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			<journal-id journal-id-type="publisher-id">faeeba</journal-id>
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				<journal-title>Revista da FAEEBA: Educação e Contemporaneidade</journal-title>
				<abbrev-journal-title abbrev-type="publisher">Rev. FAEEBA - Ed. e
					Contemp.</abbrev-journal-title>
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			<issn pub-type="epub">2358-0194</issn>
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				<publisher-name>Universidade do Estado da Bahia</publisher-name>
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			<article-id pub-id-type="doi">10.21879/faeeba2358-0194.2024.v33.n76.p69-81</article-id>
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				<subj-group subj-group-type="heading">
					<subject>Artigo</subject>
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			<title-group>
				<article-title>UNIVERSIDADES INDÍGENAS: INTERLOCUÇÕES COM A UNIVERSIDAD AUTÓNOMA
					COMUNAL DE OAXACA - MÉXICO</article-title>
				<trans-title-group xml:lang="es">
					<trans-title>UNIVERSIDADES INDÍGENAS: CONVERSACIONES CON LA UNIVERSIDAD AUTÓNOMA
						COMUNAL DE OAXACA - MÉXICO</trans-title>
				</trans-title-group>
			</title-group>
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				<contrib contrib-type="author">
					<contrib-id contrib-id-type="orcid">0000-0003-1614-0924</contrib-id>
					<name>
						<surname>Lopes</surname>
						<given-names>Danielle Bastos</given-names>
					</name>
					<bio>
						<p><sup>*</sup> Professora adjunta da Universidade do Estado do Rio de
							Janeiro (UERJ), Rio de Janeiro, RJ, Brasil. E-mail: daniellebastoslopes@
							hotmail.com</p>
					</bio>
					<xref ref-type="aff" rid="aff1"/>
				</contrib>
				<contrib contrib-type="author">
					<contrib-id contrib-id-type="orcid">0000-0001-5016-6736</contrib-id>
					<name>
						<surname>Muñoz</surname>
						<given-names>Héctor</given-names>
					</name>
					<bio>
						<p><sup>**</sup> Professor Titular e chefe da área de pesquisa em
							Linguística pela Universidad Autónoma Metropolitana (UAM - Unidade
							Iztapalapa), México DF. E-mail: <email>hmunozcruz@gmail.com</email>
						</p>
					</bio>
					<xref ref-type="aff" rid="aff2"/>
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				<institution content-type="orgname">Universidade do Estado do Rio de
					Janeiro</institution>
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					Janeiro</institution>
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					Metropolitana</institution>
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			<pub-date date-type="pub" publication-format="electronic">
				<day>20</day>
				<month>11</month>
				<year>2025</year>
			</pub-date>
			<pub-date date-type="collection" publication-format="electronic">
				<year>2024</year>
			</pub-date>
			<volume>33</volume>
			<issue>76</issue>
			<fpage>69</fpage>
			<lpage>81</lpage>
			<history>
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					<year>2024</year>
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					<license-p>Este é um artigo publicado em acesso aberto (Open Access) sob a
						licença Creative Commons Attribution, que permite uso, distribuição e
						reprodução em qualquer meio, sem restrições desde que o trabalho original
						seja corretamente citado.</license-p>
				</license>
			</permissions>
			<abstract>
				<title>RESUMO</title>
				<p>Este artigo apresenta uma análise etnográfica das universidades interculturais,
					ou, mais propriamente, da Universidad Autónoma Comunal de Oaxaca. O México e as
					universidades interculturais são objeto de investigação do Grupo de Pesquisa
					Estudos Ameríndios e Fronteiras,particularmente aprofundada nos períodos de 2020
					a 2024. A UACO foi oficializada em 2020, sendo atualmente, umas das maiores
					universidades indígenas, ou também nominadas universidades comunais do país.
					Oaxaca possui características que contêm uma distinção única; é o estado com
					maior diversidade étnica, reconhecido pelos autogovernos indígenas. Assim, o
					método parte de uma etnografia elaborada por imersões em campo, além das
					análises bibliográficas. Nesse esforço, o artigo está dividido nas seguintes
					seções: (1) universidades interculturais no mundo; (2) universidades
					interculturais no México e, por fim, (3) os desafios das universidades
					interculturais e alternativas ao modelo oficial, mais especificamente, (4) a
					imersão de campo na Universidad Autónoma Comunal de Oaxaca.</p>
			</abstract>
			<trans-abstract xml:lang="es">
				<title>RESUMEN</title>
				<p>Este artículo presenta un análisis etnográfico de las universidades
					interculturales, o más propiamente de la Universidad Autónoma Comunal de Oaxaca.
					El México y las universidades interculturales fueron objeto de investigación del
					Grupo de Pesquisa Estudos Ameríndios e Fronteiras (GEAF-CNPq-Brasil) en los
					periodos de 2020 a 2024. La UACO se oficializó en 2020, y actualmente es una de
					las universidades indígenas más grandes y nombradas en el país. Oaxaca tiene
					características que encierran una distinción única, es el estado con mayor
					diversidad étnica, reconocida por sus autogobiernos indígenas. Por lo tanto, el
					método se basa en una etnografía elaborada mediante inmersiones de campo, además
					de análisis bibliográficos. En este esfuerzo, el artículo se divide enlas
					siguientes secciones: (1) universidades interculturales en el mundo; (2)
					universidades interculturales en México y, finalmente, (3) los desafíos de las
					universidades interculturales y alternativas al modelo oficial, en mayor
					detalle, (4) la inmersión de campo en la Universidad Autónoma Comunal de
					Oaxaca.</p>
			</trans-abstract>
			<kwd-group xml:lang="pt">
				<title>Palavras-chave:</title>
				<kwd>Universidad Autónoma Comunal de Oaxaca</kwd>
				<kwd>Universidades Autônomas Interculturais</kwd>
				<kwd>México.</kwd>
			</kwd-group>
			<kwd-group xml:lang="es">
				<title>Palabras clave:</title>
				<kwd>Universidad Autónoma Comunal de Oaxaca</kwd>
				<kwd>Universidades Autónomas Interculturales</kwd>
				<kwd>México.</kwd>
			</kwd-group>
		</article-meta>
	</front>
	<body>
		<sec sec-type="intro">
			<title>Introdução<sup><xref ref-type="fn" rid="fn1">1</xref></sup></title>
			<disp-quote>
				<p><italic>Cuando pedimos autonomia, nos dieron
							interculturalidad.</italic><sup><xref ref-type="fn" rid="fn2"
						>2</xref></sup></p>
			</disp-quote>
			<p>Este artigo investiga as universidades interculturais, ou também conhecidas como
				universidades indígenas do México. Exemplarmente, as palavras “indígena” e
