O autobiográfico entre a leitura do mundo e a leitura da palavra
DOI:
https://doi.org/10.31892/rbpab2525-426X.2025.v10.n25.e1283Palavras-chave:
Narrativas Autobiográficas, Ato de Leitura, Pedagogia Crítica, Teoria da HistóriaResumo
Em novembro de 1981, Paulo Freire proferiu a conferência de abertura do 30 Congresso Brasileiro de Leitura, em Campinas. Sob o título “A importância do ato de ler”, Paulo Freire realizou exercício de reflexão sobre suas práticas pedagógicas, narrando sobre si mesmo e então teorizando a partir de sua enunciação. Objetivamos nesse artigo situar aspectos epistemológicos e cognitivos associados à mobilização de narrativas autobiográficas aplicadas no redimensionamento da apreensão do mundo por meio de processos de letramento, na acepção de uma tomada da palavra, tendo a conferência de Paulo Freire como base para nossas análises. Em um primeiro movimento, identificamos o caráter vicário da elaboração autobiográfica nos processos de constituição identitária de sujeitos em seus agires no mundo. Em um segundo movimento, ponderamos sobre aplicabilidades das potências cognitivas do autobiográfico nos diálogos com a teoria da História e suas funções na formação/atuação de docentes na Educação Básica. Na confluência desses movimentos argumentativos, demarcamos a aposta na aprendizagem transformadora de experiências históricas, propiciada por atos de leitura e releitura da própria vida, na direção de instituir o reconhecimento de alteridades e de parâmetros ético-políticos.
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