<?xml version="1.0" encoding="UTF-8"?>
<!DOCTYPE article PUBLIC "-//NLM//DTD JATS (Z39.96) Journal Publishing DTD v1.3 20210610//EN" "https://jats.nlm.nih.gov/publishing/1.3/JATS-journalpublishing1-3.dtd">
<article article-type="editorial" dtd-version="1.3" specific-use="sps-1.9" xml:lang="pt" xmlns:mml="http://www.w3.org/1998/Math/MathML" xmlns:xlink="http://www.w3.org/1999/xlink">
	<front>
		<journal-meta>
			<journal-id journal-id-type="publisher-id">faeeba</journal-id>
			<journal-title-group>
				<journal-title>Rev. FAEEBA - Ed. e Contemp.</journal-title>
				<abbrev-journal-title abbrev-type="publisher">Rev. FAEEBA - Ed. e Contemp.</abbrev-journal-title>
			</journal-title-group>
			<issn pub-type="epub">2358-0194</issn>
			<publisher>
				<publisher-name>Universidade do Estado da Bahia</publisher-name>
			</publisher>
		</journal-meta>
		<article-meta>
			<article-id pub-id-type="doi"/>
			<article-categories>
				<subj-group subj-group-type="heading">
					<subject>APRESENTAÇÃO</subject>
				</subj-group>
			</article-categories>
			<title-group>
				<article-title>APRESENTAÇÃO</article-title>
			</title-group>
			<contrib-group>
				<contrib contrib-type="author">
					<contrib-id contrib-id-type="orcid">0000-0002-4598-6032</contrib-id>
					<name>
						<surname>Garbin</surname>
						<given-names>Mônica Cristina</given-names>
					</name>
					<bio>
						<p><sup>*</sup> Doutora em Educação (Universidade Estadual de Campinas, UNICAMP). Professora colaboradora da Faculdade de Educação na UNICAMP. Professora dos Programas de Pós-graduação das Faculdades de Educação da UNICAMP e da Universidade de São Paulo (USP). E-mail: <email>mgarbin@unicamp.br</email>
						</p>
					</bio>
					<xref ref-type="aff" rid="aff1"/>
				</contrib>
				<contrib contrib-type="author">
					<contrib-id contrib-id-type="orcid">0000-0002-0601-1865</contrib-id>
					<name>
						<surname>Tezani</surname>
						<given-names>Thaís Cristina Rodrigues</given-names>
					</name>
					<bio>
						<p><sup>**</sup> Doutora em Educação (Universidade Federal de São Carlos, UFSCar). Livre-Docente em Ensino na Educação Básica: currículos e tecnologias (UNESP). Professora Associada do Departamento de Educação e do Programa de Pós-graduação em Docência para a Educação Básica (Mestrado Profissional) da Faculdade de Ciências - Universidade Estadual Paulista (UNESP - Bauru/SP). E-mail: <email>thais.tezani@unesp.br</email>
						</p>
					</bio>
					<xref ref-type="aff" rid="aff2"/>
				</contrib>
			</contrib-group>
			<aff id="aff1">
				<institution content-type="orgname">Universidade Estadual de Campinas</institution>
				<institution content-type="original">Universidade Estadual de Campinas, UNICAMP</institution>
			</aff>
			<aff id="aff2">
				<institution content-type="orgname">Universidade Estadual Paulista</institution>
				<institution content-type="original">Universidade Estadual Paulista, UNESP</institution>
			</aff>
			<pub-date date-type="pub" publication-format="electronic"><day>12</day><month>01</month><year>2026</year></pub-date>
			<pub-date date-type="collection" publication-format="electronic">
				<year>2026</year>
			</pub-date>
			<volume>34</volume>
			<issue>78</issue>
			<fpage>12</fpage>
			<lpage>17</lpage>
			<permissions>
				<license license-type="open-access" xlink:href="https://creativecommons.org/licenses/by/4.0/" xml:lang="pt">
					<license-p>Este é um artigo publicado em acesso aberto (Open Access) sob a licença Creative Commons Attribution, que permite uso, distribuição e reprodução em qualquer meio, sem restrições desde que o trabalho original seja corretamente citado.</license-p>
				</license>
			</permissions>
		</article-meta>
	</front>
	<body>
		<p>A organização do Dossiê “Educação Digital” superou nossas expectativas. Externamos nossa satisfação em apresentar para a comunidade científica dezoito artigos e uma entrevista que abordam temáticas sobre a educação digital, especialmente em relação à produção e aplicação de conhecimentos relacionados às tecnologias digitais nos contextos educacionais, promovendo o intercâmbio de pesquisas e a difusão de conhecimentos no âmbito nacional e internacional, envolvendo conteúdos transversais em comunicação e educação, cultura e educação, pesquisas em educação, processos de ensino e aprendizagem.</p>
