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				<journal-title>Revista da FAEEBA: Educação e Contemporaneidade</journal-title>
				<abbrev-journal-title abbrev-type="publisher">Rev. FAEEBA - Ed. e
					Contemp.</abbrev-journal-title>
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			<issn pub-type="epub">2358-0194</issn>
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				<publisher-name>Universidade do Estado da Bahia</publisher-name>
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			<article-id pub-id-type="doi"
				>10.21879/faeeba2358-0194.2024.v33.n76.p116-135</article-id>
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				<subj-group subj-group-type="heading">
					<subject>Artigo</subject>
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			<title-group>
				<article-title>PODERÁ A UNIVERSIDADE SER POPULAR? A EXPERIÊNCIA DA UNIVERSIDADE
					POPULAR DOS MOVIMENTOS SOCIAIS</article-title>
				<trans-title-group xml:lang="es">
					<trans-title>¿PUEDE LA UNIVERSIDAD SER POPULAR? LA EXPERIENCIA DE LA UNIVERSIDAD
						POPULAR DE LOS MOVIMIENTOS SOCIALES</trans-title>
				</trans-title-group>
			</title-group>
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				<contrib contrib-type="author">
					<contrib-id contrib-id-type="orcid">0000-0002-5518-3540</contrib-id>
					<name>
						<surname>Merladet</surname>
						<given-names>Fábio André Diniz</given-names>
					</name>
					<bio>
						<p><sup>*</sup> Doutor em Pós Colonialismos e Cidadania Global pela
							Universidade de Coimbra (UC). Pós doutorando na Universidade Federal do
							Estado do Rio de Janeiro (UNIRIO). Integrante do Grupo de Pesquisa
							“Conversas com Currículos nos Cotidianos das Universidadescolas”
							(ConCU). Rio de Janeiro, RJ. E-mail:
								<email>fabioandredm@hotmail.com</email>
						</p>
					</bio>
					<xref ref-type="aff" rid="aff1"/>
				</contrib>
				<contrib contrib-type="author">
					<contrib-id contrib-id-type="orcid">0000-0001-9341-076X</contrib-id>
					<name>
						<surname>Faria</surname>
						<given-names>Edite Maria da Silva de</given-names>
					</name>
					<bio>
						<p><sup>**</sup> Doutora em Educação e Contemporaneidade pela Universidade
							do Estado da Bahia (UNEB). Pós-doutorado na Universidade do Estado do
							Pará (UEPA). Líder do Grupo de Pesquisa GEPALE Bahia. Salvador, Bahia.
							E-mail: <email>edmsilva@uneb.br</email>
						</p>
					</bio>
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				</contrib>
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				<institution content-type="orgname">Universidade Federal do Estado do Rio de
					Janeiro</institution>
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					Janeiro</institution>
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			<pub-date date-type="pub" publication-format="electronic">
				<day>20</day>
				<month>11</month>
				<year>2025</year>
			</pub-date>
			<pub-date date-type="collection" publication-format="electronic">
				<year>2024</year>
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			<volume>33</volume>
			<issue>76</issue>
			<fpage>116</fpage>
			<lpage>135</lpage>
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					<day>12</day>
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					<year>2024</year>
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				<license license-type="open-access"
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					<license-p>Este é um artigo publicado em acesso aberto (Open Access) sob a
						licença Creative Commons Attribution, que permite uso, distribuição e
						reprodução em qualquer meio, sem restrições desde que o trabalho original
						seja corretamente citado.</license-p>
				</license>
			</permissions>
			<abstract>
				<title>RESUMO</title>
				<p>O presente artigo tem como objetivo compreender como se dão as relações entre a
					educação popular e a universidade, tendo como referência o estudo de caso
					alargado da Universidade Popular dos Movimentos Sociais (UPMS). Baseando-se nas
					epistemologias do Sul e na ecologia de saberes, é realizado um breve resgate
					histórico da educação popular, abordando o elitismo, colonialismo e a crescente
					mercantilização das universidades convencionais, bem como a pluralidade de
					experiências populares que têm sido desenvolvidas no ensino superior para, em
					seguida, apresentar a UPMS, demonstrando as divergências e convergências entre
					ela e as demais experiências. No relato da coautora e participante da UPMS, fica
					latente a importância da ecologia de saberes, da descolonização da universidade,
					assim como da produção coletiva e partilhada do conhecimento. O trabalho conclui
					defendendo que a experiência da UPMS pode oferecer contribuições para o desafio
					de se pensar uma universidade popular, por meio da busca de complementariedade
					entre a pedagogia do oprimido e a pedagogia da articulação, de modo a reinventar
					a proposta de Paulo Freire, atualizando-a diante dos desafios do presente.</p>
			</abstract>
			<trans-abstract xml:lang="es">
				<title>RESUMEN</title>
				<p>Este artículo tiene como objetivo comprender cómo se dan las relaciones entre
					educación popular y universidad, tomando como referencia el estudio de caso
					ampliado de la Universidad Popular de los Movimientos Sociales (UPMS). A partir
					de las epistemologías del Sur y de la ecología de saberes, se realiza una breve
					revisión histórica de la educación popular y se aborda el elitismo, el
					colonialismo y la creciente mercantilización de las universidades
					convencionales, así como la pluralidad de experiencias populares que han
					desarrollado en la educación superior para luego presentar la UPMS, demostrando
					las divergencias y convergencias entre esta y las otras experiencias. En el
					relato del coautor y participante de la UPMS está latente la importancia de la
					ecología del conocimiento, la descolonización de la universidad, así como la
					producción colectiva y compartida de conocimiento. El trabajo concluye
					argumentando que la experiencia de la UPMS puede ofrecer aportes al desafío de
					pensar una universidad popular, a través de la búsqueda de complementariedad
					entre la pedagogía de los oprimidos y la pedagogía de la articulación,
					reinventando la propuesta de Paulo Freire y actualizándola de cara a los
					desafíos del presente.</p>
			</trans-abstract>
			<kwd-group xml:lang="pt">
				<title>Palavras-chave:</title>
				<kwd>Educação popular</kwd>
				<kwd>Universidade popular</kwd>
				<kwd>Colonialidad;</kwd>
				<kwd>Democratização da educação.</kwd>
			</kwd-group>
			<kwd-group xml:lang="es">
				<title>Palabras clave:</title>
				<kwd>Educación popular</kwd>
				<kwd>Universidad Popular</kwd>
				<kwd>Colonialidad</kwd>
				<kwd>Democratización de la educación.</kwd>
			</kwd-group>
			<funding-group>
				<award-group>
					<funding-source>FAPERJ</funding-source>
					<award-id>SEI 260003/014861/2023</award-id>
				</award-group>
				<funding-statement>O presente trabalho foi realizado com o apoio e o financiamento
					do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) e da
					Fundação Carlos Chagas Filho de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio de Janeiro
					(FAPERJ), Processo SEI 260003/014861/2023.</funding-statement>
			</funding-group>
		</article-meta>
	</front>
	<body>
		<sec sec-type="intro">
			<title>Introdução<sup><xref ref-type="fn" rid="fn1">1</xref></sup></title>
			<p>Segundo Theodor <xref ref-type="bibr" rid="B2">Adorno (1995)</xref>, o processo
				educativo é o primeiro âmbito a ser questionado em uma transformação social
				emancipatória. No entanto, a pergunta expressa no título deste trabalho não tem
				resposta fácil e inequívoca. Será possível democratizar, deselitizar, descolonizar e
				desmercantilizar o ensino superior? Quais são as articulações possíveis entre a
				educação popular e a universidade? Em que condições a universidade pode ser popular?
				Há experiências exitosas que vão nesse sentido? Quais as contribuições que elas
				podem oferecer para esse desafio? Essas são as questões que nos levam a escrever
				este artigo, fruto de um estudo de caso alargado da Universidade Popular dos
				Movimentos Sociais (UPMS) e baseado nas epistemologias do Sul e na ecologia de
				saberes (<xref ref-type="bibr" rid="B36">Santos, 2007</xref> - 2018).</p>
			<p>Proposto por Michel <xref ref-type="bibr" rid="B7">Burawoy (1998)</xref>, o estudo de
				caso alargado é um método de investigação que parte da possibilidade de um caso
				específico ser capaz de explicar questões mais gerais, tendo como critérios de
				generalização não a quantidade e a uniformidade, mas a qualidade e a exemplaridade.
				Procuramos, assim, mediante o estudo de caso ampliado, explorar na UPMS os sinais e
				vestígios de sua potencial contribuição para a prática da ecologia de saberes e a
				defesa de uma universidade verdadeiramente popular que traga de volta ao horizonte
				de possibilidades os outros mundos possíveis como desejamos.</p>
			<p>No entanto, o caráter de inovação, subversão e experimentalismo da UPMS implica uma
				dificuldade metodológica: a dificuldade de como avaliar uma experiência que é mais
				avançada que os métodos disponíveis para analisá-la. Qualquer trabalho baseado nas
				epistemologias do Sul e na ecologia de saberes, justo porque presta conta a
				diferentes formas de conhecer o mundo, teria que ser flexível e plural do ponto de
				vista metodológico, embora seja justamente isso que a comunidade científica se negue
				a aceitar. Há, portanto, certa incompatibilidade entre a pluralidade metodológica
				baseada na ecologia de saberes, a lógica e os valores da produção de conhecimento
				dentro da universidade convencional, o que nos leva a esta situação paradoxal em que
				os métodos de investigação empregados são mais conservadores do que os da própria
				experiência investigada.</p>
			<p>Nas condições ideais de produção do conhecimento evocadas pelas epistemologias do
				Sul, este deveria ser um trabalho coletivo escrito a muitas mãos e baseado em muitas
				linguagens e muitos saberes. Reconhecendo as restrições institucionais que se
				colocam à produção do conhecimento e à democratização e à coletivização do processo
				de investigação, optamos por nos posicionar nas fronteiras, aceitando as regras do
				jogo e, ao mesmo tempo, nos esforçando por tencioná-las sempre que possível, na
				convicção de que profanar as normas é uma forma de subversão mais eficaz do que
				negá-las.</p>
			<p>Desse modo, utilizamos instrumentos de investigação como a revisão bibliográfica, a
				análise documental e a observação participante, mas também optamos por realizar uma
				pesquisa militante estabelecendo um compromisso crítico, ético e político com a
				experiência analisada<sup><xref ref-type="fn" rid="fn2">2</xref></sup>. É uma
				pesquisa porque não abre mão do rigor, da racionalidade e da objetividade
				científica, mas é também militante porque se propõe a ser objetiva, sem objetificar
				a realidade que estuda e porque foi realizada em função de ações e objetivos de
				transformação social progressista que estão para além dos objetivos acadêmicos que a
				pesquisa tradicional pressupõe.</p>
			<p>A discussão encontra-se dividida em seis partes: o primeiro ponto está dedicado a
				estabelecer um breve resgate histórico da educação popular no século XX que permita
				contextualizá-la no momento presente, encerrando com a descrição de diferentes
				vertentes da educação popular que, atualmente, compõe o que estamos a chamar de
				ecologia de práticas educativas. No segundo momento, é abordado criticamente o
				caráter conservador, colonial, patriarcal e elitista das universidades
				convencionais, bem como a atual tendência à sua crescente mercantilização. Na
				terceira parte, analisa-se a pluralidade de experiências que se concebem como
				populares no ensino superior, buscando compreender como se dão as relações entre a
				educação popular e a universidade, classificando as experiências populares de
				educação superior em quatro categorias: as universidades públicas progressistas, os
				programas e projetos de extensão contra-hegemônicos, as universidades populares do
				Norte e as universidades populares do Sul. Nos pontos quatro e cinco, a UPMS é
				apresentada como uma das experiências de universidades populares do sul e são
				abordadas, respectivamente, suas relações com a universidade convencional e com as
				universidades populares, demonstrando, sobretudo, as singularidades da UPMS em
				relação a elas. Finalmente, na sexta e última parte, para dar materialidade às
				discussões em torno da UPMS e de outras formas possíveis de se pensar a
				universidade, é apresentado o relato vivido da coautora como participante de uma das
				oficinas da experiência, no qual fica latente a importância da ecologia de saberes,
				da descolonização da universidade, bem como da produção coletiva e partilhada do
				conhecimento.</p>
		</sec>
		<sec>
			<title>1. A educação popular no século XX</title>
			<p>“Aos esfarrapados do mundo e aos que neles se descobrem e, assim, descobrindo-se, com
				eles sofrem, mas, sobretudo, com eles lutam”. Estas são as primeiras palavras de
				Paulo <xref ref-type="bibr" rid="B16">Freire (2011</xref> [1968], p. 05) em seu
				famoso livro “Pedagogia do Oprimido”, uma das obras fundadoras do que hoje
				conhecemos como educação popular. Até a década de 50, a perspectiva era a de
				popularizar a educação, concebendo-a “como extensão da escola dos setores médios
				urbanos às crianças dos setores ditos populares” (<xref ref-type="bibr" rid="B37"
					>Souza, 2007</xref>, p. 66), ou seja, popularizar significava tão somente
				ampliar o acesso à educação formal para aqueles que estavam à margem do sistema
				escolar e fora de qualquer processo educativo. Apesar das lutas pela escola pública,
				das sucessivas campanhas pela erradicação do analfabetismo e das experiências de
				universidades populares que forneciam educação de classe para operários nas
				primeiras décadas do século XX, a educação popular concentravase na questão da
				universalização do acesso à educação e era ainda entendida como uma “modalidade
				agenciada e profissional de extensão dos serviços da escola a diferentes categorias
				de sujeitos dos setores populares da sociedade” (<xref ref-type="bibr" rid="B5"
					>Brandão, 2006</xref>, p. 17).</p>
			<p>Só depois da II Guerra Mundial e a partir dos impactos causados pela vitória de
				Salvador Allende, no Chile, e pela Revolução Cubana e seus bem-sucedidos esforços na
				erradicação do analfabetismo é que surgem pela América Latina os movimentos de
				cultura popular, os centros populares de cultura e os movimentos de educação de
				base, resultando em uma ruptura com as práticas educativas dominantes.</p>
			<p>Esse contexto de grande agitação social pela América Latina permitiu que as décadas
				de 50 e 60 experimentassem grandes inovações sociais, como a teologia da libertação
				que, propondo a “opção pelos pobres”, inspirou a formação de milhares de comunidades
				eclesiais de base;<sup><xref ref-type="fn" rid="fn3">3</xref></sup> as propostas de
				“investigação-ação-participativa” de <xref ref-type="bibr" rid="B14">Fals Borda
					(1970</xref> e <xref ref-type="bibr" rid="B13">1972</xref>) que, desafiando as
				formas canónicas de pesquisa, insistiam na necessidade de articular os interesses
				científicos da universidade com os interesses sociais das comunidades pesquisadas,
				viabilizando a conversão do conhecimento científico produzido em transformação
				social para os excluídos; o “Teatro do Oprimido”, criado por Augusto Boal ao longo
				da década de 70, para ser utilizado como ferramenta de conscientização e mobilização
				social das comunidades, vilas, favelas e periferias; e a “Pedagogia do Oprimido” de
				Paulo Freire, que transformou completamente a concepção de educação popular,
				imprimindo nela um caráter dialógico, crítico e libertador.</p>
			<p>Tendo iniciado seus trabalhos com um método inovador de alfabetização de adultos
				através de círculos de cultura no interior do Nordeste brasileiro<sup><xref
						ref-type="fn" rid="fn4">4</xref></sup>, Paulo Freire tornou-se um dos
				pensadores mais notáveis da educação por propor sua pedagogia como uma nova forma de
				se conceber e construir as relações educativas, uma “pedagogia do oprimido” em que a
				educação deixa de estar vinculada somente à transmissão de conhecimentos e passa a
				ser um ato político de transformação social e de descolonização do saber. A educação
				popular passa então a se caracterizar como uma educação crítica, comprometida,
				participativa e orientada para a emancipação social dos oprimidos, um conjunto de
				“processos político-pedagógicos que buscam superar as relações de dominação,
				opressão, discriminação, exploração, iniquidade e exclusão” (<xref ref-type="bibr"
					rid="B21">Jara, 2010</xref>, p. 4) e que se esforçam para “construir relações
				equitativas e justas, respeitosas da diversidade e da igualdade de direitos entre as
				pessoas” (Ibid.).</p>
			<p>A característica fundamental da educação popular reside, portanto, na fusão entre
				educação e política através da mobilização e da conscientização dos oprimidos,
				vinculando a aquisição de saberes com projetos de transformação social. <xref
					ref-type="bibr" rid="B8">Carrillo (2009)</xref> e <xref ref-type="bibr"
					rid="B18">Gadotti (2012)</xref> chegam a afirmar que a educação popular é a
				contribuição teórica mais importante da América Latina para o pensamento pedagógico
				contemporâneo. Dessa concepção popular de educação surgiu ao longo do tempo uma
				verdadeira ecologia de práticas educativas, ou seja, múltiplas e diversificadas
				experiências contra-hegemônicas de ensino-aprendizagem, atualmente, compostas por
				pelo menos cinco diferentes vertentes da educação popular, são elas:</p>
			<list list-type="simple">
				<list-item>
					<p>a. Educação popular enquanto democratização do ensino: vertente composta por
						iniciativas que se preocupam fundamentalmente com a universalização da
						educação, ampliando o seu acesso às classes populares.</p>
				</list-item>
				<list-item>
					<p>b. Educação popular enquanto conscientização e formação política: aqui, temos
						o movimento dos intelectuais, com muita humildade, indo em direção aos
						oprimidos, ensinando-os, mas também aprendendo com eles. Essa é a forma como
						Paulo Freire mais a desenvolveu através dos círculos de cultura e como hoje
						convencionalmente se compreende a educação popular, geralmente voltada para
						a escolarização de jovense adultos, para a educação básica e para a formação
						de consciência política das classes populares.</p>
				</list-item>
				<list-item>
					<p>c. Educação popular enquanto método de investigação: essa é a vertente da
						educação popular desenvolvida por Orlando <xref ref-type="bibr" rid="B13"
							>Fals Borda (1972)</xref>, Michel <xref ref-type="bibr" rid="B40"
							>Thiollent (1985)</xref>, Carlos Rodrigues <xref ref-type="bibr"
							rid="B6">Brandão (1983)</xref> e muitos outros pensadores progressistas,
						com o objetivo de vincular organicamente a pesquisa acadêmica com os anseios
						de transformação social dos oprimidos, tendo na
						investigação-ação-participativa o seu principal instrumento.</p>
				</list-item>
				<list-item>
					<p>d. Educação popular enquanto política pública: neste caso, temos as
						iniciativas desenvolvidas pelo Estado, na tentativa de incorporar a educação
						popular como política pública institucionalizada e como metodologia de
						programas de participação social e de interlocução do Estado com a
						sociedade, como os orçamentos participativos, os conselhos nacionais e as
						conferências nacionais.</p>
				</list-item>
				<list-item>
					<p>e. Educação popular enquanto ensino superior: vertente que se esforça por
						estabelecer relações entre a educação popular e a universidade, concebendo
						experiências populares de educação superior.</p>
				</list-item>
			</list>
			<p>Paulo Freire e o movimento de educação popular como um todo se concentraram de forma
				muito mais consistente nos processos de alfabetização e educação básica do que na
				relação entre a educação popular e a universidade, de modo que apenas nas últimas
				décadas o campo se abriu para novas e ousadas experimentações de ensino superior
				popular que, como veremos mais adiante, designamos como “universidades populares do
				Sul”.</p>
			<p>Para analisá-las, abordaremos, primeiro, o caráter conservador, colonial, patriarcal
				e elitista das universidades convencionais, fazendo, em seguida, um breve resgate
				histórico das universidades populares até o surgimento das universidades populares
				do Sul para, finalmente, descrever a Universidade Popular dos Movimentos Sociais
				comparando-a com as demais experiências.</p>
		</sec>
		<sec>
			<title>2. Elitismo universitário, colonialismo e mercantilização do ensino
				superior</title>
			<p>A ciência moderna tem sido, desde suas origens, profundamente colonial e a sua
				articulação com o colonialismo, o capitalismo e o patriarcado criou as condições
				para a construção de um império cognitivo global<sup>5</sup>, cuja instituição que
				melhor o expressa é a universidade. A universidade moderna foi, desde suas origens,
				concebida como tendo por finalidade a formação das elites nacionais e, nos países do
				Sul, a tendência geral foi de reprodução das universidades do Norte, criando
				“instituições predominantemente brancas, segregadas e racistas, dedicadas a
