Flores de ébano: a educação em trajetórias de escravizadas e libertas

Palavras-chave: Mulheres, Escravidão, Educação, Cultura letrada, Emancipação.

Resumo

Este trabalho procura analisar a especificidade da condição feminina na escravidão e a inserção da mulher escravizada e liberta no universo da cultura letrada e da educação. A educação foi uma forma de distinção e prestígio? Quais os significados da aquisição dos códigos da cultura letrada para as mulheres escravizadas e libertas?  Afinal, o que sabemos sobre a dimensão intelectual na vida das mulheres que vivenciaram o cativeiro? A partir da análise de fontes como autobiografias, relatos de viajantes e periódicos, o trabalho sugere que instruir-se foi uma forma de luta e sobrevivência, em uma sociedade que perseguia, estigmatizava e procurava demarcar, no corpo, no gesto e na fala, a mulher escravizada. Compreendo a educação como uma brecha na conquista da mobilidade e ascensão social, em uma sociedade escravista. A educação pode ter sido também, um caminho para a emancipação de muitas destas mulheres.

Downloads

Não há dados estatísticos.

Biografia do Autor

Alexandra Lima da Silva, UNIVERSIDADE DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO
É doutora em Educação pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), com período de bolsa sanduíche financiado pela CAPES na Universidad de Alcalá e bolsa nota 10 da Fundação Carlos Chagas Filho de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio de Janeiro (FAPERJ). Bacharel, licenciada e mestre em História Social pela Universidade Federal Fluminense (UFF). Atualmente, é professora adjunta da Faculdade de Educação da UERJ, Campus Maracanã e professora no ProPed/UERJ. Coordenou a produção do documentário Olhares: Instituições educativas centenárias de Cuiabá (FAPEMAT/2014). É pesquisadora da FAPERJ no programa Jovem Cientista do Nosso Estado (2015). Desenvolve pesquisas principalmente nos seguintes temas: história da educação, história do ensino de história, produção de materiais didáticos. Apresentou trabalhos em eventos acadêmicos na Espanha, Portugal, México, Colômbia, Alemanha, Estados Unidos e Turquia. É co-organizadora do livro Outros tempos, outras escolas (2014).

Referências

AKYEAMPONG, Emanuel; GATES JR, Henry. Dictionary of african biography. Oxford: Oxford University Press, 2012.

ALGRANTI, Leila. Honradas e devotas: mulheres da colônia. São Paulo: Hucitec; Fapesp, 1993.

ARQUIVO GERAL DA CIDADE, Rio de Janeiro, Carta Maria Rosa, 1886.

AZEVEDO, E. Orfeu de Carapinha: A trajetória de Luiz Gama na imperial cidade de São Paulo. Campinas, SP: Editora da Unicamp, 1999.

BARROS, S. Negrinhos que por ahi andão: escolarização da população negra em São Paulo (1870-1920). 2005. 175 f. Dissertação (Mestrado em Educação) – Faculdade de Educação, Universidade de São Paulo, São Paulo, 2005.

CARRETTA, Vincent. Phillis Wheatley: biography of a genius in bondage. Athens, Ga: University of Georgia Press, 2011.

COWLING, Camillia. O fundo de emancipação “Livro de Ouro” e as mulheres escravizadas: gênero, abolição e os significados da liberdade na Corte, anos 1880. In: XAVIER, Giovana; FARIAS, Juliana; GOMES, Flávio. (Orgs.). Mulheres negras no Brasil escravista e do pós-emancipação. São Paulo: Selo Negro, 2012. p.214-227.

DIAS, Maria Odila. Escravas. Resistir e sobreviver. In: PINSKY, Carla; PEDRO, Joana. (Orgs.). Nova história das mulheres no Brasil. São Paulo: Contexto, 2013. p. 360-381.

FARIA, Sheila. Mulheres forras – Riqueza e estigma social. Tempo, Niterói, RJ, v. 5, n. 9, p. 65-92, 2000.

FURTADO, Júnia Ferreira. Chica da Silva e o contratador de diamantes. O outro lado do mito. São Paulo: Companhia das Letras, 2003.

GIACOMINI, S. M. Mulher e escrava: uma introdução histórica ao estudo da mulher negra no Brasil. Petrópolis, RJ: Vozes, 1988.

GINZBURG, Carlo. Apêndice-Provas e possibilidades. In: _______. O fio e os rastros: verdadeiro, falso, fictício. São Paulo: Cia. das Letras, 2007. p. 311-338.

GONÇALVES, Ana Maria. Um defeito de cor. São Paulo: Record, 2006.

GRAHAM, Sandra Lauderdale. Caetana diz não. Histórias de mulheres da sociedade escravista brasileira. São Paulo: Cia. das Letras, 2005.

GRINBERG, K. Liberata: a lei da ambiguidade – As ações de liberdade da Corte de Apelação do Rio de Janeiro no século XIX. Rio de Janeiro: Relume-Dumará, 1994.

HOOKS, Bell. Intelectuais negras. Estudos Feministas, v. 3, n. 2, p. 464-478, 1995.

JACOBS, Harriet. Incidentes na vida de uma escrava, contados por ela mesma. Rio de Janeiro: Campus, 1988.

LANGSDORFF, Baronesa Emile de. Diário da Baronesa E. de Langsdorff. Relatando sua viagem ao Brasil por ocasião do casamento de S. A. R. o Príncipe de Joinville, 1842-1843. Florianópolis: Editora Mulheres, 1999.