		<p>Não há como negar que as tecnologias digitais alteraram inúmeros aspectos da sociedade contemporânea, assim como na educação. A Educação Digital é uma área interdisciplinar a qual exige sólida formação teórico-epistemológica, instrumental e teórico-metodológica para agregar valor nos diversos campos de aplicabilidade nos contextos formais e não formais, contribuindo diretamente com a ressignificação do aprender. É um campo complexo e multifacetado, o qual possibilita análises de pesquisas e práticas em virtude de suas implicações epistemológicas, sociais e pedagógicas.</p>
		<p>O arcabouço teórico que envolve o conceito de Educação Digital pauta-se nos estudos de autores clássicos e contemporâneos. Para compreensão da essência do conceito, é fundamental recorrermos a autores de referência que têm dedicado suas reflexões a essa temática. Destacamos alguns desses estudos.</p>
		<p>A constituição do campo da Educação Digital está ancorada em aportes teóricos desenvolvidos ao longo das últimas décadas, acompanhando as transformações tecnológicas, sociais e culturais que impactaram os processos educativos. Nos anos 1970, Seymour <xref ref-type="bibr" rid="B15">Papert (1994)</xref> inaugurou o pensamento construcionista ao defender o uso de tecnologias para promover aprendizagens ativas, criativas e centradas no protagonismo discente. Já nos anos 1990, Manuel <xref ref-type="bibr" rid="B3">Castells (2003)</xref> analisou, em sua trilogia sobre a sociedade em rede, as transformações estruturais provocadas pelas tecnologias da informação nas dinâmicas sociais, econômicas e educacionais. Nesse mesmo período, Pierre <xref ref-type="bibr" rid="B10">Lévy (1999)</xref> conceituou o ciberespaço e a inteligência coletiva como fundamentos de uma nova ecologia cognitiva, marcada pela fluidez da informação e pela construção coletiva do saber. Também nos anos 1990 e início dos anos 2000, Marc <xref ref-type="bibr" rid="B16">Prensky (2001)</xref> propôs as expressões “nativos digitais” e “imigrantes digitais”, refletindo sobre os impactos geracionais do uso de tecnologias e sobre as implicações desses perfis na educação.</p>
		<p>A partir dos anos 2000, Henry <xref ref-type="bibr" rid="B9">Jenkins (2008)</xref> contribuiu ao elaborar o conceito de <italic>cultura participativa</italic>, destacando as formas de engajamento dos jovens na produção e circulação de conteúdos digitais e defendendo a importância da alfabetização midiática crítica. Na década de 2010, os estudos sobre mediações pedagógicas em ambientes virtuais foram aprofundados por Terry <xref ref-type="bibr" rid="B2">Anderson (2008)</xref>, com a teoria da presença cognitiva, social e docente na Educação a Distância. Edith <xref ref-type="bibr" rid="B11">Litwin (2001)</xref>, por sua vez, contribuiu com reflexões fundamentais sobre o desenho didático em contextos mediados, destacando a importância das decisões pedagógicas intencionais no uso das tecnologias digitais. Complementarmente, o modelo TPACK (Technological Pedagogical Content Knowledge), formulado por <xref ref-type="bibr" rid="B12">Mishra e Koehler (2006)</xref>, contribuíram para sistematizar os saberes necessários à integração eficaz das tecnologias ao ensino, ao articular o conhecimento pedagógico, tecnológico e de conteúdo de forma contextualizada. Essa abordagem tem orientado tanto a formação docente quanto o planejamento de práticas pedagógicas inovadoras em ambientes híbridos. Mais recentemente, Yuk <xref ref-type="bibr" rid="B8">Hui (2021)</xref> introduziu o conceito de <italic>tecnodiversidade</italic>, defendendo que o desenvolvimento tecnológico não deve seguir um modelo único, mas considerar contextos históricos, epistemológicos e culturais diversos - reflexão que se alinha aos desafios contemporâneos de uma Educação Digital plural, crítica e situada.</p>
		<p>No Brasil, a partir dos anos 2000, Maria Elizabeth Bianconcini de <xref ref-type="bibr" rid="B1">Almeida (2003)</xref> e José Armando <xref ref-type="bibr" rid="B22">Valente (2009)</xref> desenvolveram estudos sobre a integração das tecnologias digitais aos currículos escolares e à formação docente, com ênfase na construção de práticas pedagógicas inovadoras. José Manuel <xref ref-type="bibr" rid="B13">Moran (2007)</xref> destacou-se pela articulação entre inovação educacional, metodologias ativas e tecnologias digitais, defendendo a formação docente voltada para práticas híbridas e colaborativas. Lúcia <xref ref-type="bibr" rid="B19">Santaella (2003)</xref>, por sua vez, ofereceu importantes contribuições à compreensão das transformações cognitivas e culturais promovidas pelas mídias digitais, articulando-as com os campos da comunicação e da semiótica. Vani Kenski (2012) soma-se a esse conjunto de autoras e autores ao enfatizar que a articulação das tecnologias digitais na educação exige reinvenções metodológicas