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<!DOCTYPE article PUBLIC "-//NLM//DTD JATS (Z39.96) Journal Publishing DTD v1.3 20210610//EN" "https://jats.nlm.nih.gov/publishing/1.3/JATS-journalpublishing1-3.dtd">
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			<journal-id journal-id-type="publisher-id">faeeba</journal-id>
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				<journal-title>Rev. FAEEBA - Ed. e Contemp.</journal-title>
				<abbrev-journal-title abbrev-type="publisher">Rev. FAEEBA - Ed. e Contemp.</abbrev-journal-title>
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			<issn pub-type="epub">2358-0194</issn>
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				<publisher-name>Universidade do Estado da Bahia</publisher-name>
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			<article-id pub-id-type="doi">10.21879/faeeba2358-0194.2025.v34.n78.p307-327</article-id>
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				<subj-group subj-group-type="heading">
					<subject>Artigo</subject>
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				<article-title>TELAS E INFÂNCIA: MEDIAÇÃO FAMILIAR E EDUCAÇÃO DIGITAL</article-title>
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					<trans-title>SCREENS AND CHILDHOOD: FAMILY MEDIATION AND DIGITAL EDUCATION<sup><xref ref-type="fn" rid="fn1">1</xref></sup></trans-title>
				</trans-title-group>
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					<trans-title>PANTALLA Y INFANCIA: MEDIACIÓN DE LA FAMILIA Y EDUCACIÓN DIGITAL<sup><xref ref-type="fn" rid="fn2">2</xref></sup></trans-title>
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					<contrib-id contrib-id-type="orcid">0009-0002-5229-5966</contrib-id>
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						<surname>Machado</surname>
						<given-names>Carla Eliza Rodrigues</given-names>
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					<bio>
						<p><sup>*</sup> Mestranda no Programa de Pós-Graduação em Promoção da Saúde na Universidade Cesumar (UNICESUMAR). Bolsista CAPES. Docente da Graduação de Psicologia da Universidade UMFG. Psicóloga do Curso de Graduação em Medicina da Universidade Cesumar (UNICESUMAR). Pesquisadora do grupo de pesquisa Saúde Mental e Contextos Socioambientais de Desenvolvimento no Ciclo da Vida (SMVIDA - UNICESUMAR). Maringá - Paraná - Brasil. E-mail: <email>carla_eliza@hotmail.com</email>
						</p>
					</bio>
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					<contrib-id contrib-id-type="orcid">0000-0002-4392-4452</contrib-id>
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						<surname>Santos</surname>
						<given-names>Aliny de Lima</given-names>
					</name>
					<bio>
						<p><sup>**</sup> Doutora e Mestre em Enfermagem pela Universidade Estadual de Maringá (UEM). Docente da Graduação em Medicina e do Programa de Pós-Graduação em Promoção da Saúde da Universidade Cesumar (UNICESUMAR). Líder do Grupo de Pesquisa Promoção da Saúde no Envelhecimento e segunda líder do Grupo de Pesquisa Integralidade em Saúde na Universidade Cesumar (UNICESUMAR). Maringá - Paraná - Brasil. E-mail: <email>aliny.lima.santos@gmail.com</email>
						</p>
					</bio>
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				<contrib contrib-type="author">
					<contrib-id contrib-id-type="orcid">0000-0003-2918-1266</contrib-id>
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						<surname>Milani</surname>
						<given-names>Rute Grossi</given-names>
					</name>
					<bio>
						<p><sup>***</sup> Doutora e Mestre em Ciências Médicas pela Universidade de São Paulo (USP). Docente do Programa de Pós-Graduação em Promoção da Saúde da Universidade Cesumar (UNICESUMAR). Bolsista Produtividade da Fundação Araucária (FA) e do Instituto Cesumar de Ciência, Tecnologia e Inovação (ICETI). Líder do Grupo de Pesquisas em Saúde Mental e Contextos Socioambientais de Desenvolvimento no Ciclo da Vida (SMVIDA -UNICESUMAR). Maringá - Paraná - Brasil. E-mail: rute. <email>milani@unicesumar.edu.br</email>
						</p>
					</bio>
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				<institution content-type="orgname">Universidade Cesumar</institution>
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			<pub-date date-type="pub" publication-format="electronic"><day>12</day><month>01</month><year>2026</year></pub-date>
			<pub-date date-type="collection" publication-format="electronic">
				<year>2026</year>
			</pub-date>
			<volume>34</volume>
			<issue>78</issue>
			<fpage>307</fpage>
			<lpage>327</lpage>
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				<date date-type="received">
					<day>04</day>
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				</date>
				<date date-type="accepted">
					<day>30</day>
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					<year>2025</year>
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				<license license-type="open-access" xlink:href="https://creativecommons.org/licenses/by/4.0/" xml:lang="pt">
					<license-p>Este é um artigo publicado em acesso aberto (Open Access) sob a licença Creative Commons Attribution, que permite uso, distribuição e reprodução em qualquer meio, sem restrições desde que o trabalho original seja corretamente citado.</license-p>
				</license>
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			<abstract>
				<title>RESUMO</title>
				<p>O crescente uso de dispositivos digitais entre as crianças tem gerado preocupação quanto aos seus efeitos no comportamento, no desenvolvimento e no bem-estar infantil. Esta revisão sistemática verificou quatorze estudos publicados entre 2019 e 2024 nas bases de dados PubMed, SciELO, BVS, EBSCO e PePsic, com o objetivo de analisar a mediação dos pais no que tange ao uso dos dispositivos digitais e da Internet por crianças de 6 a 12 anos, investigando como as dinâmicas familiares e/ou o estilo parental influenciam o comportamento digital infantil. Os achados apontam que os estilos parentais com maior envolvimento, apoio e regras claras promovem o uso equilibrado das tecnologias, enquanto práticas autoritárias ou negligentes aumentam os riscos de dependência de Internet, bem como dificuldades emocionais e escolares. Destaca-se a importância de estratégias equilibradas de mediação parental para o desenvolvimento saudável infantil diante o uso das telas. Os achados reforçam a relevância de ações coordenadas entre a família e contextos educacionais para promover a educação digital.</p>
			</abstract>
			<trans-abstract xml:lang="en">
				<title>ABSTRACT</title>
				<p>The increasing use of digital devices by children has raised concern about its effects on child behavior, development and well-being. This systematic review verified fourteen studies published between 2019 and 2024 in PubMed, SciELO, BVS, EBSCO e PePsic databases, for the purpose of analysing parental mediation regarding the use of digital devices and the Internet by children aged 6 to 12 years, investigating how family dynamics and/or parenting style influence children’s digital behavior. The findings indicate that pareting styles with greater involvement, support and clear rules promote balanced use of technologies, while authoritarian or negligent practices increase the risks of Internet addiction, as well as emocional and learning difficulties in the school environment. The study highlights the importance of balanced parental mediation strategies for healthy child development in the face of the use of screens. The findings reinforce the relevance of coordinated actions between the family and educational contexts to promote digital education.</p>
			</trans-abstract>
			<trans-abstract xml:lang="es">
				<title>RESUMEN</title>
				<p>El cresciente uso del dispositivos digitales entre niños ha generado preocupaciones en vista de sus efectos comportamentales, desenvolvimiento y bienestar. Estas revisión sistemática ha sido comprobado catorce estudios publicados em mediados de años 2019 y 2024 en la bases PubMed, SciELO, BVS, EBSCO e PePsic con la intención del analizar la mediación dos padres en el uso del dispositivos digitales y internet entre niños del 06 a 12 años, han ido a investigar como las dinâmicas familiares y/u estilo parental puedem influir en comportamento digital em los niños. Los estúdios señalan que los estilos parentales con mayor implicación, apoyo y reglas claras, promueven el uso equilibrado de las tecnologías, mientras prácticas autoritárias o negligentes aumentam los riesgos de adicción a internet, dificultades emocionales y escolares. Destaca la importancia de estrategias equilibradas de mediación parental para un desarrollo infantil saludable sobre el uso de pantallas. Los hallazgos refuerzan la relevancia de acciones coordinadas entre entornos familiares y educativos para promover la educación digital</p>
			</trans-abstract>
			<kwd-group xml:lang="pt">
				<title>Palavras-Chave:</title>
				<kwd>criança</kwd>
				<kwd>relação pais-filhos</kwd>
				<kwd>cultura digital.</kwd>
			</kwd-group>
			<kwd-group xml:lang="en">
				<title>Keywords:</title>
				<kwd>child</kwd>
				<kwd>parent-child relationship</kwd>
				<kwd>digital culture.</kwd>
			</kwd-group>
			<kwd-group xml:lang="es">
				<title>Palabras-clave:</title>
				<kwd>niños</kwd>
				<kwd>relación padres-hijos</kwd>
				<kwd>cultura digital.</kwd>
			</kwd-group>
		</article-meta>
	</front>
	<body>
		<sec sec-type="intro">
			<title>Introdução<sup><xref ref-type="fn" rid="fn3">3</xref></sup></title>
