Chamada para contribuições Volume 14, nº. 1 (jan-jun 2026.1) - Do códex ao feed: poéticas, práxis e políticas da leitura online

2026-03-24

Ementa:

A Revista Grau Zero traz em sua edição v. 14, nº 1 (jan-jun 2026.1), o tema norteador “Do códex ao feed: poéticas, práxis e políticas da leitura online”, que tem como base a crítica cultural contemporânea que nos habilita a pesquisar e analisar as conexões entre as produções simbólicas, as tecnologias e o poder exercido em rede quando atravessados pela leitura de textos literários. O intuito é buscar compreender como são construídas as novas modulações de leitura no ambiente virtual através de suas produções, seus meios de circulação, recepção e legitimidade. Portanto, investigar a literatura entrelaçada às circunstâncias culturais, políticas e tecnológicas viabiliza o possível entendimento de como a leitura se sustém e se faz instrumento de persistência no universo digital.

É urgente pensar que a literatura, que é uma prática social que se materializa por meio de diferentes mediações e em afluência simbólica, tem sido perpassada por algoritmos, pela quantificação da participação e pelo sistema de visualizações. Tais índices, orquestrados em plataformas, têm formulado as interações, reposicionado as vozes legitimadas, influenciado no que deve ser divulgado ou reprimido e estimulado novas formas valorativas em relação à escrita e a leitura. Ler o literário em rede nos direciona a um ecossistema em que se entrelaçam economia, política e estética.

Para tanto, a priori, é indispensável pensarmos na trajetória histórica e simbólica do livro enquanto tecnologia não superada, mas transportada e adaptada nos mais diferentes suportes. Da passagem do manuscrito, vestido de uma ideia de leitura essencialmente intimista, silente, acumulativa e durável para páginas digitais que escoam leituras fluídas, atualizáveis, performáticas e coletivas. Uma alteração não só tecnológica, mas também epistemológica e cultural que realoca as práticas de leitura, escrita e crítica. Sendo esses os sintomas de um acontecimento que burla hierarquizações, produzem pluralidades e estimula interações espontâneas enviesadas por sistemas, moderadores e comunidades.

Vê-se, portanto, nesta era digital, mais um abalo situacional e funcional da tríade autor-leitor-leitura que reverberam diretamente nos modos de ressignificações do texto literário. Mesmo sendo este, assegurado como um campo de experiência estética-cultural, ele passa a atuar sob forte influência de dispositivos que se valem da celeridade, conectividade e confluências. Assim, é indispensável repensar o valor literário, agora em ambiente virtual, pois o que antes poderia ser validado por sujeitos e instâncias de saberes legalizados, agora está a cargo de qualquer pessoa que entenda do jogo virtual. E por este se apresentar como um campo novo, ágil e atualizador é que carecem de pesquisas sobre como essas práxis delineiam-se, para que possamos nos aproximar de um pensamento que consiga mesclar a teoria literária, os estudos sobre mídias e a antropologia digital, a fim de entendermos tais processos como sociopolíticos, por serem isentos de neutralidade, e responderem diretamente a uma lógica de controle, privilégio e mercado.

Logo, objetivamos de forma geral diagramar e explorar as inovações poéticas, práticas e políticas oriundas da movimentação literária em culturas digitais bem como especificar: Como as obras literárias são confeccionadas e reinterpretadas em sistemas virtuais? Quem são os mediadores culturais e como eles têm elaborado seus repertórios e seus parâmetros de avaliações? De que forma são examinadas as poéticas emergentes que usam da intermidialidade, da performance e da remixagem? Quais são os métodos subversivos à ideia de comercialização explorados pelos mediadores como meio de reapropriação? Quais as consequências desses recursos no que diz respeito a formação leitora, na educação literária e nas políticas culturais? Então, a par desses questionamentos e outros suscitados pelos mesmos ao chegarem em contato ao distinto pesquisador-leitor é que abrimos eixos temáticos “guarda-chuvas” que possam abrigar diversas argumentações, tais quais:

  • Produção, Circulação e Recepção de Literatura em Culturas Digitais.
  • Poéticas emergentes: novas formas, gêneros e linguagens que nascem digitalmente e que exploram a intermedialidade, a performatividade e a criatividade colaborativa.
  • Resistências e ressignificações: práticas que questionam, subvertem ou ressignificam lógicas comerciais e hegemônicas das plataformas.
  • Fenômenos contemporâneos de viralidade literária: BookTok, BookTube, Bookstagram, comunidades de fanfiction, blogs e outras práticas de circulação e mediação.
  • A emergência de novos agentes e autoridades no campo literário: influenciadores, algoritmos, comunidades, plataformas como atores que redefinem valor, canonização e gosto.
  • Comunidades e formação de leitores: clubes de leitura digitais, comunidades de fãs, espaços de afinidade como práticas de letramento crítico e construção coletiva de sentido.

