Financeirização na educação superior privada e o controle empresarial por meio da pedagogia de mercado

Autores

DOI:

https://doi.org/10.21879/faeeba2358-0194.2025.v34.n79.p28-41

Palavras-chave:

Financeirização. Educação Superior. Controle empresarial. Pedagogia de Mercado

Resumo

Este artigo tem como objetivo analisar a financeirização na educação superior privada e o controle empresarial por meio da pedagogia de mercado. É parte de pesquisa de estágio pós-doutoral de caráter descritiva, subsidiada pela análise documental. Para tanto, utilizou-se do método marxista de análise por entender que as ideias são socialmente determinadas sendo necessário apreender o real, questioná-lo e problematizá-lo. Pode se inferir que  a financeirização da educação por meio do controle empresarial, provoca sérias fissuras na malha social, pois a transferência tácita pelo Estado de sua responsabilidade em educação superior para empresas privadas de educação tem predisposto muitas das IESP a funcionarem aos moldes de fábricas de produção de diplomas e certificados numa movimentação financeira que visa o lucro, a renda e o acúmulo de capitais.

Downloads

Não há dados estatísticos.

Biografia do Autor

Tarcisio Pereira, Universidade Federal de Mato Grosso do Sul

Pós Doutor pela Universidade Estadual de Maringá - UEM, Doutor em Educação pela Universidade Federal de Mato Grosso do Sul - UFMS/FAED. Mestre em Educação pela Universidade Estadual Paulista - UNESP/FCT; Pedagogo pela UFMS/CPTL; Professor de Educação Básica - habilitado pelo Centro Específico de Formação e Aperfeiçoamento do Magistério - CEFAM. É Professor no Curso de Pedagogia e no Programa de Pós-graduação em Educação (Mestrado) da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul - UFMS campus de Três Lagoas-MS; Líder e pesquisador no Grupo de Estudos e Pesquisas em Formação de Professores - GFORP - na Linha de Pesquisa: Formação de Professores e Políticas Públicas; É membro do Grupo de Estudos e Pesquisas em Educação Básica e Superior - GEDUC UEM; É pesquisador na Rede Universitas/Br. Tem como temática de interesse investigativo: Educação Superior, Políticas Educacionais e Formação de Professores.

Mário Luiz Neves de Azevedo, Universidade Estadual de Maringa

Professor Titular da Universidade Estadual de Maringá (UEM). Estágio de Pós-doutorado na Universidade de Bristol-Inglaterra (2011). Doutor em Educação pela FE da USP, com estágio de pesquisa (bolsa-sanduíche/CAPES) no Institut National de Recherche Pédagogique (INRP-França). Mestre em Educação pela Universidade Federal de São Carlos (UFSCar). Coordenador (2016-2018) do Programa de Pós-graduação em Educação da UEM. Diretor Financeiro da ANPEd (2015-2017 e 2017-2019). Pesquisador visitante na Universidade de Cambridge-Inglaterra (2018-2019). Membro da Rede Universitas/BR. Coordenador do Grupo de Estudos e Pesquisas em Educação Básica e Superior (GEDUC), certificado pelo CNPq. Pesquisador do CNPq.

Referências

ANTUNES, R. (2007). Adeus ao trabalho?: ensaios sobre as metamorfoses e a centralidade do mundo do trabalho (12.ed.). São Paulo: Cortez.

ANPED - Associação Nacional de Pós-graduação e Pesquisa em Educação. Site Oficial. Disponível em: https://www.anped.org.br/ Acesso em 08/10/2024.

AZEVEDO, M. L. N. Teoria do capital humano, bem público e mercadorização da educação. In: Educação e gestão neoliberal: a escola cooperativa de Maringá – uma experiência de Charter School? [online]. Maringá: EDUEM, 2021, pp. 101-137. ISBN: 978-65-87626-06-2. https://doi.org/10.7476/9786587626062.0006.