			<p>As Tecnologias Digitais da Informação e Comunicação (TDIC) ganharam rápida ascensão na sociedade contemporânea, transformando as relações sociais e facilitando os modos de comunicação e interação humana. Desde a segunda década do século XXI, a ampliação da Internet móvel e o uso de dispositivos digitais se tornou predominante em diversos aspectos da vida cotidiana, tanto em ambientes públicos como em privados (<xref ref-type="bibr" rid="B30">Otero; Yaegashi; Kamimura, 2023</xref>). Esse fenômeno se intensificou com a pandemia da COVID-19, em 2020, contexto em que, devido à necessidade de isolamento social, o trabalho remoto e as aulas <italic>online</italic> alteraram definitivamente o padrão de uso das tecnologias digitais (<xref ref-type="bibr" rid="B25">Mallawaarachchi <italic>et al.</italic>, 2022</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="B40">Souza; Cunha, 2019</xref>).</p>
			<p>No Brasil, de acordo com dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IGBE) (2024), 92,5% dos domicílios do país possuem acesso à Internet. Neste cenário, a família não está imune às mudanças provocadas pelas tecnologias. Ao serem adotadas como um recurso, as telas foram profundamente inseridas nas relações entre pais e filhos, gerando mudanças nos valores, o surgimento de novos rituais e formas de interação e, consequentemente, impacto no desenvolvimento infantil (<xref ref-type="bibr" rid="B28">Neumann; Missel, 2019</xref>).</p>
			<p>Lidar com a presença das telas tornou-se um desafio não só para as famílias, mas também para os contextos educacionais em que a infância está inserida. A dinâmica, os valores e as regras familiares estabelecidas pelos pais influenciam diretamente o tempo e as formas de uso dos dispositivos eletrônicos por crianças e adolescentes (<xref ref-type="bibr" rid="B39">SBP, 2019</xref>). Assim, os pais desempenham um papel fundamental na mediação do uso das tecnologias, enquanto a escola pode atuar como parceira na educação digital, apoiando e orientando as famílias quanto à compreensão das potencialidades e dos riscos envolvidos (<xref ref-type="bibr" rid="B26">Muller; Fantin, 2022</xref>).</p>
			<p>A escola, como canal de comunicação, pode promover discussões com as famílias sobre o uso de telas, contribuindo para um entendimento compartilhado acerca da necessidade de estipulação de limite para o tempo de exposição às telas e de estímulo a atividades diversificadas e que favoreçam o desenvolvimento integral das crianças (<xref ref-type="bibr" rid="B23">Lopes <italic>et al</italic>., 2023</xref>). No entanto, é essencial reconhecer que a mediação do uso de tecnologias é, primordialmente, uma responsabilidade da família, tendo em vista que a escola exerce um papel complementar, reforçando as iniciativas desenvolvidas no ambiente doméstico.</p>
			<p>Diante disso, considera-se necessário sistematizar o conhecimento existente sobre as relações parentais, para que novos estudos possam aprofundar a compreensão acerca do poder da mediação familiar sobre o uso de telas, a fim de subsidiar o planejamento de intervenções promotoras da educação digital. A presente revisão sistemática visa analisar as produções científicas sobre a mediação dos pais quanto ao uso dos dispositivos digitais e da Internet por crianças de 6 a 12 anos, investigando como as dinâmicas familiares e/ou o estilo parental influenciam o comportamento digital infantil.</p>
		</sec>
		<sec>
			<title>Tecnologias digitais na infância: a mediação parental e o papel da escola</title>
			<p>A ascensão das tecnologias digitais trouxe novas marcas para a contemporaneidade, impactando especialmente as crianças e os adolescentes nascidos em tempos de cultura digital. Essa geração é identificada por termos sociológicos e mercadológicos como “nativos digitais” e “Geração Z”, devido ao grande acesso que estes indivíduos possuem às tecnologias digitais desde a tenra idade (Schwartz; Pacheco, 2021). Durante a pandemia da COVID-19, o tempo de tela das crianças subiu em 10 horas semanais (<xref ref-type="bibr" rid="B41">Sundqvist; Heimann, 2021</xref>). Embora essa mudança seja compreensível frente às restrições impostas, verifica-se que a crise sanitária intensificou o acesso precoce aos dispositivos eletrônicos.</p>
			<p>A pesquisa TIC Kids Online Brasil (<xref ref-type="bibr" rid="B8">CGI, 2024</xref>) revelou que, no ano de 2023, 95% das crianças e dos adolescentes entre 9 e 17 anos já eram usuários da Internet e 24% deste grupo teve acesso antes dos 6 anos, o que, em 2015, ocorria por volta dos 10 anos. Com o aumento expressivo do uso das tecnologias nos últimos anos surgem questões sobre seu impacto no desenvolvimento infantil e na dinâmica familiar.</p>
			<p>Os pais têm sido forçados a adotar novas posturas para orientar os filhos à medida que as consequências do uso de telas se manifestam na dinâmica da vida familiar (<xref ref-type="bibr" rid="B28">Neumann; Missel, 2019</xref>). A Convenção sobre os Direitos da Criança (<xref ref-type="bibr" rid="B29">ONU, 1990</xref>) atribui aos pais a responsabilidade de orientar e proteger seus filhos. Tal princípio, aplicado ao contexto digital, envolve instruir, monitorar e supervisionar o acesso às tecnologias, garantindo o bem-estar e o interesse superior das crianças e dos adolescentes. Dessa forma, a mediação parental assume um papel fundamental na incorporação das mídias digitais na vida infantil.</p>
			<p>
				<xref ref-type="bibr" rid="B16">Grizólio e Scorsolini-Comin (2023)</xref> definem a mediação parental como o conjunto de atitudes adotadas pelos pais para orientar a educação digital de seus filhos, incluindo práticas como o diálogo orientador e a imposição de restrições ao comportamento infantil. Esse processo ajuda as crianças a construírem uma relação mais saudável com as telas, minimizando riscos e maximizando benefícios. Em contrapartida, a ausência de mediação parental pode levar ao que <xref ref-type="bibr" rid="B18">Jerusalinsky (2017)</xref> denomina “intoxicação eletrônica”, uma condição em que o uso excessivo de dispositivos digitais interfere na capacidade das crianças de sustentar um pensamento simbólico e estabelecer vínculos afetivos significativos.</p>
			<p>Os efeitos negativos do uso excessivo de dispositivos digitais em crianças são amplamente relatados na literatura, quais sejam: obesidade, inatividade física, alterações do sono, comprometimento da visão, cognição, memória e atenção, baixo rendimento escolar, <italic>cyberbullying</italic>, ansiedade, depressão, prejuízos no desenvolvimento de habilidades afetivas e sociais, estresse fisiológico, divagação mental, baixa autoestima, dificuldades de socialização, diminuição do nível de satisfação com a vida e riscos potenciais à vida adulta (<xref ref-type="bibr" rid="B31">Pedrouzo; Krynski, 2023</xref>; Dielin; Johannes, 2020; <xref ref-type="bibr" rid="B37">Silva <italic>et al.</italic>, 2024</xref>). Estudos apontam que o <italic>smartphone</italic> é o dispositivo preferido pelas crianças (89%), sendo amplamente usado para jogar (68%) e assistir vídeos (53%) (<xref ref-type="bibr" rid="B38">Silva; Bortolozzi; Milani, 2019</xref>). Plataformas e redes sociais como o <italic>YouTube</italic> (85%) e o <italic>Instagram</italic> (72%) estão entre as mais acessadas pelo público infantil (<xref ref-type="bibr" rid="B41">Sundqvist; Heimann, 2021</xref>).</p>
			<p>
				<xref ref-type="bibr" rid="B21">Lacerda (2021)</xref> observa que os dispositivos eletrônicos têm sido ofertados em substituição ao brinquedo tradicional, proporcionando diversão e entretenimento dentro e fora de casa. Para <xref ref-type="bibr" rid="B18">Jerusalinsky (2017)</xref>, os adultos se impressionam com a habilidade das crianças com os dispositivos eletrônicos, considerando que seu próprio aprendizado nesse campo foi tardio. Isso tende a fazer com que os pais fiquem desatentos no que tange à complexidade simbólica do simples ato do <italic>on-off</italic> ser muito inferior às brincadeiras em que o corpo esteja em jogo.</p>
			<p>Para <xref ref-type="bibr" rid="B18">Jerusalinsky (2017)</xref>, o olhar da criança, uma vez que captura as telas, transforma esses dispositivos digitais em uma espécie de “chupeta eletrônica”, suspendendo as demandas das crianças ao outro que lhe dá significações. Muitas vezes, as telas são utilizadas para acalmar as crianças, funcionando como recurso educativo em casa e nas escolas, ou para entretê-las enquanto cuidadores realizam tarefas profissionais e domésticas (<xref ref-type="bibr" rid="B34">Puccinelli; Marques; Lopes, 2023</xref>).</p>
			<p>Embora alguns pais reconheçam os benefícios do uso das tecnologias digitais ao desenvolvimento de habilidades cognitivas e interativas, outros apontam riscos, como o isolamento social e a dependência digital (<xref ref-type="bibr" rid="B38">Silva; Bortolozzi; Milani, 2019</xref>). Nesse sentido, o estilo parental exerce influência direta na mediação digital, afetando o desenvolvimento de competências digitais pelas crianças. As famílias com boa comunicação e suporte social tendem a exercer uma mediação mais eficaz, mitigando os riscos, enquanto aquelas com práticas permissivas/autoritárias tendem a enfrentar maiores dificuldades para o controle do tempo de tela, o que resulta em maiores riscos de uso problemático da Internet (<xref ref-type="bibr" rid="B22">Lo <italic>et al.</italic> 2020</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="B14">Grizólio; Scorsolini-Comin, 2020</xref>). Embora os estudos destaquem o papel da família como essencial, a responsabilidade pela educação digital não é exclusiva dessa instituição.</p>
