Desigualdade de gênero em narrativas de mulheres que voltaram a estudar na Educação de Jovens e Adultos (EJA)
DOI:
https://doi.org/10.29378/plurais.v10iesp1.21519Palavras-chave:
Desigualdade de gênero, Narrativa de mulheres, Educação de Jovens e Adultos (EJA).Resumo
Este artigo resulta de pesquisa desenvolvida no curso de Mestrado e analisa os impactos do patriarcado na escolarização de mulheres das classes populares na Educação de Jovens e Adultos (EJA). O estudo, realizado em Limoeiro do Norte, Ceará, baseia-se nas narrativas de vida de 10 mulheres, alunas da instituição. Os relatos foram coletados durante a pandemia de covid-19, nos anos de 2020 e 2021, e analisados à luz da Análise do Discurso e da pedagogia freireana. Foi possível constatar que, embora a educação por si só não liberte da subalternidade do patriarcado, ou de uma situação precarizada de trabalho, mulheres pobres da classe trabalhadora, ao retornarem aos estudos, se sentiram mais qualificadas para o mundo do trabalho e se reafirmam como pessoas de direitos, lutando para realizar o sonho do acesso à educação, o que impõem demandas curriculares e de organização do trabalho docente na EJA.
Downloads
Referências
ADICHIE, Chimamanda Ngozi. Sejamos todos feministas. São Paulo, SP: Companhia das Letras, 2015.
ARROYO, Miguel. Passageiros da noite: do trabalho para a EJA: itinerários pelo direito a uma vida justa. Petrópolis, RJ: Vozes, 2017.
BRASIL. Ministério das Mulheres. Lei nº 14.611, de 03 de julho de 2023. Lei de igualdade salarial. Disponível em: https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2023-2026/2023/lei/l14611.htm. Acesso em: 01 ago. 2024.
BOURDIEU, Pierre. Questões de Sociologia. Rio de Janeiro, RJ: Marco Zero, 1983.
CAPES. A Pós-graduação brasileira cresceu 48% na última década. 2021. Disponível em: https://www.gov.br/pt-br/noticias/educacao-e-pesquisa/2021/02/pos-graduacao-brasileira-cresceu-48-na-ultima-decada. Acesso em: 10 ago. 2024.
CAPES. Repositório de teses e dissertações. 2024. Disponível em: https://catalogodeteses.capes.gov.br/catalogo-teses/#!/. Acesso em: 29 jul. 2024.
CHARAUDEAU, Patrick; MAINGUENEAU, Dominique. O Dicionário de Análise do Discurso. 3 ed. Rio de Janeiro, RJ: Contexto, 2004.
CARVALHO, Aline Torres Sousa. Relações teórico-metodológicas entre a AD e a Narrativa de Vida. In: MACHADO, Ida Lúcia; MELO, Mônica Santos de S. Estudos sobre narrativas em diferentes materialidades discursivas na visão da Análise do Discurso. (Recurso eletrônico). Belo Horizonte: Núcleo de Análise do Discurso, FALE/UFMG, 2016, p. 22–41.
CARVALHO, Sandra Maria Gadelha de; SILVA, Mila Nayane da; BARBOSA, Lia Pinheiro. Enfrentamentos e aprendizados: a insurgência feminina no Acampamento Zé Maria do Tomé, Chapada do Apodi – CE. Rev. Diálogo Educ., Curitiba, v. 20, n. 67, p. 1808–1836, out./dez. 2020. DOI: 10.7213/1981-416X.20.067.DS14. Acesso em: 03 nov. 2025.
CERIONE, Clara. Menino veste azul e menina veste rosa, diz Damares em vídeo. Exame, 03 jan. 2019. Disponível em: https://exame.com/brasil/menino-veste-azul-e-menina-veste-rosa-diz-damares-em-video/. Acesso em: 15 ago. 2024.
CURY, Carlos Roberto Jamil. Parecer CNE/CEB nº 11/2000. Disponível em: https://www.mprj.mp.br/documents/20184/1205766/Parecer_CNE_CEB_11_2000_Diretrizes_Curriculares_Nacionais_Educacao_de_Jovens_e_Adultos.pdf. Acesso em: 28 out. 2024.
DI PIERRO, Maria Clara. A educação de Jovens e Adultos é uma porta de reingresso no sistema educacional. [Entrevista cedida a] Cátia Guimarães. EPSJV/Fiocruz, São Paulo, jan. 2022. Disponível em: https://www.epsjv.fiocruz.br/noticias/entrevista/a-educacao-de-jovens-e-adultos-e-uma-porta-de-reingresso-no-sistema-educacional. Acesso em: 19 jul. 2024.
ENGELS, Friedrich. A origem da família, da propriedade privada e do Estado. Trad. Ruth M. Klaus. São Paulo, SP: Centauro, 2002.
FÓRUM BRASILEIRO DE SEGURANÇA PÚBLICA (FBSP). Atlas da violência 2024 / coordenadores: Daniel Cerqueira; Samira Bueno – Brasília: Ipea; FBSP, 2024. Disponível em: https://forumseguranca.org.br/wp-content/uploads/2025/05/atlas-violencia-2025.pdf. Acesso em: 19 out. 2024.
FREIRE, Paulo. Pedagogia do Oprimido. 60 ed. Rio de Janeiro, RJ: Paz e Terra, 2016.
FREIRE, Paulo. Educação como prática da liberdade. 45 ed. Rio de Janeiro, RJ: Paz e Terra, 2019.
FURTADO, Eliane Dayse Pontes; LIMA, Kátia Regina Rodrigues. EJA, trabalho e educação na formação profissional: possibilidades e limites. Educação & Realidade, v. 35, n. 1, 2010. Disponível em: https://seer.ufrgs.br/index.php/educacaoerealidade/article/view/11025. Acesso em: 06 jun. 2024.
