Edital de publicação: CHAMADA PARA O Nº 05 DA REVISTA EDUCAÇÃO E CIÊNCIAS SOCIAIS

(Re)pensar a Raça – imaginações, narrativas, alternativas

 

Pensar sobre a ideia de raça não é uma novidade entre nós. O tema se confunde, inclusive, com a própria história das Ciências Sociais brasileiras. Por diversos motivos, na verdade, desde o século XIX as pesquisas sobre o assunto acabaram concentrando-se nas questões levantadas pela presença histórica dos africanos e, especialmente, de seus descendentes no Brasil. O que não é surpreendente em um país marcado não apenas por 300 anos de comércio transatlântico de escravizados, mas também pela maior importação destes dentre todas as economias escravistas das Américas. De acordo com diferentes perspectivas teóricas, às publicações pioneiras sobre a cultura afro-brasileira feita por médicos, folcloristas e principalmente por antropólogos sucederam-se, então, os estudos sobre o negro ou sobre as relações raciais da Sociologia e, recentemente, a crítica da branquitude e do racismo estrutural. No entanto, nem sempre as produções dos cientistas sociais brasileiros ou estrangeiros que dedicaram-se à este tópico foram divulgadas a contento ou caminharam juntas com as discussões da sociedade envolvente. Em outras palavras, parece haver um descompasso persistente entre o avanço da imaginação sociológica/ antropológica sobre as ditas questões raciais e a implementação de soluções para nossos impasses neste sentido. Bastam dois exemplos para tornar isto evidente. Por um lado, o governo brasileiro reconheceu oficialmente a existência de problemas raciais e passou a criar políticas específicas para lidar com eles apenas a partir da presidência do sociólogo Fernando Henrique Cardoso (1995-2002). Por outro, a lei 10.639/03 que institui “o ensino da história e cultura afro-brasileira, africana” e, posteriormente, “indígena” só foi sancionada em 2003, pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva e, até hoje é efetivada, na maior parte dos casos, de maneira improvisada, em poucas páginas de livros didáticos – que, aliás, tendem a insistir em visões simplistas do passado colonial/ imperial e em valorizações exotizantes de grandes reinos e impérios africanos.

Este número temático propõe reunir artigos que se dediquem a (re)pensar a questão da raça no Brasil de maneiras alternativas e criativas. Tendo em vista que a maioria das reflexões sobre o assunto, com maior ou menor potência analítica e política, tende a repetir duas conclusões – a existência do preconceito racial em nosso país e a necessidade de valorizar certos elementos de uma cultura negra e popular, como o samba, a devoção das congadas ou os candomblés –, gostaríamos de testar outros modos de imaginar, delimitar ou encarar este tema importantíssimo. Evidentemente ambas as abordagens clássicas citadas foram – e ainda são –fundamentais sob diversos aspectos, porém outras posturas metodológicas e outros arranjos teóricos podem ser proveitosos para, dentre outras coisas, enriquecer, perspectivar e complexificar nossas narrativas sobre a enorme diversidade de tensões e experiências raciais brasileiras. Por conseguinte, a próxima edição da Revista de Educação e Ciências Sociais da Universidade Estadual da Bahia (RECS/ UNEB, v. 3, n. 5, 2020) visa congregar pesquisas de campo e de arquivo, reflexões de caráter teórico-metodológico ou balanços bibliográficos que apontem para: diferentes pedagogias e epistemologias alternativas ligadas à pessoas, entidades, grupos ou instituições negras; processos de racialização complexos (nacionais ou transnacionais), não necessariamente ligados a um único fenótipo ou a uma única pertença identitária; a manutenção, materialização, espacialização ou apagamento concreto de memórias e narrativas não-oficiais, privadas ou familiares nas quais a ideia de raça desempenha um papel central (em museus locais, terreiros, espaços privados, circuitos artísticos, etc.). Com isto, esperamos estabelecer novos diálogos interdisciplinares, oferecendo formas alternativas de imaginar as temáticas raciais no Brasil ao debate acadêmico/ público. Tais esforços imaginativos são urgentes em um momento no qual as conquistas legais, institucionais e simbólicas das diversas mobilizações negras nos últimos 25 anos estão sob séria ameaça... até mesmo para descobrir outros jeitos de entender o racismo brasileiro, ao ensinar, valorizar e recriar a experiência negra no Brasil sob novos enfoques.  

 Dossiê coordenado por Vitor Queiroz, Doutor em Antropologia - UNICAMP. 

Cronograma:

Submissão

Até 30 de junho

Avaliação ad hoc

Até  31 de julho

Devolutiva

Até 02 de agosto

Ajustes (se necessário)

24 de agosto

Publicação

Segunda quinzena de outubro

 

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