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			<journal-id journal-id-type="publisher-id">faeeba</journal-id>
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				<journal-title>Rev. FAEEBA - Ed. e Contemp.</journal-title>
				<abbrev-journal-title abbrev-type="publisher">Rev. FAEEBA - Ed. e Contemp.</abbrev-journal-title>
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			<issn pub-type="epub">2358-0194</issn>
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				<publisher-name>Universidade do Estado da Bahia</publisher-name>
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			<article-id pub-id-type="doi">10.21879/faeeba2358-0194.2025.v34.n78.p191-209</article-id>
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				<subj-group subj-group-type="heading">
					<subject>Artigo</subject>
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				<article-title>EDUCAÇÃO PLATAFORMIZADA: NOVOS CONTORNOS DA POLÍTICA EDUCACIONAL DO ESTADO DE SÃO PAULO<sup><xref ref-type="fn" rid="fn1">1</xref></sup></article-title>
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					<trans-title>EDUCACIÓN PLATAFORMIZADA: NUEVOS CONTORNOS DE LA POLÍTICA EDUCATIVA DEL ESTADO DE SÃO PAULO</trans-title>
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				<contrib contrib-type="author">
					<contrib-id contrib-id-type="orcid">0000-0001-9172-3711</contrib-id>
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						<surname>Reis</surname>
						<given-names>Denise Maria</given-names>
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					<bio>
						<p><sup>*</sup> Doutora em Educação (Universidade Federal de São Carlos - UFSCar). Professora Adjunta do Departamento de Educação da UFSCar. Vice-Líder do DEFORGES - Grupo de Estudos e Pesquisas em Organização Escolar: Direitos Humanos, Democracia e Formação de Gestores. Docente Permanente do Programa de Pós-Graduação em Educação da UFSCar. São Carlos, São Paulo, Brasil. E-mail: <email>denise.reis@ufscar.br</email>
						</p>
					</bio>
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				<institution content-type="orgname">Universidade Federal de São Carlos</institution>
				<institution content-type="original">Universidade Federal de São Carlos - UFSCar</institution>
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			<pub-date date-type="pub" publication-format="electronic"><day>12</day><month>01</month><year>2026</year></pub-date>
			<pub-date date-type="collection" publication-format="electronic">
				<year>2026</year>
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			<volume>34</volume>
			<issue>78</issue>
			<fpage>191</fpage>
			<lpage>209</lpage>
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					<day>07</day>
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					<license-p>Este é um artigo publicado em acesso aberto (Open Access) sob a licença Creative Commons Attribution, que permite uso, distribuição e reprodução em qualquer meio, sem restrições desde que o trabalho original seja corretamente citado.</license-p>
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			<abstract>
				<title>RESUMO</title>
				<p>Desde a década de 1990, a política educacional do estado de São Paulo opera pelo viés gerencialista de gestão, modelo intensificado pelo atual governo estadual com a plataformização do ensino. O objetivo do trabalho é discutir os recentes contornos da política educacional paulista por meio, sobretudo, da implantação de plataformas digitais nas práticas das comunidades escolares como parte do processo de privatização educacional. Desenvolveu-se a revisão de literatura nacional e internacional e a análise qualitativa, tanto de situações de estágio ou de trabalho relatadas por estudantes de Pedagogia de uma universidade pública ou por professoras e gestoras da rede de estadual de um município do interior de São Paulo, quanto de posicionamentos de sindicatos e entidades da educação paulista, ancorando-se em estudos recentes sobre o tema. Os resultados indicam que a plataformização empreendida pela política educacional paulista determina uma gestão escolar gerencialista e evidencia o viés privatista de educação com a aquisição de tecnologias para controlar todo o processo do trabalho educativo. Ademais, a proposta de militarização das escolas públicas por meio de programa estadual também notabiliza a privatização educacional ao permitir parcerias e repasses públicos financeiros a entidades militares privadas. Conclui-se que tal combinação tende a precarizar ainda mais a educação pública, tolhendo a formação crítica e o exercício da gestão democrática.</p>
			</abstract>
			<trans-abstract xml:lang="es">
				<title>RESUMEN</title>
				<p>Desde la década de 1990, la política educativa del estado de São Paulo ha operado según un enfoque de gestión gerencialista, modelo intensificado por lo actual gobierno estatal con la plataformatización de la educación. El objetivo de este trabajo es discutir los contornos recientes de la política educativa del estado de São Paulo a través, sobre todo, de la implementación de plataformas digitales en las prácticas de las comunidades escolares como parte del proceso de privatización educativa. Se desarrolló una revisión de la literatura nacional e internacional y un análisis cualitativo, tanto de situaciones de prácticas o de trabajo relatadas por estudiantes de Pedagogía de una universidad pública o por docentes y directivos de la red estatal de un municipio del interior de São Paulo, como también de las posiciones de sindicatos y entidades educativas de São Paulo, a partir de estudios recientes sobre el tema. Los resultados indican que la plataformatización emprendida por la política educativa del estado de São Paulo determina una gestión escolar gerencialista y resalta el sesgo privatista de la educación con la adquisición de tecnologías para controlar todo el proceso del trabajo educativo. Además, la propuesta de militarizar las escuelas públicas a través de un programa estatal también destaca la privatización educativa al permitir asociaciones y transferencias financieras públicas a entidades militares privadas. Se concluye que tal combinación tiende a precarizar aún más la educación pública, dificultando la formación crítica y el ejercicio de la gestión democrática.</p>
			</trans-abstract>
			<kwd-group xml:lang="pt">
				<title>Palavras-chave:</title>
				<kwd>Política educacional</kwd>
				<kwd>Plataformização</kwd>
				<kwd>Artificialização</kwd>
				<kwd>Privatização</kwd>
				<kwd>São Paulo.</kwd>
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				<title>Palabras clave:</title>
				<kwd>Política educativa</kwd>
				<kwd>Plataformaización</kwd>
				<kwd>Artificialización</kwd>
				<kwd>Privatización</kwd>
				<kwd>São Paulo.</kwd>
			</kwd-group>
		</article-meta>
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	<body>
		<sec sec-type="intro">
			<title>Introdução</title>
			<p>A política de educação estadual de São Paulo, desde meados dos anos 1990, está marcada pela lógica gerencialista de gestão (<xref ref-type="bibr" rid="B54">Ramos, 2016</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="B27">Jacomini; Nascimento; Stoco, 2023</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="B29">Jardim; Miranda, 2024</xref>) resultante da reforma do Estado brasileiro (<xref ref-type="bibr" rid="B9">Carinhato, 2008</xref>), que buscou tornar os serviços públicos mais eficientes por meio da racionalização dos recursos fiscais e das privatizações, diminuindo, assim, a função provedora estatal.</p>
			<p>A Nova Gestão Pública (NGP) expressa esta perspectiva gerencialista que pretende aplicar princípios e estratégias da administração privada ao setor público. No âmbito da política educacional, trata-se de racionalizar tarefas e recursos, segmentar as decisões e ações em níveis estratégico e operacional, pautar o trabalho pedagógico e o administrativo em resultados e na bonificação por desempenho, descentralizando-se a execução da política, mas não a sua regulação, avaliação e controle (<xref ref-type="bibr" rid="B54">Ramos, 2016</xref>).</p>
			<p>Na atual gestão do governo paulista de Tarcísio de Freitas, ano de 2024, cujo secretário de educação é o empresário Renato Feder, observa-se, além da continuidade, o aprofundamento do modelo gerencialista, especialmente por meio do “gerencialismo de plataforma” que direciona as práticas docentes e gestoras para atingir metas desvinculadas das realidades escolares, “definidas em instâncias externas à escola que controlam de forma sistêmica e sistemática o trabalho do magistério e as ações dos estudantes por meio de tecnologias da informação estruturadas em plataformas” (<xref ref-type="bibr" rid="B14">Dias <italic>et al.</italic>, 2024</xref>, p. 4).</p>
			<p>O governador Tarcísio de Freitas recebeu o apoio declarado de Jair Bolsonaro durante sua campanha eleitoral e foi eleito com um programa de governo bastante alinhado aos valores do ex-presidente. Assim, a pauta dos costumes (<xref ref-type="bibr" rid="B53">Pereira, 2022</xref>) e acenos aos militares no campo da segurança pública (<xref ref-type="bibr" rid="B12">Cotrim, 2022</xref>) foram estratégias adotadas durante a campanha e permanecem no exercício do seu mandato. Acresce-se a este exercício, a sanha pelas privatizações com projetos nas áreas hidroviária, rodoviária, ferroviária, lotérica, educacional e de saneamento básico (<xref ref-type="bibr" rid="B30">Junqueira, 2023</xref>), além da transformação das escolas públicas municipais e estaduais em cívico-militares (<xref ref-type="bibr" rid="B62">São Paulo, 2024</xref>) por meio de programa análogo ao do governo do ex-presidente.</p>
			<p>O presente trabalho tem como objetivo discutir os recentes contornos da política educacional paulista, destacando, sobretudo, a implantação de plataformas digitais - e a adoção de <italic>slides</italic> como material didático e da inteligência artificial (IA) em sua produção - nas práticas de professores, gestores escolares e estudantes como aspecto do processo de privatização educacional, além da estratégia de conversão de escolas públicas em cívico-militares - ainda que este não seja o foco prioritário do trabalho. Além da revisão da literatura nacional e internacional mais recente sobre o tema da plataformização e da artificialização da educação, são discutidas, qualitativamente, relatos de estudantes, professoras e gestoras, além de notícias jornalísticas e notas públicas de sindicatos paulistas e de entidades/grupos ligados à área da educação.</p>
			<p>Num primeiro momento, apresentam-se os aportes teóricos acerca da política educacional, da prevalência do modelo gerencialista em seu desenvolvimento no estado de São Paulo e, mais recentemente, da presença das plataformas digitais na rede estadual de educação. Na sequência, são descritos os procedimentos metodológicos do estudo, resultados e discussões, finalizando-se o trabalho com algumas conclusões, limitações e indicações para investigações futuras.</p>
		</sec>
		<sec>
			<title>A política educacional no estado de São Paulo</title>
			<p>A política educacional, por ser uma política pública social, envolve um conjunto de ações intencionais materializado pelos governos que expressa o embate de diferentes ideias (<xref ref-type="bibr" rid="B69">Souza, 2006</xref>) e que visa à resolução de conflitos relativos ao bem comum. Para <xref ref-type="bibr" rid="B63">Saviani (2011)</xref>, a política pública recebe o nome de “social” para fazer frente ao caráter essencialmente antissocial da economia capitalista. Portanto, a política educacional refere-se às medidas que o Estado, sob a forma de governo, toma quanto aos rumos da educação da população (<xref ref-type="bibr" rid="B63">Saviani, 2011</xref>).</p>
			<p>As medidas do dever de educar na história da educação brasileira, do período colonial até os dias de hoje, apontam a tendência do poder público em, primeiramente, protelar um financiamento público robusto na educação nacional e, consequentemente, em transferir a sua responsabilidade pela efetivação da política educacional para a sociedade, preservando para si o poder decisório, regulatório e avaliativo dos sistemas e instituições, além dos resultados alcançados pelo desempenho dos estudantes (<xref ref-type="bibr" rid="B64">Saviani, 2013</xref>). É o que <xref ref-type="bibr" rid="B54">Ramos (2016)</xref> denomina de descentralização tutelada, uma vez que as decisões de programas e ações educacionais, parâmetros curriculares e avaliações em larga escala permanecem centralizados no Estado, mas a execução de tais medidas é transferida para as escolas e o conjunto da sociedade, incluindo o empresariado por meio de parcerias público-privadas (<xref ref-type="bibr" rid="B1">Arelaro, 2007</xref>). Tais parcerias possibilitam que a educação pública tenha uma gestão privada a partir de parâmetros empresariais de eficiência, eficácia e produtividade, estimulando-se a responsabilização dos professores e estudantes pelo sucesso ou insucesso dos índices de desempenho acadêmico e a perspectiva meritocrática que escamoteia as relações entre desigualdades sociais e desigualdades educacionais (<xref ref-type="bibr" rid="B20">Freitas, 2012</xref>).</p>
			<p>Desde os anos 1990, o Brasil assiste ao avanço do neoliberalismo na forma de gerir o Estado e em suas políticas sociais, com intensas repercussões reformistas nos âmbitos estatal e educacional (<xref ref-type="bibr" rid="B9">Carinhato, 2008</xref>). A escolha e manutenção pelas políticas sociais neoliberais, em especial, as de educação, deixam claro o desejo ideológico de se sustentar que o privado é melhor que o público (<xref ref-type="bibr" rid="B20">Freitas, 2012</xref>). Tal perspectiva resulta em incessantes propostas por uma educação, supostamente de qualidade, que não funcionam e que demandam sempre novas reformas de cima para baixo (<xref ref-type="bibr" rid="B21">Freitas, 2018</xref>) balizadas pela Nova Gestão Pública (NGP), isto é, por um modelo de gestão gerencialista que aplica princípios, valores e estratégias da administração privada na administração pública (<xref ref-type="bibr" rid="B54">Ramos, 2016</xref>).</p>
			<p>É nesse sentido que <xref ref-type="bibr" rid="B21">Freitas (2018)</xref> destaca o sequestro da educação pelo empresariado visando atingir às suas finalidades de confrontação ideológica por meio de reformas constantes, de alinhamento das demandas dos processos produtivos do capitalismo flexível e hipertecnológico, sob coordenação de agências internacionais, para a adequação de todas as etapas produtivas internas à lógica da reestruturação produtiva global.</p>
			<p>As orientações da NGP também atingem o estado de São Paulo desde meados dos anos 1990, acompanhadas, conflituosamente, pelos valores de gestão democrática e de educação socialmente referenciada defendidos pelo movimento de redemocratização do país e contidos na Constituição Federal de 1988. A hegemonia, no entanto, pertenceu às políticas educacionais sustentadas por princípios neoliberais com a “[...] adoção de mecanismos de gestão do setor corporativo, no estabelecimento de padrões de qualidade do ensino aferidos em testes de larga escala, na padronização curricular, no controle do trabalho docente” (<xref ref-type="bibr" rid="B27">Jacomini; Nascimento; Stoco, 2023</xref>, p. 6). Assim, o governo paulista “passou a estabelecer parcerias com o setor privado, instituindo, como base das ações governamentais, o trabalho pautado em produtividade, metas e resultados de rendimento” (<xref ref-type="bibr" rid="B29">Jardim; Miranda, 2024</xref>, p. 5).</p>