				reproduzir exclusivamente o modelo de conhecimento eurocêntrico moderno” (Carvalho;
				Florez, 2014, p. 41), sendo, portanto, raros os casos de estabelecimento de vínculos
				com os setores populares da sociedade.</p>
			<p>Esse histórico elitismo da universidade, que se esconde por detrás do discurso da
				excelência, da neutralidade e da meritocracia, traduziu-se ao longo dos séculos em
				discriminação de classe, raça e gênero, tanto no seu corpo docente e discente, como
				em sua forma de funcionamento e nos conteúdos dos currículos, disciplinas e
				pesquisas que nela têm lugar, gerando uma profunda exclusão epistêmica. Desse modo,
				embora tenha o costume de se apresentar como vanguarda, a universidade, enquanto
				instituição carrega um inegável histórico colonial, que de maneiras por vezes
				insuspeitadas, segue se reproduzindo no presente. <xref ref-type="bibr" rid="B10"
					>Carvalho (2011)</xref> nos chama a atenção para o fato de que o auge da
				expansão das universidades e da consolidação das disciplinas no campo das ciências
				sociais coincidiu com o auge do colonialismo e, na América Latina, uma
				característica fundamental da educação superior foi “consolidar instituições
				acadêmicas que funcionam como réplicas das universidades criadas na Europa do século
				XIX” (<xref ref-type="bibr" rid="B9">Carvalho; Flórez, 2014</xref>, p. 131).</p>
			<p>Esse caráter colonial da universidade tem, como veremos, enfrentado resistências, mas
				nas últimas décadas, passou a se associar com uma forte orientação da universidade
				para o mercado, tanto pela via da pressão exercida pela expansão das instituições
				privadas de pesquisa e ensino superior, quanto pela via da mercantilização das
				universidades públicas. Desde que os organismos internacionais viram no ensino
				superior uma nova fronteira de expansão do capitalismo, a universidade tem
				experimentado uma mercantilização sem precedentes, assemelhando-se cada vez menos a
				uma instituição pública de produção do saber a serviço da sociedade e cada vez mais
				a uma empresa prestadora de serviços, regida pelos critérios de eficiência e de
				lucratividade do capitalismo. <xref ref-type="bibr" rid="B35">Santos (2018)</xref>
				designa esse fenômeno como o avanço do “capitalismo universitário”, argumentando que
				nas últimas décadas a universidade, além de produzir conhecimento, serviços e
				profissionais para o mercado, tem, ela própria, se transformado em um mercado do
				ensino superior.</p>
			<p>Diante desse quadro, poderá a universidade ser popular? Eis aqui uma pergunta forte
				de nosso tempo para a qual não há ainda uma resposta plenamente satisfatória. Em tal
				contexto, de um ensino superior elitista, colonial e cada vez mais orientado para o
				mercado, a ideia de uma universidade popular parece soar como um paradoxo. No
				entanto, é da constatação da indisponibilidade da universidade para os oprimidos que
				surgem as experiências populares de ensino superior.</p>
		</sec>
		<sec>
			<title>3. A pluralidade de experiências populares no ensino superior</title>
			<p>Há hoje uma ampla gama de experiências de universidades que se concebem como
				“populares” ao redor do mundo, criadas por uma pluralidade de atores dos mais
				variados espectros ideológicos e com os mais diversos objetivos, o que nos leva a
				questionar os diferentes significados que vêm sendo atribuídos à expressão
				“universidade popular”: uma universidade é popular porque, contrariamente ao
				elitismo e às exclusões predominantes nas universidades convencionais, se baseia no
				direito de todos ao ensino superior público, universal e gratuito? É popular porque
				abre a universidade convencional para a entrada das classes populares? É popular
				porque leva os conhecimentos científicos aos desfavorecidos? É popular porque
				fornece uma educação para o povo com o objetivo de capacitar tecnicamente recursos
				humanos para o mercado de trabalho? É popular porque dialoga com os saberes que vêm
				do povo e se esforça para produzir conhecimento junto com eles? Ou é popular porque
				foi concebida e levada adiante pelo próprio povo, comunidades, organizações ou
				movimentos para defender, produzir e transmitir seus próprios saberes? É popular
				porque aspira à inclusão de todos no ensino superior, porque difunde o conhecimento
				hegemônico para as classes populares, porque está vinculada a concepções
				emancipatórias de luta e de transformação social, ou porque é concebida e levada
				adiante pelos oprimidos?</p>
			<p>A quantidade, a pluralidade e a fluidez das iniciativas populares no ensino superior
				são enormes, o que torna difícil estabelecer critérios para classificá-las. No
				entanto, para facilitar a compreensão neste trabalho, classificamos as experiências
				populares de educação superior em quatro categorias<sup><xref ref-type="fn"
						rid="fn6">6</xref></sup>, são elas:</p>
			<list list-type="simple">
				<list-item>
					<p>a. Universidades públicas progressistas;</p>
				</list-item>
				<list-item>
					<p>b. Programas e projetos de extensão contra-hegemônicos;</p>
				</list-item>
				<list-item>
					<p>c. Universidades populares do Norte;</p>
				</list-item>
				<list-item>
					<p>d. Universidades populares do Sul.</p>
				</list-item>
			</list>
			<sec>
				<title>3.1. Universidades públicas progressistas</title>
				<p>As universidades públicas progressistas são experiências estatais e
					institucionalizadas de universidades não convencionais que tentam subverter a
					concepção canônica de universidade, imprimindo nela um caráter popular na aposta
					de que a democratização da sociedade passa pela democratização do conhecimento.
					São “universidades polifônicas” (<xref ref-type="bibr" rid="B35">Santos,
						2018</xref>), universidades que, além de possuírem um profundo compromisso
					social com os excluídos, assumem tal compromisso de forma pluralista, abrindo
					espaço para o diálogo com outros saberes através de projetos, de ideias e de
					experimentações inovadoras.</p>
				<p>Ainda no início do século XX, uma enorme rebelião estudantil eclodiu na
					Universidade Nacional de Córdoba - Argentina. Em tom épico e confrontativo, os
					estudantes denunciaram a herança colonial da universidade, convocando toda a
					América para a necessidade de um outro projeto de educação superior. A “Reforma
					universitária” defendida pelo movimento estudantil de Córdoba, que ousou propor
					uma universidade democrática, comprometida e engajada com a justiça social, teve
					impacto em toda a América Latina, influenciando diversas iniciativas de
					universidades públicas progressistas, a ponto de ser referida como o “modelo de
					Córdoba” para o ensino superior.<sup><xref ref-type="fn" rid="fn7"
						>7</xref></sup> Defendendo a autonomia universitária, a eleição democrática
					de autoridades da universidade, as cátedras livres, o ensino gratuito, a
					assistência social aos estudantes, a democratização do ingresso no ensino
					superior, a extensão universitária e o fortalecimento do compromisso e da
					responsabilidade social da universidade (<xref ref-type="bibr" rid="B33">Rubião,
						2013</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="B41">Tunnermann, 1998</xref>; <xref
						ref-type="bibr" rid="B34">Sader, Gentili, Aboites, 2008</xref>), a reforma
					universitária do movimento de Córdoba não foi tudo o que desejou ser, nem
					tampouco permitiu que a universidade seguisse da mesma maneira, trazendo para o
					imaginário das lutas sociais a possibilidade de uma universidade pública
							progressista<sup><xref ref-type="fn" rid="fn8">8</xref></sup>.</p>
				<p>No Brasil, a Universidade Nacional de Brasília (UnB), concebida por Anísio
					Teixeira e levada adiante por Darcy Ribeiro, nasce na década de 60 com uma
					grande esperança de colocar em prática a proposta de uma nova universidade, a
					“universidade necessária” (<xref ref-type="bibr" rid="B30">Ribeiro,
					1969</xref>), capaz de incorporar os princípios de democracia, inclusão e
					compromisso social da reforma universitária. Embora a ousadia, a inovação e o
					espírito emancipador do novo projeto de universidade tenham sido prematuramente
					desarticulados em 1964, pela Ditadura militar, as ideias de Anísio Teixeira e de
					Darcy Ribeiro, bem como a luta por uma universidade pública progressista,
					voltaram a ter lugar na “Universidade Nova”, proposta por Naomar de Almeida-
					Filho (2007) e que teve a sua implementação mais consistente na Universidade
					Federal do Sul da Bahia (UFSB), criada em 2013.</p>
				<p>Além da UFSB, foram também recentemente criadas no Brasil: a Universidade Federal
					da Fronteira Sul (UFFS), que desde 2009, tem como lema a “educação de qualidade
					para todos” e se auto intitula “uma instituição de ensino superior pública,
					popular e de qualidade” (<xref ref-type="bibr" rid="B42">UFFS, 2018</xref>); a
					Universidade da Integração Latino Americana (UNILA), voltada para a cooperação
					solidária, o intercambio acadêmico e a integração regional dos países da América
					Latina; e a Universidade da Integração Internacional da Lusofonia
					Afro-Brasileira (UNILAB), baseada nas promoção de ações afirmativas contra a
					discriminação étnico-racial e na integração com os países de língua portuguesa
					do continente africano, além de estar sediada em Redenção, uma pequena cidade no
					interior do Nordeste brasileiro, escolhida pelo valor simbólico de haver sido a
					primeira cidade do país a abolir a escravidão.</p>
				<p>Em Cuba, a Escola Latino-Americana de Medicina (ELAM) é, desde 1998, uma
					referência em todo o mundo, em função da cooperação internacional solidária que
					pratica, fornecendo formação médica humanista para os filhos de trabalhadores,
					camponeses, afrodescendentes, indígenas e integrantes de movimentos sociais de
					toda a América Latina e Caribe (<xref ref-type="bibr" rid="B1">Abba; Corsetti,
						2016</xref>).</p>
				<p>Na Bolívia, o governo de Evo Morales incentivou a criação de três universidades
					públicas indígenas orientadas para a descolonização do ensino superior e com
					enfoque comunitário: a Universidade Indígena Boliviana (UNIBOL) Guaraní e Povos
					das Terras Baixas “Apiaguaiki Tüpa”, a UNIBOL Aymara “Tupak Katari” e a UNIBOL
					Quechua “Casimiro Huanca”. No México, há diversas universidades públicas com o
					objetivo de oferecer uma educação popular, como a Universidade Autônoma do
					Estado de Morelos (UAEM), ou intercultural, como a Universidade Autônoma
					Indígena do México (UAIM).</p>
				<p>Esses são apenas alguns exemplos que ilustram um movimento relativamente novo e
					ascendente de experiências de universidades públicas progressistas com uma
					orientação popular e polifônica. Além disso, na contramão do elitismo e da
					mercantilização das universidades, houve nas últimas décadas importantes
					políticas de inclusão e democratização do ensino superior em muitos países da
					América Latina, como a política brasileira de cotas e ações afirmativas para
					negros, indígenas e estudantes de escolas públicas. A grande questão em relação
					às universidades públicas progressistas está, no entanto, em compreender “até
					que ponto uma universidade pública, burocraticamente organizada, focada no
					conhecimento científico e orientada para conceder diplomas pode, de fato, ser
					considerada popular” (<xref ref-type="bibr" rid="B35">Santos, 2018</xref>).</p>
			</sec>
			<sec>
				<title>3.2. Programas e projetos de extensão contra-hegemônicos</title>
				<p>Contrariamente aos programas e projetos de extensão neoliberais, que estabelecem
					o diálogo e a cooperação com o mercado, reduzindo a extensão a uma forma de
					gerar receitas para a universidade, os programas e projetos de extensão
					contra-hegemônicos se esforçam para criar uma extensão popular, solidária e
					socialmente comprometida, não com o mercado, mas com as populações
					excluídas.</p>
				<p>Com menos estrutura e recursos, mas em compensação com uma autonomia e margem de
					subversão maiores que as universidades públicas progressistas, existem muitos
					programas e projetos de extensão que, mesmo existindo em universidades
					tradicionais e, por vezes, extremamente conservadoras, conseguem criar espaços
					contra-hegemônicos de diálogo, interação, aprendizagem e compromisso entre
					intelectuais, estudantes, organizações, movimentos e comunidades locais, como:
					os cursos de <italic>Pedagogia da Terra</italic> e <italic>Licenciatura
						indígena</italic>, concebidos e realizados em parceria entre universidades e
					movimentos sociais; o <italic>Direito achado na rua</italic>, que parte da
					subversiva ideia de que é preciso buscar o Direito na rua, nos espaços públicos,
					nas reivindicações das populações marginalizadas, nos movimentos sociais que
					lutam por dignidade e justiça e não apenas nas instituições e no Estado, como
					prevê o Direito positivista; o <italic>Programa Polos de Cidadania</italic>, que
					junto com as comunidades periféricas busca orientar o Direito a serviço da
					transformação social; o projeto <italic>Encontro de Saberes</italic>, que
					promove o diálogo entre os saberes acadêmicos e os saberes tradicionais através
					do reconhecimento de mestres populares como professores nas universidades (com
					toda a complexidade, dificuldades, problemas e resistências que tal ousadia
							implica)<sup><xref ref-type="fn" rid="fn9">9</xref></sup>, o
						<italic>Observatório da Política Nacional de Saúde Integral das Populações
						do Campo, Floresta e Águas</italic> (OBTEIA), que promove pesquisas
					engajadas com demandas sociais desenvolvidas em coautoria entre intelectuais
					acadêmicos e ativistas dos movimentos; e a <italic>Rede Sul-Sul</italic>, um
					programa intercultural e contra-hegemônico de reflexão, formação e ação
					integradora dos povos e saberes do Sul que estão ainda em fase embrionária. Isso
					apenas para ilustrar a diversidade de propostas e programas que estão a ser
					desenvolvidos nesse campo, além dos muitos projetos de economia solidária, de
					assessoria jurídica popular, de educação popular e de
					investigação-ação-participativa, levados adiante por grupos de extensão das
					universidades em toda a América Latina.</p>
			</sec>
			<sec>
				<title>3.3. Universidades populares do Norte</title>
				<p>As universidades populares do Norte são experiências de universidades populares
					que surgiram, sobretudo, na Europa, e que possuem em comum o objetivo de
					difundir o conhecimento acadêmico e a ciência moderna às classes populares.</p>
				<p>No final do século XIX e início do século XX, surgem na Europa Central, sobretudo
					na França, Inglaterra, Alemanha, Bélgica e Itália, diversas universidades
					populares criadas por intelectuais anarquistas, comunistas e de partidos
					operários, com o objetivo de disseminar conhecimentos técnicos ao povo (<xref
						ref-type="bibr" rid="B20">Gurgel, 1986</xref>). A primeira universidade
					popular surgiu em 1899, na cidade de Paris e, quase que simultaneamente, em
					1901, foi criada no Egito a Universidade Popular de Alexandria, fundada por
					trabalhadores anarquistas italianos e gregos que não tinham acesso à
					universidade (<xref ref-type="bibr" rid="B19">Gorman, 2005</xref>). A ideia
					encontrou campo fértil na Europa e, nas primeiras décadas do século XX, foram
					criadas mais de 200 universidades populares que, em muitos casos, eram
					basicamente espaços comunitários ou de sindicatos em que intelectuais
					progressistas disponibilizavam o seu tempo para fornecer conhecimentos gerais
					aos operários.</p>
				<p>Apesar dos vertiginosos problemas sociais amplificados pelo avanço da
					industrialização capitalista, no princípio do século XX, está toda a confiança
					epistemológica na modernidade ocidental, na razão e no conhecimento científico
					como fonte única e exclusiva de verdade e liberdade. Desse modo, muitas das
					iniciativas de universidades populares da Europa foram movidas pela aspiração de
					educar as populações desfavorecidas, levando a cultura marxista e o conhecimento
					científico às classes populares que se encontravam completamente excluídas da
					educação formal<sup>10</sup>.</p>
				<p>Muitas das universidades populares criadas ao longo do século XX existem até hoje
					e há até mesmo redes de universidades populares na Europa, como a Associação de
					Universidades Populares da França (AUPF), que reúne mais de 80 universidades
					populares francesas<sup><xref ref-type="fn" rid="fn11">11</xref></sup>. Além
					disso, não sendo uma metáfora territorial, mas sim epistemológica, podemos dizer
					que as universidades populares do Norte influenciaram muitas iniciativas não só
					na Europa, mas também na América Latina, como a Universidade Popular Gonzáles
					Prada, proposta por Mariátegui, em 1922, as muitas escolas sindicais espalhadas
					pelo continente e as experiências educativas de formação de quadros dos partidos
					marxistas.</p>
			</sec>
			<sec>
				<title>3.4. Universidades populares do Sul</title>
				<p>As experiências, práticas e objetivos das universidades populares do Norte e do
					Sul são muito distintos: enquanto as universidades populares do Norte estão
					marcadas pela pretensão de ilustrar as comunidades e populações carentes (<xref
						ref-type="bibr" rid="B38">SOUZA, 2005</xref>: 255) e preocupadas com a
					educação de adultos, com a formação profissional e com a disseminação do saber,
					da cultura e da ciência gerados na universidade convencional (<xref
						ref-type="bibr" rid="B28">OSORIO, 2006</xref>: 137); as universidades
					populares do Sul, fortemente influenciadas pela educação popular, pela
					interculturalidade e pelas lutas concretas das populações excluídas, surgem da
					necessidade dos coletivos, das comunidades e dos movimentos de se afirmarem e de
					produzirem seus próprios saberes e conhecimentos, sistematicamente ignorados e
					descredibilizados pela universidade convencional. Designadas por <xref
						ref-type="bibr" rid="B4">Benzaquen (2012)</xref> como “universidades dos
					movimentos sociais”, por Daniel <xref ref-type="bibr" rid="B24">Mato
						(2009)</xref> como “instituições interculturais de ensino superior” e por
						<xref ref-type="bibr" rid="B35">Santos (2018)</xref> como “universidades
					populares de segunda geração”, as iniciativas que estamos a classificar como
					universidades populares do Sul são, em geral, universidades recentes, concebidas
					e desenvolvidas nas últimas décadas pelos próprios movimentos sociais para
					produzir e transmitir, de forma autônoma e intercultural, seus próprios saberes,
					valores, cosmovisões e conhecimentos, com seus próprios métodos, pedagogias e
					objetivos.</p>
				<p>Reclamando para si o status de universidade, as universidades populares do Sul
					vão fazer aquilo que as universidades institucionalizadas não podem, não querem
					ou não são capazes de fazer. Diferentemente das universidades populares do
					Norte, elas se constroem fora dos moldes das universidades convencionais e, ao
					invés de pretender estender o conhecimento produzido pela universidade às
					classes populares, são espaços que contribuem para desconstruir a suposta
					universalidade do saber acadêmico, tencionando a lógica monocultural de produção
					do conhecimento científico, confrontando-o com outros saberes e utilizando-o de
					forma contra-hegemônica.</p>
				<p>Há uma multiplicidade de experiências de universidades populares do Sul sendo
					desenvolvidas em diversos países do Sul global. No Brasil, tem tido grande
					repercussão e crescente importância a Escola Nacional Florestan Fer nandes
					(ENFF), construída pelo Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) para
					a formação política de seus militantes, e que recebe também ativistas de
					movimentos sociais do Brasil e de diversos países do mundo (<xref
						ref-type="bibr" rid="B15">Fernandes, 2007</xref>; <xref ref-type="bibr"
						rid="B4">Benzaquen, 2012</xref>). Na Argentina, tem tido sucesso a
					Universidade Popular das Mães da Praça de Maio (UPMPM), uma universidade de luta
					e de resistência idealizada e levada adiante pelas mães de jovens assassinados
					durante a Ditadura militar argentina com o objetivo de produzir coletivamente
					conhecimentos engajados com a transformação social. No Equador, é uma referência
					fundamental de resistência a Universidade Intercultural das Nacionalidades e
					Povos Indígenas “Amawtay Wasi“, criada pelos movimentos indígenas andinos. Na
					Colômbia, há diversas iniciativas como a Universidade dos Povos e a Universidade
					Campesina de Resistência Civil, erguidas por movimentos que lutam pela paz e
					pela justiça em zonas de conflito e guerrilha; e a Universidade Autônoma
					Indígena Intercultural (UAIIN), criada pelo Conselho Regional Indígena do Cauca
					(CRIC), na busca por construir um sistema educativo próprio, compatível com as
					necessidades e cosmovisões das comunidades locais e capaz de conjugar a
					sabedoria dos povos indígenas com os conhecimentos <sup>de outras
						culturas.12</sup> No México, o movimento zapatista tem levado adiante a
					Universidade da Terra (UNITIERRA), que nasceu em 1999 da constatação dos povos
					indígenas de Chiapas de que a escola tem sido o principal instrumento do Estado
					para destruir as suas comunidades, sendo, portanto, necessária a criação de um
					sistema educacional alternativo, profundamente enraizado nos saberes das
					comunidades locais e nos processos de transformação social e política da região.
