Chamada para contribuições Volume 14, nº. 2 (jul-dez 2026.2) - Epistemologias e produções de conhecimento contra-hegemônicos
Ementa
Este dossiê nasce da emergência da discussão de novas epistemologias dentro das investigações científicas e do pensamento acadêmico, principalmente a partir da crítica ao universalismo europeu, que não dá conta das demandas territoriais dos povos do Sul Global. Consideramos “novas epistemologias” aquelas que são pensadas nos territórios fora do Norte Global, problematizando, a partir de suas vivências territoriais e identitárias, a produção de conhecimento legitimada academicamente e socialmente. Em solo brasileiro, vemos, por exemplo, a ascensão de pensamentos que partem das aldeias e dos quilombos, que negam ou transformam o conhecimento eurocentrado a partir das contradições decorrentes das aplicações acríticas de teorias do Norte Global às realidades do Sul Global.
Nesse sentido, pensamentos como o de Antônio Bispo dos Santos e de Ailton Krenak, ao trazer as cosmovisões indígenas e quilombolas como centro do debate de perspectiva contra-hegemônica, desestruturando conceitos cristalizados pela cultura ocidental, tais como o próprio conceito de cultura, de temporalidade, de literatura, de metodologias de pesquisa; de formas de legitimação dos conhecimentos, se fazem importantes para a construção de conhecimento situado e contextualizado. Sueli Carneiro evidencia essas questões a partir da noção de Racismo Epistemológico, que denuncia o apagamento e a deslegitimação de produção de conhecimentos indígenas e negros. Lélia Gonzalez, com a articulação de um feminismo afro-latino-americano, e Maria Lugones, ao dialogar com a colonialidade numa perspectiva de gênero, possibilitam olhar como a crítica feminista também trabalha no sentido de rasurar a forma e produção do conhecimento, em que impera o pensamento masculinista, proporcionando leituras centradas em experiências interseccionais. Assim, destaca-se que as produções culturais são problematizadas a partir de diversos olhares, tais como Edimilson de Almeida Pereira, com a estética de base afro-diaspórica na literatura brasileira, e Leda Maria Martins, ao propor o conceito de oralitura. Também Luiz Rufino e Beatriz Nascimento, na proposição de uma Pedagogia das Encruzilhadas[1] e na mobilização do conceito de quilombo[2], respectivamente, ajudam-nos a compreender a importância de construir epistemologias outras que atendam e destaquem as demandas de territórios fora do Norte Global.
Parte-se da decolonialidade, dos saberes indígenas e quilombolas, das epistemologias ecológicas e dos pensamentos que ora se levantam para a reorganização da visão científica e cultural em prol de um movimento que se dê, primordialmente, considerando as experiências daqueles que foram subalternizados pela cultura ocidental. Serão aceitos trabalhos que versam sobre diferentes áreas, desde o campo da educação à linguagem e outras artes, como também sobre epistemologias dissidentes. Assim, este dossiê acolherá artigos, relatos de experiência e ensaios que explorem:
- Memória e território numa virada epistemológica latino-americana e caribenha: estudos que articulem saberes, memória social, identidades culturais e territorialidades, numa perspectiva local e com destaque para conhecimentos e experiências de países da América Latina e no Caribe.
- Educação e outras epistemologias: estudos sobre o pensamento crítico, saberes e práticas pedagógicas emergentes e insurgentes, como também o diálogo intercultural e experiências educativas que problematizem os modelos hegemônicos de conhecimento e promovam a construção de saberes plurais.
- Arte, estética e poéticas do conhecimento: estudos que articulem sobre arte, cultura e sociedade, como também processos de criação, pesquisa em arte, práticas experimentais e investigações que problematizem a arte numa perspectiva a partir corpo, memória, gênero, raça, sexualidade, classe, território e política.
- Literatura e sua desterritorialidade: estudos sobre teoria e crítica literária que problematizem o sentido de cânone, como também dos deslocamentos culturais, estéticos e linguísticos na produção literária.
Desse modo, este dossiê pretende reunir investigações em torno de novas epistemologias pensadas a partir dos territórios e das identidades latino-americanos e caribenhos. Com um olhar interdisciplinar e experimental, busca-se contribuições para pensar de forma diferente os fenômenos culturais e sociais pelos quais passam a América Latina e Caribe, respondendo a uma demanda de criação intelectual a partir das experiências próprias dos povos que compõem esse universo e de suas relações com a conjuntura mundial.
Cronograma:
Recebimento de artigos: até 31 de agosto de 2026
Avaliação dos artigos e resenhas: setembro de 2026
Revisão e diagramação dos textos: outubro de 2026
Publicação do dossiê: novembro de 2026
Equipe de Organização – Dossiê Grau Zero
Cristian Juan Pablo Pinedo Arcuri
Doutorando da Universidade Nacional de La Plata (Argentina)
Iandara Camila Santos Nascimento
Mestranda do Programa de Pós-Graduação em Crítica Cultural, Universidade do Estado da Bahia
Jeniffer Geraldine Pinho Santana
Doutoranda do Programa de Pós-Graduação em Crítica Cultural, Universidade do Estado da Bahia
Moisés Henrique de Mendonça Nunes
Doutorando do Programa de Pós-Graduação em Crítica Cultural, Universidade do Estado da Bahia
Robério Manoel da Silva
Doutorando do Programa de Pós-Graduação em Crítica Cultural, Universidade do Estado da Bahia
EPISTEMOLOGÍAS Y PRODUCCIONES DE CONOCIMIENTO CONTRAREGIMENALES
La comisión editorial de la revista electrónica Grau Zero, del Programa de Posgrado en Crítica Cultural, del Campus II de la UNEB/Alagoinhas-BA, informa a todos que está recibiendo, hasta el día 31 de agosto de 2026, contribuciones académicas originales (artículos, reseñas y entrevistas), en portugués, inglés, francés o español, para componer el vol. 14, n.º 2, que será publicado en noviembre de 2026.