			<p>Consolidou-se, no estado paulista, tanto um conceito de qualidade educacional atrelado à mensuração da aprendizagem por meio de testes externos e padronizados quanto uma concepção de gestão voltada a resultados, sobretudo, quantitativos (<xref ref-type="bibr" rid="B27">Jacomini; Nascimento; Stoco, 2023</xref>). Privilegiaram-se, assim, indicadores de desempenho e de fluxo escolar, inclusive para valorizar a forte presença da iniciativa privada na educação pública (<xref ref-type="bibr" rid="B29">Jardim; Miranda, 2024</xref>). Com o governo de Tarcísio de Freitas (Republicanos), observa-se não só a continuidade do que foi construído em quase 30 anos de administração do Partido da Social Democracia Brasileira (PSDB), como o aprofundamento de tais pressupostos e práticas na política educacional, agora sob a égide da plataformização e da artificialização digitais.</p>
			<p>
				<xref ref-type="bibr" rid="B14">Dias <italic>et al.</italic> (2024)</xref> ressaltam que, desde 2020, o estado de São Paulo tem implantado diversas plataformas digitais em sua rede de escolas públicas com o discurso de melhoria da educação e reconhecem que a necessidade do ensino remoto durante a pandemia de COVID-19 impulsionou esse processo de plataformização educacional. Tal processo, para os autores, torna a autonomia docente inexistente, pois os professores não possuem a liberdade de escolher se querem ou não utilizá-las em suas aulas. Como resultado, as plataformas acabam sendo empregadas como ferramentas de controle do trabalho docente e da própria gestão, de estabelecimento de metas de acesso <italic>on-line</italic> pela escola, de redução da aprendizagem à quantidade de horas e de atividades enviadas pelos estudantes. Tratase, pois, da sofisticação do desenvolvimento de uma educação autoritária “limitada a uma concepção neoliberal e neotecnicista, que resume a educação ao treinamento e submete o trabalho pedagógico a uma mera ‘aplicação’ de conteúdos e materiais” (<xref ref-type="bibr" rid="B14">Dias <italic>et al.</italic>, 2024</xref>, p. 21), a qual promove, na prática, a sua perpetuação sistêmica - ainda que com nova roupagem - no estado de São Paulo.</p>
		</sec>
		<sec sec-type="methods">
			<title>Metodologia</title>
			<p>As experiências e reflexões no âmbito de uma disciplina sobre planejamento e administração de escolas públicas do curso de Pedagogia de uma universidade pública, no primeiro semestre de 2024, são o núcleo de origem deste trabalho. Diversas situações de estágio ou de trabalho relatadas por 27 estudantes da disciplina e de situações do cotidiano escolar citadas por duas professoras e duas gestoras da rede de ensino estadual de um município do interior de São Paulo fomentaram o estudo da implantação das plataformas digitais como um pilar importante da política educacional do estado paulista atualmente. Assumimos, nesse sentido, que esses relatos compartilhados por meio de rodas de conversa - e cujas autoras estão mantidas em sigilo - contêm um “conhecimento episódico [o qual] possui uma organização que se aproxima mais das experiências, estando vinculado a situações e circunstâncias concretas” (<xref ref-type="bibr" rid="B18">Flick, 2009</xref>, p. 172), sendo registrados em documento próprio por meio de notas e comentários.</p>
			<p>O <italic>consentimento informado</italic> (<xref ref-type="bibr" rid="B18">Flick, 2009</xref>), tanto de estudantes quanto das professoras e gestoras, colaboradoras convidadas da disciplina, foi concedido durante as aulas nas quais se explicitou a proposta de problematização e de teorização do fenômeno de plataformização digital da educação com base em seus relatos. Tais descrições não foram reproduzidas na íntegra neste texto, sendo parafraseadas e sintetizadas pela autora, cuja anuência de sua utilização também foi fornecida nas aulas da disciplina. Esclareceu-se que, a qualquer momento, o consentimento poderia ser retirado e que informações adicionais poderiam ser prestadas.</p>
			<p>Desenvolvemos também a análise qualitativa de notícias jornalísticas e, em especial, de notícias e posicionamentos de sindicatos e entidades representativas das categorias docente e não docente do estado de São Paulo disponíveis em páginas eletrônicas. Foram tomados como dados documentais que contextualizam as informações, isto é, como “dispositivos comunicativos” de construção de uma versão particular das experiências e eventos (<xref ref-type="bibr" rid="B18">Flick, 2009</xref>, p. 234). A escolha dos materiais pautou-se pela busca de informações relativas a organizações reconhecidas pela investigadora e colaboradoras como relevantes expressões representativas dos professores, especialistas e supervisores do ensino, bem como de profissionais e pesquisadores da educação no estado, a saber: o Sindicato dos Professores do Ensino Oficial do Estado de São Paulo (Apeoesp), o Sindicato de Especialistas de Educação do Magistério Oficial do Estado de São Paulo (Udemo), o Sindicato dos Supervisores de Ensino do Magistério Oficial no Estado de São Paulo (Apase), o Grupo Escola Pública e Democracia (GEPUD) e a Rede Escola Pública e Universidade (REPU). A procura ocorreu diretamente nas páginas eletrônicas das organizações, as quais também nos levaram a acessar notícias jornalísticas indicadas em hipertexto, não sendo necessário o uso de base de dados ou estratégias de busca.</p>
			<p>Artigos nacionais e internacionais publicados nos últimos cinco anos acerca da problemática de estudo compõem a revisão da literatura (<xref ref-type="bibr" rid="B13">Creswell; Creswel, 2021</xref>) que contextualiza o cenário interno e global sobre a plataformização e a artificialização da educação, como também auxilia tanto na fundamentação do exame qualitativo das situações e dados documentais quanto na construção argumentativa (<xref ref-type="bibr" rid="B18">Flick, 2009</xref>) dos resultados e discussões. A análise qualitativa do conteúdo permitiu identificar <italic>trechos-chave</italic> dos materiais por meios dos quais paráfrases similares foram sintetizadas (<xref ref-type="bibr" rid="B18">Flick, 2009</xref>) e auxiliaram a construção da compreensão sobre o tópico de estudo.</p>
			<p>Definiu-se a biblioteca virtual <italic>SciELO<sup><xref ref-type="fn" rid="fn2">2</xref></sup> e o Portal de Periódicos da CAPES<sup><xref ref-type="fn" rid="fn3">3</xref></sup> como fontes de levantamento de artigos científicos nacionais sobre o tema da plataformização e artificialização da educação básica sem restrição de período, utilizando-se das palavras-chave, isoladas e combinadas, <italic>plataformização, plataforma, algoritmização, algoritmo, artificialização, inteligência artificial, educação, ensino, escola</italic>. Privilegiou-se estudos que envolviam políticas educacionais de educação básica em formato presencial e revisões de literatura, excluindo-se produções sobre educação a distância, práticas ou experimentos investigativos isolados de aplicação de plataformas ou de inteligência artificial específicas. Foram selecionados 17 artigos, publicados entre os anos de 2020 e 2024.</italic></p>
			<p>Para a revisão da literatura internacional, as buscas foram realizadas na base de dados <italic>Web of Science</italic><sup><xref ref-type="fn" rid="fn4">4</xref></sup>, acessada por meio do Portal de Periódicos da CAPES com perfil institucional. Como os artigos nacionais, mesmo sem recorte temporal, contemplaram os anos de 2020 a 2024, decidimos eleger esse período para os artigos estrangeiros. As palavras-chave empregadas foram as mesmas, mas agora em <italic>língua inglesa</italic>. Foram selecionados 28 artigos relativos ao nível equivalente à nossa educação básica, sem privilegiar tipos ou métodos de investigação, produzidos por pesquisadores(as) de diversos países, tais como, Holanda, Espanha, Alemanha, Dinamarca, Inglaterra, Bélgica, Suécia, França, Lesoto, Hungria, Estados Unidos, Austrália, Malásia, China, Marrocos e Colômbia.</p>
		</sec>
		<sec sec-type="results|discussion">
			<title>Resultados e discussão</title>
			<p>Durante as aulas da disciplina sobre planejamento e administração de escolas públicas, diversas estudantes relataram a intensificação do uso de plataformas digitais nas escolas públicas estaduais nas quais realizavam seus estágios supervisionados ou iniciações à docência, ressaltando o caráter impositivo da Secretaria de Educação do Estado de São Paulo (SEDUC-SP) via Diretoria de Ensino regional: as determinações vieram “de cima para baixo” sem qualquer tipo de consulta às comunidades escolares, levando gestores, professores e estudantes a terem que “se virar” para aprenderem a manusear as plataformas e as abastecerem continuamente.</p>
			<p>Os relatos apontam o desgaste agudo de equipes gestoras e docentes que, sem tempo e atenção de qualidade para as questões pedagógicas, têm as suas atuações reduzidas à tarefa burocrática de inserir informações nas plataformas ou de realizar atividades e avaliações pró-forma com os estudantes. Quase não resta tempo para conversar com os colegas sobre aspectos do trabalho pedagógico (ou mesmo de ordem pessoal, da vida cotidiana), muito menos para refletir sobre essa política de plataformização das atividades escolares, impedindo movimentos de articulação dos profissionais e dos estudantes para o enfrentamento e resistência necessários.</p>
			<p>Professoras e gestoras escolares da rede pública estadual com as quais temos contato relatam o desejo de colegas de quererem desistir de suas funções neste atual governo do estado, pois se dizem no limite de suas possibilidades de atuação. O desânimo e a sensação de “fazer muito para nada” parecem predominar. Uma diretora de escola do Programa Ensino Integral (PEI) descreve a consternação de ter que adotar práticas impostas pela atual política educacional paulista justamente num momento em que a organização da sua unidade escolar estava alcançando sinergia na implementação das diversas frentes de trabalho do PEI. Se as carreiras no magistério paulista não parecem atrativas para profissionais da ativa, imaginemos para as pedagogas em formação.</p>
			<p>Outra diretora de escola nos forneceu seus dados de acesso às plataformas digitais e, assegurando o seu sigilo, fizemos a projeção de todas elas numa das aulas da disciplina. O objetivo da diretora foi contribuir com a formação dos licenciandos(as) em Pedagogia. Assim, foi possível ter um panorama do funcionamento de 17 plataformas que atualmente vigoram na rede de ensino paulista: Matrículas 2024, Aluno Presente, Alura, Redação Paulista, Tarefa SP, Mega Escola, Wi-Fi nas Escolas, Khan Academy, Matific, Equipamento SP, Apoio Presencial, Leia SP, Super BI, Me salva!, Edu.Profissional, Prova Paulista e Elefante Letrado. Sem contar o Centro de Mídias SP (CMSP) que já vinha ofertando aulas e tarefas no contexto pandêmico da COVID-19 no ano de 2020.</p>
			<p>Estudantes da disciplina sinalizam que algumas escolas têm realizado o controle de faltas dos alunos por meio de plataforma, mas também passando de sala em sala para conferência. Se os números de frequência ou matrículas caem, a Diretoria de Ensino logo entra em contato, às vezes por aplicativo de mensagens, para cobrar que os índices se mantenham no patamar “verde”.</p>
			<p>Algumas tarefas realizadas pelos alunos são corrigidas pela própria plataforma e o espaço para os professores elaborarem e avaliarem questões de forma mais qualitativa é restrito. O que essas plataformas mais geram são números: alunos, sujeitos de direitos e que deveriam ser também do seu processo de aprendizado junto com os professores, são reduzidos a números. Não há dados qualitativos acerca de suas atividades que possam auxiliar os professores a aprimorarem o ensino, a aprendizagem e o desenvolvimento das crianças e adolescentes.</p>
			<p>A plataforma Apoio Presencial pretende registrar a avaliação da equipe gestora acerca das aulas dos professores, mas em vez de um apoio pedagógico consistente e efetivo, o que se observa é um mero controle relativo à presença docente ou não em sala. Uma professora apontou que, em sua escola, a diretora nunca passou nas salas de aula e que ela, possivelmente, deve estar fazendo o uso da plataforma em sua própria sala de trabalho, registrando avaliações positivas a todo corpo docente. Contudo, outra professora relatou que índices muito positivos e constantemente elevados também parecem ser alvo da Diretoria de Ensino, pois suscitam desconfiança quanto à veracidade das informações.</p>
			<p>Diante deste quadro, entendemos que seria necessário tanto buscar o que os sindicatos e entidades das categorias do magistério têm discutido e se posicionado sobre essa problemática, quanto levantar o que já existe de produção acadêmica sobre o assunto.</p>
		</sec>
		<sec>
			<title>O que pesquisadores e sindicatos estão dizendo</title>
			<p>A revisão de literatura, neste trabalho, tem o intuito prioritário de contextualizar o quadro nacional e internacional sobre a plataformização e a artificialização da educação, ainda que também auxilie algumas análises qualitativas propostas.</p>
			<p>No Brasil, há produções sobre o tema em diversas áreas (jornalismo, medicina, enfermagem, engenharia, computação, entre outras) e, na educação, muitas relacionadas à aplicação de plataformas específicas nas disciplinas escolares, inclusive em contextos de educação a distância ou de educação de pessoas com deficiência.</p>
			<p>No tema da artificialização e da presença da inteligência artificial (IA) na educação, foram encontradas dezenas de produções reflexivas, opinativas e de revisão de literatura, sendo que a maioria chega a conclusões semelhantes: a IA contribui para a personalização do ensino e a emissão de <italic>feedback</italic>, mas as preocupações giram em torno das questões éticas - principalmente, em relação à privacidade dos dados - e da formação dos profissionais da educação para utilizá-la e ensiná-la. Assim, não encontramos estudos relacionados a sistemas públicos de educação de caráter exploratório ou empírico que examinem os efeitos da artificialização nas atividades pedagógicas e gestoras das escolas. Por enquanto, as investigações em campo têm se limitado a alguns estudos de caso focalizados em instituições específicas.</p>
			<p>Entre os 17 artigos nacionais selecionados na revisão de literatura deste trabalho, há apenas uma produção cujos resultados indicam uma visão positiva sobre a educação digital nas escolas do nível básico: <xref ref-type="bibr" rid="B35">Kobus e Gomes (2020)</xref> entendem que a administração pública precisa se livrar das limitações burocráticas e do receio (ou da falta de interesse) em se adequar às inovações tecnológicas.</p>
			<p>Outros oito trabalhos procuram não somente enaltecer ou desqualificar as plataformas e a inteligência artificial, mas ponderar sobre seus riscos e potencialidades (<xref ref-type="bibr" rid="B46">Nichyshyna <italic>et al.</italic>, 2023</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="B47">Oliveira, <italic>et al.</italic>, 2023</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="B11">Costa Júnior, <italic>et al.</italic>, 2024</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="B39">Lima; Ferreira; Carvalho, 2024</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="B61">Santos <italic>et al.</italic>, 2024</xref>). Destaque para as produções de <xref ref-type="bibr" rid="B17">Ferreira (2023)</xref>, que chama a atenção para o conhecimento e reflexão para além das telas e para a não neutralidade da programação de algoritmos, e de <xref ref-type="bibr" rid="B66">Silva e Couto (2024)</xref>, que trata da atuação conjunta de humanos e não humanos nas práticas pedagógicas.</p>
