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			<journal-id journal-id-type="publisher-id">faeeba</journal-id>
			<journal-title-group>
				<journal-title>Rev. FAEEBA - Ed. e Contemp.</journal-title>
				<abbrev-journal-title abbrev-type="publisher">Rev. FAEEBA - Ed. e
					Contemp.</abbrev-journal-title>
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			<issn pub-type="epub">2358-0194</issn>
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				<publisher-name>Universidade do Estado da Bahia</publisher-name>
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			<article-id pub-id-type="doi"
				>10.21879/faeeba2358-0194.2023.v33.n73.p170-186</article-id>
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				<subj-group subj-group-type="heading">
					<subject>Artigo</subject>
				</subj-group>
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			<title-group>
				<article-title>BRASIL E ITÁLIA: ANÁLISE DOS CONTRIBUTOS DA EDUCAçÃO FÍSICA PARA A
					FORMAçÃO DO PROFESSOR PARA ATUAR NA EDUCAçÃO INFANTIL E NOS ANOS INICIAIS DO
					ENSINO FUNDAMENTAL</article-title>
				<trans-title-group xml:lang="en">
					<trans-title>BRAZIL AND ITALY: ANALYSIS OF THE CONTRIBUTIONS OF PHYSICAL
						EDUCATION IN TEACHER EDUCATION FOR PRESCHOOL AND ELEMENTARY
						SCHOOL</trans-title>
				</trans-title-group>
				<trans-title-group xml:lang="it">
					<trans-title>BRASILE E ITALIA: ANALISI DEL CONTRIBUTO DELLE SCIENCE MOTORIE E
						SPORTIVE NELLA FORMAZIONE DEGLI INSEGNANTI DELLA SCUOLA DELL’INFANZIA E
						DELLA SCUOLA PRIMARIA</trans-title>
				</trans-title-group>
			</title-group>
			<contrib-group>
				<contrib contrib-type="author">
					<contrib-id contrib-id-type="orcid">0000-0003-0610-2641</contrib-id>
					<name>
						<surname>Lazzarotti</surname>
						<given-names>Ari</given-names>
						<suffix>Filho</suffix>
					</name>
					<xref ref-type="aff" rid="aff1"/>
					<bio>
						<p>Professor pesquisador da Faculdade de Educação Física e Dança da
							Universidade Federal de Goiás; Membro do Grupo de Estudos e Pesquisa em
							Esporte, lazer e comunicação; Doutor em Educação Física - UFSC. E-mail:
								<email>lazzarotti@ufg.br</email></p>
					</bio>
				</contrib>
				<contrib contrib-type="author">
					<contrib-id contrib-id-type="orcid">0000-0003-1877-4170</contrib-id>
					<name>
						<surname>Zanotto</surname>
						<given-names>Luana</given-names>
					</name>
					<xref ref-type="aff" rid="aff2"/>
					<bio>
						<p>PProfessora pesquisadora da Faculdade de Educação Física e Dança da
							Universidade Federal de Goiás; Doutora em educação pelo Programa de
							Pós-Graduação em Educação (PPGE/UFSCar); Pesquisadora do Centro de
							Pesquisas da Criança e de Formação de Educadores da Infância
							(CFEI)/CNPq. E-mail: <email>luanazanotto@ufg.br</email></p>
					</bio>
				</contrib>
				<contrib contrib-type="author">
					<contrib-id contrib-id-type="orcid">0000-0002-5103-6236</contrib-id>
					<name>
						<surname>Carraro</surname>
						<given-names>Attilio</given-names>
					</name>
					<xref ref-type="aff" rid="aff3"/>
					<bio>
						<p>Professor titular da Universidade Livre de Bolzano - Itália; Diretor da
							Sociedade Italiana de Ciências Motora e Esportiva; Doutor em educação
							pela UTAD (Universidade de Trás-Os-Montes e Alto Douro), Vila Real,
							Portugal. E-mail: <email>attilio.carraro@ unibz.it</email></p>
					</bio>
				</contrib>
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				<institution content-type="orgname">Universidade Federal de Goiás</institution>
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				<institution content-type="orgname">Universidade Livre de Bolzano</institution>
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			<pub-date date-type="pub" publication-format="electronic">
				<day>01</day>
				<month>05</month>
				<year>2024</year>
			</pub-date>
			<pub-date date-type="collection" publication-format="electronic">
				<season>Jan-Mar</season>
				<year>2024</year>
			</pub-date>
			<volume>33</volume>
			<issue>73</issue>
			<fpage>170</fpage>
			<lpage>186</lpage>
			<history>
				<date date-type="received">
					<day>10</day>
					<month>11</month>
					<year>2023</year>
				</date>
				<date date-type="accepted">
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					<month>12</month>
					<year>2023</year>
				</date>
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				<license license-type="open-access"
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					<license-p>Este é um artigo publicado em acesso aberto (Open Access) sob a
						licença Creative Commons Attribution, que permite uso, distribuição e
						reprodução em qualquer meio, sem restrições desde que o trabalho original
						seja corretamente citado.</license-p>
				</license>
			</permissions>
			<abstract>
				<title>RESUMO</title>
				<p>O objetivo dessa pesquisa foi analisar, sob uma perspectiva comparada, a presença
					dos contributos da Educação Física em dois cursos (brasileiro e italiano) que
					formam professores para atuar na Educação Infantil e nos anos iniciais do Ensino
					Fundamental. A metodologia utilizada foi de estudos comparados sob a unidade de
					análise currículo, de modo a identificar relações de similaridade, diferenças e
					sentidos nos dois cursos estudados. Compuseram o <italic>corpus</italic>
					empírico de análise os documentos brasileiros e italianos correspondentes:
					diretrizes nacionais para a formação de professores; projetos pedagógicos dos
					cursos e os planos de ensino das disciplinas com estreita relação com a Educação
					Física. Como resultado, destaca-se que os contributos da Educação Física estão
					pouco presentes no curso brasileiro e mais frequentes no curso italiano. Isso se
					deve ao número de disciplinas, a quantidade de professores da Educação Física e
					a carga horária dedicada a esses conteúdos. No currículo brasileiro, a
					centralidade está no corpo e na relação com a arte, em específico, a dança; no
					italiano, os temas mais presentes são atividade motora, atividade esportiva e
					jogo de movimento. Quanto às áreas de interface, o currículo brasileiro se
					organiza pela perspectiva sociocultural, enquanto no italiano pela maior
					influência da psicologia do desenvolvimento.</p>
			</abstract>
			<trans-abstract xml:lang="en">
				<title>ABSTRACT</title>
				<p>The objective of this research was to analyze in a comparative perspective the
					presence of Physical Education contributions in two university study programmes,
					in Brasil and in Italy, that educate kindergarten and primary school teachers.
					The methodology used was comparative studies, under the curriculum analysis
					unit, to identify relations of similarity, differences, and meanings in the two
					studied courses. The empirical corpus of analysis was composed of the
					corresponding Brazilian and Italian documents: National Guidelines for teacher
					education; pedagogical projects for courses and teaching plans for disciplines
					closely related to Physical Education. As a result, it is highlighted that
					Physical Education contributions are not very present in the Brazilian course
					and are more frequently represented in the Italian course. This is due to the
					number of disciplines, the number of Physical Education teachers and the
					workload devoted to these specific contents. In the Brazilian curriculum, the
					centrality is in the body-art relationship, in particular dance; in Italy, the
					most common themes are motor activities, sport activities and movement games. As
					for the influence of different scientific areas, the Brazilian curriculum is
					organized according to a socio-cultural perspective, while the Italian one is
					more influenced by developmental psychology.</p>
			</trans-abstract>
			<trans-abstract xml:lang="it">
				<title>RIEPILOGO</title>
				<p>L’obiettivo di questa ricerca era analizzare in una prospettiva comparativa la
					presenza di contributi delle Science Motorie e Sportive in due corsi
					universitari (in Brasile ed in Italia) che preparano gli insegnanti per la
					scuola dell’infanzia e per la scuola primaria. La metodologia utilizzata è stata
					quella degli studi comparativi nell’ambito dell’unità di analisi curriculare,
					dove sono state ricercate relazioni di somiglianza, differenze e significati nei
					due corsi analizzati. Il corpus empirico di analisi era composto da documenti
					brasiliani e italiani equivalenti: Linee Guida Nazionali per la formazione degli
					insegnanti; Regolamento Didattico del Corso di Laurea e
						<italic>Syllabus</italic> delle discipline delle Science Motorie e Sportive.
					Di conseguenza, si evidenzia che gli apporti delle Scienze Motorie e Sportive
					sono poco presenti nel corso brasiliano e più frequenti in quello italiano, ciò
					è dovuto al numero di discipline, al numero di insegnanti di Scienze Motorie e
					Sportive e al carico di lavoro dedicato a questi contenuti. Nel curriculum
					brasiliano il fulcro è costituito dal corpo e dal rapporto con l’arte, in
					particolare la danza; invece, in quello italiano i temi più presenti sono
					l’attività motoria, l’attività sportiva ed i giochi di movimento. Per quanto
					riguarda le aree di influenza scientifica, mentre il curriculum brasiliano è
					organizzato secondo una prospettiva socioculturale, quello italiano è
					caratterizzato dalla maggiore influenza della psicologia dello sviluppo.</p>
			</trans-abstract>
			<kwd-group xml:lang="pt">
				<title>Palavras-chave</title>
				<kwd>Formação de professores</kwd>
				<kwd>Educação Física</kwd>
				<kwd>Currículo</kwd>
			</kwd-group>
			<kwd-group xml:lang="en">
				<title>Keywords</title>
				<kwd>Teacher education</kwd>
				<kwd>Physical education</kwd>
				<kwd>Curriculum</kwd>
			</kwd-group>
			<kwd-group xml:lang="it">
				<title>Parole chiave</title>
				<kwd>Formazione degli insegnanti</kwd>
				<kwd>Scienze motorie</kwd>
				<kwd>Curriculum</kwd>
			</kwd-group>
		</article-meta>
	</front>
	<body>
		<sec sec-type="intro">
			<title>Introdução<sup><xref ref-type="fn" rid="fn4">1</xref></sup></title>
			<p>A formação de professores para atuar na Educação Infantil (EI) e nos anos iniciais do
				Ensino Fundamental,<sup><xref ref-type="fn" rid="fn5">2</xref></sup> no Brasil e na
				Itália, é desenvolvida, em sua maioria, nas Faculdades de Educação. Os temas, com os
				quais a Educação Física (EF) estabelece interface, com a tradição, a experiência e a
				pesquisa dessa área, fazem parte do currículo dos cursos que formam professores.
				Esses temas encontram na EF um <italic>locus</italic> privilegiado no
				desenvolvimento de ações de ensino e de pesquisa, de modo que professores oriundos
				da EF são contratados para atuarem na formação desses professores.</p>
			<p>Do ponto de vista da atuação profissional, no Brasil, a inexistência de uma diretriz
				sobre a obrigatoriedade do professor especialista em determinada área do
				conhecimento, na EI e nos anos iniciais, permite que as redes públicas e privadas de
				ensino decidam, arbitrariamente, pela contratação de professores especialistas, como
				é o caso do professor de EF (<xref ref-type="bibr" rid="B28">Pinho; Grunenvald;
					Gelano, 2016</xref>); enquanto outras, em sua maioria, optam pela manutenção do
				professor de referência de turma, isto é, aquele que permanece a maior parte do
				período escolar com os alunos (<xref ref-type="bibr" rid="B7">Brasil, 2010</xref>) -
				geralmente, com formação em Pedagogia - para o trato das diversas áreas do
				conhecimento, no início da Educação Básica, situação em que se inclui a EF.</p>
			<p>Na Itália, assim como no Brasil, esta situação também tem sido alvo de inúmeras
				discussões. A título de exemplo, a partir de 2022, os professores com formação em EF
				começaram a ser inseridos nos dois últimos anos da Escola Primária (<xref
					ref-type="bibr" rid="B29">Raiola, 2019</xref>)<sup><xref ref-type="fn" rid="fn6"
						>3</xref></sup>. No Brasil, por sua vez, estudos evidenciam que a presença
				deste professor está um pouco mais consolidada, nos anos iniciais, enquanto que na
				EI, sobremaneira, na pré-escola, a sua presença é identificada em poucos municípios
				brasileiros (<xref ref-type="bibr" rid="B21">Martins; Barbosa; Mello, 2018</xref>).
				A discussão acerca da inserção do professor especialista na creche é ainda mais
				contundente, dado que a literatura aponta para a necessidade de busca e de
				entendimento de um lugar da EF neste espaço (<xref ref-type="bibr" rid="B31"
					>Richter; Vaz, 2009</xref>).</p>
			<p>Na tentativa de auxiliar a presente investigação, tendo em vista os conhecimentos
				produzidos a propósito da presença dos conteúdos da EF na formação do professor nos
				dois ciclos de ensino (EI e anos iniciais do Ensino Fundamental), não foram
				encontrados estudos de revisão, nem no Brasil, tampouco na Itália, um indicativo de
				que o tema não desperta tanto o interesse da comunidade acadêmica - provavelmente
				ainda não estão consolidados estudos sobre esse tema.</p>
			<p>Do ponto de vista da produção brasileira sobre os dois ciclos de ensino, sabe-se que
				o interesse pelo estudo da EF na EI decorreu da sua implantação e ampliação, dentre
				outras motivações, a partir da década de 1990, com a promulgação da Lei de
				Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB) (<xref ref-type="bibr" rid="B6"
					>Brasil, 1996</xref>), que estabelece a EI como primeira etapa da Educação
				Básica e, ao mesmo tempo, a EF como componente curricular obrigatório em todas as
				suas etapas. Embora estabelecida como componente curricular obrigatório, <xref
					ref-type="bibr" rid="B27">Pinheiro <italic>et al</italic>., (2018)</xref>,
				dentre tantos outros autores, reconhecem que no âmbito do seu conhecimento e sua
				especificidade, a área ainda está inserida de forma parcial na realidade escolar
				brasileira.</p>
			<p>O estudo de Martins, Barbosa e Melo (2018) identifica que a produção de conhecimento,
				a propósito da formação de professores e EI, começou a ser ampliada a partir dos
				anos 2000 - os estudos de revisão e de análise da produção acadêmico-científica, a
				partir de 2002.</p>
			<p>Diante das discussões a respeito do currículo, <xref ref-type="bibr" rid="B23">Mello
						<italic>et al</italic>., (2016)</xref> demonstram como os documentos
				oficiais, referentes à EI, foram se alterando ao longo dos anos em função dos
				avanços teóricos e políticos. No entendimento dos autores, a noção de criança,
				pautada nos preceitos da Sociologia da Infância, tem contribuído para uma
				organização curricular da EF na EI, desenvolvida também a partir dos princípios da
				Base Nacional Comum Curricular (BNCC) (<xref ref-type="bibr" rid="B8">Brasil,
					2018</xref>), no denominado Campo de experiência corpo, gestos e movimentos.</p>
			<p>Em um estudo mais específico, <xref ref-type="bibr" rid="B36">Sousa, Moura e Antunes
					(2016)</xref> investigaram a percepção dos professores referências da turma
					(<xref ref-type="bibr" rid="B7">Brasil, 2010</xref>), dos primeiros anos do
				Ensino Fundamental. Os autores constataram o desconhecimento desses docentes sobre
				os objetivos e as finalidades da EF na escola. De modo análogo, ao investigarem
				nuances da formação, em cursos de formação de professores, para atuarem na EF, <xref
					ref-type="bibr" rid="B20">Longo e Xavier (2017)</xref> constataram a ausência de
				disciplinas específicas nos currículos e identificaram a percepção de despreparo e
				insegurança dos graduandos para lidar com esse componente curricular.</p>
			<p>Seja na EI ou nos anos iniciais do Ensino Fundamental, no Brasil, assim como na
				Itália, a EF enfrenta dificuldades na concretização de ações no início de
				escolarização, justificadas, dentre outras razões, por confusões e equívocos sobre o
				seu sentido nestas etapas, ora apontando para a recreação, ora para um funcionalismo
				de ocupação do tempo para relaxar e liberar energias e tensões das crianças fora da