						(<xref ref-type="bibr" rid="B43">Unitierra, 2018</xref>; <xref
						ref-type="bibr" rid="B4">Benzaquen, 2012</xref>). Na Argélia, a Universidade
					Popular de Tifariti tem a ousada singularidade de estar localizada nos campos de
					refugiados da fronteira com o Sahara Ocidental e de ter como missão a produção
					de conhecimentos para a libertação e autodeterminação do povo saharaui. Na
					Índia, desde 1972, existe a Universidade dos Pés Descalços que, inspirada pelos
					princípios de Mahatma Gandhi, oferece cursos profissionais construídos junto com
					as comunidades locais do Rajasthan; e a Universidade Tibetana no Exílio, criada
					pelos monges tibetanos exilados no Norte da Índia (<xref ref-type="bibr"
						rid="B9">Carvalho; Flórez, 2014</xref>)<sup><xref ref-type="fn" rid="fn13"
							>13</xref></sup>.</p>
				<p>Apesar de sua enorme diversidade, todas estas experiências e iniciativas têm em
					comum a negação da legitimidade exclusiva do conhecimento científico; a crítica
					à universidade convencional, ocidental, moderna, colonial, patriarcal e
					mercantilizada; a aposta na construção de modelos contra-hegemônicos de
					educação; a promoção, valorização e produção coletiva de saberes populares; e a
					abertura para o diálogo, o reconhecimento e a interculturalidade. É nessa
					pluralidade de experiências não convencionais de universidades populares do Sul
					que se encontra a Universidade Popular dos Movimentos Sociais (UPMS), com as
					singularidades que veremos a seguir.</p>
			</sec>
		</sec>
		<sec>
			<title>4. A UPMS e a universidade convencional</title>
			<p>A UPMS nasceu em janeiro de 2003, durante a 3ª edição do Fórum Social Mundial (FSM),
				a partir da identificação de uma ausência de conhecimento recíproco entre movimentos
				sociais, organizações não governamentais e academia e com o objetivo de promover a
				partilha de saberes para ampliar, articular e fortalecer as lutas sociais. É
				compreensível que a UPMS cause estranhamento, dado que praticamente nada nela lembra
				a educação convencional.</p>
			<p>Estamos a falar de uma experiência educativa que não tem professores nem alunos; não
				possui sede física nem quaisquer bens em seu nome; não tem grades curriculares nem
				conteúdos programáticos; não oferece aulas, disciplinas ou quaisquer cursos de
				formação, e a condição para participar de suas atividades é o ativismo social e não
				o mérito acadêmico. Funcionando no modelo de oficinas temáticas, que duram de dois a
				três dias e que consistem em reuniões presenciais de trabalho intensivo com períodos
				de discussão, estudo, trabalho coletivo, lazer e socialização, a UPMS tem
				demonstrado ser uma experiência pedagógica, epistemológica e política de
				aprendizagem recíproca, de produção coletiva de conhecimentos contra-hegemônicos e
				de articulação da diversidade de saberes e práticas que se erguem a favor da
				dignidade e contra a opressão e a injustiça.</p>
			<p>Existindo fora da estrutura da universidade convencional e propondo uma nova forma de
				lidar com o conhecimento, é curioso que a UPMS reivindique o título de
				“universidade”, pois nada nela lembra a estrutura institucional, burocrática e
				hierárquica das universidades. A apropriação do nome é uma forma de criar uma
				disputa política em torno do seu significado, dos seus fins e da sua forma de
				interagir com a sociedade. Assim, a UPMS subverte o termo “universidade” para nele
				imprimir um caráter popular e contra-hegemônico. É uma universidade porque transmite
				e produz conhecimentos, mas não nos moldes que a ciência se propõe a transmitir e
				produzir. Legitima outras formas de produção do conhecimento. A reivindicação do
				status de universidade cria a possibilidade de afirmar que o conhecimento produzido
				pelas lutas sociais está no mesmo patamar que o conhecimento produzido pela
				universidade convencional.</p>
			<p>Baseado nas epistemologias do Sul, o projeto contra-hegemônico de universidade da
				UPMS parte do princípio de que é preciso descolonizar, despatriarcalizar,
				desmercantilizar e democratizar, tanto a universidade, quanto o conhecimento e os
				currículos por ela produzidos (<xref ref-type="bibr" rid="B26">Merladet, Reis,
					Sussekind, 2020</xref>). Descolonizar significa combater a discriminação racial,
				o racismo institucional e a colonialidade do saber produzido pela universidade em
				todas as suas múltiplas formas. Para além do “ensino, pesquisa e extensão”, a
				universidade precisa também aprender com a diversidade do mundo, deixando de
				conhecer “sobre” o Outro, para conhecer “com” o Outro. Desse modo, a UPMS tem
				firmado acordos e convênios com programas e projetos de extensão populares para
				realizar oficinas em que a extensão ocorre ao contrário, ou seja, não é a
				universidade que estende o seu saber aos que nada sabem, mas os grupos sociais
				excluídos é que estendem os seus saberes historicamente deslegitimados, ocupando com
				eles a universidade.</p>
			<p>Despatriarcalizar significa combater o machismo e a desigualdade de gênero que ainda
				perdura nas universidades, considerando inaceitável toda e qualquer discriminação
				sexual e todo e qualquer conhecimento que sugira ou resulte na subalternização
				feminina. Concretamente, os movimentos feministas têm sido os grandes promotores das
				oficinas da UPMS, que são sempre compostas por um número igual ou maior de mulheres
				em relação a homens. Nas atividades da UPMS, a pluralidade de movimentos feministas
				encontra a oportunidade de dialogar, não apenas entre si, mas também com uma imensa
				diversidade de outras lutas sociais, enriquecendo essas outras lutas com os
				questionamentos feministas e também se enriquecendo com os questionamentos das
				demais alternativas e formas de resistência.</p>
			<p>Desmercantilizar significa combater o direcionamento que o capital pretende dar à
				universidade, indo na contramão não só das políticas de privatização e
				mercantilização da universidade, mas também de sua orientação para a produção de
				conhecimento, técnicas e mão de obra especializada para o mercado. Desse modo, a
				UPMS nunca realiza atividades ou serviços que possam ser comercializáveis e, mesmo
				as organizações financiadoras da UPMS não possuem qualquer direito especial de
				intervenção na escolha dos participantes, temas, metodologias e resultados das
				oficinas. Todo o seu funcionamento se dá não apenas fora do mercado capitalista, mas
				também contra ele. Além disso, a UPMS jamais realiza atividades em que é preciso
				pagar pela participação, pelo contrário, faz parte de suas orientações metodológicas
				que todos os participantes de suas oficinas tenham garantido transporte, alimentação
				e hospedagem durante todos os dias das atividades.</p>
			<p>Por fim, democratizar significa não apenas popularizar o conhecimento científico,
				ampliando o acesso à universidade, mas, sobretudo, ampliar o cânone dos saberes e
				formas de produzir e transmitir conhecimentos, levando o império cognitivo da
				ciência a ser confrontado com a diversidade epistemológica do mundo que ele
				historicamente deslegitimou. Tendo como premissa a diversidade potencialmente
				infinita de saberes e formas de produzir conhecimento (conhecimentos vivos,
				pulsantes, profundos e que, no entanto, são sistematicamente ignorados pela
				universidade), a UPMS propõe que a aprendizagem seja recíproca e que o saber seja
				construído coletivamente por muitas vozes e muitas mãos, o que exige uma difícil
				desaprendizagem de muito do que o conhecimento acadêmico e científico nos ensinou
				como verdades únicas e universais. Contrariamente à universidade convencional, que
				retira a sua força do saber exclusivo que produz, a UPMS retira a sua força da
				exclusividade da configuração de saberes que proporciona, de modo que a ideia de
				difusão do conhecimento, tão cara às instituições de ensino superior, na UPMS é
				substituída pelas ideias de tradução intercultural e ecologia de saberes.</p>
		</sec>
		<sec>
			<title>5. A UPMS e as universidades populares</title>
			<p>Logo nas primeiras páginas de seu <italic>Documento de Orientações
					Metodológicas,</italic> a UPMS deixa clara sua distinção em relação às
				universidades populares:</p>
			<disp-quote>
				<p>A UPMS não é uma escola de formação de quadros ou dirigentes de organizações e
					movimentos sociais. Embora a UPMS esteja claramente orientada para a ação de
					transformação social, o seu objetivo não é proporcionar os tipos de competências
					e de instrução habitualmente oferecidas pelas experiências já conhecidas de
					universidades populares (<xref ref-type="bibr" rid="B44">UPMS, 2012ª</xref>, p.