			<p>O artigo de <xref ref-type="bibr" rid="B8">Campos e Lastória (2020)</xref> enfatiza a instrumentalização computacional da educação no contexto da indústria cultural digital do século XXI, evidenciando uma apropriação mercadorizada do patrimônio cultural. <xref ref-type="bibr" rid="B77">Wilke e Feijó (2023)</xref> situam o fenômeno da plataformização e artificialização da educação no formato de negócios dessa nova fase do capitalismo.</p>
			<p>No âmbito das políticas educacionais, o trabalho de <xref ref-type="bibr" rid="B40">Mallmann (2023)</xref> destaca o tecnicismo e a instrumentalização no fornecimento desordenado de equipamentos e capacitação dos profissionais da educação, os quais acabam vulgarizando a ideia de inovação e contribuindo com a hegemonia das plataformas na educação pública. O currículo, na visão de <xref ref-type="bibr" rid="B65">Silva (2024)</xref>, tem passado por um processo de algoritmização que torna a aprendizagem e suas novas desigualdades onipresentes, captura comercialmente a atenção e regula as subjetividades por meio de dados digitais. Já o trabalho docente, conforme sinalizado por <xref ref-type="bibr" rid="B75">Viegas (2024)</xref>, pode sofrer ainda mais precarização em virtude do aumento da carga de trabalho e do controle de suas atividades laborais e sociais por processos de dataficação.</p>
			<p>O estado do Paraná destaca-se entre os artigos levantados. <xref ref-type="bibr" rid="B60">Santana, Santana e Figueiredo (2022)</xref>, ao focarem seu estudo numa plataforma específica lançada pelo estado, apontam o quanto a política é representada de modo positivo aos professores e estudantes, ao mesmo tempo em que seu discurso desvaloriza o processo de escolarização mediado e o trabalho docente. Já <xref ref-type="bibr" rid="B49">Palú, Arbigaus e Silveira (2023)</xref> verificam um aumento da burocratização da gestão educacional e escolar, ainda que a promessa governamental tenha sido realizada em direção oposta (as autoras também incluem o estado de Santa Catarina no estudo). <xref ref-type="bibr" rid="B52">Pasini e Silva (2024)</xref>, por sua vez, salientam a padronização do trabalho pedagógico paranaense como desdobramento do processo de plataformização. Por fim, o artigo de <xref ref-type="bibr" rid="B2">Barbosa e Alves (2023)</xref> analisou a confluência da reforma do ensino médio e a implantação das plataformas digitais no estado, ponderando que tal processo pode favorecer a regulação e a vigilância das atividades escolares, bem como a ampliação da privatização.</p>
			<p>O cenário internacional das pesquisas acadêmico-científicas também apresenta preocupações em torno da presença cada vez maior das plataformas e programações algorítmicas na escolarização das crianças e adolescentes, evidenciando a relevância do tema de estudo em nível global. O diálogo com a produção brasileira e mundial é fundamental para a compreensão do fenômeno, a busca de evidências científicas que sustentem ou refutem os benefícios da plataformização e da artificialização da educação e a construção de consensos em torno do que favorece, sobretudo, o aprendizado dos estudantes.</p>
			<p>Os trabalhos de <xref ref-type="bibr" rid="B31">Kerssens e Dijck (2021</xref>, <xref ref-type="bibr" rid="B32">2023</xref>), <xref ref-type="bibr" rid="B33">Kerssens (2024)</xref> e <xref ref-type="bibr" rid="B26">Houben e Pierson (2022)</xref> versam sobre a realidade educacional holandesa, discutindo os interesses públicos e privados nas questões pedagógicas e na proteção dos dados em relação às plataformas digitais. A região da Catalunha na Espanha também se destaca nos estudos da problemática com as produções de <xref ref-type="bibr" rid="B28">Jacovkis <italic>et al.</italic> (2023)</xref>, <xref ref-type="bibr" rid="B51">Parcerisa <italic>et al.</italic> (2023)</xref>, <xref ref-type="bibr" rid="B57">Rivera-Vargas <italic>et al.</italic> (2024a</xref>, <xref ref-type="bibr" rid="B58">2024b</xref>) e <xref ref-type="bibr" rid="B23">Gonzalez-Mingot e Marín (2024)</xref> que tratam desde a falta de liderança pública para o enfrentamento das gigantes da tecnologia digital e as tensões discursivas envolvidas, até as percepções de estudantes, professores e famílias sobre os processos de inserção das plataformas nas escolas.</p>
			<p>As produções de <xref ref-type="bibr" rid="B45">Nichols e Garcia (2022)</xref>, <xref ref-type="bibr" rid="B50">Pangrazio <italic>et al.</italic> (2022)</xref>, <xref ref-type="bibr" rid="B34">Kim <italic>et al.</italic> (2023)</xref>, <xref ref-type="bibr" rid="B15">Famaye <italic>et al.</italic> (2024)</xref> e <xref ref-type="bibr" rid="B59">Saltman (2020)</xref>, pesquisadores(as) vinculados a universidades estadunidenses, contemplam a noção de plataformas educacionais como mercados multifacetados, os processos de dataficação entre professores e estudantes decorrentes de sua utilização, as percepções dos estudantes sobre a IA e a sua presença nas escolas, e a perspectiva de que a artificialização com fins lucrativos pode favorecer a privatização da educação pública. <xref ref-type="bibr" rid="B81">Zayed (2024)</xref>, embora seja da Universidade de Illinois, realizou um estudo sobre a educação egípcia no qual desenvolve críticas à comercialização da educação com as plataformas digitais.</p>
			<p>Na Alemanha, os artigos de <xref ref-type="bibr" rid="B22">Gleiß <italic>et al.</italic> (2023)</xref> e <xref ref-type="bibr" rid="B37">Lankau (2024)</xref> exploram, respectivamente, as potenciais desvantagens da plataforma nacional de educação digital (NDEP), de natureza público-privada, e o uso sensato e adequado às idades da IA para as atividades escolares e aprendizagens. Já em território chinês, dois estudos desenvolvidos por pesquisadores de universidades da China e Malásia examinam a disposição de aceitação da IA pelos professores (<xref ref-type="bibr" rid="B78">Yao; Abd Halim, 2023</xref>) e suas concepções sobre o ensino dessa inteligência nas escolas (<xref ref-type="bibr" rid="B79">Yau <italic>et al.</italic>, 2023</xref>).</p>
			<p>
				<xref ref-type="bibr" rid="B36">Komljenovic (2021)</xref>, pesquisadora de universidade inglesa, discutiu, em seu trabalho, as transformações do setor educacional decorrentes do rentismo digital. O artigo do dinamarquês <xref ref-type="bibr" rid="B10">Cone (2024)</xref> debate aspectos afetivos situados na educação pública pautada pela crescente economia das plataformas digitais. O restante das produções estrangeiras trata da inteligência artificial nas escolas: o colombiano <xref ref-type="bibr" rid="B6">Bula e o francês Bonilla (2024)</xref> realizaram uma revisão sistemática sobre os impactos da IA nos processos de ensino, currículo, formação docente, gestão escolar e dimensão ética. <xref ref-type="bibr" rid="B4">Bokor, Kovacs-Magosi e Nagy (2021)</xref> na Hungria, <xref ref-type="bibr" rid="B42">Martens, Wolf e Marez (2024)</xref> na Bélgica, <xref ref-type="bibr" rid="B76">Walan (2024)</xref> na Suécia, <xref ref-type="bibr" rid="B44">Molefi <italic>et al.</italic> (2024)</xref> no Lesoto e <xref ref-type="bibr" rid="B41">Marrone <italic>et al.</italic> (2024)</xref> na Austrália investigaram algum aspecto das compreensões e preocupações de estudantes, professores, gestores escolares e pais em torno da IA e/ ou da algoritmização da educação. Cabe sublinhar o estudo de <xref ref-type="bibr" rid="B70">Tamimi, Addichane e Alaoui (2024)</xref>, da Universidade Sidi Mohammed Ben Abdellah do Marrocos, que verificou que os estudantes do ensino médio dependem muito da IA para concluir as lições de casa, prejudicando as aprendizagens e aquisição de habilidades.</p>
			<p>De modo geral, observamos que as produções estrangeiras demonstram preocupações mais evidentes com a influência das <italic>Big Techs</italic>, as gigantes da tecnologia, inovação e mercado digitais, na educação e nas escolas do que as produções nacionais.</p>
			<p>Retomando o contexto brasileiro, em especial, do estado de São Paulo, vale destacar que o Grupo Escola Pública e Democracia (jan. <xref ref-type="bibr" rid="B25">2024</xref>), formado por profissionais da educação pública básica e superior paulista, entende que a plataformização do ensino estadual tem sido desenvolvida de forma antidemocrática e sem transparência nos procedimentos, intensificando a vigilância sobre o trabalho docente (e o mal-estar nas relações) e consumindo grande parte do tempo das equipes gestoras em ações burocráticas de controle e avaliação. O grupo assinala a perspectiva gerencialista das medidas unilaterais da SEDUC-SP como dispositivos de controle da gestão escolar e do corpo docente, sem qualquer compromisso com a qualidade da formação dos estudantes.</p>
			<p>A SEDUC-SP, por meio de resolução, associou a manutenção dos diretores de escola em seus cargos aos índices de engajamento das comunidades escolares às plataformas. São agora “capatazes digitais” (<xref ref-type="bibr" rid="B25">Grupo Escola Pública e Democracia, abr. 2024</xref>, p. 1) e as plataformas se tornaram o centro das discussões nos planejamentos escolares. “Na rede estadual de São Paulo, não é a tecnologia que está a serviço da educação; são as escolas públicas que estão a serviço da tecnologia, subjugadas por suas métricas, sua linguagem, seu formato e conteúdos pasteurizados” (<xref ref-type="bibr" rid="B25">Grupo Escola Pública e Democracia, abr. 2024</xref>, p. 2).</p>
			<p>Vale destacar que, em agosto de 2023, o estado de São Paulo havia decidido não receber mais os livros do Programa Nacional do Livro e do Material Didático (PNLD). No lugar, o secretário estadual de educação determinou o uso de slides como materiais didáticos que seriam exibidos pelos docentes em aparelhos de TV. A decisão foi suspensa pela justiça de São Paulo dias depois. Em nota técnica emitida em 15 de agosto de 2023, a Rede Escola Pública e Universidade - REPU (<xref ref-type="bibr" rid="B56">2023</xref>, p. 25) ressaltou que os slides “exibem problemas metodológicos, erros conceituais e má contextualização”.</p>
			<p>Em abril de 2024, foi a vez da inteligência artificial ser incluída pelo secretário de educação na política educacional paulista, tendo o ChatGPT da empresa OpenAI como elaborador de materiais didáticos - as aulas digitais - para a rede de ensino. Assim, os professores especialistas em currículo agora teriam a função de apenas avaliar e de realizar ajustes nos materiais gerados artificialmente. Não demorou muito para o Ministério Público de São Paulo (MP-SP) cobrar esclarecimentos sobre o embasamento da referida ferramenta de inteligência artificial em estudos fundamentados em evidências científicas ou em experiências exitosas nacional e internacionalmente. Na verdade, o MP-SP vem realizando diligências desde setembro de 2023 para averiguar a inserção de tecnologias e plataformas na rede estadual e o processo de digitalização do ensino, mas nem sempre a SEDUC-SP fornece (quando fornece) os devidos esclarecimentos (<xref ref-type="bibr" rid="B48">Palhares, 2024</xref>).</p>
			<p>Para <xref ref-type="bibr" rid="B74">Venco (2024)</xref>, a adoção do ChatGPT para a criação de aulas digitais produz um material homogêneo para realidades escolares completamente heterogêneas, além de diminuir a quantidade de professores - especialmente, via concursos - em benefício do emprego de tecnologias na educação pública paulista. Para a autora, “acabar com a função pública, sabe-se, é o sonho dourado do Estado Gerencialista. E as ferramentas estão sendo utilizadas na tentativa de neutralizar a construção do pensamento reflexivo” (<xref ref-type="bibr" rid="B74">Venco, 2024</xref>).</p>
			<p>Uma possível implicação do uso de inteligência artificial nas escolas públicas, além do enfraquecimento de produções docentes e discentes exclusivamente humanas, é o treinamento dessa inteligência a partir daquilo que professores e estudantes da rede de ensino fornecerem de dados. Uma inteligência artificial alimentada e treinada por uma grande rede de ensino como a do estado de São Paulo sem o “consentimento” de professores e estudantes, se tornará uma ferramenta ainda melhor e aperfeiçoada para a empresa proprietária vendê-la a outros sistemas de ensino. Tal artificialização está cada vez mais integrada às “ações algorítmicas das plataformas que orientam, condicionam, controlam e vigiam as [...] ações e atuações educacionais” (<xref ref-type="bibr" rid="B66">Silva; Couto, 2024</xref>, p. 13).</p>
			<p>Preocupação semelhante foi expressa pelo Grupo Escola Pública e Democracia (jan. <xref ref-type="bibr" rid="B24">2024</xref>) ao tratar do aprofundamento da vigilância do trabalho docente e gestor pelas plataformas digitais, haja vista que são ferramentas da iniciativa privada cujas contribuições pedagógicas são incertas, mas que “irão gerar milhares de dados que poderão ser utilizados e/ou comercializados, colocando nas mãos de empresas privadas, com uso obscuro e legalmente duvidoso, um enorme conjunto de dados públicos” (<xref ref-type="bibr" rid="B25">Grupo Escola Pública e Democracia, jan. 2024</xref>, p. 1-2).</p>
			<p>Na visão de Fernando Cássio (<xref ref-type="bibr" rid="B3">Basilio, 2024</xref>), professor da Faculdade de Educação da Universidade de São Paulo (USP), a plataformização é um pretexto para a compra de equipamentos orientada pela visão de um secretário que é, na realidade, um empresário da tecnologia e que nada entende da complexidade da educação. Esse aspecto parece ficar claro quando nos remetemos ao livro de sua autoria e publicado recentemente (<xref ref-type="bibr" rid="B16">Feder, 2023</xref>), já que a produção nos fornece maior dimensão sobre o trabalho que realizou a frente da pasta de educação no estado no Paraná e a origem de suas propostas de caráter gerencialista: não há referências no final do livro e não são apresentadas evidências científicas de que as plataformas implantadas por ele são benéficas para a aprendizagem e o desenvolvimento dos estudantes; suas proposições fundamentam-se, predominantemente, em experiências e trocas com pessoas pertencentes a esse universo empresarial e com gestores públicos de viés gerencialista, inclusive estrangeiros.</p>
			<p>Consideramos que os processos de plataformização e artificialização da educação pública paulista são expressões do neotecnicismo que se organiza em três grandes eixos: “responsabilização, meritocracia e privatização. No centro, está a ideia do controle dos processos, para garantir certos resultados definidos a priori como ‘standards’, medidos em testes padronizados” (<xref ref-type="bibr" rid="B20">Freitas, 2012</xref>, p. 383).</p>
			<p>Segundo informações da Agência Brasil (<xref ref-type="bibr" rid="B43">Mello, 2024</xref>), o Sindicato dos Professores do Ensino Oficial do Estado de São Paulo (Apeoesp) convocou uma mobilização para o período de 13 a 17 de maio de 2024 contra as plataformas digitais nas escolas, incentivando a não utilização das ferramentas durante toda a semana. Para a Apeoesp, as plataformas retiram a autonomia dos professores no planejamento e uso de outros materiais didáticos nas aulas, controlando (e, portanto, exigindo) o acesso a elas e o próprio trabalho docente ao determinar uma padronização de procedimentos no ensino. Os professores alegam forte pressão sobre sua atuação e esvaziamento do currículo, já que as plataformas apresentam conteúdos predefinidos e quase não demandam mediação docente.</p>