e curriculares, e que a formação docente precisa considerar não apenas o domínio técnico, mas a compreensão crítica dos processos comunicacionais e pedagógicos mediados pelas tecnologias. Nelson <xref ref-type="bibr" rid="B17">Pretto (2010)</xref> discute a relação entre redes colaborativas, cultura digital e educação, a partir da perspectiva da ética hacker, articulando fundamentos teóricos e experiências práticas, evidenciando a potência pedagógica das redes colaborativas para a construção de uma escola mais inclusiva, crítica e inovadora. A interlocução entre cinema e educação também se destaca como dimensão essencial nas práticas formativas contemporâneas. Adriana <xref ref-type="bibr" rid="B6">Fresquet (2013)</xref> propõe uma abordagem sensível e crítica sobre a presença das imagens no cotidiano escolar, defendendo o cinema como linguagem potente para o exercício da escuta, da invenção e da construção coletiva do conhecimento.</p>
		<p>Além dos referenciais centrais que pautam a discussão sobre as tecnologias digitais na educação, é fundamental recuperar as contribuições de autores clássicos da pedagogia, cujas ideias seguem orientando os debates contemporâneos. Paulo <xref ref-type="bibr" rid="B5">Freire (1996)</xref> permanece como referência incontornável ao defender a educação dialógica, crítica e libertadora, cujos princípios éticos e políticos são indispensáveis para a construção da Educação Digital comprometida com a equidade e a justiça social. Anísio <xref ref-type="bibr" rid="B21">Teixeira (1957)</xref>, por sua vez, defendeu de forma enfática a escola pública, gratuita, laica e democrática, concebendo a educação como direito de todos e condição para o exercício da cidadania. Jean-Jacques <xref ref-type="bibr" rid="B18">Rousseau (1999)</xref>, com sua proposta de educação natural centrada na criança e em suas fases de desenvolvimento, influenciou profundamente as pedagogias modernas a partir da obra Emílio ou da Educação. John <xref ref-type="bibr" rid="B4">Dewey (1959)</xref>, ao enfatizar a experiência, a reflexão e a interação com o meio, estabeleceu fundamentos essenciais para a compreensão da aprendizagem ativa e contextualizada, princípios que permanecem centrais nas abordagens digitais. No campo da formação docente, autores como António <xref ref-type="bibr" rid="B14">Nóvoa (1995)</xref> e Maurice <xref ref-type="bibr" rid="B20">Tardif (2014)</xref> destacam a centralidade do professor como sujeito de saberes, práticas e experiências, ressaltando a importância da reflexão crítica, do compromisso ético e da articulação entre teoria e prática para o desenvolvimento profissional. Nesse mesmo sentido, Selma Garrido <xref ref-type="bibr" rid="B7">Pimenta (1999)</xref> enfatiza a didática como dimensão crítica da prática pedagógica, defendendo que a ação docente deve ser intencional, fundamentada teoricamente e voltada à transformação da realidade educacional.</p>
		<p>A Educação Digital fundamenta-se nas reflexões desses e de outros autores, por meio de suas lentes sobre a construção coletiva do conhecimento, a aprendizagem em rede e a emergência de formas diferenciadas de inteligência distribuída, o que privilegia práticas metodológicas que estimulem a participação ativa, troca de ideias e criação conjunta de saberes em ambientes virtuais de aprendizagem. Para além da mera utilização dos aparatos tecnológicos, a Educação Digital é uma abordagem pedagógica a qual reconhece o impacto das tecnologias digitais na sociedade e na cognição humana, buscando ressignificar as práticas de ensino e aprendizagem, por meio da promoção da autonomia discente, colaboração, construção coletiva do conhecimento, acesso à informação, pensamento crítico, criatividade, literacia digital e desenvolvimento de habilidades essenciais para a sociedade contemporânea. Assim, reconhece a imersão atual no ecossistema digital e sua influência nas formas de aprender, interagir e construir conhecimento.</p>
		<p>O dossiê “Educação Digital” se propõe a explorar as diversas facetas do tema, com artigos que investigaram desde as bases teóricas e conceituais, até as experiências práticas e os desafios contemporâneos nesse campo dinâmico e promissor. A reflexão aprofundada sobre o conceito e suas implicações é fundamental para o avanço de práticas pedagógicas inovadoras e para a formação de cidadãos críticos e engajados na era digital.</p>
