Eficiência na Gestão Fiscal das Unidades Federativas: Evidências para o Período de 2000 a 2019

Autores

  • Géderson Donaduzzi Governo do Estado do Rio Grande do Sul
  • Kalinca Léia Becker Universidade Federal de Santa Maria
  • Reisoli Bender Filho Universidade Federal de Santa Maria

DOI:

https://doi.org/10.18028/rgfc.v14i2.18100

Palavras-chave:

Gestão Fiscal, Eficiência. , Análise envoltória de dados

Resumo

A pressão por serviços públicos qualificados estimulou a evolução da gestão pública ao mesmo tempo em que níveis excessivos de endividamento têm comprometido a capacidade de atuação dos governos, sobretudos, os estaduais. Essa discussão fundamentou o objetivo de avaliar a eficiência da gestão fiscal dos estados e do Distrito Federal, entre 2000 e 2019, a partir da Análise Envoltória de Dados (DEA). Os resultados demonstraram que o menor escore foi encontrado para o Distrito Federal (0,11) e o maior para o estado de Alagoas (0,98). A maioria das unidades federativas (62,96%) apresentou escore de eficiência “Baixo”, com escore médio de 0,56. Conclui-se que a existência de comportamentos menos responsáveis ou menos interessados com a importância do espaço fiscal, e com as consequências nocivas dos elevados níveis de endividamento para o bem-estar social. Portanto, há a necessidade de políticas fiscais atentas às definições legais de gestão fiscal, visando aos objetivos de bem-estar social e de equilíbrio fiscal. A busca constante por otimizar a eficiência, que influenciou as reformas administrativas, deve ser pauta prioritária e permanente na agenda dos governos.

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Publicado

09/05/2025