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			<journal-id journal-id-type="publisher-id">faeeba</journal-id>
			<journal-title-group>
				<journal-title>Revista da FAEEBA: Educação e Contemporaneidade</journal-title>
				<abbrev-journal-title abbrev-type="publisher">Rev. FAEEBA - Ed. e
					Contemp.</abbrev-journal-title>
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			<issn pub-type="epub">2358-0194</issn>
			<publisher>
				<publisher-name>Universidade do Estado da Bahia</publisher-name>
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			<article-id pub-id-type="doi">10.21879/faeeba2358-0194.2024.v33.n76.p51-68</article-id>
			<article-categories>
				<subj-group subj-group-type="heading">
					<subject>Artigo</subject>
				</subj-group>
			</article-categories>
			<title-group>
				<article-title>A UNIVERSIDADE POPULAR DAS MADRES DE PLAZA DE MAYO: AS TRANSIÇÕES E
					CONTINUIDADE DA LUTA</article-title>
				<trans-title-group xml:lang="en">
					<trans-title>THE POPULAR UNIVERSITY OF MADRES DE PLAZA DE MAYO: TRANSITIONS AND
						CONTINUITY OF THE STRUGGLE</trans-title>
				</trans-title-group>
				<trans-title-group xml:lang="es">
					<trans-title>LA UNIVERSIDAD POPULAR DE MADRES DE PLAZA DE MAYO: TRANSICIONES Y
						CONTINUIDAD DE LA LUCHA</trans-title>
				</trans-title-group>
			</title-group>
			<contrib-group>
				<contrib contrib-type="author">
					<contrib-id contrib-id-type="orcid">0000-0001-5719-5433</contrib-id>
					<name>
						<surname>Silva</surname>
						<given-names>Ivandilson Miranda</given-names>
					</name>
					<bio>
						<p><sup>*</sup> Doutor em Educação e Contemporaneidade pela Universidade do
							Estado da Bahia (UNEB). Professor do Centro de Estudos, Pesquisa,
							Extensão e Desenvolvimento Humano (CEPEX DH). Integrante do Núcleo de
							Estudos Sobre Pensamento e Contemporaneidade (PpgeDuc/UNEB). Salvador,
							Bahia, e-mail: <email>ivanvisk@gmail.com</email>
						</p>
					</bio>
					<xref ref-type="aff" rid="aff1"/>
				</contrib>
				<contrib contrib-type="author">
					<contrib-id contrib-id-type="orcid">0000-0003-3864-7590</contrib-id>
					<name>
						<surname>Santos</surname>
						<given-names>Luciano Costa</given-names>
					</name>
					<bio>
						<p><sup>**</sup> Doutor em Filosofia (PUCRS). Pós-Doutor em Filosofia Moral
							e Política (UAM) . Professor Titular da Universidade do Estado da Bahia
							(UNEB). Professor Pesquisador do Programa de Pós-Graduação em Educação e
							Contemporaneidade (PPGEDUC). Salvador, Bahia. E-mail:
								<email>lucostasantos1@gmail.com</email>
						</p>
					</bio>
					<xref ref-type="aff" rid="aff2"/>
				</contrib>
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			<aff id="aff1">
				<institution content-type="orgname">UNEB/CEPEX-RH</institution>
				<institution content-type="original">UNEB/CEPEX-RH</institution>
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			<aff id="aff2">
				<institution content-type="orgname">Universidade do Estado da Bahia</institution>
				<institution content-type="original">Universidade do Estado da Bahia</institution>
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			<pub-date date-type="pub" publication-format="electronic">
				<day>20</day>
				<month>11</month>
				<year>2025</year>
			</pub-date>
			<pub-date date-type="collection" publication-format="electronic">
				<year>2024</year>
			</pub-date>
			<volume>33</volume>
			<issue>76</issue>
			<fpage>51</fpage>
			<lpage>68</lpage>
			<history>
				<date date-type="received">
					<day>25</day>
					<month>05</month>
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				</date>
				<date date-type="accepted">
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					<year>2024</year>
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				<license license-type="open-access"
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					<license-p>Este é um artigo publicado em acesso aberto (Open Access) sob a
						licença Creative Commons Attribution, que permite uso, distribuição e
						reprodução em qualquer meio, sem restrições desde que o trabalho original
						seja corretamente citado.</license-p>
				</license>
			</permissions>
			<abstract>
				<title>RESUMO</title>
				<p>O texto sobre a Universidade Popular das Madres de Plaza de Mayo: as transições e
					continuidade da luta objetiva apresentar um histórico desta instituição e seu
					processo de transição para Universidade Nacional. O método adotado nesta
					pesquisa é o fenomenológico com entrevista narrativa. O resultado é a
					possibilidade de firmar parceria entre a UNEB e a Universidade das Madres,
					considerando as perspectivas de diálogo entre Brasil/Argentina para pensar
					pautas científicas e ações políticas em um contexto de reorganização dos
					movimentos sociais na América Latina. A experiência das universidades populares
					tem se constituído como possibilidade/realidade ante o processo do não (re)
					conhecimento e/ou legitimação do acesso da maioria da população pobre ao
					conhecimento científico/filosófico/social em suas dizibilidades contemporâneas.
					Nesse sentido, concluímos que é urgente a consolidação de Universidades
					Populares no Brasil.</p>
			</abstract>
			<trans-abstract xml:lang="en">
				<title>ABSTRACT</title>
				<p>The text about the Popular University of Madres de Plaza de Mayo: the transitions
					and continuity of the struggle aims to present a history of this institution and
					its transition process to a National University. The method adopted in this
					research is phenomenological with narrative interviews. The result is the
					possibility of establishing a partnership between UNEB and the University of
					Madres, considering the perspectives of dialogue between Brazil/Argentina to
					think about scientific agendas and political actions in a context of
					reorganization of social movements in Latin America. The experience of popular
					universities has been constituted as a possibility/reality in the face of the
					process of non-(re)knowledge and/or legitimization of the access of the majority
					of the poor population to scientific/ philosophical/social knowledge in its
					contemporary divisibilities. In this sense, we conclude that the consolidation
					of Popular Universities in Brazil is urgent.</p>
			</trans-abstract>
			<trans-abstract xml:lang="es">
				<title>RESUMEN</title>
				<p>El texto sobre la Universidad Popular de Madres de Plaza de Mayo: las
					transiciones y continuidad de la lucha pretende presentar una historia de esta
					institución y su proceso de transición a una Universidad Nacional. El método
					adoptado en esta investigación es fenomenológico con entrevistas narrativas. El
					resultado es la posibilidad de establecer una alianza entre la UNEB y la
					Universidad de Madres, considerando las perspectivas de diálogo entre Brasil/
					Argentina para pensar agendas científicas y acciones políticas en un contexto de
					reorganización de los movimientos sociales en América Latina. La experiencia de
					las universidades populares se ha constituido como una posibilidad/realidad
					frente al proceso de des(re)conocimiento y/o legitimación del acceso de la
					mayoría de la población pobre al conocimiento científico/filosófico/social en su
					forma contemporánea. divisibilidades. En este sentido, concluimos que la
					consolidación de las Universidades Populares en Brasil es urgente.</p>
			</trans-abstract>
			<kwd-group xml:lang="pt">
				<title>Palavras-chave:</title>
				<kwd>Universidade Popular</kwd>
				<kwd>Organizações Internacionais</kwd>
				<kwd>Movimento de Educação Popular</kwd>
				<kwd>Pesquisa em educação.</kwd>
			</kwd-group>
			<kwd-group xml:lang="en">
				<title>Keywords:</title>
				<kwd>Popular University</kwd>
				<kwd>International Organizations</kwd>
				<kwd>Popular Education Movement</kwd>
				<kwd>Research and education.</kwd>
			</kwd-group>
			<kwd-group xml:lang="es">
				<title>Palabras clave:</title>
				<kwd>Universidad Popular</kwd>
				<kwd>Organismos Internacionales</kwd>
				<kwd>Movimiento de Educación Popular</kwd>
				<kwd>Investigación y educación.</kwd>
			</kwd-group>
		</article-meta>
	</front>
	<body>
		<sec sec-type="intro">
			<title>Introdução<sup><xref ref-type="fn" rid="fn1">1</xref></sup></title>
			<p>A Universidade Popular das Madres de Plaza de Mayo<sup><xref ref-type="fn" rid="fn2"
						>2</xref></sup>, hoje Universidade Nacional das Madres de Plaza de Mayo, é
				uma das grandes experiências de educação do século XXI. Surgida a partir da luta das
				Madres, que tiveram um papel importantíssimo contra a ditadura civil-militar de
				1976-83, a universidade ousa se propor popular, por ter um legado histórico de
				resistência às políticas contrárias aos interesses dos mais pobres da Argentina e da
				América Latina.</p>
			<p>O movimento das Madres de Plaza de Mayo (1977)<sup><xref ref-type="fn" rid="fn3"
						>3</xref></sup>, em Buenos Aires, foi e continua sendo fundamental para
				denunciar as atrocidades promovidas pela ditadura Argentina. Ainda hoje, as prisões,
				torturas e mortes deste período trazem dor e desconforto para todos que vivenciaram
				aquele momento e, também, desconfortam as novas gerações por entenderem que este
				acontecimento foi extremamente negativo para o país. Para o saudoso professor
				Eduardo <xref ref-type="bibr" rid="B18">Rebuá (2015)</xref>, as Madres de Plaza de
				Mayo surgiram em meio à mais cruel ditadura civil-militar da América Latina.