				sala de aula (<xref ref-type="bibr" rid="B38">Vaz, 2002</xref>; <xref
					ref-type="bibr" rid="B14">D’Anna, 2020</xref>).</p>
			<p>Tais dificuldades podem ser atribuídas à forte tradição e centralidade dos
				componentes fisiológicos e esportivos, na perspectiva do desempenho e na eficácia do
				movimento, na qual se origina a EF brasileira (<xref ref-type="bibr" rid="B34"
					>Soares, 1996</xref>); de igual modo a italiana (<xref ref-type="bibr" rid="B14"
					>D’Anna, 2020</xref>). No entanto, as especificidades das primeiras etapas da
				Educação Básica, juntamente aos avanços científicos e educacionais sobre a criança,
				em suas dimensões biopsicossociais, têm exigido dos cursos de formação de
				professores um reposicionamento quanto ao papel da EF escolar.</p>
			<p>Mediante tais considerações, a presente pesquisa almejou analisar, sob uma
				perspectiva comparada, a presença dos contributos da Educação Física em dois cursos
				(brasileiro e italiano) que formam professores para atuar na Educação Infantil e nos
				anos iniciais do Ensino Fundamental.</p>
		</sec>
		<sec sec-type="methods">
			<title>Metodologia</title>
			<p>A presente pesquisa se ampara nos estudos comparados a propósito da unidade de
				análise currículo (<xref ref-type="bibr" rid="B10">Bray; Adamson; Mason,
				2015</xref>), como forma de construir as relações possíveis de aproximações,
				distanciamentos e sentidos entre os cursos de formação de professores brasileiro e
				italiano, bem como os contributos da EF para essa formação.</p>
			<p>Os estudos comparados, a partir das condições da contemporaneidade, marcada pela
				globalização, mundialização, migração, crise dos Estados-nação, etc., exigem das
				pesquisas a analogia e a comparação. O próprio processo de conhecimento do outro e
				de si próprio, na troca entre realidades culturais diversas, implica um confronto
				que vai além do mero conhecimento do outro. Implica a comparação de si próprio com
				aquilo que se vê no outro (<xref ref-type="bibr" rid="B15">Franco, 2000</xref>).</p>
			<p>Assumimos os estudos comparados que remetem a <xref ref-type="bibr" rid="B25">Nóvoa
					(2009)</xref>, na perspectiva segundo a qual interpretam e constroem fatos não
				se limitando a descobri-los ou descrevê-los; porquanto respeitam como condição
				primeira o reconhecimento da indissolúvel individualidade do outro. Tais estudos são
				um meio de compreender o outro, sobretudo, o outro que é tão diferente e que olha o
				mundo com outros sentidos e com outras perspectivas.</p>
			<p>Assim, a presente investigação é exploratória em dois contextos distintos: identifica
				suas similaridades e diferenças no encontro de sentidos dos contributos da EF, para
				a formação do professor, a fim de que atue na EI e nos anos iniciais do Ensino
				Fundamental.</p>
			<p>Para delimitar o estudo, dentro da unidade currículo, usamos a caracterização
				desenvolvida por <xref ref-type="bibr" rid="B32">Sacristán (2000)</xref>. O autor
				constrói uma base analítica representativa dos currículos, através de um modelo
				interpretativo em 6 fases ou ciclos, os quais são construídos pelo cruzamento de
				influências e campos de atividades diferenciados e interrelacionados, a saber:
				currículo prescrito; currículo apresentado aos professores; currículo modelado pelos
				professores; currículo em ação; currículo realizado e o avaliado. Nesse estudo,
				abordamos elementos dos três primeiros níveis (<xref ref-type="table" rid="t1"
					>Quadro 1</xref>).</p>
			<table-wrap id="t1">
				<label>Quadro 1</label>
				<caption>
					<title><italic>Corpus</italic> empírico de análise do Brasil e da Itália
						correspondente com o nível do currículo de <xref ref-type="bibr" rid="B32"
							>Sacristán (2000)</xref>
					</title>
				</caption>
				<table>
					<thead>
						<tr>
							<th style="background-color: #C1D7EC;">Nível do currículo</th>
							<th style="background-color:#C1D7EC;"><italic>Corpus</italic> empírico -
								curso brasileiro</th>
							<th style="background-color:#C1D7EC;"><italic>Corpus</italic> empírico -
								curso italiano</th>
						</tr>
					</thead>
					<tbody>
						<tr>
							<td>Currículo prescritto</td>
							<td valign="top">RESOLUCÃO CNE/CP No 2 20 DE DEZEMBRO DE 2019 </td>
							<td valign="top">MIUR - DECRETO n. 249 10 SETTEMBRE 2010 </td>
						</tr>
						<tr>
							<td>Currículo apresentado aos professores</td>
							<td>Projeto Pedagógico de Curso de Pedagogia da Universidade Federal de
								Goiás</td>
							<td valign="top">Regulamento Didático do curso de <break/>Ciências da
								Formação primária da <break/>Faculdade de Ciências da Formação da
								Universidade Livre do Bolzano </td>
						</tr>
						<tr>
							<td valign="top">Currículo moldado pelos professores</td>
							<td valign="top">Planos de cursos das disciplinas obrigatórias e
								optativas</td>
							<td valign="top"><italic>Syllabus</italic> dos(as) módulos/disciplinas
								obrigatórias e optativas</td>
						</tr>
					</tbody>
				</table>
				<table-wrap-foot>
					<attrib><bold>Fonte:</bold> Elaborado pelos autores.</attrib>
				</table-wrap-foot>
			</table-wrap>
			<p>Para responder ao objetivo, consoante à metodologia de estudos comparado, foram
				realizadas caracterizações e análises: pela primeira, ficam inteiramente descritas
				as particularidades gerais dos cursos, contextualizando-os; pelas análises, elegemos
				as dimensões de comparação (<xref ref-type="table" rid="t3">Quadro 3</xref>). Ao
				final, são apresentadas as discussões, buscando dar sentido às comparações.</p>
			<table-wrap id="t2">
				<label>Quadro 2</label>
				<caption>
					<title>Características gerais dos cursos de formação de professores brasileiros
						e italianos</title>
				</caption>
				<table>
					<thead>
						<tr>
							<th style="background-color: #C1D7EC;">Característica</th>
							<th style="background-color:#C1D7EC;">Curso brasileiro</th>
							<th style="background-color:#C1D7EC;">Curso italiano</th>
						</tr>
					</thead>
					<tbody>
						<tr>
							<td style="background-color:#E6E7E8;">Denominação do curso</td>
							<td>Pedagogia</td>
							<td>Ciências da Educação primária</td>
						</tr>
						<tr>
							<td style="background-color:#E6E7E8;">Objetivo</td>
							<td>Formar Pedagogo com docência em <break/>Educação Infantil e anos
								iniciais do Ensino Fundamental</td>
							<td>Formar professores para a infância e para a escola primária</td>
						</tr>
						<tr>
							<td style="background-color:#E6E7E8;">Carga horária</td>
							<td>3.304 horas</td>
							<td>300 CFU </td>
						</tr>
						<tr>
							<td style="background-color:#E6E7E8;">Vagas ofertadas por ano</td>
							<td>140</td>
							<td>170 Alemão; 55 Italiana; 13 Ladina=238</td>
						</tr>
						<tr>
							<td style="background-color:#E6E7E8;">Tempo para integrar o curso </td>
							<td>Mínimo 4 anos e máximo 7 anos</td>
							<td>5 anos. Sem tempo máximo</td>
						</tr>
						<tr>
							<td style="background-color:#E6E7E8;">Vínculo</td>
							<td>Faculdade de Educação/ Universidade Federal de Goiás</td>
							<td>Faculdade de Ciências da <break/>Educação/Universidade Livre de
								Bolzano</td>
						</tr>
						<tr>
							<td style="background-color:#E6E7E8;">Natureza da Instituição</td>
							<td>Pública, federal, gratuita</td>
							<td>Pública, estadual, paga</td>