 

Uma vez delimitado o “efúgio”, possamos unir os pensamentos para compor um documento que verse sobre as práticas de leitura e escrita entre algoritmos, o reposicionamento da figura do autor dentro de um espaço remixado e atualizável, a dimensionalização da estética do fracionado, rápido e exibido, as formações das comunidades virtuais e suas configurações produtivas que exortam novos sentidos, para que cheguemos a uma possível interseção da crítica institucional e essas novas práxis emergentes, bem como consigamos direcionar a uma possível elucubração de uma nova política do literário. Logo, abordagens qualitativas, quantitativas, críticas e de transversalidades podem embasar as produções textuais a fim de diversificarem os olhares e ampliarem as vozes. A ideia é que sejamos contestadores da manifestação literária em sua materialidade digital considerando mercado, estética e política para que consigamos um retrato, neste tempo, das novas práticas literárias em rede.

Cronograma:

Recebimento de artigos: até 31 de maio de 2026

Avaliação dos artigos e resenhas: junho de 2026

Revisão e diagramação dos textos:  julho de 2026

Publicação do dossiê: agosto de 2026

Organizadores/as: 

Jeniffer Geraldine Pinho Santos (Doutoranda Pós-Crítica/UNEB)

Luciana Campos de Albuquerque (Doutoranda Pós-Crítica/UNEB)

Matheus Alves (Mestrando PPGCOM/ UFS)  

Alagoinhas: Pós-Crítica, 2025, Publicação Semestral

ISSN 2318-7085

 

Obs.: Os textos devem ser submetidos pelo próprio site, para fazer a submissão, é necessário ser cadastrado, caso não seja, clique no link acima (cadastro) e preencha os dados do formulário, lembrando que deve ser escolhida a opção autor.

 

Convocatoria de contribuciones Volumen 14, nº. 1 (ene-jun 2026.1) – Del códice al feed: poéticas, praxis y políticas de la lectura en línea

La comisión editorial de la revista electrónica Grau Zero, del Programa de Posgrado en Crítica Cultural, del Campus II de la UNEB/Alagoinhas-BA, comunica a todos que está recibiendo, hasta el 31 de mayo de 2026, contribuciones académicas originales (artículos, reseñas y entrevistas), en portugués, inglés, francés o español, para componer el v. 14, nº. 1, que se publicará en agosto de 2026.

Ementa:

La Revista Grau Zero presenta en su edición v. 14, nº 1 (ene-jun 2026.1), el tema orientador “Del códice al feed: poéticas, praxis y políticas de la lectura en línea”, basado en la crítica cultural contemporánea que nos habilita a investigar y analizar las conexiones entre las producciones simbólicas, las tecnologías y el poder ejercido en red cuando son atravesados por la lectura de textos literarios. El propósito es comprender cómo se construyen las nuevas modulaciones de la lectura en el entorno virtual a través de sus producciones, sus medios de circulación, recepción y legitimidad. Por lo tanto, investigar la literatura entrelazada a las circunstancias culturales, políticas y tecnológicas posibilita la comprensión de cómo la lectura se sostiene y se convierte en instrumento de persistencia en el universo digital.

Es urgente pensar que la literatura, como práctica social que se materializa a través de diferentes mediaciones y en afluencia simbólica, ha sido atravesada por algoritmos, por la cuantificación de la participación y por el sistema de visualizaciones. Tales índices, orquestados en plataformas, han configurado las interacciones, reposicionado las voces legitimadas, influido en lo que debe ser divulgado o reprimido y estimulado nuevas formas de valoración en relación con la escritura y la lectura. Leer lo literario en red nos conduce a un ecosistema en el que se entrelazan economía, política y estética.

Para ello, en primer lugar, es indispensable pensar en la trayectoria histórica y simbólica del libro como tecnología no superada, sino transportada y adaptada a diferentes soportes. Desde el paso del manuscrito, revestido de una idea de lectura esencialmente intimista, silenciosa, acumulativa y duradera, hacia páginas digitales que propician lecturas fluidas, actualizables, performáticas y colectivas. Un cambio no solo tecnológico, sino también epistemológico y cultural que reubica las prácticas de lectura, escritura y crítica. Estos son los síntomas de un acontecimiento que evade jerarquizaciones, produce pluralidades y estimula interacciones espontáneas mediadas por sistemas, moderadores y comunidades.