		<p>Os textos que compõem este dossiê evidenciam a complexidade e a pluralidade dos debates contemporâneos sobre a educação digital, abordando desde a emergência da inteligência artificial (IA) no currículo e nas práticas pedagógicas até a crítica às políticas de plataformização da educação pública. Entre os temas recorrentes, destacam-se as implicações da IA, na formação de competências e personalização do ensino; os desafios e as potências da formação docente para o uso pedagógico das tecnologias digitais; a inserção da cultura digital nos currículos e suas ressonâncias nas práticas escolares; as tensões políticas e pedagógicas provocadas por processos de plataformização e privatização da educação; as experiências inovadoras que conectam tecnologias, linguagens culturais e contextos locais; e, por fim, os impactos do uso de dispositivos digitais na infância e as estratégias de mediação educativa. Ao integrar pesquisas teóricas, empíricas e aplicadas, o conjunto de trabalhos oferece um panorama robusto das tendências e tensões que atravessam a relação entre educação e tecnologias em diferentes contextos formativos.</p>
		<p>O artigo <italic>“Mapeando Pesquisas sobre Competências Digitais na Educação em Ciências: uma análise bibliométrica”</italic> realiza uma investigação sobre a produção científica recente e destaca o potencial da inteligência artificial para a personalização da aprendizagem e o desenvolvimento de competências digitais no ensino de ciências. Nessa mesma direção, <italic>“IA, Criatividade e Currículo: desafios e possibilidades na educação básica contemporânea”</italic> propõe a articulação entre IA, criatividade e currículo escolar, com base na teoria da complexidade, indicando a pesquisa-ação como metodologia promissora para inovação pedagógica. O texto <italic>“IA no stricto sensu: uma reflexão acerca da aprendizagem em um mestrado online”</italic> analisa como estudantes de um programa de pós-graduação internacional utilizam a IA em suas rotinas acadêmicas, evidenciando tanto seu potencial quanto seus limites ético-pedagógicos. Com foco em contextos institucionais específicos, o artigo <italic>“Inteligência Artificial Generativa em Escolas de Governo: uma análise exploratória”</italic> discute as aplicações da IAGen em processos de educação corporativa governamental, apontando suas contribuições para a automação, personalização e eficiência na formação de servidores, ao mesmo tempo em que alerta para os desafios éticos e políticos de sua implementação.</p>
		<p>Na seara da formação docente, o trabalho <italic>“Formação continuada de professores para a aplicação pedagógica das tecnologias digitais”</italic> analisa os efeitos de um curso de especialização voltado ao letramento digital, demonstrando como a apropriação de ferramentas como o GeoGebra pode qualificar o ensino de matemática. De maneira complementar, <italic>“(Auto) formação além das fronteiras: inovações em espaços de aprendizagem pós-digitais (Brasil- Nova Zelândia)”</italic> explora uma experiência intercultural que envolveu licenciandos brasileiros e neozelandeses, refletindo sobre processos formativos mediados pelo digital em contextos globais e locais.</p>
		<p>A discussão sobre currículo, cultura digital e práticas pedagógicas é aprofundada no artigo <italic>“Cultura digital no currículo do ensino médio: desafios e percepções na implementação”</italic>, que analisa discursos de professores e gestores sobre a inserção da cultura digital nas escolas públicas. No mesmo campo de preocupações, <italic>“Competências digitais e éticas na formação de estudantes para a cidadania global”</italic> investiga práticas pedagógicas voltadas à formação ética e cidadã, com base em entrevistas com docentes inovadores. Também nesse eixo, o artigo <italic>“Ensino de Química na era digital: inovações tecnológicas que redefinem a sala de aula”</italic> enfatiza o uso de recursos digitais e jogos como estratégias para promover aprendizagens interativas, alinhadas à Base Nacional Comum Curricular (BNCC).</p>
		<p>Com olhar crítico para os rumos das políticas educacionais, o texto <italic>“Educação plataformizada: novos contornos da política educacional do estado de São Paulo”</italic> analisa a intensificação do gerencialismo, a privatização e a militarização da escola pública, marcadas pela crescente adoção de plataformas digitais. Essa crítica é reforçada por <italic>“Um diálogo crítico sobre educação híbrida na realidade brasileira: três olhares”</italic>, que propõe uma concepção ampliada e ética do hibridismo, fundamentada em experiências pedagógicas integradoras.</p>