GROSFOGUEL, Ramón. Para descolonizar os estudos de economia política e os estudos pós-coloniais: transmodernidade, pensamento de fronteira e colonialidade global. Revista Crítica de Ciências Sociais, n. 80, p. 115–147, 2008. DOI: 10.4000/rccs.697. Acesso em: 03 nov. 2025.
HOOKS, bell. O feminismo é para todo mundo: políticas arrebatadoras. 14 ed. Rio de Janeiro, RJ: Rosa dos Tempos, 2020.
LARROSA, Jorge. Pedagogia profana: danças, piruetas e mascaradas. Porto Alegre, RS: Contrabando, 1998.
LIMA. Francisca Vieira; WEISE, Andréia Faxina; HARACEMIV, Sonia Maria Chaves. As mulheres da EJA: do silenciamento de vozes à escuta humanizadora. Rev. FAEEBA – Ed. e Contemp. Salvador, v.30, n. 63, p.131–150, jul./set. 2021. Disponível em: https://dx.doi.org/ 10.21879/faeeba2358-0194.2021.v30.n63.p131-150. Acesso em: 10 ago. 2024.
MARX, Karl; ENGELS, Friedrich. Manifesto do Partido Comunista. 3 ed. São Paulo, SP: EDIPRO, 2015. (Série Clássicos Edipro).
MACHADO, Maria Margarida. A educação de jovens e adultos após 20 vinte anos da Lei nº 9.394, de 1996. Revista Retratos da Escola, Brasília, v. 10, n. 19, p. 429–451, jul./dez. 2016. DOI: 10.22420/rde.v10i19.687. Acesso em: 05 ago.2024.
MAIA, Elisângela Rodrigues. Nunca é tarde: uma análise da dinâmica da desigualdade de gênero a partir dos discursos de mulheres que voltaram a estudar. Dissertação (Mestrado em Educação e Ensino) – Universidade Estadual do Ceará, 2022. Disponível em: http://siduece.uece.br/siduece/trabalhoAcademicoPublico.jsf?id=106525. Acesso em: 3 nov. 2025
MENDES, José Ernandi. Professor Municipal: entre as políticas educacionais e as trajetórias pessoais. 2005. Tese (Doutorado em Educação Brasileira) – Universidade Federal do Ceará, Fortaleza/CE. Disponível em: https://repositorio.ufc.br/handle/riufc/3295. Acesso em: 03 nov. 2025.
NOVAES, Marcos Adriano Barbosa de; CARVALHO, Sandra Maria Gadelha de; SOARES, Jaiane Tatiele Alexandre Barboza. Os avanços e limites da Educação de Jovens e Adultos (EJA) no governo Lula da Silva (2003-2010). Revista Cocar, v. 15, n. 33, 2021. Disponível em: https://periodicos.uepa.br/index.php/cocar/article/view/4804. Acesso em: 21 jun. 2025.
OLIVEIRA NETO, João Joel de. A dimensão autoformativa da memória camponesa: narrativas orais nos processos de resistência pela terra em Jaguaruana – CE. 2022. Dissertação (Mestrado em Educação e Ensino) – Universidade Estadual do Ceará (UECE). Disponível em: https://siduece.uece.br/siduece/trabalhoAcademicoPublico.jsf?id =106525. Acesso em: 20 ago.2024.
SAFFIOTI, Heleieth. O poder do macho. São Paulo, SP: Moderna, 1987.
SAFFIOTI, Heleieth. Gênero patriarcado violência. 2 ed. São Paulo: Expressão Popular, 2015.
SENADO FEDERAL. DataSenado: Mapa da Violência. Disponível em: https://www. senado.leg.br/institucional/datasenado/mapadaviolencia/#/inicio. Acesso em: 13 ago. 2024.
SILVA, Mila Nayane. Aprendizados e insurgências das mulheres pela luta da terra. 173 f. Dissertação (Mestrado Acadêmico Intercampi em Educação e Ensino), Universidade Estadual do Ceará – UECE, Limoeiro do Norte, 2019. Disponível em: https://siduece.uece.br/ siduece/trabalhoAcademicoPublico.jsf?id=94815. Acesso em: 3 nov. 2025.
Downloads
Publicado
Como Citar
Edição
Seção
Licença
Copyright (c) 2025 Sandra Maria Gadelha de Carvalho Carvalho, José Ernandi Mendes, Elisângela Rodrigues Maia (Autor)

Este trabalho está licenciado sob uma licença Creative Commons Attribution-NonCommercial-NoDerivatives 4.0 International License.
Autores que publicam nesta revista concordam com os seguintes termos:
- Autores mantém os direitos autorais e concedem à revista o direito de primeira publicação, com o trabalho simultaneamente licenciado sob a Creative Commons Attribution License que permitindo o compartilhamento do trabalho com reconhecimento da autoria do trabalho e publicação inicial nesta revista.
- Autores têm autorização para assumir contratos adicionais separadamente, para distribuição não-exclusiva da versão do trabalho publicada nesta revista (ex.: publicar em repositório institucional ou como capítulo de livro), com reconhecimento de autoria e publicação inicial nesta revista.
- Autores têm permissão e são estimulados a publicar e distribuir seu trabalho online (ex.: em repositórios institucionais ou na sua página pessoal) a qualquer ponto antes ou durante o processo editorial, já que isso pode gerar alterações produtivas, bem como aumentar o impacto e a citação do trabalho publicado (Veja O Efeito do Acesso Livre).
O conteúdo dos artigos é de estrita responsabilidade de seus autores, assumindo responsabilidade de todo o conteúdo fornecido na submissão, e que possuem autorização para uso de conteúdo protegido por direitos autorais reproduzido em sua submissão.