			<p>Com o uso crescente das tecnologias nos ambientes educacionais, a escola, como espaço de aprendizagem formal, também pode ser percebida como mediadora entre as crianças e as telas, oferecendo um contexto rico para a aplicação pedagógica (<xref ref-type="bibr" rid="B14">Grizólio; Scorsolini-Comin, 2020</xref>). <xref ref-type="bibr" rid="B23">Lopes <italic>et al</italic>. (2023)</xref> destacam que o professor desempenha um papel relevante na mediação de telas, ao atribuir valor educativo às tecnologias, quando estas são utilizadas de forma controlada e com objetivos pedagógicos claramente alinhados ao desenvolvimento da criança.</p>
			<p>Entretanto, os professores enfrentam desafios significativos relacionados ao uso das telas, como a distração dos alunos, que, frequentemente, acessam plataformas não pedagógicas durante as aulas; a falta de formação adequada para integrar a tecnologia às práticas pedagógicas de forma eficaz; o risco de dependência tecnológica; a dificuldade de equilibrar o tempo de tela com atividades pedagógicas diversificadas; preocupação com os impacto das telas quanto à saúde mental e física e as desigualdades no acesso a dispositivos e à Internet (<xref ref-type="bibr" rid="B23">Lopes <italic>et al.</italic> 2023</xref>).</p>
			<p>
				<xref ref-type="bibr" rid="B26">Muller e Fantin (2022)</xref> identificaram que a falta de tempo e interesse por parte dos pais e da escola em participar de atividades de formação sobre o uso consciente da tecnologia é um desafio comum. A percepção das famílias é a de que a mediação para o uso de telas é atribuição da escola, que, por sua vez, percebe-a como algo a ser ensinado pela família, o que gera um círculo vicioso de delegação de responsabilidades. Nesse contexto, tanto os pais como a escola compartilham a responsabilidade de educar as crianças para que utilizem os dispositivos tecnológicos de forma consciente e crítica, por meio da educação digital.</p>
			<p>A família, como a primeira e mais influente instituição na vida da criança, ocupa o papel principal na mediação quanto ao uso das telas. Cabe aos pais estabelecer limites claros, promover o diálogo e orientar os filhos sobre a utilização equilibrada das tecnologias digitais, garantindo que estas sirvam como ferramentas para o desenvolvimento saudável e a construção de valores (Neumaan; Missel, 2019).</p>
		</sec>
		<sec sec-type="methods">
			<title>Método</title>
			<p>Trata-se de um estudo de revisão sistemática da literatura, conduzido com base nos itens propostos pelo <italic>Checklist Preferred Reporting Items for Systematic Reviews and Meta-Analysis</italic> (PRISMA) para identificar, relatar e sintetizar as evidências sistematicamente. A utilização desse tipo de estudo contempla protocolos específicos, que visam analisar e dar alguma logicidade a um grande <italic>corpus</italic> documental, verificando o que funciona e o que não funciona em um dado contexto (<xref ref-type="bibr" rid="B10">Galvão; Ricarte, 2019</xref>).</p>
			<p>A estratégia PICO (acrônimo de P = População; I = Intervenção; C = Comparação; e O = desfecho) foi empregada para auxiliar na formulação da pergunta norteadora desta revisão, que recebeu a seguinte redação: Como os pais têm mediado o uso de mídias digitais e da Internet por crianças de 6 a 12 anos e como as dinâmicas familiares e os estilos parentais influenciam o comportamento infantil?</p>
			<p>Após a elaboração do problema de pesquisa, os descritores foram selecionados e escolhidos por meio dos Descritores Ciências da Saúde (DeCS), resultando nas palavras “<italic>digital media</italic>”, “<italic>parenting</italic>” e “<italic>Internet</italic>”, com suas variações e traduções. Para guiar a busca nas bases de dados, os operadores <italic>booleanos</italic> “<italic>AND</italic>” e “<italic>OR</italic>” foram utilizados com as palavras-chave, o que resultou em duas combinações: “<italic>digital media</italic>” <italic>AND</italic> “<italic>parenting</italic>” e “<italic>digital media</italic>” <italic>OR</italic> “<italic>Internet</italic>” <italic>AND</italic> “<italic>parenting”</italic>.</p>
			<p>As buscas pelos artigos foram realizadas em cinco bases de dados, quais sejam: <italic>PubMed, Scientific Electronic Library Online</italic> (SciElo), Biblioteca Virtual de Saúde (BVS), <italic>Academic Search Premiere</italic> (EBSCO) e Rede Latino-Americana de Periódicos de Psicologia (PePsic), que foram acessadas entre os meses de agosto e outubro de 2024. As bases foram escolhidas por contemplarem ampla indexação de revistas científicas nacionais e internacionais, abrangendo a maioria das publicações com relevância significativa no universo científico.</p>
			<p>Como critérios de inclusão para a seleção dos estudos foram estabelecidos os seguintes itens: (1) artigos publicados nos últimos cinco anos (janeiro de 2019 a outubro de 2024); (2) artigos disponibilizados na íntegra em inglês, espanhol e português; (3) trabalhos cuja análise envolvia crianças de 6 a 12 anos; (4) artigos com temática que tratasse da mediação parental, da parentalidade e do uso de mídias digitais, telas ou Internet. Foram excluídos desta revisão: (a) estudos de revisão, livros, resenhas, dissertações e teses; (b) artigos que não estavam disponíveis por completo e (c) que fugiam do enfoque proposto. A etapa da coleta de dados abrangeu, primeiramente, uma busca independente dos artigos nas bases de dados conforme os descritores definidos. Diante disso, foram identificados 797 estudos, sendo 566 na base de dados <italic>PubMed</italic>, 85 na BVS, 137 na <italic>EBSCO</italic>, 4 na <italic>PePsic</italic> e 5 no <italic>SciElo</italic>.</p>
			<p>A seleção dos artigos ocorreu por meio de duas fases: primeiro, foram selecionados os artigos com base na leitura dos títulos. Assim, 102 artigos foram excluídos por duplicação e 590 por estarem relacionados a outras temáticas, resultando em 105 artigos selecionados. Os dados foram importados para a plataforma <italic>Rayyan</italic>, desenvolvida pelo <italic>Qatar Computing Research Institute</italic>, para a leitura e análise dos resumos, chegando-se a 17 artigos selecionados para esta pesquisa.</p>
			<p>Por fim, uma juíza adicional revisou os artigos selecionados para garantir a unicidade dos critérios de inclusão. Após a discussão e o consenso com a autora, três estudos foram retirados e registrado o motivo de cada exclusão, resultando no total de 14 artigos elegíveis para esta pesquisa, os quais foram examinados e lidos na íntegra. O fluxograma (<xref ref-type="fig" rid="f1">Figura 1</xref>) apresentado a seguir permite a visualização dos procedimentos.</p>
			<p>
				<fig id="f1">
					<label>Figura 1</label>
					<caption>
						<title>Fluxo da coleta e da seleção dos artigos nas bases de dados</title>
					</caption>
					<graphic xlink:href="2358-0194-faeeba-34-78-0307-gf01.tif" xmlns:xlink="http://www.w3.org/1999/xlink"/>
					<attrib><bold>Fonte:</bold> Elaborado pelas próprias autoras (2025)</attrib>
				</fig>
			</p>
			<p>Após a definição da elegibilidade dos artigos, estes foram organizados em uma planilha no <italic>Excel</italic> padronizada, visando à extração das seguintes informações: autor, ano, participantes, variáveis e principais achados.</p>
			<p>Destaca-se que não foi encontrado nenhum estudo que avaliou exclusivamente o grupo de 6 a 12 anos, o qual é o foco desta pesquisa. Assim, a faixa etária das amostras em alguns estudos é mais ampla do que o recorte específico, mas todos incluem, ao menos parcialmente, a faixa etária desejada.</p>
		</sec>
		<sec sec-type="results">
			<title>Resultados</title>
			<sec>
				<title>Características dos Estudos</title>
				<p>As principais características dos estudos selecionados são apresentadas na <xref ref-type="table" rid="t1">Tabela 1</xref>. Os artigos foram publicados entre os anos de 2019 e 2024, sendo a maioria (n=13) em inglês e um em português. Observa-se maior prevalência de publicação das pesquisas nos anos de 2021 (35,71%) e 2023 (46,83%). A origem dos estudos é diversificada, incluindo países como: China, Turquia, Catar, Paquistão, Estados Unidos, Brasil, Irã, Israel, Holanda, Alemanha e República Tcheca.</p>
				<table-wrap id="t1">
					<label>Tabela 1</label>
					<caption>
						<title>Características e resultados dos estudos incluídos na revisão</title>
					</caption>
					<table>
						<thead>
							<tr>
								<th align="left" style="background-color:#c1d7ec;">AUTORIA</th>
								<th align="center" style="background-color:#c1d7ec;">AMOSTRA</th>
								<th align="center" style="background-color:#c1d7ec;">VARIÁVEIS</th>
								<th align="center" style="background-color:#c1d7ec; ">ACHADOS PRINCIPAIS</th>
							</tr>
						</thead>
						<tbody>
							<tr>
								<td align="left">Karaer; Akdemir, 2019</td>
								<td align="center">Adolescentes de 12 a<break/>17 anos (n=176)</td>
								<td align="center">Atitudes parentais;<break/>Apoio social percebido; Regulação emocional; <break/>Transtornos psiquiátricos.</td>
								<td align="center">Os adolescentes com dependência de Internet apresentam baixa aceitação e supervisão parental, menor disponibilidade emocional, menos suporte social e dificuldades emocionais. A maior alexitimia e a ansiedade são fatores preditivos da dependência. Os adolescentes viciados em Internet e com depressão têm maior alexitimia e pais emocionalmente menos disponíveis.</td>