					3).</p>
			</disp-quote>
			<p>Como vimos nas páginas anteriores, há em todo o mundo, sobretudo no Sul, um vasto
				conjunto de iniciativas populares de educação superior, cada uma com sua própria
				dinâmica, história, públicos, objetivos, perspectivas e metodologias. No entanto,
				quase todas elas tratam de temas específicos (seja ele o anarquismo, o marxismo, o
				sindicalismo, a integração regional, o combate à discriminação racial, a luta pela
				terra, a educação para a paz ou os saberes indígenas), de modo que o que falta são
				iniciativas intertemáticas, capazes de articular a diversidade de saberes dos muitos
				povos, comunidades, organizações e movimentos que lutam pela transformação
				social.</p>
			<p>A novidade da UPMS está em ser capaz de trabalhar múltiplas temáticas relevantes para
				as mais diversas lutas de forma horizontal e não diretiva. Diferentemente da maioria
				das universidades populares, não está em jogo para a UPMS a transmissão de um
				determinado conhecimento aos movimentos participantes (ainda que seja um
				conhecimento emancipatório, intercultural, engajado, socialmente comprometido e/ou
				localmente produzido). Ao invés disso, o que ela pretende é uma tradução
				intercultural, com o intuito de gerar uma ecologia de saberes entre as muitas formas
				de produzir conhecimento presentes em suas oficinas.</p>
			<p>Daí que sua <italic>Carta de Princípios</italic> afirme que:</p>
			<disp-quote>
				<p>Sua vocação específica é intertemática e intercultural: intertemática, porque
					visa promover o encontro e o diálogo entre movimentos/organizações com agendas e
					lutas diferentes para facilitar alianças e articulações entre os atores (por
					exemplo, entre movimentos feministas, operários, indígenas, quilombolas,
					afroamericanos, religiosos, estudantis, ecológicos, camponeses, urbanos e
					outros); intercultural, porque visa criar o entendimento recíproco entre
					culturas e narrativas, entre princípios e conceitos mobilizadores e orientadores
					da transformação social de diferentes lutas (<xref ref-type="bibr" rid="B45"
						>UPMS, 2012</xref><sup>b</sup>, p. 21).</p>
			</disp-quote>
			<p>Além disso, o fato de a UPMS não possuir uma sede física em um território específico,
				acaba levando-a a ter uma vocação mais internacional que as demais universidades
				populares no esforço para construir uma atuação trans-escalar multiterritorializada,
				capaz de realizar e articular, em diversos territórios, atividades e ações em nível
				local, nacional, regional e global. Dessa forma, a Universidade Popular dos
				Movimentos Sociais se diferencia das demais experiências de universidades populares
				por seu caráter multiterritorializado, transescalar, intercultural e intertemático,
				congregando em suas atividades ao redor do mundo a maior diversidade possível de
				lutas, organizações, comunidades e movimentos e por ser radicalmente contra todos os
				tipos de monoculturas, não se propõe a ensinar conteúdos específicos previamente
				definidos para os participantes de suas atividades, mas sim protagonizar diálogos e
				aprendizagens recíprocas entre os conhecimentos populares nascidos das lutas sociais
				e os conhecimentos científicos que se solidarizam com essas lutas.</p>
			<p>No entanto, longe de pretender substituir as universidades populares ou competir com
				elas, a UPMS visa enriquecer e fortalecer as iniciativas já existentes que têm sido
				propostas por diferentes movimentos e organizações, assumindo o papel de lhes dar
				visibilidade e promovendo o interconhecimento e a articulação de diferentes
				experiências populares de educação superior. Um bom exemplo disso foi o <italic>I
					Fórum Social da Educação Popular</italic>, organizado e realizado pela UPMS em
				conjunto com diversas organizações em janeiro de 2016 e que reuniu tanto
				universidades públicas progressistas e programas de extensão contra-hegemônicos,
				quanto universidades populares e experiências de educação popular.</p>
		</sec>
		<sec>
			<title>6. Relato de experiência da UPMS</title>
			<p>A participação em uma oficina da UPMS nos leva a repensar nossas próprias
				experiências, criando uma abertura para a articulação com outros saberes, nos
				humaniza e nos impele a “ser mais” a partir do reconhecimento do outro, de suas
				cosmovisões e epistemologias, envolvendo discursos e práticas políticas inclusivas,
				humanizadoras e insubmissas. Fazendo justiça à ecologia de saberes, à descolonização
				da universidade e à proposta de produção coletiva e partilhada do conhecimento, este
				artigo foi produzido em coautoria com uma das participantes da UPMS. Segue abaixo o
				seu relato sobre a experiência:</p>
			<p>Participei da oficina “Defender e descolonizar a universidade: da resistência à
				ecologia de saberes”, realizada pela UPMS na Universidade Federal Fluminense (UFF),
				em ocasião da 39ª reunião da Associação Nacional de Pós-Graduação e Pesquisa em
				Educação (ANPEd), entre os dias 20 e 22 de outubro de 2019. Fui representando o GT
				18 da ANPEd (Educação de Pessoas Jovens e Adultas) e como professora, pesquisadora e
				militante no campo da educação popular de jovens, adultos e idosos do campo e
				periferias.</p>
			<p>A escrita aqui (com)partilhada brota do trabalho solidário e coletivo, do encontro de
				pessoas, ideias, saberes, fazeres, sonhos, memórias, identidades, insubimissões,
				resistências, inurgências, utopias e inéditos viáveis. Nos reconhecemos enquanto
				seres históricos, políticos e sociais capazes de aprender de forma coletiva e
				exercitar o UBUNTU (sou porque somos).</p>
			<p>A minha participação na oficina foi um divisor de águas no meu percurso formativo,
				acadêmico, profissional e, especialmente, humano. Compartilhar saberes, fazeres e
				dizeres em 30h de trabalho coletivo reverberou na minha vida de maneira muito
				significativa. A convivência não só entre meus pares da academia, mas com pessoas
				das mais diversas lutas e detentoras de saberes múltiplos e percursos formativos
				singulares forjados na resistência pela sobrevivência de seus modos de vida foi
				extraordinária e educadora. Materializamos de fato coletivamente a ecologia de
				saberes e consolidamos a importância da articulação entre a universidade e os
				movimentos sociais populares que dialogam com a vida e a transformação radical da
				humanidade, tendo como horizonte a utopia e o “esperançar”.</p>
			<p>Como Paulo Freire, acreditamos na importância de cada pessoa como agente radical da
				mudança. Nosso encontro foi singular porque nele celebramos nossas (inter)conexões e
				nos irmanamos como “parentes”, isto é, choramos e rimos uns com os outros;
				compartilhamos sonhos, desejos, medos, projetos e acima de tudo nos dispomos a
				cuidar uns dos outros. Em um cenário de (in)certezas e (in)segurança é preciso
				articular e consolidar laços de proteção e afetos, nessa perspectiva foi essencial
				compreendermos os nossos dilemas e as nossas possibilidades, o que nos unia, nos
				distanciava, o que nos fortalece, o que nos limita e o que podemos fazer juntos.</p>
			<p>Durante a oficina, os grupos formados por representantes dos GTs da ANPED e por
				ativistas e lideranças dos movimentos sociais populares puderam fazer reflexões
				sobre o cenário político e educacional em um diálogo fraterno e humano baseado na
				não hierarquização dos diversos saberes presentes e na sistematização de
				experiências e estratégias para a mobilização de coletivos organizados na defesa e
				no fortalecimento da democracia, da liberdade e da educação como campo de formação
				humana e solidária e da luta pela garantia dos direitos que nos fazem iguais na
				diferença.</p>
			<p>Vale ressaltar que as reflexões sobre a articulação entre o que é único e o que é
				múltiplo, entre o que é global e o que é local contribuiram para a organização e o
				planejamento de articulações, ações comuns e atividades coletivas para além da
				oficina realizada, sempre na perspectiva da ecologia de saberes e tomando como
				referência o respeito aos diferentes conhecimentos, fazeres, dizeres e vozes
				vibrantes que denunciam e anunciam. Os desdobramentos da oficina resultaram, por
				exemplo, na organização de cursos de extensão na universidade (minicursos e curso de
				aperfeiçoamento) na perspectiva da educação popular, tomando como referência os
				princípios e pressupostos freirianos e, especialmente, o que conseguimos construir
				coletivamente através da aprendizagem recíproca proporcionada durante os dias da
				oficina.</p>
			<p>Nas discussões, os grupos tinham a responsabilidade de apresentar proposições e
				desdobramentos que dialogassem com a proposta da oficina que foi “Defender e
				descolonizar a universidade: da resistência à ecologia de saberes”. A UPMS,
				inspirada em Freire, na educação popular e nas epistemologias do Sul, anuncia o
				descolonizar das mentes e dos saberes dominantes, por meio de outra concepção de
				educação, cujos pressupostos são de uma pedagogia crítica, dialógica, intercultural
				e decolonial. Educação dialógica, crítica e democrática que possibilite superar a
				prática educacional colonialista que impõe sobre as pessoas uma ordem que acomoda,
				orpime e desumaniza e não permite elaborar um pensar autêntico, insubmisso,
				transgressor e de bonitezas.</p>
			<p>Um ponto importante discutido na oficina foi a necessidade de compreender o
				pensamento popular como conhecimento legitimo, não subalternizado e nem
				subalternizante. A Educação como processo contínuo de aprendizagens e vinculado à
				prática da liberdade, da justiça e do bem viver é fundamental e contribui para que
				as pessoas se tornem mais humanizadas para enfrentar a realidade injusta, desigual e
				perversa em que vivem. Não se trata, portanto, de qualquer forma de educação, mas de
				uma educação que se compromete com a liberdade, os desejos, os saberes, os
				sofrimentos e as lutas das pessoas que estão nela envolvidas.</p>
			<p>Discutimos durante as vivências e experiências da oficina que um dos desafios da
				educação brasileira, em um contexto capitalista marcado pela exclusão, injustiça e
				desigualdade que coloca a maioria da população em situação de desemprego, exploração
				e miséria, é compreendermos qual o perfil do educador popular numa sociedade em
				contínua transformação e que passa por tantos retrocessos (lembrando que em 2019
				estávamos sob um governo protofascista que flertava com as ditaduras militares e em
				um contexto de crescente criminalização dos movimentos sociais).</p>
			<p>Conhecer cosmovisões enraizadas nas histórias das culturas silenciadas e/ou negadas,
				impregnadas de pelejas, resistências, labutas, sonhos, utopias e bonitezas,
				fortaleceu a nossa própria existência e provocou reflexões sobre a necessidade de
				ampliar e aprofundar os debates sobre as contradições e tensões produzidas entre a
				universidade e a educação popular, especialmente, na extensão universitária, com os
				diferentes conhecimentos produzidos nos movimentos sociais populares.</p>
			<p>Conhecer e compreender essas outras possibilidades de revelar e desvelar o aqui e o
				agora, nos diferentes contextos construídos coletivamente, entre tensões e processos
				de articulação e interconhecimento, foram descobertas necessárias e humanizadoras.
				Durante os dias em que estivemos juntos, nos reconhecemos como seres (in)acabados
				desejantes de sonhos e inéditos viáveis e isso contribuiu para a busca de um devir,
				de um ser mais partilhado entre todos. Educar-se é um processo que se dá em um
				contexto histórico, político e ideológico, um processo impregnado pela cultura de um
				tempo e de um lugar, mas também por sonhos de liberdade partilhados. Foi assim que
				se deu o compartilhamento das bonitezas que cada um tinha a oferecer durante a
				oficina e para além dela.</p>
		</sec>
		<sec sec-type="conclusions">
			<title>Conclusão</title>
			<p>Pode uma universidade ser popular? Pode uma universidade produzir conhecimentos
				partilhados entre intelectuais e ativistas? Pode uma universidade utilizar o
				conhecimento científico não como conhecimento único, mas como um dos muitos saberes
				que compartilham a diversidade das formas de conceber o mundo? Pode uma universidade
				ter como objetivo a articulação de saberes para a emancipação sociale a
				transformação social progressista? Pode uma universidade ter como fim último não
				propriamente a produção e a divulgação do conhecimento, mas a produção e a
				divulgação de estratégias e ações transformadoras que sejam eficazes contra as
				injustiças de nosso tempo? Pode uma universidade ser contra-hegemônica e ter como
				utopia outro mundo possível?</p>
			<p>Neste artigo, analisamos as relações entre a educação popular, a universidade
				convencional, as experiências populares de ensino superior e a UPMS. Vimos que
				apesar do elitismo e do colonialismo e crescente mercantilização das universidades
				convencionais, a pluralidade de iniciativas populares no ensino superior é enorme.
				Nessa pluralidade se encontra a UPMS, que se distingue das demais experiências
				populares de educação superior por sua atuação multiterritorializada, por seu
				caráter trans-escalar, intercultural e intertemático, por não pretender transmitir
				um determinado conhecimento para os participantes de suas atividades e por, ao invés
				disso, protagonizar diálogos horizontais e aprendizagens recíprocas entre os
				conhecimentos científicos e populares.</p>
			<p>Buscamos com este trabalho demonstrar que a experiência da UPMS pode oferecer
				contribuições para o desafio de se pensar uma universidade popular, por meio da
				busca de complementariedade entre a pedagogia do oprimido de Freire e o que temos
				vindo a chamar de pedagogia da articulação<sup><xref ref-type="fn" rid="fn14"
						>14</xref></sup>.</p>
			<p>Como vimos nas páginas anteriores, Freire propõe a pedagogia do oprimido como uma
				forma de, junto com a alfabetização, construir a consciência crítica e a formação
				política das classes populares por meio do diálogo proposto pela educação popular,
				uma pedagogia que “faça da opressão e de suas causas objeto da reflexão dos
				oprimidos, de que resultará o seu engajamento necessário na luta por sua libertação”
					(<xref ref-type="bibr" rid="B16">Freire, 2011</xref>, p. 43). A UPMS dá um outro
				passo, construindo em suas oficinas uma pedagogia da articulação que visa promover a
				ecologia de saberes, o interconhecimento e a inteligibilidade mútua entre as
				diversas lutas sociais, para tornar viáveis articulações mais duradouras e ações
				coletivas cada vez mais ousadas e mais eficazes entre elas.</p>
			<p>Devemos sempre recordar que, no contexto de Freire, havia no horizonte um projeto
				revolucionário bem definido: o socialismo, que para ser autêntico, necessitava
				“inaugurar o diálogo corajoso com as massas” (<xref ref-type="bibr" rid="B16"
					>Freire, 2011</xref>, p. 172). Já no contexto da UPMS, não há um projeto
				revolucionário inequívoco que precise ser levado adiante por meio do diálogo, mas
				uma multiplicidade de projetos emancipatórios que, através do diálogo e também do
				conflito, (ou seja, através da negociação árdua de suas divergências e
				convergências), necessitam se articular na luta por outro mundo possível. Além
				disso, enquanto o principal campo das práticas da educação popular está no trabalho
				de base, o campo de práticas da UPMS está na relação entre as lutas e os diferentes
				saberes que as compõem. Desse modo, as oficinas da UPMS não servem propriamente para
				formar as bases dos movimentos, mas para viabilizar a inteligibilidade e a
				articulação entre eles.</p>
			<p>Em Educação e mudança, por exemplo, Freire (1979) enfatiza a importância da
				conscientização no processo educativo para tornar os educandos protagonistas de seus
				destinos. Ora, diferentemente do contexto de Freire, falar de conscientização na
				UPMS é algo redundante e anacrônico, pois é em absoluto evidente a consciência
				crítica que os ativistas dos movimentos têm de si enquanto sujeitos da transformação
				social. Nas oficinas realizadas pela UPMS, a conscientização proposta por Freire não
				é algo que se busca criar nos movimentos, mas um fato dado. A ausência, todavia, é
				de conscientização da importância e legitimidade de outras lutas além da sua
				própria, o que leva a UPMS a priorizar, tal como demonstra o relato da experiência,
				uma pedagogia da articulação baseada na relação entre saberes diversos ao invés da
				conscientização dos oprimidos.</p>
			<p>Assim, uma comunidade de pescadores encontra na pedagogia do oprimido um meio eficaz
				de alfabetizar e formar politicamente integrantes e lideranças para a defesa de suas
				lutas e uma forma eficaz de provocar neles a indignação e a rebeldia necessárias
				para combater os responsáveis pelas injustiças que nela ocorrem. Já a pedagogia da
				articulação proposta pela UPMS é um meio eficaz não tanto para a formação
				educacional e política dos pescadores ou para suscitar neles o desejo de combater as
				injustiças que sofrem (embora isso também ocorra em suas oficinas), mas para a
				articulação e construção de ações conjuntas entre seus ativistas e os ativistas de
				outras comunidades e outras lutas sociais.</p>
			<p>Daí que possamos conceber a UPMS como uma espécie de educação popular de nível
				superior, ou seja, uma educação popular focada na ecologia de saberes, na tradução
				intercultural, na aprendizagem recíproca e na articulação horizontal entre os que já
				possuem uma consciência crítica do mundo, permitindo a discussão de questões
				complexas, estratégias de luta e de resistência, formas de ação concreta e
				possibilidades de alianças. Se a educação popular é a escola dos movimentos sociais,
				ou seja, o espaço no qual os movimentos constroem a formação educativa e política de
				seus ativistas, a UPMS é a sua universidade, ou seja, o local em que os ativistas
				dos movimentos com longa formação política e experiência de luta encontram a
				possibilidade de construir novos saberes e práticas em articulação com ativistas de
				outros movimentos e intelectuais críticos comprometidos com as lutas sociais. Desse
				modo, se complementam o diálogo, a aprendizagem e a articulação, convergindo para o
				fortalecimento das resistências e das alternativas às múltiplas formas de opressão e
				dominação causadas pelo capitalismo, pelo colonialismo e pelo patriarcado.</p>
			<p>O que podemos concluir dessa complementariedade entre a educação popular e a UPMS é
				que nos novos contextos do século XXI, a UPMS reinventa a proposta de Freire,
				atualizando-a diante dos desafios do presente e, com isso, permanece fiel a Freire,
				num sentido mais amplo, pois imagina o que ele pensaria hoje, tendo em conta as
				novas configurações políticas e sociais de nosso tempo. Na contracapa de seu livro
				El Grito Manso, <xref ref-type="bibr" rid="B17">Freire (2003)</xref>, em tom
				profético, afirma: “Não tenho nenhuma dúvida que mais cedo do que muitos pensam, os
				homens e as mulheres do mundo vão reinventar maneiras novas de lutar que nós nem
				podemos imaginar agora”. A UPMS busca realizar essa profecia.</p>
		</sec>
	</body>
	<back>
		<fn-group>
			<fn fn-type="other" id="fn1">
				<label>1</label>
				<p> Texto revisado e normalizado por Alessandra Paula Teixeira Rios de Almeida.</p>
			</fn>
			<fn fn-type="other" id="fn2">
				<label>2</label>
				<p> A pesquisa militante é “a atitude do intelectual que, ao tomar consciência de
					sua pertinência à sociedade e ao mundo do seu tempo, renuncia uma posição de
					simples espectador e coloca seu pensamento ou sua arte a serviço de uma causa”
						(<xref ref-type="bibr" rid="B12">Fals Borba, 2009</xref>, p. 243), ou seja,
					nela o pesquisador é também um ativista que, articulando pesquisa e atuação
					política, utiliza-se da objetividade e do rigor científico para produzir
					conhecimentos capazes de contribuir para a transformação social e que de fato
					sirvam para as lutas sociais dos oprimidos.</p>
			</fn>
			<fn fn-type="other" id="fn3">
				<label>3</label>
				<p> De acordo com Boff (2004a: 150) a teologia da libertação surge da “indignação
					ética em face da pobreza e da miséria coletiva das multidões” e a sua opção
					pelos pobres trata-se de uma opção epistemológica em que “o pobre constitui o
					lugar a partir do qual se procura pensar o conceito de Deus, de Cristo, da
					graça, da História, da missão das Igrejas, o sentido da economia, da política e
					o futuro das sociedades e do ser humano” (IDEM: 151). Profundamente envolvido
					com os setores progressistas da igreja católica, não por acaso Freire denomina a
					sua prática educativa como libertadora e a sua pedagogia como a “pedagogia do
					oprimido”, marcando claramente o sentido de uma educação que faz a sua opção
					pelos pobres.</p>
			</fn>
			<fn fn-type="other" id="fn4">
				<label>4</label>
				<p> Os círculos de cultura foram originalmente concebidos por Freire para
					alfabetizar rapidamente adultos das classes populares, substituindo o espaço da
					sala de aula por grupos que, sob a coordenação de um educador, se reúnem em
					círculo para aprenderem a ler e escrever através do debate de assuntos do
					cotidiano de vida dos educandos.</p>
			</fn>
			<fn fn-type="other" id="fn5">
				<label>5</label>
				<p>
					<xref ref-type="bibr" rid="B35">Santos (2018)</xref> descreve a construção de um
					“império cognitivo” da ciência moderna, que arrogantemente obteve o monopólio do
					saber legítimo, definindo-o a partir de suas próprias regras e negando
					racionalidade a todas as formas de saber que não se adequam ao estreito cânone
					do conhecimento por ela considerado científico. A consequência desse “império
					cognitivo” na educação é a prevalência de uma monocultura do saber, um
					totalitarismo epistêmico que cria profundas injustiças cognitivas fundadas na
					negação da contemporaneidade e em uma distância incomensurável entre o
					conhecimento científico e as demais formas de produção do conhecimento.</p>
			</fn>
			<fn fn-type="other" id="fn6">
				<label>6</label>
				<p> Com isso não pretendemos realizar um estudo exaustivo dessas experiências,
					apenas um recorte que permita compreender o contexto de como se dão as relações
					entre a educação popular e a universidade. Para outros modelos de classificação