		<p>Outros artigos exploram práticas pedagógicas inovadoras em múltiplos contextos. <italic>“Revisitando o ensino de filosofia hipermidiático: princípios para a integração tecnológica”</italic> propõe uma abordagem filosófica ancorada na criação conceitual e na crítica à instrumentalização tecnológica. Em <italic>“Estilos de uso dos espaços virtuais: análise da EaD de uma universidade comunitária”</italic>, os autores descrevem diferentes formas de apropriação dos ambientes virtuais de aprendizagem, destacando sua relevância para o engajamento discente. Já o estudo <italic>“Um estudo da produção científica sobre Informática na Educação de Jovens e Adultos”</italic> oferece uma revisão sistemática sobre o uso das tecnologias digitais nesse segmento, evidenciando seus impactos e desafios.</p>
		<p>A intersecção entre cultura, linguagem e tecnologia aparece com força em <italic>“A construção de cibercordéis como recurso didático para a Educação em Mudanças Climáticas”</italic>, que analisa experiências formativas com produção de cordéis digitais. Em tom teórico-reflexivo, o artigo <italic>“As tecnologias nas fronteiras da educação-rizoma”</italic> propõe um olhar rizomático sobre as relações entre tecnologias, corpos e saberes cotidianos, ressignificando as mídias como experiências educativas. A infância é foco do artigo <italic>“Telas e infância: mediação familiar e educação digital”</italic>, que realiza uma revisão sistemática sobre os efeitos do uso de telas por crianças e a importância da mediação parental. Encerrando o dossiê, <italic>“O guia didático CEL-LOGIC: a integração do pensamento computacional e da lógica de programação no Ensino Médio Integrado”</italic> apresenta uma proposta para o ensino de lógica de programação com uso de aplicativos móveis, pautada em diretrizes curriculares da educação profissional e tecnológica.</p>
		<p>A entrevista com a professora Daniela Melaré Vieira Barros aprofunda reflexões sobre sua trajetória na Educação Digital e os desafios contemporâneos dessa área. A partir de sua experiência com ensino híbrido, e-learning, inclusão e internacionalização pedagógica, Barros discute a evolução da Educação Digital no Brasil, reconhecendo seus avanços na ampliação do acesso ao conhecimento e na personalização da aprendizagem, sem negligenciar os obstáculos relacionados à formação docente, às desigualdades digitais e à adaptação institucional. A pesquisadora também analisa temas emergentes como a integração da IA, as mudanças curriculares e as transformações nos tempos e espaços educativos, defendendo a urgência de políticas públicas que promovam a Educação Digital crítica, inclusiva e acessível, sustentada por processos formativos contínuos, práticos e contextualizados.</p>
		<p>Coletivamente, os trabalhos reunidos neste Dossiê oferecem importante contribuição para o aprofundamento da discussão sobre a Educação Digital no Brasil, especialmente à luz da Lei nº 14.533/2023, que estabelece diretrizes nacionais para a promoção da cultura digital na Educação Básica. Ao explorarem temas como a integração pedagógica das tecnologias, formação docente, ética digital, IA e crítica à plataformização, os artigos tencionam e expandem os sentidos normativos propostos pela legislação, evidenciando que a efetivação do direito à educação digital exige mais do que infraestrutura tecnológica, pois implica o reconhecimento da diversidade dos contextos escolares, o enfrentamento das desigualdades estruturais e o investimento em políticas públicas que garantam a formação para mediação docente, o protagonismo estudantil e a produção coletiva do conhecimento em ambientes híbridos, colaborativos e democráticos.</p>
		<p>Desejamos que as leituras possibilitem discussões, reflexões e ampliação dos conhecimentos aos pesquisadores da área.</p>
		<p>Boa leitura!</p>
	</body>
	<back>
		<ref-list>
			<title>REFERÊNCIAS</title>
			<ref id="B1">
				<mixed-citation>ALMEIDA, Maria Elizabeth Bianconcini de. Integração de tecnologias na escola: perspectivas para a formação de professores. <italic>Revista Brasileira de Educação</italic>, n. 22, p. 92-103, jan./abr. 2003.</mixed-citation>
				<element-citation publication-type="journal">
					<person-group person-group-type="author">
						<name>
							<surname>ALMEIDA</surname>
							<given-names>Maria Elizabeth Bianconcini de.</given-names>
						</name>
					</person-group>
					<article-title>Integração de tecnologias na escola: perspectivas para a formação de professores</article-title>
					<source>Revista Brasileira de Educação</source>
					<issue>22</issue>
					<fpage>92</fpage>
					<lpage>103</lpage>
					<season>jan./abr</season>
					<year>2003</year>
				</element-citation>
			</ref>
			<ref id="B2">