							</tr>
							<tr>
								<td align="left" style="background-color:#e6e7e8; ">Lukavská; Vacek; Gabrhelík, 2020</td>
								<td align="center" style="background-color:#e6e7e8;">Crianças (n=1.019)</td>
								<td align="center" style="background-color:#e6e7e8;">Efeito da parentalidade materna e paterna quanto ao uso problemático da Internet.</td>
								<td align="center" style="background-color:#e6e7e8;">A responsividade parental reduziu o uso problemático da Internet, enquanto a rigidez materna teve fraca associação positiva. O estilo autoritativo reduziu a probabilidade para 3,21%, enquanto a parentalidade autoritária materna e a negligência paterna aumentaram para 20,9%.</td>
							</tr>
							<tr>
								<td align="left">Nagata <italic>et a</italic>l., <break/>2021</td>
								<td align="center">Adolescentes de 10 a 14 anos e seus pais (n= <break/>5.335)</td>
								<td align="center">Tempo de tela recreativo; <break/>Preditores sociodemográficos;<break/>Pandemia da COVID-19;<break/>Diferenças dos relatos de pais e filhos.</td>
								<td align="center">Os pais relataram mais tempo de tela (4,46h) que os adolescentes (3,87h). Os pais superestimaram mensagens de texto e vídeo; adolescentes, jogos e mídias sociais. Discrepâncias maiores em adolescentes mais velhos, negros, latinos e com pais solteiros.</td>
							</tr>
							<tr>
								<td align="left" style="background-color:#e6e7e8; ">Ishtiaq <italic>et al.,</italic><break/>2021</td>
								<td align="center" style="background-color:#e6e7e8;">Crianças <break/>(n=230)<break/>Pais (n=139)</td>
								<td align="center" style="background-color:#e6e7e8;">Tempo de tela; <break/>Dificuldade Psicossocial;<break/>Tempo de interação dos pais; Propriedade de dispositivos; Consciência parental.</td>
								<td align="center" style="background-color:#e6e7e8;">Meninos: 2,5h/dia, meninas: 2h/dia. Maior tempo de tela correlacionado a mais dificuldades comportamentais. As mães mais presentes relataram menos dificuldades comportamentais e melhor monitoramento do tempo de tela. </td>
							</tr>
							<tr>
								<td align="left">
									<xref ref-type="bibr" rid="B3">Areshtanab <italic>et al</italic>, 2021</xref>
								</td>
								<td align="center">Alunos do quinto e sexto ano, <break/>de 10 a 13 anos <break/>(n=657)</td>
								<td align="center" valign="top">Transtorno de jogos da <break/>Internet;<break/>Transtorno comportamental; Estilo parental de mães.</td>
								<td align="center">A prevalência de transtorno de jogo na Internet foi de 5,9% entre os alunos do Ensino Fundamental. Houve relação significativa entre o transtorno de jogo e os transtornos comportamentais (r = 0,23, p = 0,04) na amostra total, mas não entre os meninos (r = 0,13, p = 0,11). A relação com o estilo parental materno também foi significativa (r = 0,12, p = 0,03), especialmente entre as meninas e suas mães.</td>
							</tr>
							<tr>
								<td align="left" style="background-color:#e6e7e8;">Sari; Taner; <break/>Kaya, 2021</td>
								<td align="center" style="background-color:#e6e7e8;">Crianças (n=210)</td>
								<td align="center" style="background-color:#e6e7e8;">Exposição à mídia de tela; Temperamento da criança; Atitudes dos pais.</td>
								<td align="center" style="background-color:#e6e7e8; ">O uso tardio de TV está associado a menor atividade, maior timidez e ao desconforto nas relações sociais. A exposição prolongada prejudica habilidades como a atenção e o controle inibitório, além de aumentar o desconforto, a dependência, os conflitos conjugais e os estilos parentais rígidos. Os temperamentos negativos agravam esses efeitos, especialmente com práticas parentais inadequadas.</td>
							</tr>
							<tr>
								<td align="left">Grizólio; Scorsolini-Comin, <break/>2021</td>
								<td align="center">12 pais (n=10 mães e 2 pais)</td>
								<td align="center">Percepções e experiências de pais e mães de crianças brasileiras de 9 a 11 anos acerca do uso da Internet pelos filhos.</td>
								<td align="center">Não há consenso sobre a mediação do uso da internet e a privacidade dos filhos, embora haja preocupação com o tempo de conexão. A internet é vista como essencial para a educação digital, mas há falta de obediência às regras dos pais e ausência de parâmetros claros para a mediação.</td>
							</tr>
							<tr>
								<td align="left" style="background-color:#e6e7e8; ">Shutzman; Gershy, 2023</td>
								<td align="center" style="background-color:#e6e7e8;">Pais e filhos (n= 347 díades)</td>
								<td align="center" style="background-color:#e6e7e8;">Uso excessivo e problemático da mídia digital; <break/>Funcionamento emocional, comportamental e acadêmico durante a pandemia da <break/>COVID-19; <break/>Risco de uso problemático das mídias digitais.</td>
								<td align="center" style="background-color:#e6e7e8;">O uso de dispositivos móveis isoladamente não se relacionou com as dificuldades emocionais, comportamentais e acadêmicas, mas a parentalidade negativa e a desregulação comportamental aumentaram o risco de dependência. A dependência de mídias digitais intensificou essas dificuldades. Destaca-se a importância dos pais na prevenção do uso problemático.</td>
							</tr>
							<tr>
								<td align="left">Geng; Xu; Liu, 2023</td>
								<td align="center">Pais<break/>(n=711)</td>
								<td align="center">Uso de mídia eletrônica pelas crianças;<break/>Problemas de internalização; Papel mediador do conflito entre pais e filhos; Efeito moderador da idade das crianças.</td>
								<td align="center">A associação entre os conflitos paisfilhos e os problemas de internalização cresce com a idade das crianças. Os pais devem incentivar hábitos saudáveis quanto ao uso de mídias eletrônicas e promover relacionamentos positivos, observando as mudanças psicológicas.</td>
							</tr>
							<tr>
								<td align="left" style="background-color:#e6e7e8; ">Poulain <italic>et al.,</italic><break/>2023</td>
								<td align="center" style="background-color:#e6e7e8;">Crianças (n=563)</td>
								<td align="center" style="background-color:#e6e7e8;">Estratégias de regulação parental de mídia: co-uso, mediação ativa, mediação restritiva, monitoramento e mediação técnica.</td>
								<td align="center" style="background-color:#e6e7e8;">A regulamentação parental quanto ao uso da mídia é determinada pelas atitudes dos pais e pela percepção acerca da necessidade de mediação, especialmente no que tange a crianças mais novas ou em relação a dispositivos conectados à Internet, e não pelo comportamento da criança.</td>
							</tr>
							<tr>
								<td align="left">Kimball <italic>et al.</italic>, 2023</td>
								<td align="center">Pais<break/>(n= 1.005)</td>
								<td align="center">Percepções e preocupações dos pais sobre o uso da <break/>Internet;<break/>Desenvolvimento, bemestar, segurança, conexão familiar e potencial para o uso problemático da Internet na adolescência.</td>
								<td align="center">As principais preocupações dos pais são quanto à exposição a conteúdo prejudicial (64,3%) e ao <italic>bullying online</italic> (53,0%). 22,4% dos pais se preocupam com o vício em Internet, o dobro do vício em substâncias. O uso da Internet melhorou a conexão familiar (46,6% imediata, 56,5% extensa) e a dependência correlacionou-se com a disciplina inconsistente dos pais.</td>
							</tr>
							<tr>
								<td align="left" style="background-color:#e6e7e8; ">Chemnad <italic>et a.l,</italic> 2023</td>
								<td align="center" style="background-color:#e6e7e8;">Adolescentes de 11 a 17 anos <break/>(n=479)</td>
								<td align="center" style="background-color:#e6e7e8;">Papel dos ambientes familiar e escolar em relação ao vício em Internet.</td>
								<td align="center" style="background-color:#e6e7e8;">Os ambientes familiar e escolar foram preditores negativos e significativos do vício em Internet em adolescentes. A taxa de prevalência foi de 29,64%.</td>
							</tr>
							<tr>
								<td align="left">Geurts <italic>et al.,</italic><break/>2023</td>
								<td align="center">9 a 19 anos <break/>(n=400)</td>
								<td align="center">Práticas parentais específicas da Internet (definição de regras específicas, restrições reativas e co-uso); <break/>Dimensões parentais gerais (responsividade e concessão de autonomia); <break/>Uso problemático das mídias sociais.</td>
								<td align="center">Foram identificados três perfis parentais: limitante e menos solidário (13,5%), tolerante e solidário (25,5%) e limitante e solidário (60,8%). O perfil tolerante e solidário esteve associado a menores níveis de uso problemático de mídias sociais, seguido pelo perfil limitante e solidário. Não houve efeito significativo quanto à idade ou ao gênero. A parentalidade de apoio geral foi mais eficaz que as restrições voltadas à prevenção.</td>
							</tr>
							<tr>
								<td align="left" style="background-color:#e6e7e8; ">Philippi <italic>et al</italic>, <break/>2024</td>
								<td align="center" style="background-color: #e6e7e8;">Pais e filhos de <break/>10 a 17 anos (Transversalmente n= 1.221 díades, e longitudinalmente n= <break/>659 díades)</td>
								<td align="center" style="background-color: #e6e7e8;">Valores preditivos de fatores demográficos, psicológicos, parentais e de modelo de comportamento parental; Uso problemático de jogo e mídia social.</td>
