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<!DOCTYPE article PUBLIC "-//NLM//DTD JATS (Z39.96) Journal Publishing DTD v1.1 20151215//EN" "https://jats.nlm.nih.gov/publishing/1.1/JATS-journalpublishing1.dtd">
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	<front>
		<journal-meta>
			<journal-id journal-id-type="publisher-id">faeeba</journal-id>
			<journal-title-group>
				<journal-title>Revista da FAEEBA: Educação e Contemporaneidade</journal-title>
				<abbrev-journal-title abbrev-type="publisher">Rev. FAEEBA - Ed. e
					Contemp.</abbrev-journal-title>
			</journal-title-group>
			<issn pub-type="epub">2358-0194</issn>
			<publisher>
				<publisher-name>Universidade do Estado da Bahia</publisher-name>
			</publisher>
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		<article-meta>
			<article-id pub-id-type="doi"
				>10.21879/faeeba2358-0194.2024.v33.n76.p136-155</article-id>
			<article-categories>
				<subj-group subj-group-type="heading">
					<subject>Artigo</subject>
				</subj-group>
			</article-categories>
			<title-group>
				<article-title>PROJETO REDE COOPERATIVA DE ENSINO, PESQUISA E EXTENSÃO EM ESCOLAS DE
					EDUCAÇÃO BÁSICA (RECEPE): A FORMAÇÃO CONTINUADA COMO MOVIMENTO DE RESISTÊNCIA
					PROPOSITIVA POPULAR</article-title>
				<trans-title-group xml:lang="en">
					<trans-title>PROJECT COOPERATIVE NETWORK FOR TEACHING, RESEARCH, AND EXTENSION
						IN BASIC EDUCATION SCHOOLS: CONTINUED EDUCATION AS A MOVEMENT OF POPULAR
						PROPOSITIONAL RESISTANCE</trans-title>
				</trans-title-group>
				<trans-title-group xml:lang="es">
					<trans-title>PROYECTO RED COOPERATIVA DE ENSEÑANZA, INVESTIGACIÓN Y EXTENSIÓN EN
						ESCUELAS DE EDUCACIÓN BÁSICA: LA FORMACIÓN CONTINUA COMO MOVIMIENTO DE
						RESISTENCIA PROPOSITIVA POPULAR</trans-title>
				</trans-title-group>
			</title-group>
			<contrib-group>
				<contrib contrib-type="author">
					<contrib-id contrib-id-type="orcid">0000-0002-2690-4177</contrib-id>
					<name>
						<surname>Souza</surname>
						<given-names>Tiago Zanquêta de</given-names>
					</name>
					<bio>
						<p><sup>*</sup> Pós-Doutorando em Educação, Conhecimento e Sociedade pela
							Univás. Doutor em Educação pela UFSCar. Professor e Coordenador do
							Programa de Pós-Graduação em Educação, Professor do Programa de
							Pós-Graduação Profissional em Educação, ambos da Uniube e Professor do
							Programa de Pós-Graduação em Educação da UCB. Coordenador da Rede
							Cooperativa de Ensino, Pesquisa e Extensão em Escolas de Educação
							Básica. Uberaba, Minas Gerais, Brasil. E-mail:
								<email>tiago.zanqueta@uniube.br</email>
						</p>
					</bio>
					<xref ref-type="aff" rid="aff1"/>
				</contrib>
				<contrib contrib-type="author">
					<contrib-id contrib-id-type="orcid">0000-0002-7327-8375</contrib-id>
					<name>
						<surname>Novais</surname>
						<given-names>Gercina Santana</given-names>
					</name>
					<bio>
						<p><sup>**</sup> Doutora em Educação pela USP. Professora e
							vice-coordenadora do Programa de Pós-Graduação Profissional em Educação
							da Uniube. Coordenadora da Rede Cooperativa de Ensino, Pesquisa e
							Extensão em Escolas de Educação Básica. Uberlândia, Minas Gerais,
							Brasil. E-mail: <email>gercina.novais@uniube.br</email>
						</p>
					</bio>
					<xref ref-type="aff" rid="aff2"/>
				</contrib>
			</contrib-group>
			<aff id="aff1">
				<institution content-type="orgname">Universidade de Uberaba</institution>
				<institution content-type="original">Universidade de Uberaba - Uniube</institution>
			</aff>
			<aff id="aff2">
				<institution content-type="orgname">Universidade de Uberaba</institution>
				<institution content-type="original">Universidade de Uberaba - Uniube</institution>
			</aff>
			<pub-date date-type="pub" publication-format="electronic">
				<day>20</day>
				<month>11</month>
				<year>2025</year>
			</pub-date>
			<pub-date date-type="collection" publication-format="electronic">
				<year>2024</year>
			</pub-date>
			<volume>33</volume>
			<issue>76</issue>
			<fpage>136</fpage>
			<lpage>155</lpage>
			<history>
				<date date-type="received">
					<day>22</day>
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				</date>
				<date date-type="accepted">
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					<month>10</month>
					<year>2024</year>
				</date>
			</history>
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				<license license-type="open-access"
					xlink:href="https://creativecommons.org/licenses/by/4.0/" xml:lang="pt">
					<license-p>Este é um artigo publicado em acesso aberto (Open Access) sob a
						licença Creative Commons Attribution, que permite uso, distribuição e
						reprodução em qualquer meio, sem restrições desde que o trabalho original
						seja corretamente citado.</license-p>
				</license>
			</permissions>
			<abstract>
				<title>RESUMO</title>
				<p>Este trabalho tem por tema os processos educativos, formativos e saberes
					vivenciados por docentes que participaram de programas de formação continuada
					durante a pandemia de Covid-19, os quais estão vinculados à Rede Cooperativa de
					Ensino, Pesquisa e Extensão em Escolas de Educação Básica. A pesquisa está
					ancorada nos pressupostos teórico-metodológicos da Educação Popular e tem por
					objetivo apresentar os resultados das análises dos processos educativos e
					formativos dos/as referidos/as professores/as, que decorreram de sua formação
					continuada na transpandemia de Covid-19, destacando indícios da expressão da
					resistência propositiva popular. A metodologia utilizada foi a
					investigação-formação-solidária, de abordagem qualitativa, valendose da pesquisa
					de campo, cujos instrumentos para a coleta de dados foram questionários
					considerando-se o eixo “memorial formativo e autobiográfico”. As categorias
					estabelecidas e analisadas foram: 1. A resistência propositiva popular:
					processos educativos e formativos de professores/as na formação continuada; 2.
					Que formação continuada? Processos educativos e formativos na transpandemia da
					Covid-19. Os resultados apontam o deslocamento da relação pedagógica entre
					professor/a e aluno/a, bem como a virtualização dessa relação na transpandemia
					de Covid-19, de modo a produzir uma educação para que alunos/as pudessem “passar
					de ano”. No entanto, reconhece-se a presença da <italic>resistência propositiva
						popular</italic> dos/as professores/as, na medida em que se colocaram
					disponíveis para a realização de um processo de ensinar e aprender que não
					destruísse completamente a relação entre os/as profissionais da escola e seus
					estudantes e, ainda, reduzir sentimentos de solidão manifestos por docentes e
					discentes.</p>
			</abstract>
			<trans-abstract xml:lang="en">
				<title>ABSTRACT</title>
				<p>This work focuses on the educational and formative processes and knowledge of
					teachers who participated in continuing education programs during the Covid-19
					pandemic. These teachers are affiliated with the Cooperative Network for
					Teaching, Research, and Extension in Basic Education Schools. The research is
					anchored in the theoretical and methodological assumptions of Popular Education.
					It aims to present the results of the analyses of the educational and formative
					processes of these teachers, which stemmed from their continued education during
					the Covid-19 transpandemic, highlighting indications of the expression of
					popular propositional resistance. The methodological choice was the
					solidarity-investigation-formation, with a qualitative approach, utilizing field
					research. The instruments for data collection were questionnaires considering
					the axis “formative and autobiographical memorial.” The established and analyzed
					categories were: 1. Popular propositional resistance: educational and formative
					processes of teachers in continued education; 2. What continued education?
					Educational and formative processes in the Covid-19 transpandemic. The results
					indicate a shift in the pedagogical relationship between teacher and student, as
					well as the virtualization of this relationship during the Covid-19
					transpandemic, to ensure students could “pass the year.” However, the presence
					of popular propositional resistance from teachers is recognized, as they made
					themselves available to carry out a teaching and learning process that did not
					completely destroy the relationship between school professionals and their
					students, and also to reduce feelings of loneliness expressed by both teachers
					and students.</p>
			</trans-abstract>
			<trans-abstract xml:lang="es">
				<title>RESUMEN</title>
				<p>Este trabajo tiene como tema los procesos educativos, formativos y saberes
					vividos por docentes que participaron en programas de formación continua durante
					la pandemia de Covid-19, vinculados a la Red Cooperativa de Enseñanza,
					Investigación y Extensión en Escuelas de Educación Básica. La investigación se
					basa en los supuestos teórico-metodológicos de la Educación Popular y tiene como
					objetivo presentar los resultados de los análisis de los procesos educativos y
					formativos de los/as mencionados/as docentes, derivados de su formación continua
					en la transpandemia de Covid-19, destacando indicios de la expresión de la
					resistencia propositiva popular. La metodología utilizada fue la
					investigación-formación-solidaria, de enfoque cualitativo, empleando la
					investigación de campo, cuyos instrumentos para la recolección de datos fueron
					cuestionarios considerando el eje “memorial formativo y autobiográfico”. Las
					categorías establecidas y analizadas fueron: 1. La resistencia propositiva
					popular: procesos educativos y formativos de docentes en la formación continua;
					2. ¿Qué formación continua? Procesos educativos y formativos en la transpandemia
					de Covid-19. Los resultados indican el desplazamiento de la relación pedagógica
					entre docente y alumno/a, así como la virtualización de esta relación en la
					transpandemia de Covid-19, con el fin de producir una educación para que los/ as
					estudiantes pudieran “pasar de año”. Sin embargo, se reconoce la presencia de la
					resistencia propositiva popular de los/as docentes, en la medida en que se
					mostraron dispuestos/as a llevar a cabo un proceso de enseñanza y aprendizaje
					que no destruyera por completo la relación entre los/as profesionales de la
					escuela y sus estudiantes y, además, redujera los sentimientos de soledad
					manifestados por docentes y estudiantes.</p>
			</trans-abstract>
			<kwd-group xml:lang="pt">
				<title>Palavras-chave:</title>
				<kwd>processos educativos e formativos</kwd>
				<kwd>educação popular</kwd>
				<kwd>Covid-19.</kwd>
			</kwd-group>
			<kwd-group xml:lang="en">
				<title>Keywords:</title>
				<kwd>educational and formative processes</kwd>
				<kwd>popular education</kwd>
				<kwd>Covid-19.</kwd>
			</kwd-group>
			<kwd-group xml:lang="es">
				<title>Palabras clave:</title>
				<kwd>procesos educativos y formativos</kwd>
				<kwd>educación popular</kwd>
				<kwd>Covid-19.</kwd>
			</kwd-group>
		</article-meta>
	</front>
	<body>
		<sec sec-type="intro">
			<title>Introdução</title>
			<p>Este trabalho<sup><xref ref-type="fn" rid="fn1">1</xref></sup> é resultado do projeto
				intitulado <italic>EDUCAÇÃO NA DIVERSIDADE PARA A CIDADANIA: um estudo de processos
					educativos e formativos escolares e não escolares</italic> conta com auxílio
				financeiro da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Minas Gerais (FAPEMIG -
				APQ- 01387-22)<sup><xref ref-type="fn" rid="fn2">2</xref></sup>. Foi desenvolvido no
				âmbito da Rede Cooperativa de Ensino, Pesquisa e Extensão em Escolas de Educação
				Básica (RECEPE).</p>
			<p>Conforme esclarecem <xref ref-type="bibr" rid="B21">Souza e Novais (2022</xref>, p.