				“intercultural” foram já bem complexificadas pela população mexicana. O que denota
				uma qualidade interessante para construção das universidades geridas por comunidades
				campesinas ao longo das décadas. Em contraposição ao significante intercultural, a
				palavra comunalidade tem sido amplamente difundida entre os movimentos campesinos e
				anarcoindigenistas que povoam o território mexicano. No período de 2021 a 2023,
				debruçamo-nos como grupo de pesquisa sobre tal objeto. Portanto, este artigo está
				dividido nas seguintes seções: (1) universidades interculturais no mundo; (2)
				universidades interculturais no México e, por fim, (3) os desafios das universidades
				interculturais e alternativas ao modelo oficial, mais detidamente, (4) a imersão do
				campo na Universidad Autónoma Comunal de Oaxaca (UACO - México).</p>
		</sec>
		<sec>
			<title>Universidades Interculturais (UIs) no mundo</title>
			<p>As Universidades Interculturais (UIs) são uma realidade há pelo menos 60 anos e,
				apesar do pioneirismo, têm se espalhado em diferentes partes do globo. Nos Estados
				Unidos, existem mais de 40 Faculdades Tribais (CTs). Sendo o mais antigo o Navajo
				Community College (Diné College), iniciado em 1968. Os programas, focados em cursos
				com propostas não convencionais, mas cuja perspectiva cultural e linguística seja o
				ponto norteador, as diferenciam das universidades convencionais que não acolhem tais
				necessidades de comunidades indígenas (<xref ref-type="bibr" rid="B6">Dietz; Cortés,
					2021</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="B4">Black, 2013</xref>).</p>
			<p>Apesar das características compartilhadas entre as diferentes UIs, todas não se
				desenvolvem de forma homogênea. O que tem se observado, na verdade, é uma
				diversidade de arranjos institucionais que se apresentam de acordo com a localidade
				de cada grupo (<xref ref-type="bibr" rid="B17">Mato, 2018</xref>). Nesse sentido,
				convém apontarmos algumas experiências de UIs que se destacam pelo mundo, antes de
				passarmos propriamente ao campo em Oaxaca.</p>
			<p>No Canadá, existem 50 instituições criadas e regidas por indígenas. No entanto,
				grande parte foi compelida a firmar parcerias com universidades convencionais para
				receberem financiamentos e poderem emitir diplomas. Desde 1976 quantificam-se muitas
				universidades interculturais indígenas. A First Nations University - Universidades
				das Primeiras Nações, conhecida como Saskatchewan Indian Federated College - ganhou
				reconhecimento por formar estudantes nativos de países estrangeiros (<xref
					ref-type="bibr" rid="B18">Mato, 2015</xref>, <xref ref-type="bibr" rid="B17"
					>2018</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="B21">Sierra; Rojas, 2011</xref>).
				Principalmente quando Justin Trudeau, primeiro-ministro em 2017, concedeu pedidos de
				gestão autônoma. Em mais de um estudo científico, evidencia-se a influência dos
				conselheiros anciãos onde universidades indígenas canadenses oferecem serviços de
				apoio representacional através da assistência de xamãs na residência dos estudantes.
				Inclusive os conselhos xamânicos são amplamente requisitados nas decisões da
				universidade ou nos programas de apoio a jovens lideranças que apresentam
				dificuldades de ambientação ao espaço acadêmico. Práticas semelhantes também ocorrem
				entre cursos da Nova Zelândia e das Universidades Indígenas do Alasca (<xref
					ref-type="bibr" rid="B7">Hale, 2006</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="B18"
					>Mato, 2015</xref>).</p>
			<p>Nos Estados Unidos, por outro lado, essas parcerias também ocorrem, mas por interesse
				das próprias comunidades em fortalecer a qualidade acadêmica (<xref ref-type="bibr"
					rid="B18">Mato, 2015</xref>, <xref ref-type="bibr" rid="B17">2018</xref>).
				Popularmente conhecido, o Consórcio do Ensino Superior Indígena Americano - AIHEC
				(American Indian Higher Education Consortium) atua em 36 instituições<sup><xref
						ref-type="fn" rid="fn3">3</xref></sup> entre Estados Unidos e Canadá. Esses
				programas oferecem bolsas permanências para instituições de origens nativas. Muitos
				atuam especificamente dentro das universidades, como o American Indian College Fund,
				criado em 1989, pelo próprio AIHEC norte-americano (<xref ref-type="bibr" rid="B4"
					>Black, 2013</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="B18">Mato, 2015</xref>).
				Portanto, percebem-se as distintas formas de organização acadêmica e institucional
				das UIs em diferentes países.</p>
			<p>Na América Latina, a convergência das UIs é ainda maior e mais notável, sendo a
				dificuldade de obter reconhecimento por parte do governo a principal característica
				em comum.</p>
			<p>Um exemplo é a Universidade Intercultural de Povos e Nacionalidades Indígenas Amawtay
				Wasi (UINPI-AW)<sup><xref ref-type="fn" rid="fn4">4</xref></sup>, no Equador, que,
				apesar de conseguir o reconhecimento do Conselho Nacional de Educação Superior,
				posteriormente, teve suas atividades suspensas devido à avaliação que afirmou que a
				instituição não possuía estrutura acadêmica necessária para estar em funcionamento
					(<xref ref-type="bibr" rid="B6">Dietz; Cortés, 2021</xref>; <xref
					ref-type="bibr" rid="B10">Luna, 2014</xref>).</p>
			<p>Ainda no contexto global, é importante frisar as redes latino-americanas que,
				distintamente dos Estados Unidos, estão mais associadas à UNESCO em decorrência dos
				apoios econômicos. México e Colômbia atuam com forte protagonismo nessas
				universidades. Do mesmo modo, na Reunião Regional sobre a Educação Superior dos
				Povos Indígenas da América Latina, reconheceu-se como potencial desafio os
				termos:</p>
			<disp-quote>
				<p>1) a falta de congruência existente entre os marcos normativos nacionais que, na
					maioria dos casos, reconhecem a existência de sociedades pluriétnicas e
					multiculturais e a definição de políticas públicas em matéria educativa que as
					ignoram; 2) a falta de um enfoque de pertinência cultural em todos os níveis do
					sistema educativo; 3) a carência de uma pesquisa que permita o desenho de
					enfoques, metodologias e materiais em contextos interculturais e 4) a exclusão
					dos conhecimentos, valores e técnicas indígenas nas diferentes áreas acadêmicas
						(<xref ref-type="bibr" rid="B8">IESALC/UNESCO, 2003</xref>, p. 232).</p>
			</disp-quote>
			<p>Esses termos apontam um avanço no sentido de reafirmar a América Latina como uma rede
				de universidades autônomas. Estas redes ampliam as possibilidades de se criar maior
				financiamento, sem necessariamente firmar acordos restritos, ou muito
				particularizados com o Estado. Um desses exemplos de universidades em redes é a UII.
				A Universidade Indígena Intercultural (UII), para o Fundo para o Desenvolvimento dos
				Povos Indígenas da América Latina e Caribe (FILAC), é concebida com financiamento
				dos programas internacionais<sup><xref ref-type="fn" rid="fn5">5</xref></sup>. São
				apresentadas como “sementeira de líderes indígenas” pelos coletivos, mas com gestões
				associadas mais a organismos internacionais do que aquelas surgidas de levantes de
				resistências contra o Estado. Como ocorre exemplarmente com o México em Oaxaca,
				nosso campo de pesquisa, e outros movimentos universitários, como Equador, com os
				movimentos da Pluridiversidad Amawtay Wasi, na Colômbia, e outros (<xref
					ref-type="bibr" rid="B17">Mato, 2018</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="B20"
					>Rodríguez; Dietz, 2017</xref>). Nesses termos, é expressamente importante
				observar que as universidades interculturais, principalmente da América Latina,
				apresentam dois pontos de similaridade entre si: em grande maioria, são associadas a
				redes de financiamentos de órgãos bilaterais, ou partem de levantes, movimentos
				anarquistas, autogerenciados pelos próprios indígenas. Esses movimentos
				frequentemente iniciam uma universidade de forma autônoma e, posteriormente, cobram
				do Estado a sua oficialização.</p>
			<p>Na Colômbia, por exemplo, a Universidad Autónoma Indígena Intercultural (UAIIN) foi
				criada em 2003 pelo Conselho Regional Indígena do Cauca (CRIC). A CRIC origina-se em
				1971, sendo a autoridade dos nativos de Cauca mais antiga da América Latina. Depois
				de longo processo, foi oficializada pelo governo. A instituição torna-se a primeira
				universidade indígena reconhecida no país em 2018 (<xref ref-type="bibr" rid="B21"
					>Sierra; Rojas, 2011</xref>).</p>
			<p>De acordo com Zayda Sierra e Alba Rojas (2011), a Universidade de Antioquia foi a
				primeira na Colômbia a aprovar uma admissão preferencial para estudantes indígenas,
				iniciativa promovida tanto por xamãs agrupados no Cabildo Urbano Chibcariwak de
				Medellín como por membros da comunidade universitária.</p>
			<p>Nesses termos, podemos dizer que o México e a Colômbia, juntamente à Bolívia (UII),
				seriam um dos expoentes de universidades indígenas na América Latina. O México é a
				maior rede universitária da América Latina e a maior rede de Educação Básica em
				contextos globais.</p>
			<p>
				<fig id="f1">
					<label>Figura 1</label>
					<caption>
						<title>Universidad Autónoma Comunal de Oaxaca e Jaime Luna (reitor)</title>
					</caption>
					<graphic xlink:href="2358-0194-faeeba-33-76-0069-gf01.tif"
						xmlns:xlink="http://www.w3.org/1999/xlink"/>
					<attrib><bold>Fonte:</bold> acervos UACO, Ciudad de México, 2023.</attrib>
				</fig>
			</p>
			<p>
				<fig id="f2">
					<label>Figura 2</label>
					<caption>
						<title>Universidad Autónoma Comunal de Oaxaca - UA</title>
					</caption>
					<graphic xlink:href="2358-0194-faeeba-33-76-0069-gf02.tif"
						xmlns:xlink="http://www.w3.org/1999/xlink"/>
					<attrib><bold>Fonte:</bold> acervo da autora. UACO, Ciudad de México,
						2023.</attrib>
				</fig>
			</p>
		</sec>
		<sec>
			<title>Universidades Interculturais no México</title>
			<p>As UIs foram criadas no México em 2003, em regiões indígenas, e são reconhecidas como
				instituições de Ensino Superior (IES). A maioria das IES são universidades públicas
				e, portanto, estão sujeitas a diretrizes da Secretaria da Educação Pública (SEP) e
				da Coordenação Geral de Educação Intercultural e Bilíngue (CGEIB) (<xref
					ref-type="bibr" rid="B6">Dietz; Cortés, 2021</xref>). Atualmente, se constitui
				como o sistema mais antigo a gerenciar uma rede de educações indígenas. A
				Universidade Autónoma de Sinaloa<sup><xref ref-type="fn" rid="fn6">6</xref></sup>,
				criada em 1961, é a decana dessas instituições.</p>
			<p>Um fator importante, nesse sentido, que influencia as universidades autônomas, no
				caso mexicano, são os produtos derivados da própria história de levante do país,
				particularmente influenciadas pelo Ejército Zapatista de Liberación Nacional (EZLN)
				em Chiapas. Entre os acordos de San Andrés Larráinzar / <italic>Sacam
						Ch’en</italic><sup><xref ref-type="fn" rid="fn7">7</xref></sup>, ocorridos
				na Revolução Zapatista de 1990, foram exigidos níveis educativos autônomos para
				populações indígenas. Não vamos aprofundar as influências do zapatismo em pedidos de
				gestões autônomas mexicanas, mas, em um estudo comparativo entre Brasil e outros
				países, é interessante perceber o forte Estado atuante nas políticas afirmativas e
				interculturais (<xref ref-type="bibr" rid="B3">Baronnet, 2012</xref>). A crítica à
				convergência do Estado é realizada pela contraposição neoliberal, distintamente do
				México e sua influência anarquista. Podemos dizer que os movimentos autônomos
				mexicanos contra o Estado influenciam mais fortemente as alternativas ao
				capitalismo.</p>
			<p>Entre 2016 e 2017, María de Jesus Patricio (<italic>Marichuy</italic>), membro do
				Congresso Nacional Indígena, recebeu apoio do próprio EZLN para a presidência
				mexicana. Como uma das heranças anarquistas, está a preocupação com a Educação
					(<xref ref-type="bibr" rid="B3">Baronnet, 2012</xref>; Congreso Nacional
				Indígena Ejército Zapatista de Liberación Nacional, 2016), o que irá se distinguir,
				na conjuntura das universidades indígenas globais, ao se exigir a autogestão como
				questão central.</p>
			<disp-quote>
				<p>Considerando que la ofensiva en contra de los pueblos no cesará sino que
					pretenden hacerla crecer hasta haber acabado con el último rastro de lo que
					somos como pueblos del campo y la ciudad, portadores de profundos descontentos
					que brotan también en nuevas, diversas y creativas formas de resistencias y de
					rebeldías es que este Quinto Congreso Nacional Indígena determinó iniciar una
					consulta en cada uno de nuestros pueblos para desmontar desde abajo el poder que
					arriba nos imponen y que nos ofrece un panorama de muerte, violencia, despojo y
					destrucción. Ante todo lo anterior, nos declaramos en asamblea permanente y
					consultaremos en cada una de nuestras geografías, territorios y rumbos el
					acuerdo de este Quinto CNI para nombrar un concejo indígena de gobierno cuya
					palabra sea materializada por una mujer indígena, delegada del CNI como
					candidata independiente que contienda a nombre del Congreso Nacional Indígena y
					el Ejército Zapatista de Liberación Nacional en el proceso electoral del año
					2018 para la presidencia de este país (<xref ref-type="bibr" rid="B5">CONGRESO
						NACIONAL INDÍGENA; EJÉRCITO ZAPATISTA DE LIBERACIÓN NACIONAL,
					2016</xref>).</p>
			</disp-quote>
			<p>Portanto, o caráter autônomo e o grande povoamento de levantes de universidades
				autogestionadas têm particular campo fértil, justamente por ser o país com a maior
				história já registrada de levante rebelde anarquista no século XX. Os anarquistas
				vivem dos seus governos autogerenciados e autônomos até atualmente. Podemos fazer
				aqui um paralelo aos movimentos de universidades que vimos anteriormente. As
				universidades indígenas dos Estados Unidos e Canadá partem de acordos com grandes
				estatais ou fundos e órgãos de financiamentos. Até mesmo na América Latina, a UII
				Bolívia e a FILAC, como vimos, são expoentes importantes dessas universidades
				criadas a partir de iniciativas organizadas por acordos bilaterais e redes
				organizativas. Porém, o México, assim como Equador e Brasil<sup>8</sup>, traz o
				histórico de universidades forjadas por levantes rebeldes. Instituições que iniciam
				de forma autônoma, pelas próprias aldeias, que entram sucessivamente nos
				enfrentamentos com os governos. No caso brasileiro, que aqui não vamos aprofundar, o
				movimento pela universidade indígena é altamente marginalizado (<xref
					ref-type="bibr" rid="B19">Rebuzzi, 2014</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="B9"
					>Jourdan; Bastos Lopes, 2024</xref>). As universidades criadas em acordos
				federais-estaduais são definidas em termos como “instituições públicas estaduais
				descentralizadas”, das quais a direção sofre forte interferência dos governos. A
				direção das UIs oficiais, em alguns casos, depende dos governos, limitando, dessa
				forma, a continuidade de projetos e a autonomia na tomada de decisões. Podemos citar
				como exemplo a Universidade Autônoma Indígena do México (UAIM), a Universidade
				Intercultural de Chiapas (UNICH) e a Universidade Intercultural do México (UINEM)
					(<xref ref-type="bibr" rid="B18">Mato, 2015</xref>, <xref ref-type="bibr"
					rid="B17">2018</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="B20">Rodríguez; Dietz,
					2017</xref>).</p>
			<p>Nesse esforço, uma característica marcante das UIs é o trabalho comunitário durante
				toda a formação do estudante e não somente no último semestre do curso, como ocorre
				geralmente em universidades convencionais. As atividades deste trabalho são
				realizadas na comunidade de origem do estudante, ou seja, destituídas do ambiente
				acadêmico (<xref ref-type="bibr" rid="B6">Dietz; Cortés, 2021</xref>).</p>
		</sec>
		<sec>
			<title>Desafios das Universidades Interculturais e alternativas ao modelo
				oficial</title>
			<p>As UIs representam um avanço no Ensino Superior Indígena, entretanto, ainda há
				desafios a serem superados. Por exemplo, o fato de os programas oferecidos se
				restringirem a áreas como pedagogia e ciência agrícola, não formando estudantes para
				o mercado de trabalho e nem satisfazendo as necessidades locais. Dessa forma, os
				estudantes encontram-se sem perspectiva de outras possibilidades de vivências e
				formações (<xref ref-type="bibr" rid="B6">Dietz; Cortés, 2021</xref>).</p>
			<p>Outro desafio é o papel das línguas indígenas, que representam um fator de grande
				impacto para a socialização linguística. Na realidade, a maioria das UIs as colocam
				como uma alternativa para alguns momentos específicos, como palestras e
				apresentações de trabalho, e não como as línguas usadas no cotidiano acadêmico
					(<xref ref-type="bibr" rid="B17">Mato, 2018</xref>).</p>
			<p>Mais uma problemática reside no fato de que nem sempre os docentes são formados
				adequadamente para trabalhar mediante a diversidade linguística. Além disso, existe
				uma escassez de programas de formação continuada para docentes de UIs que ofereçam
				estabilidade. Por consequência, muitos professores acabam saindo dessas instituições
				e se deslocam para universidades convencionais por oferecerem melhores salários
					(<xref ref-type="bibr" rid="B6">Dietz; Cortés, 2021</xref>; <xref
					ref-type="bibr" rid="B18">Mato, 2015</xref>, <xref ref-type="bibr" rid="B17"
					>2018</xref>).</p>
			<p>Diante disso, surgem duas alternativas aos modelos oficiais de UI no México a partir
				da necessidade de um sistema universitário autônomo e independente. O primeiro é
				caracterizado por instituições interculturais que não são fomentadas por órgãos do
				governo, mas através da própria comunidade e de organizações locais (<xref
					ref-type="bibr" rid="B2">Bastos Lopes, 2023</xref>). O segundo, é o modelo
				representado pela Universidad Veracruzana (UV), que já existia anteriormente como
				uma universidade autônoma e que desenvolveu seu programa intercultural, atuando em
				quatro campos de comunidades indígenas das proximidades. Um dos programas
				interculturais ocorre pela “normalização linguística”, que se caracteriza por
				incluir gradativamente o idioma <italic>Náhuatl</italic> como língua vernacular para
				todo o corpo docente (<xref ref-type="bibr" rid="B12">Malagón, 2016</xref>; <xref
					ref-type="bibr" rid="B15">Muñoz, 2019</xref>, <xref ref-type="bibr" rid="B16"
					>2021</xref>).</p>
			<p>Assim, universidades concebidas por gestões autônomas indígenas apresentam-se como
				alternativas a instituições especialmente definidas pelo Estado. A Secretaria de
				Educação Pública Federal (SEP) assessora a Universidad Veracruzana como instituição
				associada ao governo. Embora criadas especialmente para estudantes indígenas, também
				aceitam alunos de distintos campos. Nos mesmos sistemas de educações interculturais,
				o Instituto Superior Intercultural Ayuuk - Oaxaca foi mantido pelas comunidades e
				organizações do Sistema Universitário Jesuíta (<xref ref-type="bibr" rid="B20"
					>Rodríguez; Dietz, 2017</xref>).</p>
			<p>Outras experiências foram concebidas pela Rede de Camponeses Indígenas, como o
				Instituto Intercultural <italic>Ñöñho</italic> ou a Universidade dos Povos do Sul,
				apesar de não receberem nenhum subsídio governamental (<xref ref-type="bibr"
					rid="B6">Dietz; Cortés, 2021</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="B10">Luna,
					2014</xref>). Nesse contexto, ao contrário dos programas de ação afirmativa,
				como a <italic>Pathways to Higher Education</italic>, promovido pela Fundação Ford,
				as universidades interculturais mexicanas não recorrem à “indignidade” como critério
				exclusivo de acesso. Paradoxalmente, enfrentam o desafio de conceber programas
				acadêmicos completamente distintos do ambiente escolar, tanto em termos linguísticos
				e culturais como em relação à formação profissional (<xref ref-type="bibr" rid="B20"
					>Rodríguez; Dietz, 2017</xref>). Constituem-se como programas contrários ao
				indigenismo, mas que direcionam às profissões predominantemente pedagógicas ou
				agrônomas.</p>
			<p>Para Rodríguez e Gunther Dietz (2017), o Bacharelado em Educação Indígena é decisivo
				para gerar pessoas úteis ao Estado - o que alguns autores vão sugerir como
				iniciativas do multiculturalismo neoliberal que mitigam relações de diversidade para
				o “índio permitido”, aquele pouco rebelde ou submisso ao Governo (<xref
					ref-type="bibr" rid="B7">Hale, 2006</xref>). Portanto, as línguas indígenas são
				concebidas fundamentalmente para ceder ao monolinguismo castelhano (<xref
					ref-type="bibr" rid="B1">Bastos Lopes; Pontes, 2022</xref>; <xref
					ref-type="bibr" rid="B2">Bastos Lopes, 2023</xref>). Críticas semelhantes foram
				feitas por Héctor Muñoz e seu grupo de pesquisadores, aprofundadas na obra
					<italic>El lento cambio</italic>, publicada em 2021. Aqui, os autores (<xref
					ref-type="bibr" rid="B16">Muñoz, 2021</xref>) afirmam que os instrumentos
				jurídicos conferem uma odisseia de medidas interculturais, mas com pouca discussão
				sobre a democratização linguística. Portanto, existiriam discursos que desencadeiam
				um efeito de espetacularização ao citarem uma convergência de interesses entre o
				Estado e as etnocomunidades, especialmente quando conferem reconhecimento jurídico a
				estas.</p>
			<disp-quote>
				<p>Cabe admitir, sin embargo, que han acontecido cambios significativos en las
					interrelaciones entre los Estados nacionales y los pueblos indígenas. Tal vez
					los cambios más importantes sean las regulaciones multiculturales de
					inclusión-participación y la inicial sustitución de parámetros asimilacionistas
					y homogeneizadores, a modo de odiseas multiculturales sustentadas en
					instrumentos jurídicos constitucionales (Kymlicka, 2009; Levy, 2000). Entre
					tales odiseas podemos mencionar prácticas de apertura en protocolos de actuación
					gubernamental, más subsidios y consultas previas, nuevas instituciones en el
					sector, pero no necesariamente más autonomía y control comunitario de los
					recursos naturales y culturales de los pueblos indígenas (<xref ref-type="bibr"
						rid="B16">Muñoz, 2021</xref>, p. 40).</p>
			</disp-quote>
			<p>Distintamente das universidades, as instituições interculturais se caracterizam pela
				difícil tarefa de manter uma estreita relação áulica e comunitária. As instáveis
				características dos mercados das regiões rurais obrigam estudantes a desenvolverem
				redes diversificadas e altamente flexíveis de trabalho, através das quais poucos
				conseguem encontrar emprego e às vezes se autoempregam ou fundam suas próprias
				empresas cooperativas. Para tanto, universidades como a UACO incluem sábios e/ou
				conselhos anciãos, como ocorre também em outras instituições indígenas, como vimos
				anteriormente (<xref ref-type="bibr" rid="B18">Mato, 2015</xref>, <xref
					ref-type="bibr" rid="B17">2018</xref>).</p>
		</sec>
		<sec>
			<title>Oaxaca antes das universidades</title>
			<p>Passamos assim para a UACO, uma das emblemáticas universidades autônomas do México.
				Apresentamos os relatos do reitor Jaime Luna na ocasião em que estivemos em campo. A
				Universidad Autónoma Comunal de Oaxaca (UACO) foi aprovada em janeiro de 2020 como
				uma instituição oficial do governo (<xref ref-type="bibr" rid="B13">MÉXICO,
					2020</xref>). Antes, entretanto, é preciso reconhecer as particularidades dos
				localismos. Oaxaca é o estado com maior concentração indígena e diversidade
						étnica<sup><xref ref-type="fn" rid="fn9">9</xref></sup>, além dos movimentos
				sindicais, entre eles o de Santa María Colotepec, que, junto à Sección XXII, a
				expressiva organização de professores sindicalizados, reivindicam uma educação
				evidentemente comunal. Nesse contexto, o termo comunitário seria mais do que a
				valoração ou a resistência contra a opressão da elite; a ontologia invoca o não
				dualismo característico do Ocidente, rememorando epistemologias em que o ser e o
				saber não passam apenas por contínuas resistências, mas pela inflexão de outras
				racionalidades.</p>
			<p>O estado de Oaxaca possui características políticas, geográficas e econômicas que
				contêm uma distinção única. Está localizado no Sudeste da República Mexicana,
				destacando-se pelos autogovernos indígenas. Denominados como “sementeiras de
				guerrilheiros”, esses sindicatos propugnam uma educação alternativa em constante
				associação a movimentos campesinos e anarquistas. Os sindicatos ocorrem, portanto,
				antes da criação das universidades interculturais e são importantes para entender as
				conquistas comunitárias.</p>
			<p>No contexto da educação pública oaxaquenha, seu início ocorre na Coalizão de
				Professores e Promotores Indígenas de Oaxaca (CMPIO) em 1974, com professores
				indígenas que se formavam no Instituto de Pesquisa e Integração Social do Estado de
				Oaxaca (IIISEO), composto em 1969 e encerrado em 1977 (<xref ref-type="bibr"
					rid="B11">Maldonado-Alvarado, 2016</xref>). Primordialmente, as lutas
				dirigiam-se contra a política indigenista. Constituíram estruturas oficiais e
				sindicais, uma associação civil, zonas de supervisão, conhecidas como Plan Piloto 4.
				Todas essas atividades foram organizadas no CMPIO - atualmente IIISEO<sup><xref
						ref-type="fn" rid="fn10">10</xref></sup>. De acordo com Benjamín Maldonado
				(2016), as centrais organizações oaxaquenhas ressaltam a Marcha das Identidades
				Étnicas pela Educação Intercultural Bilíngue (1998-2004), os Congressos Étnicos
				Estaduais e, desde 2004, a construção curricular para povos indígenas, gerando uma
				educação alternativa e intercultural. Paralelamente, desenvolviamse processos
				comunitários, entre os quais se destaca o município Mixe de Santa María
				Tlahuitoltepec, onde um grupo de intelectuais indígenas, entre eles Jaime Luna,
				atual reitor da universidade UACO, desenvolveu propostas educativas desde finais dos
				anos setenta, que incluíam a escola secundária comunal Sol de la Montaña, o Centro
				de Treinamento Musical Mixe e a Universidade Comunal Intercultural de Cempoaltépetl
					(<xref ref-type="bibr" rid="B11">Maldonado-Alvarado, 2016</xref>; <xref
					ref-type="bibr" rid="B12">Malagón, 2016</xref>).</p>
			<p>Foi nesta realidade que se desenvolveu o campus da UACO. A partir deste território,
				foram desenhados e elaborados dois currículos correspondentes às licenciaturas:
				Comunalidade Agrícola e Gastronomia Comunal. Tal projeto seria um antecessor à luta
				pela criação da universidade e a proposta de uma educação alternativa. Pendendo por
				uma educação comunitária, os coletivos de professores oaxaquenhos conseguiram
				aprovar os seguintes eixos na Secretaria de Educação:</p>
			<list list-type="bullet">
				<list-item>
					<p>la investigación como eje pedagógico</p>
				</list-item>
				<list-item>
					<p>la filosofía comunal como horizonte</p>
				</list-item>
				<list-item>
					<p>la participación comunitaria en el proceso de aprendizaje</p>
				</list-item>
				<list-item>
					<p>el uso extensivo de la lengua originaria</p>
				</list-item>
				<list-item>
					<p>un currículo adecuado a la realidad en que se trabaja</p>
				</list-item>
				<list-item>
					<p>la colaboración de maestros que, más que enseñar, ayudan a aprender</p>
				</list-item>
			</list>
			<p>(COORDINACIÓN GENERAL DE EDUCACIÓN INTERCULTURAL Y BILINGÜE - SEP, 2018).</p>
			<p>Como se pode ver, a educação comunitária oaxaquenha trata de um difuso movimento de
				etnopolítica. Sempre envolto pelas fortes lutas sindicais e agendas por uma educação
				alternativa. Com efeito, uma sementeira de guerrilheiros indígenas e, alguns deles,
				anarquistas, juntamente aos movimentos zapatistas de Chiapas.</p>
			<sec>
				<title>Jaime Luna, a UACO e a flor comunal</title>
				<p>Jaime Luna, atualmente reitor, é uma figura influente no estado. Em sua
					biografia, conta que cursou internato saindo do povo Guelatao de Juárez, e que
					sua mãe era professora da comunidade vizinha de Jaltianguis, dedicada aos anos
					primários. Posteriormente, foi estudar antropologia na Universidade Veracruzana
					sob uma ótica marxista e freiriana (uma influência brasileira). Regressou à
					Sierra de Juárez aos finais dos anos setenta, quando trouxe o termo
					“comunalidade” de Floriberto Díaz. Também influenciado por Juan José <xref
						ref-type="bibr" rid="B14">Monzón (2011)</xref>, outra figura central nas
					universidades autônomas. Em finais de 1970, “La ‘libertad’ mostraba su rostro de
					quimera. «Ternurita», diríamos hoy en las redes sociales” (<xref ref-type="bibr"
						rid="B10">Luna, 2014</xref>, p. 5). Com um distanciamento inevitável do
					aparato marxista e dos paradigmas liberais, afirma que a realidade comunitária
					prevaleceu. Empreendeu junto a Floriberto Díaz na Organização de Defesa dos
					Recursos Naturais e Desenvolvimento Social da Serra Juárez (Odrenasij) contra a
					devastação das Fábricas de Papel Tuxtepec. Nesse período, 26 comunidades
					organizaramse através de assembleias comunitárias em finais das décadas de 1970
					e 1980.</p>
				<p>As organizações conseguiram refrear a indústria; é interessante ressaltar que
					antecede à formação da Unión de Pueblos del Rincón e são contemporâneos das
					assembleias zapatistas. Os Odrenasij conseguiram a anulação exploratória e
					também conseguiram que comunidades florestais gerissem, a partir de uma lógica
					comunitária, seus próprios processos educativos (<xref ref-type="bibr" rid="B11"
						>Maldonado-Alvarado, 2016</xref>). A partir de então, em diversas
					comunidades serranas, foram promovidos negócios comunitários, como serrarias,
					ecoturismo e engarrafamentos, cada um com uma sorte diferente (<xref
						ref-type="bibr" rid="B10">Luna, 2014</xref>). Pedagogicamente, Jaime Luna
					ressalta que foi a partir de então que as comunidades aprenderam a se organizar
					regionalmente; a mobilização vitoriosa teria um caráter maiêutico entre os
					indígenas.</p>
				<p>Em junho de 1994, o conceito comunalidade foi difundido. A partir de um encontro
					na Universidade de Guadalajara, participaram 40 pessoas indígenas Wixárikas
					(Huicholes), Nahuas, acadêmicos e funcionários da referida coordenação
					universitária. Durante o desenvolvimento, houve uma conversa entre Juan Rendón e
					o velho Marakame Meterio; um dos Wixárikas participantes confidenciou que teve
					um sonho sobre a cultura das cidades indígenas como a forma de uma flor.
					Entusiasmado, Rendón representa a cultura dos povos indígenas, a qual já tinha
					nome e figura: a flor comunal (<xref ref-type="bibr" rid="B14">Monzón,
						2011</xref>).</p>
				<p>Posteriormente, contribuíram pintores como Delfino Marcial Cerqueda, Víctor
					Manuel e Adrián Gómez, Fernando Botas e o próprio Juan Rendón, alterando o
					modelo teórico e a ilustração gráfica. É necessário destacar que a flor comunal
					é um modelo flexível que deve ser constituído a partir da reflexão.
					Posteriormente, moradores de Oaxaca sugeriram que as figuras de um camarão e um
					peixe fossem incluídas ao milharal da imagem, tendo a pesca uma função
					proeminente no ideograma da UACO, composto por estas grafias.</p>
				<p>Foram então incorporando traduções filosóficas ao conceito. Com efeito, a
					comunalidade não seria um conceito dialético, mas polivalente, frequentemente
					alegorizado na categoria de árvores e da flor comunal. Para além do terceiro
					excluído de Aristóteles, <xref ref-type="bibr" rid="B10">Luna (2014)</xref> e
						<xref ref-type="bibr" rid="B14">Monzón (2011)</xref> desassociam a lógica de
					identidade e não contradição, apontando para uma consciência espiralada entre o
					verdadeiro, o falso, o indeterminado e a coexistência entre estes. Cabe destacar
					que o conceito não surge no âmbito acadêmico senão na luta social.</p>
				<disp-quote>
					<p>Así como el «principio de identidad» mencionado arriba, el del «tercero
						excluso», junto con el de «no contradicción», forman el núcleo duro de la
						lógica clásica, vigente desde Aristóteles. El tercero excluido implica la
						existencia de una dualidad determinista: algo sólo puede ser verdadero o
						falso. No hay punto intermedio.</p>
					<p>[…] Ahora bien, además del tercero excluido, desecha el principio lógico de
						identidad, según vimos más arriba, pero también el de no contradicción. Pues
						la contradicción está en la base de la realidad. Una cosa es esa cosa y al
						mismo tiempo no es ella misma. Siguiendo la nomenclatura de Łukasiewicz,
