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			<journal-id journal-id-type="publisher-id">faeeba</journal-id>
			<journal-title-group>
				<journal-title>Revista da FAEEBA: Educação e Contemporaneidade</journal-title>
				<abbrev-journal-title abbrev-type="publisher">Rev. FAEEBA - Ed. e
					Contemp.</abbrev-journal-title>
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			<issn pub-type="epub">2358-0194</issn>
			<publisher>
				<publisher-name>Universidade do Estado da Bahia</publisher-name>
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				>10.21879/faeeba2358-0194.2024.v33.n76.p366-371</article-id>
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				<subj-group subj-group-type="heading">
					<subject>ENTREVISTA</subject>
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			<title-group>
				<article-title>ENTREVISTA: CARLOS RODRIGUES BRANDÃO E FERNANDA PAULO</article-title>
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					<trans-title>Tema: Educação Popular, universidade e trajetória na
						educação</trans-title>
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					<contrib-id contrib-id-type="orcid">0000-0002-8022-9379</contrib-id>
					<name>
						<surname>Paulo</surname>
						<given-names>Fernanda dos Santos</given-names>
					</name>
					<bio>
						<p><sup>*</sup> Doutora em Educação. Docente da Universidade Federal do Rio
							Grande do Sul (UFRGS), campus Porto Alegre. Militante do MEP-AEPPA.
							Porto Alegre, Rio Grande do Sul, Brasil. E-mail:
								<email>fernandapaulofreire@gmail.com</email>
						</p>
					</bio>
					<xref ref-type="aff" rid="aff1"/>
				</contrib>
				<contrib contrib-type="author">
					<contrib-id contrib-id-type="orcid">0000-0001-5449-5991</contrib-id>
					<name>
						<surname>Brandão</surname>
						<given-names>Carlos Rodrigues</given-names>
					</name>
					<bio>
						<p><sup>**</sup> Doutor em Ciências Sociais. Professor da Universidade de
							Brasília e da Universidade Federal de Goiás e da Universidade Estadual
							de Campinas. Carlos Rodrigues Brandão deixou um legado marcante na
							Educação Popular e na Antropologia, no Brasil, até seu falecimento em
							julho de 2023, aos 83 anos.</p>
					</bio>
					<xref ref-type="aff" rid="aff2"/>
				</contrib>
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			<aff id="aff1">
				<institution content-type="orgname">Universidade Federal do Rio Grande do
					Sul</institution>
				<institution content-type="original">Universidade Federal do Rio Grande do
					Sul</institution>
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			<aff id="aff2">
				<institution content-type="orgname">Universidade Estadual de Campinas</institution>
				<institution content-type="original">Universidade Estadual de Campinas</institution>
			</aff>
			<pub-date date-type="pub" publication-format="electronic">
				<day>20</day>
				<month>11</month>
				<year>2025</year>
			</pub-date>
			<pub-date date-type="collection" publication-format="electronic">
				<year>2024</year>
			</pub-date>
			<volume>33</volume>
			<issue>76</issue>
			<fpage>366</fpage>
			<lpage>371</lpage>
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				</date>
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					<day>10</day>
					<month>09</month>
					<year>2024</year>
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					<license-p>Este é um artigo publicado em acesso aberto (Open Access) sob a
						licença Creative Commons Attribution, que permite uso, distribuição e
						reprodução em qualquer meio, sem restrições desde que o trabalho original
						seja corretamente citado.</license-p>
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		<p>
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			</fig>
		</p>
		<p>Em 10 de junho de 2016, tive o privilégio de realizar minha terceira entrevista
			presencial e ainda não publicada, com o Prof. Dr. Carlos Rodrigues Brandão, no aeroporto
			de Porto Alegre. Brandão, renomado por seu trabalho em Educação Popular, estava
			retornando de compromissos acadêmicos em Passo Fundo e Santa Maria, e aproveitamos essa