					das experiências populares de educação superior, ver <xref ref-type="bibr"
						rid="B4">Benzaquen (2012)</xref>.</p>
			</fn>
			<fn fn-type="other" id="fn7">
				<label>7</label>
				<p> Em seu livro “<italic>História da Universidade: Genealogia para um modelo
						participativo</italic>”, André <xref ref-type="bibr" rid="B33">Rubião
						(2013)</xref> utilizao termo “modelo de Córdoba” para o contrapor aos
					modelos canônicos de universidade: o modelo napoleônico (universidade francesa),
					o modelo humboldtiano (universidade alemã), o modelo newmaniano (universidade
					inglesa) e o modelo da <italic>multiversity</italic> (universidade
					norte-americana).</p>
			</fn>
			<fn fn-type="other" id="fn8">
				<label>8</label>
				<p> José <xref ref-type="bibr" rid="B23">Mariátegui (2007</xref> [1928]: 100), por
					exemplo, argumenta que “o movimento estudantil que se iniciou com a luta dos
					estudantes de Córdoba, pela reforma da Universidade, assinala o nascimento de
					uma nova geração latino-americana”, e demonstra como a reforma universitária
					idealizada pelo movimento de Córdoba influenciou as propostas dos estudantes do
					México e do Chile em 1921, as reivindicações dos estudantes de Cuba em 1923, a
					plataforma de luta dos estudantes da Colômbia em 1924 e dos estudantes do Perú
					em 1919 e 1926.</p>
			</fn>
			<fn fn-type="other" id="fn9">
				<label>9</label>
				<p> José Jorge Carvalho, o idealizador do projeto “Encontro de Saberes” defende que
					é preciso: “uma ampliação do universo de saberes, para que passemos de uma
					universidade monoepistêmica a uma universidade multiepistêmica” (<xref
						ref-type="bibr" rid="B11">Carvalho, 2010</xref>, p. 241).</p>
			</fn>
			<fn fn-type="other" id="fn10">
				<label>10</label>
				<p> Para um aprofundamento sobre as origens e a história das universidades
					populares, ver Roberto Mauro <xref ref-type="bibr" rid="B20">Gurgel
						(1986)</xref>, Agustín <xref ref-type="bibr" rid="B28">Osorio (2006)</xref>
					e Júlia <xref ref-type="bibr" rid="B4">Benzaquen (2012)</xref>. Para uma análise
					das universidades populares da Europa no início do século XX, ver Leopoldo
					Marini <xref ref-type="bibr" rid="B29">Palacios (2002</xref> [1908]) e Lucien
						<xref ref-type="bibr" rid="B25">Mercier (1986)</xref>. Para um estudo atual
					e comparativo das universidades populares em França, Alemanha, Itália e Suécia,
					ver Jean Claude <xref ref-type="bibr" rid="B31">Richez (2018)</xref>. Por fim,
					para uma análise das universidades populares no Brasil, ver José Romão e Adriana
					Loss (<xref ref-type="bibr" rid="B32">2013</xref>) .</p>
			</fn>
			<fn fn-type="other" id="fn11">
				<label>11</label>
				<p> Mais informações sobre a Associação de Universidades Populares da França podem
					ser encontradas no site da organização: <ext-link ext-link-type="uri"
						xlink:href="http://www.universitespopulairesdefrance.fr/"
						>http://www.universitespopulairesdefrance.fr/</ext-link>.</p>
			</fn>
			<fn fn-type="other" id="fn12">
				<label>12</label>
				<p> Vale a pena observar como os indígenas colombianos compreendem o que designam
					como sistema próprio de educação: “Quando falamos do próprio em educação não é
					como alguns creem que é ficar apenas no local, naquilo que é de manejo interno
					das comunidades, ou que o processo de formação é propriedade única de cada
					comunidade, sem permitir a socialização, o intercâmbio e o enriquecimento com
					outras culturas. O próprio o entendemos como a capacidade e o direito de
					orientar, dirigir, organizar e construir processos e propostas educativas com um
					posicionamento crítico e propositivo frente à educação que queremos transformar”
					(Conselho Regional Indígena do Cauca <italic>apud</italic><xref ref-type="bibr"
						rid="B39">Tattay, 2013</xref>, p. 91).</p>
			</fn>
			<fn fn-type="other" id="fn13">
				<label>13</label>
				<p> Para um panorama mais exaustivo e estudos mais aprofundados sobre a diversidade
					de experiências populares e interculturais de ensino superior na América Latina,
					ver os trabalhos coordenados por <xref ref-type="bibr" rid="B24">Mato
						(2009)</xref>; Loeza <italic>et al.</italic> (2015).</p>
			</fn>
			<fn fn-type="other" id="fn14">
				<label>14</label>
				<p> Utilizamos o termo “pedagogia da articulação” (<xref ref-type="bibr" rid="B27"
						>Merladet, 2020</xref>) para designar a forma específica que assumem as
					práticas educativas que têm como objetivo criar pontes de diálogo, aprendizagem
					recíproca e solidariedade entre as formas de resistência ao sofrimento, à
					injustiça e à opressão causados pelo capitalismo, pelo colonialismo e pelo
					patriarcado.</p>
			</fn>
		</fn-group>
		<ack>
			<title>Agradecimentos e apoios</title>
			<p>O presente trabalho foi realizado com o apoio e o financiamento do Conselho Nacional
				de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) e da Fundação Carlos Chagas Filho
				de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio de Janeiro (FAPERJ), Processo SEI
				260003/014861/2023.</p>
		</ack>
		<ref-list>
			<title>REfERênCIAS</title>
			<ref id="B1">
				<mixed-citation>ABBA, Maria Julieta; CORSETTI, Berenice. Contribuições para uma
					internacionalização da educação superior desde e para América Latina: A
					experiência da UNILA e da ELAM. <bold>Educação por Escrito</bold>, 7, 2,
					181-200, 2016.</mixed-citation>
				<element-citation publication-type="journal">
					<person-group person-group-type="author">
						<name>
							<surname>ABBA</surname>
							<given-names>Maria Julieta</given-names>
						</name>
						<name>
							<surname>CORSETTI</surname>
							<given-names>Berenice.</given-names>
						</name>
					</person-group>
					<article-title>Contribuições para uma internacionalização da educação superior
						desde e para América Latina: A experiência da UNILA e da
						ELAM</article-title>
					<source>Educação por Escrito</source>
					<volume>7</volume>
					<issue>2</issue>
					<fpage>181</fpage>
					<lpage>200</lpage>
					<year>2016</year>
				</element-citation>
			</ref>
			<ref id="B2">
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				<element-citation publication-type="book">
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						<name>
							<surname>ADORNO</surname>
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						</name>
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					<source>Educação e emancipação</source>
					<publisher-loc>São Paulo</publisher-loc>
					<publisher-name>Paz e Terra</publisher-name>
					<year>1995</year>
				</element-citation>
			</ref>
			<ref id="B3">
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					Críticos e Esperançosos. Brasília: Editora UnB, 2007.</mixed-citation>
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							<surname>ALMEIDA-FILHO</surname>
							<given-names>Naomar de.</given-names>
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					</person-group>
					<source>Universidade Nova: Textos Críticos e Esperançosos</source>
					<publisher-loc>Brasília</publisher-loc>
					<publisher-name>Editora UnB</publisher-name>
					<year>2007</year>
				</element-citation>
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				<mixed-citation>BENZAQUEN, Júlia Figueiredo. <bold>Universidades dos Movimentos
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				<element-citation publication-type="thesis">
					<person-group person-group-type="author">
						<name>
							<surname>BENZAQUEN</surname>
							<given-names>Júlia Figueiredo.</given-names>
						</name>
					</person-group>
					<source>Universidades dos Movimentos Sociais: apostas em saberes, práticas e
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					<comment>Tese de doutoramento</comment>
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			<ref id="B5">
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				<element-citation publication-type="book">
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							<surname>BRANDÃO</surname>
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					<source>O que é educação popular?</source>
					<publisher-loc>Brasília</publisher-loc>
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					<year>2006</year>
				</element-citation>
			</ref>
			<ref id="B6">
				<mixed-citation>BRANDÃO, Carlos Rodrigues. <bold>Pesquisa participante.</bold> São
					Paulo: Editora Brasiliense, 1983.</mixed-citation>
				<element-citation publication-type="book">
					<person-group person-group-type="author">
						<name>
							<surname>BRANDÃO</surname>
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					<source>Pesquisa participante</source>
					<publisher-loc>São Paulo</publisher-loc>
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					<article-title>The extended case method</article-title>
					<source>Sociological Theory</source>
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					Brasil. In: CANÁRIO, Rui (org.). <bold>Educação popular e movimentos
						sociais.</bold> Lisboa: Educa, 2007.</mixed-citation>
				<element-citation publication-type="book">
					<person-group person-group-type="author">
						<name>
							<surname>SOUZA</surname>
							<given-names>João Franscisco de.</given-names>
						</name>
					</person-group>
					<chapter-title>Educação popular e movimentos sociais no Brasil</chapter-title>
					<person-group person-group-type="editor">
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							<surname>CANÁRIO</surname>
							<given-names>Rui</given-names>
						</name>
					</person-group>
					<source>Educação popular e movimentos sociais</source>
					<publisher-loc>Lisboa</publisher-loc>
					<publisher-name>Educa</publisher-name>
					<year>2007</year>
				</element-citation>
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			<ref id="B38">
				<mixed-citation>SOUZA, Olga Suely Soares. A extensão universitária e as
					universidades populares”. <bold>Revista da Faced</bold>, n. 9, 253-264,
					2005.</mixed-citation>
				<element-citation publication-type="journal">
					<person-group person-group-type="author">
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							<surname>SOUZA</surname>
							<given-names>Olga Suely Soares.</given-names>
						</name>
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					<article-title>A extensão universitária e as universidades
						populares”</article-title>
					<source>Revista da Faced</source>
					<issue>9</issue>
					<fpage>253</fpage>
					<lpage>264</lpage>
					<year>2005</year>
				</element-citation>
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					Intercultural (UAIIN): um proceso que consolida, construye y revitaliza las
					culturas desde la acción organizativa. <bold>Revista Inclusión social y equidad
						en la Educación Superior</bold>, 12, 87-100, 2013.</mixed-citation>
				<element-citation publication-type="journal">
					<person-group person-group-type="author">
						<name>
							<surname>TATTAY</surname>
							<given-names>Graciela Bolaños de.</given-names>
						</name>
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					<article-title>La Universidad Autónoma Indígena Intercultural (UAIIN): um
						proceso que consolida, construye y revitaliza las culturas desde la acción
						organizativa</article-title>
					<source>Revista Inclusión social y equidad en la Educación Superior</source>
					<volume>12</volume>
					<fpage>87</fpage>
					<lpage>100</lpage>
					<year>2013</year>
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				<mixed-citation>THIOLLENT, Michel. <bold>Metodologia da pesquisa-ação</bold>. São
					Paulo: Cortez, 1985.</mixed-citation>
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					<source>Metodologia da pesquisa-ação</source>
					<publisher-loc>São Paulo</publisher-loc>
					<publisher-name>Cortez</publisher-name>
					<year>1985</year>
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			<ref id="B41">
				<mixed-citation>TUNNERMANN, Carlos. La reforma universitaria de Córdoba”.
						<bold>Educación Superior y Sociedad</bold>, v. 9, n. 1, 103-127,
					1998.</mixed-citation>
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							<surname>TUNNERMANN</surname>
							<given-names>Carlos.</given-names>
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					<article-title>La reforma universitaria de Córdoba”</article-title>
					<source>Educación Superior y Sociedad</source>
					<volume>9</volume>
					<issue>1</issue>
					<fpage>103</fpage>
					<lpage>127</lpage>
					<year>1998</year>
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						<bold>Apresentação</bold>. 2018. Disponível em: <ext-link
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						>https://www.uffs.edu.br/institucional/a_uffs/a_instituicao/apresentacao</ext-link>.
					Acesso em: 11 abr 2024.</mixed-citation>
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						<collab>UFFS (Universidade Federal da Fronteira Sul)</collab>
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					<source>Apresentação</source>
					<year>2018</year>
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					<date-in-citation>Acesso em: 11 abr 2024</date-in-citation>
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				<mixed-citation>UNITIERRA (Universidad de la Tierra). <bold>Nuestra história</bold>.
					2018. Disponível em: <ext-link ext-link-type="uri"
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					em: 09 agos 2018.</mixed-citation>
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					<date-in-citation>Acesso em: 09 agos 2018</date-in-citation>
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				<mixed-citation>UPMS (Universidade Popular dos Movimentos Sociais).
						<bold>Orientações metodológicas das oficinas da Universidade Popular dos
						Movimentos Sociais</bold>. 2012a. Disponível em: <ext-link
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						xlink:href="http://www.universidadepopular.org/site/media/Metodologia/Orientacoes_metodologicas_UPMS_-_PT_-_30-04-15.pdf"
						>http://www.universidadepopular.org/site/media/Metodologia/Orientacoes_metodologicas_UPMS_-_PT_-_30-04-15.pdf</ext-link>.
					Acesso em: 19 fev 2024.</mixed-citation>
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						<collab>UPMS (Universidade Popular dos Movimentos Sociais)</collab>
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					<source>Orientações metodológicas das oficinas da Universidade Popular dos
						Movimentos Sociais</source>
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					<date-in-citation>Acesso em: 19 fev 2024</date-in-citation>
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				<mixed-citation>UPMS (Universidade Popular dos Movimentos Sociais). <bold>Carta de
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					. Acesso em: 15 fev 2024.</mixed-citation>
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					<source>Carta de Princípios da Universidade Popular dos Movimentos
						Sociais</source>
					<year>2012b</year>
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					<date-in-citation>Acesso em: 15 fev 2024</date-in-citation>
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	</back>
	<sub-article article-type="translation" id="s1" xml:lang="en">
		<front-stub>
			<article-id pub-id-type="doi"
				>10.21879/faeeba2358-0194.2024.v33.n76.p116-134</article-id>
			<article-categories>
				<subj-group subj-group-type="heading">
					<subject>Artigo</subject>
				</subj-group>
			</article-categories>
			<title-group>
				<article-title>CAN THE UNIVERSITY BE POPULAR? THE EXPERIENCE OF THE POPULAR
					UNIVERSITY OF SOCIAL MOVEMENTS</article-title>
			</title-group>
			<contrib-group>
				<contrib contrib-type="author">
					<contrib-id contrib-id-type="orcid">0000-0002-5518-3540</contrib-id>
					<name>
						<surname>Merladet</surname>
						<given-names>Fábio André Diniz</given-names>
					</name>
					<bio>
						<p><sup>*</sup>PhD in Post Colonialisms and Global Citizenship from the
							University of Coimbra (UC). Post-doctoral student at the Fe-deral
							University of the State of Rio de Janeiro (UNIRIO). Member of the
							Research Group ConCU. Rio de Janeiro, RJ. E-mail:
								<email>fabioandredm@hotmail.com</email>
						</p>
					</bio>
					<xref ref-type="aff" rid="aff1"/>
				</contrib>
				<contrib contrib-type="author">
					<contrib-id contrib-id-type="orcid">0000-0001-9341-076X</contrib-id>
					<name>
						<surname>Faria</surname>
						<given-names>Edite Maria da Silva de</given-names>
					</name>
					<bio>
						<p><sup>**</sup> PhD in Education and Contemporary Studies from the State
							University of Bahia (UNEB). Post-doctorate at the State University of
							Pará (UEPA). Leader of the GEPALE Bahia Research Group. Salvador, Bahia.
							E-mail: <email>edmsilva@uneb.br</email>
						</p>
					</bio>
					<xref ref-type="aff" rid="aff2"/>
				</contrib>
			</contrib-group>
			<aff id="aff3">
				<institution content-type="orgname">Universidade Federal do Estado do Rio de
					Janeiro</institution>
				<institution content-type="original">Universidade Federal do Estado do Rio de
					Janeiro</institution>
			</aff>
			<aff id="aff4">
				<institution content-type="orgname">Universidade do Estado da Bahia</institution>
				<institution content-type="original">Universidade do Estado da Bahia</institution>
			</aff>
			<abstract>
				<title>ABSTRACT</title>
				<p>This article aims to understand how the relationship between popular education
					and the university, taking as a reference the extended case study of the Popular
					University of Social Movements (UPMS). Based on the epistemologies of the South,
					on the ecology of knowledge, a brief historical review of popular education and
					comments on elitism, colonialism and the growing commodification of conventional
					universities, as well as the plurality of popular experiences that have been
					developed in higher education to then present the UPMS demonstrating the
					divergences and convergences between it and other experiences. In the report of
					the co-author and UPMS participant, the importance of the ecology of knowledge,
					the decolonization of the university, as well as the collective and shared
					production of knowledge is latent. The work concludes by arguing that the UPMS
					experience can offer contributions to the challenge of thinking about a popular
					university, through the search for complementarity between the pedagogy of the
					oppressed and the pedagogy of articulation, reinventing Paulo Freire’s proposal
					and updating it to face the challenges of the present.</p>
			</abstract>
			<kwd-group xml:lang="en">
				<title>Keywords:</title>
				<kwd>Popular education</kwd>
				<kwd>Popular University</kwd>
				<kwd>Coloniality</kwd>
				<kwd>Democratization of education.</kwd>
			</kwd-group>
			<funding-group>
				<award-group>
					<funding-source>FAPERJ</funding-source>
					<award-id>SEI 260003/014861/2023</award-id>
				</award-group>
				<funding-statement>This work was carried out with the support and funding from the
					National Council for Scientific and Technological Development (CNPq) and the
					Carlos Chagas Filho Foundation for Research Support of the State of Rio de
					Janeiro (FAPERJ), Process SEI 260003/014861/2023.</funding-statement>
			</funding-group>
		</front-stub>
		<body>
			<sec sec-type="intro">
				<title>Introduction<sup><xref ref-type="fn" rid="fn15">1</xref></sup></title>
				<p>The first area to be questioned in an emancipatory social transformation is the
					educational process, according to Theodor <xref ref-type="bibr" rid="B2">Adorno
						(1995)</xref>. Nevertheless, there is no simple or clear solution to the
					query raised in the work’s title. Can higher education be decolonized,
					de-elitized, democratized, and decommodified? What potential links exist between
					the university and popular education? What circumstances allow the university to
					enjoy popularity? Are there any successful examples in this regard? What do they
					have to contribute to this challenge? These are the questions that lead us to
					write this article, which is the result of an extended case study of the Popular
					University of Social Movements (PUSM) and is based on the epistemologies of the
					South and the ecology of knowledges (<xref ref-type="bibr" rid="B36">Santos,
						2007</xref>-2018).</p>
				<p>The extended case study is a research methodology that was proposed by Michael
						<xref ref-type="bibr" rid="B7">Burawoy (1998)</xref> and uses quality and
					exemplarity-rather than quantity and uniformity-as criteria for generalization,
					assuming that a particular case may explain more general issues. We hope to
					investigate the PUSM’s potential contributions to the ecology of knowledge
					practice and the promotion of a genuinely popular university-one that restores
					the “other possible worlds” to the horizon of possibilities-through this
					extended case study.</p>
				<p>The PUSM’s experimental, subversive, and inventive character, however, presents a
					methodological problem: it is hard to assess an experience that is more
					sophisticated than the techniques currently employed to analyze it. Because it
					takes into account various ways of knowing the world, any work based on the
					ecology of knowledges and the epistemologies of the South would need to be
					plural and flexible from a methodological standpoint. However, this is precisely
					what the scientific community frequently rejects. Therefore, there is a certain
					incompatibility between the logic and values of knowledge production within the
					traditional university and the methodological plurality rooted in the ecology of
					knowledges. This creates a situation that is paradoxical in that the research
					techniques used are more conservative than the experience that is being
					studied.</p>
				<p>Written by numerous hands and drawing from a variety of languages and knowledge
					forms, this work should be a collaborative effort under the ideal conditions for
					knowledge production evoked by the epistemologies of the South. Recognizing the
					institutional limitations on knowledge production and the democratization and
					collectivization of the research process, we decided to take a position at the
					edge, following the rules but making an effort to break them whenever we could.