				<mixed-citation>ANDERSON, Terry. <italic>The theory and practice of online learning</italic>. 2. ed. Edmonton: AU Press, 2008.</mixed-citation>
				<element-citation publication-type="book">
					<person-group person-group-type="author">
						<name>
							<surname>ANDERSON</surname>
							<given-names>Terry.</given-names>
						</name>
					</person-group>
					<source>The theory and practice of online learning</source>
					<edition>2</edition>
					<publisher-loc>Edmonton</publisher-loc>
					<publisher-name>AU Press</publisher-name>
					<year>2008</year>
				</element-citation>
			</ref>
			<ref id="B3">
				<mixed-citation>CASTELLS, Manuel. <italic>A sociedade em rede</italic>. 6. ed. São Paulo: Paz e Terra, 2003. (Trilogia A era da informação: economia, sociedade e cultura. v. 1)</mixed-citation>
				<element-citation publication-type="book">
					<person-group person-group-type="author">
						<name>
							<surname>CASTELLS</surname>
							<given-names>Manuel.</given-names>
						</name>
					</person-group>
					<source>A sociedade em rede</source>
					<edition>6</edition>
					<publisher-loc>São Paulo</publisher-loc>
					<publisher-name>Paz e Terra</publisher-name>
					<year>2003</year>
					<comment>Trilogia A era da informação: economia, sociedade e cultura. v. 1</comment>
				</element-citation>
			</ref>
			<ref id="B4">
				<mixed-citation>DEWEY, John. <italic>Experiência e educação.</italic> São Paulo: Nacional, 1959.</mixed-citation>
				<element-citation publication-type="book">
					<person-group person-group-type="author">
						<name>
							<surname>DEWEY</surname>
							<given-names>John.</given-names>
						</name>
					</person-group>
					<source>Experiência e educação</source>
					<publisher-loc>São Paulo</publisher-loc>
					<publisher-name>Nacional</publisher-name>
					<year>1959</year>
				</element-citation>
			</ref>
			<ref id="B5">
				<mixed-citation>FREIRE, Paulo. <italic>Pedagogia da autonomia: saberes necessários à prática educativa</italic>. São Paulo: Paz e Terra, 1996.</mixed-citation>
				<element-citation publication-type="book">
					<person-group person-group-type="author">
						<name>
							<surname>FREIRE</surname>
							<given-names>Paulo.</given-names>
						</name>
					</person-group>
					<source>Pedagogia da autonomia: saberes necessários à prática educativa</source>
					<publisher-loc>São Paulo</publisher-loc>
					<publisher-name>Paz e Terra</publisher-name>
					<year>1996</year>
				</element-citation>
			</ref>
			<ref id="B6">
				<mixed-citation>FRESQUET, Adriana. <italic>Cinema e educação: reflexões e experiências com professores e estudantes de educação básica, dentro e “fora” da escola</italic>. Belo Horizonte: Autêntica, 2013.</mixed-citation>
				<element-citation publication-type="book">
					<person-group person-group-type="author">
						<name>
							<surname>FRESQUET</surname>
							<given-names>Adriana.</given-names>
						</name>
					</person-group>
					<source>Cinema e educação: reflexões e experiências com professores e estudantes de educação básica, dentro e “fora” da escola</source>
					<publisher-loc>Belo Horizonte</publisher-loc>
					<publisher-name>Autêntica</publisher-name>
					<year>2013</year>
				</element-citation>
			</ref>
			<ref id="B7">
				<mixed-citation>PIMENTA, Selma Garrido. <italic>Didática e prática de ensino: interfaces com diferentes saberes e lugares formativos</italic>. São Paulo: Cortez, 1999.</mixed-citation>
				<element-citation publication-type="book">
					<person-group person-group-type="author">
						<name>
							<surname>PIMENTA</surname>
							<given-names>Selma Garrido.</given-names>
						</name>
					</person-group>
					<source>Didática e prática de ensino: interfaces com diferentes saberes e lugares formativos</source>
					<publisher-loc>São Paulo</publisher-loc>
					<publisher-name>Cortez</publisher-name>
					<year>1999</year>
				</element-citation>
			</ref>
			<ref id="B8">
				<mixed-citation>HUI, Yuk. <italic>Tecnodiversidade</italic>. São Paulo: Ubu Editora, 2021.</mixed-citation>
				<element-citation publication-type="book">
					<person-group person-group-type="author">
						<name>
							<surname>HUI</surname>
							<given-names>Yuk.</given-names>
						</name>
					</person-group>
					<source>Tecnodiversidade</source>
					<publisher-loc>São Paulo</publisher-loc>
					<publisher-name>Ubu Editora</publisher-name>
					<year>2021</year>
				</element-citation>
			</ref>
			<ref id="B9">
				<mixed-citation>JENKINS, Henry. <italic>Cultura da convergência</italic>. São Paulo: Aleph, 2008.</mixed-citation>