								<td align="center" style="background-color:#e6e7e8;">No estudo transversal, os fatores parentais explicaram 18% do uso problemático de jogos e 24% de mídias sociais. No longitudinal, explicaram 33% e 34%, respectivamente, considerando as idade e medidas basais.</td>
							</tr>
						</tbody>
					</table>
					<table-wrap-foot>
						<attrib><bold>Fonte:</bold> Elaborado pelas próprias autoras (2025), com base nos dados da pesquisa.</attrib>
					</table-wrap-foot>
				</table-wrap>
				<p>As amostras incluíram tanto crianças e adolescentes quanto pais ou responsáveis separadamente, além de pesquisas que compreendiam a relação pais-filhos. Foram identificados oito (57,14%) estudos realizados exclusivamente com crianças e adolescentes, quatro (28,57%) com pais e dois (14,29%) com pais e filhos. Nos estudos que envolveram somente os pais, foram escolhidos apenas um membro do par parental e houve predominância de participação do sexo feminino. No trabalho de <xref ref-type="bibr" rid="B20">Kimball <italic>et al</italic>. (2023)</xref>, por exemplo, 56,5% (n=568) dos participantes eram mulheres, já no de <xref ref-type="bibr" rid="B15">Grizólio e Scorsolini-Comin (2021)</xref> a participação feminina chegou a 83,33% (n=10). A exceção se mostra no estudo de <xref ref-type="bibr" rid="B17">Ishtiaq <italic>et al</italic>. (2021)</xref>, que, ao recrutar os participantes em departamentos médicos e não médicos de um hospital de ensino, alcançou 60,4% (n=139) de participação masculina.</p>
				<p>Em relação aos instrumentos utilizados para a investigação e a avaliação das variáveis propostas, a aplicação de questionários e escalas (com ou sem adaptação) é quase universal nos estudos selecionados. A exceção é o estudo brasileiro (<xref ref-type="bibr" rid="B15">Grizólio; Scorsolini-Comin, 2021</xref>) que utilizou exclusivamente entrevistas estruturadas e semiestruturadas. Esses instrumentos incluíram dados sociodemográficos dos participantes e questionários que avaliaram diversos aspectos relacionados às crianças e aos adolescentes, tais como: comportamento de jogo <italic>online</italic> e <italic>offline</italic>, tipos de telas utilizadas, saúde comportamental e psicossocial, grau de dependência de mídia digital, tempo de tela utilizado, desregulação comportamental, dificuldades emocionais e temperamento infantil e funcionamento acadêmico.</p>
				<p>Por outro lado, as variáveis relacionadas aos pais envolveram o nível de conflito nas relações entre pais e filhos, o uso problemático de mídias sociais, a definição de regras específicas para a Internet, o tempo de co-uso de tecnologia com os filhos, as atitudes parentais no contexto de criação da prole, o nível de desregulação emocional, a regulação parental de mídia, a situação socioeconômica das famílias, a percepção dos pais sobre o controle comportamental dos filhos, a dependência dos filhos e o nível de conexão familiar.</p>
				<p>Quanto às abordagens de coleta de dados referentes à temática, predominam os estudos quantitativos (n=13). Em geral, a coleta de dados foi realizada por meio de pesquisa <italic>online</italic>, com <italic>links</italic> enviados aos participantes. No entanto, os estudos de Nagata <italic>et al</italic>. (2021), <xref ref-type="bibr" rid="B11">Geng, Xu e Liu (2023)</xref>, Sari, Taner e Kaya (2023), <xref ref-type="bibr" rid="B33">Poulain <italic>et al</italic>. (2023)</xref>, <xref ref-type="bibr" rid="B3">Areshtanab <italic>et al</italic>. (2021)</xref> e <xref ref-type="bibr" rid="B19">Karaer e Akdemir (2019)</xref> não apresentaram claramente como os instrumentos avaliativos foram aplicados. Apenas no estudo de <xref ref-type="bibr" rid="B17">Ishtiaq <italic>et al</italic>. (2021)</xref> é que os questionários foram aplicados presencialmente, com duração de 25 minutos aproximadamente, além do único estudo qualitativo selecionado ser o realizado por <xref ref-type="bibr" rid="B15">Grizólio e Scorsolini-Comin, (2021)</xref>, no Brasil.</p>
			</sec>
			<sec>
				<title>Tendências no uso de mídias por crianças e influência dos estilos parentais</title>
				<p>Entre os aplicativos mais acessados, destacamse os jogos de batalha, como <italic>Fortnite</italic> e <italic>Roblox</italic> (<xref ref-type="bibr" rid="B3">Areshtanab <italic>et al</italic>., 2021</xref>), além das redes sociais, que são usadas com grande frequência pelo público infanto-juvenil (<xref ref-type="bibr" rid="B20">Kimball <italic>et al</italic>., 2023</xref>). A pesquisa de <xref ref-type="bibr" rid="B3">Areshtanab <italic>et al</italic>. (2021)</xref> indica que o transtorno de jogo entre os alunos do Ensino Fundamental chega a 5,9%, com resultados variados conforme o contexto cultural de cada país.</p>
				<p>
					<xref ref-type="bibr" rid="B35">Sari, Taner e Kaya (2021)</xref> observaram que o acesso à televisão ocorre já por volta dos 20 meses de idade, sendo que as crianças com temperamentos mais difíceis, como a hiperatividade, tendem a passar mais tempo assistindo TV. Esses dados apontam que os pais frequentemente utilizam a televisão como ferramenta para distrair os filhos enquanto realizam suas tarefas diárias. Em contrapartida, as crianças com temperamento mais fácil, especialmente aquelas sem acesso à Internet em casa, apresentam menor tempo de exposição à mídia.</p>
				<p>
					<xref ref-type="bibr" rid="B11">Geng, Xu e Liu (2023)</xref> destacaram que a idade média de início do contato com as mídias eletrônicas é de apenas 2 anos, com 100% das crianças, em diversas faixas etárias, utilizando aparelhos eletrônicos. Além disso, Ishitaq <italic>et al</italic>. (2021) identificaram que 15,6% das crianças possuem televisão no quarto, o que pode favorecer uma maior exposição midiática e impactar negativamente o desenvolvimento infantil.</p>
				<p>A relação entre os estilos parentais e o tempo de exposição à mídia também foi observada, com traços de temperamento infantil influenciando diretamente as atitudes parentais. As crianças cujos pais adotam práticas parentais mais negativas tendem a passar mais tempo em frente às telas, enquanto uma parentalidade positiva pode reduzir essa exposição. <xref ref-type="bibr" rid="B11">Geng, Xu e Liu (2023)</xref> também notaram que as crianças que gastam muito tempo usando celulares e computadores têm menos oportunidades de socialização no mundo real, o que resulta em isolamento social.</p>
				<p>Outros estudos corroboram esses achados, associando o uso excessivo de mídias ao aumento de problemas emocionais. Por exemplo, <xref ref-type="bibr" rid="B17">Ishtiaq <italic>et al</italic>. (2021)</xref> constataram que os pais do sexo masculino percebem mais problemas emocionais em seus filhos do que as mães. Em consonância com esses resultados, o estudo de <xref ref-type="bibr" rid="B7">Chemnad <italic>et al</italic>. (2023)</xref> sugere que os adolescentes com uso problemático de Internet frequentemente relatam falta de apoio social, como a de amigos, e enfrentam maiores dificuldades em identificar e expressar suas emoções.</p>
			</sec>
			<sec>
				<title>Impactos da pandemia da COVID-19 no uso de mídias digitais</title>
				<p>A pandemia da COVID-19 teve um impacto significativo no comportamento digital das famílias, com um aumento no uso de mídias digitais entre os participantes dos estudos abordados nesta revisão sistemática (<xref ref-type="bibr" rid="B36">Shutzman; Gershy, 2023</xref>; Nagata <italic>et al</italic>., 2021). O estudo de <xref ref-type="bibr" rid="B36">Shutzman e Gershy (2023)</xref> observou uma concordância nos relatos de pais e filhos quanto à média de tempo de uso de mídias digitais para fins recreativos, estimado em 7,2 horas semanais, o que foi indicativo de relações parentais moderadas a fortes. Por outro lado, Nagata <italic>et al</italic>. (2021) identificaram uma discrepância nas percepções, com os pais estimando o uso recreativo em uma média de 4,46 horas, enquanto os filhos relataram 3,87 horas. Essa diferença é justificada quanto à forma de uso das telas: os pais acreditam que seus filhos gastam mais tempo com interações sociais (mensagem de texto e chamadas de vídeo), enquanto os filhos autorrelataram níveis mais altos gastos com atividades de distração (ex.: jogos e mídias sociais).</p>
				<p>Constatou-se, também, que a estrutura familiar e os fatores sociodemográficos influenciaram a percepção quanto às horas de uso das mídias durante a pandemia. Nagata <italic>et al</italic>. (2021) apontaram que as famílias com pais solteiros apresentaram discrepância maior do que o relato dos seus filhos, enquanto as famílias compostas pelo par parental demonstraram maior capacidade de monitorar o uso de mídias digitais. Outro fator identificado foi o crescimento dos filhos, o que influencia nas diferentes estratégias de mediação que podem ser utilizadas pelos pais.</p>
				<p>Os estudos também revelaram um aumento nas dificuldades sociais, emocionais e comportamentais das crianças, associado às mudanças nas condições familiares, sociais e educacionais. Durante a COVID-19, as mídias digitais se tornaram um meio central de autorregulação para o alívio de sentimentos negativos, como a solidão e o estresse (<xref ref-type="bibr" rid="B36">Shutzman; Gershy, 2023</xref>). Nesse contexto, os pais exercem papel significativo na prevenção da dependência digital, especialmente quando a parentalidade é mais negativa.</p>
			</sec>
			<sec>
				<title>Estilos parentais, preocupações e uso problemático da Internet e das mídias digitais</title>