					We believe that subversion is more successful when the norms are profaned than
					when they are rejected outright.</p>
				<p>In order to establish a critical, ethical, and political commitment to the
					experience under analysis, we decided to employ a militant research<sup><xref
							ref-type="fn" rid="fn16">2</xref></sup> approach in addition to using
					research instruments like participant observation, document analysis, and
					literature reviews. It is militant because it aims to be objective without
					objectifying the reality it studies, but it is also research because it
					maintains rigor, rationality, and scientific objectivity. Additionally, it was
					carried out with an emphasis on progressive social transformation goals and
					actions that go beyond the scholarly goals usually assumed in traditional
					research.</p>
				<p>There are six sections to the discussion. In order to place popular education in
					the current context, the first section gives a brief historical overview of
					popular education in the 20th century. It then goes on to describe the different
					popular education strands that currently make up what is known as an ecology of
					educational practices. In the second section, the conservative, colonial,
					patriarchal, and elitist nature of conventional universities is critically
					addressed, along with the current trend toward their increasing commodification.
					The second section critically examines the conservative, colonial, patriarchal,
					and elitist characteristics of traditional universities as well as the current
					trend toward their growing commercialization.</p>
				<p>In order to comprehend the connections between popular education and the
					university, the third section examines the variety of experiences that are
					considered popular in higher education. These experiences are categorized into
					four groups: progressive public universities, counter-hegemonic outreach
					initiatives and programs, popular universities of the North, and popular
					universities of the South.</p>
				<p>PUSM is portrayed as one of the popular university experiences from the South in
					sections four and five. These sections discuss the PUSM’s relationships with
					other popular universities and with conventional universities, respectively,
					while emphasizing its distinctive features in contrast.</p>
				<p>Finally, a personal story by the co-author as a participant in one of the
					workshops is presented in the sixth and final section to add substance to the
					discussions surrounding the PUSM and other potential ways of conceptualizing the
					university. The significance of the ecology of knowledge, the decolonization of
					the university, and the shared and collective creation of knowledge are all
					emphasized in this account.</p>
				<sec>
					<title>1. Popular education in the 20th century</title>
					<p>“To the miserable people of the world and those who find themselves among
						them, and, in doing so, suffer with them, but, above all, fight with them.”
						Paulo <xref ref-type="bibr" rid="B16">Freire (2011</xref> [1968], p. 5)
						begins his well-known book Pedagogy of the Oppressed, which is considered to
						be one of the founding texts of popular education, with these words.</p>
					<p>According to <xref ref-type="bibr" rid="B37">Souza (2007</xref>, p. 66), the
						dominant viewpoint up until the 1950s was to popularize education, viewing
						it “as the extension of the schooling system of the urban middle sectors to
						the children of the so-called popular sectors.” Stated differently,
						popularizing education simply meant giving those who are excluded from all
						educational processes and marginalized by the school system more access to
						formal education.</p>
					<p>Popular education remained focused on the goal of universalizing access to
						education despite the fight for public education, subsequent attempts to end
						illiteracy, and the experiences of popular universities that offered workers
						class-based education in the early decades of the 20th century. As stated by
							<xref ref-type="bibr" rid="B5">Brandão (2006</xref>, p 17), it was still
						regarded as a “professionally mediated modality of extending school services
						to different categories of subjects within the popular sectors of
						society.”</p>
					<p>A break with prevailing educational practices was only brought about by the
						emergence of popular culture movements, popular culture centers, and
						grassroots education movements throughout Latin America after World War II,
						following the effects of Salvador Allende’s victory in Chile and the Cuban
						Revolution with its successful attempts to eradicate illiteracy.</p>
					<p>Fals Borda’s (1970 and 1972) “participatory action research” proposals, which
						challenged conventional forms of research, emphasized the need to link the
						scientific interests of universities with the social interests of the
						communities being studied, enabling the transformation of scientific
						knowledge into social change for the marginalized; Liberation
								Theology,<sup><xref ref-type="fn" rid="fn17">3</xref></sup> which,
						by proposing a “preferential option for the poor,” inspired the formation of
						thousands of grassroots ecclesial communities; and other major social
						innovations made possible by this context of significant social uphea in
						Latin America during the 1950s and 1960s. The 1970s saw the development of
						Augusto Boal’s “Theatre of the Oppressed,” which served as a vehicle for
						mobilizing communities, villages, slums, and urban peripheries; and Paulo
						Freire’s Pedagogy of the Oppressed, which fundamentally altered the idea of
						popular education by giving it a dialogical, critical, and liberating
						quality.</p>
					<p>Paulo Freire, who began his work with a novel approach to adult literacy
						through cultural circles in the interior of northeastern Brazil,<sup><xref
								ref-type="fn" rid="fn18">4</xref></sup> rose to prominence as a
						prominent educational thinker by putting forth his pedagogy as a fresh
						approach to conceptualizing and building educational relationships. His
						“pedagogy of the oppressed” transformed education from a purely
						knowledge-transmission endeavor to a political act of knowledge
						decolonization and social change.</p>
					<p>As a set of “political-pedagogical processes that seek to overcome
						relationships of domination, oppression, discrimination, exploitation,
						inequity, and exclusion” (<xref ref-type="bibr" rid="B21">Jara, 2010</xref>,
						p. 4), popular education is then defined as a critical, dedicated,
						participatory education that aims to “build equitable and just
						relationships, respectful of diversity and the equality of rights among
						people” (Ibid.).</p>
					<p>Therefore, the core feature of popular education is the integration of
						politics and education through the mobilization and awareness-raising of the
						oppressed, connecting knowledge acquisition to social change initiatives.
						According to <xref ref-type="bibr" rid="B8">Carrillo (2009)</xref> and <xref
							ref-type="bibr" rid="B18">Gadotti (2012)</xref>, Latin America’s most
						significant theoretical contribution to modern pedagogical thought is
						popular education. A true ecology of educational practices-diverse and
						multifaceted counter-hegemonic teaching-learning experiences-has gradually
						emerged from this widely held belief in education. At least five separate
						branches of popular education currently make up these, and they are as
						follows:</p>
					<list list-type="simple">
						<list-item>
							<p>a. A branch of education that focuses on universalizing education and
								making it more accessible to the working class is known as popular
								education, or the democratization of education.</p>
						</list-item>
						<list-item>
							<p>b. Popular education as political training and awareness-raising:
								this field entails intellectuals approaching the oppressed with
								humility, not only teaching them but also learning from them. This
								is how popular education is currently understood conventionally, and
								this is how Paulo Freire mainly developed it through cultural
								circles. Generally speaking, its main goals are basic education,
								raising working-class people’s political consciousness, and
								educating children and adults.</p>
						</list-item>
						<list-item>
							<p>c. Popular education as an investigative technique: Orlando <xref
									ref-type="bibr" rid="B13">Fals Borda (1972)</xref>, Michel <xref
									ref-type="bibr" rid="B40">Thiollent (1985)</xref>, Carlos
								Rodrigues <xref ref-type="bibr" rid="B6">Brandão (1983)</xref>, and
								numerous other progressive intellectuals developed this subfield of
								popular education. With participatory action research as its main
								instrument, it seeks to naturally connect scholarly research with
								the desires of the oppressed for social change.</p>
						</list-item>
						<list-item>
							<p>d. Popular education as public policy: State-developed initiatives,
								such as national councils, national conferences, and participatory
								budgets, seek to integrate popular education as an institutionalized
								public policy and as a methodology for social participation programs
								and dialogue between the State and society.</p>
						</list-item>
						<list-item>
							<p>e. Popular education as higher education: a subfield that aims to
								create popular higher education experiences by bridging the gap
								between popular education and universities. Rather than focusing on
								the connection between popular education and universities.</p>
						</list-item>
					</list>
					<p>Paulo Freire and the popular education movement as a whole paid far more
						attention to literacy processes and basic education. Because of this, the
						field has only recently become more receptive to innovative and daring
						experiments in popular higher education, which we will subsequently refer to
						as “popular universities of the South.”</p>
					<p>The conservative, colonial, patriarchal, and elitist characteristics of
						traditional universities will be discussed first in order to analyze them.
						This will be followed by a brief historical overview of popular universities
						prior to the rise of the popular universities of the South. We will conclude
						by summarizing the Popular University of Social Movements and drawing
						comparisons with other experiences.</p>
				</sec>
				<sec>
					<title>2. Elitismo universitário, colonialismo e mercantilização do ensino
						superior</title>
					<p>Since its inception, modern science has been deeply colonial, and its
						associations with capitalism, patriarchy, and colonialism have paved the way
						for the development of a global cognitive empire,<sup><xref ref-type="fn"
								rid="fn19">5</xref></sup> which the university best exemplifies. The
						modern university was created with the intention of producing national
						elites from the very beginning. The creation of “predominantly white,
						segregated, and racist institutions, dedicated exclusively to reproducing
						the modern Eurocentric knowledge model” (Carvalho; Florez, 2014, p. 41) is a
						common trend in the Global South, where universities from the North have
						been replicated. As a result, building relationships with the popular
						segments of society has been uncommon.</p>
					<p>Over the centuries, the university’s historical elitism-which is concealed
						behind the rhetoric of excellence, neutrality, and meritocracy-has
						manifested itself in discrimination against students and faculty on the
						basis of gender, race, and class as well as in the way the institution
						operates and the subjects, research, and curricula it offers. This has
						resulted in significant epistemic exclusion. Therefore, even though the
						university is used to portraying itself as the leader, the institution has
						an indisputable colonial past that continues to be reproduced in the present
						in sometimes unexpected ways. One important aspect of higher education in
						Latin America was “to consolidate academic institutions that function as
						replicas of the universities created in 19th-century Europe” (<xref
							ref-type="bibr" rid="B9">Carvalho; Flórez, 2014</xref>, p. 131). <xref
							ref-type="bibr" rid="B10">Carvalho (2011)</xref> highlights that the
						height of colonialism coincided with the peak of university expansion and
						the consolidation of disciplines in the field of social sciences.</p>
					<p>As we shall see, the university’s colonial nature has encountered opposition.
						Nonetheless, it has been linked to a strong market orientation in recent
						decades due to the commercialization of public universities as well as the
						pressure from the growth of private research and higher education
						institutions. The university has undergone an unprecedented
						commercialization since international organizations viewed higher education
						as a new frontier for the growth of capitalism. It now resembles a
						service-providing business that is subject to the efficiency and
						profitability standards of capitalism, rather than a public institution
						tasked with producing knowledge for society. <xref ref-type="bibr" rid="B35"
							>Santos (2018)</xref> describes this as the rise of “university
						capitalism,” contending that the university has become a higher education
						market in recent decades in addition to creating professionals, knowledge,
						and services for the market.</p>
					<p>Can the university be popular in this situation? There is currently no
						entirely satisfactory answer to this urgent question of our day. The concept
						of a popular university seems contradictory in such a setting, where higher
						education is increasingly market-oriented, elitist, and colonial. However,
						the popular experiences of higher education arise from the realization that
						the university is not accessible to the oppressed.</p>
				</sec>
				<sec>
					<title>3. The plurality of popular experiences in higher education</title>
					<p>These days, there are many different university experiences that consider
						themselves “popular,” developed by a multitude of actors with a range of
						goals and ideologies. This makes us wonder about the various interpretations
						of the term “popular university”: is a university popular because it is
						founded on the idea that everyone has the right to free, public, universal
						higher education, as opposed to the elitism and exclusions that characterize
						traditional universities? Is it well-liked because it allows popular classes
						to enroll in traditional universities? Is it well-liked because it helps the
						underprivileged access scientific knowledge? Does its popularity stem from
						the fact that it educates people in order to technically prepare human
						resources for the workforce? Does its popularity stem from the fact that it
						seeks to create knowledge with the people and engages with their knowledge?
						Or is it well-liked because it was created and implemented by the people,
						groups, organizations, or movements to protect, create, and share their own
						knowledge? Because it spreads hegemonic knowledge to popular classes,
						because it aims to include everyone in higher education, because it is
						associated with emancipatory conceptions of struggle and social
						transformation, or because it is conceived and executed by the oppressed, is
						it popular?</p>
					<p>It is challenging to develop classification criteria for popular initiatives
						in higher education due to their vast number, diversity, and fluidity.</p>
					<p>Nonetheless, in order to make this work easier to understand, we divide the
						common higher education experiences into the following four
								groups:<sup><xref ref-type="fn" rid="fn20">6</xref></sup></p>
					<list list-type="simple">
						<list-item>
							<p>a. Progressive public universities;</p>
						</list-item>
						<list-item>
							<p>b. Counter-hegemonic extension programs and projects;</p>
						</list-item>
						<list-item>
							<p>c. Popular universities of the North;</p>
						</list-item>
						<list-item>
							<p>d. Popular universities of the South.</p>
						</list-item>
					</list>
					<sec>
						<title>3.1. Progressive public universities</title>
						<p>The goal of progressive public universities, which are state-run and
							institutionalized non-traditional university experiences, is to
							challenge the traditional idea of the university and give it a popular
							character by holding that democratization of knowledge leads to
							democratization of society. In addition to having a strong social
							commitment to the underprivileged, these universities are “polyphonic
							universities” (<xref ref-type="bibr" rid="B35">Santos, 2018</xref>),
							meaning they embrace this commitment in a pluralistic manner and create
							opportunities for discussion with other types of knowledge through
							projects, ideas, and creative experiments.</p>
						<p>An enormous student uprising broke out at Argentina’s National University
							of Córdoba at the start of the 20th century. The students called for a
							new higher education project in Latin America and criticized the
							university’s colonial past in an epic and combative manner. Known as the
							“Córdoba model”<sup><xref ref-type="fn" rid="fn21">7</xref></sup> for
							higher education, the “University Reform” promoted by the Córdoba
							student movement, which dared to suggest a democratic, dedicated
							university involved with social justice, had an impact throughout Latin
							America and influenced numerous initiatives for progressive public
							universities. Defending university autonomy, the democratic election of
							university authorities, free chairs, free education, student social
							assistance, democratization of access to higher education, university
							extension, and the strengthening of the university’s commitment and
							social responsibility (<xref ref-type="bibr" rid="B33">Rubião,
								2013</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="B41">Tunnermann,
							1998</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="B34">Sader, Gentili, Aboites,
								2008</xref>), the university reform of the Córdoba movement was not
							everything it hoped to be, nor did it allow the university to proceed in
							the same way, bringing into the social struggles’ imagination the
							possibility of a progressive public university.<sup><xref ref-type="fn"
									rid="fn22">8</xref></sup></p>
						<p>In the 1960s, Anísio Teixeira and Darcy Ribeiro founded the National
							University of Brasília (UnB) in Brazil with the goal of implementing the
							idea for a new university, the “necessary university” (<xref
								ref-type="bibr" rid="B30">Ribeiro, 1969</xref>), that could
							integrate the university reform’s tenets of democracy, inclusion, and
							social commitment. Although the Military Dictatorship prematurely
							dismantled the new university project’s boldness, innovation, and
							emancipatory spirit in 1964, the ideas of Anísio Teixeira and Darcy
							Ribeiro, along with the fight for a progressive public university, were
							revived in the “New University” proposed by Naomar de <xref
								ref-type="bibr" rid="B3">Almeida-Filho (2007)</xref>. The Federal
							University of Southern Bahia (UFSB), established in 2013, was the site
							of its most consistent implementation.</p>
						<p>The Federal University of Southern Frontier (UFFS), which has been using
							the slogan “quality education for all” since 2009, and which bills
							itself as “a public, popular, and quality higher education institution”
								(<xref ref-type="bibr" rid="B42">UFFS, 2018</xref>), the University
							of Latin American Integration (UNILA), which emphasizes academic
							exchange, solidarity cooperation, and regional integration among Latin
							American nations, and the University of International Integration of
							Afro-Brazilian Lusophony (UNILAB), which is founded on promoting
							affirmative action against ethnic-racial discrimination and integrating
							with Portuguese-speaking nations in Africa, are some of the other
							universities that have recently been established in Brazil in addition
							to UFSB. Redenção, a small town in the interior of Northeastern Brazil,
							is also home to UNILAB. It was chosen for its symbolic significance as
							the nation’s first city to abolish slavery. Due to its practice of
							solidarity and international cooperation, the Latin American School of
							Medicine (ELAM) in Cuba has been a global reference since 1998. It
							offers humanistic medical training to children of workers, peasants,
							Indigenous people, Afro-descendants, and members of social movements
							from all over Latin America and the Caribbean (<xref ref-type="bibr"
								rid="B1">Abba; Corsetti, 2016</xref>).</p>
						<p>Three public Indigenous universities were established in Bolivia under
							Evo Morales’ administration with the goal of decolonizing higher
							education and using a community-based approach: the UNIBOL Guaraní and
							Lowland Peoples “Apiaguaiki Tüpa,” the UNIBOL Aymara “Tupak Katari,” and
							the UNIBOL Quechua “Casimiro Huanca.” Numerous public universities in
							Mexico, like the Autonomous University of the State of Morelos (UAEM)
							and the Autonomous Indigenous University of Mexico (UAIM), aim to
							provide intercultural education or popular education.</p>
						<p>A relatively recent and expanding trend of progressive public
							universities with a popular and polyphonic orientation is exemplified by
							these few examples. Furthermore, many Latin American countries have
							implemented significant inclusion and democratization policies in higher
							education in recent decades, in contrast to the elitism and
							commodification of universities. One example of this is Brazil’s
							affirmative action and quota policies for Black, Indigenous, and
							public-school students. Understanding “to what extent a public
							university, bureaucratically organized, focused on scientific knowledge,
							and oriented toward granting diplomas, can actually be considered
							popular” is the primary concern with progressive public universities,
							according to <xref ref-type="bibr" rid="B35">Santos (2018)</xref>.</p>
					</sec>
					<sec>
						<title>3.2. Counter-hegemonic extension programs and projects</title>