			oportunidade para uma conversa-orientação, acompanhada de uma entrevista, que durou
			algumas horas.</p>
		<p>Esta entrevista foi um marco inicial significativo para a minha pesquisa de doutorado
			intitulada <italic>Pioneiros e Pioneiras da Educação Popular Freiriana e a
				Universidade</italic>, que foi defendida em fevereiro de 2018, sob a orientação do
			Prof. Dr. Danilo Romeu Streck e a coorientação do próprio Brandão e desenvolvida no
			Programa de Pós-Graduação em Educação da Universidade do Vale do Rio dos Sinos -
			Unisinos.</p>
		<p>A conversa e entrevista com Brandão apresentada a seguir foi essencial para o
			delineamento teórico e metodológico da minha tese, proporcionando reflexões valiosas
			sobre a trajetória da Educação Popular freiriana no contexto universitário.</p>
		<sec>
			<title>Fernanda Paulo: Professor Brandão, você poderia contextualizar seus vínculos
				pessoais e profissionais com Paulo Freire e como isso influenciou sua trajetória na
				educação popular?</title>
			<p><bold>Carlos rodrigues Brandão:</bold> Convivi com Paulo Freire na Unicamp e fora
				dela entre encontros, congressos e eventos. Eu sempre considerei Paulo Freire um
				“educador do ato político”. Nossa convivência me ensinou muito sobre a vida.</p>
		</sec>
		<sec>
			<title>FP: Qual é a sua avaliação sobre o contexto e o momento da elaboração da obra de
				Freire, especialmente a Pedagogia do Oprimido?</title>
			<p><bold>Brandão:</bold> Paulo e sua equipe no Nordeste elaboraram um sistema completo
				de educação que antecipava uma “Universidade Popular”. Eles trabalhavam na
				Universidade do Recife antes do golpe militar de 1964, envolvidos com a “cultura
				popular”. A educação popular freireana emergiu intensamente durante o período de
				exílio de Paulo, expandindo-se por toda a América Latina. Mas, Fernanda, se você
				pegar o <italic>Pedagogia do Oprimido</italic>, não tem educação popular; educação
				popular vai começar a aparecer nos anos [19]70 e nos movimentos de cultura nos anos
				60, dez anos antes. Paulo Freire é apresentado como uma figura central nessa
				transição. Freire é a própria síntese do hibridismo do movimento de cultura e a
				Educação Popular: ele é o melhor retrato vivo disso porque o Paulo Freire - pegue
					<italic>Oprimido</italic> no exílio e nunca usou a expressão “educação popular”.
				Viajei pela América Latina disseminando o método Paulo Freire, e o meu
						livro<sup><xref ref-type="fn" rid="fn1">1</xref></sup>
				<italic>Educação Popular e Processo de Conscientização</italic> foi uma das
				primeiras obras a usar essa expressão. Você leu o livro e usou na dissertação sobre
				educadores populares.</p>
		</sec>
		<sec>
			<title>FP: Que concepções pedagógicas você considera centrais na Pedagogia do Oprimido?
				Faço estas perguntas sobre o Pedagogia do Oprimido porque fui desafiada pelo Danilo
				Streck a propor uma proposta metodológica a partir de Freire. Estou inclinada a
				trabalhar com esta obra.</title>
			<p><bold>Brandão:</bold> A concepção dialógica é central. Cada pessoa e cultura tem um
				valor único e original, e a educação deve ser um processo de diálogo entre seres
				humanos. Paulo Freire defendia que a educação deve ser libertadora, problematizadora
				e conscientizadora, capacitando as pessoas a ler criticamente o mundo ao seu redor.
				Eu conheço grandes teóricos, mas que tenham criado um sistema emancipatório e uma
				proposta concreta de uma educação e pedagogia libertadora, só o Paulo Freire. Digo,
				me apontem um que eu troco pelo Paulo Freire.</p>
		</sec>
		<sec>
			<title>FP: A Pedagogia do Oprimido é um método de ensino ou uma concepção de
				educação?</title>
			<p><bold>Brandão:</bold> Paulo Freire propôs um sistema de educação completo, que vai
				além de um método o <italic>Pedagogia do Oprimido</italic> - é a própria síntese do
				hibridismo desse momento. Por exemplo, ele faz uma leitura crítica que tem uma base
				marxista, mas ele nunca se apresenta como um teórico dialético ou marxista
				completamente.</p>
		</sec>
		<sec>
			<title>FP: Você foi um dos principais divulgadores da obra de Freire na América Latina.