				<p>Foi identificada uma preocupação entre os pais acerca dos efeitos do uso de mídias digitais e da Internet pelas crianças, entre os quais, destacam-se: alteração no desenvolvimento social, cognitivo e físico, acesso a conteúdo inapropriado, <italic>cyberbullying</italic> (<xref ref-type="bibr" rid="B20">Kimball <italic>et al</italic>., 2023</xref>), além de vício em substâncias (<xref ref-type="bibr" rid="B17">Ishtiaq <italic>et al</italic>., 2021</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="B20">Kimball <italic>et al</italic>., 2023</xref>), vício em Internet (<xref ref-type="bibr" rid="B20">Kimball <italic>et al</italic>., 2023</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="B15">Grizólio; Scorsolini-Comin, 2021</xref>), contato com estranhos no âmbito virtual e pedofilia (<xref ref-type="bibr" rid="B15">Grizólio; Scorsolini-Comin, 2021</xref>), evidenciando a importância da educação digital para auxiliar as crianças a lidarem com esses desafios de forma mais consciente.</p>
				<p>O estudo de <xref ref-type="bibr" rid="B20">Kimball <italic>et al</italic>. (2023)</xref> apontou que 65% dos pais se sentiam seguros em relação às instruções dadas aos filhos sobre o uso seguro de mídias. No entanto, <xref ref-type="bibr" rid="B15">Grizólio e Scorsolini-Comin (2021)</xref> observaram que, em relação às crianças de 9 a 11 anos, os pais priorizavam a proteção, em detrimento da autonomia para o acesso à Internet.</p>
				<p>Diante dessas preocupações, o estilo parental contribui no que tange à maneira como as crianças e os adolescentes interagem com a Internet e as mídias sociais, moldando tanto os riscos quanto as oportunidades e constituindo um elemento-chave na implementação de uma eficaz educação digital.</p>
				<p>De acordo <xref ref-type="bibr" rid="B15">Grizólio e Scorsolini-Comin (2021)</xref>, as práticas parentais não acontecem de forma descolada com o momento sócio-histórico. Os autores destacam que, atualmente, as relações familiares tendem a ser mais participativas e menos hierarquizadas, com muitos pais priorizando uma relação de confiança com os filhos, em vez de impor regras rígidas e controle sobre o uso da Internet.</p>
				<p>Quanto ao uso problemático, conforme <xref ref-type="bibr" rid="B24">Lukavská;Vacek; Gabrhelík (2020)</xref>, estudos indicam prevalência maior entre os meninos (9%) do que entre as meninas (7,3%). Os autores investigaram a relação entre o transtorno de uso problemático da Internet e o estilo parental, identificando dois grupos principais: o primeiro, com alta responsividade, caracterizado por maior aceitação e envolvimento dos pais, engloba o estilo indulgente, em que os pais são permissivos e atentos, e o autoritativo, em que os pais combinam apoio e regras claras. O segundo grupo inclui os estilos parentais com baixa responsividade, marcados por menor envolvimento e aceitação, contemplando o estilo autoritário, em que os pais são rígidos e controladores, e o negligente, caracterizado pela ausência ou por pouco envolvimento dos pais. Os dados revelaram que o estilo parental autoritativo (com alta responsividade e alta rigidez) apresentou a menor prevalência de transtorno entre os adolescentes. Quando considerados os estilos parentais de ambos os pais, a combinação de estilos autoritativos maternos e paternos esteve associada a menor prevalência do transtorno (3,21%). Por outro lado, a maior prevalência (20,9%) foi observada em adolescentes com perfis de pais negligentes e mães autoritárias.</p>
				<p>Adicionalmente, <xref ref-type="bibr" rid="B12">Geurts <italic>et al</italic>. (2023)</xref> analisaram como diferentes práticas parentais específicas quanto ao uso da Internet (definição de regras, restrições ao uso e co-uso) e dimensões da parentalidade geral (capacidade de resposta, exigência e concessão de autonomia) ocorrem simultaneamente e agem juntas no uso problemático de mídias sociais. Os resultados mostraram que os filhos de pais que adotam perfil parental baseado em limitação e apoio (com alta pontuação na definição de regras específicas para a Internet, restrições reativas e capacidade de resposta e concessão de autonomia) apresentam pontuação mais baixa quanto ao uso problemático de mídia sociais do que os filhos de pais de outros perfis, o que corrobora com o estudo de <xref ref-type="bibr" rid="B24">Lukavská, Vacek e Gabrhelík (2020)</xref>.</p>
				<p>Em um estudo realizado no Irã, <xref ref-type="bibr" rid="B3">Areshtanab <italic>et al.</italic> (2021)</xref> correlacionaram o transtorno de jogo na Internet com o estilo parental das mães. Observaram médias mais altas do transtorno no sexo masculino, devido ao fato de que as meninas tendem a ser mais supervisionadas por suas famílias, por razões culturais. Nesse estudo, o estilo parental autoritário teve maior predominância. Por sua vez, <xref ref-type="bibr" rid="B32">Philippi <italic>et al.</italic> (2024)</xref> ao conduzirem uma pesquisa longitudinal e transversal, concluíram que o tempo gasto pelos pais com o uso de telas afeta o uso das mídias pelos filhos a longo prazo. Além disso, a regulação emocional parental se mostrou como um fator preditivo no funcionamento das relações entre pais e filhos, o que também foi confirmado no estudo de <xref ref-type="bibr" rid="B20">Kimball <italic>et al.</italic> (2023)</xref>.</p>
				<p>
					<xref ref-type="bibr" rid="B32">Philippi <italic>et al.</italic> (2024)</xref> ressaltam a autoeficácia digital dos pais, ou seja, sua confiança e sua capacidade de lidar com as tecnologias, fator que se revelou como um preditor importante para o uso problemático de jogos e mídias sociais pelos adolescentes. Além disso, <xref ref-type="bibr" rid="B11">Geng, Xu e Liu (2023)</xref> demonstram que o conflito entre os pais tem efeitos mediadores na utilização de mídia pelas crianças e os seus problemas de internalização. Os dados indicaram que quando um membro da família apresenta vícios as interações familiares se tornam prejudicadas, impactando negativamente o relacionamento entre pais e filhos.</p>
				<p>Adicionalmente, <xref ref-type="bibr" rid="B7">Chemnad <italic>et al.</italic> (2023)</xref> identificaram que os fatores familiares são significativos em relação ao vício de Internet pelas crianças e adolescentes, seguido do ambiente escolar, com prevalência total para ambos em 29,64%. A percepção de relacionamentos familiares ruins foi considerada um preditor significativo de todos os sintomas de vício. Em consonância, <xref ref-type="bibr" rid="B19">Karaer e Akdemir (2019)</xref> observaram, quanto a adolescentes entre 12 a 17 anos diagnosticados com vício em Internet, em grupo de estudos e de controle, que a proporção de famílias democráticas era significativamente menor (15,5% versus 42,5%) e de famílias negligentes era maior (37,5% versus 17,5%) no grupo de estudo. Os dados indicaram que a baixa aceitação e a supervisão parental, aliadas à falta de disponibilidade emocional, são preditores significativos em relação ao vício em Internet futuro.</p>
			</sec>
			<sec>
				<title>Mediação familiar e percepção sobre o uso das mídias digitais</title>
				<p>Nos últimos anos, o uso das mídias digitais e da Internet tem aumentado significativamente, gerando crescente preocupação quanto aos limites de uso e às estratégias de regulação parental. <xref ref-type="bibr" rid="B33">Poulain <italic>et al.</italic> (2023)</xref> conduziram um estudo sobre as diferentes formas de regulação parental referente ao uso de mídia, analisando práticas como: co-uso, mediação ativa, restrição, monitoramento e mediação técnica. Os resultados indicaram que, com exceção da mediação técnica, a qual foi a menos aplicada, as demais formas de regulação foram utilizadas de maneira recorrente. A mediação restritiva, por exemplo, foi mais observada em crianças mais novas, o que reflete a percepção dos pais de que, à medida que os filhos crescem, torna-se mais difícil o controle quanto ao uso das mídias e a imposição de regras restritivas.</p>
				<p>Os modelos de monitoramento mais rígidos foram os mais utilizados, com destaque para a mediação técnica, que envolve a interrupção do acesso à Internet em momentos específicos. Esta prática foi identificada como mais frequente entre pais mais jovens e filhos mais velhos, que demonstram mais resistência às regras impostas. Adicionalmente, a mediação técnica tende a ser mais comum quando as crianças possuem dispositivos como <italic>smartphones</italic> e <italic>tablets</italic>.</p>
				<p>Outro aspecto importante identificado pela pesquisa é que os pais tendem a aplicar mais estratégias de regulação em filhos meninos do que em meninas. Isso se deve ao fato de que os meninos, em geral, apresentam maior propensão ao uso de <italic>videogames</italic>, fator que aumenta o risco de dependência de mídia. Esse fenômeno corrobora as conclusões de <xref ref-type="bibr" rid="B20">Kimball <italic>et al.</italic> (2023)</xref>, que destacam a importância da unidade familiar na interpretação e modificação do uso negativo das mídias, além de sua relevância na prevenção de problemas como a dependência digital.</p>