				53), a RECEPE tem sua gênese:</p>
			<disp-quote>
				<p>nas demandas por produção de conhecimento e proposições de ações formativas e
					educativas em contextos escolares e não escolares com os/ as educadores/as que
					atuam no cotidiano desses contextos. Essas demandas exigem a elaboração e o
					desenvolvimento de projetos de formação com os/as profissionais da educação,
					adotando como eixo estruturante a realidade concreta do ensino e da
					aprendizagem, as experiências dos profissionais da educação e o ensino com
					pesquisa e/ou extensão popular no cotidiano das escolas de educação básica.
					Nesse processo formativo e educativo não é suficiente escutar as demandas para
					compor os temas dos projetos de extensão, ensino e ou de pesquisa. Isso porque a
					opção é por escolher o que, como, quando,a favor de quem, com quem e por que
					fazer e pensar sobre o feito juntos/as, dialogando com elaborações produzidas em
					diferentes lugares e por diferentes sujeitos, comunicando com diferentes pontos
					da RECEPE e valorizando os saberes produzidos nesses pontos.</p>
			</disp-quote>
			<p>Outro aspecto a ser destacado, em relação aos processos formativos e educativos
				desenvolvidos na referida Rede, refere-se à centralidade conferida ao fomento do
				autoconhecimento, do reconhecimento do outro e do conhecimento das diferentes
				dimensões da educação emancipadora. Por conseguinte, acrescenta-se nesse processo
				formativo a dimensão coletiva e solidária do desenvolvimento profissional.</p>
			<p>Essas escolhas formativas e educativas da RECEPE cresceram em importância em tempos
				pandêmicos, marcados pelo aumento da quantidade de pessoas afetadas pela fome, luto
				(700 mil mortes por Covid-19, no Brasil) e pelas dores coletivas e pessoais com
				pouca escuta e acolhimento, especialmente no âmbito das políticas públicas de
				assistência social, saúde e educação. Os impactos da referida doença foram agravados
				por escolhas feitas pelo Estado, em relação à preservação da vida de determinados
				grupos sociais e à manifestação de solidariedade e defesa da dignidade humana de
				cada pessoa.</p>
			<p>Nesse contexto, é pertinente narrar que, desde 2020, por ocasião da pandemia de
				SARS-COV-II, conhecida como Covid-19, essa rede tem priorizado o acolhimento de
				demandas formativas “ancoradas no reconhecimento da urgência de compreender e
				modificar a realidade educacional de parcela significativa da população brasileira,
				cujo direito à educação tem sido negado” (<xref ref-type="bibr" rid="B21">Souza;
					Novais, 2022</xref>, p. 54), optando pela formação com os profissionais da
				educação, valorizando na escuta a expressão das várias dimensões do humano. O
				acolhimento das demandas formativas ancora-se, também, na necessidade de cooperação
				entre as instituições de Educação Básica dos municípios de Uberlândia e Uberaba, em
				Minas Gerais, e a Uniube (Universidade de Uberaba), orientadas pela não
				hierarquização de pessoas e saberes e pelo reconhecimento da importância de tecer
				redes de pesquisa, ensino e extensão, com vistas a construir, coletivamente, a
				qualidade social da Educação Básica. Essa necessidade foi potencializada porque na
						transpandemia<sup><xref ref-type="fn" rid="fn3">3</xref></sup> ocorreu o
				aprofundamento das desigualdades sociais e o alijamento das classes populares, face
				ao fortalecimento do Projeto de Educação dominante neoliberal, que não é para todos
				e todas.</p>
			<p>São objetivos da RECEPE: fortalecer a relação da Educação Superior, por meio das
				Instituições de Ensino Superior em que os/as cooperados se inserem, com as Redes
				Públicas de Educação Básica; criar espaços de diálogo, reflexão, divulgação de
				experiências e de cooperação, com foco na transformação da realidade da Educação
				Básica, a partir das narrativas de educadores/as que atuam em espaços escolares e
				não escolares, entrelaçando ensino, pesquisa e extensão; instigar diálogos e
				interligar grupos ou sujeitos compromissados com educação emancipatória e
				humanizadora; desenvolver com os/as educadores/as estudos e intervenção no cotidiano
				escolar, a partir de suas demandas e necessidades formativas, bem como das demandas
				dos/as estudantes, na perspectiva da formação continuada; criar com os/as
				educadores/as materiais de apoio às ações educativas; elaborar e publicar com os/as
				educadores/ as comunicados dos resultados dos projetos de ensino, pesquisa e
				extensão em diferentes meios; fomentar o <italic>website</italic><sup><xref
						ref-type="fn" rid="fn4">4</xref></sup> com as narrativas de experiências
				educativas e formativas, enviadas por educadores/as; criar comunidades de
				investigação e comunicação de conhecimentos dentro das unidades escolares; utilizar
				tecnologias de informação e comunicação para/na construção e desenvolvimento da
				Rede.</p>
			<p>A RECEPE assume uma perspectiva de formação-investigação-solidária que alude à
						práxis<sup><xref ref-type="fn" rid="fn5">5</xref></sup>, de modo a exigir
				sempre uma interlocução referendada no diálogo, na dialogicidade, no respeito, numa
				postura formativa que tem o propósito de fomentar mudanças no pensamento dos
				sujeitos para criar condições de mudar a forma como atuam na pesquisa e na vida e de
				tomada de decisão sobre processos coletivos de transformação da realidade vivida.
				Por certo, existem possibilidades de se superar os “obstáculos
						epistemológicos”<sup><xref ref-type="fn" rid="fn6">6</xref></sup> e, assim,
				ampliar-se-á a capacidade de manter a “vigilância epistemológica”<sup><xref
						ref-type="fn" rid="fn7">7</xref></sup>. Por isso, a defesa da
				investigação-formação-solidária reforça a importância de manter o foco no processo
				de formação de professores/as-pesquisadores/as e pesquisadores/as para que consigam
				superar “obstáculos epistemológicos” que interferem, não só no próprio pensamento,
				mas na lógica e na qualidade da produção acadêmica e de vida. E essa defesa tem sido
				possível a partir dessa rede de conhecimento partilhado e plural que articula
				ensino, pesquisa e extensão popular indissociavelmente. Neste sentido, ser solidário
				não é julgar que os/as oprimidos/as são incapazes de mobilidade e melhorias
				autorrealizadas; também não é acreditar na possibilidade de transformação e
				entregá-los/as à própria sorte. A solidariedade está ligada ao acolhimento da
				alteridade, no sentido atribuído por <xref ref-type="bibr" rid="B14">Lévinas
					(2007)</xref>, segundo o qual o “eu” não deve prescrever o campo de pertença e
				atuação do outro. Assume-se, assim, como desafio-chave da
				investigação-formação-solidária, o que suscita, conforme <xref ref-type="bibr"
					rid="B20">Souza (2012</xref>, p. 16) a “capacidade de pensar sobre nossos
				próprios pensamentos”, em suas dimensões sociocultural, intelectual, técnica,
				interna e espiritual, de modo a recusar o pensamento reducionista (linear -
				positivista) encaminhando os sujeitos à identificação do saber e seu sabor, pautados
				no que <xref ref-type="bibr" rid="B23">Souza, Novais e Vasconcelos (2023)</xref>
				denominam como ética da alteridade-cuidado<sup><xref ref-type="fn" rid="fn8"
						>8</xref></sup>.</p>
			<p>Nesse sentido, a iniciativa formativa que se ocupa de seu desenvolvimento também
				ajuda a fundamentar sua importância no relacionar-se dignamente consigo mesmo e com
				o outro. Isso envolve a formação de pesquisadores/as, em sua complexidade, para o
				pensamento emancipatório, de libertação, autônomo, criativo e inovador, aspectos
				caros à investigação-formação-solidária. Encontra-se implícito nesta formulação,
				portanto, que o conhecimento é aquele que os sujeitos possuem por conta própria, mas
				também aquele que pode ser incentivado, e, ainda, pertence-lhe o cultivo da dimensão
				utópica, como definiu Freire (1998), compreendida como aprendizagem de se construir
				o que se projeta, no sentido da autonomia e do bem comum.</p>
			<p>Os seres humanos são sujeitos históricos que questionam, por exemplo, sobre a sua
				adaptação ou resistência propositiva à lógica neoliberal individualista, alienada,
				fragmentada que, por exemplo, se depauperou em razão da pandemia de Covid-19. Assim,
				ao tratarmos de resistência propositiva, a vinculamos à dimensão “popular”, cientes
				de que a formulação da expressão resistência propositiva popular incorpora, conforme
					<xref ref-type="bibr" rid="B22">Souza e Novais (2021)</xref>, a compreensão e o
				reconhecimento de que a sua construção exige redes abertas e democráticas de
				produção e divulgação de conhecimentos, saberes e experiências complexos, vinculados
				aos diferentes lugares, sujeitos ou grupos sociais, além de processos de superação
				de qualquer obstáculo à emancipação humana. Dessa forma, ao identificar e analisar
				movimentos de resistência em contextos escolares, são evidenciadas pautas,
				proposições, dinâmicas e valores que podem permitir nomeá-los como movimentos de
				resistência propositiva popular.</p>
			<p>Assim, esta investigação, ancorada nos pressupostos teórico-metodológicos da Educação
				Popular, essencialmente, vincula-se ao campo da educação emancipatória e de
				qualidade social, de modo a estimular o apreço por nossa identidade pessoal e de
				grupo, priorizando a liberdade e a democracia como valores eminentemente
				humanos.</p>
			<p>Tomamos, para isso, como objeto de estudo desta produção, os processos educativos,
				formativos e os saberes dos docentes que integram a Rede Cooperativa de Ensino,
				Pesquisa e Extensão nas escolas de Educação Básica (RECEPE), no intervalo temporal
				referente a 2020-2022, cenário atravessado pela pandemia de Covid-19. O objetivo
				deste trabalho é o de apresentar os resultados das análises dos processos educativos
				e formativos dos/ as referidos/as docentes. Processos estes que decorreram de sua
				formação continuada na transpandemia de Covid-19, destacando indícios da expressão
				da resistência propositiva popular. O trabalho organiza-se na seguinte ordem: no
				primeiro momento, apresentamos os caminhos metodológicos percorridos bem como os/as
				participantes da pesquisa. Em seguida, tomando os dados produzidos a partir dos
				questionários aplicados, trazemos o resultado das análises dos processos formativos
				e educativos dos/as participantes envolvidos/as e, por último, seguem as
				considerações finais.</p>
		</sec>
		<sec>
			<title>Caminhos metodológicos</title>
			<p>A metodologia da investigação-formação-solidária adotada ancora-se na ideia de
				produção coletiva, interdisciplinar e transdisciplinar do conhecimento, com enfoque
				qualitativo (<xref ref-type="bibr" rid="B3">Bogdan; Biklen, 1994</xref>),
				desenvolvida no âmbito da RECEPE. Cumpre destacar que, conforme <xref
					ref-type="bibr" rid="B16">Pimenta (2005</xref>, p. 536) “nesse processo, é
				requisito essencial partir das necessidades dos professores envolvidos e delas
				evoluir, consensualmente, para objetivos de pesquisa”, uma vez que, ainda de acordo
				com a autora “à medida que os professores se percebem como capazes de analisar,
				refletir e alterar suas práticas, eles se fortalecem como pessoas e como
				profissionais” (<xref ref-type="bibr" rid="B16">Pimenta, 2005</xref>, p. 536).</p>
			<p>Nessa perspectiva, é importante informar que a RECEPE se organiza por meio da criação
				de “comunidades de investigação e comunicação de conhecimentos, que são constituídas
				de duas formas: 1. Formação de formadores/ as: dialogar para formar a comunidade de
				investigação e comunicação de conhecimentos na escola - que é o que denominamos como
				comunidade de formação de formadores; 2. Formação nas unidades escolares: criar a
				comunidade na escola para multiplicar as ações formativas de intervenção.</p>
			<p>Dessa forma, a referida pesquisa, uma vez constituída a comunidade de formação de
				formadores/as, valeu-se da realização do trabalho de campo, que teve por
				instrumentos de produção de dados os questionários (<xref ref-type="bibr" rid="B11"
					>Gaskell, 2002</xref>), que contemplaram os seguintes eixos temáticos que
				estruturam o que nomeamos como “memorial formativo e autobiográfico”<sup><xref
						ref-type="fn" rid="fn9">9</xref></sup>: 1. Processos formativos e educativos
				presentes em contextos escolares e não escolares e seus significados para a
				construção da qualidade social da educação. 2. Problemas identificados no cotidiano
				escolar e proposições para superá-los, face ao contexto da transpandemia de
				Covid-19. 3. Formação contínua e demandas dos/as profissionais da educação e dos/as
				educandos. Os questionários foram aplicados em ambiente virtual remoto aos/ às
				participantes, que assinaram o termo de consentimento livre e esclarecido e
				consentiram com a utilização dos dados/as para esta elaboração. Para a análise e
				interpretação dos dados obtidos a partir dos questionários foram utilizados
				procedimentos de análise de conteúdo temático, inspirados nas formulações de Bardin
				(2006).</p>
			<p>Responderam ao questionário vinte e dois docentes que atuam nas redes privadas,
				municipais e estaduais do Estado de Minas Gerais, no Ensino Infantil, Fundamental,
				Médio e Superior, na condição de cooperados da RECEPE. O <xref ref-type="fig"
					rid="f1">gráfico 1</xref> apresenta a distribuição da atuação nos níveis de
				ensino, estando a maior parte dos participantes concentrados no Ensino Fundamental I
				e II, seguido da Educação Infantil, Ensino Médio e Ensino Superior. Outro ponto
				relevante é a descrição dos professores, os quais trabalham em mais de um setor
				educacional concomitantemente, enriquecendo as experiências de ensino.</p>
			<p>
				<fig id="f1">
					<label>Gráfico 1</label>
					<caption>
						<title>Atuação docente nos níveis de ensino</title>
					</caption>
					<graphic xlink:href="2358-0194-faeeba-33-76-0136-gf01.tif"
						xmlns:xlink="http://www.w3.org/1999/xlink"/>
					<attrib><bold>Fonte:</bold> elaboração dos autores (2023)</attrib>
				</fig>
			</p>
			<p>Com base na análise do <xref ref-type="fig" rid="f2">gráfico 2</xref>, pode-se
				apreender quais as formações acadêmicas dos educadores, dos quais quatro têm duas
				graduações completas. Tal variedade contribui para a ampliação das perspectivas, bem
				como das formas de ser e estar no mundo, agregando culturas e diversidade ao
				processo de aprendizagem dos alunos e docentes.</p>
			<p>
				<fig id="f2">
					<label>Gráfico 2</label>
					<caption>
						<title>Formação acadêmica dos/as docentes participantes da pesquisa</title>
					</caption>
					<graphic xlink:href="2358-0194-faeeba-33-76-0136-gf02.tif"
						xmlns:xlink="http://www.w3.org/1999/xlink"/>
					<attrib><bold>Fonte:</bold> elaboração dos autores (2023)</attrib>
				</fig>
			</p>
			<p>O <xref ref-type="fig" rid="f3">gráfico 3</xref> expõe a presença dos docentes no
				âmbito da gestão educacional, cabendo mencionar que, de todos os participantes
				somente uma educadora possui experiência. Tomando como base as atribuições
				executadas neste contexto, é factível compreender a relevância da atuação dos/as
				docentes na gestão, uma vez que, nesta posição, tornam-se responsáveis pela
				aplicação das Políticas Públicas para Educação nas redes, implementação de Programas
				Educacionais, avaliações curriculares, assessorias, dentre tantas outras propostas
				necessárias à continuidade e aprimoramento da qualidade de ensino no país.</p>
			<p>
				<fig id="f3">
					<label>Gráfico 3</label>
					<caption>
						<title>Docentes com experiência de gestão escolar</title>
					</caption>
					<graphic xlink:href="2358-0194-faeeba-33-76-0136-gf03.tif"
						xmlns:xlink="http://www.w3.org/1999/xlink"/>
					<attrib><bold>Fonte:</bold> elaboração dos autores (2023)</attrib>
				</fig>
			</p>
			<p>Por fim, o <xref ref-type="fig" rid="f4">gráfico 4</xref> demonstra a representação
				da média dos anos de experiência dos professores. Apesar de a maior parte estar
				concentrada na Educação Básica, os anos de experiência no Ensino Superior chegam a
				vinte e cinco anos, enquanto os demais possuem dezenove.</p>
			<p>
				<fig id="f4">
					<label>Gráfico 4</label>
					<caption>
						<title>Média dos anos de experiência docente</title>
					</caption>
					<graphic xlink:href="2358-0194-faeeba-33-76-0136-gf04.tif"
						xmlns:xlink="http://www.w3.org/1999/xlink"/>
					<attrib><bold>Fonte:</bold> elaboração dos autores (2023)</attrib>
				</fig>
			</p>
			<p>Para além da compreensão do conceito de experiência vinculada ao tempo transcorrido
				da atividade profissional docente, esta pesquisa assume a perspectiva de <xref
					ref-type="bibr" rid="B13">Larrosa Bondía (2002)</xref>, ao considerar que, “a
				experiência é o que nos passa, o que nos acontece, o que nos toca. [...] A cada dia,
				se passam muitas coisas, porém, ao mesmo tempo, quase nada acontece”. (<xref
					ref-type="bibr" rid="B13">Larrosa Bondía, 2002</xref>, p. 21). É dessa
				experiência que decorrem os processos educativos e formativos tomados como alvo da
				investigação que subsidia esta produção.</p>
		</sec>
		<sec>
			<title>Organização, categorização e análise dos dados</title>
			<p>Os dados da pesquisa foram organizados a partir dos registros obtidos por meio dos
				questionários. Inspirados em Bardin (2006), foi realizada a pré-análise, momento em
				que se deu a leitura flutuante e verificaram-se as relações dos dados obtidos com os
				objetivos da pesquisa, de modo a separar as unidades de registro, tomando as falas
				dos/as participantes. Em seguida, foi feita a exploração do material por meio da
				categorização, conforme o <xref ref-type="table" rid="t1">quadro 1</xref>, de modo a
				apontar os elementos constitutivos de uma analogia significativa na pesquisa, isto
				é, das categorias. Por último, procedeu-se ao tratamento dos resultados, inferências
				e interpretação.</p>
			<table-wrap id="t1">
				<label>Quadro 1</label>
				<caption>
					<title>Categorização dos dados</title>
				</caption>
				<table>
					<thead>
						<tr>
							<th align="left" style="background-color:#c2d7ed;" valign="top"
								>CategOrIas InICIaIs</th>
							<th align="center" style="background-color:#c2d7ed;" valign="top"
								>CategOrIas IntermedIárIas</th>
							<th align="center" style="background-color:#c2d7ed;" valign="top"
								>CategOrIas fInaIs</th>
						</tr>
					</thead>
					<tbody>
						<tr>
							<td align="left" valign="top">Virtualização das relações professor e
								aluno</td>
							<td align="center" rowspan="2" valign="top">Deslocamento da relação
								pedagógica entre professor/a e aluno/a</td>
							<td align="center" rowspan="4" valign="top">
								<break/>A resistência propositiva popular: processos educativos e
								formativos de professores/as na formação continuada</td>
						</tr>
						<tr>
							<td align="left" valign="top">A casa do aluno e da professora como a
								sala de aula</td>
						</tr>
						<tr>
							<td align="left" valign="top">Formação ou treinamento?</td>
							<td align="center" rowspan="2" valign="top">A formação continuada em
								questão</td>
						</tr>
						<tr>
							<td align="left" valign="top">Formação continuada - o que é?</td>
						</tr>
						<tr>
							<td align="left" valign="top">Formação continuada - para quê?</td>
							<td align="center" rowspan="2" valign="top">Formação continuada: a favor
								de que/quem contra o que/quem</td>
							<td align="center" rowspan="4" valign="top">
								<break/>Que formação continuada? Processos educativos e formativos
								na transpandemia da Covid-19</td>
						</tr>
						<tr>
							<td align="left" valign="top">Formação continuada - como?</td>
						</tr>
						<tr>
							<td align="left" valign="top">Teve formação continuada?</td>
							<td align="center" rowspan="2" valign="top">Formação continuada na
								transpandemia de Covid-19</td>
						</tr>
						<tr>
							<td align="left" valign="top">A pandemia de Covid-19 na escola</td>
						</tr>
					</tbody>
				</table>
				<table-wrap-foot>
					<attrib><bold>Fonte:</bold> Elaboração dos autores (2024)</attrib>
				</table-wrap-foot>
			</table-wrap>
		</sec>
		<sec>
			<title>A resistência propositiva popular: processos educativos e formativos de
				professores/as na formação continuada</title>
			<p>É fundamental reconhecer que os processos educativos decorrem de uma prática social,
				seja ela qual for. É imprescindível analisar essa prática atrelada ao seu contexto
				histórico, social e cultural, além de primar pelo reconhecimento, valorização das
				culturas e pela participação cidadã, na busca incessante pela humanização do ser
				humano, em busca da consolidação da educação de qualidade social na diversidade para
				a cidadania. Isto posto, vale ressaltar que, preocupado com o contexto da educação
				brasileira, Paulo <xref ref-type="bibr" rid="B10">Freire (2008)</xref> declarou a
				urgência da democratização da escola pública e da formação permanente de seus