						<p>Counter-hegemonic extension programs and projects aim to create a
							popular, solidarity-based, and socially committed extension- not with
							the market, but with the excluded populations-in contrast to neoliberal
							extension programs and projects, which establish dialogue and
							cooperation with the market, reducing extension to a means of generating
							income for the university.</p>
						<p>With fewer structures and resources, but with greater autonomy and
							potential for subversion than progressive public universities, there are
							many extension programs and projects that, even existing within
							traditional and sometimes extremely conservative universities, manage to
							create counter-hegemonic spaces for dialogue, interaction, learning, and
							commitment between intellectuals, students, organizations, movements,
							and local communities. Examples include: the Pedagogy of the Land and
							Indigenous Teaching degree programs, conceived and carried out in
							partnership between universities and social movements; the “Law Found in
							the Street,” which starts from the subversive idea that law must be
							sought in the street, in public spaces, in the claims of marginalized
							populations, in social movements fighting for dignity and justice, and
							not just in institutions and the State as provided by positivist law;
							the Poles of Citizenship program, which, along with peripheral
							communities, seeks to guide the law in the service of social
							transformation; the “Meeting of Knowledge” project, which promotes
							dialogue between academic knowledge and traditional knowledge through
							the recognition of popular masters as teachers in universities (with all
							the complexity, difficulties, problems, and resistance that such
							boldness entails).<sup><xref ref-type="fn" rid="fn23">9</xref></sup></p>
						<p>The Observatory of the National Policy of Integral Health for Populations
							of the Countryside, Forest, and Waters (OBTEIA), which promotes research
							engaged with social demands developed in co-authorship between academic
							intellectuals and activists from social movements; and the South-South
							Network, an intercultural and counter-hegemonic program of reflection,
							training, and action integrating the peoples and knowledge of the South,
							are still in their early stages. This is just to illustrate the
							diversity of proposals and programs being developed in this field,
							alongside many projects of solidarity economy, popular legal assistance,
							popular education, and participatory action-research, carried out by
							extension groups from universities across Latin America.</p>
					</sec>
					<sec>
						<title>3.3. Popular universities of the North</title>
						<p>The Popular Universities of the North are examples of popular
							universities that arose, especially in Europe, with the shared objective
							of educating the working classes about modern science and academic
							knowledge.</p>
						<p>In Central Europe, especially in France, England, Germany, Belgium, and
							Italy, a number of popular universities were founded at the close of the
							19th and the start of the 20th centuries. In order to spread technical
							knowledge to the populace, anarchist, communist, and workers’ parties
							founded these universities (<xref ref-type="bibr" rid="B20">Gurgel,
								1986</xref>). Anarchist Italian and Greek laborers without access to
							higher education established the Popular University of Alexandria in
							Egypt in 1901, nearly concurrently with the founding of the first
							popular university in Paris in 1899 (<xref ref-type="bibr" rid="B19"
								>Gorman, 2005</xref>). The concept gained traction in Europe, where
							more than 200 well-known universities were established in the early 20th
							century. These were frequently union centers or community gathering
							places where progressive thinkers devoted their time to educating
							workers about general topics.</p>
						<p>Despite the staggering social problems amplified by the advance of
							capitalist industrialization at the beginning of the 20th century, there
							was a strong epistemological trust in Western modernity, reason, and
							scientific knowledge as the sole and exclusive source of truth and
							freedom. In this way, many of the initiatives for popular universities
							in Europe were driven by the aspiration to educate disadvantaged
							populations, bringing Marxist culture and scientific knowledge to the
							working classes, who were completely excluded from formal
									education.<sup><xref ref-type="fn" rid="fn24"
							>10</xref></sup></p>
						<p>Many of the popular universities created throughout the 20th century
							still exist today, and there are even networks of popular universities
							in Europe, such as the Association of Popular Universities of France
							(AUPF), which brings together more than 80 French popular
									universities.<sup><xref ref-type="fn" rid="fn25">11</xref></sup>
							Furthermore, we can say that the popular universities of the North
							influenced many initiatives in both Europe and Latin America. This is
							not a territorial metaphor, but rather an epistemological one. Examples
							include the Gonzáles Prada Popular University, which was proposed by
							Mariátegui in 1922, the numerous trade union schools that are dispersed
							throughout the continent, and the educational experiences of marxist
							party cadres.</p>
					</sec>
					<sec>
						<title>3.5. Popular universities of the South</title>
						<p>The popular universities of the North and the South have very different
							experiences, practices, and goals. While the popular universities in the
							North are concerned with adult education, professional training, and the
							dissemination of knowledge, culture, and science created in conventional
							universities (<xref ref-type="bibr" rid="B38">SOUZA, 2005</xref>: 255),
							the popular universities in the South are heavily influenced by popular
							education, interculturality, and the real struggles of marginalized
							populations. These popular universities were created in response to the
							need of collectives, communities, and movements to affirm themselves and
							produce their own knowledge and ways of knowing that were routinely
							discredited and ignored by conventional universities. The initiatives we
							classify as popular universities of the South are generally recent,
							having been conceived and developed in the last few decades by social
							movements themselves to autonomously and interculturally produce and
							transmit their own knowledge, values, worldviews, and teachings, with
							their own methods, pedagogies, and objectives. These institutions have
							been designated as “universities of social movements” by <xref
								ref-type="bibr" rid="B4">Benzaquen (2012)</xref>, “intercultural
							higher education institutions” by Daniel <xref ref-type="bibr" rid="B24"
								>Mato (2009)</xref>, and “second-generation popular universities” by
								<xref ref-type="bibr" rid="B35">Santos (2018)</xref>.</p>
						<p>The popular universities in the South, which claim to be universities,
							perform tasks that institutionalized universities are unable, unwilling,
							or incapable of performing. Instead of trying to spread the knowledge
							produced by the university to the general public, they are spaces that
							help dismantle the idea that academic knowledge is universal, challenge
							the monocultural logic of scientific knowledge production, confront it
							with alternative ways of knowing, and use it in a counter-hegemonic
							manner. This is in contrast to the popular universities of the
							North.</p>
						<p>The experiences of well-known southern universities that are being
							established in different Global South nations are diverse. The Landless
							Workers’ Movement (MST) constructed the National School Florestan
							Fernandes (ENFF) in Brazil to train its militants politically, and it
							has since grown significantly in significance. Additionally, it brings
							in activists from social movements in Brazil as well as other nations
								(<xref ref-type="bibr" rid="B15">Fernandes, 2007</xref>; <xref
								ref-type="bibr" rid="B4">Benzaquen, 2012</xref>). Popular University
							of the Mothers of the Plaza de Mayo (UPMPM) has achieved success in
							Argentina. In order to collectively produce knowledge involved in social
							transformation, the mothers of young people killed during the Argentine
							military dictatorship idealized and implemented this university of
							struggle and resistance. in Ecuador, a fundamental reference of
							resistance is the Intercultural University of Nationalities and
							Indigenous Peoples “Amawtay Wasi,” created by Andean indigenous
							movements. In Colombia, there are several initiatives such as the
							University of the Peoples and the Peasant University of Civil
							Resistance, built by movements fighting for peace and justice in
							conflict and guerrilla areas; and the Autonomous Indigenous
							Intercultural University (UAIIN), created by the Regional Indigenous
							Council of Cauca (CRIC), in the pursuit of building an educational
							system of its own, compatible with the needs and worldviews of local
							communities and capable of combining the wisdom of indigenous peoples
							with the knowledge of other cultures.<sup><xref ref-type="fn" rid="fn26"
									>12</xref></sup> In Mexico, the Zapatista movement has been
							leading the University of the Land (UNITIERRA), which was founded in
							1999 based on the recognition by the indigenous peoples of Chiapas that
							the school has been the main instrument of the State in destroying their
							communities. Therefore, the creation of an alternative educational
							system was deemed necessary, one that is deeply rooted in the knowledge
							of local communities and in the social and political transformation
							processes of the region (<xref ref-type="bibr" rid="B43">Unitierra,
								2018</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="B4">Benzaquen, 2012</xref>).
							In Algeria, the Popular University of Tifariti has the bold singularity
							of being located in the refugee camps on the border with Western Sahara
							and having as its mission the production of knowledge for the liberation
							and self-determination of the Sahrawi people. In India, since 1972,
							there has been the University of Barefoot, which, inspired by the
							principles of Mahatma Gandhi, offers professional courses built
							alongside the local communities of Rajasthan; and the Tibetan University
							in Exile, created by the Tibetan monks exiled in northern India (<xref
								ref-type="bibr" rid="B9">Carvalho; Flórez, 2014</xref>).<sup><xref
									ref-type="fn" rid="fn27">13</xref></sup></p>
						<p>The denial of the exclusive legitimacy of scientific knowledge; the
							criticism of the traditional, Western, modern, colonial, patriarchal,
							and commercial university; the dedication to creating counter-hegemonic
							educational models; the promotion, valorization, and collective
							production of popular knowledge; and an openness to communication,
							acknowledgment, and interculturality are all shared by these experiences
							and initiatives, despite their vast diversity. The Popular University of
							Social Movements (PUSM), with its unique characteristics that we will
							look at below, is one of the many unconventional experiences of popular
							universities from the South.</p>
					</sec>
				</sec>
				<sec>
					<title>4. The conventional university and the PUSM</title>
					<p>With the intention of encouraging the sharing of knowledge to broaden,
						express, and fortify social struggles, the PUSM was established in January
						2003 during the third World Social Forum (WSF) after it was recognized that
						social movements, non-governmental organizations, and academia lacked
						reciprocal knowledge. Given that almost nothing about PUSM is similar to
						traditional education, it makes sense that it creates strangeness.</p>
					<p>We are discussing an educational experience that does not have any
						instructors or students, no physical headquarters or assets under its name,
						no syllabus or curricula, no classes, subjects, or training courses, and
						participation in its activities is contingent on social activism rather than
						academic achievement. PUSM has demonstrated itself to be a pedagogical,
						epistemological, and political experience of reciprocal learning, collective
						production of counter-hegemonic knowledge, and the articulation of the
						diversity of knowledge and practices that rise in favor of dignity and
						against oppression and injustice. It operates in the form of twoto three-day
						thematic workshops that include in-person meetings with intensive work
						periods, discussion, study, collective work, leisure, and socialization.</p>
					<p>Given that it operates outside of the traditional university’s framework and
						offers an alternative approach to knowledge management, it is odd that PUSM
						calls itself a “university,” given that nothing about it is similar to the
						hierarchical, institutional, and bureaucratic structure of universities. By
						appropriating the name, a political controversy is sparked regarding its
						meaning, objectives, and social interaction style. In order to give the term
						“university” a popular and counter-hegemonic character, PUSM subverts it. It
						transmits and produces knowledge, but not in the ways that science suggests.
						This makes it a university. It gives legitimacy to other ways of producing
						knowledge. The assertion that the knowledge generated by social struggles is
						equivalent to that produced by traditional universities is made possible by
						the claim to university status.</p>
					<p>The counter-hegemonic university project of PUSM is founded on the idea that
						the university and the knowledge and curricula it produces need to be
						decolonized, de-patriarchalized, de-commodified, and democratized. This is
						based on the epistemologies of the South (<xref ref-type="bibr" rid="B26"
							>Merladet, Reis, Sussekind, 2020</xref>). Decolonizing entails fighting
						against institutional racism, racial discrimination, and the coloniality of
						university-produced knowledge in all of its manifestations. In addition to
						“teaching, research, and extension,” the university must learn from the
						world’s diversity, starting with learning “with” the Other rather than
						“about” it. In this way, PUSM has partnered with wellknown extension
						programs and projects to host workshops where extension happens in reverse,
						where excluded social groups share their historically delegitimized
						knowledge with the university instead of the university sharing its
						knowledge with those who do not know anything.</p>
					<p>De-patriarchalizing entails fighting against the gender inequality and
						machismo that still exist in higher education, which views as unacceptable
						any sexual discrimination and any information that implies or leads to the
						subordination of women. In particular, PUSM workshops, which are
						consistently made up of an equal or higher proportion of women than men,
						have been primarily promoted by feminist movements. The many feminist
						movements have the chance to converse with one another and with a wide range
						of other social struggles through PUSM’s activities. These discussions are
						enriched by feminist inquiries as well as inquiries about alternative
						solutions and forms of resistance.</p>
					<p>De-mercantilizing entails opposing the direction that capital seeks to force
						on the university, which goes against both the university’s
						commercialization and privatization policies as well as its focus on
						producing specialized labor, knowledge, and techniques for the market. In
						this sense, the UPMS never engages in commercially viable activities or
						services, and even the organizations that provide funding to PUSM have no
						special influence over the selection of workshop participants, subjects,
						approaches, or results. Its entire operation occurs both outside and in
						opposition to the capitalist market. Additionally, PUSM never hosts events
						in which admission is paid for. On the contrary, it is a requirement of
						their methodology that all attendees of their workshops receive lodging,
						meals, and transportation for the duration of the activities.</p>
					<p>Last but not least, democratizing entails not just making scientific
						knowledge more widely accessible by increasing university enrollment but,
						more importantly, broadening the body of knowledge and methods of knowledge
						production and dissemination. This will challenge the cognitive empire of
						science with the world’s epistemological diversity, which it has
						historically delegitimized. PUSM proposes that learning be reciprocal and
						that knowledge be collectively built by many voices and many hands, based on
						the potentially infinite diversity of knowledge and ways of producing
						knowledge (living, pulsating, deep knowledge that the university
						systematically ignores). Much of what academic and scientific knowledge has
						taught us as distinct and universal truths must be difficult to unlearn in
						order to accomplish this. The idea of knowledge dissemination, which is so
						important to higher education institutions, is replaced in PUSM by the
						concepts of intercultural translation and ecology of knowledge. This is in
						contrast to the conventional university, which derives its strength from the
						exclusive knowledge it produces.</p>
				</sec>
				<sec>
					<title>5. PUSM and Popular Universities</title>
					<p>Right in the first pages of its Methodological Guidelines Document, PUSM
						clearly distinguishes itself from popular universities:</p>
					<disp-quote>
						<p>The PUSM is not a training school for cadres or leaders of organizations
							and social movements. Although PUSM is clearly oriented toward the
							action of social transformation, its goal is not to provide the types of
							skills and instruction typically offered by the already known
							experiences of popular universities (<xref ref-type="bibr" rid="B44"
								>PUSM, 2012a</xref>, p. 3).</p>
					</disp-quote>
					<p>There are many well-known higher education programs around the world,
						especially in the Global South, as we have seen in the preceding pages. Each
						has its own dynamics, history, audience, goals, viewpoints, and approaches.
						Nonetheless, nearly all of them concentrate on particular topics (e.g.,
						Indigenous knowledge, trade unionism, regional integration, fighting racial
						discrimination, the fight for land, education for peace, anarchism, or
						Marxism). However, there are not enough inter-thematic projects that can
						bridge the knowledge gaps from the various communities, peoples,
						organizations, and movements working to change society.</p>
					<p>PUSM’s uniqueness resides in its capacity to horizontally and non-directively
						address a number of themes pertinent to diverse struggles. Even if the
						knowledge is emancipatory, intercultural, engaged, socially committed,
						and/or locally produced, PUSM does not aim to impart a particular body of
						knowledge to participating movements, in contrast to the majority of
						well-known universities. Rather, it aims to promote an ecology of knowledge
						among the various methods of knowledge production found in its workshops
						through intercultural translation.</p>
					<p>Hence, its Charter of Principles states that:</p>
					<disp-quote>
						<p>Its specific vocation is inter-thematic and intercultural: inter-thematic
							because it aims to promote encounters and dialogue between
							movements/organizations with different agendas and struggles to
							facilitate alliances and articulations among actors (for example,
							between feminist, workers’, Indigenous, quilombola, Afro-American,
							religious, student, ecological, rural, urban movements, and others);
							intercultural because it seeks to create mutual understanding between
							cultures and narratives, between principles and mobilizing and guiding
							concepts for the social transformation of different struggles (<xref
								ref-type="bibr" rid="B45">PUSM, 2012b</xref>, p. 21).</p>
					</disp-quote>
					<p>Furthermore, because it aims to create a trans-scalar and
						multi-territorialized approach, PUSM has a more global vocation than other
						well-known universities due to the fact that it does not have a physical
						headquarters in a particular region. This makes it possible for it to
						conduct and express activities and actions on a local, national, regional,
						and international level across a variety of territories. Therefore, the
						multi-territorialized, trans-scalar, intercultural, and inter-thematic
						nature of the Popular University of Social Movements distinguishes it from
						other popular university experiences. In its global activities, it brings
						together the greatest variety of struggles, organizations, communities, and
						movements. By being so strongly opposed to all types of monocultures, it
						aims to promote conversations and mutual learning between the scientific
						knowledge that supports social struggles and the popular knowledge that
						emerged from those struggles, rather than teaching participants in its
						activities specific, predetermined content.</p>
					<p>PUSM, however, aims to enhance and fortify current initiatives put forth by
						various movements and organizations rather than to replace or compete with
						well-known universities. It takes on the responsibility of making them
						visible and encouraging understanding and communication between various
						common experiences in higher education. The First Social Forum on Popular
						Education, which was planned and conducted by PUSM in cooperation with other
						organizations in January 2016, is a prime illustration of this. This
						gathering brought together popular universities, counter-hegemonic extension
						programs, progressive public universities, and popular education
						experiences.</p>
				</sec>
				<sec>
					<title>6. The PUSM experience report</title>
					<p>Attending a PUSM workshop causes us to reconsider our personal experiences
						and fosters an openness to interacting with different types of information.
