Jacques Derrida: "O verso de tudo que eu escrevo"

Resumo

Em “Envios”, no livro O Cartão-Postal, Jacques Derrida diz: “le ‘verso’ de tout ce que j’écris” (1980, p. 212). Podemos escutar essa frase como se a filosofia de Derrida exigisse uma leitura que reivindicasse, mesmo que na prosa, a instância do verso, como se pudéssemos lê-la como potência de verso. Veremos que, em Derrida, há um modo comum de ir ao que queima, aos mortos e ao amor, às cinzas e aos amantes, mostrando que há algo em comum entre uma língua da catástrofe e uma língua dos amantes: a disjunção. O filósofo vai, tal como em um poema, mancando, percorrendo um caminho esburaca-do, desviante, cheio de voltas, indo por cesuras, por cortes. Este ensaio deseja, a partir do diálogo tecido entre alguns livros e ensaios do filósofo, como Che cos’è la poesia, Feu la cendre e outros, além de O Cartão-Postal, mostrar como a escrita de Derrida, operando pelo corte, desafia a forma (prosa e verso), o gênero (poema, romance, ensaio, carta) e a categoria de pensamento (poesia e filosofia), inscrevendo, n’“o ‘verso’ de tudo que eu escrevo”, o amor e a catástrofe, o amor e o luto.

Downloads

Não há dados estatísticos.

Biografia do Autor

Danielle Magalhães, UFRJ
Pós-doutoranda no PPG de Ciência da Literatura da UFRJ, bolsista Nota 10 FAPERJ.

 

Referências

AGAMBEN, Giorgio. O cinema de Guy Debord. Image et mémoire, Hoëbeke, 1995, pp. 65-76. Disponível em: https://territoriosdefilosofia.wordpress.com/2014/05/26/o-cinema-de-guy-debord-giorgio-agamben/ Acesso em: 19 março 2020.

AGAMBEN, Giorgio. O fim do poema. Categorias italianas: estudos de poética e literatura. Tradução de Carlos Capela, Vinícius Honesko e Fernando Coelho. Florianópolis: Editora da UFSC, 2014.

AGAMBEN, Giorgio. Ideia da prosa. Tradução de João Barrento. Lisboa: Edições Cotovia, 1999.

DERRIDA, Jacques. Che cos’è la poesia?. Inimigo Rumor, Tradução de Tatiana Rios e Marcos Siscar, nº10, 2001.

DERRIDA, Jacques; BENNINGTON, Geoffrey. Circonfissão. Tradução de Anamaria Skinner. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Ed, 1996.

DERRIDA, Jacques. O cartão-postal: de Sócrates a Freud e além. Tradução de Ana Valeria Lessa e Simone Perelson. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2007.

DERRIDA, Jacques. La Carte Postale: de Socrate à Freud et au-delà. Paris: Flammarion, 1980.

DERRIDA, Jacques. La difunta ceniza / Feu la cendre. Tradução de Daniel Alvaro e Cristina de Peretti. Buenos Aires: La Cebra, 2009.

DERRIDA, Jacques. Espectros de Marx: o estado da dívida, o trabalho do luto e a nova Internacional. Tradução de Anamaria Skinner. Rio de Janeiro: Relume-Dumará, 1994.

DERRIDA, Jacques. Força de Lei: o fundamento místico da autoridade. Tradução de Leyla Perrone-Moisés. São Paulo: Martins Fontes, 2010.

DERRIDA, Jacques. Gêneses, genealogias, gêneros e o gênio: os segredos do arquivo. Tradução de Eliane Lisboa; Porto Alegre: Sulina, 2005.

DERRIDA, Jacques. O monolinguismo do outro: ou a prótese de origem. Tradução de Fernanda Bernardo. Porto: Campo das Letras, 2001.

LACAN, Jacques. Lituraterra. Outros escritos. Tradução de Vera Ribeiro. Rio de Janeiro: Zahar, 2003.

MALLARMÉ, Stéphane. Crise de vers. Oeuvres complètes. Paris: Gallimard, 1974, pp. 360-368.

MALLARMÉ, Stéphane. Un coup de dés jamais n’abolira le hasard. CAMPOS, Augusto de; CAMPOS, Haroldo de; PIGNATARI, Décio. Mallarmé. São Paulo: Perspectiva, 1974.

Publicado
2020-12-14
Métricas
  • Visualizações do Artigo 122
  • PDF downloads: 121
Seção
DOSSIÊ TEMÁTICO