Dossiê Mulheres, História e África

2021-02-17

Os diversos trabalhos de feministas africanas, como Chimamanda Ngozi Adichie, Oyèrónké Oyěwùmí e Ifi Amadiume, iluminam os estudos de gênero e cada vez mais esclarecem as diversas formas de organização social existentes no continente africano. É possível perceber claramente, através destes estudos, que a noção ocidental da separação de papéis sociais de gênero nem sempre corresponde às realidades dos diferentes povos africanos. Desta forma, a compreensão da existência de diferentes modos e formas de ser mulher em África reflete a diversidade existente do continente.  

Esta perspectiva amplia os olhares sobre os movimentos de mulheres africanas e retira-os de parâmetros fechados, mostrando que é preciso compreendê-los na medida em que se desenvolvem, em resposta aos processos históricos. Tal como mostrou a moçambicana Isabel Casimiro, em seu livro Paz na terra, guerra em casa: feminismo e organizações de mulheres em Moçambique (2014), o movimento de mulheres africanas e os debates em torno do feminismo em África emergem de quatro momentos distintos: do movimento endógeno de mulheres que teria caracterizado grande parte das sociedades africanas; da resistência anticolonial; como produto direto dos movimentos de libertação nacional e como resultado do grupo de mulheres profissionais nas universidades. Olhando para estes diferentes movimentos, compreende-se que a educação é um instrumento fundamental para a promoção da igualdade de gênero, para o avanço das pautas dos direitos humanos, evidenciando, por fim, o papel central das mulheres em todas as sociedades africanas.

Tendo estas questões em vista, o Dossiê “Mulheres, História e África” visa reunir trabalhos de pesquisadoras, pesquisadores, graduadas, graduados, pós-graduandas e pós-graduandos que abarquem olhares sobre a história das mulheres no continente africano, seja refletindo amplamente sobre questões de gênero, feminismos africanos, movimentos de mulheres em África, biografias e trajetórias de mulheres ativistas, guerrilheiras, políticas e intelectuais africanas. Desta forma, pretendemos, no todo, evidenciar as nuances interpretativas sobre ser mulher, assim como observar a diversidade do continente africano.

Os artigos devem ser enviados para juliatainamonticeli@gmail.com e para camille.scholl@acad,pucrs.br, dentro das normas da revista, até o dia 30/05/2021.

As normas deDados de África(s) podem ser vistas em https://www.revistas.uneb.br/index.php/dadosdeafricas/about/submissions

Organizadoras: Júlia Tainá Monticeli Rocha (Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul) e Camille Johann Scholl (Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul)