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			<journal-title-group>
				<journal-title>Revista da FAEEBA: Educação e Contemporaneidade</journal-title>
				<abbrev-journal-title abbrev-type="publisher">Rev. FAEEBA - Ed. e
					Contemp.</abbrev-journal-title>
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			<issn pub-type="epub">2358-0194</issn>
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				<publisher-name>Universidade do Estado da Bahia</publisher-name>
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			<article-id pub-id-type="doi"
				>10.21879/faeeba2358-0194.2024.v33.n76.p270-287</article-id>
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					<subject>Artigo</subject>
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			<title-group>
				<article-title>JOVENS VOLUNTÁRIOS(AS) EM UM CURSINHO POPULAR UNIVERSITÁRIO: OS
					SENTIDOS DA EXPERIÊNCIA</article-title>
				<trans-title-group xml:lang="en">
					<trans-title>YOUNG VOLUNTEERS AT A POPULAR UNIVERSITY COURSE: THE MEANINGS OF
						THE EXPERIENCE</trans-title>
				</trans-title-group>
				<trans-title-group xml:lang="es">
					<trans-title>JÓVENES VOLUNTARIOS(AS) EN UN CURSO POPULAR UNIVERSITARIO: LOS
						SENTIDOS DE LA EXPERIENCIA</trans-title>
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				<contrib contrib-type="author">
					<contrib-id contrib-id-type="orcid">0009-0007-0397-3384</contrib-id>
					<name>
						<surname>Alves</surname>
						<given-names>Izabella Rodrigues</given-names>
					</name>
					<bio>
						<p><sup>*</sup> Mestra em Educação pela Universidade Federal de Minas
							Gerais. Professora de Geografia nas redes municipais de educação de Belo
							Horizonte/MG e de Santa Luzia/MG. Membra do Observatório da Juventude da
							UFMG. Belo Horizonte, Minas Gerais. E-mail:
								<email>izabella.alvesr@gmail.com</email>
						</p>
					</bio>
					<xref ref-type="aff" rid="aff1"/>
				</contrib>
				<contrib contrib-type="author">
					<contrib-id contrib-id-type="orcid">0000-0002-1898-2976</contrib-id>
					<name>
						<surname>Nonato</surname>
						<given-names>Symaira Poliana</given-names>
					</name>
					<bio>
						<p><sup>**</sup> Doutora em Educação. Professora Adjunta do Departamento de
							Administração Escolar da Faculdade de Educação da Universidade Federal
							de Minas Gerais. Coordenadora-geral do programa de extensão, ensino e
							pesquisa Observatório da Juventude da UFMG. Belo Horizonte - Minas
							Gerais. E-mail: <email>symaira.nonato@gmail.com</email>
						</p>
					</bio>
					<xref ref-type="aff" rid="aff2"/>
				</contrib>
				<contrib contrib-type="author">
					<contrib-id contrib-id-type="orcid">0000-0002-9894-5488</contrib-id>
					<name>
						<surname>Leão</surname>
						<given-names>Geraldo Magela Pereira</given-names>
					</name>
					<bio>
						<p><sup>***</sup> Graduado em Filosofia. Mestre e Doutor em Educação pela
							Universidade de São Paulo. Professor Titular do Programa de
							Pós-Graduação em Educação da Universidade Federal de Minas Gerais.
							Pesquisador do Observatório da Juventude da UFMG. E-mail:
								<email>gleao2001@gmail.com</email>
						</p>
					</bio>
					<xref ref-type="aff" rid="aff3"/>
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			<aff id="aff1">
				<institution content-type="orgname">Universidade Federal de Minas
					Gerais</institution>
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					Gerais</institution>
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			<pub-date date-type="pub" publication-format="electronic">
				<day>20</day>
				<month>11</month>
				<year>2025</year>
			</pub-date>
			<pub-date date-type="collection" publication-format="electronic">
				<year>2024</year>
			</pub-date>
			<volume>33</volume>
			<issue>76</issue>
			<fpage>270</fpage>
			<lpage>287</lpage>
			<history>
				<date date-type="received">
					<day>21</day>
					<month>05</month>
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				</date>
				<date date-type="accepted">
					<day>22</day>
					<month>08</month>
					<year>2024</year>
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				<license license-type="open-access"
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					<license-p>Este é um artigo publicado em acesso aberto (Open Access) sob a
						licença Creative Commons Attribution, que permite uso, distribuição e
						reprodução em qualquer meio, sem restrições desde que o trabalho original
						seja corretamente citado.</license-p>
				</license>
			</permissions>
			<abstract>
				<title>RESUMO</title>
				<p>Este artigo aborda as experiências de jovens que atuaram como voluntários(as) em
					um cursinho popular de uma universidade pública. Ele se baseia em dados de uma
					pesquisa sobre as trajetórias, os contextos de vida, as vivências e os
					significados que esses(as) jovens atribuíam à atuação de cada um(a) nessa
					experiência de extensão universitária. A análise partiu da discussãode
					referências teóricas acerca da Sociologia da Juventude e da experiência social.
					A metodologia da pesquisa foi organizada em três fases: levantamento do
						<italic>corpus</italic> documental dos cursinhos populares na universidade,
					aplicação de questionários de cunho qualitativo e entrevistas narrativas
					semiestruturadas. No que se refere aos resultados, os relatos permitiram
					compreender como a experiência no cursinho repercutiu na trajetória dos(as)
					jovens. Como atividade extensionista, constatou-se a potencialidade do projeto
					como prática educativa que incidia sobre valores, visões de mundo e projetos de
					atuação profissional.</p>
			</abstract>
			<trans-abstract xml:lang="en">
				<title>ABSTRACT</title>
				<p>This article addresses the experiences of young people who worked as volunteers
					in a popular course at a public university. It is based on data from research on
					the trajectories, life contexts, experiences and meanings that these young
					people attributed to their performance in this university extension experience.
					The analysis started from the discussion of theoretical references about the
					Sociology of Youth and social experience. The research methodology was organized
					into three phases: survey of the documentary corpus of popular courses at the
					university, application of qualitative questionnaires and semistructured
					narrative interviews. Regarding the results, the reports allowed us to
					understand how the experience at the course had an impact on the young people’s
					trajectory. As an extension activity, the potential of the project as an
					educational practice that affected on values, worldviews and professional
					performance projects was verified.</p>
			</trans-abstract>
			<trans-abstract xml:lang="es">
				<title>RESUMEN</title>
				<p>Este artículo aborda las experiencias de jóvenes que trabajaron como voluntarios
					en un curso popular en una universidad pública. Se basa en datos de
					investigaciones sobre las trayectorias, contextos de vida, experiencias y
					significados que estos jóvenes atribuyeron a su desempeño en esta experiencia de
					extensión universitaria. El análisis partió de la discusión de referentes
					teóricos sobre la Sociología de la Juventud y la experiencia social. La
					metodología de la investigación se organizó en tres fases: levantamiento del
					corpus documental de carreras populares de la universidad, aplicación de
					cuestionarios cualitativos y entrevistas narrativas semiestructuradas. En cuanto
					a los resultados, los relatos permitieron comprender cómo la experiencia del
					curso influyó en la trayectoria de los jóvenes. Como actividad de extensión, se
					constató el potencial del proyecto como práctica educativa que incidió en
					valores, cosmovisiones y proyectos de desempeño profesional.</p>
			</trans-abstract>
			<kwd-group xml:lang="pt">
				<title>Palavras-chave:</title>
				<kwd>ações coletivas</kwd>
				<kwd>cursinhos populares</kwd>
				<kwd>extensão universitária</kwd>
				<kwd>jovens</kwd>
				<kwd>movimentos sociais.</kwd>
			</kwd-group>
			<kwd-group xml:lang="en">
				<title>Keywords:</title>
				<kwd>young people</kwd>
				<kwd>popular courses</kwd>
				<kwd>university extension</kwd>
				<kwd>social movements</kwd>
				<kwd>collective actions.</kwd>
			</kwd-group>
			<kwd-group xml:lang="es">
				<title>Palabras-clave:</title>
				<kwd>jóvenes</kwd>
				<kwd>cursos populares</kwd>
				<kwd>extensión universitaria</kwd>
				<kwd>movimientos sociales</kwd>
				<kwd>acciones colectivas.</kwd>
			</kwd-group>
		</article-meta>
	</front>
	<body>
		<sec sec-type="intro">
			<title>Introdução<sup><xref ref-type="fn" rid="fn1">1</xref></sup></title>
			<p>Este artigo apresenta os resultados de uma pesquisa intitulada “Jovens
				voluntários(as) de um cursinho popular de uma universidade pública: os sentidos e
				significados da experiência”, feita com jovens que atuaram como voluntários(as) no
				Cursinho Popular Guimarães Rosa (CPGR) da Universidade Federal de Minas Gerais
				(UFMG). Tratava-se de uma experiência iniciada em 2019 por um grupo de estudantes da
				Faculdade de Medicina da UFMG, o qual tinha como propósito principal preparar jovens
				e adultos de baixa renda para o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem). O CPGR se
				inseria em uma rede de cursinhos populares que atuava como projeto de extensão
				universitária.</p>
			<p>Iniciativas como o CPGR operam de maneira gratuita e dependem do trabalho voluntário
				para desempenhar uma variedade de funções, tanto administrativas quanto de ensino,
				sobretudo em cursinhos populares configurados como projetos de extensão nas
				universidades. Nesses casos, os(as) estudantes de cursos variados de graduação
				participam como voluntários(as), uma vez que não há bolsas de extensão disponíveis
				para todos(as).</p>
			<p>É importante ressaltar que, nesta pesquisa, será utilizada a denominação “cursinho
				popular”. Entretanto, outros sinônimos podem ser encontrados: cursinhos
				alternativos, cursinhos pré-vestibulares comunitários, cursinhos comunitários,
				pré-vestibulares populares ou pré-vestibulares comunitários. Embora com nomeações
				diferentes, que podem remeter a variadas concepções, os objetivos de criação e
				funcionamento tendem a ser comuns, especialmente a luta pela inserção das camadas
				populares no ensino superior, conforme explicado por <xref ref-type="bibr" rid="B22"
					>Simão (2020)</xref>.</p>
			<p>A investigação teve como objetivo geral compreender as experiências desses sujeitos
				como voluntários(as) no projeto. Em relação aos questionamentos elaborados no
				decurso da pesquisa, buscou-se compreender: Como o cursinho se constituiu como
				prática educativa fortalecendo a formação dos(as) jovens? Quais foram as
				experiências construídas pelos(as) jovens no cursinho?</p>
			<p>A pesquisa originou-se do desejo de compreender aspectos relacionados ao contexto de
				um movimento de ampliação dos cursinhos populares configurados como projetos de
				extensão em várias instituições de ensino superior a partir da segunda década do
				século XXI no Brasil. Assim, buscou-se conhecer como tem se desenvolvido o trabalho
				desses cursinhos populares no âmbito da universidade e identificar em que medida
				essas experiências têm se estabelecido como espaços/tempos para práticas educativas
				inovadoras, tendo os(as) jovens como sujeitos centrais. Além disso, a pesquisa
				possibilitou analisar quais significados os(as) jovens atribuíam a essa experiência.
