Pesquisas em Educação Matemática Inclusiva: possibilidades e desafios da utilização de tecnologias digitais e assistivas

Palavras-chave: Educação Inclusiva. Tecnologias digitais. Tecnologias assistivas. Educação Matemática.

Resumo

Este artigo tem por objetivo refletir, a partir de uma revisão da literatura, sobre as possibilidades e os desafios na utilização de tecnologias digitais e assistivas para a inclusão de estudantes com Necessidades Educacionais Específicas no ensino de Matemática, na Educação Básica. Para isto, nos fundamentamos em uma abordagem qualitativa, tendo como ferramenta de coleta de dados o levantamento bibliográfico. Recorremos a três bases de dados, a saber: o Google acadêmico, o Portal de Periódicos da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes) e o Banco de Teses e Dissertações da Capes. Para demarcação temporal, utilizamos a Lei Brasileira de Inclusão da Pessoa com Deficiência, promulgada em 2015, sendo assim, o corpus de análise abarcou pesquisas desenvolvidas nos últimos cinco anos. Na medida em que combinamos os descritores de busca, os trabalhos foram aparecendo, então após a leitura dos resumos, elegemos aqueles que possuíam uma temática dentro do lócus deste estudo e então os analisamos qualitativamente. Foram identificados oito trabalhos com cerne nas Tecnologias Digitais, Tecnologias Assistivas, Educação Matemática e Educação Inclusiva, no âmbito da deficiência visual, auditiva e intelectual. A partir da análise dos dados coletados, em relação às possibilidades podemos inferir que a utilização das tecnologias digitais e assistivas podem promover: autonomia, interatividade e a superação de barreiras geográficas e temporais. Com relação aos desafios, estes perpassam pelo gerenciamento dos sentimentos que as tecnologias digitais e assistivas poderão desencadear nos estudantes, além disso, pela necessidade de constantes formações docentes e reflexões sobre a sua práxis.

Downloads

Não há dados estatísticos.

Biografia do Autor

Érica Santana Silveira Nery, Universidade de Brasília

Doutoranda do Programa de Pós-graduação em Educação da Universidade de Brasília. Mestra em Educação Matemática pela Universidade Estadual de Santa Cruz (2016). Especialista em Ensino de Matemática pela Universidade Cândido Mendes (2015). Licenciada em Matemática pela Universidade Federal do Recôncavo da Bahia (2013). Possui experiência profissional tanto no Ensino Superior, em cursos de graduação presenciais e à distância, quanto na Educação Básica, em turmas de Ensino Médio e Ensino Profissionalizante. Tem desenvolvido pesquisas relacionadas à Educação Matemática Inclusiva, Aprendizagem Lúdica, Didática da Matemática, Ensino de Probabilidade e Estatística e Tecnologias da Informação e Comunicação no Ensino e na Aprendizagem de Matemática. Atualmente, é membro dos seguintes grupos de Pesquisas na Universidade de Brasília: Aprendizagem Lúdica - Pesquisas e Intervenção em Educação e Desporto (GEPAL) e Grupo de Investigação em Ensino de Matemática (GIEM).