			<p>O Sindicato de Especialistas de Educação do Magistério Oficial do Estado de São Paulo (Udemo), por meio de vídeo institucional em seu canal no YouTube (<xref ref-type="bibr" rid="B71">Udemo Sindicato, 2024</xref>), argumenta que o estado de São Paulo está na contramão da educação pública nacional e mundial e gastando alto valores de verbas públicas, tempo e energia no que é de menor importância à aprendizagem dos alunos - as plataformas que favorecem mais o controle do que o projeto pedagógico -, prejudicando o que realmente importa e faz a diferença nas escolas públicas, o professor. Assim, a SEDUC-SP tem persistido em não investir na formação, carreira, concurso público, melhores salários e condições de trabalho dos professores.</p>
			<p>Já o Sindicato dos Supervisores de Ensino do Magistério Oficial no Estado de São Paulo (Apase) orienta que a supervisão, enquanto função de Estado e não de governo, seja realizada para além de ferramentas gerencialistas, reducionistas e com falhas de aferição (Apase, 2024).</p>
			<p>O estudo de Dias e colaboradores (<xref ref-type="bibr" rid="B14">Dias <italic>et al.</italic>, 2024</xref>) é um dos poucos existentes, até o momento, que contempla o processo de plataformização da rede de ensino estadual de São Paulo. Os autores destacam o fato curioso de que o mesmo processo aconteceu no estado do Paraná quando Renato Feder, secretário de educação, ocupou a pasta até 2022. Não se trata de coincidência, portanto, que Feder esteja cimentando caminho semelhante na educação pública paulista. É o seu projeto (empresarial) de reforma educacional. <xref ref-type="bibr" rid="B40">Mallmann (2023</xref>, p. 564) alerta para a “falsidade do anúncio da novidade, do novo, por meio da vulgarização da inovação”, ressaltando a importância do debate crítico sobre a inserção das tecnologias nas políticas públicas.</p>
			<p>
				<xref ref-type="bibr" rid="B14">Dias <italic>et al.</italic> (2024)</xref> apresentam um quadro com as plataformas, as suas funções, o ano de sua criação/adesão e a quantidade de acessos por semana. Na sequência, descrevem e comentam, ainda que brevemente, cada uma das plataformas. Assim, o que os autores denominam de “gerencialismo de plataforma” não se refere à utilização ou não de plataformas e tecnologias em si na educação pública - ainda que haja uma discussão sobre o uso excessivo de telas e de atividades <italic>on-line</italic> na aprendizagem dos estudantes em países ricos e com educação de qualidade, como a Suécia, por exemplo. Diz respeito à imposição e obrigatoriedade dessa utilização como forma de gerenciamento do trabalho docente e da equipe gestora para uma padronização do ensino, a criação/fiscalização de indicadores de produtividade, o controle dos profissionais e dos estudantes, segundo metas estabelecidas externamente às escolas (a seus interesses e necessidades), gerando dados que podem ser vendidos posteriormente, reduzindo a aprendizagem ao engajamento quantitativo nas plataformas e, finalmente, privatizando a educação pública com a aquisição dessas ferramentas digitais e de outros equipamentos tecnológicos.</p>
			<p>
				<xref ref-type="bibr" rid="B59">Saltman (2020)</xref>, ao tratar do contexto educacional estadunidense, também destaca aspectos de corrosão democrática na condução política das escolas e currículos pela privatização digital, padronizando-se conteúdos e pedagogias, bem como fomentando uma perspectiva cultural autoritária.</p>
			<p>A SEDUC-SP não se pautou em estudos que comprovam ou demonstrem evidências científicas de que essas plataformas ou tecnologias melhoram, efetivamente, a aprendizagem dos estudantes ou o trabalho dos profissionais nas escolas. Tem extraído, assim, a autonomia escolar e o direito à gestão escolar democrática fixado na Constituição Brasileira de 1988 e na Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional de 1996 (<xref ref-type="bibr" rid="B14">Dias <italic>et al.</italic>, 2024</xref>). Não que as tecnologias, por si só, sejam prejudiciais aos processos educativos e escolares, mas, como já assinalava <xref ref-type="bibr" rid="B38">Lévy (1999)</xref>, no final dos anos 1990, o ponto central recai sobre a nossa responsabilidade na decisão sobre o que fazer e como usar as novas tecnologias digitais, que é a questão-chave na discussão desenvolvida neste trabalho.</p>
			<p>E “quando professores e gestores utilizam a plataforma sem alguma resistência, não significa que apreciem o seu uso, mas sim o reflexo de uma carreira fragilizada que sequer oferece condições adequadas de trabalho” (<xref ref-type="bibr" rid="B14">Dias <italic>et al.</italic>, 2024</xref>, p. 20).</p>
			<p>Como forma de enfrentamento ao “gerencialismo de plataforma”, <xref ref-type="bibr" rid="B14">Dias <italic>et al.</italic> (2024)</xref> sugerem que as pesquisas acadêmico-científicas da área educacional sejam tomadas como referência para o aprimoramento da formação inicial e continuada dos professores e para o exercício da autonomia docente. Para os autores, é preciso construir alternativas que emerjam das comunidades escolares, com participação coletiva na reformulação de seus projetos político-pedagógicos e de currículos vinculados à possibilidade de transformação social, promovendo uma gestão efetivamente democrática, livre e comprometida com uma educação de qualidade. Afinal, “os constrangimentos que o gerencialismo de plataforma impõe às equipes escolares são muitos, mas ainda possíveis de serem contornados” (<xref ref-type="bibr" rid="B14">Dias <italic>et al.</italic>, 2024</xref>, p. 21).</p>
			<p>
				<xref ref-type="bibr" rid="B50">Pangrazio <italic>et al.</italic> (2022)</xref> sugerem, inclusive, que as próprias plataformas sejam utilizadas para aumentar a conscientização e as ações de enfrentamento à produção de dados para fins comerciais e/ou de controle.</p>
			<p>No início de maio de 2024, a Apeoesp publicou o Informa Urgente n. 43 convocando os professores a estarem presentes na Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo (Alesp) para a audiência pública que integraria o debate do Projeto de Lei Complementar 9/2024, do Programa Escola Cívico-Militar no estado de São Paulo, e que seria realizada no dia 14 de maio (<xref ref-type="bibr" rid="B67">Sindicato dos Professores do Ensino Oficial do Estado de São Paulo, 2024</xref>).</p>
			<p>Apesar da mobilização, em 21 de maio, a Alesp aprovou o projeto de lei complementar, criando o Programa Escola Cívico-Militar que havia sido enviado à casa legislativa pelo governador Tarcísio de Freitas no início do mês de março. O programa será executado pela SEDUC-SP e pela Secretaria de Segurança Pública do estado, com o objetivo de melhorar a qualidade do ensino aferido pelo Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb), enfrentar a violência e promover a cultura de paz no ambiente escolar, e com a expectativa de que 50 a 100 escolas públicas, entre estaduais e municipais, façam a adesão ao modelo. Para isso, as comunidades escolares - das unidades com índices de rendimento escolar abaixo da média estadual, de vulnerabilidade social e de fluxo escolar irregular (considerando aprovação, reprovação e abandono) - serão consultadas publicamente e a implantação do modelo só ocorrerá mediante o seu consentimento. Serão contratados policiais militares da reserva para atuarem na esfera da disciplina e civismo, com o custo para a pasta de educação estimado em R$ 7,2 milhões anuais destinados à remuneração desses novos agentes (<xref ref-type="bibr" rid="B62">São Paulo, 2024</xref>)<sup><xref ref-type="fn" rid="fn5">5</xref></sup>.</p>
			<p>O programa do governador Tarcísio de Freitas se assemelha ao Programa Nacional das Escolas Cívico-Militares (Pecim) instituído, por meio de decreto, pelo então presidente Jair Bolsonaro já no primeiro ano de seu mandato (<xref ref-type="bibr" rid="B5">Brasil, 2019</xref>). O Pecim também previa uma “parceria” entre civis e militares nas escolas públicas, com consultas públicas às comunidades e metas anuais de adesão. Foi revogado, também via decreto, pelo presidente Lula em 2023.</p>
			<p>A proposta do ex-presidente na área educacional,</p>
			<disp-quote>
				<p>de forma declarada, anunciava o ideário bolsonarista de controle ideológico das instituições, dos profissionais e dos currículos, assim como a defesa de propostas de militarização de escolas e de homeschooling. Em 40 meses de gestão, quatro ministros da Educação foram nomeados para o cargo [...]. Essas mudanças constantes mostram, desde o início do mandato de Bolsonaro, a falta de política pública educacional com o foco na escola pública (<xref ref-type="bibr" rid="B73">Valente; Pereira, 2023</xref>, p. 14).</p>
			</disp-quote>
			<p>Acresce-se a isso, o que <xref ref-type="bibr" rid="B19">Franco e Maranhão Filho (2020)</xref> designam de tripé de valores - privatização, teocratização e militarização - do governo <italic>bolsonarista</italic> que influenciou o contexto de educação em direitos humanos e ameaçou o conceito de pluralidade religiosa, de gênero, entre outras, e o próprio regime democrático. Privatização porque buscou reduzir ou realocar recursos estatais ou destiná-los à iniciativa privada, bem como se esforçou para deslocar a função da educação pública para o âmbito privado da família. Teocratização porque discursou ativamente em prol de um padrão cis-heterossexual com bases religiosas nas dimensões da identidade de gênero e da orientação sexual, além de pretender romper com a laicidade do Estado. E militarização com o emprego de grande quantidade de militares no poder executivo, a promoção de sentimentos de nacionalismo e patriotismo vinculados à suposta retidão militar no campo moral, principalmente, além do próprio programa federal de escolas cívico-militares.</p>
			<p>O reflexo de uma agenda <italic>bolsonarista</italic> na educação pública do estado de São Paulo parece ficar claro não somente pelo avanço da militarização das escolas públicas ou pela falta de diálogo, cerceamento da autonomia docente/ gestora e desvalorização dos profissionais da educação (<xref ref-type="bibr" rid="B68">Soares, 2023</xref>), mas também pela visão privatista do governo estadual, em especial, do secretário da educação, Renato Feder. Ele é sócio de uma empresa de produtos digitais com contratos firmados com o governo estadual já na gestão anterior. Na atual gestão, vigoram três contratos por meio de licitações que somam mais de R$ 243 mil e, embora tenha sido aberta uma investigação, ela foi arquivada pelo Ministério Público de São Paulo (<xref ref-type="bibr" rid="B72">UOL, 2023</xref>).</p>
			<p>No que tange às plataformas digitais, segundo a professora Márcia Jacomini, da Universidade Federal São Paulo, o governo paulista tem pagado por essas ferramentas prontas sem passar pela avaliação de especialistas em educação (<xref ref-type="bibr" rid="B55">Ratier, 2024</xref>). Já em relação ao Programa Escola Cívico-Militar, <xref ref-type="bibr" rid="B80">Ximenes, Santos e Alves (2024)</xref> destacam que, além dos adicionais que os militares da reserva receberão da pasta de educação cuja variação está acima do próprio salarial inicial de um professor da rede, há ainda a autorização do programa às parcerias com entidades privadas para repasse de verbas, tais como, associações de praças e oficiais da reserva, que fornecem recurso humano militar terceirizado e materiais didáticos.</p>
			<p>A militarização das escolas públicas, por mais que o discurso alegue o contrário, toma a atribuição de contribuir com a disciplina dos estudantes como forma de disseminar valores e comportamentos da doutrina militar, mobilizando o interesse em “controlar e incidir no currículo escolar, bloqueando avanços na gestão democrática das escolas e nas agendas de direitos humanos” (<xref ref-type="bibr" rid="B80">Ximenes; Santos; Alves, 2024</xref>). O óbvio precisa ser reiterado: nas escolas públicas devem atuar os profissionais da educação, formados e preparados para o trabalho pedagógico e de gestão escolar. Militares não são profissionais da educação.</p>
			<p>Os novos contornos da política educacional paulista já apresentam repercussões nos próprios resultados quantitativos tão defendidos pelos adeptos do gerencialismo na educação: resultados do Sistema de Avaliação do Rendimento Escolar do Estado de São Paulo (Saresp) indicam que o primeiro ano do governo piorou a educação pública paulista.</p>
			<disp-quote>
				<p>A média dos alunos em 2023 nos anos finais do ensino fundamental (6º ao 9º ano) caiu 10 pontos em Português e 3 pontos em Matemática, com relação a 2022. Elas voltaram a patamares de dez anos atrás e ainda são piores do que as registradas imediatamente após a pandemia (<xref ref-type="bibr" rid="B7">Cafardo, 2024</xref>).</p>
			</disp-quote>
			<p>A discussão proposta neste trabalho se soma à escassa produção sobre a problemática da plataformização e militarização das escolas públicas paulistas, haja vista que o atual governo do estado encontra-se na metade do seu mandato. Os acontecimentos são recentes e parecem limitar o seu estudo e aprofundamento com os critérios acadêmico-científicos rigorosos necessários. O tempo exigido para o estudo dos fenômenos relacionados à educação parece não ser o mesmo das medidas adotadas pela política educacional do governo paulista, as quais vêm ocorrendo rápida e drasticamente e afetando negativamente o trabalho (e a saúde) dos profissionais e a aprendizagem dos estudantes das escolas públicas.</p>
		</sec>
		<sec sec-type="conclusions">
			<title>Conclusão</title>
			<p>Ao discutir o atual desenho do governo estadual para a educação pública paulista, demonstrou-se, por meio de análise qualitativa de relatos de situações do cotidiano escolar, de notícias jornalísticas e posicionamentos de sindicatos/entidades representativas, bem como da literatura recente: 1) o aprofundamento do gerencialismo na política educacional do estado, situando-o como fundamento do que se considera a qualidade da educação e de uma boa gestão escolar; 2) a aproximação de visões e ações governamentais no campo da educação pública adotadas pela gestão do ex-presidente Jair Bolsonaro e pela atual gestão do estado de São Paulo; 3) uma tendência maior das produções estrangeiras em lançar luzes à influência das Big Techs na educação.</p>
			<p>A plataformização e a artificialização empreendidas pela política educacional paulista, além de determinarem uma perspectiva gerencialista de gestão das escolas públicas, evidenciam o viés privatista de educação a partir da aquisição de ferramentas digitais e de equipamentos tecnológicos para conduzir, controlar e fiscalizar o trabalho do corpo docente e da equipe gestora, reduzindo o processo de aprendizagem ao engajamento quantitativo nas plataformas.</p>
			<p>A militarização das escolas públicas por meio do Programa Escola Cívico-Militar do estado também notabiliza um processo de privatização da educação ao permitir parcerias e repasses públicos financeiros a entidades militares privadas.</p>
			<p>A receita <italic>plataformização + militarização</italic> tende a precarizar ainda mais a educação pública paulista ao subordiná-la aos ditames do neotecnicismo e da Nova Gestão Pública (NGP), suprimindo a apropriação crítico-reflexiva dos conteúdos escolares e o exercício da gestão escolar democrática. De todos os reflexos dos novos contornos da política educacional paulista, um deles, o que talvez tenha mais apelo à opinião pública, já está exposto: a educação pública paulista piorou os seus índices em Português e Matemática no último Saresp.</p>