						</tr>
						<tr>
							<td style="background-color:#E6E7E8;">Idioma</td>
							<td>Português</td>
							<td>Italiano, Alemã, Inglês, Ladino</td>
						</tr>
						<tr>
							<td style="background-color:#E6E7E8;">Localização</td>
							<td>Goiânia/Goiás/Brasil</td>
							<td>Brezanone/ Trentino-Alto Ádige<break/>/Itália</td>
						</tr>
					</tbody>
				</table>
				<table-wrap-foot>
					<attrib><bold>Fonte:</bold> Elaborado pelos autores.</attrib>
				</table-wrap-foot>
			</table-wrap>
			<table-wrap id="t3">
				<label>Quadro 3</label>
				<caption>
					<title>Dimensões de comparação da formação de professores brasileiro e
						italiano</title>
				</caption>
				<table>
					<thead>
						<tr>
							<th align="center" style="background-color:#C1D7EC; ">Dimensões de
								comparação</th>
							<th align="center" style="background-color:#C1D7EC;">Brasil</th>
							<th align="center" style="background-color:#C1D7EC;">Itália</th>
						</tr>
					</thead>
					<tbody>
						<tr>
							<td style="background-color:#E6E7E8;;" valign="top">Indícios de temas e
								conteúdos e a forma como <break/>são relacionados com a <break/>EF e
								suas relações nos documentos oficiais</td>
							<td align="center" valign="top">Organização a partir de competências;
								Não é explícita a relação com a EF; <break/>Temas relacionados à EF;
								Gestos e movimentos</td>
							<td valign="top">Organização a partir de competências;<break/>EF é
								considerada como disciplina motora com 2 disciplinas
								específicas:<break/>Método e didática da atividade motora;
								<break/>Método e didática da atividade esportiva</td>
						</tr>
						<tr>
							<td align="left" style="background-color:#E6E7E8;;" valign="top"
								>Disciplinas/Módulos com aproximações com o campo da EF</td>
							<td align="center">Disciplina optativa<break/>Educação e Cultura
								Corporal (80 horas)</td>
							<td align="center" valign="top">Módulo/Disciplinas<break/>Pedagogia e
								didática do movimento<break/>Pedagogia e didática do movimento:
								fundamento teórico-metodológico (3 CFU)<break/>Didática do movimento
								com particular atenção à faixa etária de 0-5. (Lab)
								<break/>(2CFU)<break/>Pedagogia e didática da arte e do
								movimento<break/>Didática do movimento aprofundamento temático
								(3CFU)<break/>Didática do movimento com particular atenção à faixa
								etária de <break/>5-12(Lab.) (2 CFU) Disciplinas
								optativas:<break/>Yoga para crianças Lab (2CFU)</td>
						</tr>
						<tr>
							<td align="left" style="background-color:#E6E7E8;;" valign="top">Carga
								horária dedicada à EF</td>
							<td align="center">80 horas optativas</td>
							<td align="center">10 CFU obrigatória e 2CFU optativas</td>
						</tr>
						<tr>
							<td align="left" style="background-color:#E6E7E8;">Palavras-chave na
								relação com a EF</td>
							<td align="center" valign="top">Corpo; ludicidade; brincadeira; jogos;
								movimento; cultura corporal; Cultura corporal de movimento; práticas
								corporais; ginástica; lutas; dança; comunicação não verbal; campo de
								experiências; saúde <break/>física</td>
							<td>Movimento; ciência motora; desenvolvimento motor; atividade motora;
								Educa-<break/>ção motora; esporte; experiência motora; jogo de
								movimento; percepção do pró-<break/>prio corpo; expressão corporal;
								comuni-<break/>cação não verbal; yoga </td>
						</tr>
						<tr>
							<td align="left" style="background-color:#E6E7E8;;" valign="top">Nº de
								professores que atuam no curso com os temas da EF</td>
							<td align="center">2</td>
							<td align="center">4</td>
						</tr>
						<tr>
							<td align="left" style="background-color:#E6E7E8;;" valign="top"
								>Formação básica dos professores </td>
							<td align="center">EF, Arte</td>
							<td align="center">EF, Pedagogia, Letras e Filosofia </td>
						</tr>
						<tr>
							<td align="left" style="background-color:#E6E7E8;;" valign="top"
								>Relações prioritárias com outras áreas</td>
							<td align="center">Arte (dança)</td>
							<td align="center">Psicologia; (Desenvolvimento motor)</td>
						</tr>
					</tbody>
				</table>
				<table-wrap-foot>
					<attrib><bold>Fonte:</bold> Elaborado pelos autores.</attrib>
				</table-wrap-foot>
			</table-wrap>
		</sec>
		<sec>
			<title>Apresentação e discussão dos dados</title>
			<sec>
				<title>Caracterização dos cursos analisados</title>
				<p>O primeiro aspecto a ser destacado é que os cursos comparados se encontram em
					países e continentes com histórias e constituições diferenciadas. Talvez um
					aspecto de reciprocidade seja em função de o Brasil ter a maior comunidade
					italiana fora da Itália (Fondazione <xref ref-type="bibr" rid="B24">Migrantes,
						2006</xref>), o que faz com esses países, especialmente em algumas regiões,
					evidenciem aspectos de similaridades culturais e de reconhecimentos mútuos.</p>
				<p>O curso brasileiro (<xref ref-type="table" rid="t2">Quadro 2</xref>) é o de
					Pedagogia, vinculado à Faculdade de Educação da Universidade Federal de Goiás
					(UFG), localizada no centro do Brasil, na cidade de Goiânia, no estado de Goiás,
					na Região Centro-Oeste. O curso é público e gratuito. Em seu Projeto Pedagógico
					de Curso (PPC), apresenta como objetivo “formar pedagogo com docência em
					Educação Infantil e anos iniciais do Ensino Fundamental”. Possui carga horária
					de 3.304 horas, com integralização em 4 anos e máximo em 7 anos; sendo ofertadas
					140 vagas por ano de ingresso.</p>
				<p>O curso italiano é o de Ciências da Educação primária, vinculado à Faculdade de
					Ciências da Educação da Universidade Livre de Bolzano (UNIBZ), instituição
					pública, estadual e paga<sup><xref ref-type="fn" rid="fn7">4</xref></sup>. A
					universidade se caracteriza como internacional e é nova comparada a grande
					maioria das universidades italianas, sendo constituída dentro de um conceito da
					União Europeia enquanto Estado-nação. Está localizada no Norte da Itália, na
					cidade de Brezanone, em Trentino Alto-Ádige, cuja região goza de autonomia
					juntamente com outras 4 regiões, a saber: Sicilia, Sardenha, Vale de Aosta e
					Friuli Venezia Giulia.</p>
				<p>O objetivo do curso de Ciências da Educação é formar professores para a escola de
					infância e para a escola primária. Possui carga horária de 300 Créditos
					Formativo Universitário (CFU), o que corresponde a 25 horas cada crédito - 10
					horas de lição frontal e 15 de estudos individuais -, sendo desenvolvido em 5
					anos e sem tempo máximo para finalização. São abertas 238 vagas por ano e, para
					cada percurso são: 170 Alemão; 55 Italiana e 13 Ladina. Na presente pesquisa foi
					eleito o percurso italiano.</p>
				<p>Dois elementos de diferenciação fortemente percebidos são os idiomas e o tempo de
					formação para um professor. Quanto ao idioma, no curso italiano são exigidos
					créditos em três idiomas: italiano, alemão e inglês. Ao optar pelo percurso
					italiano, o estudante deve realizar 30 créditos (750 horas), em alemão, e 15
					créditos (375 horas), em inglês. O segundo aspecto é o tempo de integralização e
					a carga horária de cada curso. No Brasil, o tempo mínimo é de 4 anos e máximo de
					7 anos. Na Itália, são exigidos 5 anos sem tempo máximo para a integralização.