Antônio Villar Marques de Sá, Universidade de Brasília

Graduado em Matemática pela Universidade de Brasília (UnB): Bacharelado (1981) e Licenciatura (1982). Possui Diplôme d´Études Approfondies (1984) e Doutorado (1988) em Sciences de l´Éducation pela Université de Paris X - Nanterre (França). Obteve, também, o Diplôme Supérieur d´Études Françaises pela Université de Nancy II (1990). Realizou Pós-Doutorado em Edição Científica na United Nations Educational, Scientific and Cultural Organization - Unesco de Paris (2003). Desde 2013, é Professor Associado 4 da Faculdade de Educação (FE) da UnB, onde foi Professor Associado 1 a 3 (2006-2013), Professor Adjunto 1 a 4 (1992-2006) e Pesquisador Sênior (1989-1992). Professor em estabelecimentos de ensino básico de 1978 a 1988 (em Brasília e em Paris). Editor do periódico científico ´Linhas Críticas´ (FE - UnB), tendo editado 25 números (1998-2011). Publicou seis livros (onze edições, sendo uma em braile), três apresentações, três prefácios, dois posfácios, 21 capítulos de livros, 24 editoriais, 70 trabalhos em anais de eventos e mais de 50 artigos em revistas e jornais. Copidescou um livro (2009). Revisou quatro livros (2012, 2013, 2015, 2016). Organizou, revisou e publicou os Anais do II Encontro de Aprendizagem Lúdica (2017). Presidente da Federação Brasiliense de Xadrez (2000-2002). De 2001 a 2008, assumiu a Coordenação Nacional de Xadrez da Confederação Brasileira de Desportos para Cegos. Organizou e arbitrou mais de 70 campeonatos de xadrez, sendo cinco internacionais. Organizou o I Encontro de Aprendizagem Lúdica (UnB, 2013) e o II Encontro de Aprendizagem Lúdica (UnB, 2016). Orientador de Doutorado e Mestrado no Programa de Pós-Graduação em Educação (PPGE) da FE - UnB. Concluiu mais de 180 Orientações: 36 estudantes de Mestrado, quatro alunos de Especialização, dois trabalhos de Iniciação Científica, um Projeto de Estágio Sabático, 27 Trabalhos de Conclusão de Curso de Graduação, 58 estágios supervisionados, 36 monitorias de disciplinas e 27 bolsas de trabalho. É responsável por duas orientações de doutorado e seis de trabalho de conclusão de curso de graduação em andamento. Participou em mais de 190 Bancas Examinadoras. É Líder do Grupo Aprendizagem Lúdica: Pesquisas e Intervenções em Educação e Desporto (CNPq / UnB). Coordenador da linha de pesquisa Educação em Ciências e Matemática (ECMA) do PPGE da FE - UnB (mar. 2014 a fev. 2015; nov. 2016 a maio 2019). Membro da Comissão Examinadora da FE - UnB (jan. 2018 a jan. 2021). Foi sete vezes eleito Professor Homenageado pelos Estudantes Formandos da FE - UnB (1993, 1994, 1998, 2010, 2013, 2015, 2019). Tem experiência na área de Educação, com ênfase em Edição Científica, Aprendizagem Lúdica, Educação Matemática, Formação de Professores, Inovação Pedagógica, Pedagogia do Xadrez no Ensino Básico, Ensino Superior e Ensino Especial.

Referências

ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. Acessibilidade: comunicação na prestação de serviços. ABNT NBR 15599, 2008.

BARRETO, M. A. O. C.; BARRETO, F. O. C. Educação Inclusiva: contexto social e histórico, análise das deficiências e uso das tecnologias no processo de ensino-aprendizagem. São Paulo: Érica, 2014.

BERSCH, R. Introdução à tecnologia assistiva. Porto Alegre: RS, 2017. Disponível em: <http://www.assistiva.com.br/Introducao_Tecnologia_Assistiva.pdf>. Acesso em: 22 jul. 2020.

BORBA, M. C.; SILVA, R. S. R. da; GADANIDIS, G. Fases das tecnologias digitais em Educação Matemática: sala de aula e internet em movimento. Belo Horizonte: Autêntica, 2014.

BRASIL. Ata VII Reunião do Comitê de Ajudas Técnicas – CAT. Tecnologia assistiva. Brasília: Secretaria Especial dos Direitos Humanos da Presidência da República (CORDE/ SEDH/ PR). 2007. Disponível em: <https://docs.google.com/viewer?a=v&pid=sites&srcid=ZGVmYXVsdGRvbWFpbnx0ZWNub2xvZ2lhYXNzaXN0aXZhY29tYnJ8Z3g6MTdiZWQyY2IzYTE3OWJmZg>. Acesso em: 20 ago. 2020.