Ementa:
Este número nace de la emergencia del debate sobre las nuevas epistemologías en el ámbito de la investigación científica y el pensamiento académico, principalmente a partir de la crítica al universalismo europeo, que no da respuesta a las demandas territoriales de los pueblos del Sur Global. Consideramos “nuevas epistemologías” aquellas que se conciben en territorios fuera del Norte Global, cuestionando, a partir de sus experiencias territoriales e identitarias, la producción de conocimiento legitimada académica y socialmente. En suelo brasileño, vemos, por ejemplo, el auge de pensamientos que parten de las aldeas y los quilombos, que niegan o transforman el conocimiento eurocéntrico a partir de las contradicciones derivadas de las aplicaciones acríticas de las teorías del Norte Global a las realidades del Sur Global.
En este sentido, reflexiones como las de Antônio Bispo dos Santos y Ailton Krenak, al situar las cosmovisiones indígenas y quilombolas en el centro del debate desde una perspectiva contrahegemónica, desmontando conceptos cristalizados por la cultura occidental, tales como el propio concepto de cultura, de temporalidad, de literatura y de metodologías de investigación; o de las formas de legitimación del conocimiento, resultan importantes para la construcción de un conocimiento situado y contextualizado. Sueli Carneiro pone de relieve estas cuestiones a partir de la noción de racismo epistemológico, que denuncia el silenciamiento y la deslegitimación de la producción de conocimientos indígenas y negros. Lélia González, con la articulación de un feminismo afrolatinoamericano, y María Lugones, al dialogar con la colonialidad desde una perspectiva de género, permiten observar cómo la crítica feminista también trabaja en el sentido de rasurar la forma y la producción del conocimiento, en el que impera el pensamiento masculinista, proporcionando lecturas centradas en experiencias interseccionales.Así, cabe destacar que las producciones culturales se analizan desde diversas perspectivas, como las de Edimilson de Almeida Pereira, con la estética de base afrodiaspórica en la literatura brasileña, y Leda Maria Martins, al proponer el concepto de “oralitura”". Del mismo modo, Luiz Rufino y Beatriz Nascimento, al proponer una “Pedagogia das Encruzilhadas” y al movilizar el concepto de quilombo, respectivamente, nos ayudan a comprender la importancia de construir otras epistemologías que atiendan y destaquen las demandas de territorios fuera del Norte Global.
Se Parte de la descolonialidad, de los saberes indígenas y quilombolas, de las epistemologías ecológicas y de los pensamientos que surgen actualmente para la reorganización de la visión científica y cultural en favor de un movimiento que se desarrolle, ante todo, teniendo en cuenta las experiencias de aquellos que han sido subalternizados por la cultura occidental. Se aceptarán trabajos que aborden diferentes áreas, desde el ámbito de la educación hasta el lenguaje y otras artes, así como sobre epistemologías disidentes. Así, este dossier acogerá artículos, relatos de experiencias y ensayos que exploren:
- Memoria y territorio en un giro epistemológico latinoamericano y caribeño: estudios que articulen saberes, memoria social, identidades culturales y territorialidades, desde una perspectiva local y con especial atención a los conocimientos y experiencias de los países de América Latina y el Caribe.
- Educación y otras epistemologías: estudios sobre el pensamiento crítico, los saberes y las prácticas pedagógicas emergentes e insurgentes, así como el diálogo intercultural y las experiencias educativas que cuestionen los modelos hegemónicos de conocimiento y promuevan la construcción de saberes plurales.
- Arte, estética y poéticas del conocimiento: estudios que articulen arte, cultura y sociedad, así como procesos de creación, investigación en arte, prácticas experimentales e investigaciones que cuestionen el arte desde una perspectiva que parta del cuerpo, la memoria, el género, la raza, la sexualidad, la clase, el territorio y la política.
- Literatura y su desterritorialidad: estudios sobre teoría y crítica literaria que cuestionen el sentido del canon, así como los desplazamientos culturales, estéticos y lingüísticos en la producción literaria.
De esta manera, este número pretende reunir investigaciones en torno a nuevas epistemologías concebidas a partir de los territorios y las identidades latinoamericanas y caribeñas. Con una mirada interdisciplinaria y experimental, se buscan contribuciones para pensar de manera diferente los fenómenos culturales y sociales que atraviesan América Latina y el Caribe, respondiendo a una demanda de creación intelectual a partir de las experiencias propias de los pueblos que componen este universo y de sus relaciones con la coyuntura mundial.
Cronograma:
Recepción de artículos: hasta el 31 de agosto de 2026
Evaluación de artículos y reseñas: septiembre de 2026
Revisión y diagramación de los textos: octubre de 2026
Publicación del dossier: noviembre de 2026
[1] Faz-se menção direta sobre o livro de Rufino, publicado inicialmente em 2019.
[2] Alex Ratts tem promovido a difusão dos estudos de Beatriz Nascimento.