				educadores e educadoras, esta que deve constituir uma formação permanentemente
				científico-cultural, frisando as práticas democráticas.</p>
			<p>Na transpandemia da Covid-19 ocorreu o processo de virtualização das relações entre
				professores e alunos, mediante as exigências de isolamento social e o panorama
				educacional brasileiro sofreu profundas modificações, sendo adaptado para o modelo à
				distância.</p>
			<p>Nesse sentido, as ferramentas tecnológicas foram os principais subsídios utilizados
				para reestabelecer os processos de ensino-aprendizagem e foi implantado o ERE
				(Ensino Remoto Emergencial), composto pelas TDIC’s (Tecnologias Digitais da
				Informação e da Comunicação), PET’s (Programa de Educação Tutorial), dentre
				outros.</p>
			<disp-quote>
				<p>Diferentemente da educação à distância, última forma de ensino prevista no
					Decreto nº 9.057/2017 (Brasil, 2017), que regulamenta o artigo 80 da Lei nº
					9.394/1996 - Lei de Diretrizes e Bases da Educação, cuja oferta, a cargo de
					equipe previamente capacitada, cabe às instituições educativas legalmente
					credenciadas (<xref ref-type="bibr" rid="B8">Fialho; Neves, 2022</xref>, p.
					3).</p>
			</disp-quote>
			<p>Partindo deste ponto, fica evidente que os docentes precisaram, de maneira abrupta,
				orquestrar as metodologias pedagógicas aos recursos tecnológicos, reinventando
				formas de avaliações, aulas, atividades e interações para as plataformas
					<italic>online</italic>. De acordo com dados obtidos por <xref ref-type="bibr"
					rid="B7">Cipriani, Moreira e Carius (2021</xref>, p. 6) em estudo com duzentos e
				nove professores atuantes na Educação Básica em Minas Gerais, 88,95% deles lecionou
				por plataformas digitais.</p>
			<disp-quote>
				<p>As tecnologias mais utilizadas pelos professores, no contexto educacional remoto,
					associam-se ao Google Meet (22,58%) e ao Microsoft Teams (21,89%). Cabe
					mencionar que, em menor percentual, aparecem o YouTube (12,67%), o Google
					Classroom (11,98%), o Hangouts (8,53%), o Zoom (7,37%), o WhatsApp (2,76%) e o
					Moodle (2,30%) (<xref ref-type="bibr" rid="B7">Cipriani; Moreira; Carius,
						2021</xref>, p. 7).</p>
			</disp-quote>
			<p>Ademais, as interações no âmbito online escancararam as crescentes dificuldades para
				mobilizar a atenção e motivação dos alunos, bem como para coordenação e engajamento
				de todos durante as aulas. As tentativas de manutenção de vínculo e acompanhamento
				da aprendizagem foram efetivadas pelos docentes, entretanto a distância prejudicou
				tais alcances, como se pode depreender pelo excerto a seguir:</p>
			<disp-quote>
				<p>a relação professor-aluno abrange todas as dimensões do processo
					ensino-aprendizagem que se desenvolve em sala de aula. Nesse âmago, percebeu-se,
					pelos sintagmas analisados, desafios e prejuízos causados pelo distanciamento
					físico, inclusive, na relação com as famílias dos estudantes (Brait; <italic>et
						al</italic>., 2010, <italic>apud</italic><xref ref-type="bibr" rid="B7"
						>Cipriani; Moreira; Carius, 2021</xref>, p. 11).</p>
			</disp-quote>
			<p>O cenário apresentado é confirmado pelos relatos dos/as professores/as participantes
				do presente estudo, de acordo com os quais, as formas de ensino então disponíveis,
				marcadas pela virtualização das relações educacionais em caráter de emergência,
				impactaram o cotidiano da escola.</p>
			<disp-quote>
				<p>Durante a pandemia as escolas tiveram que fazer um grande esforço para se
					adaptarem ao ensino remoto. Alguns se adaptaram facilmente, porém, a maioria não
					se adaptou e simplesmente aderiu ao ‘automático’. Em outras palavras, os
					processos foram feitos somente para cumprir as 200 horas anuais do currículo. A
					aprendizagem dos alunos foi rasa, apesar de todos os esforços. Isso porque a
					situação social, econômica e cultural inviabilizou o sucesso de várias práticas.
					[...] (Professora Zilda<sup><xref ref-type="fn" rid="fn10">10</xref></sup>).</p>
			</disp-quote>
			<p>Os relatos evidenciam também outro fator preocupante da mudança da sala de aula
				presenciais para o ambiente virtual: as graves desigualdades socioeconômicas, as
				quais foram acentuadas na transpandemia. Ocorreu, massivamente, a exclusão digital
				de muitos alunos, haja vista que a maior parte dos professores pôde perceber a falta
				de acesso que os alunos e familiares tinham às TDIC’s. Contudo, não só alunos, como
				também àqueles docentes que por vezes tinham rendas abaixo de um saláriomínimo,
				portanto, não dispondo de recursos financeiros para arcar com equipamentos e
				ferramentas adequadas para condução das aulas e atividades remotas.</p>
			<p>Desse modo, é possível afirmar que a distância entre alunos e professores reverberou
				de modo crucial nos processos educacionais durante a pandemia de COVID-19,
				impactando não só nas formas de aprender e ensinar, mas também nas discrepâncias
				sociais presentes no país. As circunstâncias gerais na transpandemia geraram
				inúmeros relatos de extrema preocupação, medo, insegurança e impotência, além de
				lacunas na aprendizagem de muitos discentes.</p>
			<p>É forçoso lembrar que, no dia dezessete de março de 2020, o Ministério da Educação e
				Cultura (MEC) publicou a Portaria nº 343, a fim de dispor acerca das medidas
				necessárias à transposição das aulas presenciais para meios digitais durante a
				pandemia de COVID-19. A partir das céleres mudanças e exigências do novo contexto
				mundial, também foram publicadas outras portarias que continham as regulamentações e
				adaptações aos novos modelos de aulas, como a Portaria nº 473, de 12 de maio de 2020
				e a nº 544, de 16 de junho de 2020. Dessa forma, ocorreu o deslocamento e abandono
				da sala de aula, a qual passou a ser constituída pelas casas dos alunos e
				professores, não havendo mais distinção entre os espaços escolar e doméstico.</p>
			<p>Partindo desses pressupostos, a escola não era mais o lócus de produção e difusão do
				conhecimento, as famílias e responsáveis pelos discentes passaram a exercer um papel
				primordial na mediação dos processos educacionais, outrora focado nos docentes
					(<xref ref-type="bibr" rid="B1">Barbosa; Souza, 2023</xref>). Contudo, tal
				subsídio intrafamiliar bem como as condições de alcance aos meios digitais para
				continuidade de ensino-aprendizagem não aconteceram de maneira homogênea; tais fatos
				vão ao encontro dos relatos presentes nesta pesquisa:</p>
			<disp-quote>
				<p>Durante o período da pandemia da Covid 19, nós, professores, tivemos que refazer
					todas as aulas, passar novos exercícios, escrever apostilas, gravar em vídeo os
					conteúdos das disciplinas, criar canais próprios em redes sociais, mudar
					avaliações, fazer busca ativa de alunos e nos aproximar das famílias dos
					estudantes (Professora Olinda).</p>
			</disp-quote>
			<p>Assim, distantes das salas de aula e com recursos modificados, os professores atuaram
				arduamente na busca ativa de seus educandos, com um caro objetivo: proporcionar o
				seguimento das práticas pedagógicas e lutar pela educação nacional. Por outro lado,
				apesar de seus incontáveis esforços, os docentes ainda permaneceram inseridos no
				cruel cenário de desvalorização do trabalho docente, somado à precarização das suas
				condições de atuação dentro e fora dos horários de aula.</p>
			<disp-quote>
				<p>[...] no primeiro ano de vigência da pandemia de covid-19, revelaram que a
					precarização do trabalho docente, apesar de ser estrutural no Brasil, foi
					potencializada com a crise sanitária. [...] No Brasil não há o devido
					reconhecimento do trabalho do professor, seja no âmbito da remuneração, seja no
					âmbito da valorização da profissão, especialmente daqueles que atuam nos anos
					iniciais da escolarização, trabalho historicamente considerado uma extensão do
					lar, feminino, para o qual se acreditava erroneamente que não era necessária uma
					formação ou qualificação específica para exercê-lo (<xref ref-type="bibr"
						rid="B8">Fialho; Neves, 2022</xref>, p. 17-18).</p>
			</disp-quote>
			<p>Ademais, paralelamente à depreciação e instabilidade no processo laboral, os
				professores vivenciaram rotinas disfuncionais, sendo levados à realização de
				atividades paralelas, caracterizando um movimento de ubiquidade no ciberespaço,
				culminando na sobrecarga de demandas em um curto espaço de tempo (<xref
					ref-type="bibr" rid="B19">Souza <italic>et al.</italic>, 2022</xref>, p. 7).</p>
			<p>Dentro do mesmo estudo, valendo-se da metodologia social de natureza qualitativa e
				participativa, foram analisados os escritos em cadernetas digitais, denominados de
				“diários de professores (as) na pandemia”, de oito educadores da rede pública e
				privada de Macaé e região (Rio de Janeiro). As análises expuseram o aumento
				exponencial das exigências e solicitações diárias na atuação pedagógica durante o
				ensino remoto de emergência (ERE), conforme ressalta <xref ref-type="bibr" rid="B19"
					>Souza <italic>et al.</italic> (2022</xref>, p. 6) no trecho a seguir:</p>
			<disp-quote>
				<p>professore(a)s sofrem há muito com a flexibilidade do tempo laboral, a situação
					se agravou no contexto do trabalho remoto. Interpreta-se que, além de cumprirem
					horários rígidos por meio de atividades como aulas síncronas, reuniões com a
					coordenação e encontros virtuais com colegas, os docentes possuem horários
					flexíveis que intensificam a jornada de trabalho, não havendo diferença entre o
					tempo de trabalho contratado e o sobretrabalho não pago (<xref ref-type="bibr"
						rid="B19">Souza <italic>et al.</italic>, 2022</xref>, p. 6).</p>
			</disp-quote>
			<p>Dessarte, são factíveis as graves dificuldades defrontadas pelos professores de todo
				o país, que estiveram presentes em todos os âmbitos da educação de maneira
				resiliente e audaz.</p>
			<p>Outros aspectos que devem ser incorporados à análise das estratégias formativas
				disponibilizadas para os alunos e professores das redes públicas são relativos à não
				consideração da vida concreta dessas pessoas afetadas pelos efeitos da Covid-19 e à
				ausência do Estado, com já mencionado neste texto, nas áreas de assistência social,
				saúde e educação. A formação continuada oferecida pelo Estado se deu,
				majoritariamente, com caráter operacional, cuja única finalidade foi a de não perder
				o ano letivo.</p>
			<p>Nesse cenário, a preocupação central era com aspectos cognitivos apartados da emoção.