				Dessa maneira, o aporte teórico se fundamentou na Sociologia da Juventude, em
				diálogo com a experiência social, a extensão universitária e os cursinhos
				populares.</p>
			<p>Os cursinhos populares são considerados ações que possibilitam variadas trocas e
				relações de socialização que podem representar uma rica experiência formativa para
				os(as) voluntários(as). Além disso, trata-se de olhar para eles(as) como pessoas que
				estão se construindo como sujeitos dentro de determinada sociedade, em busca de
				maior autonomia, de reflexividade crítica e do desenvolvimento de suas
				potencialidades e identidades.</p>
			<p>Para <xref ref-type="bibr" rid="B10">Dayrell (2003)</xref>, pensá-los(as) dessa forma
				promove o reconhecimento do(a) jovem como sujeito social, pois “é nesse processo que
				cada um deles vai se construindo e sendo construído como sujeito: um ser singular
				que se apropria do social, transformado em representações, aspirações e práticas,
				que interpreta e dá sentido ao seu mundo e às relações que mantém” (<xref
					ref-type="bibr" rid="B10">Dayrell, 2003</xref>, p. 4).</p>
			<p>Explorar como foram as experiências dos(as) jovens nos cursinhos populares permitiu a
				reflexão sobre os múltiplos impactos em relação à constituição das identidades, dos
				autoconhecimentos, da construção de sociabilidades, das descobertas em relação aos
				projetos profissionais e acadêmicos e da formação humana.</p>
			<p>Outra dimensão da pesquisa considerou a importância da extensão universitária na
				formação dos(as) estudantes. Ao possibilitar que se insiram em diversas iniciativas
				que dialogam com a sociedade civil, muitas delas organizadas e estruturadas em
				parceria com redes de movimentos sociais e populares, amplia-se o campo de
				experiências e possibilidades de atuação profissional para esses(as) estudantes.
				Nessa perspectiva, trazer um projeto de extensão como campo de pesquisa reforça a
				diretriz da indissociabilidade entre ensino, pesquisa e extensão, conforme expresso
				na Política Nacional de Extensão Universitária (<xref ref-type="bibr" rid="B12"
					>FORPROEX, 2012</xref>).</p>
			<p>O artigo descreve o percurso metodológico da pesquisa em sua primeira parte. Em
				seguida, aborda a presença e a expansão dos cursinhos populares nas universidades
				brasileiras, muitos deles instituindo-se como projetos de extensão. Por fim,
				discute-se alguns aspectos destacados pelos relatos dos(as) jovens que participavam
				do Cursinho Popular Guimarães Rosa (CPGR), durante as entrevistas, sobre as
				repercussões da experiência em suas trajetórias.</p>
		</sec>
		<sec>
			<title>Percursos metodológicos</title>
			<p>Trata-se de uma pesquisa de cunho qualitativo. A coleta de dados se deu em três
				etapas, a partir do entrelaçamento de diferentes caminhos, que contemplaram o
				levantamento do <italic>corpus</italic> documental dos cursinhos populares na UFMG,
				a aplicação de questionários e a realização de entrevistas semiestruturadas com
				perspectiva narrativa. O percurso iniciou-se com a necessidade de se construir uma
				visão panorâmica de oito cursinhos populares vinculados como projetos de extensão na
				referida universidade no período de 2012 a 2020.</p>
			<p>Como campo de pesquisa para investigar as experiências juvenis, selecionou-se um
				cursinho popular vinculado ao curso de medicina, o qual tem alto prestígio social e
				acadêmico, e que pertence à UFMG, universidade com grande tradição e reconhecimento
				no país. Além disso, a iniciativa foi articulada autonomamente por alguns(as)
				estudantes que se conheceram por meio do diretório acadêmico da instituição.</p>
			<p>Na segunda etapa da pesquisa, buscou-se entender, de modo mais ampliado, o histórico
				e o funcionamento do cursinho. Diante disso, optou-se por convidar quatro jovens que
				participaram da sua fundação para uma entrevista semiestruturada. Após essa fase,
				sentiu-se a necessidade de conhecer melhor os(as) voluntários(as) que atuavam no
				projeto naquele momento. A proposta foi delinear o perfil desses sujeitos em relação
				aos aspectos econômicos, raciais, sociais, culturais, das trajetórias escolares,
				acadêmicas e ocupacionais, além de detalhes sobre as funções que eles(as)
				desempenhavam no cursinho. Para isso, aplicou-se um questionário socioeconômico e
				cultural para os(as) voluntários(as) ativos no cursinho no segundo semestre de 2022
				por meio de um formulário digital gerado com suporte do aplicativo <italic>Google
					Forms</italic>.</p>
			<p>Na última etapa da pesquisa, realizou-se entrevistas semiestruturadas que tiveram
				como objetivo adensar a compreensão dos sentidos que os(as) jovens atribuíam à
				experiência da participação como voluntários(as). A escolha dos(as) seis jovens
				entrevistados(as) foi realizada a partir das respostas dos questionários aplicados
				na fase anterior, na qual levou-se em consideração os diferentes perfis
				socioeconômicos e culturais dos(as) respondentes. Nessa etapa, buscou-se selecionar
				um grupo com maior diversidade de marcadores sociais, como raça/cor, origem, classe
				social e trajetórias escolares.</p>
			<p>Além disso, observou-se o tempo de atuação em cursinhos populares, privilegiando-se
				jovens que tinham no mínimo seis meses de atuação no cursinho. Embora houvesse uma
				preocupação em contemplar uma diversidade no perfil dos(as) entrevistados(as),
				selecionou-se cinco mulheres, tendo em vista a maior disponibilidade delas para
				contribuir com a continuidade da pesquisa. As entrevistas foram individuais e
				trouxeram reflexões dos(as) participantes em torno das trajetórias tanto subjetivas
				quanto coletivas. Todas as entrevistas foram realizadas via <italic>Zoom</italic>
				por escolha dos(as) participantes.</p>
			<p>Optou-se pelo uso das entrevistas semiestruturadas devido à flexibilidade em relação
				à condução das questões abordadas, o que possibilitou uma maior abertura para o
				diálogo com os(as) jovens. Procurou-se fazer uma escuta ativa das histórias, das
				memórias, dos sentimentos, das emoções e dos temas abordados por eles(as).</p>
			<p>De acordo com <xref ref-type="bibr" rid="B1">Amado e Ferreira (2014)</xref>, as
				entrevistas são transformadas em conversas orientadas por objetivos precisos, sendo
				um método potente para analisar os sentidos que os sujeitos atribuem às experiências
				e aos acontecimentos em suas vidas. Além disso, segundo os autores, por meio das
				entrevistas é possível interpretar o contexto de vida dos sujeitos, compreendendo
				quais são as respectivas referências a normas e valores que os levam a fazer
				determinadas leituras de suas experiências.</p>
			<p>Todas as entrevistas foram posteriormente transcritas e, dado o volume de
				informações, utilizou-se como estratégia a separação do conteúdo por temáticas. Em
				cada temática, os relatos foram comparados entre os sujeitos, buscando-se
				identificar os pontos em comum, assim como as singularidades das trajetórias
				relatadas. Esses pontos convergentes e singulares foram, por sua vez, agrupados em
				categorias para efeitos de análise.</p>
		</sec>
		<sec>
			<title>Por uma universidade popular: diálogo entre os cursinhos populares e a extensão
				na UFMG</title>
			<p>Os cursinhos populares se expandiram no Brasil nos últimos trinta anos como
				iniciativas de diferentes movimentos sociais, populares, políticos, religiosos,
				comunitários, universitários e estudantis. Essas iniciativas visam promover o acesso
				das pessoas das camadas populares ao ensino superior e, mais recentemente, às
				instituições vinculadas à Rede Federal de Educação Profissional Científica e
				Tecnológica (RFEPCT). De acordo com <xref ref-type="bibr" rid="B27">Zago
					(2008</xref>, p. 4), o público-alvo desses cursinhos geralmente é constituído
				por “grupos sociais tradicionalmente excluídos do ensino superior (negros, moradores
				de bairros populares, egressos de escolas públicas), cuja problemática originou
				movimentos sociais que reivindicam seu acesso, bem como o fortalecimento da
				universidade pública”. Pode-se somar também o interesse dos(as) jovens
				recém-concluintes da educação básica que integram as camadas populares e que
				conseguiram cursar o ensino médio como fruto da expansão dessa modalidade nos anos
				finais do século XX (<xref ref-type="bibr" rid="B17">Groppo; Oliveira; Oliveira,
					2020</xref>).</p>
			<p>Para além do fato de se voltarem para um público central ou prioritário, outras
				características também são comuns entre os cursinhos populares. Para <xref
					ref-type="bibr" rid="B27">Zago (2008)</xref>, geralmente são cursinhos que atuam
				de forma gratuita ou cobram mensalidades acessíveis, com equipes de execução
				(docentes e administrativo) formadas por voluntários(as), a maioria sem sede própria
				e que funcionam em diferentes lugares (universidades, igrejas, centros comunitários,
				escolas, casas etc.). Outra questão é que a maioria se orienta por concepções
				pedagógicas próximas à educação popular, ou seja, para além da preparação para os
				vestibulares, seus projetos pedagógicos envolvem práticas críticas e abordagens que
				buscam dialogar com as experiências sociais dos(as) educandos(as).</p>
			<p>Ainda de acordo com <xref ref-type="bibr" rid="B27">Zago (2008)</xref>, antes da
				década de 1990 o ingresso das camadas populares no ensino superior era uma exceção.
