Por uma genealogia das Ações Afirmativas
Abordagens psicanalíticas e ecológicas
DOI:
https://doi.org/10.59360/ouricuri.vol16.i1.a23844Palavras-chave:
Política Pública., comunidade, inconsciente coletivo, cura psicanalíticaResumo
Constituindo-se como modos legais de tentativa de reparação das dívidas históricas da escravidão, as políticas públicas de Ação Afirmativa guardam em seu cerne problemas fundamentais que as fundamentam e refutam, bem como refletem na sua aceitação social e cultural pelas pessoas e comunidades. Pensar as relações de poder, os sentimentos e memórias envolvidos em questões cruciais como a competição, a cooperação, o racismo e a consciência, se faz ainda necessário para entender esse fenômeno. Nesse sentido, a Ecologia Humana e a psicanálise aparecem como recorte, a fim de demarcar possíveis pontos de lacuna, onde as instituições de poder e saber não mediam mais as relações, mas, ainda assim, forças e poderes se articulam para fundamentar o imperativo das Ações Afirmativas e suas possíveis estratégias de estabilização. Com o objetivo de esboçar uma abordagem genealógica das Ações Afirmativas, destacando os eventos históricos e evolutivos que levaram à essas medidas, com base no inconsciente coletivo em Jung e na teoria darwinista, esta pesquisa buscou esboçar caminhos possíveis para a cura psicanalítica coletiva em se tratando dos males que ainda demandam essas intervenções públicas. Chegou-se ao resultado de que a Ecologia Humana pode favorecer a compreensão das influências do darwinismo no entendimento das relações de cooperação e competição nas comunidades, superando a ideia de que este serviu apenas à construção do racismo biológico e, a partir de uma relação com as bases psicanalíticas favoreceu a compreensão dos sentimentos e das relações de poder que permeiam o campo das Ações Afirmativas.
Downloads
Referências
Assmann, A. Espaços de recordação: formas e transformações da memória cultural. Trad. Paulo Soethe. 2. reimp. Campinas, SP: Editora da Unicamp, 2018. 456 p.
Bomfim, L. S. V. História e Epistemologia da Ecologia Humana. Salvador: Editora Mente Aberta, 2021. 458 p.
Darwin, C. A expressão das emoções no homem e nos animais. 6. reimp. Trad. Leon de Souza Lobo Garcia. São Paulo: Companhia das Letras, 2020. 344 p.
Darwin, C. A origem do homem e a seleção sexual. Trad. Eugênio Amado. 2. ed. Belo Horizonte: Garnier, 2019. 547 p.
Darwin, C. The Voyage of the Beagle. New York: Harper’s and Row, 1959. 327 p.
Foucault, M. Microfísica do poder. Organização, introdução e revisão técnica de Roberto Machado. 11. ed. São Paulo: Paz e Terra, 2021. 432 p.
Foucault, M. Problematização do sujeito: psicologia, psiquiatria, psicanálise. 3. ed. Rio de Janeiro: Forense Universitária, 2019. 358 p.
Freud, S. O mal-estar na civilização. Trad. Inês A. Lohbauer. São Paulo: Martin Claret, 2020. 147 p.
Jung, C. G. et al. O homem e seus símbolos. Trad. Maria Lúcia Pinho. 3. ed. Rio de Janeiro: HarperCollins Brasil, 2020. 447 p.
Jung, C. G. Os arquétipos e o inconsciente coletivo. 11. ed. 12. reimp. Petrópolis: Vozes, 2021. 454 p.
Kilomba, G. Memórias da Plantação: episódios de racismo cotidiano. trad. Jess Oliveira. 1. ed. 4 reimp. Rio de janeiro: Cobogó, 2020. 248 p.
Marques, J. A Ecologia de Freud: Os Ecossistemas da Natureza Humana. Petrolina: Editora SABEH, 2017. 194 p.
Marques, J. Prefácio. In: Bomfim, L. S. V. História e Epistemologia da Ecologia Humana. Salvador: Editora Mente Aberta, 2021, p. 15-30.
Nietzsche, F. W. A genealogia da Moral. Trad. Antonio Carlos Braga. São Paulo: Lafonte, 2020. 143 p.
Ricoeur, P. A memória, a história, o esquecimento. Trad. Alain François. Campinas – SP: Editora da Unicampi, 2007. 536 p.
Ricoeur, P. Percurso do Reconhecimento. São Paulo: Editora Loyola, 2006. 280 p.
Safatle, V. Maneiras de transformar mundos: Lacan, política e emancipação. 1. ed. Belo Horizonte: Autêntica, 2020. 176 p.
Downloads
Publicado
Como Citar
Edição
Seção
Licença
Copyright (c) 2026 Revista Ouricuri

Este trabalho está licenciado sob uma licença Creative Commons Attribution 4.0 International License.
Autores(as) que publicam nesta revista concordam com os seguintes termos:
Autores(as) mantém os direitos autorais e concedem à revista o direito de primeira publicação, com o trabalho simultaneamente licenciado sob a Licença Creative Commons Attribution que permite o compartilhamento do trabalho com reconhecimento da autoria e publicação inicial nesta revista. (Veja O Efeito do Acesso Livre).





B1 (2017-2020)