					Quanto à carga horária total, calculada e compreendida diferentemente em cada
					país, o curso brasileiro apresenta 3.304 horas, enquanto o curso italiano 300
					CFU, o que corresponde à 7.500 horas.</p>
			</sec>
			<sec>
				<title>Currículo prescrito: indícios de temas e conteúdos na interface com a EF nos
					documentos oficiais</title>
				<p>A Resolução CNE/CP n. 2 (<xref ref-type="bibr" rid="B9">Brasil, 2019</xref>) e o
					MIUR - Decreto 10 (<xref ref-type="bibr" rid="B18">Itália, 2012</xref>) são
					documentos oficiais que regulamentam a formação de professores para a EI e anos
					iniciais, portanto, fazem parte do currículo prescrito. Os Estados determinam os
					conteúdos mínimos a serem desenvolvidos no processo de escolarização (<xref
						ref-type="bibr" rid="B32">Sacristán, 2000</xref>).</p>
				<p>O mapeamento dos contributos do campo da EF, nesses documentos, constatou que, em
					termos gerais, os dois definem a formação a partir dos conceitos de competências
					e habilidades, apresentando uma forte preocupação com a equidade, a inclusão de
					pessoas com deficiências e com a interculturalidade. No Brasil, esse cenário é
					representado pelos povos originários indígenas e negros e suas manifestações
					culturais; na Itália, pela imigração e o multiculturalismo, visto que a região
					onde está localizado o curso, mesmo sendo italiana, possui uma população (cerca
					de 72,5%) cuja língua materna é o alemão (<xref ref-type="bibr" rid="B16"
						>Istituto Provinciale Di Statistica, 2012</xref>).</p>
				<p>A resolução CNE/CP n. 2 (<xref ref-type="bibr" rid="B9">Brasil, 2019</xref>)
					define as Diretrizes Curriculares Nacionais para a formação inicial de
					professores para a Educação Básica e institui a Base Nacional Comum para a
					formação inicial de professores da Educação Básica - BNC - Formação. A referida
					resolução é ampla e não trata de áreas específicas e/ou disciplinas, mas informa
					que a formação do professor referência de turma deve levar em consideração a
					Base Curricular Comum da Educação Básica, a qual é organizada em 5 campos de
					experiências. Embora a referida resolução não mencione, especificamente, as
					questões da EF, este estudo busca estabelecer indícios sobre temas e objetos nos
					quais, historicamente, a área tem acúmulo, pensando na interface desses
					conhecimentos com a EI.</p>
				<p>No art. 13, §2º Item III, encontramos os primeiros indícios de apresentação dos
					componentes curriculares para a formação do professor para a EI e anos iniciais
					do Ensino Fundamental. Os temas são: brincadeiras e os campos de experiências,
					sendo que um, dentre os cinco apresentados, é denominado corpo, gestos e
					movimentos.</p>
				<p>No anexo desta Resolução, é apresentada a Base Nacional Comum - BNCC para a
					formação inicial de professores da Educação Básica. Nesses temas e objetos de
					conhecimentos, identificamos os relacionados ao campo da EF. Em competências
					gerais dos docentes, o item 4, intitulado elementos de linguagem não verbal, há
					o seguinte indicativo com respeito aos usos de “diferentes linguagens - verbal,
					corporal, visual, sonora e digital - para se expressar e fazer com que o
					estudante amplie seu modelo de expressão ao partilhar informações, experiências,
					ideias e sentimentos em diferentes contextos, produzindo sentidos que levem ao
					entendimento mútuo” (<xref ref-type="bibr" rid="B9">Brasil, 2019</xref>, p. 13).
					Também foram identificados os termos saúde física e autoconhecimento:
					“conhecer-se, apreciar-se e cuidar de sua saúde física e emocional,
					compreendendo-se na diversidade humana, reconhecendo suas emoções e as dos
					outros, com autocrítica e o autoconhecimento e o autocuidado nos escapacidade
					para lidar com elas, desenvolver tudantes” (<xref ref-type="bibr" rid="B9"
						>Brasil, 2019</xref>, P. 13).</p>
				<p>Na dimensão da prática profissional, na competência específica: “Planejar ações
					de ensino que resultem em efetivas aprendizagens” (<xref ref-type="bibr"
						rid="B9">Brasil, 2019</xref>, P. 17), são apresentadas as habilidades em que
					a comunicação não verbal é novamente destacada: “Interagir com os estudantes de
					maneira efetiva e clara, adotando estratégias de comunicação verbal e não verbal
					que assegurem o entendimento por todos os estudantes” (<xref ref-type="bibr"
						rid="B9">Brasil, 2019</xref>, P. 17).</p>
				<p>No documento, os temas brincadeiras, brincar, corpo, movimento, saúde física e
					linguagem não verbal estão presentes e são articulados com os campos de
					experiência, no qual a referida diretriz aponta para formar os futuros
					professores e que, de certa forma, estabelece relações com o acúmulo da EF.</p>
				<p>O documento italiano (<xref ref-type="bibr" rid="B18">Itália, 2012</xref>)
					apresenta a disciplina, os requisitos e a modalidade da formação inicial do
					professor da escola de infância e escola primária, de primeiro e segundo grau. A
					referida resolução possui orientação mais específica e estruturada, no entanto,
					no seu corpo consta somente a referência EF, como indicação de que a formação no
					antigo ISEEF<sup><xref ref-type="fn" rid="fn8">5</xref></sup> será reconhecida
					como condição para ingressar na carreira de professor, tendo em vista a
					alteração na formação em EF e passagem de formação superior não universitária
					para universitária, impactando na mudança da nomenclatura “Educação Física” para
						<italic>Ciências Motoras e Esportiva</italic> (<xref ref-type="bibr"
						rid="B18">Itália, 2012</xref>). Essa mudança de nomenclatura é seguida, na
					referida resolução, como nomenclatura geral para definir os temas a serem
					tratados na formação de professores.</p>
				<p>Nos anexos, especificamente, no Anexo 1, há mais clareza a respeito da presença
					dos conhecimentos específicos relativos à EF. Um dos objetivos específicos da
					formação é ter conhecimento disciplinar para atuar com a escola primária, de
					acordo com os seguintes conhecimentos: linguísticos-literários; matemáticos; das
					Ciências físicas e naturais; históricos e geográficos; artísticos, musicais e
					motor.</p>
				<p>O perfil do professor está descrito em uma tabela, o qual deve compreender o
					conhecimento de 25 temas/objetos. Dentre eles, o 10º tem relação com a EF,
					nomeadamente a “Atividade motora: método e didática da atividade motora”.