				A partir desse período, os governos federais que se seguiram, especialmente após
				2003, desenvolveram algumas políticas públicas para inserir essas pessoas nas
				universidades. Dentre os programas direcionados para esse fim, destacam-se o Fundo
				de Financiamento Estudantil (FIES), o Programa Universidade para Todos (ProUni) e o
				Programa de Apoio a Planos de Reestruturação e Expansão das Universidades Federais
				(Reuni). Outras políticas públicas também foram realizadas. Segundo Bréscia <xref
					ref-type="bibr" rid="B19">Nonato (2018)</xref>, o Sistema de Seleção Unificada
				(SiSU) e a Lei de Cotas (Lei nº 12.711) foram importantes para a inclusão
				socioeconômica e étnico-racial no Ensino Superior.</p>
			<p>
				<xref ref-type="bibr" rid="B27">Zago (2008)</xref> e <xref ref-type="bibr" rid="B23"
					>Siqueira (2011)</xref> citam o aumento dos cursinhos populares nos anos finais
				da década de 1990 como ação protagonizada por estudantes universitários(as) que,
				diante da ampliação das oportunidades de continuidade dos estudos após a conclusão
				do ensino médio, passaram a desenvolver ações que respondem às demandas de
				estudantes provenientes de famílias de baixa renda e oriundos das escolas públicas.
					<xref ref-type="bibr" rid="B23">Siqueira (2011)</xref> salienta que, se por um
				lado os cursinhos pioneiros na década de 1950 surgiram por meio de centros
				acadêmicos e movimentos estudantis sem uma vinculação institucional muito clara,
				atualmente eles tendem a se estruturar, de forma preponderante, como projetos de
				extensão universitária. É importante perceber esse movimento tendo em vista o
				crescimento da valorização dos cursinhos populares como projetos de extensão no
				Brasil nas últimas décadas. Na presente pesquisa, constatou-se que sete cursinhos
				foram criados entre 2019 e 2020, demonstrando que, por algum motivo, discentes e
				docentes da universidade estão sensibilizados com a promoção de ações voltadas para
				garantir o direito de acesso ao ensino superior de pessoas das camadas
				populares.</p>
			<p>Ao traçar o histórico da extensão universitária no Brasil, observa-se que houve um
				avanço da sua concepção. Se na primeira metade do século XX a extensão se limitava a
				cursos, conferências e prestação de serviço, atualmente ela faz parte de um
				currículo interdisciplinar na educação superior e na pós-graduação, onde há uma
				demanda por articular as ações desenvolvidas com a formação acadêmica dos(as)
				estudantes, conferindo, assim, uma centralidade para a dimensão educativa da
				participação em tais ações.</p>
			<p>A partir disso, nota-se que as universidades têm ampliado suas ações a fim de que
				os(as) discentes tenham mais possibilidades de escolha pensando na sua formação
				integral. Essa diversidade de propostas tem ocorrido em diferentes áreas
				estratégicas articuladas com o propósito da transformação social em questões mais
				complexas do contexto atual. Entre elas, cabe mencionar a educação. Entende-se que a
				realidade dos(as) discentes é afetada pelas desigualdades e exclusões sociais no
				Brasil, e as consequências se reverberam nas camadas populares tanto na falta de
				acesso quanto na qualidade das instituições de educação básica. Como o Estado não
				tem sido capaz de responder a tais demandas, abre-se uma lacuna na educação, fazendo
				surgir vários projetos que buscam superar essa falta e, especialmente, combater as
				desigualdades de acesso ao ensino superior, sendo um deles os cursinhos
				populares.</p>
			<p>Essa ideia ganha destaque na Política Nacional de Extensão Universitária (2012), que
				dialoga em vários pontos com as iniciativas dos cursinhos populares. Segundo o
				documento, seus principais propósitos contemplam a cooperação das atividades
				extensionistas na resolução dos problemas sociais brasileiros, sendo que a área da
				educação está entre as suas prioridades. Isso significa que projetos voltados para a
				inclusão das camadas populares ao ensino superior tornam-se atraentes no âmbito
				extensionista. Dessa forma, “entre as iniciativas que podem contribuir para ampliar
				o acesso, estão os cursos preparatórios para as provas de ingresso no Ensino
				Superior, que podem ser oferecidos pela Extensão Universitária” (<xref
					ref-type="bibr" rid="B12">FORPROEX, 2012</xref>, p. 49).</p>
			<p>Considera-se que os cursinhos populares ampliam a possibilidade de alcance das
				diretrizes definidas pela Política Nacional de Extensão (<xref ref-type="bibr"
					rid="B12">FORPROEX, 2012</xref>), pois podem proporcionar: a) <italic>interação
					dialógica</italic> quando, a partir dos cursinhos, se reconhece os diferentes
				saberes dos(as) discentes e se constrói uma relação de troca e de comunicação mútua
				entre a universidade e a sociedade; b) <italic>interdisciplinaridade e
					interprofissionalidade</italic>, tendo em vista que esses projetos recebem
				docentes e discentes de várias áreas do conhecimento e, ainda, promovem parcerias
				com outras organizações para além do espaço universitário; c)
					<italic>indissociabilidade ensino - pesquisa - extensão</italic>, promovendo os
				desenvolvimentos acadêmico e profissional dos(as) discentes participantes,
				proporcionando as formações técnica, humana e cidadã; d) <italic>impacto na formação
					do(a) estudante</italic>, ao proporcionar que os(as) discentes envolvidos(as)
				estejam mais próximos(as) das questões contemporâneas para ter mais experiências,
				sejam elas teóricas, sejam elas metodológicas, que contribuam para sua formação
				pessoal, acadêmica e profissional; e) <italic>impacto e transformação
					social</italic>, quando os cursinhos reconhecem as necessidades de inserção das
				camadas populares no ensino superior e agem politicamente a fim de amenizar uma
				questão social.</p>
			<p>A partir dessas diretrizes e, principalmente, diante da Resolução do Conselho
				Nacional de Educação (CNE/CES nº 7/<xref ref-type="bibr" rid="B6">2018</xref>), as
				universidades têm buscado reconhecer a atuação em ações extensionistas como parte da
				trajetória curricular dos(as) estudantes, o que pode explicar também a expansão dos
				cursinhos populares nessas instituições. Além disso, os(as) próprios(as) estudantes,
				diante da exigência de cumprimento de créditos, precisam se envolver nessas ações. A
				comunidade acadêmica, em geral, tem discutido mais sobre a importância da extensão
				nas faculdades e a inclusão, pelos colegiados dos cursos, de atividades nos projetos
				políticos pedagógicos da graduação.</p>
			<p>No caso da UFMG, a Resolução nº 10/2019 expõe, no artigo terceiro, que cada curso de
				graduação deve incluir na sua estrutura curricular a obrigação de completar pelo
				menos 10% da carga horária total através de atividades de extensão universitária.
				Ainda de acordo com a Resolução, os(as) alunos(as) não podem fazer essa
				integralização apenas nas modalidades de cursos e eventos, tendo que expandir a
				atuação para projetos de extensão, prestação de serviços e programas de extensão.