			<p>Uma limitação deste trabalho é o panorama exploratório-descritivo a que a revisão da literatura sobre a plataformização digital da educação no Brasil e em outros países se restringiu. O exame aprofundado da proposta e das possíveis consequências de conversão das escolas públicas paulistas em cívico-militares é outra limitação que precisa ser sublinhada. Dessa forma, como possibilidades de investigações futuras, indicamos aprofundar a incidência da agenda <italic>bolsonarista</italic> na educação pública do estado de São Paulo, colocando ênfase na militarização das escolas, bem como a própria análise sistemática de conteúdo da revisão da literatura nacional e internacional sobre a plataformização e artificialização educacionais. Acompanhar a produção brasileira e mundial favorece não apenas a compreensão do fenômeno em questão, mas também o levantamento de evidências científicas das suas implicações no aprendizado dos estudantes e no trabalho dos profissionais da educação.</p>
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				<p>Texto revisado e normalizado por Vanessa Aparecida de Oliveira.</p>
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				<label>2</label>
				<p><italic>Scientific Electronic Library Online</italic>, disponível em: <ext-link ext-link-type="uri" xlink:href="https://www.scielo.br/">https://www.scielo.br/</ext-link>
				</p>
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				<label>3</label>
				<p>Portal de Periódicos da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior - CAPES, disponível em: <ext-link ext-link-type="uri" xlink:href="https://www.periodicos.capes.gov.br/">https://www.periodicos.capes.gov.br/</ext-link>
				</p>
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				<label>4</label>
				<p>Disponível em: <ext-link ext-link-type="uri" xlink:href="https://www-webofscience-com.ez31.periodicos.capes.gov.br/wos/woscc/basic-search">https://www-webofscience-com.ez31.periodicos.capes.gov.br/wos/woscc/basic-search</ext-link>
				</p>
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				<label>5</label>
				<p>Em agosto de 2024, o Tribunal de Justiça de São Paulo suspendeu a lei que criou o programa, mas a decisão foi derrubada em novembro do mesmo ano pelo Supremo Tribunal Federal (STF).</p>
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			<title>REFERÊNCIAS</title>
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				<article-title>PLATFORMIZED EDUCATION: NEW CONTOURS OF EDUCATIONAL POLICY OF SÃO PAULO STATE<sup><xref ref-type="fn" rid="fn6">1</xref></sup></article-title>
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				<contrib contrib-type="author">
					<contrib-id contrib-id-type="orcid">0000-0001-9172-3711</contrib-id>
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						<given-names>Denise Maria</given-names>
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					<bio>
						<p><sup>*</sup> PhD in Education (Federal University of São Carlos - UFSCar). Associate Professor at Department of Education of UFSCar. Vice Leader of DEFORGES - Group of Studies and Research in School Organization: Human Rights, Democracy and Training of Administrators. Permanent Professor at Postgraduate Program in Education of UFSCar. São Carlos, São Paulo, Brazil. E-mail: <email>denise.reis@ufscar.br</email>
						</p>
					</bio>
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				<institution content-type="original">Federal University of São Carlos - UFSCar</institution>
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			<abstract>
				<title>AbSTRACT</title>
				<p>Since the 1990s, the educational policy of the state of São Paulo has operated according to a business management approach, a model intensified by the current state government with the platformization of education. The study aims to discuss the recent contours of São Paulo’s educational policy through, above all, the implementation of digital platforms in the practices of school communities as part of the educational privatization process. The research involved a review of national and international literature and a qualitative analysis of internship or work situations reported by Pedagogy students from a public university or by teachers and managers from the state network of a municipality in the interior of São Paulo, as well as the positions of unions and education entities in São Paulo, based on recent studies on the topic. The results indicate that the platformization undertaken by São Paulo’s educational policy determines business school management and highlights the privatist bias of education with the acquisition of technologies to control the entire process of educational work. Furthermore, the proposal to militarize public schools through a state program also highlights educational privatization by allowing partnerships and public financial transfers to private military entities. It is concluded that such a combination tends to make public education even more precarious, hindering critical training and the exercise of democratic management.</p>
			</abstract>
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				<title>Keywords:</title>
				<kwd>Educational policy</kwd>
				<kwd>Platformization</kwd>
				<kwd>Artificialization</kwd>
				<kwd>Privatization</kwd>
				<kwd>São Paulo.</kwd>
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			<sec>
				<title>Introduction</title>
				<p>Since the mid-1990s, São Paulo’s state education policy has been marked by a managerialist approach to management (<xref ref-type="bibr" rid="B54">Ramos, 2016</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="B27">Jacomini; Nascimento; Stoco, 2023</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="B29">Jardim; Miranda, 2024</xref>) resulting from the reform of the Brazilian state (<xref ref-type="bibr" rid="B9">Carinhato, 2008</xref>), which aimed to make public services more efficient through the rationalization of fiscal resources and privatization, thereby reducing the state’s role as a provider.</p>
				<p>The New Public Management (NGP) expresses this managerial perspective that aims to apply private sector principles and strategies to the public sector. In the field of educational policy, this involves rationalizing tasks and resources, segmenting decisions and actions at the strategic and operational levels, basing pedagogical and administrative work on results and performance bonuses, decentralizing policy implementation, but not its regulation, evaluation, and control (<xref ref-type="bibr" rid="B54">Ramos, 2016</xref>).</p>
				<p>In the current administration of Tarcísio de Freitas in São Paulo, in <xref ref-type="bibr" rid="B62">2024</xref>, whose secretary of education is the businessman Renato Feder, we observe not only continuity but also a further deepening of the managerialist model, especially through ‘platform managerialism’, which directs teaching and management practices toward achieving goals that are disconnected from the realities of schools, “defined in instances outside the school that systematically and structurally control the work of teachers and the actions of students through information technologies structured on platforms” (<xref ref-type="bibr" rid="B14">Dias <italic>et al.</italic>, 2024</xref>, p. 4).</p>
				<p>The governor Tarcísio de Freitas received the declared support of Jair Bolsonaro during his election campaign and was elected with a government program closely aligned with the values of the former president. Thus, the agenda of customs (<xref ref-type="bibr" rid="B53">Pereira, 2022</xref>) and nods to the military in the field of public security (<xref ref-type="bibr" rid="B12">Cotrim, 2022</xref>) were strategies adopted during the campaign and remain in place during his term of office. Added to this are privatization efforts involving projects in the areas of waterways, roads, railways, lottery, education, and basic sanitation (<xref ref-type="bibr" rid="B30">Junqueira, 2023</xref>), as well as the transformation of municipal and state public schools into civic-military schools (<xref ref-type="bibr" rid="B62">São Paulo, 2024</xref>) through a program similar to that of the former president’s administration.</p>
				<p>This work aims to discuss the recent contours of São Paulo’s educational policy, highlighting, above all, the implementation of digital platforms - and the adoption of slides as teaching material and artificial intelligence (AI) in their production - in the practices of teachers, school administrators, and students as an aspect of the educational privatization process, in addition to the strategy of converting public schools into civic-military schools - although this is not the primary focus of this article. In addition to reviewing the most recent national and international literature on the topic of platformization and artificialization of education, we discuss, qualitatively, reports from students, teachers, and administrators, as well as news articles and public statements from São Paulo unions and entities/groups linked to the field of education.</p>
				<p>Initially, we present the theoretical contributions regarding educational policy, the prevalence of the managerial model in its development in the state of São Paulo, and, more recently, the presence of digital platforms in the state education network. Subsequently, we describe the methodological procedures of the study, results, and discussions, concluding the work with some conclusions, limitations, and recommendations for future research.</p>
			</sec>
			<sec>
				<title>Educational policy in the state of São Paulo</title>
				<p>Educational policy, as a social public policy, involves a set of intentional actions implemented by governments that express the clash of different ideas (<xref ref-type="bibr" rid="B69">Souza, 2006</xref>) and that aim to resolve conflicts related to the common good. For <xref ref-type="bibr" rid="B63">Saviani (2011)</xref>, public policy is called “social” to confront the essentially antisocial nature of the capitalist economy. Therefore, educational policy refers to the measures that the State, in the form of government, takes regarding the direction of the population’s education (<xref ref-type="bibr" rid="B63">Saviani, 2011</xref>).</p>
				<p>The measures of the duty to educate in the history of Brazilian education, from the colonial period to the present day, point to the tendency of the government to, firstly, delay robust public funding for national education and, consequently, to transfer its responsibility for implementing educational policy to society, preserving for itself the decision-making, regulatory and evaluation power of systems and institutions, in addition to the results achieved by student performance (<xref ref-type="bibr" rid="B64">Saviani, 2013</xref>). This is what <xref ref-type="bibr" rid="B54">Ramos (2016)</xref> calls supervised decentralization, since decisions on educational programs and actions, curricular parameters and large-scale evaluations remain centralized in the State, but the implementation of such measures is transferred to schools and society as a whole, including the business community through public-private partnerships (<xref ref-type="bibr" rid="B1">Arelaro, 2007</xref>). Such partnerships allow public education to be managed privately based on business parameters of efficiency, effectiveness and productivity, encouraging teachers and students to be held accountable for the success or failure of academic performance indices and the meritocratic perspective that conceals the relationship between social inequalities and educational inequalities (<xref ref-type="bibr" rid="B20">Freitas, 2012</xref>).</p>
				<p>Since the 1990s, Brazil has witnessed the advance of neoliberalism in the way it manages the State and its social policies, with intense reformist repercussions in the state and educational spheres (<xref ref-type="bibr" rid="B9">Carinhato, 2008</xref>). The choice and maintenance of neoliberal social policies, especially those related to education, make clear the ideological desire to maintain that the private is better than the public (<xref ref-type="bibr" rid="B20">Freitas, 2012</xref>). This perspective results in incessant proposals for a supposedly high-quality education that do not work and that always demand new top-down reforms (<xref ref-type="bibr" rid="B21">Freitas, 2018</xref>) guided by New Public Management (NPM), that is, by a managerialist management model that applies principles, values and strategies of private administration to public administration (<xref ref-type="bibr" rid="B54">Ramos, 2016</xref>).</p>
				<p>It is in this sense that <xref ref-type="bibr" rid="B21">Freitas (2018)</xref> highlights the hijacking of education by the business community in order to achieve its purposes of ideological confrontation through constant reforms, aligning the demands of the productive processes of flexible and hypertechnological capitalism, under the coordination of international agencies, to adapt all internal productive stages to the logic of global productive restructuring.</p>
				<p>The NGP guidelines have also reached the state of São Paulo since the mid-1990s, accompanied, conflictingly, by the values of democratic management and socially referenced education defended by the country’s redemocratization movement and contained in the 1988 Federal Constitution. Hegemony, however, belonged to educational policies supported by neoliberal principles with the “[...] adoption of management mechanisms from the corporate sector, in the establishment of teaching quality standards measured in largescale tests, in curricular standardization, in the control of teaching work” (<xref ref-type="bibr" rid="B27">Jacomini; Nascimento; Stoco, 2023</xref>, p. 6). Thus, the São Paulo government “began to establish partnerships with the private sector, establishing, as the basis for government actions, work based on productivity, goals and performance results” (<xref ref-type="bibr" rid="B29">Jardim; Miranda, 2024</xref>, p. 5).</p>
				<p>In the state of São Paulo, both a concept of educational quality linked to the measurement of learning through external and standardized tests and a management concept focused on results, especially quantitative ones, were consolidated (<xref ref-type="bibr" rid="B27">Jacomini; Nascimento; Stoco, 2023</xref>). Thus, priority was given to performance and school flow indicators, including to value the strong presence of the private sector in public education (<xref ref-type="bibr" rid="B29">Jardim; Miranda, 2024</xref>). With the government of Tarcísio de Freitas (Republicans), we can observe not only the continuity of what was built in almost 30 years of administration by the Brazilian Social Democracy Party (PSDB), but also the deepening of such assumptions and practices in educational policy, now under the aegis of digital platformization and artificialization.</p>
				<p>
					<xref ref-type="bibr" rid="B14">Dias <italic>et al.</italic> (2024)</xref> point out that, since 2020, the state of São Paulo has implemented several digital platforms in its public school network with the aim of improving education and recognize that the need for remote teaching during the COVID-19 pandemic has driven this process of educational platformization. According to the authors, this process makes teacher autonomy non-existent, as teachers do not have the freedom to choose whether or not to use them in their classes. As a result, the platforms end up being used as tools to control teaching work and management itself, to set goals for online access by the school, and to reduce learning to the number of hours and activities submitted by students. This is, therefore, the sophistication of the development of an authoritarian education “limited to a neoliberal and neo-technicist conception, which reduces education to training and subjects pedagogical work to a mere ‘application’ of content and materials” (<xref ref-type="bibr" rid="B14">Dias <italic>et al.</italic>, 2024</xref>, p. 21), which promotes, in practice, its systemic perpetuation - albeit with a new guise - in the state of São Paulo.</p>