						By acknowledging the other, their worldviews, and their epistemologies, it
						humanizes us and inspires us to “be more” through inclusive, humanizing, and
						rebellious political discourses and practices. This article, which was
						co-authored with one of PUSM participants, honors the ecology of knowledge,
						the decolonization of the university, and the proposal for collective and
						shared knowledge production. Her description of the encounter is as
						follows:</p>
					<p>I participated in the workshop “Defend and Decolonize the University: From
						Resistance to the Ecology of Knowledge,” organized by PUSM at the
						Universidade Federal Fluminense (UFF), during the 39th meeting of the
						National Association for Postgraduate Education and Research (ANPEd), held
						from October 20 to 22, 2019.I represented GT 18 of ANPEd (Education of Young
						and Adult People) and participated as a teacher, researcher, and activist in
						the field of popular education for young people, adults, and the elderly in
						rural and peripheral areas.</p>
					<p>Collective and solidarity work, the meeting of people, ideas, knowledge,
						actions, dreams, memories, identities, resistances, insurgencies, utopias,
						and workable innovations are the sources of the shared writing here. We
						acknowledge that we are social, political, and historical beings with the
						capacity to practice UBUNTU (I am because we are) and learn
						collectively.</p>
					<p>My participation in the workshop was a turning point in my formative,
						academic, professional, and especially human journey. Sharing knowledge,
						actions, and words over 30 hours of collective work resonated deeply in my
						life. The experience of being in community not only with my peers from
						academia, but also with people from diverse struggles, holders of multiple
						knowledges, and singular formative paths forged in the resistance for the
						survival of their ways of life, was extraordinary and educational. We truly
						materialized collectively the ecology of knowledge and consolidated the
						importance of the articulation between the university and the popular social
						movements that engage with life and the radical transformation of humanity,
						with the horizon of utopia and “hope.”</p>
					<p>Like Paulo Freire, we believe in the importance of each person as a radical
						agent of change. Our meeting was unique because in it we celebrated our
						(inter)connections and bonded as “relatives,” that is, we cried and laughed
						with each other; we shared dreams, desires, fears, projects, and above all,
						we were willing to care for each other. In a scenario of (un)certainty and
						(in)security, it is necessary to articulate and consolidate bonds of
						protection and affection. From this perspective, it was essential for us to
						understand our dilemmas and possibilities, what united us, what distanced
						us, what strengthens us, what limits us, and what we can do together.</p>
					<p>The groups of activists and leaders of popular social movements, as well as
						representatives of the ANPED GTs, were able to reflect on the political and
						educational scenario in a humane and fraternal dialogue during the workshop.
						This was based on the non-hierarchization of the various knowledge present,
						the systematization of experiences, and strategies for organizing organized
						collectives in defense and strengthening democracy, freedom, and education
						as a field of human and solidarity formation, as well as the fight for the
						guarantee of rights that make us equal in our differences.</p>
					<p>The organization and planning of articulations, shared actions, and group
						activities outside of the workshop were aided by the reflections on the
						articulation between what is unique and what is multiple, between what is
						global and what is local. These reflections were always conducted from the
						perspective of the ecology of knowledges and with regard to the various
						forms of knowledge, practices, speech, and lively voices that denounce and
						announce. For instance, the workshop’s outcomes led to the university
						organizing extension courses (short courses and improvement courses) from a
						popular education perspective, based on Freirean assumptions and principles,
						and particularly on what we were able to develop as a group through the
						reciprocal learning that was offered during the workshop days.</p>
					<p>Groups were tasked with presenting ideas and advancements during the
						discussions that addressed the workshop’s proposal, “Defend and decolonize
						the university: from resistance to the ecology of knowledges.” PUSM
						announces the decolonization of minds and dominant knowledges through a
						different conception of education, whose premises are of a critical,
						dialogical, intercultural, and decolonial pedagogy. It is inspired by
						Freire, popular education, and the epistemologies of the South. A
						democratic, critical, and dialogical education that makes it possible to
						overcome colonialist educational practices that impose an oppressive,
						dehumanizing, and accommodating order on people while preventing the
						development of genuine, insubmissive, transgressive beauty and thought.</p>
					<p>Understanding popular thought as valid knowledge that is neither
						subalternized nor subalternizing was a key topic covered in the workshop. As
						an ongoing learning process that is connected to the practice of freedom,
						justice, and well-being, education is essential and helps people become more
						humanized so they can deal with the unfair, unequal, and perverse reality
						they live in. As a result, it is not just any kind of education; rather, it
						is an education dedicated to the participants’ freedom, aspirations,
						knowledge, hardships, and struggles.</p>
					<p>One of the challenges of Brazilian education, in a capitalist context
						characterized by exclusion, injustice, and inequality-which puts the
						majority of the population in situations of unemployment, exploitation, and
						misery-is comprehending the profile of the popular educator in a society
						that is constantly changing and experiencing numerous setbacks, as we
						discussed during the workshop’s experiences and activities. Keep in mind
						that in 2019, we were under a proto-fascist government that flirted with
						military dictatorships, and that social movements were becoming increasingly
						criminalized.</p>
					<p>Understanding worldviews that have their roots in the histories of
						marginalized and/or suppressed cultures, which are full of hardships,
						resistances, hard work, aspirations, utopias, and beauty, bolstered our own
						existence and made us think about the need to deepen and broaden discussions
						about the conflicts and contradictions that arise between popular education
						and the university, particularly in university extension, with the various
						knowledges generated in popular social movements. In the various contexts
						created collectively, between conflicts and processes of articulation and
						mutual knowledge, it was vital and humanizing to learn about and comprehend
						these additional possibilities of revealing and unveiling the here and now.
						The search for a becoming, a more shared being among all, was aided by the
						realization that we were (in)finished beings during the days we spent
						together, desiring dreams and viable novelties. Education is a historical,
						political, and ideological process that is infused with the culture of a
						place and time as well as with common aspirations for freedom. In this
						manner, the beauty that each individual brought to the workshop and beyond
						was shared.</p>
				</sec>
			</sec>
			<sec sec-type="conclusions">
				<title>Conclusion</title>
				<p>Is a university able to have popularity? Is it possible for academics and
					activists to share knowledge at a university? Can a university use scientific
					knowledge as one of many knowledges that share the variety of worldviews, rather
					than as the only knowledge? Can a university seek to express knowledge for
					progressive social change and social emancipation? Can a university’s ultimate
					objective be to produce and disseminate transformative strategies and actions
					that effectively combat the injustices of our day, in addition to producing and
					disseminating knowledge? Is it possible for a university to have a different
					possible world as its utopia and be counter-hegemonic?</p>
				<p>This article examines the connections among PUSM, popular education, traditional
					universities, and popular higher education experiences. We observed that there
					are many well-liked initiatives in higher education, even in spite of the
					elitism, colonialism, and growing commercialization of traditional universities.
					This plurality includes PUSM, which sets itself apart from other popular higher
					education experiences through its multiterritorialized action, trans-scalar,
					intercultural, and intertematic nature, and its goal of promoting horizontal
					dialogues and reciprocal learning between popular and scientific knowledge
					rather than imparting a particular knowledge to its participants.</p>
				<p>With this work, we aim to demonstrate that the experience of PUSM can offer
					contributions to the challenge of thinking about a popular university, through
					the search for complementarity between Freire’s pedagogy of the oppressed and
					what we have been calling the pedagogy of articulation.<sup><xref ref-type="fn"
							rid="fn28">14</xref></sup></p>
				<p>The pedagogy of the oppressed, as we have seen in the preceding pages, “makes
					oppression and its causes the object of reflection for the oppressed, resulting
					in their necessary engagement in the struggle for their liberation” (<xref
						ref-type="bibr" rid="B16">Freire, 2011</xref>, p. 43). Freire suggests this
					pedagogy as a means of fostering critical consciousness and political formation
					for the popular classes through the dialogue suggested by popular education, in
					conjunction with literacy. In order to enable more robust articulations and more
					daring and successful collective actions between them, PUSM goes one step
					further by developing in its workshops an articulation pedagogy that seeks to
					foster the ecology of knowledges, interknowledge, and mutual intelligibility
					among diverse social struggles.</p>
				<p>It is important to keep in mind that, in Freire’s time, socialism was a clearly
					defined revolutionary project that, in order to be genuine, had to “inaugurate
					the courageous dialogue with the masses” (<xref ref-type="bibr" rid="B16"
						>Freire, 2011</xref>, p. 172). However, in the context of PUSM, there are a
					number of emancipatory projects that must be articulated in the fight for a
					different possible world through dialogue and conflict (that is, by arduously
					negotiating their divergences and convergences) rather than a clear
					revolutionary project that must be advanced through dialogue. Additionally,
					PUSM’s area of practice is the relationship between struggles and the various
					knowledges that make them up, whereas the primary focus of popular education
					practices is grassroots work. In this sense, the main purpose of PUSM workshops
					is to facilitate the articulation and intelligibility of movements rather than
					to establish their foundation.</p>
				<p>For instance, Freire (1979) highlights the significance of awareness in the
					educational process to make students the agents of their own destinies in
					Education and Change. It is clear that activists in the movements have a
					critical consciousness of themselves as subjects of social transformation, so
					referring to awareness in PUSM is redundant and out of date in contrast to
					Freire’s context. The awareness suggested by Freire is a given fact in the
					workshops conducted by PUSM, rather than something that is aimed to be created
					in the movements. As the experience report shows, PUSM prioritizes a pedagogy of
					articulation based on the relationship between diverse knowledges rather than
					the awareness of the oppressed because of the lack of awareness regarding the
					legitimacy and significance of struggles beyond their own.</p>
				<p>As a result, a fishing community can effectively educate and politically train
					its leaders and members to defend their struggles through the pedagogy of the
					oppressed, as well as effectively incite the necessary outrage and rebellion in
					them to fight those who perpetrate injustices within their community.
					Conversely, PUSM’s pedagogy of articulation is a useful tool for the
					articulation and development of cooperative actions between their activists and
					those of other communities and other social struggles, rather than for the
					fishermen’s political and educational development or for inspiring them to fight
					against the injustices they experience (though this also occurs in their
					workshops).</p>
				<p>By focusing on the ecology of knowledge, intercultural translation, reciprocal
					learning, and horizontal articulation among individuals who already possess a
					critical awareness of the world, we can conceptualize PUSM as a type of higher
					education in popular education. This allows for the discussion of complex
					issues, strategies of struggle and resistance, tangible forms of action, and
					opportunities for alliances. PUSM is their university, where activists from
					movements with a long history of political formation and struggle experience
					find the chance to develop new knowledge and practices in articulation with
					activists from other movements and critical intellectuals dedicated to social
					struggles. If popular education is the school of social movements, that is, the
					space where movements build the educational and political formation of their
					activists, then PUSM is their university. In this sense, discussion, education,
					and expression all work in concert to strengthen oppositions and alternatives to
					the various types of oppression and dominance brought about by capitalism,
					colonialism, and patriarchy.</p>
				<p>This complementarity between PUSM and popular education leads us to the
					conclusion that, in the new 21st-century contexts, PUSM updates Freire’s
					proposal to reflect contemporary challenges. As a result, it stays true to
					Freire in a broader sense by imagining what he would think today while
					accounting for the shifting political and social structures of our era. “I have
					no doubt that sooner than many think, men and women of the world will reinvent
					new ways of fighting that we cannot even imagine now,” <xref ref-type="bibr"
						rid="B17">Freire (2003)</xref> writes prophetically on the back cover of his
					book El Grito Manso. This prophecy is what PUSM aims to achieve.</p>
			</sec>
		</body>
		<back>
			<fn-group>
				<fn fn-type="other" id="fn15">
					<label>1</label>
					<p> Text translated by Thaís Marçal da Silva - Universidade de Brasília</p>
				</fn>
				<fn fn-type="other" id="fn16">
					<label>2</label>
					<p> According to Fals Borba (<xref ref-type="bibr" rid="B12">2009</xref>, p.
						243), militant research was defined as &quot;the attitude of the
						intellectual who, upon becoming aware of their connection to society and the
						world of their time, renounces the position of a mere spectator and places
						their thought or art at the service of a cause.&quot; To put it another way,
						the researcher in this kind of research is also an activist who, by fusing
						research with political action, applies objectivity and scientific rigor to
						generate knowledge that can actually support the social struggles of the
						oppressed and contribute to social transformation.</p>
				</fn>
				<fn fn-type="other" id="fn17">
					<label>3</label>
					<p> The preferential treatment of the poor is an epistemological decision in
						which &quot;the poor constitute the locus from which the concepts of God,
						Christ, grace, history, the mission of the churches, the meaning of
						economics, politics, and the future of societies and humanity are reflected
						upon&quot; (IDEM: 151). Boff (2004a: 150) claims that Liberation Theology is
						the result of &quot;ethical indignation in the face of poverty and the
						collective misery of the masses&quot;. It is no accident that Freire, who
						has strong ties to the progressive wing of the Catholic Church, calls his
						teachings liberating and his pedagogy the &quot;pedagogy of the
						oppressed,&quot; highlighting the direction of an education that prioritizes
						the underprivileged.</p>
				</fn>
				<fn fn-type="other" id="fn18">
					<label>4</label>
					<p> In order to quickly teach literacy to adults from popular classes, Freire
						first came up with the idea of culture circles. Instead of using a
						traditional classroom, these groups meet in a circle and, with the help of
						an educator, discuss subjects that are relevant to the students' everyday
						lives while learning to read and write.</p>
				</fn>
				<fn fn-type="other" id="fn19">
					<label>5</label>
					<p>
						<xref ref-type="bibr" rid="B35">Santos (2018)</xref> details the
						establishment of a &quot;cognitive empire&quot; of contemporary science that
						haughtily asserted its exclusive right to legitimate knowledge, defining it
						in accordance with its own standards and rejecting the rationality of any
						knowledge that did not fit the limited definition of what it deemed to be
						scientific knowledge. A monoculture of knowledge and epistemic
						totalitarianism that leads to severe cognitive injustices are the results of
						this &quot;cognitive empire&quot; in education. The denial of
						contemporaneity and the incalculable gap between scientific knowledge and
						other types of knowledge production are the foundations of these
						injustices.</p>
				</fn>
				<fn fn-type="other" id="fn20">
					<label>6</label>
					<p> By doing this, we hope to gain a better understanding of the context in
						which the relationship between popular education and the university
						develops, rather than conducting a comprehensive investigation of these
						experiences. See <xref ref-type="bibr" rid="B4">Benzaquen (2012)</xref> for
						additional classification models of common experiences in higher
						education.</p>
				</fn>
				<fn fn-type="other" id="fn21">
					<label>7</label>
					<p> André <xref ref-type="bibr" rid="B33">Rubião (2013)</xref> uses the term
						&quot;Córdoba model&quot; in his book &quot;History of the University:
						Genealogy for a Participatory Model&quot; to compare it to the traditional
						university models, which include the multiversity model (North American
						university), the Napoleonic model (French university), the Humboldtian model
						(German university), and the Newmanian model (English university).</p>
				</fn>
				<fn fn-type="other" id="fn22">
					<label>8</label>
					<p> In support of his claim that &quot;the student movement that began with the
						struggle of the students of Córdoba for the reform of the University marks
						the birth of a new Latin American generation,&quot; José <xref
							ref-type="bibr" rid="B23">Mariátegui (2007</xref> [1928]: 100)
						demonstrates how the idealized university reform of the Córdoba movement
						influenced the demands of students from Cuba in 1923, the platform of
						struggle of students from Colombia in 1924, the proposals of students from
						Mexico and Chile in 1921, and the students from Peru in 1919 and 1926.</p>
				</fn>
				<fn fn-type="other" id="fn23">
					<label>9</label>
					<p> &quot;An expansion of the universe of knowledge, so that we move from a
						monoepistemic university to a multi-epistemic university&quot; is necessary,
						according to José Jorge Carvalho, the idealizer of the &quot;Meeting of
						Knowledge&quot; project (<xref ref-type="bibr" rid="B11">Carvalho,
							2010</xref>, p. 241).</p>
				</fn>
				<fn fn-type="other" id="fn24">
					<label>10</label>
					<p> To learn more about the beginnings and development of popular universities,
						see Agustín <xref ref-type="bibr" rid="B28">Osorio (2006)</xref>, Júlia
							<xref ref-type="bibr" rid="B4">Benzaquen (2012)</xref>, and Roberto
						Mauro <xref ref-type="bibr" rid="B20">Gurgel (1986)</xref>. Please refer to
						Lucien <xref ref-type="bibr" rid="B25">Mercier (1986)</xref> and Leopoldo
						Marini <xref ref-type="bibr" rid="B29">Palacios (2002</xref> [1908]) for a
						study of popular universities in Europe in the early 1920s. See Jean Claude
							<xref ref-type="bibr" rid="B31">Richez (2018)</xref> for a contemporary
						and comparative analysis of well-known universities in Sweden, France,
						Germany, and Italy. Lastly, José Romão and Adriana Loss (<xref
							ref-type="bibr" rid="B32">2013</xref>) provide an analysis of well-known
						Brazilian universities.</p>
				</fn>
				<fn fn-type="other" id="fn25">
					<label>11</label>
					<p> I appreciate you providing the link. I can't, however, directly access
						external websites. To learn more about the Association of Popular
						Universities of France (AUPF), go to the website at the given URL: <ext-link
							ext-link-type="uri"
							xlink:href="http://www.universitespopulairesdefrance.fr/"
							>http://www.universitespopulairesdefrance.fr/</ext-link>.</p>
				</fn>
				<fn fn-type="other" id="fn26">
					<label>12</label>
					<p> &quot;When we speak of our own education, it is not as some believe, that it
						is just about staying within the community, focusing only on internal
						management, or that the training process is the exclusive property of each
						community, without allowing for socialization, exchange, and enrichment with
						other cultures,&quot; is a noteworthy way that the indigenous peoples of
						Colombia define what they refer to as their own educational system.
						According to the Regional Indigenous Council of Cauca apud <xref
							ref-type="bibr" rid="B39">Tattay (2013)</xref>, p. 91, &quot;We view our
						own education as the capacity and right to direct, organize, and construct
						educational processes and proposals with a critical and proactive stance
						toward the education that we wish to transform.&quot;</p>
				</fn>
				<fn fn-type="other" id="fn27">
					<label>13</label>
					<p> See the works organized by <xref ref-type="bibr" rid="B24">Mato
							(2009)</xref>; Loeza et al. (2015) for a more thorough summary and
						in-depth research on the variety of popular and intercultural higher
						education experiences in Latin America.</p>
				</fn>
				<fn fn-type="other" id="fn28">
					<label>14</label>
					<p> We refer to the particular shape that educational practices take when their
						goal is to build bridges of communication, mutual learning, and solidarity
						among the forms of resistance to the oppression, injustice, and suffering
						brought about by capitalism, colonialism, and patriarchy as &quot;pedagogy
						of articulation&quot; (<xref ref-type="bibr" rid="B27">Merladet,
						2020</xref>).</p>
				</fn>
			</fn-group>
			<ack>
				<title>Acknowledgements and Support</title>
				<p>This work was carried out with the support and funding from the National Council
					for Scientific and Technological Development (CNPq) and the Carlos Chagas Filho
					Foundation for Research Support of the State of Rio de Janeiro (FAPERJ), Process
					SEI 260003/014861/2023.</p>
			</ack>
		</back>
	</sub-article>
</article>