				Assim, a ideia de criar ou atuar em cursinhos populares extensionistas torna-se um
				atrativo para os(as) discentes.</p>
			<p>Ademais, <xref ref-type="bibr" rid="B14">Gadotti (2017)</xref> preconiza a
				curricularização da extensão - termo utilizado pelo autor -, como uma oportunidade
				para fortalecer o projeto de uma universidade mais popular; porque, nos últimos
				anos, as atividades têm buscado maior embasamento tanto teórico quanto prático na
				educação popular. Segundo o autor:</p>
			<disp-quote>
				<p>Defender a Universidade Popular é defender um projeto de universidade que
					incentive o pensamento crítico e reflexivo, que vincule as lutas acadêmicas às
					lutas populares, que lute pela democratização do conhecimento e isso pode
					começar na Extensão Universitária, concebida a partir do paradigma da Educação
					Popular (<xref ref-type="bibr" rid="B14">Gadotti, 2017</xref>, p. 8).</p>
			</disp-quote>
			<p>Assim, os cursinhos populares contribuem com a extensão e com o projeto de uma
				universidade popular ao trazerem seus princípios políticos pautados na
				democratização do ensino, na luta contra a exclusão social, na reflexão crítica;
				mas, sobretudo, ao buscar incorporar demandas das camadas populares nas ações
				desenvolvidas pelas instituições de ensino superior. Outro ponto a se pensar diz
				respeito à importância dos cursinhos populares no território universitário. De
				acordo com <xref ref-type="bibr" rid="B14">Gadotti (2017)</xref>, não restringir as
				atividades extensionistas no campo externo da universidade era uma ideia de Paulo
				Freire, em 1980; visto que, “em vez de uma extensão voltada só para fora da
				universidade, ele a considerava como uma dimensão do ensino e da pesquisa: não
				voltar a extensão só para fora da universidade, mas, voltá-la também para dentro
				dela, para seu projeto político-pedagógico” (<xref ref-type="bibr" rid="B14"
					>Gadotti, 2017</xref>, p. 5).</p>
			<p>No que se refere à UFMG, a pesquisa identificou que os oito cursinhos populares
				vinculados à instituição têm mobilizado internamente mais de trezentos e trinta e
						cinco<sup><xref ref-type="fn" rid="fn2">2</xref></sup> voluntários(as) que,
				em sua maioria, eram discentes de cursos da graduação ou da pósgraduação da
				universidade. Esses(as) voluntários(as) exerciam atividades variadas como
				professores(as), monitores(as), gestores(as) administrativos(as), financeiros, de
					<italic>marketing</italic> e de comunicação. Funcionando em diferentes unidades
				da instituição, os cursinhos ofereciam, ao todo, quatrocentas e sete vagas para
				alunos(as) das camadas populares. Em 2020, a Pró-Reitoria de Extensão, reconhecendo
				o crescimento desse movimento na universidade, criou a Rede de Cursinhos Populares
				da UFMG. Essa rede tem a intenção de manter os cursinhos integrados a fim de que os
				resultados,a avaliação, as potencialidades e os desafios possam ser
				compartilhados.</p>
			<p>Sendo assim, os cursinhos populares têm consolidado um dos preceitos da extensão, que
				é o fortalecimento dos vínculos entre universidade e sociedade, de modo que a
				primeira atenda às demandas da população, dando enfoque à diminuição das
				desigualdades sociais. Em contrapartida, o diálogo entre esses diferentes atores
				presentes nas instituições universitárias e distintos espaços sociais permite uma
				troca de experiências e de saberes, contribuindo para a formação humana de ambos.
				Os(as) discentes que participam como voluntários(as) desses projetos tendem a estar
				mais próximos(as) dos problemas sociais do país e muitos(as) poderão agregar a
				experiência vivida nos cursinhos de forma crítica em sua atuação profissional.
				Portanto, considerou-se importante desenvolver um olhar para os cursinhos populares
				buscando-se captar as dimensões educativas dessas iniciativas. Suas ações, em maior
				ou menor escala, promovem um importante impacto formativo na vida dos(as)
				participantes.</p>
		</sec>
		<sec>
			<title>Percepções dos jovens sobre a experiência no cursinho</title>
			<p>O Cursinho Popular Guimarães Rosa (CPGR), campo do presente estudo, foi
				institucionalizado em 2019, funcionando apenas na modalidade pré-vestibular, uma vez
				que seu objetivo principal era preparar jovens e adultos(as) de camadas populares
				para a realização da prova do Enem. No momento da pesquisa, o CPGR ofertava quarenta
				e cinco vagas para alunos(as) e 70 vagas para voluntários(as). Neste tópico, serão
				analisadas as experiências dos(as) jovens voluntários(as) relatadas nas entrevistas
				semiestruturadas realizadas com seis participantes, cinco mulheres e um homem.</p>
			<p>A análise das narrativas juvenis se fundamentou na Sociologia da Experiência com base
				na noção de experiência social, conforme propõem Amaral<sup>3</sup> (2016) e
						Wautier<sup><xref ref-type="fn" rid="fn4">4</xref></sup> (2003), em conjunto
				com estudiosos(as) da Sociologia da Juventude.</p>
			<p>Nesta pesquisa, a experiência social é apreendida como a experiência que ocorre a
				partir da interação dos sujeitos com as diferentes instituições do sistema e como
				isso influencia suas condutas individuais e coletivas. Tomando como referência
				os(as) jovens pesquisados(as), o foco da análise buscou perceber como a experiência
				no cursinho teve atravessamentos de outras vivências e construções históricas e
				sociais (<xref ref-type="bibr" rid="B2">Amaral, 2016</xref>; <xref ref-type="bibr"
					rid="B26">Wautier, 2003</xref>). Foi importante considerar as vivências atuais
				desses(as) jovens em diferentes âmbitos, uma vez que determinada experiência não
				acontece sozinha, mas em conjunto com uma heterogeneidade de ações (<xref
					ref-type="bibr" rid="B2">Amaral, 2016</xref>). Em seguida, articulou-se essa
				análise à interpretação que os(as) jovens teceram a respeito de suas experiências no
				cursinho.</p>
			<p>Buscou-se compreender como os(as) jovens foram construindo os variados sentidos da
				experiência no cursinho, construindo significados sobre ela e refletindo sobre suas
				reverberações em suas visões de mundo e valores. Nos seus depoimentos, eles(as)
				traziam um olhar mais subjetivo, formulando concepções de si mesmos, de suas
				práticas educativas e da própria relação com o campo educacional. Ao mesmo tempo,
				manifestavam uma postura mais crítica e objetiva em relação ao projeto. Afinal, como
				aponta <xref ref-type="bibr" rid="B18">Leccardi (2005</xref>, p. 49), “contar sobre
				si” é “fruto da capacidade individual de construir e reconstruir, sempre de novo,
				molduras de sentido, narrativas sempre novas, a despeito da moldura temporal
				presentificada”.</p>
			<p>Para se chegar a tal análise, utilizou-se como primeiro caminho a investigação acerca
				das percepções críticas deles(as) em relação às vivências no cursinho. Um ponto de
				destaque nesse momento de escuta foi compreender a interpretação dos(as) jovens no
				que se refere ao reconhecimento da importância da função social do cursinho como um
				projeto de extensão voltado para atender às demandas das camadas populares.</p>
			<p>De maneira geral, os(as) entrevistados(as) identificaram e valorizaram a relevância
				social do cursinho, que se tornou um meio para o ingresso de estudantes de baixa
				renda no ensino superior. Essa conscientização sobre o impacto social positivo do
				cursinho evidencia sua importância como ferramenta de democratização do
				conhecimento, alinhada com a diretriz da extensão como ação transformadora (<xref
					ref-type="bibr" rid="B12">FORPROEX, 2012</xref>).</p>
			<p>Além disso, eles(as) também constataram a importância da interação dialógica da
				universidade com a sociedade, que se configura como uma das diretrizes da Política
				Nacional de Extensão Universitária (2012), como já abordado. Miguel explicou que
				sentia falta dessa conexão durante sua graduação na UFMG. Para ele, muitos projetos
				importantes são produzidos no espaço universitário, mas poucas pessoas têm acesso a
				essas informações e, dessa forma, o cursinho torna-se um intermediário entre a
				instituição e a sociedade, uma vez que seus(as) alunos(as) estão presentes nesse
				espaço.</p>
			<p>Sobre isso, o documento do <xref ref-type="bibr" rid="B12">FORPROEX (2012)</xref>,
				que sistematiza a proposta de uma Política Nacional de Extensão Universitária,
				propõe que o princípio da interação dialógica não se resuma a apenas estender os
				conhecimentos produzidos pela universidade à sociedade, mas que a comunicação
				proporcione novos saberes. Nos termos do documento: “Um conhecimento que contribua
				para a superação da desigualdade e da exclusão social e para a construção de uma
				sociedade mais justa, ética e democrática” (<xref ref-type="bibr" rid="B12"
					>FORPROEX, 2012</xref>, p. 30). Tal perspectiva exige pensar que os(as)
				próprios(as) alunos(as) dos cursinhos populares são atores sociais que “oferecem à
				Universidade os saberes construídos em sua prática cotidiana, em seu fazer
				profissional ou vivência comunitária (<xref ref-type="bibr" rid="B12">FORPROEX,
					2012</xref>, p. 30). Então, a participação dos(as) alunos(as) dos cursinhos
				populares tem o potencial de fazer com que os(as) jovens voluntários(as) compreendam
				essa atuação como uma via de mão dupla.</p>
			<p>Outro aspecto indicado pelos(as) jovens dizia respeito à forma de organização do
				cursinho, que tem estabelecido relações mais horizontais na sua gestão. Do ponto de
				vista deles(as), a ausência de centralização hierárquica nas tomadas de decisões e
				resoluções de problemas sobressaía no seu funcionamento. Thaís ponderou que isso era
				resultado do acolhimento das docentes coordenadoras do cursinho, pois a relação de
				proximidade ajudava a criar um espaço de escuta e apoio, o que se tornava referência
				para o grupo. É necessário ressaltar que, nas entrevistas sobre o histórico do CPGR,
				os(as) jovens também relataram a importância do suporte dessas docentes. Com isso,
				percebiam que, durante as reuniões e no dia a dia, a coordenação-geral do cursinho
				era aberta para escutar a equipe no que concerne à construção de ideias e propostas
				de inovações.</p>
			<p>Ainda, Laura e Thaís, por fazerem parte da equipe administrativa, refletiram como
				causa dessa horizontalidade a maneira como o cursinho foi estruturado inicialmente,
				em que o grupo fundador, após observar o funcionamento de projetos semelhantes na
				Universidade, optou por criar um modelo mais inclusivo. Em contrapartida, para
				Aivil, como o CPGR era um cursinho recente, seu modelo de organização ainda estava
				em processo de formulação e, por isso, tendia-se a uma maior abertura para receber
				propostas de aprimoramento do trabalho, o que terminava por agregar um sentido
				coletivo maior ao trabalho desenvolvido.</p>
			<p>É importante considerar que a organização autônoma e horizontal (<xref
					ref-type="bibr" rid="B24">Sposito; Almeida; Corrochano, 2020</xref>) tem sido um
				valor muito evidenciado em diferentes ações coletivas contemporâneas protagonizadas
				por jovens. Nas experiências dos cursinhos populares na instituição investigada, é
				possível encontrar pessoas vinculadas a diferentes coletivos estudantis, movimentos
				populares e de juventudes partidárias que, sem dúvida, compartilham com os(as)
				colegas no cursinho suas vivências nesses outros espaços.</p>
			<p>Com base nos relatos dos(as) jovens, podese compreender que a prática educativa
				desenvolvida na experiência trazia alguns princípios centrais da educação popular.
				Essa abordagem valorizava a participação ativa dos(as) envolvidos(as), sejam
				alunos(as), sejam voluntários(as), sejam membros(as) da comunidade, na construção do
				conhecimento e nas tomadas de decisões. Assim, a ação buscava promover a construção
				de um espaço mais inclusivo e significativo, no qual as vivências dos(as)
				voluntários(as) eram reconhecidas e incorporadas ao processo de construção
				pedagógica do cursinho. Entre as práticas da educação popular abordadas por <xref
					ref-type="bibr" rid="B15">Gadotti (2007</xref>, p. 25), que podem ser
				relacionadas aos relatos dos(as) jovens, estão:</p>
			<disp-quote>
				<p>a recusa do autoritarismo, da manipulação, da ideologização que surge também ao
					estabelecer hierarquias rígidas entre o professor que sabe (e por isso ensina) e
					o aluno que tem que aprender (e por isso estuda);</p>
				<p>a defesa da educação como um ato de diálogo no descobrimento rigoroso, porém, por
					sua vez, imaginativo, da razão de ser das coisas;</p>
				<p>[…]</p>
				<p>um planejamento comunitário e participativo.</p>
			</disp-quote>
			<p>Evidenciou-se, pelo relato dos(as) jovens, que a coordenação do cursinho se pautou
				por desenvolver uma prática pedagógica baseada no diálogo e na horizontalidade,
				tendo como motivação a educação popular. Entendeu-se que, a partir dessa postura de
				condução da iniciativa, os(as) jovens encontraram nas docentes da instituição um
				exemplo a ser seguido, pois, ao praticar esse ato de escuta ativa e abertura ao
				diálogo, elas se tornaram uma referência inspiradora para os(as)
				voluntários(as).</p>
			<p>Também nessa perspectiva, <xref ref-type="bibr" rid="B11">Dayrell e Nonato
					(2021)</xref> refletem sobre a importância do “ver” e do “escutar” como
				fundamentos das práticas educativas. O “ver” implica reconhecer que todos(as) têm
				uma trajetória de vida construída em determinado contexto social, e, por isso, há
				uma heterogeneidade de conhecimentos e experiências para compartilhar. O ato de
				“escutar” é “um ouvir atento, cuidadoso, aberto, sem preconceitos ou estereótipos.
				Por isso articulamos ouvir e escutar” (<xref ref-type="bibr" rid="B11">Dayrell;
					Nonato, 2021</xref>, p. 34).</p>
			<p>O fato de os(as) jovens valorizarem essa prática demonstra que ela era efetiva e
				impactante no desenvolvimento do cursinho, uma vez que as soluções de problemas eram
				construídas coletivamente. Essa perspectiva potencializava o sentimento de
				pertencimento dos(as) jovens ao projeto, visto que o trabalho era reconhecido e
				valorizado, constituindo uma conexão mais forte com a iniciativa. Esse aspecto
				reflete-se na dedicação e no comprometimento dos(as) voluntários(as), um ponto que
				também foi observado pelos(as) jovens. De acordo com Thaís, a gestão do cursinho era
				preocupada em manter princípios de funcionamento ao selecionar as pessoas que
				integrariam as equipes, priorizando candidatos(as) que demonstrassem disposição para
				desenvolver um trabalho cuidadoso e afetivo. Essa abordagem valorizava não apenas as
				habilidades técnicas dos(as) candidatos(as) a educadores(as), mas também a
				capacidade de engajar em um trabalho coletivo.</p>
			<p>Outro aspecto ressaltado eram as marcas que o cursinho deixava nos relatos de
				experiências de ex-voluntários(as). Thaís, Luiza e Laura mencionaram que o cursinho
				proporcionava encontros para compartilhamento de experiências com ex-voluntários(as)
				com o objetivo de manter os laços e incentivar a atuação dos atuais membros(as).
				Essa prática contribuía para a construção de uma rede de apoio e aprendizado
				contínuo, em que as vivências passadas inspiravam e motivavam as novas gerações de
				voluntários(as). Também era relevante, pois, além de manter os vínculos entre os(as)
				membros(as), permitia que os(as) voluntários(as) aprendessem com as trajetórias de
				seus(as) predecessores(as), enriquecendo o conhecimento coletivo do cursinho e
				potencializando ações e projetos futuros. Diante do exposto, pode-se considerar o
				cursinho como um espaço/tempo potente para a socialização e para a sociabilidade
				dos(as) jovens, dimensões fundantes dos sentidos encontrados no trabalho juvenil,
				como apontam <xref ref-type="bibr" rid="B7">Corrochano (2001</xref>; <xref
					ref-type="bibr" rid="B8">2004</xref>) e <xref ref-type="bibr" rid="B20">Nonato
					(2019)</xref>.</p>
			<p>Os(as) jovens consideravam que a forma de organização horizontal das equipes abria
				uma chance para que o cursinho fosse uma experimentação, no qual tentativas, erros e
				acertos andavam juntos. Até porque a gestão do cursinho era formada por pessoas de
				diferentes áreas, o que exigia do grupo aprender, pesquisar e entrar em consenso
				antes de tomar decisões. Isso propiciava que os(as) voluntários(as) trabalhassem
				mais em equipe, um(a) aprendendo com o(a) outro(a) de maneira interdisciplinar. Esse
				olhar lançado pelos(as) jovens contemplava outra diretriz da Política Nacional de
				Extensão Universitária (2012), que é a interdisciplinaridade e a
				interprofissionalidade, a qual objetiva a interatividade entre teorias, metodologias
				e modelos de diferentes áreas do conhecimento (<xref ref-type="bibr" rid="B12"
					>FORPROEX, 2012</xref>).</p>
			<p>É igualmente importante destacar que, ao priorizar a participação coletiva e a tomada
				de decisões compartilhadas, as professoras mobilizavam outras diretrizes da extensão
				universitária, como a indissociabilidade entre ensino, pesquisa e extensão e
				interação dialógica (<xref ref-type="bibr" rid="B12">FORPROEX, 2012</xref>). Isso se
				concretizava, na experiência analisada, a partir da prática de abrir espaço para que
				as propostas dos(as) discentes fossem ouvidas e integradas às práticas do projeto,
				promovendo a formação humana e cidadã dos(as) jovens.</p>
			<p>Prosseguindo nesses pontos, os(as) jovens que desempenhavam funções pedagógicas
				consideravam como questão crucial o vínculo criado com os(as) alunos(as),
				especialmente a proposta de “tutoria”, que proporcionava um momento aberto para
				escutar as demandas dos(as) estudantes, permitindo que o processo de preparação para
				o vestibular fosse mais leve. Sobre isso, Laura relatou que muitos(as) alunos(as) se
				sentiam desmotivados(as) e com baixa autoestima e, por esse motivo, as tutorias
				proporcionavam um espaço que permitia reconhecimento e valorização pessoal como
				forma de superar tais sentimentos negativos. Ainda, através dos relatos dos(as)
				jovens, notou-se que o cursinho tinha uma proposta pedagógica humanizada; visto que,
				para além dos conteúdos programáticos das provas, preocupava-se com as formações
				crítica, reflexiva, política e cidadã do(a) estudante, conforme elucidado pela
				Laura:</p>
			<disp-quote>
				<p>Independentemente do resultado deles no Enem, eles saíam com uma sensação de que
					eles tinham direito àquilo, que eles tinham direito à faculdade. Então, esse era
					um propósito nosso do cursinho. A gente não queria só que eles passassem na
					faculdade. É claro que passar na faculdade era o principal objetivo, mas a gente
					queria que eles fossem além disso, que independentemente do resultado, eles
					tivessem uma visão de mundo ampliada ao participar do cursinho. E eu acho que a
					gente conseguia bastante isso. É, às vezes, a gente promovia alguns debates,
					alguns professores, durante as aulas, passavam alguns vídeos, alguns filmes que
					eram coisas que no meio deles, eles não tinham muito contato, e aí quando eles
					passavam a ter, era muito legal ver eles comentando no grupo [de WhatsApp] o
					quanto eles tinham gostado (Laura, Entrevista).</p>
			</disp-quote>
			<p>A fala de Laura promove uma reflexão acerca dos princípios da educação popular
				presentes nas práticas pedagógicas do cursinho, que se preocupava com “a defesa de
				uma educação para a liberdade, pré-condição da vida democrática” (<xref
					ref-type="bibr" rid="B15">Gadotti, 2007</xref>, p. 25). Pode-se ressaltar
				diferentes movimentos que isso provocava nos(as) voluntários(as). O primeiro era o
				reconhecimento por parte deles(as) de que apenas o conteúdo não bastava. Os(as)
				integrantes do cursinho precisavam estar dispostos(as) a pensar no sentido da
				transformação social como prática de liberdade e, para tanto, a dimensão da escuta
				novamente se fazia presente. Articulado a isso, o conhecimento adquirido era uma
				ferramenta para a conscientização crítica e para a atuação cidadã.</p>
			<p>Para além de conseguir acessar o ensino superior, os(as) estudantes dos cursinhos
				populares precisavam apreender o sentido da educação como um direito social,
				contribuindo, assim, para o empoderamento e a emancipação de cada um(a). Nesse
				contexto, o segundo movimento a se considerar é que os(as) educadores(as) dos
				cursinhos populares têm um papel importante ao criar meios para discutir essas
				questões com os(as) estudantes, mesmo diante de práticas educacionais que podem ser
				consideradas “tradicionais”. Sendo assim, “essas condições implicam ou exigem a
				presença de educadores e de educandos criadores, instigadores, inquietos,
				rigorosamente curiosos, humildes e persistentes” (<xref ref-type="bibr" rid="B13"
					>Freire, 2011</xref>, p. 28).</p>
		</sec>
		<sec>
			<title>A repercussão do cursinho na formação dos(as) jovens</title>
			<p>A partir da leitura crítica realizada pelos(as) jovens sobre o CPGR, percebeu-se que
				as práticas pedagógicas adotadas pelo cursinho estabeleciam diálogo com a educação
				popular, como já citado. Nesse momento, cabe analisar em que medida essa ação
				educativa do cursinho contribuía para a formação desses(as) jovens. Para essa
				análise, considerou-se como princípio da educação como formação humana aquela
				abordagem que abrange diversas dimensões da vida, tais como cultura, trabalho,
				política, ética, entre outras. Além disso, levou-se em consideração a concepção de
				formação como um processo contínuo de aprendizagem dos sujeitos, pelo qual ele vai
				se desenvolvendoe aprendendo ao longo da vida. Sobre isso, <xref ref-type="bibr"
					rid="B11">Dayrell e Nonato (2021</xref>, p. 20) afirmam que:</p>
			<disp-quote>
				<p>Podemos dizer que, nesta concepção de educação, o(a) jovem não está ‘pronto(a)’,
					mas está em formação, o que implica possibilitar que cada um(a) deles(as)
					descubra em si os potenciais - físicos, afetivos, cognitivos, psicológicos - que
					possui como ser humano que é. E, ao descobrilos, seja estimulado(a) a
					desenvolvê-los.</p>
			</disp-quote>
			<p>Quando questionados(as) sobre esse aspecto formativo, os(as) jovens compartilharam as
				marcas profundas deixadas em seus processos de autoconhecimento e reflexão sobre si
				mesmos(as). Eles(as) destacaram que o envolvimento no CPGR e a convivência com
				os(as) alunos(as) e colegas provocaram um processo significativo de
				autoconhecimento, com o qual puderam explorar seus propósitos de vida, compreender
				como suas ações poderiam colaborar com a sociedade e encontrar um significado mais
				profundo em sua participação no projeto.</p>
			<p>Thaís, por exemplo, relatou que estava sendo formada como pessoa pelo cursinho, que
				ele contribuiu para que ela desenvolvesse um olhar sobre si, descobriu o que
				realmente motivava sua vida e quais eram seus desejos. Para <xref ref-type="bibr"
					rid="B5">Arroyo (2003</xref>, p. 9), os sujeitos, quando estão em movimento em
				ação coletiva, “vivem em torno do que e como estão sendo, consequentemente, todas as
				dimensões de sua condição existencial entram em jogo”. Esse movimento de formação
				humana abrange as múltiplas dimensões do ser e do estar no mundo, envolvendo ações e
				reflexões integradas e interconectadas.</p>
			<p>Nesse contexto, o processo dialógico da formação humana se apresenta como um olhar
				que parte de dentro para fora, permitindo aos sujeitos explorarem suas próprias
				motivações, valores, identidades e projetos de vida. Ao mesmo tempo, esse processo
				também proporciona que os sujeitos se eduquem de fora para dentro, ou seja, abram-se
				para novos espaços de experiências culturais e para outras narrativas (<xref
					ref-type="bibr" rid="B11">Dayrell; Nonato, 2021</xref>). Esta foi uma reflexão
				trazida por Miguel:</p>
			<disp-quote>
				<p>Eu tentando me colocar na perspectiva do aluno, eu não imaginava que teria um
					espelho que também me transformaria. Eu acho que foi um processo de mão dupla,
					como a educação popular se propõe a ser, de fato. Eu tinha muito pouco
					conhecimento do poder da educação popular. E justamente acho que por isso eu não
					vi que isso seria uma via de mão dupla tão forte, assim, de que eu também
					aprenderia muito com aquilo, que aquilo transformaria o meu olhar de uma forma
					tão forte, assim, de enxergar coisas que eu não via antes. De percepções
					sociais, de como que o mundo funciona, das possibilidades que cada um não
					importa como que contribua ou receba a contribuição tem de transformar as vidas,
					de transformar o mundo. Acho que foi uma coisa que abriu minha cabeça bastante
					(Miguel, Entrevista).</p>
			</disp-quote>
			<p>A fala do Miguel demonstra quanto a educação popular no contexto de atuação no CPGR
				tinha o potencial de provocar questionamentos, de modos individual e coletivo, sobre
				sua ação. De acordo com <xref ref-type="bibr" rid="B13">Freire (2011</xref>, p. 97),
				essa perspectiva da educação baseada no humanismo é a construção esperançosa da
				criticidade, uma vez que distancia a descrença em relação ao mundo e, ao mesmo
				tempo, recusa o otimismo ingênuo. Isso provoca os sujeitos a acreditar que podem
				fazer e refazer as coisas quando necessário pensando as ações voltadas para a
				transformação social. Ainda, alimenta a “crença em que, fazendo e refazendo as
				coisas e transformando o mundo, os homens podem superar a situação em que estão
				sendo um quase não ser e passar a ser um estar sendo em busca do ser mais”.</p>
			<p>Pensando ainda sobre a educação popular, os(as) jovens destacaram que essa concepção
				tem impactado significativamente suas formações, permitindo-lhes refletir sobre
				outras pedagogias possíveis em diferentes contextos junto aos(às) estudantes,
				partindo da premissa de que a educação se baseia também no “aprender com o(a)
				aluno(a)”. Eles(as) demonstraram uma compreensão de que, com o tempo, foram
				entendendo que a sala de aula não se restringia apenas à organização, ao
				planejamento dos conteúdos e ao domínio do manejo da turma. Assim como a gestão do
				cursinho não se limitava a apenas fazer com que o projeto funcionasse. Para
				eles(as), tornou-se necessário desenvolver um olhar mais humanizado sobre as
				trajetórias de vida dos(as) educandos(as), reconhecendo as diferentes realidades
				sociais e os saberes culturais populares que produziam.</p>
			<p>Trata-se de um movimento coletivo de humanização que se dá a partir do processo
				pedagógico na experiência desses(as) jovens no cursinho. Isso está alinhado à
				perspectiva de <xref ref-type="bibr" rid="B3">Arroyo (2012</xref>, p. 29) sobre as
				contribuições das pedagogias dos movimentos sociais. Segundo esse autor, “em sua
				diversidade de ações, lutas por humanização/emancipação se afirmam sujeitos centrais
				na afirmação/fortalecimento das pedagogias de libertação, logo sujeitos de
				contestação/desestabilização das pedagogias hegemônicas de
				desumanização/subordinação”. Essas pedagogias são caracterizadas por uma abordagem
				mais inclusiva, participativa e comprometida com as demandas e necessidades da
				comunidade. Elas valorizam a cultura local, os saberes populares e as experiências
				dos(as) estudantes, reconhecendo a diversidade como um recurso para o
				aprendizado.</p>
			<p>Para Luiza, os(as) alunos(as) do CPGR ensinavam por meio de suas experiências de
				vida. Para ela, a sala de aula se tornou uma rede de escuta e compartilhamento que
				extrapolava a temática da sua disciplina. Ela relatou que crescia como pessoa ao ver
				como é o modo de vida dos(as) alunos(as). Esse contexto compreendido pelos(as)
				jovens retoma <xref ref-type="bibr" rid="B13">Freire (2011</xref>, p. 25), o qual
				afirma que não faz sentido ensinar sem aprender, porque “quem forma se forma e
				re-forma ao formar e quem é formado forma-se e forma ao ser formado”. O exercício
				diário de perceber a educação dessa maneira fazia com que os(as) jovens
				voluntários(as) estivessem mais preparados(as) para agir em diferentes situações,
				especialmente em contextos educativos ou em uma área profissional diferente da que
				atuavam, levando em consideração as circunstâncias sociais das pessoas e seus
				problemas. Laura ressaltou que as vivências no cursinho a ajudaram a repensar seu
				posicionamento futuramente como médica:</p>
			<disp-quote>
				<p>E os meninos às vezes traziam algumas dificuldades que eu ficava pensando assim,
					que no consultório, às vezes vai acontecer isso, sabe? Eu estar tentando
					resolver alguma questão daquele paciente, mas se eu não conversar com ele para
					entender a realidade dele, não vai adiantar eu passar um medicamento para ele. E
					lá no cursinho, era a mesma coisa. […] Então consegui ter essa visão mais ampla,
					[…] de que às vezes aquele problema que a gente está enxergando é só a pontinha
					[…] do <italic>iceberg</italic>. Tem muito mais coisa que se você não tiver uma
					boa relação com aquela pessoa, você não vai descobrir. E na consulta a gente tem
					que saber ter essa visão também, sabe assim, como no cursinho, muitas vezes a
					gente tinha que saber enxergar (Laura, Entrevista).</p>
			</disp-quote>
			<p>Considerou-se importante refletir sobre os significados que a extensão assume a
				partir dessas falas, quando a diretriz da interação dialógica mais uma vez se torna
				potente (<xref ref-type="bibr" rid="B12">FORPROEX, 2012</xref>). Os(as) jovens
				percebem a via de mão dupla ao aprenderem com as experiências comunitárias e de vida
				de seus(as) alunos(as), além de estarem atentos às questões contemporâneas da
				sociedade, o que, independentemente da área, contribui para seu processo de
				desenvolvimento profissional.</p>
			<p>Tomando como referência o posicionamento da Laura, a outra dimensão da formação
				humana mencionada pelos(as) jovens foi sobre o trabalho. Notou-se que o CPGR era
				percebido como um espaço que possibilitava o desenvolvimento profissional na
				prática. Alguns(as) voluntários(as) ingressaram no projeto no início dos primeiros
				períodos da graduação, tornando-se uma de suas primeiras experiências de trabalho,
				especialmente para os(as) discentes dos cursos de licenciatura. A partir da sua
				atuação no cursinho, eles(as) iam traçando seus caminhos, descobrindo suas
				habilidades e potencialidades, percebendo o que ainda precisavam desenvolver no
				âmbito profissional.</p>
			<p>Além disso, na visão dos(as) jovens, o cursinho oferecia a oportunidade de
				envolvimento com outras áreas para além daquela em que estavam se formando, como
				gestão, administração e comunicação. Aivil, mesmo sendo professora, quando assumiu a
				coordenação de redação percebeu o quanto era importante aprender a se organizar,
				planejar e ser mais atenciosa na forma de se comunicar com as pessoas. Com essa
				mesma ideia, Laura, como discente de medicina, compreendia que futuramente teria
				algum contato com a área administrativa e que a prática que teve na gestão do
				cursinho iria ajudá-la. Observa-se que as experiências vividas no CPGR contribuíram
				significativamente para o autoconhecimento dos(as) jovens no âmbito de suas
				formações profissionais. Essa contribuição era percebida por diversos sujeitos,
				porém, nos relatos, notou-se que a dimensão profissional foi mais enfatizada pelas
				jovens que cursavam licenciatura.</p>
			<p>Para as jovens que desempenhavam funções como professoras, o projeto tinha impactado
				como um “laboratório de experiência docente” no âmbito de suas formações. Júlia, por
				exemplo, não tinha vivências como professora regente em sala de aula e o cursinho
				oportunizou seu primeiro contato com a profissão. No tocante a essa ideia, os
				cursinhos populares, em geral, desempenhavam um papel de formação inicial de
				docentes. A respeito disso, Pereira e Fonseca (<xref ref-type="bibr" rid="B21"
					>2001</xref>) explicam que essas oportunidades pioneiras permitem que o(a)
				educador(a) em formação vivencie de forma prática o trabalho docente. O contato
				direto com a prática educativa possibilita reflexões significativas, as quais se
				tornam referências essenciais para a produção de uma identidade docente. As jovens
				concebiam a sala de aula como construção de suas práticas pedagógicas, dando-lhes
				mais autonomia para testar, errar, aprender e compartilhar.</p>
			<p>Ainda na dimensão do trabalho, os(as) jovens enfatizaram o fato de o cursinho ampliar
				o campo de possibilidades sobre si mesmos(as). Isso significa que, mesmo que
				eles(as) tivessem realizado escolhas no passado em relação aos cursos de graduação,
				as experiências no CPGR repercutiram em outros projetos que poderiam surgir e até
				naquilo que não desejassem como campo de atuação profissional. Segundo <xref
					ref-type="bibr" rid="B9">Corti e Souza (2004</xref>, p. 29), no contexto da
				experimentação, “faz parte desse processo poder reverter algumas escolhas feitas,
				como exercício de autoconhecimento e de ensaio para algumas decisões futuras. Mesmo
				que várias delas acabem assumindo caráter definitivo, muitas outras são provisórias
				e reversíveis”.</p>
			<p>Júlia, licenciada em letras e mestranda na área, alegou que a literatura sempre foi
				seu campo de estudo; mas, por meio das vivências no cursinho, entendeu que preferia
				lecionar aulas de redação. Da mesma forma, Luiza, mesmo sendo discente de medicina,
				reconheceu que possuía diversas qualidades como professora de química, e que isso
				lhe despertou o desejo de continuar atuando no projeto. Segundo ela, essa seria uma
				forma de manter seus laços com sua primeira formação (Técnica em Química). Thaís,
				também discente de medicina, surpreendeu-se ao descobrir sua aptidão pela área de
				administração e relatou que passou a ser aberta para aprender os processos de
				coordenação de equipes, para aprimorar o modo como lidar com pessoas e documentos,
				passando a sentir muito prazer pelo que fazia no CPGR. Essas formas de compreender a
				experiência levavam em consideração a dimensão humana da perspectiva educativa no
				cursinho, que desempenhava um papel significativo na construção dos sujeitos,
				permitindo a formação de uma identidade positiva e, consequentemente, contribuía
				para a elaboração dos projetos de vida desses(as) jovens (<xref ref-type="bibr"
					rid="B11">Dayrell; Nonato, 2021</xref>).</p>
			<p>Ao discorrer acerca dos diferentes impactos do CPGR na formação dos(as) jovens,
				evidenciou-se que o projeto desempenhou um papel importante na ampliação das
				referências juvenis. Enquanto prática pedagógica, o cursinho abarcava diferentes
				dimensões da formação humana alinhadas às perspectivas das diretrizes norteadoras da
				extensão universitária (<xref ref-type="bibr" rid="B12">FORPROEX, 2012</xref>).
				Os(as) jovens estavam em constante processo de aprendizado, conhecendo sobre si
				mesmos(as) e buscando humanizar o processo pedagógico em suas diferentes atuações no
				cursinho. Além disso, a experiência se mostrava um espaço potencial para a
				descoberta e a exploração do campo profissional.</p>
		</sec>
		<sec sec-type="conclusions">
			<title>Considerações finais</title>
			<p>A presente pesquisa teve como objetivo central compreender as experiências dos(as)
				jovens que atuaram como voluntários(as) no CPGR. Em relação ao conteúdo,
				direcionou-se o olhar fundamentado pela experiência social e pela Sociologia da
				Juventude. Isso, porque os(as) jovens são os(as) principais participantes desta
				pesquisa e a experiência no CPGR aconteceu atravessada às suas demandas,
				necessidades e expectativas como sujeitos sociais. Ao mesmo tempo, levou-se em
				consideração que a experiência no CPGR não está isolada; na verdade, ela acontece em
				meio a outras vivências e em determinado contexto da vida desses(as) jovens. Há de
				se pensar também nas experiências anteriores que ocorreram em diferentes
				circunstâncias sociais. Diante disso, pode-se investigar como o CPGR tem sido
				referência formativa para os(as) jovens que dele participavam, visto que o projeto
				era marcado pela construção de identidades, autonomias e potencialidades (<xref
					ref-type="bibr" rid="B4">Arroyo, 2017</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="B10"
					>Dayrell, 2003</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="B16">Gomes; Dayrell,
					2004</xref>).</p>
			<p>Os(as) jovens também reconheceram o princípio educativo do projeto fundamentado na
				concepção de educação popular, que estimulava a formação integral dos sujeitos
				participantes. Portanto, os cursinhos populares na universidade ultrapassam o
				propósito fundante de inserção das camadas populares no ensino superior. Eles também
				têm funcionado como lugares que proporcionam a socialização e o desenvolvimento dos
				âmbitos pessoal, profissional e acadêmico da comunidade interna da UFMG.</p>
			<p>Os cursinhos populares como projetos de extensão têm um sentido de formação social e
				profissional, o que se conecta com as diretrizes da extensão universitária. Por
				isso, considerouse necessário, nessa análise, pensar a perspectiva da extensão
				retomando suas diretrizes firmadas na Política Nacional de Extensão Universitária
				(2012) que se interconectam de variadas formas aos relatos dos(as) jovens no que diz
				respeito às suas percepções gerais em relação ao CPGR e à dimensão formativa que ele
				reproduziu em suas vidas.</p>
			<p>Inicialmente, os(as) jovens reconheceram a importância do cursinho popular como
				espaço para a inserção das camadas populares na universidade, contribuindo para a
				superação das desigualdades da educação, o que se alinha à diretriz de impacto e
				transformação social. Além disso, o cursinho se aproxima dos princípios da educação
				popular, pois permite que os(as) alunos(as) reconheçam sua condição sociocultural
				por meio das atividades pedagógicas, promovendo uma reflexão crítica sobre sua
				realidade e fortalecendo seu engajamento com o processo educativo, articulando-se à
				diretriz da extensão universitária <italic>Impacto na formação do(a)
					estudante.</italic></p>
			<p>Observou-se que os(as) voluntários(as), ao trazerem os aprendizados construídos com
				os(as) alunos(as) do projeto, demonstraram que há uma troca significativa com a
				sociedade externa à universidade que faz jus à diretriz da <italic>Interação
					dialógica</italic>. Do ponto de vista deles(as), o projeto possibilitou o acesso
				aos conhecimentos comunitários. Dessa forma, puderam analisar os reais desafios
				contemporâneos, ampliando suas referências de mundo e de vida e contribuindo para o
				entendimento dos diferentes problemas da sociedade.</p>
			<p>Os(as) voluntários(as) do cursinho enfatizaram o fato de que ele proporcionava o
				intercâmbio de conhecimentos entre as áreas, o que se reflete na dimensão formativa
				e profissional, correlacionando-se à diretriz <italic>Interdisciplinaridade e
					interprofissionalidade</italic>. Os(as) jovens puderam perceber o quanto a
				atuação conjunta e colaborativa contribui para o entendimento e a construção de
				ações que estejam articuladas às necessidades da população.</p>
			<p>Da mesma maneira, o CPGR ampliou os horizontes dos(as) jovens estudantes
				universitários(as), enriquecendo seus currículos profissionais e acadêmicos. Além
				disso, os(as) entrevistados(as) relataram a importância da participação coletiva e
				da escuta ativa como caminhos para uma gestão mais democrática e inclusiva, em
				diferentes espaços educativos, tais como universidade e trabalho. Isso demonstrou
				como a experiência enriqueceu a visão dos(as) estudantes sobre a prática das
				professoras orientadoras do projeto, em sintonia com a diretriz
					<italic>Impacto</italic> na formação do(a) estudante.</p>
			<p>Outro ponto importante é pensar que as ações de extensão têm como um dos compromissos
				a indissociabilidade com o ensino, o que está relacionado com a formação de pessoas
				e a participação na extensão, e faz com que os sujeitos sejam protagonistas do seu
				próprio desenvolvimento tanto técnico como cidadão. É válido pensar que a disposição
				técnica está interligada à capacitação profissional e, a cidadã, ao reconhecimento
				de suas responsabilidades de atuar em prol da transformação social (PROEX, 2012).