				<element-citation publication-type="book">
					<person-group person-group-type="author">
						<name>
							<surname>JENKINS</surname>
							<given-names>Henry.</given-names>
						</name>
					</person-group>
					<source>Cultura da convergência</source>
					<publisher-loc>São Paulo</publisher-loc>
					<publisher-name>Aleph</publisher-name>
					<year>2008</year>
				</element-citation>
			</ref>
			<ref id="B10">
				<mixed-citation>LÉVY, Pierre. <italic>Cibercultura</italic>. São Paulo: Editora 34, 1999.</mixed-citation>
				<element-citation publication-type="book">
					<person-group person-group-type="author">
						<name>
							<surname>LÉVY</surname>
							<given-names>Pierre.</given-names>
						</name>
					</person-group>
					<source>Cibercultura</source>
					<publisher-loc>São Paulo</publisher-loc>
					<publisher-name>Editora 34</publisher-name>
					<year>1999</year>
				</element-citation>
			</ref>
			<ref id="B11">
				<mixed-citation>LITWIN, Edith. <italic>Tecnologia educativa: políticas, histórias e propostas</italic>. Porto Alegre: Artmed, 2001.</mixed-citation>
				<element-citation publication-type="book">
					<person-group person-group-type="author">
						<name>
							<surname>LITWIN</surname>
							<given-names>Edith.</given-names>
						</name>
					</person-group>
					<source>Tecnologia educativa: políticas, histórias e propostas</source>
					<publisher-loc>Porto Alegre</publisher-loc>
					<publisher-name>Artmed</publisher-name>
					<year>2001</year>
				</element-citation>
			</ref>
			<ref id="B12">
				<mixed-citation>MISHRA, Punya; KOEHLER, Matthew J. Technological pedagogical content knowledge: a framework for teacher knowledge. <italic>Teachers College Record</italic>, v. 108, n. 6, p. 1017-1054, 2006.</mixed-citation>
				<element-citation publication-type="journal">
					<person-group person-group-type="author">
						<name>
							<surname>MISHRA</surname>
							<given-names>Punya</given-names>
						</name>
						<name>
							<surname>KOEHLER</surname>
							<given-names>Matthew J.</given-names>
						</name>
					</person-group>
					<article-title>Technological pedagogical content knowledge: a framework for teacher knowledge</article-title>
					<source>Teachers College Record</source>
					<volume>108</volume>
					<issue>6</issue>
					<fpage>1017</fpage>
					<lpage>1054</lpage>
					<year>2006</year>
				</element-citation>
			</ref>
			<ref id="B13">
				<mixed-citation>MORAN, José Manuel. <italic>A educação que desejamos: novos desafios e como chegar lá</italic>. Campinas: Papirus, 2007.</mixed-citation>
				<element-citation publication-type="book">
					<person-group person-group-type="author">
						<name>
							<surname>MORAN</surname>
							<given-names>José Manuel.</given-names>
						</name>
					</person-group>
					<source>A educação que desejamos: novos desafios e como chegar lá</source>
					<publisher-loc>Campinas</publisher-loc>
					<publisher-name>Papirus</publisher-name>
					<year>2007</year>
				</element-citation>
			</ref>
			<ref id="B14">
				<mixed-citation>NÓVOA, António (Org.). <italic>Os professores e a sua formação</italic>. Lisboa: Publicações Dom Quixote, 1995.</mixed-citation>
				<element-citation publication-type="book">
					<person-group person-group-type="author">
						<name>
							<surname>NÓVOA</surname>
							<given-names>António</given-names>
						</name>
					</person-group>
					<source>Os professores e a sua formação</source>
					<publisher-loc>Lisboa</publisher-loc>
					<publisher-name>Publicações Dom Quixote</publisher-name>
					<year>1995</year>
				</element-citation>
			</ref>
			<ref id="B15">
				<mixed-citation>PAPERT, Seymour. <italic>A máquina das crianças: repensando a escola na era da informática</italic>. Porto Alegre: Artmed, 1994.</mixed-citation>
				<element-citation publication-type="book">
					<person-group person-group-type="author">
						<name>
							<surname>PAPERT</surname>
							<given-names>Seymour.</given-names>
						</name>
					</person-group>
					<source>A máquina das crianças: repensando a escola na era da informática</source>
					<publisher-loc>Porto Alegre</publisher-loc>
					<publisher-name>Artmed</publisher-name>
					<year>1994</year>
				</element-citation>
			</ref>
			<ref id="B16">
				<mixed-citation>PRENSKY, Marc. Digital natives, digital immigrants. <italic>On the Horizon</italic>, v. 9, n. 5, p. 1-6, 2001.</mixed-citation>
				<element-citation publication-type="journal">
					<person-group person-group-type="author">
						<name>
							<surname>PRENSKY</surname>