					Apresenta ainda (<xref ref-type="bibr" rid="B18">Itália, 2012</xref>) as
					atividades formativas indispensáveis num curso de formação de professores com
					duas disciplinas M-EDF/01 Método e didática da atividade motora e M-EDF/02
					Método e didática da atividade esportiva, com um total de 9 CFU.</p>
				<p>Sendo assim, os temas mais presentes na resolução italiana são: atividade motora,
					atividade esportiva coincidindo com a nova terminologia dos cursos: Ciências
					Motoras e Esportiva. Vale ressaltar que na mesma resolução é apresentada a
					formação em Ciências Motoras e Esportiva com formação geral de 3 anos e com 3
					especializações de 2 anos, chamadas <italic>master</italic>, que formam o
					profissional para atuar em outros campos de intervenção da EF. O art. 3, item b,
					define que para ensinar, na escola secundária de primeiro e segundo grau, é
					necessário cursar o curso bienal e um estágio formativo de um ano.</p>
				<p>É possível perceber que a regulamentação, o currículo prescrito, para a formação
					do professor no Brasil é separada das outras formações universitárias, já que as
					formações específicas possuem resoluções de cada área do conhecimento, enquanto
					a resolução de formação universitária italiana indica diretrizes para formação
					universitária de todas as áreas. Também é possível perceber que os temas e
					objetos com interface com a EF, na resolução brasileira, não é explicita ao não
					ser organizada por disciplinas, enquanto na resolução italiana estão mais
					explícitos, pois indicam, como indispensáveis ao currículo mínimo, as
					disciplinas a serem desenvolvidas nas instituições formadoras; carga horária
					obrigatória mínima, além dos critérios para a contratação de professores para o
					seu desenvolvimento.</p>
			</sec>
			<sec>
				<title>Currículo apresentado aos professores</title>
				<p>Com as normas estabelecidas pelo Estado, o currículo prescrito, as instituições
					criam seus projetos/programas de ensino para formar professores para a EI e os
					primeiros anos do Ensino Fundamental. De acordo com <xref ref-type="bibr"
						rid="B32">Sacristán (2000)</xref>, essa fase do currículo é chamada de
					currículo apresentado aos professores. No Brasil, parte desse nível curricular é
					materializado através do PPC; na Itália pelo Regulamento Didático do Curso.</p>
				<p>A estrutura do PPC, do curso brasileiro, contém 16 itens que perpassam a
					apresentação do projeto, motivos, objetivos até a apresentação de todas as
					disciplinas com suas respectivas referências. A matriz curricular é organizada
					em Núcleo Comum, Específico, Optativo e Livre.</p>
				<p>O aluno deverá cursar duas disciplinas do Núcleo Optativo, totalizando 160h e, no
					mínimo, 120 horas no Núcleo Livre. Para o Núcleo Optativo são apresentadas 4
					disciplinas de 80 horas. As disciplinas do Núcleo Livre podem ser escolhidas nas
					ofertadas por toda a universidade, inclusive pela Faculdade de Educação Física e
					Dança - FEFD/UFG, que trabalha mais especificamente com esses temas na formação
					do professor da área. No Núcleo Optativo, identificamos a disciplina “Educação e
					Cultura Corporal”, com 80 horas com forte relação com os temas da EF.</p>
				<p>Ao final do curso são habilitados para trabalhar como professores na EI e nos
					anos iniciais do Ensino Fundamental, bem como em outras áreas nas instituições
					educativas, nas escolas, nos sistemas de ensino ou em outros contextos que
					envolvam a dimensão educativa.</p>
				<p>Não identificamos, no PPC, o termo Educação Física, mas é possível reconhecer
					temas com os quais a EF estabelece relações: Jogo, brincadeiras, corpo, cultura
					corporal, cultura de movimento, práticas corporais, dança, esporte, lutas e
					ludicidade.</p>
				<p>Em termos gerais, é possível perceber que o PPC não segue totalmente as
					orientações das Diretrizes Curriculares Nacionais para a formação de
					professores, principalmente na organização em torno das competências e
					habilidades, tampouco lida com conceitos atinentes à prática, além de usar a
					terminologia pedagogo, em vez de professor. No que se refere a esse não
					alinhamento na operacionalização e na organização curricular, há uma forte marca
					de posição política sobre como a Faculdade de Educação da UFG, responsável pelo
					curso, conceitualmente compreende a formação e o seu contexto, justificando tais
					posições no próprio PPC do curso.</p>
				<p>O Regulamento Didático do Curso de formação de professores italiano é organizado
					em: atividade formativa indispensável, atividade formativa de base,
					psicopedagógica e metodológico-didático. Há duas áreas: área 1 - os saberes da
					escola de infância e da escola primária; área 2 - ensino para acolher crianças e
					estudantes deficientes. Na área 1 constam os conteúdos a serem desenvolvidos e a
					estruturação em sete âmbitos: Âmbito disciplinar Língua -literatura a língua
					italiana; Âmbito disciplinar Língua - literatura de língua alemã; Âmbito
					disciplinar Língua - literatura de filosofia e língua romana/ladino; Âmbito
					disciplinar Inglês; Âmbito disciplinar histórico -geográfico; Âmbito disciplinar
					matemático e científico; Âmbito disciplinar musical, artístico e de educação
					motora.</p>
				<p>No último âmbito, com o código M-EDF/01, para indicar método e didática da
					atividade motora, individualizamos a especificidade da EF, a qual está vinculada
					às disciplinas de música e artes; na estrutura curricular os âmbitos são
					apresentados em 34 módulos distribuídos ao longo dos 5 anos de curso. Dois deles
					estão relacionados à EF, sendo um organizado juntamente com arte e música.
					Módulo 13: Pedagogia e didática do movimento; Módulo 17: Pedagogia e didática da
					arte e do movimento. Esses módulos são desenvolvidos no 2º e 3º ano,
					respectivamente.</p>
				<p>Individualizamos, relativamente à EF, as seguintes disciplinas com suas
					respectivas cargas horárias: Pedagogia e didática do movimento, fundamento
					teórico-metodológico (3CFU); Didática do movimento, com particular atenção à
					faixa etária de 0-5 (2CFU); Didática do movimento, com particular atenção à
					faixa etária de 2-7 (2CFU); Didática do movimento, aprofundamento temático
					(3CFU); Didática do movimento, com particular atenção à faixa etária de 5-12
					(2CFU).</p>
				<p>Ao longo da formação, os alunos devem cumprir (10CFU) como disciplinas optativas
					a partir da oferta realizada pela própria UNIBZ. Nas disciplinas ofertadas no
					ano/calendário 2022/2023, individualizamos uma (1) disciplina optativa com temas
					específicos da EF; yoga para crianças (Lab), com 2CFU.</p>
				<p>No Regulamento Didático do curso italiano, os termos que mantêm interface com a
					EF mais presentes são: desenvolvimento motor, educação motora, esporte,
					movimento e yoga.</p>
				<p>Em geral, o Regulamento segue as orientações gerais MIUR (<xref ref-type="bibr"
						rid="B18">Itália, 2012</xref>), principalmente quanto às competências, mas
					um aspecto o diferencia. A UNIBZ organizou seu currículo nos Módulos; num
					primeiro, garantindo a obrigação do MIUR, com disciplinas com pequena variação
					de nome e carga horária vinculada à educação motora e, num segundo módulo,
					associado com os da Arte e da música, garantindo a relação estabelecida na
					regulamentação regional. Convém destacar que o curso se caracteriza por uma
					vocação plurilinguística (italiano, alemã, inglês e ladino), pela
					interculturalidade e pela inclusão de pessoas com deficiências. Já os temas mais
					próximos ao campo da EF, na Itália, estão organizados no âmbito das
							artes<sup><xref ref-type="fn" rid="fn9">6</xref></sup>, a musical e
					artística com a nomenclatura educação motora.</p>
			</sec>
			<sec>
				<title>Currículo modelado pelos professores</title>
				<p>Para <xref ref-type="bibr" rid="B32">Sacristán (2000)</xref>, essa etapa
					corresponde ao momento em que os professores interpretam o currículo prescrito
					apresentado a eles e marcam aspectos da sua forma de trabalho; é quando o
					professor exerce sua autonomia (relativa) de planejar e dá forma ao ensino.