						diríamos que en la lógica comunitaria de la que aquí hablamos, en lo
						verdadero también está lo falso y lo posible, que en lo falso va igual lo
						verdadero y lo posible, y que en lo posible están lo verdadero, lo falso y
						lo indeterminado. […] Esto es, lo propio comunal contiene a la compartencia,
						pero también a la competencia.</p>
					<p>[…] Lo propio es resultado de la negociación permanente con Dios y con el
						diablo. Un carácter de tlacuache, donde la contradicción y las oposiciones
						siempre generan una nueva posibilidad (<xref ref-type="bibr" rid="B10">Luna,
							2014</xref>, p. 12).</p>
				</disp-quote>
				<p>Com isto, mostra-se que a organização comunal na defesa da pedagogia trata-se de
					uma fonte última da população cotidiana, provocada nos espaços acadêmicos pelos
					intelectuais indígenas mexicanos e professores sindicais desde 1970. Sobre essa
					última, tanto Jaime <xref ref-type="bibr" rid="B10">Luna (2014)</xref> quanto
						<xref ref-type="bibr" rid="B14">Monzón (2011)</xref> são insistentes em
					afirmar que o conceito tem caído em uma banalização e tem sido repetido
					atualmente, mas destituído do sentido eminentemente utópico de resistência do
					seu início. Uma de suas buscas estaria no abandono dos conceitos ocidentais que
					congelam e reduzem o pensamento, mas, em seu lugar, propõe-se uma expressão mais
					próxima da percepção de uma flor. Em efeito, a comunalidade seria uma
					alternativa anticolonial ao intercultural. Nesses termos, o especialista é
					reconhecido e ouvido, mas o comunitário presta mais atenção a quem não é objeto
					da crítica pura racional e complementária.</p>
			</sec>
			<sec>
				<title>A didática e o currículo comunal de Oaxaca</title>
				<p>Se foi configurando assim uma concepção teórica, que permitia que a oralidade
					fosse uma forma de gestão em universidades como a UACO. Pensar em rádios e
					assembleias oaxaquenhas é perceptível justamente na oralidade. No currículo, as
					atividades são altamente flexíveis, tanto quanto os prédios que abrigam a
					instituição. Distantemente, a UACO não possui prédios específicos e
					territorializados, mas distintas sedes espalhadas em toda região. Também não
					existe um currículo fixo ou plano curricular a seguir. O que existe são
					orientações pedagógicas escritas em tomos e livros coletivos feitos por Jaime
					Luna e professores, distribuídos gratuitamente no país.</p>
				<p>Nesses materiais didáticos alternativos é comum um amplo número de imagens com os
					trabalhos comunitários e intelectuais que se realizam na universidade. As redes
					de movimentos<sup><xref ref-type="fn" rid="fn11">11</xref></sup> são igualmente
					ativas. Podemos dizer que um dos pontos facilmente observados por nós, em campo,
					foi justamente o trabalho das assembleias indígenas oaxaquenhas. Todas as
					decisões ocorrem por tomadas coletivas em que as assembleias, com uma grande
					quantidade de etnias distintas, são representadas. A figura do reitor passa a
					ser, nesse sentido, muito mais deliberativa e histórica; as decisões da
					universidade, como a criação de uma nova central, adequação ou pedido de
					financiamento à SEP, são todas decididas comunitariamente.</p>
				<p>Considerando que a comunalidade foi o que os permitiu sobreviver por mais 500
					anos, esta é a principal afirmativa quando perguntamos sobre “modelos
					tradicionais de currículo” requeridos pelo Estado a este respeito. As
					assembleias geralmente chegam a um consenso e o conselho ancião tem grande
					relevância nos costumes didáticos. A flor comunal é exposta logo no ideograma da
					UACO, carregada como um centro ideográfico, difundindo-a em diferentes regiões e
					em outras universidades autônomas mexicanas. Podemos dizer que a forma
					propriamente espiralada de uma flor, como nos remete Jaime Luna nos relatos de
					campo, passa a ser uma alternativa aos modelos interculturais fortemente
					verticalizados pelo Estado. Não raras vezes, Luna e outros professores da UACO
					relataram que a comunalidade é, com efeito, o oposto do intercultural (<xref
						ref-type="bibr" rid="B10">Luna, 2014</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="B14"
						>Monzón, 2011</xref>). Não por serem binômios, mas pela qualidade conflitiva
					e rebelde que acompanha o termo. Portanto, não estaria associada às formas das
					redes interculturais da UNESCO e outros órgãos bilaterais, mas gerida pelo
					comunitário (<italic>comunalidad</italic>) dos movimentos campesinos
					oaxaquenhos.</p>
			</sec>
		</sec>
		<sec sec-type="conclusions">
			<title>Considerações finais</title>
			<p>Diante do exposto, compreende-se que a importância das UIs não está restrita a um
				âmbito de formação acadêmica, mas se expande a uma dimensão cultural e linguística,
				haja vista a agenda cultural de comunidades indígenas. É necessário destacar também
				que a existência de UIs é, além de um ato de reivindicação de direitos educacionais,
				um ato de resistência constituindo um lugar de lutas e disputas frequentes.</p>
			<p>No México, as UIs visam formar profissionais que sejam capazes de contribuir para o
				desenvolvimento das comunidades nas quais estão inseridas, contrastando culturas e
				conhecimentos ancestrais. As críticas a esses modelos de universidades se fazem em
				razão da falta de autonomia dos indígenas na elaboração dos currículos acadêmicos e
				nas escolhas dos programas oferecidos. Algumas dessas universidades, principalmente
				na América do Norte, são geridas pelo Estado e, consequentemente, sofrem com as
				intercorrentes políticas para o ensino intercultural contribuindo para um objeto
				indigenista.</p>
			<p>As alternativas ao modelo oficial podem ser resumidas em dois modelos, como vimos:
				aquelas fomentadas por ONGs e as que apresentam programa próprio. No entanto, também
				existem desafios a serem superados, como os programas restritos a apenas algumas
				áreas. Além disso, há a questão das línguas indígenas não serem conhecidas pelos
				docentes e a maioria migrar para universidades convencionais na busca por melhores
				salários.</p>
			<p>Sob esse prisma, as UIs e as alternativas ao modelo oficial ainda têm um longo
				percurso, no entanto, as conquistas alcançadas com o programa de trabalho
				comunitário e propostas como UACO e UV, com o uso da língua indígena em contexto
				acadêmico, são indicativos de um espectro otimista e que caminha para a comunalidade
				universitária no México. A UACO passa a ser, portanto, um importante caminho para
				outras universidades que buscam uma gestão autônoma e comunitária.</p>
		</sec>
	</body>
	<back>
		<fn-group>
			<fn fn-type="other" id="fn1">
				<label>1</label>
				<p> Este estudo passou pela aprovação ética da Universidad Autónoma Metropolitana
					(UAM-México) e, em todas as interlocuções com pesquisadores, foi apresentado o
					Termo de Consentimento Livre Esclarecido (TCLE)</p>
			</fn>
			<fn fn-type="other" id="fn2">
				<label>2</label>
				<p> TAIPA, A. M. Autonomía y Autodeterminación de las Universidades Indígenas. In:
					JOURDAN, C.; BASTOS LOPES, D. <bold>Encontro Internacional por uma Universidade
						Autônoma Indígena no Brasil:</bold> pensada, gerida e administrada por
					indígenas [livro eletrônico] / Organizadoras: Camila Jourdan; Danielle Bastos.