				Infelizmente, neste mesmo período, vários países da América Latina, a exemplo do
				Brasil (1964-1985), Chile (1973-1990) e Uruguai (1973-1985), estavam passando por
				regimes semelhantes, tornando o continente um espaço de repressão à democracia, de
				perseguição política e de alinhamentos aos interesses econômicos dos Estados Unidos
				da América.</p>
			<p>É dentro desse contexto de extrema violência contra os opositores (em grande parte
				jovens estudantes), configurando um regime de brutalidades, que emergem movimentos
				que vão lutar pela redemocratização da Argentina e contra o terror promovido pelo
				Estado. As Madres de la Plaza de Mayo são mulheres/mães que têm seus filhos
				sequestrados e mortos pela ditadura e, por isso, serão fundamentais para denunciar
				as atrocidades deste regime e evidenciar a necessidade do retorno da democracia. A
				Universidade Popular das Madres de Plaza de Mayo (UPMPM) surge em 2000 na sede da
				Associação das Madres da Praça de Maio, em Buenos Aires, e esse evento marca,
				sobremaneira, o patamar das reflexões sobre educação popular na América Latina.</p>
			<p>Neste artigo, conheceremos a experiência da universidade popular criada a partir da
				ação política das Madres de Plaza de Mayo a partir de uma pesquisa que se utilizou
				do método fenomenológico e da entrevista narrativa como um dispositivo de produção e
				análise de dados para a pesquisa, produzida a partir das idas à Associação das
				Madres de Mayo, no mês de janeiro de 2019, em Buenos Aires, para conhecer a
				Associação e o trabalho realizado na Universidade Popular (hoje Instituto
				Universitário Nacional de Direitos Humanos Madres de Plaza de Mayo).</p>
		</sec>
		<sec>
			<title>A Universidade Popular das Madres: surge o saber da luta</title>
			<p>A ideia de fundar uma universidade popular como espaço outro de produção de
				conhecimento e práticas pedagógicas emancipadoras surge em 1999, quando a Associação
				de Madres de Plaza de Mayo inicia uma série de atividades como “espaço de
				resistência” cultural. Os primeiros passos para a universidade popular começam a ser
				definidos. Apenas em 2000, a Associação das Madres funda a Universidade Popular, que
				será voltada à formação de um pensamento crítico e uma práxis transformadora com
				capacidade para confrontar ideias hegemônicas, com a participação de setores
				populares e movimentos sociais.</p>
			<disp-quote>
				<p>A Universidad Popular Madres de Plaza de Mayo (UPMPM) foi fundada em 6 de abril
					de 2000 em Buenos Aires, na própria sede das Madres, no centro da cidade. A
					ideia ganhou concretude no ano anterior, em setembro, quando da realização do
					Seminário de Análises Crítica de la Realidad Argentina (1983-1999), realizado na
					Livraria e no Café Literário da sede do Movimento, de onde participaram
					intelectuais como Osvaldo Bayer e Vicente Zito Lema. Na inauguração da UPMPM
					estiveram presentes representantes da Universidade de Salamanca (Espanha), do
					Instituto Martin Luther King (Cuba), bem como intelectuais e militantes
					argentinos e de distintos países. (<xref ref-type="bibr" rid="B18">Rebuá,
						2015</xref>, p. 261)</p>
			</disp-quote>
			<p>O surgimento dessa iniciativa revolucionária na transição do século XX para o XXI,
				aponta para a ampliação da capacidade de luta das Madres de Plaza de Mayo, que
				entendem o trabalho de educação popular como uma ferramenta importante para a luta
				por uma sociedade mais justa e menos desigual. Essa luta passa fundamentalmente pela
				educação de qualidade, que proporciona um salto da Pedagogia do Oprimido (2015) para
				a Pedagogia da Autonomia (1996) e, também, da Esperança (1992) nos moldes
				freireanos. A Universidade Popular das Madres de Plaza de Mayo inventava um novo
				contemporâneo, pois ao apostar na construção de uma instituição de ensino superior,
				elevava as exigências dos movimentos sociais na América Latina, como a Universidad
				de la Tierra (México) e a Escola Florestan Fernandes (Brasil) que, também, criariam
				universidades populares na primeira década do século XXI.</p>
			<p>No final da década de 1980, no Brasil, a tendência dos movimentos sociais era
				construir cursos pré-vestibulares comunitários, com o desafio de inserir os
				estudantes das periferias nas universidades públicas e privadas.</p>
			<disp-quote>
				<p>Nesse processo histórico de construção, ainda inconclusa, a luta para que as
					classes populares e os grupos sociais marginalizados tenham de fato o direito à
					educação formal não é uma novidade no Brasil. Ao longo da nossa história,
					sobretudo a partir do século XX, vários movimentos sociais se organizaram para
					lutar pelo direito à escolarização. Esse é o caso dos cursos pré-vestibulares
					organizados para preparar estudantes oriundos de classes populares e grupos
					sociais marginalizados para os vestibulares. (<xref ref-type="bibr" rid="B15"
						>Nascimento, 2002</xref>, p. 01)</p>
			</disp-quote>
			<p>Os cursos pré-vestibulares comunitários, além de preparar para os vestibulares,
				também acabavam sendo um espaço de produção e formação política de um público
				oriundo das periferias, que começa a adentrar as universidades públicas, tendo um
				grande apoio para sua inserção nas políticas afirmativas que se desenvolvem com
				certa amplitude no primeiro governo Lula (2003-2007). Segundo <xref ref-type="bibr"
					rid="B17">Piovesan (2008)</xref>, em 2002, no final do governo Fernando Henrique
				Cardoso (FHC), no âmbito da Administração Pública Federal, foi criado o Programa
				Nacional de Ações Afirmativas, que contemplava medidas de incentivo para empresas
				que desenvolvessem políticas para inclusão de mulheres, afrodescendentes e pessoas
				com deficiência. No mesmo ano, foi lançado o Programa Diversidade na Universidade e,
				nesse contexto, foram adotados programas de cotas para afrodescendentes em
				universidades - como é o caso da UERJ, UNEB, UnB, UFPR, entre outras.</p>
			<p>Mas, de acordo com <xref ref-type="bibr" rid="B14">Moura (2019)</xref>, foi nos
				governos Lula e Dilma Rousseff (PT) que essas políticas se efetivam na prática
				com</p>
			<disp-quote>
				<p>A criação da Lei nº 10.639/2003, que estabelece o ensino da história e da cultura
					afro-brasileira e africana em todas as instituições de ensino; a instalação da
					Secretaria de Políticas de Promoção da Igualdade Racial (Seppir), em 2003; a
					criação do Estatuto da Igualdade Racial (Lei nº 12.288/2010) e da Lei de Cotas.
					Implementada em 2012, a Lei nº 12.711, regulamentada pelo Decreto nº 7.824/2012,
					estabelece que 50% das vagas de universidades e institutos federais de ensino
					sejam reservadas a estudantes pretos, pardos e indígenas, bem como aos oriundos
					de escolas públicas, com renda familiar bruta igual ou inferior a um salário
					mínimo e meio. (<xref ref-type="bibr" rid="B14">Moura, 2019</xref>, p. 9)</p>
			</disp-quote>
			<p>Posteriormente, em 2003, foi instituída a Política Nacional de Promoção da Igualdade
				Racial (PNPIR), que reforça a eficácia das ações afirmativas e determina a criação
				de diversos mecanismos de incentivo e pesquisas para melhor mapear a população
				afrodescendente, otimizando, assim, os projetos direcionados. Ainda naquele ano, foi
				criada a Secretaria Especial de Políticas de Promoção da Igualdade Racial da
				Presidência da República, que auxilia o desenvolvimento de programas, convênios,
				políticas e pesquisas de interesse para a integração racial. Os cursos
				pré-vestibulares comunitários e as políticas afirmativas foram e ainda são
				importantes ações para inserção de pessoas das periferias nas universidades
				públicas. As instituições de ensino superior privadas, também foram contempladas com
				políticas de inserção de pessoas das comunidades, através do PROUNI (Programa
				Universidade Para Todos), criado em 2004 no governo Lula, que garante acesso às
				universidades particulares para estudantes que tenham estudado o ensino médio
				exclusivamente em escola pública, ou como bolsista integral em escola
				particular.</p>
			<p>Diante desse cenário, diversas inciativas de cursos pré-vestibulares comunitários
				surgiram no país e proporcionaram a entrada de muitos estudantes da classe
				trabalhadora nas universidades, centros universitários e faculdades. Os movimentos
				sociais ligados à educação estavam se articulando em torno dessa pauta, mas as
				Madres de Plaza de Mayo, em 2001, darão um passo que provoca a reflexão necessária
				sobre a criação de universidades populares e sua relevância político-pedagógica para
				a luta por outra humanidade possível. A Universidade das Madres de Plaza de Mayo foi
				se consolidando e atualizando suas ideais e práticas desde o seu nascimento, em
				2000, até a sua transformação em Instituto Nacional de Direitos Humanos em 2015, a
				Universidade das Madres demonstra que é possível criar espaços de educação popular
				de nível superior ou universitário, com uma proposta político-pedagógica que
				valoriza o conhecimento que se desenvolve no meio do povo, e povo como
					<italic>potentia,</italic> como poder político em si na comunidade (<xref
					ref-type="bibr" rid="B5">Dussel, 2007</xref>).</p>
			<p>Em entrevista para a pesquisa, Hebe de Bonafini conta como surge a Universidade
				Popular e como essa ideia foi se consolidando, até ser autorizada provisoriamente
				pelo governo Kirchner, através do Decreto Presidencial nº 751/2010, por um período
				de seis anos, de acordo com a atual Lei do Ensino Superior:</p>
			<disp-quote>
				<p><italic>Sempre pensamos numa universidade, uma universidade popular que vai nos
						colocar em outros círculos para ensinar, educar e formar, porém uma
						universidade que seja diferente das demais que tenha muito trabalho com o
						território, que os meninos que vivem na pobreza e possam ser iguais aos
						demais e outros, que possamos reconhecê-los, que todos possam estudar.