					Foram analisados os Planos de Ensino, no Brasil, e, na Itália, o
						<italic>Syllabus</italic><sup><xref ref-type="fn" rid="fn10">7</xref></sup>
					<italic>das disciplinas selecionadas.</italic></p>
				<p>No curso brasileiro, a disciplina optativa Educação e Cultura Corporal traz em
					seu título a Educação e uma proposta metodológica crítica brasileira para a EF
					escolar, cultura corporal, elaborada nos anos 1990 (<xref ref-type="bibr"
						rid="B35">Soares <italic>Et Al</italic>., 1992</xref>). Em sua ementa
					apresenta cultura corporal de movimento, uma proposta metodológica da década de
					1990 (<xref ref-type="bibr" rid="B19">Kunz, 2004</xref>). Também apresenta o
					termo práticas corporais, que expressa uma forma de relação da EF com as
					ciências humanas e sociais (<xref ref-type="bibr" rid="B33">Silva; Lazzarotti
						Filho; Antunes, 2014</xref>). Os temas corpo, jogo, brinquedo e brincadeira,
					ginástica, lutas, danças e jogos teatrais e linguagem corporal estão também na
					ementa. No entanto, na estruturação da disciplina, a sua centralidade inclina
					para o corpo e a dança na relação com a arte.</p>
				<p>Outrossim, vale destacar o fato segundo o qual a disciplina, do curso brasileiro,
					é direcionada para a EI, além de serem os temas correlatos com a EF
					compreendidos como manifestações da cultura, na forma de linguagem,
					estabelecendo relações com as ciências humanas e sociais, a serem tematizadas no
					processo de escolarização.</p>
				<p>No curso italiano, os conteúdos são organizados em dois Módulos para os conteúdos
					obrigatórios e em 3 disciplinas para os conteúdos optativos. Os dois Módulos -
						<italic>Pedagogia e didática do movimento</italic> e <italic>Pedagogia e
						didática da arte e do movimento</italic> - são estruturados a partir de
					competências e habilidades, mantendo as orientações do MIUR (<xref
						ref-type="bibr" rid="B18">Itália, 2012</xref>) e do Regulamento Didático. Os
					dois Módulos são organizados por intermédio de conteúdos de fundamento e de
					aprofundamento. Em um primeiro momento, os professores desenvolvem os
					fundamentos teóricos e, depois, em forma de laboratórios (atividades práticas),
					uma turma é dividida em subturmas com outros professores.</p>
				<p>O Módulo <italic>Pedagogia e didática do movimento - Fundamento</italic> anuncia
					a combinação do estudo dos fundamentos da área da EF/ Ciências motoras com as
					teorias educacionais e a reflexão sobre a própria experiência motora.</p>
				<p>A disciplina <italic>Pedagogia e didática do movimento: fundamento
						teórico-metodológico</italic> trabalha temas como a importância do movimento
					na infância; movimento e bem-estar das crianças; desenvolvimento motor na idade
					infantil; “projetação” de espaços para o movimento; didática da atividade motora
					e aspectos organizativos da atividade motora. A disciplina <italic>Didática do
						movimento com particular atenção a faixa etária de 0-5 (Lab)</italic>
					desenvolve os seguintes argumentos: Experimentar e conhecer diversas
					experiências motoras - percepção do próprio corpo, expressão corporal,
					comunicação não verbal, colaboração com o outro e competição; experimental e
					conhecer diversas habilidades motoras, como rolar, caminhar, correr, saltar
					lançar, mover-se na água, mover-se com objetos; expressar-se com o movimento,
					dançar, descobrir jogos e saber utilizar os espaços para o jogo.</p>
				<p>No Módulo <italic>Pedagogia e didática da arte e do movimento</italic> o conteúdo
					é anunciado através de uma relação entre arte e movimento onde numa primeira
					disciplina é apresentado os fundamentos dessa relação e posteriormente duas
					disciplinas, uma sobre a arte e outra sobre o movimento com os seguintes
					títulos: 1) <italic>Pedagogia e didática do movimento: aprofundamento do
						conteúdo e o laboratório</italic>; 2) <italic>Didática do movimento com
						atenção especial para a faixa etária de 5 a 12 anos</italic>.</p>
				<p>Nas duas disciplinas supracitadas, os temas do movimento têm uma forte relação
					com a EF, a saber: na primeira disciplina, o conteúdo é desenvolvido a partir da
					importância do movimento nos contextos social, estético, cultural, comunicativo
					e de saúde; já na segunda, há a experimentação do movimento sob diferentes
					perspectivas, tais como expressão, comunicação, desempenho, cooperação, promoção
					da saúde, competições, percepção e experiência corporal, risco e
					responsabilidade.</p>
				<p>A disciplina optativa <italic>Yoga para crianças</italic>, desenvolvida na forma
					de laboratório, tem como objetivo a aquisição das metodologias básicas da yoga
					destinada, no âmbito pedagógico e educativo, às crianças da escola primária como
					suporte ao processo de crescimento e de aprendizagem.</p>
				<p>Individualizamos para as disciplinas do curso italiano, 4 professores, sendo que
					3 possuem formação inicial em EF e uma professora, responsável pela disciplina
					de yoga, tem formação em Letras. Em comparação, nas disciplinas do curso
					brasileiro, identificamos 2 professoras, uma com formação inicial em EF e a
					outra em Artes.</p>
				<p>É possível afirmar que na Itália os temas da EF estão mais fortemente presentes
					na formação do professor da EI e nos primeiros anos do Ensino Fundamental. Isso
					ocorre em função do quantitativo de 5 disciplinas (4 obrigatórias e 1 optativa);
					ao passo que no curso brasileiro não há disciplina obrigatória. Observa-se ainda
					que no curso italiano os temas e objetos estão vinculados à EI e aos anos
					iniciais. No Brasil, a única disciplina que estabelece relação com esses temas é
					optativa para as especificidades da EI.</p>
				<p>Outro aspecto é o quantitativo de horas dedicadas a esses temas. No curso
					brasileiro, o professor poderá se formar sem ter cursado qualquer disciplina com
					temas do campo da EF. Já no curso italiano, o estudante cursará,
					obrigatoriamente, 4 disciplinas, com um total de 10 CFU. Convém destacar o baixo
					quantitativo de professores com formação em EF atuantes no curso brasileiro:
					apenas uma professora possui formação específica. Por outro lado, na Itália, são
					3 professores com formação específica e contratados para exercer essa
					finalidade.</p>
				<p>Por fim, é possível afirmar que o curso brasileiro, ao tratar dos temas com
					interfaces no campo da EF, estabelece relação mais forte vinculada às ciências
					humanas e sociais, com um direcionamento para as artes na sua manifestação da
					dança, tratando esses temas no campo da cultura; enquanto na Itália aproxima-se
					da Psicologia, em especial, do desenvolvimento motor.</p>
			</sec>
		</sec>
		<sec sec-type="discussion">
			<title>Discussão: um sentido para a comparação</title>
			<p>Ao nos depararmos com contextos tão distintos e, ao mesmo tempo, com currículos
				prescritos operados com tanta similaridade, em um primeiro momento comparativo,
				ainda superficial, aparentou indícios de uma quase réplica da formatação curricular.
				Indo além da aparência, percebemos que tal similaridade, na operacionalização
				prática, representa a interferência da agenda dos organismos internacionais nas
				reformas curriculares dos diversos países (<xref ref-type="bibr" rid="B1">Aranha,
					2011</xref>), como uma postura subserviente (<xref ref-type="bibr" rid="B2"
					>Arisio, 2017</xref>) ou, como afirma <xref ref-type="bibr" rid="B32">Sacristán
					(2000)</xref>, é o currículo na sua fase/etapa, onde os campos econômicos,
				políticos, sociais, culturais e administrativos exercem sua força e sua intenção no
				processo de escolarização.</p>
			<p>Especificamente, essa similaridade está estruturada na pedagogia das competências,
				presente na forma e na concepção do currículo prescrito, nos dois países analisados,
				compondo a literatura internacional como um princípio organizador e unificador. Tal
				similaridade é apontada por outros estudos recentes (<xref ref-type="bibr" rid="B3"
					>Barcelos; Almeida; Doña, 2022</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="B26">Pessoa;
					Marcassa, 2021</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="B2">Arisio, 2017</xref>). No
				mais, destacamos as críticas que essa forma de organização do currículo tem recebido
				e, com mais ênfase, aos currículos de países em desenvolvimento, como é o caso do
				Brasil. <xref ref-type="bibr" rid="B30">Rezer (2020)</xref> afirma que o currículo
				organizado, a partir da pedagogia das competências, enfatiza o utilitarismo
				manifesto na competitividade, na adaptação ao sistema, na resiliência e nas leis do
				mercado, como balizador para a formação universitária.</p>
			<p>É possível ainda afirmar que há uma coerência na organização curricular, a partir das
				competências nos documentos italianos com uma unificação dos termos usados, desde o
				currículo prescrito até o currículo moldado pelos professores, além dos temas e das
				disciplinas específicas com professores próprios para o seu trabalho. O não
				alinhamento é verificado no Regulamento do Curso ao não usar a disciplina Didática
				da atividade esportiva e articular com Arte e movimento.</p>
			<p>Já nos documentos brasileiros, há uma diferença significativa, pois somente as
				diretrizes nacionais operam com esses termos, isto é, somente o currículo prescrito,
				sendo que tanto o PPC como os Planos de ensino não seguem tal orientação. Também
				identificamos uma certa liberdade na organização dos Planos de ensino do curso
				brasileiro, os quais não seguem o que está presente no PPC do curso. Para <xref
					ref-type="bibr" rid="B32">Sacristán (2000)</xref>, essa é uma peculiaridade do
				currículo ao não apresentar uma lógica de coerência, pois cada subsistema tem uma
				determinada autonomia funcional e são concorrentes entre si.</p>
			<p>Pensando o contexto específico da EF, que de certa forma interfere quer na produção
				do conhecimento, quer na constituição dos cursos de formação de professores, é
				possível perceber uma significativa diferença entre os dois países. A mais marcante
				é a constituição da EF enquanto curso superior universitário, no Brasil, desde a
				década de 1930; na Itália somente a partir de 1999 (<xref ref-type="bibr" rid="B13"
					>Casolo; D’Elia; Sgrò, 2021</xref>).</p>
			<p>Nos dois países, convém destacar as incoerências e os conflitos no sistema acadêmico,
				educacional e científico da EF. Em ambos, a EF escolar está estruturada na área da
				linguagem (<xref ref-type="bibr" rid="B5">Bolzano, 2015</xref>; <xref
					ref-type="bibr" rid="B8">Brasil, 2018</xref>), sendo academicamente e
				cientificamente vinculadas, em sua maioria, às ciências biológicas e da saúde. Esse
				descompasso na formação, bem como na produção do conhecimento, e no modo como está
				inserido no sistema escolar, dificulta a articulação desses sistemas, deixando
				lacunas não só na produção de conhecimento a propósito da EF, mas também nos
				processos de formação pedagógica para a escola.</p>
			<p>Verticalizando sobre o papel e a inserção dos temas de interface com a EF no processo
				de formação humana, partimos da consideração segundo a qual os contributos da área
				assumem uma dimensão duplamente relevante, tanto no âmbito escolar na Educação
				Básica quanto na formação de futuros professores que atuarão com crianças.</p>
			<p>Na formação de professores, vale lembrar que a discussão no próprio curso de EF para
				atuar na EI nos anos iniciais, no Brasil e na Itália, passa por um processo de
				construção de um campo acadêmico (<xref ref-type="bibr" rid="B22">Martins; Tostes;
					Mello, 2018</xref>). É enfática a constatação (em parâmetros psicológicos,
				sociológicos, fisiológicos, filósofos, pedagógicos etc.) do papel do corpo, do
				movimento, da ludicidade e da atividade física/práticas corporais como fundamentais
				para a formação da criança, tema de pertença e desenvolvimento histórico da EF.