BRASIL. Resolução n. 2, de 22 de dezembro de 2017. Institui e orienta a implantação da Base Nacional Comum Curricular, a ser respeitada obrigatoriamente ao longo das etapas e respectivas modalidades no âmbito da Educação Básica. Brasília: Ministério da Educação, Conselho Nacional de Educação, Conselho Pleno, [2017]. Disponível em: http://basenacionalcomum.mec.gov.br/images/historico/RESOLUCAOCNE_CP222DEDEZ EMBRODE2017.pdf. Acesso em: 10/09/2024

BRETTAS, Tatiana. A Mercantilização no Ensino Superior: uma análise da ‘Reforma ‘Universitária no governo Lula. In: QUEIROZ, Fernanda Marques de; RUSSO, Gláucia Helena Araújo; RAMOS, Sâmya Rodrigues (org.). Serviço Social na contra corrente: lutas, direitos e políticas sociais. Mossoró, RN: UERN, 2010.

CAMARGO, G. A expansão desenfreada do setor mercantilista de educação. Extra Classe, 28 dez. 2021. Disponível em https://www.extraclasse.org.br/educacao/2021/12/a-expansao-desenfrEaDa-do-setor-mercantilista-de-educacao/ . Acesso em: 06/06/2023;

CARVALHO. Janete Magalhães. LOURENÇO. Suzany Goulart . O silenciamento de professores da Educação Básica pela estratégia de fazê-los falar. Pro-Posições, Volume: 27, Publicado: 2017 https://doi.org/10.1590/1980-6248-2017-0007

CHAVES, V. L. J. Expansão da privatização/mercantilização do ensino superior brasileiro: a formação dos oligopólios. Educação & Sociedade, v. 31, p. 481-500, 2010.

CHAVES, V. L. J.; AMARAL, N. C. Política de expansão da educação superior no Brasil : O Prouni e o Fies como financiadores do setor privado. In: Educação em Revista, Belo Horizonte, v. 32, n. 04, p.205-225, out. 2016.

CHESNAIS, François. O capital portador de juros: acumulação, internacionalização, efeitos econômicos e políticos. In: CHESNAIS, François (org.). A finança mundializada. São Paulo: Boitempo, 2005.

DINIZ-PEREIRA. Júlio Emílio. A situação atual dos cursos de licenciatura no Brasil frente à hegemonia da educação mercantil e empresarial. Revista Eletrônica de Educação 9(3):273-280. DOI: 10.14244/198271991355

ENGELS, Friedrich; MARX, Karl. A ideologia alemã. São Paulo: Boitempo, 2007.

EVANGELISTA, O.; SHIROMA, E. O. Professor: protagonista e obstáculo da reforma. Revista Educação e Pesquisa, v. 33, n. 3, p. 531-541, set./dez. 2007.

EVANGELISTA, O. ALLAN K. SEKI, ARTUR GOMES DE SOUZA, MAURO TITTON E ASTRID BAECKER AVILA (Orgs.) Desventura dos Professores na Formação para o capital, Mercado de Letras, 2019.

GRAMSCI, Antonio. Cadernos do Cárcere: o Risorgimento. Notas sobre a História da Itália. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2002.

HILFERDING, R. O capital financeiro. São Paulo, SP: Nova Cultural, 1985.

INSTITUTO NACIONAL DE ESTUDOS E PESQUISAS EDUCACIONAIS ANÍSIO TEIXEIRA. (INEP) Sinopse Estatística da Educação Superior 2021 e 2024. Brasília: Inep, 2022/2023 Disponível em: https://www.gov.br/inep/pt-br/acesso-a-informacao/dados-abertos/sinopses-estatisticas/educacao-superior-graduacao. Acesso em: 12/10/2024.

KOIKE, Beth. Prejuízo da Cogna cai 53% no segundo trimestre | Empresas. Valor Econômico, São Paulo. https://valor.globo.com › empresas › notícia › 2023/08/09. Disponível em: https://valor.globo.com/empresas/noticia/2023/08/09/prejuizo-da-cogna-cai-53percent-no-segundo-trimestre.ghtml. Acesso em 17/01/2024.

KUENZER, Acácia Zeneida. A formação de trabalhadores no espaço de trabalho. Trabalho necessário, ano 14, n.25, 2016. Disponível em: https://periodicos.uff.br/trabalhonecessario. Acesso em: 10/06/2023.