				O sujeito participante da formação, aluno/a ou professor/a, não foi compreendido
				considerando a articulação entre as várias dimensões do humano. Dessa forma, a
				formação não incluiu, a título de ilustração, espaços de diálogo sobre as
				experiências, o processo de produção de ausência de saúde e a possibilidade de
				aprendizagem de outros jeitos de conviver com o/a outro/a. Por conseguinte, a
				formação teve como foco os conteúdos do currículo escrito antes da pandemia e o uso
				de tecnologias para continuar o ensino e a aprendizagem desses conteúdos. Exigia-se
				dos corpos ali presentes que não parassem as ações das instituições de educação
				escolar, todavia, a maioria dos corpos apresentavam sinais como crise de ansiedade,
				tristeza, medo e dificuldade de conviver com outros corpos. Essa condição dos corpos
				permaneceu no retorno às aulas presenciais, conforme mostrou o resultado das
				respostas aos questionários aplicados nesta pesquisa. A título de ilustração dessa
				realidade narrada, vejamos trechos das respostas aos questionários.</p>
			<disp-quote>
				<p>Sobre a formação continuada nesse contexto: o excesso de informações,
						<italic>lives</italic> e outros promoveram mais confusão do que resultados
					(Professora Zaída).</p>
				<p>Muitos problemas foram identificados no ambiente escolar, após a pandemia: perda
					de aprendizado; aumento das desigualdades de aprendizado; aumento do abandono
					escolar; e impactos negativos no bem-estar e na saúde mental (Professora
					Graça).</p>
				<p>Tivemos, também, muitos problemas em relações interpessoais entre alunos e
					professores (Professora Tereza).</p>
				<p>As crianças e adolescentes voltaram para o convívio escolar com dificuldades de
					se relacionarem com colegas e professores. O medo era um sentimento muito
					presente e evidente entre estudantes e servidores. A retomada do convívio
					social, para alguns, foi um momento de muito sofrimento. Os desafios em sala de
					aula foram imensos [...] tinham as crianças, que duranteo ano 2020 e 2021,
					praticamente não desenvolveram as atividades propostas pelas redes através dos
					planos de estudos tutorados e foram promovidos ao ano escolar seguinte. Enfim,
					os problemas identificados estão relacionados à aprendizagem (estudantes não
					alfabetizados ou com grande defasagem), alunos com a saúde emocional afetada
					(ansiedade, medo, insegurança) e dificuldades no convívio escolar (relações
					interpessoais) (Professora Jurema).</p>
				<p>Alguns problemas, que ouço relatos em várias escolas após o retorno das
					atividades presenciais: dificuldade no convívio e violência entre estudantes,
					estudantes e professores; estudantes não alfabetizados; estudantes e professores
					desmotivados; estudantes com grandes dificuldades e defasagens nas
					aprendizagens; dificuldades das equipes escolares com relação à implementação do
					novo currículo do Ensino Médio; dificuldades com relação à inclusão dos
					estudantes público alvo da educação especial e ausência do acompanhamento da
					família na vida escolar dos filhos (Professora Cremilda).</p>
			</disp-quote>
			<p>Com base na análise das respostas aos questionários, é importante reconhecer os
				impactos visíveis na saúde física e mental dos professores e alunos durante a
				COVID-19 e pensar a formação dessas pessoas acolhendo os entrelaçamentos das várias
				dimensões do humano. Reconhecer, ainda, que a análise das respostas ao questionário,
				apresentadas pelos 22 participantes evidenciou a expressão da resistência
				propositiva popular. Essa expressão não esteve presente na maioria das respostas,
				mas, se mostrou, opositora à formação prevalente de estudantes e professores em
				tempos pandêmicos e parte de outro projeto educacional.</p>
			<p>Como expressão da resistência propositiva popular, mencionamos: a recusa da formação
				de estudantes e professores afastada da reflexão sobre a convivência humana; a
				denúncia de formação sobre uma quantidade imensa de temas sem interlocução com a
				vida concreta da comunidade escolar; a proposição de acolhimento e reflexão sobre a
				condição de vida dos sujeitos e a busca de políticas públicas para cuidar das
				condições de saúde e qualidade de vida de estudantes e professores; a demanda por
				reestruturação das escolas e dos currículos de forma a integrar modelos e tempos de
				aprendizagem que permitam ajustes no decorrer do ano letivo; as crises de ansiedade,
				o medo e a solidão como temas de projetos educacionais, atos de enfrentamento dos
				efeitos da pandemia e do descuido do Estado. Para melhor compartilhar expressões
				dessa resistência propositiva popular, acrescentamos respostas de duas participantes
				da pesquisa, contendo denúncia e anúncio:</p>
			<disp-quote>
				<p>Devemos promover ações ativas que tornem a escola um espaço importante, de trocas
					de saberes e de interação com o outro, promovendo um espaço de coletividade
					humana, de confiança e aprendizado. De todos os aspectos mencionados, percebo
					que as formações continuadas que são oferecidas, são repensadas somente para o
					quantitativo, a busca por resultados, esquecendo que somos pessoas e não
					máquinas (Professora Neide).</p>
				<p>Entendo que as circunstâncias limitadoras ou de ausência de situações lúdicas, de
					mediação, de conversação coletiva e de interações afetivas e significativas são
					fatores que refletiram de forma prejudicial no ensino e na aprendizagem em salas
					de aula, ao retornarmos do isolamento social, afetando em demasia nas condições
					e possibilidades de construção do conhecimento nesse período, e além dele. Nesse
					sentido, as demandas e necessidades formativas e educativas deveriam atender a
					estas questões prioritariamente (Professora Jacira).</p>
			</disp-quote>
			<p>Os dados aqui mostrados apresentam identificação com os resultados de uma outra
				pesquisa, conduzida com 15.641 professores(as) de 795 municípios do estado de Minas
				Gerais, os quais demonstraram o nível de insatisfação desses professores com o
				trabalho no período de isolamento, conforme apresentamos a seguir:</p>
			<disp-quote>
				<p>[...] em relação à satisfação com o trabalho durante a pandemia, 21,6% (3.375)
					dos(as) professores(as) estavam satisfeitos(as), 44,7% (6.995) indiferentes e
					33,7% (5.271) insatisfeitos(as). A prevalência de insatisfação com o trabalho
					foi maior entre: os homens, aqueles com idade de 21 a 40 anos, que atuavam na
					docência havia 21 anos ou mais e os que possuíam jornada de trabalho superior a
					40 horas semanais (<xref ref-type="bibr" rid="B18">Silva, <italic>et
							al.</italic>, 2021</xref>, p. 4).</p>
			</disp-quote>
			<p>Retomando a premissa de que não houve, durante a pandemia, a separação clara entre
				casa e trabalho, bem como momentos de produtividade e descanso, torna-se possível
				afirmar que as constantes metas de produtividade romperam com os limites de
				tempo-espaço de trabalho (<xref ref-type="bibr" rid="B8">Fialho; Neves, 2022</xref>,
				p. 15). Ambos os ambientes misturados, confundiram-se, propiciando o adoecimento
				mental, com consequências de distúrbios de sono, aumento alarmante dos sintomas de
				ansiedade, depressão e estresse, além dos sentimentos frequentes de angústia,
				inquietação, desânimo, dentre outros.</p>
			<p>Para além disso, a necessidade repentina de transferir todas as atividades laborais
				para casa, reverberaram em consequências também no bem-estar dos professores, haja
				vista que a saúde tem como característica a integralidade, não sendo possível
				apartar os impactos mentais dos físicos-biológicos. Nesse sentido, não foi possível
				adequar as mesas, cadeiras e demais equipamentos de trabalho aos meios remotos,
				exacerbando riscos ergonômicos já característicos do trabalho docente, conforme
				apontado por <xref ref-type="bibr" rid="B12">Guimarães <italic>et al</italic>.
