Desempenho de Mercado e o Controle de Corrupção: Evidências para Empresas da América Latina
DOI:
https://doi.org/10.18028/rgfc.v14i2.12344Palavras-chave:
Desempenho, Controle de Corrupção, Sensibilidade dos SetoresResumo
Em finanças corporativas, o tema corrupção vem sendo objeto de estudo em pesquisas recentes, estas pesquisas quase sempre inovam em métodos e variáveis de estudo. Os resultados destas pesquisas quase sempre relacionam o fenômeno da corrupção e os prováveis impactos econômicos em países, setores e empresas. Nesse sentido, este artigo investiga a relação entre o controle da corrupção dos países e o desempenho das empresas de capital aberto, modulando estes resultados de acordo com o setor de atuação da empresa. Para esta pesquisa o desempenho de mercado será medido pelo coeficiente Q de Tobin, uma vez que não foi identificado o uso desta variável em estudos semelhantes. Para tanto, foram estimados modelos de dados em painel, utilizando informações financeiras de empresas de capital aberto negociadas em Brasil, Argentina, Chile, Colômbia, México e Peru no período entre 2008 e 2018, coletadas pela plataforma Thomson Reuters, e o índice de controle de corrupção estimado pelo Banco Mundial. Os resultados encontrados evidenciam que o ambiente institucional impacta o valor de mercado das firmas e que o controle da corrupção deve ser incorporado às análises estratégicas por investidores e gestores. Além disso, amplia o debate sobre os efeitos da corrupção em contextos emergentes como a América Latina.
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