O desafio da esperança

Autores

DOI:

https://doi.org/10.59360/ouricuri.vol15.i2.a24433

Palavras-chave:

Antropofagia, Ecologia Humana, Pedagogia da Esperança, Paulo Freire

Resumo

Trilhar novos caminhos, ainda que incertos, sinaliza que as forças internas fundamentais de um corpo estão firmes em seu propósito de sobrelevar as intempéries próprias que engendram a sua morfologia e anatomia. Se, ao iniciarmos um novo ano, que começa no descanso do verão de janeiro e sua terra seca, chegarmos aos ares frios e suavizados de julho, os quais revolvem uma terra mais úmida que já foi plantada, onde o justo já se desenvolve em si, aí encontramos o desafio da esperança.

A Ecologia Humana, este campo notório da relação incessante entre a espécie humana nas artimanhas da modificação profunda e, via de regra degradante da forma do interlocutor, quando com este relaciona-se, foi conformando-se em busca de sua autoconceituação, e também num processo de desvelo das suas entranhas edificadoras; quando pesquisa, discute, revela e traz a sapiência de populações humanas que em suas ecologias mantêm práticas de interações harmônicas a-antropofágicas e que muito parecem ser a direção para a evitação da deriva genética do arcabouço gênico da espécie humana como a conhecemos até este presente.

Quer seja uma lança sagrada, fabricada há priscas eras pelos povos originários, ou os ancestrais atabaques afrobrasileiros, até as modelagens neuroartificiais da inteligência computacional, estes nada mais deixam de ser do que ferramentas do desafio da esperança desta espécie em sua própria evolução.

No entanto, estas mesmas ferramentas representam, no começo destes ares julhianos, ‘o imperativo existencial histórico humano’, descrito por Paulo Freire como esperança, ou a pedagogia da; a qual, enquanto ‘necessidade ontológica, ... precisa da prática para tornar-se concretude histórica, ... por isso que não há esperança na pura espera, nem tampouco se alcança o que se espera na espera pura, que vira, assim, espera vã (Freire, 1992, p. 5).

Se a Pedagogia é forma como um aprende para então ensinar, o número dois dos quinze volumes existenciais da Ouricuri, traz em prática o esperançar de Paulo Freire, através dos resultados, discussões e olhares interdisciplinares de diferentes tecelões de ferramentas à evolução humana.

Aos que leem, reproduzam ou repliquem as ferramentas franqueadas através da Ouricuri, possam destiná-las à práticas anti-antropofágicas e construtoras de bens e bens perfeitos, como ato penitencial, ‘não como um flagelo ou autoflagelo, mas sim como reconhecimento de um descaminho, de um erro, para corrigir e canalizar a força da culpa para a responsabilidade e canalizar a tristeza para a musculatura e desenvolver forças para a correção (Gamashi, 2023, p. 156)

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Biografia do Autor

Iramaia De Santana, Universidade do Estado da Bahia

Educadora, Doutora em Biologia Marinha e Aquicultura pela Universidad de Vigo, Espanha, Analista Bioenergética pelo Instituo de Análise Bioenergética de São Paulo, é Professora Adjunta da Universidade do Estado da Bahia (UNEB), e membro permanente dos Programas de Pós-Graduação em Modelagem e Simulação de Biossistemas (PPGMSB-UNEB) e de Ecologia Humana e Gestão Socioambiental (PPGECOH-UNEB).

 

Referências

Freire, Paulo. Pedagogia da Esperança: Um reencontro com a Pedagogia do Oprimido. Editora Paz e Terra, 1992.

Disponível em: https://pibid.unespar.edu.br/noticias/paulo-freire-1992-pedagogia-da-esperanca.pdf/view. Acessado: 30 jun. 2025.

Gamashi, Halu. Dicionário Terapiátrico: as palavras como oráculo. Editora Halu Gamashi, 2023.

Publicado

2025-07-31

Como Citar

DE SANTANA, I. O desafio da esperança. Revista Ouricuri, Brasil, v. 15, n. 2, p. 1–2, 2025. DOI: 10.59360/ouricuri.vol15.i2.a24433. Disponível em: https://www.revistas.uneb.br/ouricuri/article/view/24433. Acesso em: 10 fev. 2026.

Edição

Seção

Editorial

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