				Poderia contar um pouco sobre essas experiências?</title>
			<p><bold>Brandão:</bold> A divulgação das ideias freirianas foi intensa. Paulo escreveu
					<italic>Pedagogia do</italic> de alfabetização. Mas veja, o “sistema Paulo
				Freire” propõe uma universidade popular. Ele parte de uma concepção humanista e
				crítica do ser humano como criador e transformador do mundo social. Sua pedagogia
				busca capacitar as pessoas a viver, aprender, compartilhar, pensar e transformar o
				mundo. Eu viajo muito, na Argentina, no Peru, no Equador, na Bolívia e outros
				países, o método Paulo Freire é mais divulgado do que o sistema Paulo Freire.</p>
		</sec>
		<sec>
			<title>FP: Quais são as diferenças entre uma “universidade Popular” e a “Popularização
				da universidade”?</title>
			<p><bold>Brandão:</bold> O Paulo Freire cria o sistema Paulo Freire... ele propõe uma
				universidade popular. Uma Universidade Popular é aquela que se abre democraticamente
				para incluir todas as classes e etnias, servindo a um projeto popular. Já a
				Popularização da Universidade, como conversamos no ano passado sobre teu interesse
				em escrever sobre essa diferença, refere-se à democratização do acesso sem
				necessariamente transformar a estrutura da instituição.</p>
		</sec>
		<sec>
			<title>FP: Como a educação popular pode contribuir para pensar a universidade
				hoje?</title>
			<p><bold>Brandão:</bold> A educação popular oferece uma visão crítica para a
				universidade, propondo uma instituição que sirva ao povo e ao projeto popular. É
				essencial que a universidade se coloque contra hegemonicamente frente à educação
				elitista, promovendo uma verdadeira democratização e transformação social a partir
				de um projeto que assuma a educação popular.</p>
		</sec>
		<sec>
			<title>FP: Como você avalia as críticas feitas ao legado de Paulo Freire na mídia e o
				que cabe aos educadores diante dessas críticas?</title>
			<p><bold>Brandão:</bold> Você leu e fez um levantamento da quantidade de teses, e se
				você pensar [no] mundo... porque, por exemplo, eu estive em vários países e é muito
				impressionante como esses países talvez tenham mais gente estudando e lendo Paulo
				Freire do que no Brasil; dizem que tem mais de Paulo Freire na Alemanha do que aqui,
				e Teatro do Oprimido também, que aqui quase não tem, então é muito impressionante
				ver como esse legado de Paulo está absolutamente vivo. Quando, por exemplo, eu estou
				em algum lugar e as pessoas dizem, ‘Pois é, Brandão, mas vocês ainda estão
				trabalhando com Paulo Freire, Paulo Freire é um pensador dos anos 60’ - Paulo Freire
				é um pensador dos anos 60, sim, mas atual. Eu digo, ‘Sabe por que eu estou
				trabalhando com ele ainda? Porque eu não encontrei outro melhor, vocês conhecem
				algum?’ (risos). As críticas a Paulo Freire são um reconhecimento de sua relevância
				e impacto. Em tempos de retrocessos, é importante que educadores voltem às bases da
				educação popular, resistindo criativamente e reafirmando os princípios freirianos de
				educação libertadora e conscientizadora.</p>
		</sec>
		<sec>
			<title>FP: Quais são os principais desafios que você identifica ao tentar implementar a
				educação popular em universidades?</title>
			<p><bold>Brandão:</bold> A educação popular e os movimentos sociais estão
				intrinsecamente ligados. Ambos buscam a transformação social e a emancipação dos
				oprimidos. Na atualidade, essa relação continua forte, com a educação popular
				servindo como uma ferramenta para a organização, conscientização e mobilização das
				comunidades em luta por direitos e justiça social.</p>
		</sec>
		<sec>
			<title>FP: Quais são algumas das suas publicações mais significativas sobre educação
				popular e qual o impacto que elas tiveram?</title>
			<p><bold>Brandão:</bold> Entre minhas publicações mais significativas estão
					<italic>Educação Popular e Processo de Conscientização</italic> e <italic>A
					Questão Política da Educação Popular</italic>. Essas obras ajudaram a disseminar
				as ideias da educação popular e elas têm sido usadas como referência por educadores
				e militantes em toda a América Latina.</p>
		</sec>
		<sec>
			<title>FP: Qual a importância da memória e da história na educação popular?</title>
			<p><bold>Brandão:</bold> A memória e a história são fundamentais na educação popular
				porque nos permitem aprender com as experiências passadas e construir uma identidade
				coletiva. Elas ajudam a resgatar e valorizar as lutas e conquistas dos movimentos
				sociais, além de inspirar as novas gerações a continuar a luta por uma sociedade
				mais justa e igualitária. Teu interesse por minhas cartas é um trabalho de memória
				de educação popular.</p>
		</sec>
		<sec>
			<title>FP: Como você avalia a evolução da educação popular desde os anos 60 até os dias
				de hoje?</title>
			<p><bold>Brandão:</bold> A educação popular evoluiu significativamente desde os anos 60,
				expandindo-se e adaptando-se às novas realidades sociais e políticas. Inicialmente
				focada na alfabetização e na conscientização, ela hoje abrange uma ampla gama de
				práticas educativas que promovem a participação ativa e a transformação social.