						(Bonafini, 2019)</italic><sup><xref ref-type="fn" rid="fn4"
					>4</xref></sup></p>
			</disp-quote>
			<p>A Universidade Popular torna-se concreta e novos desafios se apresentavam para as
				Madres, como o de deixar de ser uma universidade “clandestina”, para ser autorizada
				por um governo<sup><xref ref-type="fn" rid="fn5">5</xref></sup> que estava muito
				próximo politicamente da Associação das Madres.</p>
			<disp-quote>
				<p><italic>Assim, também não é possível fazer uma universidade clandestina porque já
						estávamos organizados e porque juntos, tínhamos muita coragem. Tivemos na
						inauguração da Universidade Popular, a presença do Reitor da Universidade de
						Salamanca, da sua esposa e do vice-reitor e os demais, e isso garantia a
						legalidade da universidade. (Ibidem, 2019)</italic><sup><xref ref-type="fn"
							rid="fn6">6</xref></sup></p>
			</disp-quote>
			<p>A presença de universidades internacionais, intelectuais e diversos movimentos
				sociais, garante um certo respaldo para o início dos trabalhos da Universidade das
				Madres, que buscaria a legalização da sua instituição, como argumenta Bonafini
						(2019)<sup><xref ref-type="fn" rid="fn7">7</xref></sup>:</p>
			<disp-quote>
				<p>Os diplomas, fazíamos as Madres e não tinha nenhum valor, o valor é o que era
					ensinado com os professores da universidade das Madres, foi quando Néstor e
					Cristina nos proporcionou a legalização da universidade, dissemos que sim,
					ficamos felizes por isso e bom se legalizou.</p>
			</disp-quote>
			<p>Os diplomas, nos primeiros anos da Universidade Popular das Madres de Plaza de Mayo,
				têm o valor das experiências de vida e educativas dos professores que vão se dispor,
				mesmo ensinando em outras universidades, sobretudo públicas, a construir uma outra
				possibilidade de espaço de saber para o ensino superior, com o peso da luta
				histórica das Madres. Mas, segundo Gáston Catroppi, nosso entrevistado e Presidente
				do Centro de Estudantes do Instituto Universitário Nacional de Direitos Humanos
				Madres de Plaza de Mayo (CEIUNMa), “A Universidade Popular tinha um convênio com a
				Universidade de San Martin, que validava os diplomas do curso de Trabalho Social, e
				muitos estão trabalhando”. (Catroppi, entrevista gravada, 2019).<sup><xref
						ref-type="fn" rid="fn8">8</xref></sup></p>
			<p>A autorização para funcionamento vem em 2010, e esse processo contribui para um novo
				momento da Universidade, que terá a permissão governamental para ingressar no
				sistema universitário argentino com uma proposta educacional popular, emancipatória
				e inclusiva, e uma visão política latino-americanista e transformadora das relações
				sociais de exploração e opressão.</p>
			<disp-quote>
				<p>Como quem gera um filho, nasceu a Universidade das Mães Populares da Plaza de
					Mayo. Os amigos perguntaram às mães “e agora?”, Da mesma forma que um casal é
					perguntado quando o bebê virá. Então, um dia, nos juntamos a Osvaldo Bayer,
					Sergio Schoklender e eu, juntamente com alguns professores, e começamos a pensar
					a Universidade. Claro, com todos os medos de novas mães. Nascerá sã? nos
					perguntamos, saberemos como criá-la, teremos comida suficiente para ela? Por
					mais de seis meses, trabalhamos incansavelmente, principalmente Sergio. Seu
					corpo estava crescendo e, em 6 de abril de 2000, essa garota chamada Universid
					finalmente nasceu. Ela nasceu saudável, forte, com cinco carreiras e mais de cem
					professores, que amavam essa garota de todo o coração, com mais de 200
					estudantes esperançosos. Hoje a Universidade faz cinco anos. Como toda criança
					que cresce rapidamente, a Universidade tem seus caprichos. Ela lutou com alguns
					de seus amiguinhos que queriam tirar seus brinquedos, livros, mas essa garota
					sabia como se defender, porque ela aprendeu que deveria compartilhar que é, mas
					impedir que eles o tirassem. Os professores amaram essa garota e com grande
					respeito a ajudaram, e a ajudaram a crescer; outros amigos a mantêm limpa e
					arrumada. Ela tinha outros irmãos, a Biblioteca, a Videoteca e até um priminho,
					que é a Imprensa das Madres. Seus irmãos mais velhos são o Café Literário
					Osvaldo Bayer e a Livraria, que a rodeiam e a acompanham. E assim, nós, suas
					mães, como todas as mães, a protegemos, a abraçamos e a ajudamos a crescer livre
					e forte. Nossos filhos, os desaparecidos, aqueles que nasceram quando éramos
					jovens, amavam conhecer, nos ensinaram a amar a vida através da educação,
					através da solidariedade, que nada mais é do que entregar a vida a uma causa, a
					causa da revolução, a causa do socialismo. Neste aniversário, já sonhamos em ter
					outra menina, a escola primária, e também um irmãozinho chamado Jardin. Somos
					uma grande família crescendo juntos. (<xref ref-type="bibr" rid="B3">Bonafini,
						2005</xref>, p. 01, tradução nossa).</p>
			</disp-quote>
			<p>Essa fala de Bonafini sobre a fundação da universidade popular e a comemoração dos
				seus cinco anos, mostra a forma materna e carinhosa como as Madres pensavam a
				universidade, e reforça o que foi lido sobre a importância desse espaço para a
				educação popular. As Madres parem a sua filha caçula, a sua filha ligada às questões
				do saber, do conhecimento teórico, mas sobretudo prático, empiricamente enraizado em
				solo popular, em matrizes de resistência à ditadura que deixou um rastro de
				violência enorme na sociedade Argentina. Bonafini (2019) também fala sobre a
				importância da pedagogia freireana para a Universidade Popular de Plaza de Mayo:</p>
			<disp-quote>
				<p><italic>A importância é que a pedagogia de Paulo Freire é diferente das
						pedagogias autorizadas pelo governo, pois as literaturas são muito arcaicas
						e parecem ensinar sempre as mesmas coisas, e se perde muito tempo com coisas
						que não são necessárias, e falta incorporar outras. Falta muita humanidade
						nas carreiras, tanto em medicina, quanto em trabalho social e nos
						professores. Falta muita humanidade e ademais não se sentem trabalhadores,
						sentem que são uma elite, e não é assim. Tudo isso temos que romper para que
						haja um enfoque, se não é muito difícil, pois os alunos se sentem como
						aqueles professores mais altos, é muito triste isso. A pedagogia de Paulo
						Freire nos serve para mudar essas coisas. (Bonafini, entrevista filmada,
						2019)</italic><sup><xref ref-type="fn" rid="fn9">9</xref></sup></p>
			</disp-quote>
			<p>A Universidade Popular deu-lhes novos filhos e filhas, ou netos e netas. Essa etapa
				da luta possibilita uma renovação dos horizontes das Madres. Esse passo histórico
				será fundamental para construir ou recuperar valores atacados e silenciados pela
				ditadura. Outro discurso importante foi proferido pela Reitora em exercício na
				época, a professora Inés Vázquez, que, durante as comemorações pelos dez anos da
				Universidade Popular, tece as seguintes considerações:</p>
			<disp-quote>
				<p><italic>Esses dez anos de Universidade Popular foram todos de crescimento,
						abertura, encontro com cada vez mais irmãos e irmãs no sonho do socialismo e
						da libertação. Passamos por conflitos e, certamente, por isso, crescemos e
						aprofundamos nosso ser. Eles nos saquearam e continuamos, eles nos ameaçaram
						e nenhuma classe se levantou, eles tentaram nos isolar por nossas opiniões
						anti-imperialistas e encontramos o melhor das forças insurgentes de Nossa
						América, e recebemos Chávez, Correa, Lugo, Evo e os cubanos e cubanas que
						debatem e constroem sua revolução dia após dia.</italic> (<xref
						ref-type="bibr" rid="B28">Vázquez, 2010</xref>, p. 01, tradução nossa).</p>
			</disp-quote>
			<p>Os dez anos foram de muita luta e resistência, mudanças históricas, divergências com
				pessoas queridas, companheiros e companheiras de outras lutas que deixaram o projeto
				da universidade, enquanto novos apoiadores surgiram. A universidade teve presenças
				de personalidades políticas históricas da América Latina, e esse espaço foi se
				consolidando como um centro aglutinador de debates, reflexões e ações sobre os rumos
				dos movimentos sociais, dos governos progressistas e da educação popular no
				território latinoamericano.</p>
			<p>A Universidade Popular das Madres de Plaza de Mayo é uma Casa de Estudos, uma
				fraternidade combativa. (<xref ref-type="bibr" rid="B28">Vázquez, 2010</xref>).
				Depois dos dez anos de fundação, a universidade popular proposta pelas Mães da Plaza
				de Mayo, já autorizada provisoriamente e em fase de reconhecimento institucional,
				terá outros desafios, que vão determinar a contribuição da universidade para a
				continuidade da luta por uma educação transgressora que fortaleça a intervenção
				social e o poder do povo, numa perspectiva de poder como <italic>potentia</italic>
				preconizada por <xref ref-type="bibr" rid="B5">Dussel (2007)</xref>. Teríamos,
				então, mais dez anos de luta e resistência? A universidade teria sua autorização
				definitiva? A universidade daria um passo grandioso, ousado e, também, perigoso,
				pois em 22 de outubro de 2014, o Secretário Acadêmico da Universidade Popular das
				Madres de Plaza de Mayo, Germán Ibañez, anunciava que a universidade se
				transformaria em Instituto Nacional de Direitos Humanos. Veja nota:</p>
			<disp-quote>
				<p>Na quarta-feira, 22 de outubro, a Câmara dos Deputados da Nação, em uma sessão
					especial para discutir diferentes projetos educacionais, deu sanção final à lei
					que cria o Instituto Universitário Nacional de Direitos Humanos Madres de Plaza
					de Mayo. Queremos compartilhar com todos a imensa alegria que, para as Mães e
					todos aqueles que integramos a comunidade acadêmica da UPMPM, implica a
					realização desse sonho tão esperado. Um sonho que responde à presença e força
					diárias das mães. Um Instituto Universitário que também apoia a vontade e a
					visão estratégica do projeto nacional e popular liderado por nossa Presidente
					Cristina Fernández de Kirchner. Estudantes, trabalhadores, professores e
					autoridades celebramos com nossas queridas Mães e nos comprometemos a continuar
					trabalhando. (<xref ref-type="bibr" rid="B13">Ibañez, 2014</xref>, p. 01,
					tradução nossa).</p>
			</disp-quote>
			<p>A Universidade Popular das Madres de Plaza de Mayo terá novos desafios para os
				próximos períodos, com a transformação em Instituto Universitário Nacional de
				Direitos Humanos (IUNMa). Essa mudança será importante, também, do ponto de vista