					Alegrete, Rio Grande do Sul: Editora TerriED, 2024, p. 62.</p>
			</fn>
			<fn fn-type="other" id="fn3">
				<label>3</label>
				<p> Entre as principais universidades indígenas dos Estados Unidos estão: (1)
					Oklahoma State University; (2) Pawnee Nation College; (3) Arapaho Tribal
					College. Seus membros não atribuem a denominação de reitor aos seus líderes, mas
					sim a de presidentes da instituição.</p>
			</fn>
			<fn fn-type="other" id="fn4">
				<label>4</label>
				<p> No Equador, a Universidade Intercultural de Povos e Nacionalidades Indígenas
					Amawtay Wasi (UINPI-AW) foi reconhecida pelo Conselho Nacional de Educação
					Superior e passou a fazer parte do Sistema Nacional de Ensino. Entretanto, após
					mudanças presidenciáveis, em 2013, o Conselho de Avaliação e Credenciamento
					suspendeu as atividades. A universidade, resistindo ao Conselho, continuou como
						<italic>Pluridiversidad Amawtay Wasi</italic>, como organização comunitária,
					embora não lhe fosse permitido conceder títulos ou graduar alunos. Em 2018,
					quando terminou o mandato, a Assembleia Nacional do Equador aprovou a Reforma da
					Lei Orgânica do Ensino Superior, passando a oficializar a “Amawtay Wasi” como
					instituição pública de caráter comunitário; autônoma e academicamente (<xref
						ref-type="bibr" rid="B17">Mato, 2018</xref>).</p>
			</fn>
			<fn fn-type="other" id="fn5">
				<label>5</label>
				<p> A Universidade Indígena Intercultural (UII), além do FILAC, recebe financiamento
					dos seguintes órgãos de fomento: a Agência Espanhola de Cooperação Internacional
					para o Desenvolvimento (AECID), a Fundação Anne Deruyttere, a Fundação Indígena
					de FSC e a Organização Internacional do Trabalho (OIT). Disponível em:
						&lt;<ext-link ext-link-type="uri"
						xlink:href="http://www.somosiberoamerica.org"
						>www.somosiberoamerica.org</ext-link>&gt;. Acesso em: 01 out. 2023.</p>
			</fn>
			<fn fn-type="other" id="fn6">
				<label>6</label>
				<p> Foi criada em 1874 como Colégio Rosales. No governo do General Lázaro Cárdenas,
					se tornou Universidade Socialista do Noroeste, tornando-se, em 1941, a
					Universidad Autónoma de Sinaloa. Em 4 de dezembro de 1965, a instituição
					recuperou e desenvolveu sua autonomia revogada em 1937. Com o novo ordenamento
					jurídico, desde aquele ano, mantém a atual denominação de Universidad Autónoma
					de Sinaloa. Disponível em: &lt;<ext-link ext-link-type="uri"
						xlink:href="https://www.uas.edu.mx/nuestra-universidad/historia-de-la-uas"
						>https://www.uas.edu.mx/nuestra-universidad/historia-de-la-uas</ext-link>&gt;.
					Acesso em: 31 mai. 2024.</p>
			</fn>
			<fn fn-type="other" id="fn7">
				<label>7</label>
				<p> O conservador Partido Acción Nacional (PAN), sob a presidência de Vicente Fox
					(2000-2006), retoma acordos de San Andrés de autonomia territorial e política
					dos povos, incluindo reformas constitucionais da Ley Indígena de 2001,
					reforçando a aliança com a Educação Intercultural e Bilíngue da Educação
					Superior.</p>
			</fn>
			<fn fn-type="other" id="fn8">
				<label>8</label>
				<p> No Brasil, o Ministério da Educação e o Ministério dos Povos Indígenas (MPI)
					criaram um grupo de trabalho para avaliar a criação de uma Universidade
					Indígena. A portaria que institui o GT foi publicada no Diário Oficial da União
					em 17 de abril de 2024. No entanto, a Universidade Indígena Aldeia Maracanã,
					pioneira no país como movimento universitário indígena autogestionado desde
					2006, não foi convidada para participar da referida Comissão. O movimento
					redigiu uma Carta Aberta e realizou o “Encontro Internacional Por uma
					Universidade Autônoma Indígena no Brasil: pensada, gerida e administrada por
					indígenas”, realizado na Universidade do Estado do Rio de Janeiro - UERJ, com
					apoio de reitores de universidades indígenas do México e recebeu cartas
					internacionais da França, Áustria, México e outros países em apoio à inclusão da
					Universidade Aldeia Maracanã na Comissão do MEC. Tal encontro foi organizado
					pelas docentes Camila Jourdan e Danielle Bastos Lopes na ocasião da discussão no
					MPI, ainda em curso. Ver: <xref ref-type="bibr" rid="B9">Jourdan e Bastos Lopes
						(2024)</xref>.</p>
			</fn>
			<fn fn-type="other" id="fn9">
				<label>9</label>
				<p> Oaxaca é composto por 570 municípios, dos quais 417 são governados por sistemas
					normativos indígenas. Estão agrupados em 30 distritos e 8 regiões, sendo estas:
					Cañada, Costa Istmo, Mixteca, Papaloapan, Sierra Sur, Sierra Norte e Valles
					Centrales, e distinguem-se pelos seus costumes, tradições, língua, história e
					extensão territorial.</p>
			</fn>
			<fn fn-type="other" id="fn10">
				<label>10</label>
				<p> Trata-se das organizações: CMPIO (Coalición de Maestros y <italic>Promotores
						Indígenas de Oaxaca</italic>) e IIISEO (Instituto de Investigación e
					Integración Social del Estado de Oaxaca).</p>
			</fn>
			<fn fn-type="other" id="fn11">
				<label>11</label>
				<p> Disponível em: &lt;<ext-link ext-link-type="uri"
						xlink:href="http://www.uacovallescentrales.edu.mx/"
						>http://www.uacovallescentrales.edu.mx/</ext-link>&gt;. Acesso em: 17 jun.
					2024.</p>
			</fn>
		</fn-group>
		<ref-list>
			<title>REFERÊNCIAs</title>
			<ref id="B1">
				<mixed-citation>BASTOS LOPES, D.; PONTES, A. P. O ensino de Guarani nas escolas
					paraguaias e a questão do bilinguismo diglóssico: uma interlocução com Bartomeu
					Melià. <bold>Tellus (UCDB)</bold>, Campo Grande, v.22, n. 49, p. 173-186,
					2022.</mixed-citation>
				<element-citation publication-type="journal">
					<person-group person-group-type="author">
						<name>
							<surname>BASTOS LOPES</surname>
							<given-names>D.</given-names>
						</name>
						<name>
							<surname>PONTES</surname>
							<given-names>A. P.</given-names>
						</name>
					</person-group>
					<article-title>O ensino de Guarani nas escolas paraguaias e a questão do
						bilinguismo diglóssico: uma interlocução com Bartomeu Melià</article-title>
					<source>Tellus (UCDB)</source>
					<publisher-loc>Campo Grande</publisher-loc>
					<volume>22</volume>
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