			</sec>
			<sec>
				<title>Methodology</title>
				<p>The experiences and reflections gained in a course on public school planning and administration in the Education programme at a public university in the first semester of 2024 form the foundation of this work. Several internship or work situations reported by 27 students in the course and everyday school situations mentioned by two teachers and two administrators from the state education network in a municipality in the interior of São Paulo encouraged the study of the implementation of digital platforms as an important pillar of the state of São Paulo’s current educational policy. In this sense, we assume that these reports shared through conversation circles - whose authors are kept confidential - contain “episodic knowledge [which] is organised in a way that is closer to experiences, being linked to concrete situations and circumstances” (<xref ref-type="bibr" rid="B18">Flick, 2009</xref>, p. 172), being recorded in a separate document through notes and comments.</p>
				<p>The <italic>informed consent</italic> (<xref ref-type="bibr" rid="B18">Flick, 2009</xref>) was obtained from students, teachers, administrators, and guest contributors to the course during classes in which the proposal to problematize and theorise the phenomenon of digital platformization in education based on their reports was explained. These descriptions were not reproduced entirely in this text, but were paraphrased and summarised by the author, whose consent for their use was also provided in the course lectures. It was clarified that consent could be withdrawn at any time and that additional information could be provided.</p>
				<p>We also developed a qualitative analysis of journalists’ reports and, in particular, news items and statements from trade unions and representative bodies for teaching and non-teaching staff in the state of São Paulo available on websites. These were taken as documentary data that contextualised the information, i.e. as ‘communicative devices’ for constructing a particular version of experiences and events. (<xref ref-type="bibr" rid="B18">Flick, 2009</xref>, p. 234). The choice of materials was based on the search for information related to organisations recognised by the researcher and collaborators as relevant representative expressions of teachers, specialists, and supervisors of education, as well as education professionals and researchers in the state, namely: the Union of Teachers in Public Education of the State of São Paulo (Apeoesp), the Union of Education Specialists of the Official Magisterium of the State of São Paulo (Udemo), the Union of Teaching Supervisors of the Official Magisterium of the State of São Paulo (Apase), the Public School and Democracy Group (GEPUD), and the Public School and University System (REPU). The search was conducted directly on the organisations’ websites, which also led us to access news articles indicated in hypertext, without the need to use databases or search strategies.</p>
				<p>National and international articles published in the past five years on the subject of the study comprise the literature review (<xref ref-type="bibr" rid="B13">Creswell; Creswel, 2021</xref>), which contextualises the domestic and global scenario regarding the platformization and artificialization of education, as well as assisting both in the qualitative examination of situations and documentary data and in the construction of arguments (<xref ref-type="bibr" rid="B18">Flick, 2009</xref>) of the results and discussions. The qualitative analysis of the content allowed us to identify <italic>key excerpts</italic> from the materials through which similar paraphrases were synthesised (<xref ref-type="bibr" rid="B18">Flick, 2009</xref>) and helped to build an understanding of the topic under study.</p>
				<p>The <italic>SciELO<sup><xref ref-type="fn" rid="fn7">2</xref></sup> <italic>virtual library and CAPES Periodicals Portal</italic><sup><xref ref-type="fn" rid="fn8">3</xref></sup> <italic>were defined as sources for surveying national scientific articles on the topic of platformization and artificialization of basic education without period restrictions, using isolated and combined keywords: platformization, platform, algorithmization, algorithm, artificialization, artificial intelligence, education, teaching, school</italic>. Preference was given to studies involving educational policies for basic education in face-to-face formats and literature reviews, excluding works on distance learning, isolated investigative practices or experiments involving the application of specific platforms or artificial intelligence. Seventeen articles published between 2020 and 2024 were selected.</italic></p>
				<p>For international literature review, searches were conducted in the database <italic>Web of Science</italic><sup><xref ref-type="fn" rid="fn9">4</xref></sup><italic>, accessed through the CAPES Periodicals Portal with an institutional profile. As the national articles, even without a time frame, covered the years 2020 to 2024, we decided to choose this period for the foreign articles. The keywords used were the same, but now in English</italic>. Twenty-eight articles related to the level equivalent to our basic education were selected, without favouring any particular types or methods of research, produced by researchers from various countries, such as the Netherlands, Spain, Germany, Denmark, England, Belgium, Sweden, France, Lesotho, Hungary, the United States, Australia, Malaysia, China, Morocco, and Colombia.</p>
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			<sec>
				<title>Results and discussion</title>
				<p>During classes on the subject of planning and administration of public schools, several students reported the increased use of digital platforms in the state public schools where they were doing their supervised internships or teaching initiations, highlighting the imposing nature of the São Paulo State Department of Education (SEDUC-SP) via the regional Education Directorate: the determinations came ‘from the top down’ without any type of consultation with the school communities, leading managers, teachers and students to have to ‘manage’ to learn how to use the platforms and continually handle them.</p>
				<p>The reports point to the acute exhaustion of management and teaching teams who, without time and quality attention to pedagogical issues, have their activities reduced to the bureaucratic task of inserting information into platforms or carrying out pro-forma activities and assessments with students. There is hardly any time left to talk to colleagues about aspects of pedagogical work (or even personal aspects of daily life), even less to reflect on this policy of platformizing school activities, preventing movements of coordination between professionals and students for the necessary debate and resistance.</p>
				<p>Teachers and school administrators from the state public school system with whom we have contacted report that their colleagues want to give up their positions under this current state government, as they say they are at the limit of their possibilities of action. Discouragement and the feeling of ‘doing a lot for nothing’ seem to predominate. A school principal from the Full-Time Education Program (PEI) describes the dismay of having to adopt practices imposed by the current education policy in São Paulo precisely at a time when the organization of her school unit was achieving synergy in the implementation of the various work fronts of the PEI. If careers in the São Paulo teaching profession do not seem attractive to active professionals, imagine for pedagogues in training.</p>
				<p>Another school principal provided us with her access data for digital platforms and, ensuring their confidentiality, we projected all of them in one of the classes of the subject. The principal’s objective was to contribute to the training of undergraduate pedagogy students. This made it possible to have an overview of the functioning of 17 platforms currently in use in the São Paulo education system: Matrículas 2024, Aluno Presente, Alura, Redação Paulista, Tarefa SP, Mega Escola, Wi-Fi nas Escolas, Khan Academy, Matific, Equipamento SP, Apoio Presencial, Leia SP, Super BI, Me salva!, Edu.Profissional, Prova Paulista and Elefante Letrado. Not to mention the SP Media Center (CMSP), which had already been offering classes and assignments during the COVID-19 pandemic in 2020.</p>
				<p>Students of the subject report that some schools have been monitoring student absences through the platform but also going from classroom to classroom for conferences. If attendance or enrollment numbers drop, the Education Board quickly gets in touch, sometimes via messaging app, to demand that the rates remain at the ‘green’ level.</p>
				<p>Some tasks completed by students are graded by the platform itself, and the space for teachers to develop and evaluate issues in a more qualitative way is limited. What these platforms generate most are numbers: students, subjects of rights and who should also be part of their learning process together with teachers, are reduced to numbers. There is no qualitative data about their activities that can help teachers improve teaching, learning, and the development of children and adolescents.</p>
				<p>The In-Person Support platform aims to record the management team’s assessment of teachers’ classes, but instead of consistent and effective pedagogical support, what is observed is a mere control regarding whether or not teachers are present in the classroom. One teacher pointed out that, in her school, the principal never visited the classrooms and that she must possibly be using the platform in her own workroom, recording positive assessments for the entire teaching staff. However, another teacher reported that very positive and constantly high rates also seem to be a target of the Education Directorate, as they raise suspicions about the veracity of the information.</p>
				<p>Given this situation, we understand that it would be necessary to both seek out what unions and entities in the teaching profession have discussed and positioned themselves on this issue, and to survey what academic production already exists on the subject.</p>
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				<title>What researchers and unions are discussing</title>
				<p>The literature review in this study aims primarily to contextualize the national and international framework on the platformization and artificialization of education, although it also supports some of the qualitative analyses proposed.</p>
				<p>In Brazil, there are productions about this topic in various areas (journalism, medicine, nursing, engineering, computing, among others) and, in education, many related to the application of specific platforms in school subjects, including in contexts of distance learning or education for people with disabilities.</p>
				<p>On the topic of artificialization and the presence of artificial intelligence (AI) in education, dozens of reflective, opinionated, and literature review works were found, most of which reach similar</p>
			</sec>
			<sec>
				<title>conclusions:</title>
				<p>AI contributes to the personalisation of teaching and the provision of feedback, but concerns surround ethical issues - particularly in relation to data privacy - and the training of education professionals to use and teach it. Thus, we did not find any exploratory or empirical studies related to public education systems that examine the effects of artificialization on pedagogical and managerial activities in schools. For now, field research has been limited to a few case studies focused on specific institutions.</p>
				<p>Among the 17 national articles selected in the literature review for this study, there is only one work whose results indicate a positive view of digital education in primary schools: <xref ref-type="bibr" rid="B35">Kobus and Gomes (2020)</xref> believe that public administration needs to free itself from bureaucratic constraints and fear (or lack of interest) in adapting to technological innovations.</p>
				<p>Eight other studies seek not only to praise or disqualify platforms and artificial intelligence, but also to weigh their risks and potential (<xref ref-type="bibr" rid="B46">Nichyshyna <italic>et al.</italic>, 2023</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="B47">Oliveira, <italic>et al.</italic>, 2023</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="B11">Costa Júnior, <italic>et al.</italic>, 2024</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="B39">Lima; Ferreira; Carvalho, 2024</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="B61">Santos <italic>et al.</italic>, 2024</xref>). Particularly noteworthy are the works of <xref ref-type="bibr" rid="B17">Ferreira (2023)</xref>, who draws attention to knowledge and reflection beyond screens and the non-neutrality of algorithm programming, and <xref ref-type="bibr" rid="B66">Silva and Couto (2024)</xref>, who address the joint action of humans and non-humans in pedagogical practices.</p>
				<p>The article by <xref ref-type="bibr" rid="B8">Campos and Lastória (2020)</xref> emphasises the computational instrumentalisation of education in the context of the 21st-century digital cultural industry, highlighting a commodified appropriation of cultural heritage. <xref ref-type="bibr" rid="B77">Wilke and Feijó (2023)</xref> situate the phenomenon of the platformization and artificialization of education within the business model of this new phase of capitalism.</p>
				<p>In the context of educational policies, the work of <xref ref-type="bibr" rid="B40">Mallmann (2023)</xref> highlights the technicality and instrumentalisation in the disorderly provision of equipment and training for education professionals, which ends up trivialising the idea of innovation and contributing to the hegemony of platforms in public education. According to <xref ref-type="bibr" rid="B65">Silva (2024)</xref>, the curriculum has undergone a process of algorithmization that makes learning and its new inequalities ubiquitous, commercially captures attention, and regulates subjectivities through digital data. Teaching work, as pointed out by <xref ref-type="bibr" rid="B75">Viegas (2024)</xref>, may become even more precarious due to the increased workload and control of their work and social activities through datafication processes.</p>
				<p>The state of Paraná stands out among the articles surveyed. <xref ref-type="bibr" rid="B60">Santana, Santana, and Figueiredo (2022)</xref>, focusing their study on a specific platform launched by the state, point out how much the policy is represented in a positive way to teachers and students, while at the same time its discourse devalues the mediated schooling process and teaching work. <xref ref-type="bibr" rid="B49">Palú, Arbigaus and Silveira (2023)</xref>, on the other hand, note an increase in the bureaucratisation of educational and school management, even though the government’s promise was to move in the opposite direction (the authors also include the state of Santa Catarina in their study). <xref ref-type="bibr" rid="B52">Pasini and Silva (2024)</xref>, in particular, highlight the standardisation of teaching practices in Paraná as a result of the platformization process. Finally, the article written by <xref ref-type="bibr" rid="B2">Barbosa and Alves (2023)</xref> analysed the convergence of secondary education reform and the implementation of digital platforms in the state, considering that this process may favour the regulation and surveillance of school activities, as well as the expansion of privatisation.</p>