				<p>As percepções dos pais sobre o uso das mídias pelos filhos também desempenham um papel crucial na implementação das estratégias de regulação. <xref ref-type="bibr" rid="B15">Grizólio e Scorsolini-Comin (2021)</xref> ressaltam que um dos aspectos mais interessantes do estudo realizado é quanto à percepção dos pais sobre mudanças no ato de brincar de seus filhos, observando que este se resume ao uso da Internet. Além disso, os pais demonstraram maior capacidade de identificar rapidamente os sintomas decorrentes do uso excessivo das mídias. <xref ref-type="bibr" rid="B17">Ishtiaq <italic>et al.</italic> (2021)</xref> mostram que o tempo de tela percebido varia entre 2,5 horas para meninos e 2 horas para meninas e que as crianças em idade pré-escolar apresentam maior tempo de tela do que as de idade escolar.</p>
				<p>O estudo de <xref ref-type="bibr" rid="B17">Ishtiaq <italic>et al.</italic> (2021)</xref> também identificou uma associação entre o tempo de tela das mães e o comportamento dos filhos, reforçando que a educação digital deve envolver tanto as crianças quanto os pais. As mães que passam mais tempo com seus filhos tendem a promover mais comportamentos pró-sociais. Em contrapartida, os pais que não têm conhecimento sobre o que seus filhos consomem digitalmente tendem a subestimar o tempo de tela destes, percebendo-o como menor do que realmente é. Essa discrepância foi confirmada por Nagata <italic>et al.</italic> (2021), que avaliaram as diferenças de percepção quanto ao tempo de uso das telas entre pais e filhos durante a pandemia da COVID-19.</p>
			</sec>
		</sec>
		<sec sec-type="discussion">
			<title>Discussão</title>
			<p>Esta revisão sistemática teve como objetivo principal investigar o papel mediador dos pais no que tange ao uso de dispositivos digitais e da Internet por crianças. Os resultados obtidos nos estudos encontrados destacam a importância do exercício da parentalidade no contexto digital, considerando os desafios associados à educação digital, que visa integrar o uso consciente e crítico das tecnologias ao cotidiano familiar e social, promovendo a proteção e o desenvolvimento saudável das crianças.</p>
			<p>A temática investigada tem ganhado destaque no universo científico internacional, o que está evidenciado diante da diversidade de países que originaram as pesquisas selecionadas. Isso implica dizer que esses achados também apresentam variações culturais que devem ser interpretadas com cautela, como os estudos realizados no Irã (<xref ref-type="bibr" rid="B3">Areshtanab <italic>et al</italic>., 2021</xref>) e na Turquia (<xref ref-type="bibr" rid="B35">Sari; Taner; Kaya, 2021</xref>), onde as tradições culturais são muito marcantes e distintas das do Ocidente. No Brasil, as questões quanto ao acesso à informação e à infraestrutura tecnológica são heterogêneas, de modo que é necessário considerar as desigualdades socioeconômicas, que influenciam diretamente as estratégias de mediação familiar adotadas.</p>
			<p>Nesse sentido, embora a predominância dos estudos encontrados tenha sido de abordagem quantitativa, permitindo comparações entre os resultados, tais estudos são limitados aos dados numéricos, não permitindo uma análise e a compreensão profunda das percepções, vivências e do contexto social da amostra avaliada, como na pesquisa qualitativa de <xref ref-type="bibr" rid="B15">Grizólio; Scorsolini-Comin (2021)</xref>. Esta, por sua vez, permitiu compreender as dificuldades enfrentadas e as particularidades das mudanças na interação familiar com a chegada da Internet.</p>
			<p>O fato de as crianças terem sido privadas de interações tidas como mais saudáveis, como as proporcionadas pelo ambiente escolar, durante a pandemia da COVID-19 fez com que seu tempo fosse ocupado pelo uso de <italic>smartphones</italic>, TVs e <italic>tablets</italic>, que substituíram as brincadeiras tradicionais, circunstância que foi bem percebida pelos pais no estudo de Grizólio e ScorsoliniComin (2021). <xref ref-type="bibr" rid="B38">Silva, Bortolozzi e Milani (2019)</xref> afirmam que 60% das crianças utilizam telas todos os dias da semana para as atividades lúdicas, por pelo menos duas horas por dia.</p>
			<p>Para <xref ref-type="bibr" rid="B1">Albuquerque <italic>et al</italic>. (2022)</xref>, a família se estrutura a partir da realidade social na qual está inserida e, a partir disso, estabelece o seu universo. No contexto pandêmico, conforme apontado nos estudos de <xref ref-type="bibr" rid="B36">Shutzman e Gershy (2023)</xref> e Nagata <italic>et al</italic>. (2021), o aumento do uso de telas pelas famílias foi uma resposta direta ao isolamento social e gerou impacto significativo no comportamento das crianças.</p>
			<p>Se, por um lado, os riscos para a saúde foram percebidos a partir desse período, por outro, é importante lembrar que o desenvolvimento social, intelectual e autorregulatório das crianças também estava potencialmente em risco devido à restrição social (<xref ref-type="bibr" rid="B6">Brito <italic>et al</italic>., 2023</xref>). O aumento das dificuldades emocionais e comportamentais nas crianças, apontado por <xref ref-type="bibr" rid="B36">Shutzman e Gershy (2023)</xref>, revela que o uso das TDIC na sociedade contemporânea traz muitos benefícios, mas também riscos à personalidade e a aspectos essenciais do sujeito (<xref ref-type="bibr" rid="B30">Otero; Yaegashi; Kamimura, 2023</xref>). Nesse sentido, <xref ref-type="bibr" rid="B18">Jerusalinsky (2017)</xref> observa que a tecnologia é recebida pela sociedade com um misto de fascínio e horror, pois, ao mesmo tempo em que permite o acesso às informações e ao lazer, em um tempo veloz, por meio de telas portáteis, essa intensa estimulação sensorial e cognitiva, ocasionada pelo excesso de estímulos, pode levar ao adoecimento do ser humano.</p>
			<p>Estudos como os de <xref ref-type="bibr" rid="B17">Ishtiaq <italic>et al</italic>. (2021)</xref>, <xref ref-type="bibr" rid="B20">Kimball <italic>et al</italic>. (2023)</xref> e Grizólio e ScorsoliniComin (2021) indicam que os problemas relacionados ao ciberespaço afetam tanto crianças quanto adolescentes, tornando-os consumidores com vulnerabilidade agravada, pois apesar das crianças terem muita habilidade no manuseio das tecnologias, isso não significa que possuem capacidade crítica acerca do conteúdo veiculado nas redes (<xref ref-type="bibr" rid="B30">Otero; Yaegashi; Kamimura, 2023</xref>). Sendo assim, a percepção de segurança de muitos pais em relação às orientações dadas aos filhos pode ser questionada, uma vez que a proteção contra conteúdo inadequado nem sempre é eficaz.</p>
			<p>As crianças são especialmente suscetíveis às influências sociais e culturais e nunca estiveram tão expostas às telas como atualmente. As TDIC movimentam a sociedade, sendo que muitas crianças têm seu primeiro contato com elas ainda na primeira infância, como apontado por <xref ref-type="bibr" rid="B35">Sari, Taner e Kaya (2021)</xref>, estando de acordo com a pesquisa do TIC Kids Online Brasil (<xref ref-type="bibr" rid="B8">CGI, 2024</xref>), que revelou um aumento na porcentagem de crianças com acesso a dispositivos eletrônicos antes dos seis anos. Isso reforça a importância de a família e a escola estarem preparadas para promover a educação digital.</p>
		</sec>
		<sec>
			<title>Mediação familiar e implicações à educação digital na família e na escola</title>
			<p>As evidências sobre o papel significativo dos pais quanto ao comportamento digital das crianças são consistentes, ou seja, quanto mais presente o perfil parental autoritativo, com alto envolvimento, apoio e regras claras, menor é a prevalência de transtorno de uso problemático de Internet entre adolescentes. Por outro lado, quando discutimos a necessidade de as crianças desenvolverem maior consciência sobre o uso da Internet, o estilo parental autoritário apresenta limitações significativas (<xref ref-type="bibr" rid="B3">Areshtanab <italic>et al</italic>., 2021</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="B12">Geurts <italic>et al</italic>., 2023</xref>). A falta de diálogo impede o desenvolvimento da capacidade crítica nas crianças em relação ao uso da Internet. Além disso, outras opções de atividades, como o brincar tradicional, também não são incentivadas, o que dificulta o desenvolvimento de habilidades fundamentais na infância.</p>
			<p>Os relacionamentos sejam com os pais, entre os irmãos e outros membros da família, passam por transições ao longo da vida. Assim, o comportamento de um dos membros influencia o sistema familiar, afetando a identidade e o desenvolvimento de todos (<xref ref-type="bibr" rid="B13">Gomes; Lousada; Figueiredo, 2024</xref>). Analisando esses pontos, o estudo de <xref ref-type="bibr" rid="B1">Albuquerque <italic>et al.</italic> (2022)</xref> analisou o uso de telas pelos pais em relação a sua própria visão e quanto à percepção dos filhos, identificando que o celular foi o dispositivo tecnológico mais utilizado pelos pais (97,14%). Este objeto (42,86%) e a televisão (32,86) são os dispositivos que “às vezes” mais causam a interrupção de atividades ou da conversa no ambiente familiar. Segundo os autores, a interrupção não é vista como algo negativo ou desfavorável, uma vez que o uso das tecnologias já se tornou algo naturalizado, ou seja, as telas passaram a fazer parte da vida das pessoas sem que elas percebessem.</p>
			<p>Outro ponto importante quanto às práticas parentais é que, à medida que as crianças crescem, as estratégias de mediação utilizadas pelos pais se tornam mais desafiadoras, especialmente devido à resistência crescente dos filhos ao cumprimento de regras. Além disso, as práticas parentais variam conforme o dispositivo utilizado, implicando diferentes abordagens para o controle do uso de mídias digitais, seja por meio de <italic>smartphones</italic>, computadores ou <italic>videogames</italic>. Nesse contexto, a relevância do papel dos pais na prevenção da dependência digitais torna-se ainda mais evidente, especialmente em relação aos filhos mais velhos ou meninos, que tendem a apresentar maior propensão ao uso excessivo de videogames (<xref ref-type="bibr" rid="B20">Kimball <italic>et al</italic>., 2023</xref>).</p>