BRASIL. Lei Brasileira de Inclusão da Pessoa com Deficiência: Lei 13.146, de 6 de julho de 2015. Disponível em: <http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2015-2018/2015/lei/l13146.htm>. Acesso em: 26 jul. 2020.

DOSVOX. Projeto dosvox. Universidade Federal do Rio de Janeiro, 2020. Disponível em: <http://intervox.nce.ufrj.br/dosvox/>. Acesso em: 10 jul. 2020.

FRANÇA, V. B. Boardmaker: tecnologia assistiva ampliando as possibilidades de intervenções pedagógicas com usuários da comunicação aumentativa e alternativa no ensino regular. Trabalho de Conclusão de Curso (Especialização em Educação na Cultura Digital). Curitibanos, 2016. Disponível em: <https://repositorio.ufsc.br/handle/123456789/169720>. Acesso em: 20 jul. 2020.

FRAZ, J. N. Tecnologia assistiva e educação matemática: experiências de inclusão no ensino e aprendizagem da matemática nas deficiências visual, intelectual e auditiva. Revista de Educação Matemática, São Paulo, v. 15, n. 20, p. 523-547, set./dez. 2018. Disponível em: <https://www.revistasbemsp.com.br/REMat-SP/article/view/176>. Acesso em: 26 jun. 2020.

LOPES, M. C.; FABRIS, E. H. Inclusão e Educação. Belo Horizonte: Autêntica, 2013.

LUGLI, L. C. Prototipagem de soluções tecnológicas, alfabetização matemática na educação infantil e deficiência sensorial: parametrização de características assistivas. Dissertação (Mestrado Ensino e Processos Formativos). São José do Rio Preto, 2018. Disponível em: <http://hdl.handle.net/11449/180352>. Acesso em: 20 jul. 2020.

MIRANDA, J. S. Alfamateca: aplicativo de alfabetização matemática para deficientes visuais. Dissertação (Mestrado em Engenharia Elétrica e da Computação). Campinas, 2019. Disponível em: <http://repositorio.unicamp.br/bitstream/REPOSIP/333533/1/Miranda_JessicaDaSilva_M.pdf>. Acesso em: 24 jul. 2020.

MOELLER, J. D.; SGANZERLA, M. A. R.; GELLER, M. Math Touch: tecnologia assistiva para o desenvolvimento de conceitos matemáticos básicos. Revista Pesquisa Qualitativa, São Paulo, v. 6, n. 12, p. 448-469, dez. 2018. Disponível em: <https://editora.sepq.org.br/index.php/rpq/article/view/235>. Acesso em: 18 jul. 2020.

MOREIRA, J. A.; SCHLEMMER, E. Por um novo conceito e paradigma de educação digital onlife. Revista UFG, v. 20, p. 1-35, 2020. Disponível em: <https://www.revistas.ufg.br/revistaufg/article/view/63438/34772>. Acesso em: 27 jun. 2020.

NERY, E. S. S.; SÁ, A. V. M. A deficiência visual em foco: estratégias lúdicas na Educação Matemática Inclusiva. Revista Educação Especial, v. 32, p. 100, 2019. Disponível em: <https://periodicos.ufsm.br/educacaoespecial/article/view/35402/pdf>. Acesso em: 20 jun. 2020.

NERY, E. S. S.; SÁ, A. V. M. Educação em direitos humanos, educação matemática crítica e educação matemática inclusiva: interseções e desafios. Revista Interdisciplinar de Direitos Humanos, v. 8, p. 89-115, 2020a. Disponível em: <https://www3.faac.unesp.br/ridh/index.php/ridh/article/view/780/338>. Acesso em: 20 jul. 2020.

NERY, E. S. S.; SÁ, A. V. M. O Locus da Tecnologia Interativa e Assistiva na Educação Matemática Inclusiva. In: Annaly Schewtschik (Org.). Universo dos segmentos envolvidos com a Educação Matemática 2. Ponta Grossa: Atena, 2020b, p. 194-205. Disponível em: <https://www.atenaeditora.com.br/post-ebook/3015>. Acesso em: 20 jun. 2020.