Se observa, por lo tanto, en esta era digital, un nuevo desplazamiento situacional y funcional de la tríada autor-lector-lectura que repercute directamente en los modos de resignificación del texto literario. Aunque este siga siendo un campo de experiencia estético-cultural, pasa a operar bajo fuerte influencia de dispositivos que se valen de la velocidad, la conectividad y la confluencia. Así, resulta indispensable repensar el valor literario en el entorno virtual, pues lo que antes podía ser validado por sujetos e instancias de saber legitimadas, ahora queda a cargo de cualquier persona que entienda el juego virtual. Y dado que este se presenta como un campo nuevo, ágil y en constante actualización, se hace necesaria la investigación sobre cómo estas praxis se configuran, para que podamos acercarnos a un pensamiento que articule la teoría literaria, los estudios de medios y la antropología digital, con el fin de comprender estos procesos como sociopolíticos, no neutrales, y directamente vinculados a una lógica de control, privilegio y mercado.

En este sentido, buscamos, de manera general, diagramar y explorar las innovaciones poéticas, prácticas y políticas derivadas del movimiento literario en las culturas digitales, así como especificar: ¿Cómo se producen y reinterpretan las obras literarias en sistemas virtuales? ¿Quiénes son los mediadores culturales y cómo han elaborado sus repertorios y sus parámetros de evaluación? ¿De qué manera se analizan las poéticas emergentes que utilizan la intermedialidad, la performance y la remezcla? ¿Cuáles son los métodos subversivos frente a la lógica de comercialización explorados por los mediadores como forma de reapropiación? ¿Cuáles son las consecuencias de estos recursos en lo que respecta a la formación de lectores, la educación literaria y las políticas culturales? A partir de estos y otros interrogantes, proponemos ejes temáticos “paraguas” que puedan albergar diversas argumentaciones, tales como:

  • Producción, circulación y recepción de la literatura en culturas digitales.
  • Poéticas emergentes: nuevas formas, géneros y lenguajes que nacen digitalmente y exploran la intermedialidad, la performatividad y la creatividad colaborativa.
  • Resistencias y resignificaciones: prácticas que cuestionan, subvierten o resignifican las lógicas comerciales y hegemónicas de las plataformas.
  • Fenómenos contemporáneos de viralidad literaria: BookTok, BookTube, Bookstagram, comunidades de fanfiction, blogs y otras prácticas de circulación y mediación.
  • Emergencia de nuevos agentes y autoridades en el campo literario: influencers, algoritmos, comunidades y plataformas como actores que redefinen valor, canonización y gusto.
  • Comunidades y formación de lectores: clubes de lectura digitales, comunidades de fans y espacios de afinidad como prácticas de alfabetización crítica y construcción colectiva de sentido.

Una vez delimitado este campo, proponemos reunir reflexiones que aborden las prácticas de lectura y escritura entre algoritmos, el reposicionamiento de la figura del autor en un espacio remixado y actualizable, la dimensión estética de lo fragmentado, veloz y exhibido, así como la formación de comunidades virtuales y sus configuraciones productivas que generan nuevos sentidos. Buscamos así una posible intersección entre la crítica institucional y estas nuevas praxis emergentes, orientando la reflexión hacia una posible elaboración de una nueva política de lo literario. Por ello, enfoques cualitativos, cuantitativos, críticos y transversales pueden fundamentar las producciones textuales, diversificando perspectivas y ampliando voces. La intención es cuestionar la manifestación literaria en su materialidad digital considerando mercado, estética y política, para construir un retrato contemporáneo de las nuevas prácticas literarias en red.

Cronograma:

Recepción de artículos: hasta el 31 de mayo de 2026
Evaluación de artículos y reseñas: junio de 2026
Revisión y diagramación de textos: julio de 2026
Publicación del dossier: agosto de 2026

Organizadores/as:

Jeniffer Geraldine Pinho Santos (Doctoranda Pós-Crítica/UNEB)
Luciana Campos de Albuquerque (Doctoranda Pós-Crítica/UNEB)
Matheus Alves (Maestrando PPGCOM/UFS)

Alagoinhas: Pós-Crítica, 2025, publicación semestral
ISSN 2318-7085

Nota: Los textos deben ser enviados a través del sitio web. Para realizar la presentación es necesario estar registrado; en caso contrario, haga clic en el enlace de registro y complete el formulario, recordando seleccionar la opción “autor”.