			<p>Considerar como o crescimento dos filhos impacta as estratégias e intervenções parentais quanto ao uso das telas é um aspecto fundamental. O amadurecimento da criança exige que os pais ajustem sua abordagem, equilibrando os limites e a autonomia conforme as mudanças no comportamento e as necessidades das crianças ao longo do tempo. Contudo, isso se torna desafiador devido às dificuldades que os pais enfrentam para lidar com as frustrações das crianças, o que os leva a disponibilizar as telas por diversos motivos: para entreter as crianças durante as tarefas domésticas ou o trabalho profissional (<xref ref-type="bibr" rid="B35">Sari; Taner; Kaya, 2021</xref>), como recurso educativo ou, até mesmo, para acalmá-las. Dessa forma, os dispositivos tecnológicos, muitas vezes, tornam-se uma saída diante da falta de recursos ou de soluções eficazes para os desafios parentais (Becler; Donelli, 2024).</p>
			<p>A discrepância das percepções dos pais e dos filhos quanto à forma de uso e às horas emerge como outro achado significativo. Os estudos mostraram que os pais frequentemente subestimam o tempo de tela dos filhos, o que pode refletir a falta de conhecimento sobre as reais atividades digitais das crianças. Isso aponta para a necessidade de fortalecer a comunicação nas famílias e incorporar práticas de educação digital para promover maior envolvimento parental e uma compreensão mais clara acerca do que está sendo consumido digitalmente pelos filhos.</p>
			<p>A escola, como um espaço de socialização, pode colaborar com as famílias ao promover práticas que incentivem o uso responsável das TDIC. Segundo <xref ref-type="bibr" rid="B23">Lopes <italic>et al.</italic> (2023)</xref>, o professor precisa saber lidar com as TDIC para promover a interatividade e a ajuda mútua, visando contribuir para o desenvolvimento das crianças. Nesse sentido, os professores podem atuar como modelos e guias, ensinando as crianças a usarem a tecnologia de forma segura.</p>
			<p>Outro ponto relevante é a criação de espaços alternativos na escola e que promovam o equilíbrio entre o uso das tecnologias e as atividades <italic>offline,</italic> como jogos e brincadeiras, essenciais para o desenvolvimento infantil. Ao oferecer oportunidades para o brincar tradicional e as interações sociais, a escola contribui para a preservação de experiências fundamentais ao psiquismo infantil (<xref ref-type="bibr" rid="B18">Jerusalinsky, 2017</xref>), complementando, assim, a mediação parental.</p>
			<p>Os resultados desta revisão se alinham com os achados de outros estudos e das revisões que analisaram diferentes faixas etárias, abordando o papel da família quanto ao uso de telas. Além disso, enfatizam a importância de educar os pais sobre os riscos referentes ao tempo excessivo de tela e fornecer orientações para limitar seu uso, a fim de proteger a saúde infantil e promover as competências digitais das crianças (<xref ref-type="bibr" rid="B2">Andrade <italic>et al.</italic>, 2024</xref>).</p>
			<p>Observa-se que as práticas que regulam o uso das tecnologias devem também orientar os pais para criarem um ambiente digital seguro e saudável. Nesse contexto, a educação digital para os pais pode ser uma ferramenta eficaz no cenário das estratégias de regulação parental, pois ao fornecer informações sobre as restrições para o uso das telas por idade, como recomenda a Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) (<xref ref-type="bibr" rid="B39">2019</xref>), muitos pais, mesmo com acesso a essas orientações, não conseguem implementar mudanças significativas em suas práticas parentais, pois estas, muitas vezes, não se adequam ao contexto em que vivem. Além disso, muitos pais utilizam as redes sociais como fonte de informação sobre a saúde infantil e a parentalidade. Um estudo realizado com grupos de pais na rede social <italic>Facebook</italic>, no qual foram analisadas as postagens de especialistas sobre o tema, observou-se que não houve interação ou comentários por parte dos pais nos <italic>posts</italic>, o que reforça a ideia de que as percepções dos pais frequentemente se distanciam dos saberes dos profissionais, ficando deslocadas do contexto vivenciado pelos genitores (<xref ref-type="bibr" rid="B34">Puccinelli; Marques; Lopes, 2023</xref>).</p>
			<p>Quanto às limitações dos estudos analisados, destaca-se a necessidade de trabalhos longitudinais que avaliem os efeitos a longo prazo das estratégias de regulação e o impacto do uso excessivo de mídias no desenvolvimento das crianças. Também seria relevante explorar como a implementação de programas de educação digital pode fortalecer as práticas parentais e contribuir para o equilíbrio entre o uso das tecnologias e o desenvolvimento saudável das crianças. A inclusão de métodos mistos (quantitativos e qualitativos) nas pesquisas poderia oferecer uma compreensão mais integrada.</p>
			<p>As amostras dos estudos analisados contemplam, em sua maioria, o público adolescente, e não de forma específica a faixa etária escolhida para esta revisão, o que sugere a necessidade de mais pesquisas focadas nesse grupo etário. Também são importantes estudos que comparem as percepções dos pais e dos filhos, a fim de avaliar a confiabilidade das informações e dar voz a ambos os lados.</p>
			<p>Outro ponto relevante seria investigar possíveis estratégias de atuação das escolas que alinhem as práticas educacionais com as demandas da era digital. Para isso, a formação continuada dos professores com foco no uso das TDIC seria indispensável para que pudessem atuar como facilitadores do uso crítico e seguro das tecnologias.</p>
		</sec>
		<sec sec-type="conclusions">
			<title>Considerações Finais</title>
			<p>As Tecnologias Digitais da Informação e Comunicação (TDIC) são os novos componentes da família contemporânea, funcionando como integrantes que influenciam a dinâmica parental. Observou-se que, embora as crianças já estejam altamente familiarizadas com as telas, os pais enfrentam dificuldades em administrar o uso da tecnologia em casa, especialmente em relação à faixa etária de 6 a 12 anos.</p>
			<p>A prática parental voltada para o controle do uso das telas não é uma tarefa simples. Embora a maioria dos pais esteja ciente acerca da necessidade de mediação, diversos fatores internos e externos, como a cultura, a configuração familiar, o conhecimento sobre o assunto e o temperamento infantil, influenciam as atitudes parentais. Assim, é fundamental considerar essas variáveis ao se pensar em estratégias eficazes de mediação, a fim de que estas sejam aplicáveis e realistas no que tange à dinâmica familiar.</p>
			<p>Embora a literatura revele a importância da mediação parental, carece de detalhamento sobre como essas estratégias podem ser aplicadas no cotidiano das famílias. Nesse sentido, reitera-se a importância de estudos longitudinais para descobrir como as práticas de mediação se desenvolvem e sua eficácia em diferentes contextos culturais. Além disso, abordagens qualitativas podem enriquecer a compreensão das percepções e experiências dos pais, contribuindo para a construção de intervenções mais eficazes.</p>
			<p>Por fim, ressalta-se que a educação dos pais deve ir além da transmissão de informações técnicas sobre o uso da tecnologia, de modo que é essencial que sejam consideradas as dimensões subjetivas e emocionais dos pais, de modo a permitir que eles construam estratégias de forma ativa, com base em suas próprias experiências de vida e vivências da parentalidade. Assim, as regras estabelecidas ganhariam mais significado, tornando-se mais efetivas, uma vez que levariam esses pais também a serem mais conscientes quanto à forma como se relacionam com as mídias e a Internet.</p>
			<p>Como mediadores fundamentais, os pais desempenham um papel crucial na construção do uso saudável das tecnologias pelas crianças, alinhado às necessidades de desenvolvimento e bem-estar. Contudo, diante dos dados globais sobre o impacto do uso excessivo de telas, é importante que essa questão seja abordada também em outros espaços coletivos, como as escolas. Enfrentar essa problemática exige um esforço conjunto, pois se trata de um desafio compartilhado por toda a sociedade.</p>
		</sec>
	</body>
	<back>
		<fn-group>
			<fn fn-type="other" id="fn1">
				<label>1</label>
				<p>Texto traduzido, revisado e normalizado por Raissa Arantes Tobbin.</p>
			</fn>
			<fn fn-type="other" id="fn2">
				<label>2</label>
				<p> Texto traduzido por Joana Ferreira Machado.</p>
			</fn>
			<fn fn-type="other" id="fn3">
				<label>3</label>
				<p>Texto revisado e normalizado por Raissa Arantes Tobbin</p>
			</fn>
		</fn-group>
		<ref-list>
			<title>REFERÊNCIAS</title>
			<ref id="B1">
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					<article-title>A interferência do uso de dispositivos tecnológicos na relação pais-filhos / The interference of the use of technological devices in the parent-child relationship</article-title>
					<source>Brazilian Journal of Development</source>
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					<date-in-citation>Acesso em: 10 ago. 2024</date-in-citation>
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