				Apesar dos desafios, a educação popular continua sendo uma força vital na luta por
				justiça social.</p>
		</sec>
		<sec>
			<title>FP: Como você vê o futuro da educação popular no Brasil e na América
				Latina?</title>
			<p><bold>Brandão:</bold> Vejo o futuro da educação popular com otimismo, apesar dos
				desafios. Acredito que ela continuará a se expandir e a se fortalecer, impulsionada
				pelos movimentos sociais, educadores populares e pelas novas gerações de educadores
				comprometidos com a justiça social. É importante manter viva a chama da educação
				popular, adaptando-a às novas realidades e necessidades, mas sempre fiel aos seus
				princípios de emancipação e transformação.</p>
		</sec>
		<sec>
			<title>Considerações cruzadas: entrevista e as Cartas de Carlos Rodrigues
				Brandão</title>
			<p>Para refletir sobre a entrevista de 2016 com Carlos Rodrigues Brandão e atualizá-la
				com base no livro que escrevi sobre <italic>Educação</italic></p>
			<p><italic>Popular nas Cartas do Educador Carlos Rodrigues Brandão: Contribuições para a
					Pedagogia Latino-Americana</italic>, apresentarei alguns apontamentos:</p>
			<p><bold>1. Vínculos com Paulo Freire e influência na educação Popular:</bold> Carlos
				Rodrigues Brandão menciona na entrevista que conviveu com Paulo Freire na UNICAMP e
				fora dela, aprendendo muito sobre a vida e a Educação Popular. Esse vínculo é
				reforçado no livro, onde se destaca a importância das cartas pedagógicas e da
				comunicação escrita entre educadores populares, entre eles Paulo Freire. Brandão era
				um escritor de cartas. Esse método de comunicação reforça a importância do diálogo e
				da construção coletiva do conhecimento, elementos centrais na Educação Popular
				freiriana.</p>
			<p><bold>2. Divulgação das ideias freirianas:</bold> A entrevista aborda a disseminação
				das ideias de Freire por Brandão na América Latina. No livro, essa divulgação é
				documentada através das cartas que mostram a partilha de conhecimentos e estratégias
				entre educadores populares. Brandão menciona que seu livro <italic>Educação Popular
					e Processo de Conscientização</italic> foi uma das primeiras obras a usar a
				expressão “educação popular”, indicando a importância de suas contribuições para o
				reconhecimento e formalização desse campo de estudo. No livro localiza-se uma Carta
				de Júlio Barreiro para Brandão, de 1979.</p>
			<p><bold>3. Concepções Pedagógicas centrais na <italic>Pedagogia do
					Oprimido:</italic></bold> A entrevista sublinha a concepção dialógica e a
				educação como processo de libertação. O livro reforça esses conceitos ao analisar as
				cartas de Brandão, que frequentemente discutem a importância do diálogo, da
				participação e da conscientização como métodos pedagógicos. As cartas revelam como
				essas ideias foram aplicadas em diferentes contextos e lugares, mostrando as teorias
				freirianas e a Educação Popular presentes na América Latina.</p>
			<p><bold>4. Universidade Popular e popularização da universidade:</bold> Brandão
				distingue entre uma universidade que serve aos interesses populares e a
				democratização do acesso sem mudanças estruturais. O livro contextualiza essa
				discussão através das cartas que discutem projetos de educação popular e a
				necessidade de transformar as instituições educacionais para que sirvam às
				comunidades de forma mais efetiva e transformadora. Ou seja,</p>
			<disp-quote>
				<p>Verificamos que as Cartas de Carlos Rodrigues Brandão, chamadas aqui de
					pedagógicas, trazem contribuições para a história da Educação Popular. As
