Ensino superior e deficiência visual: interações e sociabilidade das práticas na aprendizagem da matemática
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Resumo
Neste artigo propomos investigar a sociabilidade das práticas pedagógicas que se constituem no contexto da aprendizagem da matemática no ensino superior, buscando mapear as interações que as configuram a fim de tornar visíveis elementos que podem potencializar experiências de aprendizagem da matemática para estudantes com deficiência visual. Sob a lente da teoria Ator-Rede, realizamos uma revisão narrativa de investigações disponíveis na Biblioteca Digital Brasileira de Teses e Dissertações e, também, nos periódicos nacionais em educação especial. A relevância deste estudo para os campos da Educação e Educação Matemática está na compreensão de que a inclusão não se estabelece por uma ação única no docente, mas emerge de um emaranhado de conexões interdependentes entre professores, investigadores, recursos tecnológicos, narrativas, especificidades da deficiência visual e dos aprendentes. Compreendemos que a abordagem teórico-metodológica adotada possibilita redimensionar atores humanos e não humanos e que a sociabilidade das práticas pedagógicas, muitas vezes, diluídas ao longo das pesquisas científicas, pode (re)configurar experiências educacionais inclusivas. Os resultados sugerem que as experiências partilhadas e a dinâmica de interações entre as redes de atores são processos relacionais e coletivos, rompendo com uma visão centralizada da inclusão como ação exclusivamente humana. Esses elementos favorecem reflexões sobre o processo de aprendizagem de estudantes com deficiência visual e contribuem para o planejamento de práticas pedagógicas que potencializam o acesso dos estudantes ao saber matemático.
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