					(2022</xref>, p. 97): “As desordens musculoesqueléticas relacionadas ao trabalho
				representam um dos maiores problemas de saúde pública, inclusive para professores,
				uma vez que são as principais causas de afastamento do trabalho”.</p>
			<p>Por fim, com a frequência das inadequações ergonômicas, os danos à saúde física
				agravaram-se, dado que, em análises do mesmo estudo, professores/as relataram dores
				intensas no pescoço, coluna lombar e ombros. Dentre as centrais causas constam: mais
				de vinte horas semanais de uso do computador, falta de apoio para antebraço e mesas
				fora do nível do cotovelo, remontando também aos episódios de estresse e sobrecarga
				mental.</p>
			<p>Na transpandemia da COVID-19, o setor da educação sofreu com inúmeras transformações,
				as mudanças impostas exigiriam reforço e reestruturação de formações continuadas,
				para que fossem adequadas às práticas pedagógicas emergentes. Contudo, o que ocorreu
				em muitas instituições, foram os professores atuando ancorados somente na sua
				própria experiência. Assim, foi necessário que os docentes, frequentemente
				adoecidos, ocupassem um lugar de aprender para ensinar, buscando conhecimentos,
				ferramentas e técnicas para as novas formas de atuação.</p>
			<disp-quote>
				<p>A pandemia trouxe desafios para a prática pedagógica que exigiram do(a)s
					professore(a)s não apenas ressignificar os processos de aprendizagem dos
					discentes, no tocante aos aspectos físicos, emocionais e sociais emergentes com
					a crise sanitária, mas também ordenar uma nova relação com o próprio processo de
					trabalho. [...] Essa modalidade de trabalho provocou mudanças no ritmo de
					trabalho, que passou a ser mais acelerado, com jornadas excessivas e uso dos
					tempos de trabalho de maneira intermitente - remoto e presencial - sem
					fronteiras claras entre espaços de trabalho e de não trabalho [...] cabendo a
					professore(a)s, isoladamente, estabelecer a maneira de organizar a sua rotina,
					em um processo simultâneo de fazer aprendendo (<xref ref-type="bibr" rid="B19"
						>Souza <italic>et al.</italic>, 2022</xref>, p. 2).</p>
			</disp-quote>
			<p>A partir desse cenário, cabe mencionar os ensinamentos de <xref ref-type="bibr"
					rid="B9">Freire (1996)</xref> no que tange à importância da docência por meio da
				discência, pois é primordial que o professor também seja aprendiz: “[...] que o
				formando [...] assumindose como sujeito também da produção do saber, se convença
				definitivamente de que ensinar não é transferir conhecimento, mas criar as
				possibilidades para a sua produção ou a sua construção (<xref ref-type="bibr"
					rid="B9">Freire, 1996</xref>, p. 11). Tal movimento foi observado na fala de
				alguns professores participantes da pesquisa, que consideram as formações
				continuadas como fonte de subsídios para aprimorar suas práticas</p>
			<disp-quote>
				<p>[...] Considero importante a formação continuada para professores, hoje faço o
					Mestrado Profissional. O conhecimento que estou adquirindo com certeza está
					sendo uma abertura para novos pensamentos e posicionamentos diante da educação
					(Professora Nilda).</p>
				<p>Durante a pandemia de Covid-19 fez-se necessário ressignificar muitos conceitos
					que tínhamos anteriormente sobre a educação. A escola, a família e a sociedade
					tiveram que se readaptar aos novos processos do fechamento das escolas, da aula
					online, da autonomia do aluno na realização das atividades escolares, do
					distanciamento social no geral. Todas essas novas experiências nos ajudaram a
					compreender que educar é mais complexo do que só depositar conhecimentos e
					elaborar atividades (Professora Helena).</p>
			</disp-quote>
			<p>Nesse sentido, para além de recorrer à relevância das formações continuadas, deve-se
				acrescentar que o docente também esteja na posição de pesquisador, pois ensinar
				exige pesquisa. A busca constante por compreensões do lecionar e da realidade
				caracterizam-se como o movimento de continuidade e permanência das formações.
				Segundo <xref ref-type="bibr" rid="B9">Freire (1996)</xref>, não existe ensino sem
				pesquisa e vice-versa, na medida em que o professor ensina, ele também busca, indaga
				(a si e ao mundo), pesquisa, constata, intervém e educa (o outro e a si mesmo), ele
				comunica novidades e inova. Tal perspectiva vai ao encontro da seguinte afirmação da
				profissional participante:</p>
			<disp-quote>
				<p>O fato de estarmos isolados nos abrigou a lidar com as TIC’s de forma súbita. No
					entanto, cada novo aplicativo ou recurso tecnológico que eu conheci naquele
					momento, acabou por despertar em mim, uma vontade maior de aprender e de me
					aprimorar acerca do assunto. Aprendi a interagir de forma mais eficiente com
					meus alunos e consegui aflorar a criatividade destes (Professora Jasmin).</p>
			</disp-quote>
			<p>Assim sendo, o profissional da educação somente alcança a assunção desta posição
				quando se coloca como um aprendiz crítico do mundo, que compreende a importância do
				aprimoramento incessante e permanente. A partir disso, o educador busca e pesquisa,
				transformando a si mesmo e à realidade, concomitantemente, acreditando na mudança e
				poder da educação, processo este que, conteúdo, demanda coletivos.</p>
			<p>Ademais, o engajamento no processo de formação docente é imprescindível. É preciso
				disposição para que a realidade seja apreendida considerando seus fatores sociais,
				históricos, culturais e econômicos. Para tanto, cabe mencionar o conceito de
				curiosidade epistemológica introduzido por Paulo Freire, para referir-se ao
				movimento de partir do senso comum com uma postura crítica, a fim de aprofundar as
				compreensões sobre o objeto estudado.</p>
			<disp-quote>
				<p>A curiosidade como inquietação indagadora, como inclinação ao desvelamento de
					algo, como pergunta verbalizada ou não, como procura de esclarecimento, como
					sinal de atenção que sugere alerta faz parte integrante do fenômeno vital. Não
					haveria criatividade sem a curiosidade que nos move e que nos põe pacientemente
					impacientes diante do mundo que não fizemos, acrescentando a ele algo que
					fazemos (<xref ref-type="bibr" rid="B9">Freire, 1996</xref>, p. 15).</p>
			</disp-quote>
			<p>Tendo como base a premissa de que ensinar e aprender não é somente transferir e
				tornar-se receptáculo de informações, é preciso continuar a reflexão crítica sobre a
				prática da educação. A práxis docente emancipatória pauta-se na dialética do fazer e
				do pensar sobre o fazer (<xref ref-type="bibr" rid="B9">Freire, 1996</xref>). Por
				conseguinte, as formações continuadas não podem ser treinamentos tecnicistas e
				superficiais, elas devem possibilitar o exercício da curiosidade epistemológica para
				a produção de ciência e a multiplicação dos saberes.</p>
			<p>Dessa forma, os discursos e ensinamentos teóricos das formações carecem da
				proximidade com a prática, sendo necessário que, ao pensar na apreensão da
				realidade, seja possível criar teorias que sejam coerentes (<xref ref-type="bibr"
					rid="B9">Freire, 1996</xref>). Logo, é urgente que os conteúdos, ferramentas e
				recursos que são ensinados aos docentes nas formações, façam sentido à
				aplicabilidade na experiência diária, caso contrário, são vazios de sentido e
				criticidade.</p>
			<p>Em síntese, se a aprendizagem não foi realizada a partir da compreensão do sentido e
				inserção do conteúdo na realidade, o sujeito aprendiz está presente passivamente,
				não tem a voz valorizada e não colabora com a construção do próprio conhecimento.
				Nesse sentido, não é desenvolvida e exercida a criticidade e curiosidade
				epistemológica, o indivíduo vai sendo submetido a memorizações mecânicas e sua
				autonomia lhe é negada (<xref ref-type="bibr" rid="B9">Freire, 1996</xref>). Se não
				houver formações para os docentes que proporcionem a percepção crítica, a
				curiosidade e o pensar autônomo, o sistema educacional continuará perpetuando uma
				mecanização dos saberes, sem propiciar um contexto emancipatório para formação de
				educadores pesquisadores com potencialidades de transformação.</p>
		</sec>
		<sec>
			<title>Que formação continuada? Processos educativos e formativos decorrentes da
				transpandemiada Covid-19</title>
			<p>A formação continuada constitui-se para viabilizar que os docentes estejam
				constantemente na posição de ensinantes-aprendizes, com o objetivo de ampliar seu
				repertório de conhecimento histórico, social, cultural, pedagógico, didático,
				crítico e metodológico. As formações continuadas são atualmente regulamentadas pela
				Resolução CNE/CP nº 1, publicada no dia vinte e sete de outubro de 2020, e discorre
				acerca das Diretrizes Curriculares Nacionais para professores da Educação
				Básica.</p>
			<disp-quote>
				<p>Art. 4º A Formação Continuada de Professores da Educação Básica é entendida como
					componente essencial da sua profissionalização, na condição de agentes
					formativos de conhecimentos e culturas, bem como orientadores de seus educandos
					nas trilhas da aprendizagem, para a constituição de competências, visando o
					complexo desempenho da sua prática social e da qualificação para o trabalho.</p>
				<p>Art. 7º A Formação Continuada, para que tenha impacto positivo quanto à sua
					eficácia na melhoria da prática docente, deve atender as características de:
					foco no conhecimento pedagógico do conteúdo; uso de metodologias ativas de
					aprendizagem; trabalho colaborativo entre pares; duração prolongada da formação
					e coerência sistêmica (<xref ref-type="bibr" rid="B6">Brasil, 2020</xref>, cap.
					II).</p>
			</disp-quote>
			<p>As formações continuadas podem, de acordo com a Lei de Diretrizes e Bases da Educação
				Nacional, nº. 9394/96, valer-se de recursos e tecnologias de educação à distância,
				podendo ser subsidias por instituições de educação básica e superior por meio de
				cursos de educação profissional, de nível superior em graduação plena, tecnológicos
				e de pós-graduação (<xref ref-type="bibr" rid="B5">Brasil, 1996</xref>). Dessa
				forma, a formação permanente possibilita que novos conhecimentos, métodos e técnicas
				diádico-pedagógicas possam ser produzidos e multiplicados, a fim de fornecer aos
				professores recursos que os tornem agentes formativos que aprimoram a educação
				pública.</p>
			<p>A partir disso, a formação continuada respalda-se como um fator indispensável à
				profissionalização dos docentes, sendo fundamental para reproduzir e manter o modelo
				educacional, como também para promoção de mudanças significativas da realidade.