				<p>The international academic and scientific research scenario also raises concerns about the growing presence of platforms and algorithmic programming in the schooling of children and adolescents, highlighting the relevance of the topic of study at a global level. Dialogue with Brazilian and global production is fundamental to understanding the phenomenon, seeking scientific evidence that supports or refutes the benefits of platformization and artificialization in education, and building consensus around what best promotes student learning.</p>
				<p>The works of <xref ref-type="bibr" rid="B31">Kerssens and Dijck (2021</xref>, <xref ref-type="bibr" rid="B32">2023</xref>), <xref ref-type="bibr" rid="B33">Kerssens (2024)</xref> and <xref ref-type="bibr" rid="B26">Houben and Pierson (2022)</xref> deal with the Dutch educational reality, discussing public and private interests in pedagogical issues and data protection in relation to digital platforms. The Catalonia region in Spain also stands out in studies of the problem with the works of <xref ref-type="bibr" rid="B28">Jacovkis <italic>et al.</italic> (2023)</xref>, <xref ref-type="bibr" rid="B51">Parcerisa <italic>et al.</italic> (2023)</xref>, <xref ref-type="bibr" rid="B57">Rivera-Vargas <italic>et al.</italic> (2024a</xref>, <xref ref-type="bibr" rid="B58">2024b</xref>) and <xref ref-type="bibr" rid="B23">Gonzalez-Mingot and Marín (2024)</xref> that deal with everything from the lack of public leadership to confront digital technology giants and the discursive tensions involved, to the perceptions of students, teachers and families about the processes of inserting platforms in schools.</p>
				<p>The works of <xref ref-type="bibr" rid="B45">Nichols and Garcia (2022)</xref>, <xref ref-type="bibr" rid="B50">Pangrazio <italic>et al.</italic> (2022)</xref>, <xref ref-type="bibr" rid="B34">Kim <italic>et al.</italic> (2023)</xref>, <xref ref-type="bibr" rid="B15">Famaye <italic>et al.</italic> (2024)</xref> and <xref ref-type="bibr" rid="B59">Saltman (2020)</xref>, researchers affiliated with US universities, consider the notion of educational platforms as multifaceted markets, the datafication processes between teachers and students resulting from their use, students’ perceptions of AI and its presence in schools, and the perspective that artificialization for profit may favor the privatization of public education. <xref ref-type="bibr" rid="B81">Zayed (2024)</xref>, although from the University of Illinois, conducted a study on Egyptian education in which he criticizes the commercialization of education with digital platforms.</p>
				<p>In Germany, the articles by <xref ref-type="bibr" rid="B22">Gleiß <italic>et al.</italic> (2023)</xref> and <xref ref-type="bibr" rid="B37">Lankau (2024)</xref> explore, respectively, the potential disadvantages of the public-private National Digital Education Platform (NDEP) and the sensible and age-appropriate use of AI for school activities and learning. In China, two studies developed by researchers from universities in China and Malaysia examine teachers’ willingness to accept AI (<xref ref-type="bibr" rid="B78">Yao; Abd Halim, 2023</xref>) and their conceptions about teaching this intelligence in schools (<xref ref-type="bibr" rid="B79">Yau <italic>et al.</italic>, 2023</xref>).</p>
				<p>
					<xref ref-type="bibr" rid="B36">Komljenovic (2021)</xref>, a researcher at an English university, discussed in her work the transformations in the education sector resulting from digital rentism. The article by the Danish <xref ref-type="bibr" rid="B10">Cone (2024)</xref> discusses affective aspects situated in public education guided by the growing economy of digital platforms. The remaining foreign productions deal with artificial intelligence in schools: the Colombian <xref ref-type="bibr" rid="B6">Bula and the French Bonilla (2024)</xref> conducted a systematic review on the impacts of AI on teaching processes, curriculum, teacher training, school management and ethical dimension. <xref ref-type="bibr" rid="B4">Bokor, Kovacs-Magosi and Nagy (2021)</xref> in Hungary, <xref ref-type="bibr" rid="B42">Martens, Wolf and Marez (2024)</xref> in Belgium, <xref ref-type="bibr" rid="B76">Walan (2024)</xref> in Sweden, <xref ref-type="bibr" rid="B44">Molefi <italic>et al.</italic> (2024)</xref> in Lesotho and <xref ref-type="bibr" rid="B41">Marrone <italic>et al.</italic> (2024)</xref> in Australia investigated some aspect of the understandings and concerns of students, teachers, school administrators and parents around AI and/or the algorithmization of education. It is worth highlighting the study by <xref ref-type="bibr" rid="B70">Tamimi, Addichane and Alaoui (2024)</xref>, from the Sidi Mohammed Ben Abdellah University in Morocco, which found that high school students rely heavily on AI to complete their homework, which is detrimental to learning and skill acquisition.</p>
				<p>In general, we observed that foreign productions demonstrate more evident concerns about the influence of <italic>Big Techs</italic>, the giants of technology, innovation and digital markets, on education and schools than national productions.</p>
				<p>Revisiting the Brazilian context, especially the state of São Paulo, it is worth highlighting that the Public School and Democracy Group (January 2024), formed by professionals from public basic and higher education in São Paulo, understands that the platformization of state education has been developed in an undemocratic manner and without transparency in procedures, intensifying surveillance over teaching work (and the discomfort in relationships) and consuming a large part of the management teams’ time in bureaucratic control and evaluation actions. The group highlights the managerialist perspective of ‘SEDUC-SP’ (São Paulo State Department of Education) unilateral measures as devices for controlling school management and the teaching staff, without any commitment to the quality of student education.</p>
				<p>Through a resolution, SEDUC-SP linked the retention of school principals in their positions to the engagement rates of school communities with the platforms. They are now ‘digital foremen’ (<xref ref-type="bibr" rid="B25">Grupo Escola Pública e Democracia, abr. 2024</xref>, p. 1) and the platforms became a discussion forum in school planning. “In the São Paulo state network, it is not technology that is at the service of education; it is public schools that are at the service of technology, subjugated by its metrics, its language, its format, and its pasteurised content” (<xref ref-type="bibr" rid="B25">Grupo Escola Pública e Democracia, abr. 2024</xref>, p. 2).</p>
				<p>It is worth noting that, in August 2023, the state of São Paulo had decided to no longer receive books from the National Programme for Books and Teaching Materials (PNLD). Instead, the state secretary of education mandated the use of slides as teaching materials to be displayed by teachers on TV sets. The decision was suspended by the São Paulo courts a few days later. In a technical note issued on 15 August 2023, the Public Schools and University System (REPU)’ (2023, p. 25) emphasised that the slides “exhibit methodological problems, conceptual errors and poor contextualisation”.</p>
				<p>In April 2024, it was the turn of artificial intelligence to be included by the secretary of education in São Paulo’s educational policy, with OpenAI’s ChatGPT being used to develop teaching materials - digital lessons - for the education network. Thus, teachers who are specialists in curriculum would now have the sole responsibility of evaluating and making adjustments to artificially generated materials.</p>
				<p>It did not take long for the Public Prosecution Office of São Paulo (MP-SP) to request clarification on the basis of this artificial intelligence tool in studies based on scientific evidence or successful experiences nationally and internationally. Actually, the MP-SP has been conducting investigations since September 2023 to verify the inclusion of technologies and platforms in the state network and the process of digitising education, but SEDUC-SP does not always provide (when it does provide) the necessary clarifications (<xref ref-type="bibr" rid="B48">Palhares, 2024</xref>).</p>
				<p>According to <xref ref-type="bibr" rid="B74">Venco (2024)</xref>, the adoption of ChatGPT for the creation of digital lessons produces homogeneous material for completely heterogeneous school realities, in addition to reducing the number of teachers - especially through competitive examinations - in favour of the use of technologies in public education in São Paulo. For the author, “ending public service, as we know, is the golden dream of the managerial state. And the tools are being used in an attempt to neutralise the construction of reflective thinking” (<xref ref-type="bibr" rid="B74">Venco, 2024</xref>).</p>
				<p>A possible implication of the use of artificial intelligence in public schools, in addition to the decline of exclusively human teaching and learning, is the training of this intelligence based on data provided by teachers and students in the education system. The AI fed and trained by a large education network such as that of the state of São Paulo without the ‘consent’ of teachers and students will become an even better and more refined tool for the owner company to sell to other education systems. Such artificialization is increasingly integrated into the “algorithmic actions of platforms that guide, condition, control, and monitor [...] educational actions and activities” (<xref ref-type="bibr" rid="B66">Silva; Couto, 2024</xref>, p. 13).</p>
				<p>A similar concern was expressed by the Public School and Democracy Group (Jan. 2024) regarding the increased surveillance of teachers and administrators through digital platforms, given that these are private sector tools whose educational contributions are uncertain, but which “will generate thousands of pieces of data that can be used and/or sold, placing a huge set of public data in the hands of private companies, with obscure and legally dubious uses” (<xref ref-type="bibr" rid="B25">Grupo Escola Pública e Democracia, jan. 2024</xref>, p. 1-2).</p>
				<p>In the view of Fernando Cássio (<xref ref-type="bibr" rid="B3">Basilio, 2024</xref>), a professor at the School of Education at the University of São Paulo (USP), platformization is a pretext for purchasing equipment guided by the vision of a secretary who is, in reality, a technology entrepreneur and who understands nothing about the complexity of education. This aspect seems to become clear when we refer to the book he authored and published recently (<xref ref-type="bibr" rid="B16">Feder, 2023</xref>), since the production provides us with a greater understanding of the work he carried out as head of the education department in the state of Paraná and the origin of his managerial proposals: there are no references at the end of the book and no scientific evidence is presented that the platforms implemented by him are beneficial for student learning and development; his propositions are predominantly based on experiences and exchanges with people belonging to this business world and with public managers with a managerial bias, including foreigners.</p>
				<p>We consider that the processes of platformization and artificialization of public education in São Paulo are expressions of neotechnicism that is organized around three major axes: “accountability, meritocracy, and privatization. At the center is the idea of controlling processes to guarantee certain results defined a priori as ‘standards’, measured in standardized tests” (<xref ref-type="bibr" rid="B20">Freitas, 2012</xref>, p. 383).</p>
				<p>According to information from Agência Brasil (<xref ref-type="bibr" rid="B43">Mello, 2024</xref>), the Teachers’Union of the Official Education of the São Paulo’s State (Apeoesp) called for a mobilization for the period from May 13 to 17, 2024 against digital platforms in schools, encouraging the non-use of the tools throughout the week. For Apeoesp, the platforms take away teachers’ autonomy in planning and using other teaching materials in classes, controlling (and therefore demanding) access to them and the teaching work itself by determining a standardization of teaching procedures. Teachers allege that there is strong pressure on their performance and that the curriculum is being emptied, since the platforms present predefined content and require almost no teacher mediation.</p>
				<p>The Union of Specialists on Education of the Official Teaching Profession of the São Paulo’s State (Udemo), through an institutional video on its YouTube channel (<xref ref-type="bibr" rid="B71">Udemo Sindicato, 2024</xref>), argues that the state of São Paulo is going against the grain of national and global public education and is spending large amounts of public funds, time and energy on what is of lesser importance to student learning - platforms that favor control over pedagogical projects -, undermining what really matters and makes a difference in public schools: the teacher. Thus, SEDUC-SP has persisted in not investing in training, careers, public exams, better salaries and working conditions for teachers.</p>
				<p>Conversely, the Union of Supervisors of Education for Official Teachers in the State of São Paulo (Apase) recommends that supervision, as a function of the State and not of the government, be conducted without using managerial, reductionist tools that are flawed in their assessment (Apase, 2024).</p>
				<p>The study by Dias and collaborators (<xref ref-type="bibr" rid="B14">Dias <italic>et al.</italic>, 2024</xref>) is one of the few that exists, to date, that contemplates the process of platformization of the state education network in São Paulo. The authors highlight the curious fact that the same process occurred in the state of Paraná when Renato Feder, Secretary of Education, held the position until 2022. It is no coincidence, therefore, that Feder is paving a similar path in public education in São Paulo. It is his (business) project for educational reform. <xref ref-type="bibr" rid="B40">Mallmann (2023</xref>, p. 564) warns of the ‘falsehood of announcing novelty, of the new, through the vulgarization of innovation’, highlighting the importance of critical debate on the insertion of technologies in public policies.</p>
				<p>
					<xref ref-type="bibr" rid="B14">Dias <italic>et al.</italic> (2024)</xref> present a chart with the platforms, their functions, the year of their creation/adoption, and the number of accesses per week. They then describe and comment, albeit briefly, on each of the platforms. Therefore, what the authors refer to as ‘platform managerialism’ does not refer to the use or non-use of platforms and technologies themselves in public education - although there is a debate about the excessive use of screens and online activities in student learning in rich countries with high-quality education, such as Sweden, for example. It concerns the imposition and mandatory use of this system as a way of managing teaching staff and administrative teams in order to standardise teaching, the creation/ monitoring of productivity indicators, the control of professionals and students according to goals established externally to schools (to their interests and needs), generating data that can be sold later, reducing learning to quantitative engagement on platforms and, finally, privatising public education with the acquisition of these digital tools and other technological equipment.</p>