LAPYDA. Ilan. Introdução à financeirização. David Harvey, François Chesnais e o capitalismo contemporâneo. São Paulo. CEFA EDITORIA, 2023.

LAVAL. Christian. A escola não é uma empresa: neoliberalismo em ataque ao ensino público. São Paulo: Boitempo, 2019, 326 p.

LENIN, Vladimir Ilitch. O Imperialismo a Etapa Superior do Capitalismo, apresentação: Plínio de Arruda Sampaio Junior; Campinas-SP FE/UNICAMP, 2011. Edição Eletrônica (ebook).

LÜDKE, M.; ANDRÉ, M.E.D.A. Pesquisa em educação: abordagens qualitativas. São Paulo: E.P.U, 1986.

MACEBO. Denise. Trabalho remoto na Educação Superior brasileira: efeitos e possibilidades no contexto da pandemia. Revista USP • São Paulo • n. 127 • p. 105-116 • outubro/novembro/dezembro 2020.

MARX, Karl. O Capital. Crítica da Economia Política. Livro I, vol. II. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2012.

_________. O capital, Livro III, Tomo I. Trad. Trad. Regis Barbosa e Flávio R. Kothe. São Paulo: Nova Cultural, 2014.

_________. Manuscrits de 1857-1858 ("Grundrisse"), Tome I, Editions Sociales, Paris, 1980.

MÉSZÁROS, I. Para além do capital: rumo a uma teoria da transição. São Paulo: Boitempo, 2009.

MONTAÑO, Carlos. Terceiro setor e questão social: crítica ao padrão emergente de intervenção social. São Paulo: Cortez, 2002.

MOTTA, V. C.; LEHER, R. e GAWRYSZEWSKI, B. (2018). A pedagogia do capital e o sentido das resistências da classe trabalhadora. Ser Social: educação e lutas sociais no Brasil, vol. 20, no 43. Brasília: UNB, pp. 310-328

NETTO, José Paulo. Introdução ao Estudo do Método de Marx. São Paulo: Editora Expressão Popular, 2011.

PEREIRA, J. N; EVANGELISTA, O. Quando o Capital Educa o Educador: BNCC, Nova Escola e Lemann. Movimento-Revista de Educação, Niterói, ano 6, n.10, p. 65-90, jan. /jun. 2019. Disponível em: https://periodicos.uff.br/revistamovimento/article/view/32664/18804 Acesso em: 04/09/2023.

SANTOS, Aparecida de Fátima Tiradente dos. Pedagogia do mercado. Neoliberalismo, trabalho e educação no século XXI. Rio de Janeiro: Ibis Libris, 2012.

SAVIANI, Dermeval. Histórias das ideias pedagógicas no Brasil. Campinas: Autores Associados, 2008 a.

SEMESP. SINDICATO DAS MANTENEDORAS DO ENSINO SUPERIOR PRIVADO. Mapa do Ensino Superior no Brasil - 13ª edição. 2023. Disponível em: Disponível em: https://www.semesp.org.br/mapa/ Acesso 07/09/2024.

SEKI, Allan Kenji. Determinações do capital financeiro no Ensino Superior: fundo público, regulamentações e formação de oligopólios no Brasil (1990-2018) / Allan Kenji SEKI; orientador, Olinda Evangelista, 2020. 437 p. Tese (doutorado) - Universidade Federal de Santa Catarina, Centro de Ciências da Educação, Programa de Pós-Graduação em Educação, Florianópolis, 2020.

SGUISSARDI, Valdemar. Universidade Brasileira no Século XXI – Desafios do Presente. São Paulo, SP: Cortez, 2009.

Downloads

Publicado

2025-09-29

Como Citar

PEREIRA, T.; AZEVEDO, M. L. N. de. Financeirização na educação superior privada e o controle empresarial por meio da pedagogia de mercado . Revista da FAEEBA - Educação e Contemporaneidade, Salvador, v. 34, n. 79, p. 28–41, 2025. DOI: 10.21879/faeeba2358-0194.2025.v34.n79.p28-41. Disponível em: https://www.revistas.uneb.br/faeeba/article/view/23746. Acesso em: 7 dez. 2025.