				Nesse sentido, as formações devem, sobretudo, aprofundar-se nos sentidos críticos,
				teóricos, culturais e científicos, criando uma perspectiva de autonomia, pluralidade
				e democracia (<xref ref-type="bibr" rid="B24">Tiroli; Jesus, 2022</xref>). Para
				tanto, é primordial que os docentes se coloquem na posição de aprender sempre, que
				estejam dispostos a buscar e reivindicar novas práticas, conteúdos, informações,
				pois, segundo Freire,</p>
			<disp-quote>
				<p>[...] embora diferentes entre si, quem forma se forma e re-forma ao for-mar e
					quem é formado forma-se e forma ao ser formado [...]. Não há docência sem
					discência, as duas se explicam e seus sujeitos, apesar das diferenças que os
					conotam, não se reduzem à condição de objeto, um do outro. Quem ensina aprende
					ao ensinar e quem aprende ensina ao aprender (<xref ref-type="bibr" rid="B9"
						>Freire, 1996</xref>, p. 11).</p>
			</disp-quote>
			<p>Dentro desse contexto, com o objetivo de melhoria contínua da educação pública, as
				formações continuadas permitem que os conhecimentos, estudos e pesquisas alcancem um
				número cada vez maior de professores por meio de diferentes recursos. Um exemplo
				dessa afirmativa ocorreu no Paraná em 2007, com a criação da PDE (Programa de
				Formação Continuada de Professores), implantada com caráter permanente. Pelo
				programa, os professores da rede pública estadual participavam de formação
				continuada por dois anos, contanto com a sistematização de materiais e planejamento
				de intervenções para as escolas em que estavam lotados. Ademais, durante esse
				período, os professores em formação criavam, como parte do programa, os GTR (Grupos
				de Trabalho em Rede),</p>
			<disp-quote>
				<p>[...] os professores PDE, ao mesmo tempo que intervinham na escola, deveriam
					oferecer aos seus colegas da rede pública de ensino uma formação, mediante a
					oferta do Grupo de Trabalho em Rede (GTR). Cada professor PDE abria um GTR na
					plataforma digital SACIR e seus colegas da rede se inscreviam nos temas que lhe
					interessavam. Nesse espaço discutiam com o tutor e os outros inscritos, os
					textos acadêmicos e as experiências docentes com o objetivo de instituir uma
					dinâmica permanente de reflexão, utilizando o aparato tecnológico
					disponibilizado pelo Estado. O principal objetivo foi o aprofundamento teórico e
					prático, de forma a promover ações pedagógicas relevantes para o ensino e
					aprendizagem, a partir dos desafios identificados na sua escola de origem e
					discutidas com seus pares (<xref ref-type="bibr" rid="B15">Mocellin; Castanha,
						2021</xref>, p. 10).</p>
			</disp-quote>
			<p>Partindo desse exemplo, as propostas das formações continuadas devem residir na
				premissa de que a educação emancipadora compreende e contribui para modificar as
				desigualdades sociais escancaradas no cenário nacional. Para tanto, as formações
				precisam funcionar com o foco na produção em rede de colaboração e solidariedade,
				para ganhar capilaridade nas escolas públicas. Por conseguinte, as formações não
				podem deixar de lado a reponsabilidade de formar professores capazes de atuar com as
				classes populares, para que sejam comprometidos com a construção de uma consciência
				crítica, bem como identificar as potencialidades transformadoras dos sujeitos, com a
				finalidade de que detenham conhecimento, o associem à prática e o utilizem como
				instrumento de mobilização e organização política (<xref ref-type="bibr" rid="B15"
					>Mocellin; Castanha, 2021</xref>). Dessa forma, é inegável que a formação
				continuada é pilar para a educação nacional, devendo ser constituída com engajamento
				e alinhamento à educação popular e seus pressupostos.</p>
			<p>Outro ponto a ser apresentado refere-se às possibilidades de oferta da formação
				continuada, reguladas de acordo com a CNE/CP nº 1/2020. Portanto, podem ser
				ofertados presencialmente, à distância, semipresencial ou híbridos com cursos de
				atualização, programas de extensão, cursos de aperfeiçoamento, pósgraduação lato
				sensu, programas de mestrado acadêmico ou profissional e doutorado (<xref
					ref-type="bibr" rid="B6">Brasil, 2020</xref>).</p>
			<p>Para além das possibilidades de ingresso, é necessário que, considerando os aspectos
				epistemológicos e metodológicos, a base e direcionamentos das formações continuadas
				sejam pautadas no trabalho coletivo entre docentes, universidades, especialistas e
				entidades competentes, partindo de uma visão democrática (<xref ref-type="bibr"
					rid="B24">Tiroli; Jesus, 2022</xref>), uma vez que se tais formações forem
				pautadas apenas por técnicas e protocolos, resultarão em padronizações que culminam
				numa concepção bancária, autoritária, opressora, excludente e segregadora dos
				processos formativos.</p>
			<disp-quote>
				<p>Costuma-se pensar a educação do ponto de vista da relação entre a ciência e a
					técnica ou, às vezes, do ponto de vista da relação entre teoria e prática. Se o
					par ciência/técnica remete a uma perspectiva positiva e retificadora, o par
					teoria e prática remete sobretudo a uma perspectiva política e crítica (Larrosa
					Bondiá, 2002, p. 20).</p>
			</disp-quote>
			<p>Tomando essa perspectiva como ponto de partida, urge também que a formação continuada
				proporcione um ambiente de participações expositivas, reflexivas e críticas (<xref
					ref-type="bibr" rid="B24">Tiroli; Jesus, 2022</xref>). Assim, é possível que os
				docentes saiam da posição de serem formados apenas para transmitir conhecimentos que
				propaguem a reprodução de habilidades vazias para a operacionalização de tarefas
				focadas no saber-fazer. Formações continuadas como essas não estiveram presentes em
				algumas escolas durante o período da COVID-19, fato este, expresso por professores
				participantes da presente pesquisa,</p>
			<disp-quote>
				<p>[...] praticamente não houve formação continuada. Aconteceram treinamentos
						<italic>online</italic> sobre o <italic>google</italic> sala de aula que
					foram feitos com o tempo de 1 semana para conclusão de todos os módulos. Então
					não aconteceu formação continuada, apenas treinamento (Professora Ruth).</p>
				<p>Durante a pandemia a minha escola não teve processos formativos. Nós aprendemos
					tudo na marra e com ajuda um do outro para lidar com a tecnologia do google
					[...] (Professora Fernanda).</p>
				<p>[...] No processo educativo, infelizmente, o foco foi na elaboração de apostilas
					(rede municipal) e realização do PETs (Estado) com pouquíssima interação
						<italic>online</italic> (Professora Yara).</p>
			</disp-quote>
			<p>Por fim, mediante os pontos discutidos, é factível que mudanças precisam ser
				iniciadas no campo da formação continuada, uma vez que esta constitui um pilar para
				o exercício da docência. Será necessário, neste sentido, que o pragmatismo não seja
				utilizado em detrimento da práxis, pois “os dois conceitos não podem ser confundidos
				[...] o segundo se refere à indissociável relação entre a teoria e a prática, com
				intuito de promover ações transformadoras” (<xref ref-type="bibr" rid="B24">Tiroli;
					Jesus, 2022</xref>, p. 14). Portanto, é primordial que a formação continuada
				possua caráter reflexivo e crítico-filosófico, estando comprometida com a educação
				de protagonismo popular, almejando alcançar a transformação das potencialidades e
				realidades presentes na educação.</p>
		</sec>
		<sec>
			<title>Considerações possíveis</title>
			<p>A partir da análise dos dados apresentados pelos questionários aplicados, é possível
				considerar que a escola, durante o período de transpandemia de COVID-19, foi útil
				para que alunos/as pudessem “passar de ano”. Ajustarse ao ensino remoto, pelo uso
				das TDIC’s se deu a fórceps, ou seja, com a celeridade do uso que não permitiu uma
				experiência que pudesse permitir a adoção de práticas capazes de garantir um
				processo ensino-aprendizagem qualitativo, especialmente quando se considera o
				contexto da diversidade e a desigualdade acentuada durante aquele momento.</p>
			<p>Refazer aulas, elaborar outros exercícios, mudar avaliações, realizar o que se
				denominou como “busca ativa dos/as alunos/as” e estabelecer uma maior relação com a
				comunidade escolar por meio das famílias, pareceu mais um movimento de
					<italic>resistência propositiva popular</italic> de professoras em relação ao
				fechamento das escolas, do que um movimento de aceitação passiva do cenário imposto
				pelas forças neoliberais a partir desse fechamento. Ainda que o deslocamento da
				escola para a casa dos/as alunos/as e dos/as professores/as tenha se dado, é
				possível reconhecer que havia um esforço para que a concepção de escola, enquanto
				lócus, quer do ponto de vista material ou imaterial, pudesse continuar existindo e
				isso só foi possível face à resistência propositiva popular das/os professores/as na
				transpandemia.</p>
			<p>A formação continuada experimentada pelos/as docentes membros da RECEPE que
				participaram da investigação se deu como um treinamento técnico-operativo, na
				contramão do que defendemos como formação permanente, atrelada aos pressupostos do
				inacabamento e da elaboração da experiência, que requer um tempo, uma maturidade,
				parar para analisar e refletir. Não houve tempo para reflexão crítica do momento
				vivido, tendo em vistas as urgências colocadas pela pandemia de COVID-19. Reduzir ao
				treinamento técnico é reduzir a experiência e, neste sentido, percebe-se que os/as
				professores/as não reconheceram a formação oferecida, quer seja pelo Estado ou
				Município, como formação continuada. Treinamento, para eles/as, se difere de
				formação, na medida em que revelam a ausência da elaboração da experiência a partir
				do vivido.</p>
			<p>Entretanto, é possível considerar que a formação continuada aconteceu mediante a
				relação que estabeleceram e os empreendimentos que realizaram para trabalharem com
				recursos pedagógicos, de modo a possibilitar aprendizagem aos estudantes, ainda que
				precarizada e, para além disso, se prepararem para tal tarefa. Mas, novamente,
				reconhece-se a presença da <italic>resistência propositiva popular</italic> dos/as
				professores/as, na medida em que não se contentaram com o treinamento recebido.
