estadual do Ceará (UECE). Pós-doutor em Saúde Coletiva, pela Universidade de Fortaleza (UNIFOR). Professor do Programa de Pós-graduação em Educação Física Escolar em Rede Nacional (PROEF) associado ao Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Ceará (IFCE). Líder do Grupo de Pesquisa: Educação, Saúde e Exercício Físico (GPESEF). 

Alan Rodrigues da Silva, Hospital Regional Norte

Mestre em Transplante pela Universidade Estadual do Ceará (UECE). Integrante do Grupo de Estudos e Pesquisas em Tecnologia e Inovação (GEPTI) e do Núcleo de Estudos e Pesquisas em Inovação e Tecnologia (NEPIT) da Universidade de Fortaleza (UNIFOR) e do Grupo de Pesquisa em Atenção Farmacêutica (GRUPATF) da Universidade Federal do Ceará (UFC).

Patrícia Ribeiro Feitosa Lima, Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Ceará

 Doutora e Pós-doutora em Educação em pela Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho, UNESP. Professora do Programa de Pós-graduação em Educação Física Escolar em Rede Nacional (PROEF) e do Mestrado Profissional em Educação Profissional e Tecnológica (ProfEPT) ambos associados ao Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Ceará (IFCE). Líder do Grupo de Pesquisa: Educação, Saúde e Exercício Físico (GPESEF).

Mirna Albuquerque Frota, Universidade de Fortaleza

 Doutora em Enfermagem pela Universidade Federal do Ceará (UFC). Pós-doutora em Pédopsychiatrie pela Universidade de Rouen – França e em Saúde Coletiva pelo Instituto de Saúde Coletiva (ISC) da Universidade Federal da Bahia (UFBA). Coordenadora do Programa de Pós-graduação em Saúde Coletiva da Universidade de Fortaleza (UNIFOR). Líder do Grupo de Pesquisa - Núcleo de Estudos e Pesquisas em Saúde da Criança e do Adolescente (NUPESC). 

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Publicado

2025-11-30

Como Citar

DE MATOS PEREIRA , A. S.; VIEIRA PINTO, N.; SILVA, A. R. da; LIMA, P. R. F.; FROTA, M. A. Reflexões biográficas como trajetória de (re)significação da violência contra a mulher. Revista Brasileira de Pesquisa (Auto)biográfica, [S. l.], v. 10, n. 25, p. e1255, 2025. DOI: 10.31892/rbpab2525-426X.2025.v10.n25.e1255. Disponível em: https://www.revistas.uneb.br/rbpab/article/view/16346. Acesso em: 22 abr. 2026.