PARTICIPAR. Softwares Educacionais de Apoio ao Ensino de Deficientes Intelectuais e Autistas. Universidade de Brasília, 2020. Disponível em: <http://www.projetoparticipar.unb.br/>. Acesso em: 15 jul. 2020.

ROCHA, M. R. da. Jogo digital para o auxílio ao aprendizado de Matemática na Educação Especial. Dissertação (Mestrado em Engenharia Elétrica e Informática Industrial). Curitiba, 2016. Disponível em: <http://repositorio.utfpr.edu.br/jspui/handle/1/2718>. Acesso em: 24 jul. 2020.

RODRIGUES, D. (Org.). Perspectivas sobre inclusão: da educação à sociedade. Porto: Porto Editora, 2003.

RODRIGUES, P. R.; ALVES, L. R. G. Tecnologia assistiva: uma revisão do tema. Holos, v. 29, n. 6, p. 170-180, 2013.

ROSSMAN, G. B.; RALLIS, S. H. Learning in the field: an introduction to qualitative research. 2. ed. London: Sage Publications, 2003.

SALVINO, L. G. M. Tecnologia assistiva no ensino de matemática para um aluno cego do ensino fundamental: desafios e possibilidades. Dissertação (Mestrado em Ensino de Ciências e Educação Matemática). Campina Grande, 2017. Disponível em: <http://tede.bc.uepb.edu.br/jspui/handle/tede/2906>. Acesso em: 15 jul. 2020.

SÁNCHEZ RUBIO, D. Crítica a uma cultura estática e anestesiada de direitos humanos por uma recuperação das dimensões constituintes da luta pelos direitos. Revista Culturas Jurídicas. v. 4, n. 7, p. 1-35, jan./abr. 2017. Disponível em: <http://www.culturasjuridicas.uff.br/index.php/rcj/article/download/370/142>. Acesso em: 25 jul. 2020.

SANTOS, B. S. A cruel pedagogia do vírus. Coimbra: Almedina, 2020.

SANTOS, L. F. dos. O uso de jogos digitais no atendimento educacional especializado de alunos com deficiência intelectual: um estudo de caso. Dissertação (Mestrado em Educação). Brasília, 2019. Disponível em: <https://repositorio.unb.br/handle/10482/36127>. Acesso em: 20 jul. 2020.

SLEE, R. O paradoxo da inclusão: a política cultural da diferença. In: APPLE; M. W.; AU, W.; GANDIN, L. A. Educação crítica: análise internacional. Trad. Vinícius Figueira. Porto Alegre: Artmed, p. 203-216, 2011.

UNESCO. Declaração de Salamanca: sobre princípios, política e práticas na área das necessidades educativas especiais. 1994. Disponível em: <http://unesdoc.unesco.org/images/0013/001393/139394por.pdf>. Acesso em: 4 jul. 2020.

VENTURA, L. A. S. Professor cria podcast de matemática para pessoas com deficiência visual. 2020. Disponível em: <https://brasil.estadao.com.br/blogs/vencer-limites/professor-cria-podcast-de-matematica-para-pessoas-com-deficiencia-visual/#:~:text=Isto%20obriga%20o%20professor%20a,para%20pessoas%20com%20defici%C3%AAncia%20visual>. Acesso em: 20 jul. 2020.

Publicado
2020-08-27
Métricas
  • Visualizações do Artigo 104
  • PDF (PORTUGUÊS) downloads: 53
Como Citar
Nery, Érica S. S., & Sá, A. V. M. de. (2020). Pesquisas em Educação Matemática Inclusiva: possibilidades e desafios da utilização de tecnologias digitais e assistivas. Revista Baiana De Educação Matemática, 1, e202006. https://doi.org/10.47207/rbem.v1i0.9170