				<p>
					<xref ref-type="bibr" rid="B59">Saltman (2020)</xref>, dealing with the US educational context, also highlights aspects of democratic corrosion in the political conduct of schools and curricula by digital privatization, standardizing content and pedagogy, as well as fostering an authoritarian cultural perspective.</p>
				<p>SEDUC-SP did not base its decision on studies that prove or demonstrate scientific evidence that these platforms or technologies effectively improve student learning or the work of professionals in schools. It has thus undermined school autonomy and the right to democratic school management enshrined in the 1988 Brazilian Constitution and the 1996 National Education Guidelines and Framework Law (<xref ref-type="bibr" rid="B14">Dias <italic>et al.</italic>, 2024</xref>). The point is not that technologies, by themselves, are prejudicial to educational and school processes, but, as <xref ref-type="bibr" rid="B38">Lévy (1999)</xref> pointed out in the late 1990s, the central issue is our responsibility in deciding what to do and how to use new digital technologies, which is the key question in the discussion developed in this work.</p>
				<p>And “when teachers and school administrators use the platform without any resistance, it does not mean that they appreciate its use but rather reflects a fragile career that does not even offer adequate working conditions” (<xref ref-type="bibr" rid="B14">Dias <italic>et al.</italic>, 2024</xref>, p. 20).</p>
				<p>As a way of confronting ‘platform managerialism’, <xref ref-type="bibr" rid="B14">Dias <italic>et al.</italic> (2024)</xref> suggest that academic and scientific research in the field of education should be taken as a reference for improving initial and continuing teacher training and for the exercise of teaching autonomy. According to the authors, it is necessary to develop alternatives that emerge from school communities, with collective participation in the reformulation of their political-pedagogical projects and curricula linked to the possibility of social transformation, promoting effective democratic management that is free and committed to quality education. After all, “the constraints that platform management imposes on school staff are many, but still possible to overcome” (<xref ref-type="bibr" rid="B14">Dias <italic>et al.</italic>, 2024</xref>, p. 21).</p>
				<p>
					<xref ref-type="bibr" rid="B50">Pangrazio <italic>et al.</italic> (2022)</xref> even suggest that the platforms themselves be used to raise awareness and take action to combat the production of data for commercial and/or control purposes.</p>
				<p>In the beginning of May 2024, Apeoesp published the ‘Informa Urgente’ n. 43 calling all the teachers to attend the ‘Alesp’, the legislative assembly of the state of São Paulo, for the public hearing that would be part of the debate on the Supplementary Bill 9/2024, of the Civic-Military School Programme of São Paulo state, and that it would be held on May 14th (<xref ref-type="bibr" rid="B67">Sindicato dos Professores do Ensino Oficial do Estado de São Paulo, 2024</xref>).</p>
				<p>Despite the mobilization, on May 21st, Alesp approved the complementary bill, creating the Civic-Military School Programme that had been sent to the legislative house by Governor Tarcísio de Freitas in early March. The program will be executed by SEDUC-SP and State Public Safety Secretariat with the aim of improving the quality of education as measured by the Basic Education Development Index (Ideb), confront violence and promote a culture of peace in schools, with the expectation that 50 to 100 public schools, including state and municipal schools, will adopt the model. For this purpose, school communities - from schools with academic performance below the state average, social vulnerability, and irregular school attendance (considering passing, failing, and dropping out) - will be publicly consulted, and the model will only be implemented with their consent. Reserve military police officers will be hired to work in the area of discipline and civics, with an estimated annual cost to the education department of R$ 7.2 million for the remuneration of these new agents. (São Paulo, 2024)<sup><xref ref-type="fn" rid="fn10">5</xref></sup>.</p>
				<p>The program implemented by Governor Tarcísio de Freitas bears similarities to the National Program of Civic-Military Schools (Pecim), which was established by presidential decree during the first year of President Jair Bolsonaro’s administration (Brazil, 2019). The Pecim also envisioned a “partnership” between civilian and military personnel in public schools, incorporating public consultations with school communities and setting annual targets for adherence. This program was subsequently repealed by presidential decree under President Luiz Inácio Lula da Silva in 2023.</p>
				<p>The former president’s proposal in the educational area,</p>
				<disp-quote>
					<p>in a declared manner, he announced the ‘ideário bolsonarista’ (Bolsonaro’s ideology) of ideological control of institutions, professionals and curricula, as well as the defense of proposals for the militarization of schools and homeschooling. In forty months of management, four Ministers of Education were appointed to the position [...]. These constant changes show, since the beginning of Bolsonaro’s term, the lack of public educational policy with a focus on public schools (<xref ref-type="bibr" rid="B73">Valente; Pereira, 2023</xref>, p. 14).</p>
				</disp-quote>
				<p>Added to this is what <xref ref-type="bibr" rid="B19">Franco and Maranhão Filho (2020)</xref> call the tripod of values - privatization, theocratization and militarization - of the Bolsonaro government that influenced the context of education in human rights and threatened the concept of religious and gender plurality, among others, and the democratic regime itself. Privatization because it sought to reduce or reallocate state resources or allocate them to the private sector, as well as making efforts to shift the function of public education to the private sphere of the family. Theocratization because it actively advocated a cis-heterosexual standard with religious bases in the dimensions of gender identity and sexual orientation, in addition to intending to break with the secularity of the State. And militarization with the employment of a large number of military personnel in the executive branch, the promotion of feelings of nationalism and patriotism linked to supposed military rectitude in the moral field, mainly, in addition to the federal program of civic-military schools itself.</p>
				<p>The impact of a pro-Bolsonaro agenda on public education in the state of São Paulo seems to be clear not only due to the advance of the militarization of public schools or the lack of dialogue, curtailment of teacher/management autonomy, and devaluation of education professionals (<xref ref-type="bibr" rid="B68">Soares, 2023</xref>), but also due to the privatizing vision of the state government, especially that of the Secretary of Education, Renato Feder. He is a partner in a digital products company that had contracts signed with the state government during the previous administration. In the current administration, three contracts are in force through bidding processes that total more than R$243 thousand and, although an investigation was opened, it was shelved by the Public Prosecutor’s Office of São Paulo (<xref ref-type="bibr" rid="B72">UOL, 2023</xref>).</p>
				<p>Regarding digital platforms, according to professor Márcia Jacomini, from the Federal University of São Paulo, the São Paulo government has paid for these ready-made tools without undergoing evaluation by education experts (<xref ref-type="bibr" rid="B55">Ratier, 2024</xref>). Regarding the Civic-Military School Program, <xref ref-type="bibr" rid="B80">Ximenes, Santos and Alves (2024)</xref> highlight that, in addition to the additional payments that reserve military personnel will receive from the education department, the variation of which is above the initial salary of a teacher in the network, the program also authorizes partnerships with private entities to transfer funds, such as associations of enlisted personnel and reserve officers, which provide outsourced military human resources and outsourced instructional materials.</p>
				<p>The militarization of public schools, despite the claims to the contrary, takes the role of contributing to student discipline as a way of disseminating values and behaviors of military doctrine, mobilizing the interest in “controlling and influencing the school curriculum, blocking advances in the democratic management of schools and in human rights agendas” (<xref ref-type="bibr" rid="B80">Ximenes; Santos; Alves, 2024</xref>). The obvious needs to be reiterated: education professionals, trained and prepared for pedagogical work and school management, should work in public schools. Military personnel are not education professionals.</p>
				<p>The new contours of São Paulo’s educational policy are already having repercussions on the quantitative results so defended by supporters of managerialism in education: results from the São Paulo State School Performance Assessment System (Saresp) indicate that the first year of the government has worsened public education in São Paulo.</p>
				<disp-quote>
					<p>In 2023, the average scores of students in the final years of elementary education (6th to 9th grade) dropped by 10 points in Portuguese and 3 points in Mathematics compared to 2022. These scores returned to levels observed a decade ago and are even lower than those recorded immediately after the pandemic (<xref ref-type="bibr" rid="B7">Cafardo, 2024</xref>).</p>
				</disp-quote>
				<p>The discussion proposed in this paper adds to the scarce production on the problem of the platformization and militarization of public schools in São Paulo, given that the current state government is in the middle of its term.</p>
				<p>The events are recent and seem to limit their study and in-depth analysis with the necessary rigorous academic-scientific criteria. The time required to study phenomena related to education does not seem to be the same as the measures adopted by the educational policy of the São Paulo government, which have been occurring quickly and drastically and negatively affecting the work (and health) of professionals and the learning of students in public schools.</p>
			</sec>
			<sec>
				<title>Conclusion</title>
				<p>The discussion about the current design of the state government for public education in São Paulo showed, through a qualitative analysis of reports on everyday school situations, news articles, and positions taken by unions/representative entities, as well as recent literature: 1) the deepening of managerialism in state educational policy, establishing it as the foundation of what is considered quality education and good school management; 2) the alignment of government views and actions in the field of public education adopted by the administration of former President Jair Bolsonaro and the current administration of the state of São Paulo; 3) a greater tendency for foreign productions to shed light on the influence of Big Tech on education.</p>
				<p>The platformization and artificialization undertaken by São Paulo’s educational policy, in addition to determining a managerial perspective on the administration of public schools, highlight the privatization bias in education through the acquisition of digital tools and technological equipment to conduct, control, and supervise the work of teaching staff and management teams, reducing the learning process to quantitative engagement on platforms.</p>
				<p>The militarization of public schools through the state’s Civic-Military School Programme also highlights the process of privatization of education by allowing partnerships and public financial transfers to private military entities.</p>
				<p>The combination of platformization and militarization tends to further undermine public education in São Paulo by subordinating it to the dictates of neo-technicism and Public New Management (NGP) suppressing critical-reflective appropriation of school content and the exercise of democratic school management. Among all the repercussions of the new contours of São Paulo’s educational policy, one of them, which perhaps has the greatest appeal to public opinion, is already evident: São Paulo’s public education system has seen its scores in Portuguese and Mathematics decline in the latest Saresp assessment.</p>
				<p>The limitation of this study is the exploratory-descriptive scope to which the literature review on the digital platformization of education in Brazil and other countries was restricted. The in-depth examination of the proposal and the possible consequences of converting São Paulo’s public schools into civic-military schools is another limitation that needs to be emphasized. Therefore, as possibilities for future research, we suggest further investigation into the impact of Bolsonaro’s agenda on public education in the state of São Paulo, with an emphasis on the militarization of schools, as well as a systematic analysis of the content of the national and international literature on the platformization and artificialization of education. Monitoring Brazilian and global production not only promotes understanding of the phenomenon in question, but also the collection of scientific evidence of its implications for student learning and the work of education professionals.</p>
			</sec>
		</body>
		<back>
			<fn-group>
				<fn fn-type="other" id="fn6">
					<label>1</label>
					<p>Text revised and standardized by Vanessa Aparecida de Oliveira and translated by Maria Luiza Ribeiro Buzian.</p>
				</fn>
				<fn fn-type="other" id="fn7">
					<label>2</label>
					<p><italic>Scientific Electronic Library Online</italic>, available on: <ext-link ext-link-type="uri" xlink:href="https://www.scielo.br/">https://www.scielo.br/</ext-link>
					</p>
				</fn>
				<fn fn-type="other" id="fn8">
					<label>3</label>
					<p>‘Portal de Periódicos da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES)’, available on: <ext-link ext-link-type="uri" xlink:href="https://www.periodicos.capes.gov.br/">https://www.periodicos.capes.gov.br/</ext-link>
					</p>
				</fn>
				<fn fn-type="other" id="fn9">
					<label>4</label>
					<p>Available on: <ext-link ext-link-type="uri" xlink:href="https://www-webofscience-com.ez31.periodicos.capes.gov.br/wos/woscc/basic-search">https://www-webofscience-com.ez31.periodicos.capes.gov.br/wos/woscc/basic-search</ext-link>
					</p>
				</fn>
				<fn fn-type="other" id="fn10">
					<label>5</label>
					<p>In August 2024, the Court of Justice of São Paulo suspended the law that created the program, but the decision was overturned in November of the same year by the Brazilian Supreme Court (STF).</p>
				</fn>
			</fn-group>
		</back>
	</sub-article>
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