MAILLARD, Mary. Wispers of cruel wrongs. The correspondence of Louisa Jacobs and her circle, 1879-1911. Madison: Wisconsin Studies in Autobiography; University of Wisconsin Press, 2017.

MARTÍN-BARBERO, Jesús. Dos meios às mediações. Rio de Janeiro: Editora da UFRJ, 2001.

MIGNOT, Ana C. V.; BASTOS, Maria Helena C.; CUNHA, Maria Teresa Santos (Orgs.). Refúgios do eu: educação, história, escrita autobiográfica. Florianópolis: Editora Mulheres, 2000.

MOTT, Luiz. Rosa Egipcíaca: uma santa africana no Brasil. Rio de Janeiro: Editora Bertrand Brasil, 1993.

MOTT, Luiz. Piauí colonial: população, economia e sociedade. Teresina: Projeto Petrônio Portela; Governo do Estado do Piauí, 1985.

MOURA, Clóvis. Dicionário da escravidão negra no Brasil. São Paulo: Edusp, 2004.

MURAT, Rodrigo. Zezé Motta, muito prazer. Rio de Janeiro: Imprensa Oficial, 2005.

PINSKY, Carla; PEDRO, Joana. (Orgs.). Nova história das mulheres no Brasil. São Paulo: Contexto, 2013.

SANTOS, Joaquim Felicio dos. Memórias do districto diamantino da comarca do Serro Frio: (provincia de Minas Geraes). Rio de Janeiro: Typ. Americana, 1868.

ROSA, Sonia. Quando a escrava Esperança escreveu uma carta. Rio de Janeiro: Pallas, 2012.

SENA, Ernesto. Rascunhos e perfis. Brasília, DF: Editora da UnB, 1983.

SCHWARZ, R. Autobiografia de Luiz Gama. Novos Estudos, n. 25, p. 136-141, 1989.

SILVA, Alexandra Lima da. Narrativas de vida de ex-escravos como fonte/objeto para a história da educação. In: VASCONCELOS, Maria Celi; CORDEIRO, Verbena Maria Rocha; VICENTINI, Paula Perin. (Orgs.). (Auto)biografia, literatura e história. Curitiba: CRV, 2014. v. 1. p. 129-145.

SOUZA, Elizeu C. de.; MIGNOT, Ana C. V. (Orgs.). Histórias de vida e formação de professores. Rio de Janeiro: Quartet; FAPERJ, 2008.

SOUZA, Elizeu C. de. O Conhecimento de si: estágio e narrativa de formação de professores. Rio de Janeiro: DP&A Editora, 2006. v. 1.

SOUZA, Elizeu C. de.; DEMARTINI, Z. B. F.; GONÇALVES, M. (Orgs.). Gênero, diversidade e resistência: escritas de si e experiências de empoderamento. Curitiba: CRV, 2016. v. 6.

SOUZA, Maria Cecília. Preto no branco: a trajetória de escritor de Luiz Gama. In: VIDAL, Diana; HILSDORF, Maria Lucia Spedo. Brasil 500 Anos. Tópicas em História da Educação. São Paulo: EdUSP, 2001, pp. 97-115.

VENANCIO, Giselle. Em primeira pessoa. In: VENANCIO, G. M.; SECRETO, M. V.; RIBEIRO, G. S. Cartografias da cidade (in)visível. Setores populares, cultura escrita, educação e leitura no Rio de Janeiro. Rio de Janeiro: Mauad X, 2017.

XAVIER, Giovana; FARIAS, Juliana; GOMES, Flávio. (Orgs.). Mulheres negras no Brasil escravista e do pós-emancipação. São Paulo: Selo Negro, 2012.

XAVIER, Giovana. Entre personagens, tipologias e rótulos da ‘diferença’: a mulher escrava na ficção do Rio de Janeiro no século XIX. In: XAVIER, Giovana; FARIAS, Juliana; GOMES, Flávio. (Orgs.). Mulheres negras no Brasil escravista e do pós-emancipação. São Paulo: Selo Negro, 2012. p. 67-83.

Filmes

Xica da Silva. Direção: Cacá Diegues, 1976.

Quanto vale ou é por quilo? Direção: Sergio Bianchi, 2005.

Manuscritos

Arquivo Geral da Cidade. Carta de Maria Rosa, Maria Rosa, 1886, Arquivo Geral da Cidade.

Biblioteca Nacional, manuscritos. Carta da escrava Paula da Cunha Conceição ao Imperador, fevereiro de 1825.

Biblioteca Nacional, manuscritos. Requerimento de Mathilde Lauriana 1821

Biblioteca Nacional, manuscritos. Requerimento da escrava Ludovina, 1841

Biblioteca Nacional, manuscritos. Requerimento da escrava Benedita, 1858

Biblioteca Nacional, manuscritos. Requerimento da escrava Madalena, 1821

Biblioteca Nacional, manuscritos. Carta da escrava Vitória Maria ao Imperador, 1851

Publicado
2019-04-19
Métricas
  • Visualizações do Artigo 1433
  • PDF downloads: 1027
Como Citar
DA SILVA, A. L. Flores de ébano: a educação em trajetórias de escravizadas e libertas. Revista Brasileira de Pesquisa (Auto)biográfica, v. 4, n. 10, p. 299-311, 19 abr. 2019.