				Isso significa que o projeto de extensão CPGR produziu resultados positivos em
				termos de teoria, prática, ética, justiça e democracia, pensando no desenvolvimento
				integral de seus(as) participantes.</p>
			<p>Entretanto, mesmo com todos esses resultados, notou-se que a universidade ainda
				possui dificuldades em tecer esse reconhecimento. Primeiramente, porque percebeu-se,
				por meio desta pesquisa, que naquele momento os cursinhos populares e sua atuação
				eram pouco divulgados em âmbito universitário se comparados ao tamanho de seus
				efeitos. Apesar de sua importância no cenário das políticas de extensão
				universitária no Brasil e dos seus impactos em termos de envolvimento de discentes e
				atendimentos ao público externo, apenas quatro das oito iniciativas registradas na
				instituição recebiam algum financiamento. Tais recursos estavam diretamente
				relacionados com a subvenção de bolsistas, o que é diminuto ao se pensar no universo
				das necessidades de estruturação e funcionamento abrangido por essas ações.</p>
			<p>Os(as) integrantes dos cursinhos populares expressaram que, para conseguir sobreviver
				e manter seus trabalhos, precisavam investir em financiamentos próprios ou procurar
				parcerias com instituições privadas, o que, mesmo assim, era insuficiente para
				suprir as demandas, principalmente no que se referia às atividades pedagógicas.
				Alguns(as) voluntários(as) estavam tensionados(as) com a falta de alunos(as), tendo
				em vista que não conseguiam custear os gastos com transporte público das pessoas
				atendidas. Então, considera-se importante que haja mais investimentos financeiros,
				pedagógicos e suporte administrativo a esses projetos de extensão, tomando como
				referência seus impactos positivos para o ensino, a pesquisa e a extensão.</p>
			<p>Por fim, espera-se que a investigação desenvolvida possa contribuir para ampliar o
				conhecimento sobre os cursinhos populares no Brasil, especificamente aqueles que
				atuam em âmbito universitário. Procurou-se demonstrar o quanto esses espaços são
				importantes para a formação de vida dos(as) jovens, uma vez que os projetos têm
				possibilitado múltiplas experiências que repercutem de variadas maneiras na vida
				deles(as).</p>
		</sec>
	</body>
	<back>
		<fn-group>
			<fn fn-type="other" id="fn1">
				<label>1</label>
				<p> Texto revisado e normalizado por Mariana Alves Santiago.</p>
			</fn>
			<fn fn-type="other" id="fn2">
				<label>2</label>
				<p> Foi possível contabilizar esse número a partir da aplicação do questionário, no
					qual os(as) integrantes dos cursinhos populares informaram com mais detalhes
					sobre o funcionamento geral e o modelo de organização.</p>
			</fn>
			<fn fn-type="other" id="fn3">
				<label>3</label>
				<p> A autora baseia-se no conceito de experiência social de François Dubet para
					analisar os sentidos atribuídos ao trabalho pelos(as) jovens profissionais
					egressos(as) das Universidades de Belém.</p>
			</fn>
			<fn fn-type="other" id="fn4">
				<label>4</label>
				<p> A autora aprofunda-se nos conceitos de Experiência Social desenvolvidos por
					François Dubet, especificamente a partir de uma leitura crítica das obras
						<italic>Sociologie de l’expérience</italic> (Sociologia da Experiência) e
						<italic>Dans quelle société vivons-nous</italic>? (Em que sociedade
					vivemos?).</p>
			</fn>
		</fn-group>
		<ref-list>
			<title>ReFeRênCIAs</title>
			<ref id="B1">
				<mixed-citation>AMADO, João; FERREIRA, Sônia. A entrevista na investigação em
					educação. <italic>In:</italic> AMADO, João (org.). <bold>Manual de investigação
						qualitativa em educação</bold>. 2. ed. Coimbra: Imprensa da Universidade de
					Coimbra, 2014. p. 207-225.</mixed-citation>
				<element-citation publication-type="book">
					<person-group person-group-type="author">
						<name>
							<surname>AMADO</surname>
							<given-names>João</given-names>
						</name>
						<name>
							<surname>FERREIRA</surname>
							<given-names>Sônia.</given-names>
						</name>
					</person-group>
					<chapter-title>A entrevista na investigação em educação</chapter-title>
					<person-group person-group-type="editor">
						<name>
							<surname>AMADO</surname>
							<given-names>João</given-names>
						</name>
					</person-group>
					<source>Manual de investigação qualitativa em educação</source>
					<edition>2</edition>
					<publisher-loc>Coimbra</publisher-loc>
					<publisher-name>Imprensa da Universidade de Coimbra</publisher-name>
					<year>2014</year>
					<fpage>207</fpage>
					<lpage>225</lpage>
				</element-citation>
			</ref>
			<ref id="B2">
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					Acesso em: 25 set. 2023.</mixed-citation>
				<element-citation publication-type="journal">
					<person-group person-group-type="author">
						<name>
							<surname>AMARAL</surname>
							<given-names>Ivanete Modesto.</given-names>
						</name>
					</person-group>
					<article-title>O conceito de experiência social aplicado ao trabalho de jovens
						diplomados: uma análise na perspectiva de François Dubet</article-title>
					<source>Revista Brasileira de Sociologia</source>
					<publisher-loc>Porto Alegre</publisher-loc>
					<volume>4</volume>
					<issue>7</issue>
					<fpage>293</fpage>
					<lpage>316</lpage>
					<season>jan./jun</season>
					<year>2016</year>
					<comment>Disponível em: <ext-link ext-link-type="uri"
							xlink:href="https://dialnet.unirioja.es/servlet/articulo?codigo=5896089"
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					</comment>
					<date-in-citation>Acesso em: 25 set. 2023</date-in-citation>
				</element-citation>
			</ref>
			<ref id="B3">
				<mixed-citation>ARROYO, Miguel G. <bold>Outros sujeitos, outras pedagogias</bold>.
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				<element-citation publication-type="book">
					<person-group person-group-type="author">
						<name>
							<surname>ARROYO</surname>
							<given-names>Miguel G.</given-names>
						</name>
					</person-group>
					<source>Outros sujeitos, outras pedagogias</source>
					<publisher-loc>Petrópolis</publisher-loc>
					<publisher-name>Vozes</publisher-name>
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					em: 25 set. 2023.</mixed-citation>
				<element-citation publication-type="book">
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							<surname>ARROYO</surname>
							<given-names>Miguel G.</given-names>
						</name>
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					<source>Passageiros da noite: do trabalho para a EJA: itinerários pelo direito a
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					<publisher-loc>Petrópolis</publisher-loc>
					<publisher-name>Vozes</publisher-name>
					<year>2017</year>
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							>https://www.scielo.br/j/rbedu/a/GCTpKgNQth5ZgbCyP3gbjcd/</ext-link>
					</comment>
					<date-in-citation>Acesso em: 25 set. 2023</date-in-citation>
				</element-citation>
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				<element-citation publication-type="journal">
					<person-group person-group-type="author">
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							<surname>ARROYO</surname>
							<given-names>Miguel G.</given-names>
						</name>
					</person-group>
					<article-title>Pedagogias em Movimento - o que temos a aprender dos Movimentos
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					<source>Currículo sem Fronteiras</source>
					<volume>3</volume>
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					<fpage>28</fpage>
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					<year>2003</year>
					<comment>Disponível em: <ext-link ext-link-type="uri"
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					</comment>
					<date-in-citation>Acesso em: 25 set. 2023</date-in-citation>
				</element-citation>
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					<article-title>Ministério da Educação. Resolução CNE/ CES nº 7, de 18 de
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							<surname>CORROCHANO</surname>
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					<article-title>Resolução nº 10/2019, de 10 de outubro de 2019</article-title>
					<source>Estabelece diretrizes curriculares para a integralização de atividades
						acadêmicas curriculares de Formação em Extensão Universitária nos cursos de
						graduação da UFMG e revoga a Resolução CEPE nº 12/2015, de 22 de setembro de
						2015</source>
					<year>2019</year>
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					<date-in-citation>Acesso em: 14. set. 2022</date-in-citation>
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			<ref id="B26">
				<mixed-citation>WAUTIER, Anne Marie. Para uma sociologia da experiência. Uma leitura
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					Acesso em: 25 set. 2023.</mixed-citation>
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							<surname>WAUTIER</surname>
							<given-names>Anne Marie.</given-names>
						</name>
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					<article-title>Para uma sociologia da experiência. Uma leitura contemporânea:
						François Dubet</article-title>
					<source>Sociologias</source>
					<publisher-loc>Porto Alegre</publisher-loc>
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					<fpage>174</fpage>
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					<season>jan./jun</season>
					<year>2003</year>
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					<date-in-citation>Acesso em: 25 set. 2023</date-in-citation>
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			<ref id="B27">
				<mixed-citation>ZAGO, Nadir. Cursos pré-vestibulares populares: limites e
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					Acesso em: 28 set. 2023.</mixed-citation>
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							<surname>ZAGO</surname>
							<given-names>Nadir.</given-names>
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					<article-title>Cursos pré-vestibulares populares: limites e
						perspectivas</article-title>
					<source>Perspectiva</source>
					<publisher-loc>Florianópolis</publisher-loc>
					<volume>26</volume>
					<issue>1</issue>
					<fpage>149</fpage>
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					<year>2008</year>
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					<date-in-citation>Acesso em: 28 set. 2023</date-in-citation>
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