				financeiro, pois o Instituto seria tutelado pelo Ministério da Justiça e Direitos
						Humanos<sup><xref ref-type="fn" rid="fn10">10</xref></sup>. De acordo com
					<xref ref-type="bibr" rid="B18">Rebuá (2015)</xref>, a mudança para Instituto,
				além de realizar um sonho antigo das Madres, amplia as ações da universidade popular
				com a criação em 2015, de novas graduações, o Bacharelado em Comunicação e do curso
				Técnico de Jornalismo, além de tornar a luta das Madres mais forte e expressiva na
				sociedade argentina e no mundo. O Instituto Universitário Nacional de Direitos
				Humanos Madres de Plaza de Mayo, tem como princípio fundamental a formação acadêmica
				no âmbito de uma defesa irrestrita dos direitos humanos, como um todo harmônico com
				o regime democrático e republicano da República Argentina. Seus objetivos
				correspondem, então, ao que está estipulado na área dos direitos humanos.</p>
			<p>Esse desafio estava posto e a universidade popular, que fazia sua transição para
				instituto universitário, gozaria de outras atribuições e teria o Governo Federal
				como principal mantenedor. Esse cenário irá provocar profundas transformações na
				ideia original<sup>11</sup> de universidade pensada pelas Madres, pois o cenário
				político começa a se modificar em 2015, um governo com outro projeto político
				ganhará as eleições e a gestão do Instituto Universitário de Direitos Humanos Madres
				de Plaza de Mayo será disputada.</p>
		</sec>
		<sec>
			<title>A Universidade das Madres e as suas transições para Instituto Universitário e
				Universidade Nacional</title>
			<p>A ideia inicial de criar uma Universidade Popular e depois de fazer uma transição
				para o Instituto Universitário Nacional de Direitos Humanos Madres de Plaza de Mayo
				dialoga com a perspectiva de consolidar escolas, universidades que centrem sua ação
				no humano e na sua emancipação. Em entrevista para a pesquisa em janeiro de 2019,
				com integrantes do Centro de Estudantes do Instituto Universitário Nacional de
				Direitos Humanos Madres de Plaza de Mayo, (IUNMa), Gáston Catroppi, Presidente do
				Centro Nacional de Estudantes e Adrian Dubinsky, secretário de relações
				internacionais, ambos acadêmicos dos cursos de Trabalho Social e História,
				respectivamente, eles relatam como foi o processo de transição da Universidade
				Popular para o Instituto e quais as nuances desse processo. Nos trechos iniciais da
				entrevista, ambos falam sobre a importância da transição da Universidade para o
				Instituto:</p>
			<disp-quote>
				<p><italic>A transição de Universidade Popular para Instituto Universitário Nacional
						de Direitos Humanos Madres De Plaza de Mayo foi importante não apenas para a
						saúde da instituição, mas, também, para os estudantes, professores, para a
						cidade, pois a sociedade argentina marcada pela ditadura, ter um instituto
						que discute os direitos humanos é importante, pois as Madres durante todo
						esse processo estavam nas ruas lutando e sendo perseguidas. A universidade
						das mães é um sonho que se tornou realidade, elas sempre pensaram que a
						melhor forma de resistir e transcender era formando politicamente
						companheiros que conheceram a luta. (Dubinsky, entrevista gravada,
						2019)</italic><sup><xref ref-type="fn" rid="fn12">12</xref></sup></p>
			</disp-quote>
			<p>A posição inicial era que o processo de transição da Universidade Popular para
				Instituto Universitário de Direitos Humanos seria importante para sanear as dívidas
				da Universidade e, também, para a ampliação da luta. A universidade pensada para
				formação de quadros políticos poderia, em formato de instituto, ser mais propositiva
				e ter um alcance maior em sua ação político-educativa. A Universidade Popular, desde
				sua fundação até a transição para Instituto Universitário, segue cumprindo seu papel
				de espaço privilegiado de “parição” de outros filhos, filhos políticos, filhos como
				os próprios Catroppi e Dubinsky.</p>
			<p>Mas, entre as razões para esse processo de transição, temos, também, a aproximação
				das Madres de Plaza de Mayo dos governos Kirchner (Néstor e Cristina) como frisou
				anteriormente <xref ref-type="bibr" rid="B18">Rebuá (2015)</xref>. Essa relação, de
				acordo com Dubinsky (2019), é fundamental para perceber as transformações políticas
				entre as Madres e dentro do próprio kirchnerismo/ peronista.</p>
			<disp-quote>
				<p><italic>Em 2000, surge a universidade popular, muito popular, com bons
						professores, mas ainda muito pequena. No ano de 2006, 2007, começaram a ter
						mais formação, mas no ano de 2003, 2004, foi quando as Madres deixam de
						fazer a Marcha da Resistência, isso é simbólico, pois a praça é o lugar das
						grandes manifestações do povo argentino, o lugar da revolução de 1810, o
						lugar onde Perón discursou para as massas, o lugar dos protestos das Madres
						que falam para o mundo inteiro que seus filhos foram sequestrados. Então
						elas deixam de fazer a Marcha da Resistência, pois entendem que tem um
						governo que abraçou suas propostas históricas e não fazia mais sentido a
						marcha. (Dubinsky, entrevista gravada, 2019).</italic><sup><xref
							ref-type="fn" rid="fn13">13</xref></sup></p>
			</disp-quote>
			<p>As Marchas da Resistência são manifestações públicas organizadas pelas Madres de
				Plaza de Mayo e vários outros movimentos sociais, desde 1981. A Marcha reivindica os
				direitos humanos e a luta contra a ditadura civil-militar (1976-1983).</p>
			<disp-quote>
				<p><italic>Deixamos de fazer as Marchas da resistência quando chegou Néstor, porque
						as Marchas da Resistência fazemos todo fim de ano, vinte e quatro horas
						caminhando sem parar para reclamar do governo, porém quando chegou Néstor
						não tínhamos o que reclamar, ao contrário, tínhamos todo o tempo, ele e
						Cristina. Então, não podíamos fazer outra coisa, suspender a Marcha da
						Resistência.</italic></p>
				<p><italic>(Bonafini, entrevista gravada, 2019)</italic><sup><xref ref-type="fn"
							rid="fn14">14</xref></sup></p>
			</disp-quote>
			<p>A própria Hebe de Bonafini (2019), assume que a Associação das Madres de Plaza de
				Mayo deixa de realizar a Marcha da Resistência durante o período dos governos
				Kirchner, e retoma as Marchas no início do governo Macri, em 2015. Em 29 de novembro
				de 2019, as Madres realizam a última (31ª) marcha desse período, pois a vitória
				eleitoral de Alberto Fernandez (aliado político das Madres) e a sua posse, em
				dezembro de 2019, refaz o pacto entre as Madres e o peronismo. Outro depoimento
				importante sobre as marchas e a democratização da sociedade argentina foi colhido
				numa entrevista com uma colaboradora da Associação das Madres de Plaza de Mayo, que
				aqui será denominada de Paz<sup><xref ref-type="fn" rid="fn15">15</xref></sup>, e
				apresenta a seguinte opinião:</p>
			<disp-quote>
				<p><italic>A luta pela democracia é sempre intensa com as mães, de acordo com quem
						esteja no poder, mas durante o governo Macri, era muito mais conflituoso,
						voltamos à marcha da resistência porque consideramos que o inimigo estava na
						casa do governo. Quanto aos direitos humanos, tão desconsiderados pelo
						governo anterior e por algumas agências, decidimos conversar sobre a luta
						política, pois, como diz Hebe prefiro gastar meu tempo ajudando crianças com
						fome para que elas possam comer e não me esforçar para prender um milico.
						(Paz, 2019)</italic><sup><xref ref-type="fn" rid="fn16">16</xref></sup></p>
			</disp-quote>
			<p>Durante o governo Macri, as Madres terão que retomar o processo de resistência
				política contra o projeto neoliberalizante das elites argentinas que rompe o ciclo
				de poder kirchnerista e irá interferir diretamente em grande parte das políticas
				desenvolvidas por esse bloco político. Para Catroppi (2019), a nacionalização ou
				institucionalização da Universidade Popular, também, fazia parte das intenções do
				governo Kirchner e esse interesse comum resultou na transformação da Universidade em
				algo mais ampliado, com dimensões e gestão nacionais. Governo e Associação das
				Madres de Plaza de Mayo constroem juntos a proposição do Instituto Universitário
				Nacional de Direitos Humanos.</p>
			<disp-quote>
				<p><italic>Néstor se declara unido às Madres de Plaza de Mayo e começou a
						reivindicar um monte de lutas populares e vincular a agenda do governo,
						dentre essas questões a própria nacionalização da universidade popular é
						parte das ações do governo de Cristina Kirchner. Então, a nacionalização da
						Universidade Popular foi parte da intenção do governo e passa a fazer parte
						de uma política de Estado quando se institucionaliza, por isso a
						universidade popular passa a ter uma amplitude maior como parte do sistema
						nacional.</italic> (Catroppi, entrevista gravada, 2019)<sup><xref
							ref-type="fn" rid="fn17">17</xref></sup></p>
			</disp-quote>
			<p>O projeto de Universidade Popular, com o estreitamento das relações políticas entre
				as Madres e os governos de Néstor e Cristina Kirchner, vai se consolidando como uma
				grande aliança entre movimento social e governo, e isso será motivo de críticas às
				Madres por outros setores da sociedade e de movimentos sociais também. Para Dubinsky
				(2019), o processo político que se estabelece entre 2003e 2015, redefine, mesmo com
				críticas aqui e acolá, o projeto de longo prazo de universidade nacional.</p>
			<disp-quote>
				<p><italic>Esse projeto educativo não eurocêntrico, não positivista, não
						enclaustrado, para dentro, mas de porta para fora, a universidade popular, é
						pertinente pensar, é popular, e toda educação deveria ser popular e não de
						elite. A única concepção é que a educação deve ser popular, além disso, para
						compreender porque a Universidade Popular da Plaza de Mayo termina sendo o
						Instituto Universitário Nacional de Direitos Humanos Madres de Plaza de
						Mayo, tem a ver com o processo político de muitos anos.</italic> (Dubinsky,
					entrevista gravada, 2019)<sup><xref ref-type="fn" rid="fn18">18</xref></sup></p>
			</disp-quote>
			<p>A proposta de pensar uma universidade popular e ademais, um Instituto Universitário
				Nacional que pudesse ampliar esse horizonte, nacionaliza o projeto de ensino
				superior e demarca uma ideia de construção coletiva de conhecimento. A universidade
				é um projeto político das Madres que se tornou robusto com a criação do Instituto.