							<given-names>Marc.</given-names>
						</name>
					</person-group>
					<article-title>Digital natives, digital immigrants</article-title>
					<source>On the Horizon</source>
					<volume>9</volume>
					<issue>5</issue>
					<fpage>1</fpage>
					<lpage>6</lpage>
					<year>2001</year>
				</element-citation>
			</ref>
			<ref id="B17">
				<mixed-citation>PRETTO, Nelson de Luca. Redes colaborativas, ética hacker e educação. <italic>Educação em Revista</italic>, Belo Horizonte, v. 26, n. 3, p. 123-146, dez. 2010.</mixed-citation>
				<element-citation publication-type="journal">
					<person-group person-group-type="author">
						<name>
							<surname>PRETTO</surname>
							<given-names>Nelson de Luca.</given-names>
						</name>
					</person-group>
					<article-title>Redes colaborativas, ética hacker e educação</article-title>
					<source>Educação em Revista</source>
					<publisher-loc>Belo Horizonte</publisher-loc>
					<volume>26</volume>
					<issue>3</issue>
					<fpage>123</fpage>
					<lpage>146</lpage>
					<season>dez</season>
					<year>2010</year>
				</element-citation>
			</ref>
			<ref id="B18">
				<mixed-citation>ROUSSEAU, Jean-Jacques. <italic>Emílio ou da educação</italic>. São Paulo: Martins Fontes, 1999.</mixed-citation>
				<element-citation publication-type="book">
					<person-group person-group-type="author">
						<name>
							<surname>ROUSSEAU</surname>
							<given-names>Jean-Jacques.</given-names>
						</name>
					</person-group>
					<source>Emílio ou da educação</source>
					<publisher-loc>São Paulo</publisher-loc>
					<publisher-name>Martins Fontes</publisher-name>
					<year>1999</year>
				</element-citation>
			</ref>
			<ref id="B19">
				<mixed-citation>SANTAELLA, Lúcia. <italic>Cultura e artes do pós-humano: da cultura das mídias à cibercultura</italic>. São Paulo: Paulus, 2003.</mixed-citation>
				<element-citation publication-type="book">
					<person-group person-group-type="author">
						<name>
							<surname>SANTAELLA</surname>
							<given-names>Lúcia.</given-names>
						</name>
					</person-group>
					<source>Cultura e artes do pós-humano: da cultura das mídias à cibercultura</source>
					<publisher-loc>São Paulo</publisher-loc>
					<publisher-name>Paulus</publisher-name>
					<year>2003</year>
				</element-citation>
			</ref>
			<ref id="B20">
				<mixed-citation>TARDIF, Maurice. <italic>Saberes docentes e formação profissional</italic>. Petrópolis: Vozes, 2014.</mixed-citation>
				<element-citation publication-type="book">
					<person-group person-group-type="author">
						<name>
							<surname>TARDIF</surname>
							<given-names>Maurice.</given-names>
						</name>
					</person-group>
					<source>Saberes docentes e formação profissional</source>
					<publisher-loc>Petrópolis</publisher-loc>
					<publisher-name>Vozes</publisher-name>
					<year>2014</year>
				</element-citation>
			</ref>
			<ref id="B21">
				<mixed-citation>TEIXEIRA, Anísio. <italic>Educação não é privilégio</italic>. 7. ed. São Paulo: Editora da Universidade de São Paulo, 1957.</mixed-citation>
				<element-citation publication-type="book">
					<person-group person-group-type="author">
						<name>
							<surname>TEIXEIRA</surname>
							<given-names>Anísio.</given-names>
						</name>
					</person-group>
					<source>Educação não é privilégio</source>
					<edition>7</edition>
					<publisher-loc>São Paulo</publisher-loc>
					<publisher-name>Editora da Universidade de São Paulo</publisher-name>
					<year>1957</year>
				</element-citation>
			</ref>
			<ref id="B22">
				<mixed-citation>VALENTE, José Armando. O professor e a integração das TIC na escola: possibilidades de desenvolvimento profissional a partir da análise de projetos pedagógicos. <italic>Educação Temática Digital</italic>, Campinas, v. 10, n. esp., p. 145-166, out. 2009.</mixed-citation>
				<element-citation publication-type="journal">
					<person-group person-group-type="author">
						<name>
							<surname>VALENTE</surname>
							<given-names>José Armando.</given-names>
						</name>
					</person-group>
					<article-title>O professor e a integração das TIC na escola: possibilidades de desenvolvimento profissional a partir da análise de projetos pedagógicos</article-title>
					<source>Educação Temática Digital</source>
					<publisher-loc>Campinas</publisher-loc>
					<volume>10</volume>
					<issue>esp</issue>
					<fpage>145</fpage>
					<lpage>166</lpage>
					<season>out</season>
					<year>2009</year>
				</element-citation>
			</ref>
		</ref-list>
	</back>
</article>