					ideias, os sujeitos e os temas presentes revelam que pautas daquela época ainda
					são emergentes, tais como: Educação Popular na universidade, Educação Popular
					teórico-prática em todos os contextos educativos, e trabalhos de Educação
					Popular utilizando múltiplas linguagens são exemplos pontuais. (<xref
						ref-type="bibr" rid="B6">Paulo; Gaio, 2021</xref>, p. 84).</p>
			</disp-quote>
			<p><bold>5. Educação Popular e Movimentos Sociais:</bold> A entrevista destaca a ligação
				intrínseca entre Educação Popular e movimentos sociais. No livro, essa relação é
				documentada pelas cartas que mostram a colaboração entre educadores e lideranças
				comunitárias, reforçando a ideia de que a educação popular é uma ferramenta de
				organização e mobilização social. As cartas da década de 1980, em especial, versam
				sobre Movimentos Populares e participação política. Doa anos de 1960 e 1970, “são
				marcantes os movimentos de cultura e o Movimento de Cultura Popular (MCP), além do
				Centro Popular de Cultura (CPC) e do Movimento de Educação de Base (MEB).” (<xref
					ref-type="bibr" rid="B6">Paulo; Gaio, 2021</xref>, p. 76).</p>
			<p>A reflexão sobre a entrevista de 2016 com Brandão, à luz do livro <italic>Educação
					Popular nas Cartas do Educador Carlos Rodrigues Brandão</italic>, reforça a
				importância das cartas pedagógicas como instrumentos de diálogo e sistematização de
				experiências. As cartas de Brandão e Freire são memórias da Educação Popular,
				documentos históricos, e fontes importantes de conhecimento e inspiração para a
				história da Educação Popular. Elas nos ensinam sobre a importância do diálogo, da
				participação e da luta contínua por uma educação emancipatória e transformadora. As
				obras de Brandão e de Freire continuam sendo uma referência necessária para
				educadores que buscam promover justiça social e transformação através da
				educação.</p>
			<p>Da entrevista, podemos sinalizar a educação popular, fundamentada na concepção
				dialógica transformadora, promove o diálogo crítico entre educadores e educandos,
				capacitando-os a transformar suas realidades sociais e culturais. A categoria
				Educação Popular “Dialógica Transformadora” emergiu da constante ênfase de Carlos
				Rodrigues Brandão na importância do diálogo e da transformação social através da
				Educação Popular. Brandão, ao refletir sobre a influência de Paulo Freire e suas
				próprias experiências, destaca a centralidade do diálogo como método pedagógico e
				como instrumento de conscientização e emancipação. Essa abordagem teórica e
				metodológica valoriza as culturas e experiências dos educandos, envolvendo
				ativamente as pessoas na construção de conhecimento e na luta por justiça
				social.</p>
			<p>A entrevista com Carlos Rodrigues Brandão revela seu compromisso político,
				pedagógico, ético e estético com a educação popular, destacando a importância de uma
				abordagem dialógica e transformadora para a construção coletiva de uma sociedade
				mais justa e igualitária.</p>
		</sec>
	</body>
	<back>
		<fn-group>
			<fn fn-type="other" id="fn1">
				<label>1</label>
				<p> Carlos Rodrigues Brandão menciona que viajou pela América Latina disseminando o
					método Paulo Freire e que seu livro Educação Popular e Processo de
					Conscientização (o título correto é <italic>Educação Popular e
						Conscientização</italic> ) foi uma das primeiras obras a utilizar a
					expressão Educação Popular. Na minha tese (<xref ref-type="bibr" rid="B5">Paulo,
						2018</xref>), Brandão ressalta que o livro, assinado sob o pseudônimo Júlio
					Barreiro, foi instrumental na divulgação das ideias acerca da Educação Popular.