				Um dos grandes problemas de análise política de toda essa proposta para a educação
				popular na Argentina, é que o Kirchnerismo não consegue vencer as eleições de 2015 e
				um candidato com uma agenda nitidamente neoliberal, representando os setores da
				direita argentina, acaba vencendo o pleito eleitoral e complicando por demais os
				planos da aliança Madres/Kirchner. Maurício Macri torna-se presidente em dezembro de
				2015, e esse será o cenário que as Madres terão de vivenciar.</p>
			<p>Teremos, então, uma interrupção dessa política de aproximação entre movimento social
				e governo, e as Madres vão se posicionar contra o governo Macri. Assim, o governo de
				Maurício Macri também terá uma postura de interferência política no Instituto
				Universitário Nacional de Direitos Humanos Madres de Plaza de Mayo.</p>
			<p>A conjuntura política muda e os próximos quatro anos de governo serão difíceis para
				as Madres e para a educação na Argentina. A agenda de reformas neoliberais<sup><xref
						ref-type="fn" rid="fn19">19</xref></sup> irá se impor como forma de
				subserviência deste governo aos organismos, internacionais, a exemplo do Fundo
				Monetário Internacional (FMI), Banco Mundial e Organização Mundial do Comércio
				(OMC), que projetam essas reformas para os países subalternizados politicamente. A
				vitória de Maurício Macri em 2015 na Argentina, apontava para o fortalecimento dessa
				agenda de exclusão a partir das reformas propostas pelo neoliberalismo. Esse
				contexto tornava duvidoso o futuro do Instituto Universitário Nacional de Direitos
				Humanos Madres de Plaza de Mayo.</p>
		</sec>
		<sec>
			<title>A apropriação do Instituto das Madres pelo governo Macri: O fim ou o começo de
				uma outra história?</title>
			<p>O governo Macri foi danoso para a educação. A política neoliberal de ajuste nas
				contas públicas, e cortes no ensino básico e nas universidades públicas, vai
				produzir greves e manifestações contra o governo em todo o país desde o começo do
				seu mandato. A atitude do governo de Maurício Macri não seria diferente com o
				Instituto Universitário Nacional de Direitos Humanos Madres de Plaza de Mayo e, em
				2017, consolida sua investida contra o Instituto, promovendo uma intervenção
				político pedagógica que culmina com a saída do reitor.</p>
			<disp-quote>
				<p>A tomada começou na noite de 12 de junho, horas depois que o Ministério da
					Justiça notificou o então reitor da IUNMA, Germán Ibañez, que seria substituído
					por um reitor normalizador, o juiz contra-ordenador Javier Buján, que teve que
					abandonar a intervenção do Inadi, onde havia imposto um severo ajuste
					orçamentário que incluía demissões e encerramentos de programas. (<xref
						ref-type="bibr" rid="B4">Diaz, 2017</xref>, p.01, tradução nossa)</p>
			</disp-quote>
			<p>Desde então, a situação no IUNMA foi se complicando, as aulas sendo ministradas em
				salas improvisadas em espaços doados por organizações sociais e sindicatos,
				impondo-se uma política de cortes salariais e de orçamento pelo governo nacional,
				acrescentou o oficial. Esse tipo de política compromete o trabalho do Instituto e o
				legado das Mães da Praça de Maio, que viabilizou essa ideia de uma educação pública,
				de qualidade e comprometida com o desenvolvimento social. Para os estudantes e
				ex-estudantes que estão na luta do movimento estudantil, mesmo com as mudanças
				promovidas pelo governo, os professores e educandos devem lutar para manter o legado
				das Madres de Plaza de Mayo.</p>
			<disp-quote>
				<p><italic>Antes da troca do governo, não percebemos nenhuma mudança na vida
						universitária, pois tínhamos os mesmos professores, funcionários, mas as
						Mães nesse momento tinham se afastado da universidade, mas a presidenta
						honorária continua sendo Hebe de Bonafini, pra gente que é estudante,
						continua sendo Hebe de Bonafini, a gente continua ligado às Madres, faz
						parte da nossa formação de base, nossa formação além de acadêmica, formação
						moral. O que aconteceu é que nesse momento a universidade já ganhou vida
						própria como qualquer universidade autônoma, mas tendo como reitora moral e
						política as Madres e ainda para os estudantes continua sendo assim, não tem
						nada a ver com o fato de que, o atual reitor da universidade opera a
						política dos Macri que perseguem politicamente às Madres, inclusive
						acionando a Justiça. Agora, o que fazemos nós que estudamos, que estamos lá
						no Instituto? Nós escolhemos continuar brigando, continuar lutando.
						(Dubinsky, entrevista gravada, 2019)</italic><sup><xref ref-type="fn"
							rid="fn20">20</xref></sup></p>
			</disp-quote>
			<p>Para o movimento estudantil, as Madres continuam sendo a referência moral e política
				do Instituto, mesmo com o seu afastamento. A luta por dentro da instituição é a ação
				política concreta dos estudantes os quais acreditam que não devem perder de vista os
				princípios históricos das Madres que são: luta por direitos humanos e democratização
				da sociedade argentina.</p>
			<disp-quote>
				<p><italic>É preciso pensar os direitos humanos, a partir da história de resistência
						das Madres e da ideia de criar uma universidade de grande resistência. A
						luta das Madres é de mais de quarenta anos e num momento muito difícil da
						história argentina, no período da ditadura militar. Hoje, estamos vivendo um
						período de transição na Argentina e também no Brasil, nós que chegamos na
						universidade, somos parte do tecido social e popular da Argentina e, por
						isso, a universidade deve ser um espaço de luta e resistência. Lutamos para
						conservar o espírito da universidade, sua proposta pedagógica, pois no atual
						momento estão fazendo intervenções em todas os cursos, sobretudo no curso de
						Trabalho Social, tentando retirar a perspectiva crítica da nossa formação,
						mas temos que resistir. (Gastón, entrevista gravada,
							2019)</italic><sup><xref ref-type="fn" rid="fn21">21</xref></sup></p>
			</disp-quote>
			<p>A luta pela preservação do legado político-pedagógico das Madres é reiterada por
				Dubinsky e Gastón, que estão na militância do Centro de Estudantes do Instituto
				Universitário Nacional de Direitos Humanos Madres de Plaza de Mayo (Ceiunma). Mas,
				enquanto os estudantes defendem essa posição de disputar posição por dentro do
				Instituto, as Madres defendem outra posição política, e entendem que a melhor ação
				seria o afastamento do Instituto. Bonafini entende que não há mais nada a fazer,
				pois o Instituto foi completamente tomado pelas forças opressoras de Maurício Macri.
				As Madres ficaram muito machucadas com tudo que foi feito no Instituto, no projeto
				que elas pensavam ser uma proposta de Universidade Nacional que disputaria uma
				concepção de ensino superior em todo país.</p>
			<p>Bonafini (2019) afirma, em entrevista, que não há mais possibilidade de atuação no
				Instituto e, diferentemente dos militantes do movimento estudantil, resolvem seguir
				por outros caminhos. As Madres passam a desenvolver outros trabalhos de educação na
				própria Associação com apoio de intelectuais e políticos próximos. A ação das
				Madres, mesmo com a apropriação do Instituto pelo governo Macri, não parou de
				acontecer.</p>
			<disp-quote>
				<p><italic>Hoje estamos fazendo cursos de filosofia e cursos de pós-graduação em
						torno da área de medicina e medicamentos, com o ex-ministro de Cristina.
						Fazemos pequenos cursos de educação popular, fazemos muitos livros, revistas
						também, e sempre trabalhamos com a comunicação, na praça temos um programa
						de televisão que tem onze anos já aos sábados pela manhã. Estamos aí
						lutando. (Bonafini, entrevista gravada, 2019)</italic><sup><xref
							ref-type="fn" rid="fn22">22</xref></sup></p>
			</disp-quote>
			<p>As Madres seguem na luta, mas desistiram do Instituto e, de acordo com Paz (2019), a
				percepção sobre essa posição política está tão bem definida que “as atividades
				educacionais das Madres ainda estão sendo organizadas após a perda da Universidade
				devido à administração do governo Macri, que praticamente a quebrou” (Paz,
						2019)<sup><xref ref-type="fn" rid="fn23">23</xref></sup>.</p>
			<p>Para Paz (2019), que fala a partir de uma concepção desenvolvida na Associação das
				Madres de Plaza de Mayo, a universidade foi destruída pelo governo de Maurício Macri
				e, por isso, era preciso buscar e construir outras ações. A Universidade Popular, na
				fala de Dubisnky (2019), tem uma presença grande de pessoas da classe trabalhadora
				ou trabalhadores, isso reforça o caráter popular da instituição. Outro elemento é a
				forma que as Madres criaram para integrar pessoas na Universidade que não tinham o
				ensino secundário e como o governo Macri começa a alterar essa política, quando
				promove uma série de intervenções no Instituto, como: a) nomeação de um outro
				reitor; b) corte de gastos; c) atraso de salários e demissão de professores; d)
				revisão do currículo baseado (desde a sua fundação em 1999) nos direitos
				humanos.</p>
			<p>Além de todas essas ações, o governo Macri autorizou invasão na Fundação das Madres
				com o intuito de processar e prender Hebe de Bonafini, e o Secretário de Direitos
				Humanos (à época) Claudio Avruj, disse que não havia 30.000 pessoas desaparecidas
				durante a ditadura civil-militar de 1976-83. Esse governo tentou negar a história e
				buscou uma mudança na política de direitos humanos. Terminado o processo eleitoral
				que culminou com a vitória de Alberto Fernández, é interessante discutir com
				professores, estudantes e as próprias Madres sobre a retomada da influência no
				Instituto Universitário Nacional de Direitos Humanos. A tese do Centro de Estudantes
				(CEIUNMa), de resistir por dentro do Instituto e não abrir mão do legado das Madres
				de Plaza de Mayo, surtiu efeito, pois o primeiro obstáculo, o governo Macri, foi
				derrotado.</p>
			<p>Sobre a retomada do Instituto Universitário Nacional de Direitos Humanos pelas Madres
				de Plaza de Mayo, Catroppi (2019) informa que:</p>
			<disp-quote>
				<p><italic>É possível que as Mães voltem a patrocinar politicamente o Instituto,
						talvez seja mais um desejo dos alunos que isso ocorra novamente, uma vez
						que, na realidade, elas não têm muito interesse em que isso aconteça, elas
						expressaram sua intenção de não voltar ao instituto depois do que aconteceu
						nos últimos anos. Mas estamos na expectativa de que nossos companheiros, que
						agora são funcionários públicos, possam persuadi-las e
						convencê-las.</italic> (Catroppi, entrevista via e-mail, 2020)<sup><xref
							ref-type="fn" rid="fn23">24</xref></sup>.</p>
			</disp-quote>
			<p>As Madres ficaram muito magoadas com tudo que foi feito com elas durante a gestão
				Macri. Em entrevista, Paz (2019), uma das colaboradoras da Associação, disse que as
				Madres foram desrespeitadas e que seria muito difícil retornar para o Instituto.