				Estes, de certa forma, se colocaram disponíveis para a realização de um processo de
				ensinar e aprender que garantisse o “passar de ano”, mas que mantivesse a
				expectativa de não destruir completamente a relação entre os /as profissionais da
				escola e seus estudantes e, ainda, reduzir sentimentos de solidão manifestos por
				docentes e discentes. Ou seja, ainda que as práticas pedagógicas adotadas tenham
				reproduzido a ideologia dominante, pela manutenção do <italic>status quo</italic>,
				havia o esforço para desmascará-las. Outra expressão da <italic>resistência
					propositiva popular,</italic> também, pôde ser observada na denúncia sobre o
				tipo de formação desenvolvida para os/ as professores/as e estudantes, que se deu
				com caráter operacional e técnico-instrumental, alijada das condições materiais
				exigidas para esta formação, e no anúncio de outro projeto de formação
				crítico-humanizadora.</p>
		</sec>
	</body>
	<back>
		<fn-group>
			<fn fn-type="other" id="fn1">
				<label>1</label>
				<p> Texto revisado e normalizado por Joelma Castro Rodrigues Vaz, em parceria com o
					Centro de Leitura e Escrita Científica e Tecnológica da Universidade de
					Uberaba.</p>
			</fn>
			<fn fn-type="other" id="fn2">
				<label>2</label>
				<p> Tal projeto é vinculado ao guarda-chuva intitulado “PESQUISA, FORMAÇÃO E
					INTERVENÇÃO NA EDUCAÇÃO: estudos em contextos educativos escolares e não
					escolares”, por meio de seu primeiro eixo: Processos educativos e formativos
					escolares e não escolares e classes populares. Estes projetos, desenvolvidos
					pelo Grupo de Pesquisa Formação Docente, Direito de Aprender e Práticas
					Pedagógicas - FORDAPP/CNPq, foram aprovados pelo Comitê de Ética em Pesquisa da
					Universidade de Uberaba sob o número do CAAE 34856720.6.0000.5145 em 27 de
					agosto de 2020. Esta investigação está vinculada, também, ao Grupo de Pesquisa
					Educação na Diversidade para a Cidadania (GEPEDiCi/CNPq - Universidade de
					Uberaba).</p>
			</fn>
			<fn fn-type="other" id="fn3">
				<label>3</label>
				<p> Conceito adotado para tratar do transcurso vivido durante o período oficialmente
					declarado como de Pandemia de Covid-19 pela Organização Mundial de Saúde (11 de
					março de 2020 a 05 de maio de 2023) e para além dele, pois, ainda enfrentamos
					casos e ocorrências da doença, além de suas graves consequências, especialmente
					quando se trata do contexto educativo escolar, das aprendizagens e da formação
					continuada docente.</p>
			</fn>
			<fn fn-type="other" id="fn4">
				<label>4</label>
				<p>
					<ext-link ext-link-type="uri"
						xlink:href="https://www.projetoredecooperativa.com/"
						>https://www.projetoredecooperativa.com/</ext-link> - endereço de acesso à
					página da RECEPE.</p>
			</fn>
			<fn fn-type="other" id="fn5">
				<label>5</label>
				<p> Pensada como categoria fundante não só do posicionamento epistemológico, como do
					gnosiológico, pois ajuda a conceber a pesquisa como atividade social humana,
					fundamental para o entendimento dos processos de elaboração de conhecimentos
						(<xref ref-type="bibr" rid="B25">Sanchez Vázquez, 1968</xref>).</p>
			</fn>
			<fn fn-type="other" id="fn6">
				<label>6</label>
				<p> Apresenta generalizações em relação aos fenômenos que permitem explicar e
					fundamentam as concepções de diferentes domínios do conhecimento, além de se
					ocupar da explicação de um assunto e gerar uma rede entre conceitos com os quais
					os sujeitos descrevem, explicam e predizem o mundo em que vivem, o que dificulta
					a aprendizagem e/ou aceitação do modelo científico a ser ensinado, na medida em
					que explicam o mesmo fenômeno que explica o modelo científico de referência. Em
					outras palavras, é a presença do pensamento linear como uma dificuldade recidiva
					e bem comum entre nossos/as estudantes, professores/as, o que gradativamente vai
					comprometendo a formação no nível da pós-graduação e para atuação
					profissional.</p>
			</fn>
			<fn fn-type="other" id="fn7">
				<label>7</label>
				<p> Em síntese, relaciona-se teoricamente à capacidade de superar os “obstáculos
					epistemológicos”, pois implica desenvolver a possibilidade de compreender e
					enfrentar as dificuldades encontradas durante a construção ou uso do
					procedimento metodológico de interesse. Nessa lógica, a “vigilância
					epistemológica” oferece as diretrizes para a construção teórica de um adequado
					problema de pesquisa, questões pertinentes e objetivos em conformidade.</p>
			</fn>
			<fn fn-type="other" id="fn8">
				<label>8</label>
				<p> Conforme o autor e as autoras, “nossa ética da alteridadecuidado se funda na
					exigência do respeito à autonomia do ser educando-educador e educador-educando,
					conforme propõe Freire (2002), à sua dignidade, identidade e distinção, com
					vistas a encontrar uma coerência constante entre o que professamos e o que
					fazemos”.</p>
			</fn>
			<fn fn-type="other" id="fn9">
				<label>9</label>
				<p> O sentido atribuído é o de que “O Memorial constitui, pois, uma autobiografia,
					configurando-se como uma narrativa simultaneamente histórica e reflexiva”
					(Severino, 2023, p. 214). E por meio dele, é possível registrar as lembranças,
					que conforme Ecléa <xref ref-type="bibr" rid="B4">Bosi (1994)</xref>, configuram
					um repensar, uma reconstrução, com os elementos constitutivos do hoje, do agora,
					as experiências elaboradas no passado.</p>
			</fn>
			<fn fn-type="other" id="fn10">
				<label>10</label>
				<p> Nomes fictícios atribuídos às participantes da pesquisa, tendo em vista o Termo
					de Consentimento Livre e Esclarecido assinado por elas.</p>
			</fn>
		</fn-group>
		<ref-list>
			<title>referênCIas</title>
			<ref id="B1">
				<mixed-citation>BARBOSA, Milena Ricken; SOUZA, Tiago Zanquêta de. Experiências de
					docentes da Educação Infantil e da Educação Básica: o que revela o levantamento
					bibliográfico no contexto da Pandemia de Covid-19 (2020-2022). <bold>EmRede -
						Revista de Educação a Distância</bold>, [<italic>S. l</italic>.], v. 10,
					2023. DOI: 10.53628/emrede.v10i.980. Disponível em: <ext-link
						ext-link-type="uri"
						xlink:href="https://www.aunirede.org.br/revista/index.php/emrede/article/view/980"
						>https://www.aunirede.org.br/revista/index.php/emrede/article/view/980</ext-link>.
					Acesso em: 6 abr. 2024.</mixed-citation>
				<element-citation publication-type="journal">
					<person-group person-group-type="author">
						<name>
							<surname>BARBOSA</surname>
							<given-names>Milena Ricken</given-names>
						</name>
						<name>
							<surname>SOUZA</surname>
							<given-names>Tiago Zanquêta de.</given-names>
						</name>
					</person-group>
					<article-title>Experiências de docentes da Educação Infantil e da Educação
						Básica: o que revela o levantamento bibliográfico no contexto da Pandemia de
						Covid-19 (2020-2022)</article-title>
					<source>EmRede - Revista de Educação a Distância</source>
					<publisher-loc>S. l</publisher-loc>
					<volume>10</volume>
					<year>2023</year>
					<pub-id pub-id-type="doi">10.53628/emrede.v10i.980.</pub-id>
					<comment>Disponível em: <ext-link ext-link-type="uri"
							xlink:href="https://www.aunirede.org.br/revista/index.php/emrede/article/view/980"
							>https://www.aunirede.org.br/revista/index.php/emrede/article/view/980</ext-link>
					</comment>
					<date-in-citation>Acesso em: 6 abr. 2024</date-in-citation>
				</element-citation>
			</ref>
			<ref id="B2">
				<mixed-citation>BARDIN, Laurence. <bold>Análise de conteúdo</bold>. Tradução Luís
					Antero Reto, Augusto Pinheiro. Lisboa: Edições 70, 1977, 225 p. Título Original:
					L’ Analyse de Contenu. ISBN: 972-44-0898-1.</mixed-citation>
				<element-citation publication-type="book">
					<person-group person-group-type="author">
						<name>
							<surname>BARDIN</surname>
							<given-names>Laurence.</given-names>
						</name>
					</person-group>
					<source>Análise de conteúdo</source>
					<person-group person-group-type="translator">
						<name>
							<surname>Reto</surname>
							<given-names>Luís Antero</given-names>
						</name>
						<name>
							<surname>Pinheiro</surname>
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						</name>
					</person-group>
					<publisher-loc>Lisboa</publisher-loc>
					<publisher-name>Edições 70</publisher-name>
					<year>1977</year>
					<fpage>225</fpage>
					<comment>Título Original: L’ Analyse de Contenu</comment>
					<isbn>972-44-0898-1</isbn>
				</element-citation>
			</ref>
			<ref id="B3">
				<mixed-citation>BOGDAN, Roberto; BIKLEN, Sari. Notas de Campo. In: BOGDAN, Roberto;
					BIKLEN, Sari. <bold>Investigação qualitativa em educação:</bold> uma introdução
					à teoria e aos métodos. Porto Alegre: Porto Editora, 1994, p.
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				<element-citation publication-type="book">
					<person-group person-group-type="author">
						<name>
							<surname>BOGDAN</surname>
							<given-names>Roberto</given-names>
						</name>
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							<surname>BIKLEN</surname>
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					<chapter-title>Notas de Campo</chapter-title>
					<person-group person-group-type="editor">
						<name>
							<surname>BOGDAN</surname>
							<given-names>Roberto</given-names>
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					<source>Investigação qualitativa em educação: uma introdução à teoria e aos
						métodos</source>
					<publisher-loc>Porto Alegre</publisher-loc>
					<publisher-name>Porto Editora</publisher-name>
					<year>1994</year>
					<fpage>150</fpage>
					<lpage>175</lpage>
				</element-citation>
			</ref>
			<ref id="B4">
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					<source>Memória e Sociedade: lembranças de velhos</source>
					<edition>3</edition>
					<publisher-loc>São Paulo</publisher-loc>
					<publisher-name>Cia das Letras</publisher-name>
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			</ref>
			<ref id="B5">
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