					Essa escolha pelo pseudônimo pode ser explicada pelo contexto político da época,
					pois o Brasil vivia sob uma ditadura militar, o que dificultava a publicação e
					circulação de textos críticos e pedagógicos que contestassem o regime. Brandão,
					em suas reflexões, contribuiu significativamente para a construção e o
					fortalecimento do conceito de Educação Popular, ampliando e articulando a
					prática freiriana em um movimento que transcendia as fronteiras nacionais.</p>
			</fn>
		</fn-group>
		<ack>
			<title>Agradecimentos</title>
			<p>Agradeço a publicação desta entrevista com Carlos Rodrigues Brandão, de extrema
				relevância para o Dossiê Temático 76: Educação Popular e Universidades
				Latino-Americanas, pois fornece uma forma bonita e carinhosa de estarmos mais
				próximos de Carlos Rodrigues Brandão a partir da integração entre a Educação Popular
				e a universidade, destacandoa importância da pedagogia de Paulo Freiree suas
				práticas dialógicas na transformação social. Brandão, com sua vasta experiência e
				envolvimento direto em movimentos de Educação Popular, oferece uma perspectiva
				histórica e esperançosa sobre os desafios e as possibilidades da curricularização e
				extensão popular nas universidades, alinhando-se com o objetivo do dossiê de
				problematizar e fortalecer o diálogo entre academia e movimentos sociais populares.
				Parabenizo as professoras Dr.ª Edite Maria da Silva de Faria (UNEB) e Dr.ª Ivanilde
				Apoluceno de Oliveira (UEPA) pelo importante trabalho.</p>
		</ack>
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			<title>REfERênCiAs</title>
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				<mixed-citation>BARREIRO, J. <bold>educação popular e conscientização</bold>. Trad.
					Carlos Rodrigues Brandão. Petrópolis: Vozes, 1980.</mixed-citation>
				<element-citation publication-type="book">
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							<surname>BARREIRO</surname>
							<given-names>J.</given-names>
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					<source>educação popular e conscientização</source>
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							<surname>Brandão</surname>
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					<year>1980</year>
				</element-citation>
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			<ref id="B2">
				<mixed-citation>BRANDÃO, C. R. <bold>O que é Método Paulo Freire</bold>. São Paulo:
					Brasiliense, 1981.</mixed-citation>
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							<surname>BRANDÃO</surname>
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					<source>O que é Método Paulo Freire</source>
					<publisher-loc>São Paulo</publisher-loc>
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					<year>1981</year>
				</element-citation>
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				<mixed-citation>BRANDÃO, C. R. (Org). <bold>A questão política da educação
						popular</bold>. 7. ed. São Paulo: Brasiliense: 1987.</mixed-citation>
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					<publisher-loc>São Paulo</publisher-loc>
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					<year>1987</year>
				</element-citation>
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				<mixed-citation>FREIRE, P. <bold>Pedagogia do Oprimido</bold>. Rio de Janeiro: Paz e
					Terra, 1994.</mixed-citation>
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					<year>1994</year>
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				<mixed-citation>PAULO, F. S. <bold>Pioneiros e pioneiras da educação Popular
						freiriana e a universidade</bold>. 2018. 268 f. Tese (Doutorado em Educação)
					- Universidade do Vale do Rio dos Sinos, São Leopoldo, RS,
					2018.</mixed-citation>
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				<mixed-citation>PAULO, F. S.; GAIO, A. <bold>educação popular nas cartas do educador
						Carlos Rodrigues Brandão:</bold> contribuições para a pedagogia
					latino-americana. Chapecó: Livrologia, 2021.</mixed-citation>
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					<source>educação popular nas cartas do educador Carlos Rodrigues Brandão:
						contribuições para a pedagogia latino-americana</source>
					<publisher-loc>Chapecó</publisher-loc>
					<publisher-name>Livrologia</publisher-name>
					<year>2021</year>
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