				Essa posição reforça a informação apresentada por Catroppi, que as Madres
				praticamente perderam o interesse pelo Instituto e que os professores, estudantes e
				funcionários da instituição terão um papel importante para convencê-las da
				necessidade histórica de retomada da relação entre mães e filhos.</p>
			<p>Catroppi (2020) também informa que a vitória e a posse de Alberto Fernández na
				presidência argentina podem modificar o cenário político pedagógico do Instituto
				Nacional de Direitos Humanos Madres de Plaza de Mayo. A mudança política na
				Argentina, com reestabelecimento do Peronismo, barrou o projeto da direita
				neoliberal que estava deteriorando as políticas públicas do país e comprometendo,
				principalmente, a educação. A vitória de Alberto Fernnadez (2019-2023) para
				presidência começa a restabelecer o diálogo com a Madres da Praça de Maio e em 2023,
				o Senado e a Câmara dos Deputados da Nação Argentina, reunidos no Congresso, aprovam
				a Lei 27.731 que cria a Universidade Nacional das Madres de Plaza de Mayo, com sede
				na Cidade Autônoma de Buenos Aires (CABA), sendo constituída com base no atual
				Instituto Universitário Nacional de Direitos Humanos, Madres de Plaza de Mayo.</p>
		</sec>
		<sec>
			<title>Universidade Nacional de Madres de Plaza de Mayo e os novos desafios</title>
			<p>A transição do Instituto para Universidade Nacional das Madres de Plaza de Mayo não
				será meramente formal, esse processo contribui para proteger a instituição de ensino
				superior, fundada pelas Mães da Praça de Maio, dos ataques que possam ser feitos por
				governos negacionistas e inimigos dos interesses populares. A Lei 27.731 que cria a
				Universidade Nacional das Madres de Plaza de Mayo proporcionará à Universidade
				maiores graus de autonomia acadêmica, funcional e orçamentária. Este novo momento
				reaproxima e homenageia a rica e única experiência de luta da Associação Mães da
				Praça de Maio, para que possa ser objeto de estudo e, essencialmente, motivo de
				orgulho e inspiração para futuras lutas populares argentinas. É bom salientar que as
				formações permanecem como no instituto, Advocacia, Licenciatura em Trabalho Social,
				Licenciatura e Bacharelado em História, Licenciatura em Comunicação e Licenciatura
				em Ciência Política.</p>
			<p>Durante o governo de Alberto Fernandez (2019-2023) esse projeto foi se fortalecendo
				até a aprovação da lei e a consolidação da Universidade Nacional. Após mais uma
				derrota do peronismo para a extrema direita de Javier Milei, a perseguição aos
				movimentos sociais e universidades é retomado. O povo argentino foi para as ruas em
				abril de 2024 para questionar o boicote do governo Milei a educação, a Marcha
				Nacional Pela Educação mobilizou grande parte da sociedade e a Universidade Nacional
				da Madres de Plaza de Matyo, lançou o abaixo assinado em solidariedade ao movimento
				e pela garantia de recursos para educação.</p>
			<disp-quote>
				<p>O sistema universitário público argentino é objeto de um ataque sem precedentes
					na história democrática argentina. O governo do presidente Javier Milei submete
					as universidades à asfixia orçamentária ficando quase à beira do fechamento;
					enquanto questiona sua orientação acadêmica, cultural e social e agride e
					desacredita ao conjunto da comunidade universitária e científica do país. Esta
					política, foi massivamente repudiada pela sociedade argentina no dia 23 de abril
					de 2024, dia em que se realizou a Marcha Nacional Educativa e mais de um milhão
					de cidadãs e cidadãos se manifestaram no país todo em defesa da educação
					pública, gratuita, democrática e de qualidade e do sistema científico argentino,
					internacionalmente reconhecido pela qualidade e seriedade de suas contribuições
					e desenvolvimentos. (UNMA, 2024, p. 01)<sup><xref ref-type="fn" rid="fn24"
							>25</xref></sup></p>
			</disp-quote>
			<p>O momento atual é de muita luta e o papel da universidade nacional é participar e
				organizar essa resistência contra esse governo de extrema direita que tenta submeter
				o povo às suas insanidades. As Madres da Praça de Maio, que lutaram contra a
				ditadura (1976-83), tornam-se referências para a luta pelos direitos humanos e pela
				democracia. Atualmente, junto com a Universidade Nacional, lutam por educação
				popular, pública e de qualidade, que tem sido negada pelo anarco-facismo-capitalismo
				de Javier Milei.</p>
		</sec>
		<sec sec-type="results">
			<title>Resultados</title>
			<p>Tive a alegria de ter conhecido as Madres de Plaza de Mayo e os Hermanos da
				Universidade Nacional e tendo percebido que o Brasil é parte importante da América
				Latina, da América do Sul, precisamos entender a importância dessa condição. Nós não
				estamos fora da América Latina, mas, às vezes, parece que não fazemos parte
				dela.</p>
			<p>É preciso fortalecer esses vínculos de irmandade. Nesse sentido, a Universidade do
				Estado da Bahia, através do Programa de Pós- Graduação em Educação e
				Contemporaneidade (PPGEDUC) e do grupo Pensamento e Contemporaneidade, coordenado
				pelo Professor- Doutor Luciano Santos, busca promover um processo de intercambiação
				político-pedagógica com a Universidade Nacional das Madres de Plaza de Mayo, e
				também com a Associação das Madres, para a construção de atividades de pesquisa e de
				formação entre estudantes, professores e artistas.</p>
			<p>Em novembro de 2023, recebemos a visita de Gaston Catroppi, ex-dirigente do movimento
				estudantil na Universidade Nacional e atualmente licenciado em Trabalho Social.
				Durante a estadia de Gaston, fizemos um encontro com os integrantes do grupo de
				estudos Pensamento e Contemporaneidade, os professores Stella Rodrigues, Luciano
				Santos e Flavio Novaes da SERINT (Secretaria Especial de Relações Internacionais).
				Esse encontro criou um grupo de trabalho para consolidar uma parceria entre a
				Universidade do Estado da Bahia (UNEB) e a Universidade Nacional das Madres de Praça
				de Maio (UNMA). A partir dessa iniciativa, vamos fortalecer a ideia de estimular a
				criação de universidades populares na América latina.</p>
			<p>A criação dessa parceria projeta um aprendizado sobre a Educação e América Latina,
				assim teremos um momento para discutir questões de interesse sobre educação popular
				e contemporaneidade. A pesquisa não encerra o assunto e nem poderia. Este artigo tem
				o interesse de estimular mais estudos sobre o tema e apoiar todas as iniciativas de
				construção de universidades populares na América Latina. Essas experiências são
				viáveis, ambientalmente saudáveis, politicamente possíveis. Esperamos que os
				movimentos sociais e aqueles que sonham com um outro mundo mais solidário, mais
				humano, possam “arregaçar as mangas” e acreditar na viabilização desses espaços,
				desses encontros, dessa alternativa de educação popular para encarar o futuro, fazer
				frente a esse tempo de avanço do ódio, da intolerância, de posições neofascistas em
				várias partes do mundo.</p>
			<p>As Universidades Populares são possibilidades para se pensar e fazer uma outra
				universidade, uma educação do encontro, da partilha, do aconselhamento, das trocas
				de experiências, da avaliação e autoavaliação, da democracia e da ética como
				princípios, do respeito incondicional às escolhas e opções do outro. A Universidade
				Popular é a potência necessária para organizar as lutas dos excluídos na cidade e no
				campo, dos afrodescendentes, indígenas, mulheres, comunidades LGBTQIAPN+, das
				pessoas com deficiências, dos idosos, dos “Condenados da Terra”, como discute <xref
					ref-type="bibr" rid="B7">Fanon (1979)</xref> em sua obra, fundamental para
				entender os efeitos devastadores da colonização.</p>
			<p>Para <xref ref-type="bibr" rid="B7">Fanon (1979</xref>, p. 172), “cada geração deve,
				numa relativa opacidade, descobrir sua missão, executá-la ou traí-la.” Digo que,
				nesse momento histórico tão difuso, híbrido, difícil, nossa missão é criar e
				estimular o surgimento de Universidades Populares. Façamos, então, o que o tempo
				histórico exige e: “atenção, tudo é perigoso, tudo é divino maravilhoso, atenção
				para o refrão: é preciso estar atento e forte, não temos tempo de temer a morte”.
				(VELOSO, 1969). Sejamos resistência sempre! Salve as Madres de Plaza de Mayo, salve
				a Universidade Popular, salve a América Latina.</p>
		</sec>
		<sec sec-type="conclusions">
			<title>Considerações finais</title>
			<p>O exemplo da Escola Nacional Florestan Fernandes (ENFF) nos estimula a pensar a
				criação de Universidades Populares no Brasil. A Escola Nacional Florestan Fernandes,
				idealizada pelo Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), é uma
				instituição de ensino voltada para formação acadêmica, técnica e política dos
				trabalhadores do campo, daqueles que nasceram nas terras que cultivam, que amam, que
				têm uma ligação profunda de amor ao seu povo e seu lugar. Essa escola criada em 2005
				é uma das grandes referências para se pensar a proliferação de Universidades
				Populares no Brasil. É preciso converter espaços de formação técnica, acadêmica,
				artística, esportiva, cultural, em Universidades Populares, em lugares de
				valorização da experiência, do sentido da vida do povo.</p>
			<p>Durante décadas, os movimentos sociais, aqueles diretamente ligados à educação,
				organizaram-se através da criação de escolas comunitárias, cursos técnicos e, na
				década de 1990, chegaram os cursos pré-vestibulares que eficazmente promoveram a
				entrada de estudantes de escolas públicas em diversas universidades brasileiras e
				estrangeiras. Os cursos pré-vestibulares comunitários vão pressionar positivamente
				para a consolidação da política de cotas que enegrece lindamente as universidades e
				faculdades desse país. Sem os cursinhos pré-vestibulares e a política de cotas, não
				teríamos hoje uma transformação étnico-racial-social e política do ensino superior.
