Cladocera como bioindicador trófico em piscicultura com tanques-rede do Município de Glória, Bahia, Brasil
DOI:
https://doi.org/10.59360/ouricuri.vol15.i1.a22967Palavras-chave:
Aquicultura, Microcrustáceos, ZooplânctonResumo
O estudo investigou o uso de cladóceros como bioindicadores para caracterizar o estado trófico de uma piscicultura em tanques-rede no reservatório Moxotó, Bahia, entre janeiro e abril de 2021. Amostras foram coletadas em três pontos estratégicos, totalizando 18 espécies de Cladocera identificadas, com destaque para as famílias Daphnidae e Bosminidae. A espécie Bosmina longirostris apresentou a maior frequência de ocorrência (67%), mas foi classificada como pouco abundante, indicando baixa concentração de nutrientes e ausência de sinais críticos de eutrofização no ambiente. A densidade dos organismos variou significativamente, com pico máximo de 1.980,7 org m-3 em janeiro, enquanto os valores mais baixos foram registrados em março, associados a impactos de manejo e atividades antrópicas. A diversidade específica oscilou entre 0,45 e 1,54 bits org-1, caracterizando o ambiente como de baixa a muito baixa diversidade, enquanto a equitabilidade apresentou valores moderados, refletindo um ambiente com carga orgânica controlada. Os resultados indicam que o manejo atual da piscicultura, embora impacte o ambiente, mantém condições moderadamente sustentáveis. A espécie B. longirostris, devido à sua tolerância a variações ambientais, confirmou-se como um indicador eficaz para avaliar alterações ecológicas. A aplicação de bioindicadores, aliada a práticas de manejo sustentável e monitoramento contínuo, é essencial para minimizar os impactos ambientais e garantir a sustentabilidade da aquicultura no semiárido brasileiro, promovendo uma produção equilibrada e ambientalmente responsável.
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