Racionalidade técnica e subjetivação algorítmica no Sul Global

colonialidade, produção de saber e a urgência de resistências epistêmicas

Autores

DOI:

https://doi.org/10.30620/pdi.v15n2.p185

Palavras-chave:

Inteligência artificial. Colonialidade. Epistemologias do Sul. Racismo algorítmico.

Resumo

Este artigo propõe uma crítica radical à Inteligência artificial (IA) a partir das epistemologias do Sul, articulando contribuições de pensadoras e pensadores como Aníbal Quijano, Lélia Gonzalez, Deivison Faustino, Walter Lippold, Boaventura de Sousa Santos, Ramón Grosfoguel, Milton Santos, Catherine Walsh, Frantz Fanon, Stuart Hall e Karl Marx. Defende-se que a IA, longe de ser neutra ou emancipadora, opera como tecnologia de reprodução da colonialidade – do saber, do ser e do poder – por meio da racionalização algorítmica das desigualdades históricas. A partir das noções de colonialismo digital, racismo algorítmico e fetichismo da técnica, analisa-se como a IA atua como regime de verdade racializado e Instrumento de subjetivação performativa, Interseccionalmente marcada por raça, gênero, classe e território. O artigo rompe com a lógica tecnocrática de “dar voz” aos povos subalternizados – afirmando que estes sempre falaram, mas foram sistematicamente silenciados por um sistema de escuta seletiva. Por fim, reivindica-se a Insurgência de saberes encarnados e desobedientes como caminho para reencantar a técnica a partir da escuta radical, da pluralidade epistêmica e da potência viva do Sul Global.

Submissão: 30 set. 2025 ⊶ Aceite: 11 nov. 2025

Downloads

Não há dados estatísticos.

Biografia do Autor

Lívia Victória Warol Carneiro, Universidade Federal de Viçosa – UFV

Graduanda em Geografia pela Universidade Federal de Viçosa (UFV), com formação Integrada nos cursos de bacharelado e licenciatura.

Referências

BENJAMIN, R. Race After Technology: Abolitionist Tools for the New Jim Code. Cambridge: Polity Press, 2019.

BUOLAMWINI, J.; GEBRU, T. Gender Shades: Intersectional Accuracy Disparities In Commercial Gender Classification. Proceedings of Machine Learning Research, v. 81, p. 77-91, 2018.

FANON, F. Os condenados da terra. Tradução José Laurênio de Melo. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1968.

FANON, F. Pele negra, máscaras brancas. Tradução Renato da Silveira. Salvador: EDUFBA, 2008.

ZERO QUATRO, F. Caranguejos com Cérebro: Manifesto. Recife: Edição do Autor, 1992.

GONZALEZ, L. Racismo e sexismo na cultura brasileira. In: GONZALEZ, L. Primavera para as rosas negras: Lélia Gonzalez em primeira pessoa… Diáspora Africana: Editora Filhos da Diáspora, 2018. p. 190-214.

GROSFOGUEL, R. A estrutura do conhecimento nas universidades ocidentalizadas: racismo/sexismo epistêmico, universidades ocidentalizadas e os quatro genocídios/epistemicídios do longo século XVI. Sociedade e Estado, Brasília, v. 31, n. 1, p. 25-49, 2016.

HALL, S. A identidade cultural na pós-modernidade. Tradução Tomaz Tadeu da Silva, Guaracira Lopes Louro. 11. ed. Rio de Janeiro: DP&A, 2006.

HOOKS, b. Ensinando a transgredir: a educação como prática da liberdade. Tradução Marcelo Brandão Cipolla. São Paulo: WMF Martins Fontes, 2013.

KILOMBA, G. Memórias da plantação: episódios de racismo cotidiano. Tradução Jess Oliveira. Rio de Janeiro: Cobogó, 2019.

FAUSTINO, D; LIPPOLD, W. Colonialismo digital: por uma crítica hacker-fanoniana. São Paulo: Boitempo, 2023.

MARX, K. O capital: crítica da economia política. Livro 1: o processo de produção do capital. Tradução Rubens Enderle. São Paulo: Boitempo, 2013.

MBEMBE, A. Necropolítica: biopoder, soberania, estado de exceção, política da morte. Tradução Renata Santini. São Paulo: n-1 edições, 2018.

NOBLE, S. U. Algorithms of Oppression: How Search Engines Reinforce Racism. New York: New York University Press, 2018.

QUIJANO, A. Colonialidade do poder, eurocentrismo e América Latina. In: LANDER, E. (org.). A colonialidade do saber: eurocentrismo e ciências sociais. Perspectivas latino-americanas. 2. ed. Buenos Aires: CLACSO, 2005. p. 117-142.

SANTOS, B. S. Um discurso sobre as ciências. 3. ed. São Paulo: Cortez, 2010.

SANTOS, M. A natureza do espaço: técnica e tempo, razão e emoção. 4. ed. São Paulo: Editora da Universidade de São Paulo, 2006.

SOBRINHO, A. S; LIMA, L. M. Performatividade e políticas educacionais no Brasil: um estudo de metapesquisa. Revista de Estudios Teóricos y Epistemológicos en Política Educativa, v. 10, p. 1-16, 2025. Disponível em : https://revistas.uepg.br/index.php/retepe/article/view/24874. Acesso em: 26 fev. 2026.

SPIVAK, G. C. Pode o subalterno falar? Tradução Sandra Regina Goulart Almeida, Marcos Pereira Feitosa, André Pereira Feitosa.Belo Horizonte: Editora UFMG, 2010.

WALSH, C. Interculturalidad, Estado, sociedad: luchas (de)coloniales de nuestra época. Quito: Universidad Andina Simón Bolívar / Abya-Yala, 2009.

Publicado

2026-04-17

Como Citar

CARNEIRO, L. V. W. Racionalidade técnica e subjetivação algorítmica no Sul Global: colonialidade, produção de saber e a urgência de resistências epistêmicas. Pontos de Interrogação – Revista de Crítica Cultural, Alagoinhas-BA: Laboratório de Edição Fábrica de Letras - UNEB, v. 15, n. 2, p. 185–206, 2026. DOI: 10.30620/pdi.v15n2.p185. Disponível em: https://www.revistas.uneb.br/pontosdeint/article/view/v15n2p185. Acesso em: 13 jun. 2026.