				A universidade começa a ser diversa, pois houve um aumento significativo da presença
				dos afrodescendentes, indígenas, mulheres, gays, lésbicas, travestis, transexuais e
				assexuais. Enfim, a universidade do século XXI é mais diversa e plural do que no
				passado, e a luta dos movimentos sociais foi decisiva para mudar esse quadro.</p>
			<p>Estamos falando de uma política que começa no início dos anos 1990 do século XX e,
				depois de trinta anos, percebemos as transformações desse processo para a classe
				popular. Agora chegou a hora das Universidades Populares! As experiências, saberes e
				fazeres dos movimentos sociais, culturais, religiosos, artísticos desse país,
				precisam “subir o sarrafo”, ou seja, elevar o patamar das suas experiências e
				reconhecer a importância das suas ações históricas que contribuem, sobremaneira,
				para a construção de valores e práticas humanitárias nas periferias do Brasil.</p>
			<p>As Universidades Populares já estão por aí e fazem a diferença com música, poesia,
				teatro, artes plásticas, cursos técnicos, de artesanato, escolinhas de futebol,
				educação ambiental, cursos pré-vestibulares, quilombos educacionais (exclusividade
				da Bahia esta nomenclatura, motivada pela relação com a história de nossas
				comunidades advindas de quilombos históricos), escolas comunitárias, museus de arte
				popular, entre outras iniciativas, que tornam a periferia um espaço privilegiado de
				produção de conhecimento e socialização de saberes, o que Boaventura de Souza <xref
					ref-type="bibr" rid="B21">Santos (2010)</xref> chama de Ecologia dos Saberes e o
				mestre Paulo Freire intitulou de Educação Popular, Pedagogia do Oprimido (2015) que,
				aos poucos, transformase em Pedagogia da Esperança (1992), Pedagogia da Autonomia
				(1996) e que podemos “renomear” como Universidade dos Saberes e Experiências
				Populares, universidade viva que lida com o sentido da existência das pessoas,
				universidade da práxis de Marx<sup><xref ref-type="fn" rid="fn25">26</xref></sup>
				(2004) e Vásquez (<xref ref-type="bibr" rid="B27">2011</xref>), da luta por
				hegemonia em <xref ref-type="bibr" rid="B12">Gramsci (2002)</xref> ou contra
						hegemonia<sup><xref ref-type="fn" rid="fn26">27</xref></sup>/outra
						hegemonia<sup><xref ref-type="fn" rid="fn27">28</xref></sup>/hegemonia
						alternativa<sup><xref ref-type="fn" rid="fn28">29</xref></sup>, conceitos
				citados por <xref ref-type="bibr" rid="B18">Rebuá (2015)</xref> em sua tese.</p>
			<p>Necessitamos de uma universidade que globaliza a cultura, globaliza humanidade (<xref
					ref-type="bibr" rid="B22">SANTOS, 2002</xref>), universidade transmoderna (<xref
					ref-type="bibr" rid="B6">DUSSEL, 2016</xref>), aliás, uma pluriversidade, o
				lugar da interculturalidade, entre o povo e a academia, das relações entre o que se
				convencionou chamar de “clássico” e o que convencionalmente chamamos de
				“popular”.</p>
			<p>Esse popular é o lugar do saber profundo, fecundo, citado por Luciano <xref
					ref-type="bibr" rid="B24">Santos (2013)</xref>, o lugar dos movimentos sociais e
				não do banditismo social, nas palavras de Antônio Dias <xref ref-type="bibr"
					rid="B16">Nascimento (2019)</xref>, o lugar da experiência no sentido mais
				benjaminiano (<xref ref-type="bibr" rid="B19">Rebuá, 2020</xref>), o lugar das
				narrativas, da memória, da autobiografia de Elizeu Souza (<xref ref-type="bibr"
					rid="B26">2016</xref>), o lugar, também, do Barroco de Stella <xref
					ref-type="bibr" rid="B20">Rodrigues (2019)</xref>, pois todas as concepções,
				escolas, correntes artísticas/literárias/existenciais precisam ser conhecidas. A
				Universidade dos Saberes e Experiências Populares é a transição necessária que
				muitos movimentos sociais precisam fazer para ampliar suas lutas no século XXI.
				Converter e reconhecer experiências educativas, culturais, ambientais, que estão
				presentes nas comunidades, em universidades populares, talvez seja, no momento
				contemporâneo das lutas dos povos, das classes trabalhadoras ou que vivem do
				trabalho (Antunes, 2020), uma reoxigenação das mobilizações populares por melhores
				condições de vida.</p>
			<p>Como exemplo desses espaços que são potenciais universidades populares, temos o
				Acervo da Laje, o Quilombo do Orobu e o Sarau da Onça. Essas três instituições, cada
				uma com sua atividade específica, fazem um trabalho que recupera o sentido do
				popular, a história do povo e do seu lugar. O Acervo da Laje é um espaço de memória
				artística, cultural e de pesquisa sobre o Subúrbio Ferroviário de Salvador, que
				surgiu em 2010, fruto de pesquisas sobre a arte invisível dos trabalhadores da
				beleza nas periferias de Salvador, realizadas pelo professor José Eduardo Ferreira
				Santos, em parceria com o fotógrafo Marco Illuminati. A partir dessa experiência,
				José Eduardo e sua companheira Wilma Santos fundam o Acervo da Laje, que se
				caracteriza por ser uma casa-museu-escola.</p>
			<p>O Acervo oferece arte e educação para a comunidade do Subúrbio Ferroviário de
				Salvador, uma das regiões mais populosas da cidade. O espaço de arte popular atrai
				artistas, intelectuais, instituições educacionais públicas e privadas, e promove um
				trabalho de formação de público com crianças, jovens, adultos da comunidade e de
				outras localidades, para a percepção estética, para compreender a importância dos
				bens culturais para a vida. O curso Pré-Vestibular Quilombo do Orobu, localizado no
				bairro de Cajazeiras V, foi fundado em 1999. Os jovens daquela região que
				protagonizam essa ação, eram oriundos da Pastoral da Juventude do Meio Popular
				(PJMP), uma pastoral ligada aos valores da Teologia da Libertação, às Comunidades
				Eclesiais de Bases (CEB’s), e tinham tido experiência no movimento estudantil, a
				exemplo de um dos seus fundadores, o professor/historiador Jailton Aleluia. Outra
				influência foi a presença de alguns membros desse grupo que foram estudantes do
				Steve Biko<sup><xref ref-type="fn" rid="fn29">30</xref></sup>, uma cooperativa
				educacional (hoje Instituto) que surge em 1992, sendo o primeiro curso
				pré-vestibular comunitário em Salvador e considerado, também, o primeiro de quilombo
				educacional da cidade. O Quilombo Educacional do Orobu se baseia numa pedagogia que
				busca a inserção desses jovens na universidade, sobretudo pública, e fortalece os
				princípios da educação popular, do acesso a cidadania e da valorização da
				consciência negra (Santos, 2018).</p>
			<p>O Sarau da Onça surgiu em maio de 2011, desenvolvendo atividades culturais no bairro
				de Sussuarana (também a partir da experiência de jovens advindos da PJMP).
				Inicialmente teve como objetivo desestigmatizar o bairro, retirando-o das páginas
				policiais para ascendê-los nas páginas culturais. O nome Sussuarana é de uma espécie
				de onça, por isso o nome deste sarau. O Sarau da Onça é um espaço de encontro e
				formação crítica dos jovens, a partir da poesia. Uma das palavras de ordem do Sarau
				é “a poesia cria asas”. Essa mensagem prevalece e ressignifica a ação dos jovens na
				periferia. O Sarau da Onça, também incentiva a criação de Saraus em outros bairros,
				realiza oficinas de escrita, dança e teatro e, recentemente, tem promovido debates
				com temas como Feminismo Negro, Extermínio da Juventude Negra, Depressão e
				Suicídio.</p>
			<p>Esses exemplos apresentados demonstram que a força transformadora dessas instituições
				e a presença delas na periferia são um contraponto para a realidade que o poder
				hegemônico tenta impor para essas localidades. Tenta a todo momento impor,
				sobretudo, através da mídia sensacionalista, uma percepção negativa da periferia,
				onde a violência seria a carteira de identidade desses locais.</p>
			<p>É preciso se apropriar do termo Universidade, dando-lhe um caráter popular,
				temperando esse conceito e trazendo as práticas de aprendizagem e formação
				historicamente desenvolvidas na periferia, para essa concepção de conhecimento. A
				universidade é nossa, somos saberes e fazeres e, nesse sentido, é urgente converter
				e reconhecer essas experiências que contribuem para o fortalecimento da cidadania e
				da identidade de classe nas comunidades. A criação de Universidades Populares na
				sociedade brasileira, tendo os movimentos sociais como aliados, pode e deve ser uma
				grande conquista para recuperar o potencial de organização dessas instituições. A
				Universidade Nacional das Madres de Plaza de Mayo, a Escola Nacional Florestan
				Fernandes e várias outras iniciativas citadas neste trabalho comprovam que o caminho
				para reestruturar a capacidade política dos movimentos sociais na América Latina
				passa por atitudes ousadas como essas. Salve a Universidade Popular!</p>
		</sec>
	</body>
	<back>
		<fn-group>
			<fn fn-type="other" id="fn1">
				<label>1</label>
				<p> Texto revisado e normalizado por Erivelton Nonato de Santana: Professor Titular
					da Universidade do Estado da Bahia. Doutor em Letras Vernáculas (UFBA).</p>
			</fn>
			<fn fn-type="other" id="fn2">
				<label>2</label>
				<p> Parecer: 3.255.059: Após a avaliação ética com vista à Resolução 466/12 CNS/MS o
					CEP/UNEB considera o projeto como APROVADO para execução, tendo em vista que
					apresenta benefícios potenciais a serem gerados com sua aplicação e representa
					risco mínimo aos participantes, respeitando os princípios da autonomia, da
					beneficência, não maleficência, justiça e equidade.</p>
			</fn>
			<fn fn-type="other" id="fn3">
				<label>3</label>
				<p> Este artigo é parte da tese de Doutorado pelo Programa de Educação e
					Contemporaneidade (PPGEduC) da Universidade do Estado da Bahia, intitulada: “La
					Calle, La Plaza, La Palabra”: Educação Popular, Contemporaneidade e Experiência
					da Universidade das Madres de La Plaza de Mayo, e, também, da continuidade do
					diálogo entre Universidade do Estado da Bahia e a Universidade Nacional das
					Madres.</p>
			</fn>
			<fn fn-type="other" id="fn4">
				<label>4</label>
				<p> Texto traduzido durante pesquisa de campo em 2019.</p>
			</fn>
			<fn fn-type="other" id="fn5">
				<label>5</label>
				<p> Para <xref ref-type="bibr" rid="B18">Rebuá (2015)</xref>, essa aproximação
					política das Madres de Plaza de Mayo com os governos Kirchners (Cristina e
					Néstor), ao mesmo tempo que possibilita benefícios para as Madres, com a
					autorização de funcionamento da universidade popular, arrefece as críticas a
					esses governos e essa postura política, também, acontece no Brasil com o
					Movimento dos Trabalhadores Sem Terra e o apoio do governo Lula para a Escola
					Florestan Fernandes.</p>
			</fn>
			<fn fn-type="other" id="fn6">
				<label>6</label>
				<p> Texto traduzido durante pesquisa de campo em 2019.</p>
			</fn>
			<fn fn-type="other" id="fn7">
				<label>7</label>
				<p> Texto traduzido durante pesquisa de campo em 2019.</p>
			</fn>
			<fn fn-type="other" id="fn8">
				<label>8</label>
				<p> Tradução entrevista gravada, pesquisa de campo 2019.</p>
			</fn>
			<fn fn-type="other" id="fn9">
				<label>9</label>
				<p> Tradução entrevista filmada, pesquisa de campo, 2019.</p>
			</fn>
			<fn fn-type="other" id="fn10">
				<label>10</label>
				<p> Ver <xref ref-type="bibr" rid="B18">Rebuá (2015</xref>, p.307).</p>
			</fn>
			<fn fn-type="other" id="fn11">
				<label>11</label>
				<p> Um dia, estávamos numa reunião das Mães, quando Hebe disse entusiasmada: Madres,
					o que lhes parece se abrirmos uma universidade? Outras disseram: que
					barbaridade, como vamos abrir uma universidade se a maioria de nós não temos
					diploma universitário? Foi quando de forma surpreendente Hebe disse: nós
					seríamos o coração da universidade, vamos buscar gente qualificada para fazer o
					projeto andar. Conversamos e pensamos muito nessa ideia, muitas achavam uma
					ideia louca, mas embarcamos na loucura de Hebe e começamos a discutir a criação
					da Universidade das Madres que pudesse ser crítica e emancipadora. A
					universidade nasce dessa forma. (MADRE, entrevista impressa, 2020).</p>
			</fn>
			<fn fn-type="other" id="fn12">
				<label>12</label>
				<p> Tradução entrevista pesquisa de campo, 2019.</p>
			</fn>
			<fn fn-type="other" id="fn13">
				<label>13</label>
				<p> Tradução entrevista pesquisa de campo, 2019.</p>
			</fn>
			<fn fn-type="other" id="fn14">
				<label>14</label>
				<p> Tradução entrevista pesquisa de campo, 2019.</p>
			</fn>
			<fn fn-type="other" id="fn15">
				<label>15</label>
				<p> Nossa colaboradora prefere manter sigilo do seu nome por conta do desgaste
					criado em torno da perda de influência das Madres no Instituto Nacional
					Universitário de Direitos Humanos.</p>
			</fn>
			<fn fn-type="other" id="fn16">
				<label>16</label>
				<p> Tradução entrevista pesquisa de campo, 2019.</p>
			</fn>
			<fn fn-type="other" id="fn17">
				<label>17</label>
				<p> Tradução entrevista pesquisa de campo, 2019.</p>
			</fn>
			<fn fn-type="other" id="fn18">
				<label>18</label>
				<p> Tradução entrevista pesquisa de campo 2019.</p>
			</fn>
			<fn fn-type="other" id="fn19">
				<label>19</label>
				<p> “O presidente da Argentina, Mauricio Macri, assumiu o posto em dezembro de 2015
					prometendo trazer o liberalismo de volta à Argentina, e cumpriu. A crise está de
					volta e o FMI também. A eleição de Macri veio em reação aos 12 anos dos governos
					peronistas de Néstor e Cristina Kirchner, defensores de políticas nacionalistas
					e desenvolvimentistas com protagonismo do Estado argentino entre 2003 e 2015”.
					(Cardia, 2019, p. 01).</p>
			</fn>
			<fn fn-type="other" id="fn20">
				<label>20</label>
				<p> Tradução entrevista pesquisa de campo, 2019.</p>
			</fn>
			<fn fn-type="other" id="fn21">
				<label>21</label>
				<p> Tradução entrevista pesquisa de campo 2019.</p>
			</fn>
			<fn fn-type="other" id="fn22">
				<label>22</label>
				<p> Tradução entrevista pesquisa de campo 2019. 23 Tradução entrevista pesquisa de
					campo, 2019.</p>
			</fn>
			<fn fn-type="other" id="fn23">
				<label>24</label>
				<p> Tradução entrevista pesquisa de campo, 2020.</p>
			</fn>
			<fn fn-type="other" id="fn24">
				<label>25</label>
				<p> Texto do abaixo-assinado. Ver em: <ext-link ext-link-type="uri"
						xlink:href="https://forms.gle/hxcsh88faf6Nwaas5"
						>https://forms.gle/hxcsh88faf6Nwaas5</ext-link>
				</p>
			</fn>
			<fn fn-type="other" id="fn25">
				<label>26</label>
				<p> Marx entende a práxis como uma atividade eminentemente humana, essa atividade é
					prático-crítica, pois é sensível, subjetiva e consciente para o ser humano. “Os
					filósofos se limitaram a interpretar o mundo de diferentes maneiras; mas o que
					importa é transformá-lo.” (Marx, 2004, p. 120).</p>
			</fn>
			<fn fn-type="other" id="fn26">
				<label>27</label>
				<p> O conceito de contra hegemonia não foi formulado por Gramsci, mas tem sido,
					segundo <xref ref-type="bibr" rid="B18">Rebuá (2015</xref>, p. 42) usado por
					diversos intelectuais como: “os brasileiros Carlos Nelson Coutinho (2007),
					Gaudêncio Frigotto (2010a), Virgínia Fontes (2008), Lúcia Neves (2005), José
					Paulo Netto (2008), Dênis de Moraes (2008), Emir Sader (2004) e os britânicos
					Raymond Williams (1979) e Terry Eagleton (1997), objetivando traduzir/demarcar,
					em termos de luta ideológica e material, um projeto antagônico de classe, em
					relação à hegemonia burguesa.”</p>
			</fn>
			<fn fn-type="other" id="fn27">
				<label>28</label>
				<p> Expressão usada por Semeraro (2009, p. 175) conforme citado por <xref
						ref-type="bibr" rid="B18">Rebuá (2015</xref>, p. 43), que representa
					“interpretações diferentes sobre o conceito de hegemonia em Gramsci”.</p>
			</fn>
			<fn fn-type="other" id="fn28">
				<label>29</label>
				<p> Daniel Campione (2003, p. 53), citado por <xref ref-type="bibr" rid="B18">Rebuá
						(2015</xref>, p.43), utiliza a expressão “hegemonia alternativa” como
					sinônimo de contra hegemonia.</p>
			</fn>
			<fn fn-type="other" id="fn29">
				<label>30</label>
				<p> Maria José Pacheco e Gilmar dos Santos Rodrigues (2008), sendo pioneiros em
					protagonizar o reconhecimento acadêmico da experiência do Pré-Vestibular
					Quilombo do Orobu em seu TCC, justificam a relevância de sua pesquisa, tendo
					como orientador justamente o fundador do Steve Biko e atual vereador da cidade
					de Salvador pelo PSB, Silvio Humberto.</p>
			</fn>
		</fn-group>
		<ref-list>
			<title>RefeRêNCIAs</title>
			<ref id="B1">
				<mixed-citation>ANTUNES, Celso. <bold>“Uberização” do trabalho:</bold> caminhamos
					para a servidão, e isso ainda será um privilégio. São Leopoldo, RS, Instituto
					Humanitas Unisinos, 2019. Disponível em: <ext-link ext-link-type="uri"
						xlink:href="http://www.ihu.unisinos.br/78-noticias/591102-uberizacao-nosleva-para-a-servidao-diz-pesquisador"
						>http://www.ihu.unisinos.br/78-noticias/591102-uberizacao-nosleva-para-a-servidao-diz-pesquisador</ext-link>.
					Acesso: 04/02/2020.</mixed-citation>
				<element-citation publication-type="book">
					<person-group person-group-type="author">
						<name>
							<surname>ANTUNES</surname>
							<given-names>Celso.</given-names>
						</name>
					</person-group>
					<source>“Uberização” do trabalho: caminhamos para a servidão, e isso ainda será
						um privilégio</source>
					<publisher-loc>São Leopoldo, RS</publisher-loc>
					<publisher-name>Instituto Humanitas Unisinos</publisher-name>
					<year>2019</year>
					<comment>Disponível em: <ext-link ext-link-type="uri"
							xlink:href="http://www.ihu.unisinos.br/78-noticias/591102-uberizacao-nosleva-para-a-servidao-diz-pesquisador"
							>http://www.ihu.unisinos.br/78-noticias/591102-uberizacao-nosleva-para-a-servidao-diz-pesquisador</ext-link>
					</comment>
					<date-in-citation>Acesso: 04/02/2020</date-in-citation>
				</element-citation>
			</ref>
			<ref id="B2">
				<mixed-citation>BONAFINI, Hebe de. <bold>Seguir Pariendo:</bold> discursos de Hebe
					de Bonafini 1983-2012. 1ª ed. Ediciones Madres, de Plaza de Mayo, Ciudad
					Autónoma de Buenos Aires, 2013.</mixed-citation>
				<element-citation publication-type="book">
					<person-group person-group-type="author">
						<name>
							<surname>BONAFINI</surname>
							<given-names>Hebe de.</given-names>
						</name>
					</person-group>
					<source>Seguir Pariendo: discursos de Hebe de Bonafini 1983-2012</source>
					<edition>1ª</edition>
					<publisher-name>Ediciones Madres, de Plaza de Mayo</publisher-name>
					<publisher-loc>Ciudad Autónoma de Buenos Aires</publisher-loc>
					<year>2013</year>
				</element-citation>
			</ref>
			<ref id="B3">
				<mixed-citation>BONAFINI, Hebe de <bold>¿Como macio lá Universidade?</bold>,
					Universidade Popular das Madres de Plaza de Maio, Buenos Aires, 2005. Disponível
					em: <ext-link ext-link-type="uri"
						xlink:href="http://www.madres.org/navegar/nav.php?idsitio=2&amp;idcat=237&amp;idindex=73"
						>http://www.madres.org/navegar/nav.php?idsitio=2&amp;idcat=237&amp;idindex=73</ext-link>.
					Acesso: 19/01/2020.</mixed-citation>
				<element-citation publication-type="book">
					<person-group person-group-type="author">
						<name>
							<surname>BONAFINI</surname>
							<given-names>Hebe de</given-names>
						</name>
					</person-group>
					<source>¿Como macio lá Universidade?</source>
					<publisher-name>Universidade Popular das Madres de Plaza de
						Maio</publisher-name>
					<publisher-loc>Buenos Aires</publisher-loc>
					<year>2005</year>
					<comment>Disponível em: <ext-link ext-link-type="uri"
							xlink:href="http://www.madres.org/navegar/nav.php?idsitio=2&amp;idcat=237&amp;idindex=73"
							>http://www.madres.org/navegar/nav.php?idsitio=2&amp;idcat=237&amp;idindex=73</ext-link>
					</comment>
					<date-in-citation>Acesso: 19/01/2020</date-in-citation>
				</element-citation>
			</ref>
			<ref id="B4">
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