				Destarte, assumimos que a contribuição dos temas da EF, nos cursos de formação, em
				termos de legitimação e efetivação na EI e anos iniciais, vem demonstrando
				ampliação, mas prescinde expansão.</p>
			<p>Soma-se a isso, de modo a ampliar/defender a sua contribuição na formação de
				professores, a vinculação com as Ciências Humanas, a partir da década de 1980, no
				Brasil, o que amplia o domínio da área no trato de temas, alcançando a contribuição
				na dimensão do lúdico, do jogo, da dança, do lazer, da brincadeira e da expressão
				rítmica-corporal, etc.; todos eles em bases socio-histórica-filosóficas e, ainda
				mais recentemente, no quesito das políticas públicas, currículo, formação e
				desenvolvimento profissional.</p>
			<p>Na Itália, esse movimento, ainda que em uma outra direção, mas na busca de sentidos e
				de compreensão do lugar da EF escolar, principalmente na crítica ao modelo com
				ênfase no domínio técnico corporal, tem implantado nas escolas propostas/teorias
				sustentadas pela <italic>Physical Literaty</italic> (<xref ref-type="bibr" rid="B39"
					>Whitehead, 2007</xref>) <italic>Sport di classe</italic>, (<xref
					ref-type="bibr" rid="B4">Bellantonio; Taturi, 2018</xref>), <italic>Sport
					didatics</italic> (<xref ref-type="bibr" rid="B12">Carraro; Lanza,
				2022</xref>).</p>
			<p>Conforme demonstram os dados, desde o currículo prescrito até o currículo modelado
				pelos professores, no Brasil e na Itália, identificamos vieses temáticos que não
				correspondem à totalidade das possibilidades do trato desses temas na formação para
				o trabalho adequado com a infância e com os primeiros anos do Ensino
				Fundamental.</p>
			<p>Em ambos os currículos, modelados pelos professores, identificamos temas de
				interfaces da EF na interação entre as dimensões psicológicas, humanas e sociais. No
				que concerne às especificidades destes currículos, a Itália apresenta maior
				influência da Psicologia do desenvolvimento (ciência motora; desenvolvimento motor;
				jogo de movimento, atividade motora; educação motora, saúde física); enquanto o
				Brasil aparenta se organizar pela perspectiva sociocultural, onde os temas jogo,
				brincadeira, esporte, dança, esporte, lutas compõem seus conteúdos.</p>
			<p>Diante disso, põe-se certa determinação da futura inexistência de práticas
				pedagógicas que abordem os conteúdos e os contributos da EF, de modo amplo e que,
				consequentemente, não estabeleçam articulação com os objetivos estudados pela área
				em trabalho articulado, que considerem a integralidade da criança de 0 a 10
				anos.</p>
			<p>Ponderamos que temas com interface com a EF na formação de professores necessitam de
				desenvolver conhecimentos interdisciplinares/ integrados/articulados para essas
				fases da formação da criança, o que poderá proporcionar/promover o trabalho
				colaborativo entre o professor, com formação específica em determinada área do
				conhecimento, e o professor referência de turma, bem como os demais professores.</p>
			<p>Por essas razões, acentuamos a defesa da presença de conceitos, atitudes e
				experiências diversificadas demarcadas nos currículos (geral e específico) de
				formação de professores, partindo do acúmulo que a EF produziu, e ainda produz, para
				promover a amplitude de experiências infantis no âmbito da cultura, do corpo, do
				movimento, da comunicação não verbal, viabilizando a experimentação de formas de se
				movimentar (<xref ref-type="bibr" rid="B37">Surdi; Melo; Kunz, 2015</xref>) e de
				constituir experiências de aprendizagens, conforme assinalam a Resolução CNE/CP n. 2
					(<xref ref-type="bibr" rid="B9">BRASIL, 2019</xref>) e o MIUR - Decreto 10
					(<xref ref-type="bibr" rid="B18">Itália, 2012</xref>).</p>
			<p>Diante de nossas interpretações, observase que os cursos de formação de professores,
				em temas de interface com a EF, no Brasil e na Itália, são novos em termos de
				incorporação didática, conceitual e dos entendimentos da contribuição nessa
				formação. De igual modo, são novos nas dimensões da pesquisa e da intervenção nas
				primeiras etapas, sobremaneira, na pré-escola e na creche. A EF ainda carrega
				tradição nos componentes biologizantes, higienizantes e disciplinarizantes dos
				corpos, somada ao fenômeno da esportivização, o que dificulta sua ocupação em um
				novo lugar na intersecção da escola e da infância. Antes, como componente
				obrigatória, deve ser compreendida articuladamente entre as áreas, centrada na
				criança, na experiência socio-corporal, lúdica, estética, ética e cultural, sendo
				este um desafio para o processo de formação, reconhecidamente, na formação do
				próprio especialista da área.</p>
		</sec>
		<sec sec-type="conclusions">
			<title>Considerações finais</title>
			<p>Como conclusão provisória, o estudo aponta que apesar dos contextos, das diferenças
				de constituição e do desenvolvimento da EF brasileira e italiana, em face da
				formação dos professores para atuarem na EI e na primeira etapa do Ensino
				Fundamental, possuem similaridades do currículo prescrito a partir das competências,
				sendo que há uma presença mais forte e estruturada no número de disciplinas,
				quantidade de professores com formação na EF e carga horária no curso italiano. No
				curso brasileiro é possível verificar uma relação mais aberta com as áreas das
				ciências humanas, sociais e artísticos, enquanto o curso italiano está mais próximo
				do campo da psicologia e das teorias do desenvolvimento.</p>
			<p>Ao buscar analisar numa perspectiva comparada a presença dos contributos da EF em
				cursos de formação de professores, nos contextos brasileiro e italiano, esta
				pesquisa alcançou um diagnóstico comparativo na forma e na organização curricular
				compreendidas pelos distanciamentos e pelas proximidades da formação do professor
				para atuar na EI e nos primeiros anos do Ensino Fundamental de ambos os países, o
				que, em linhas de síntese, requer intensos avanços na articulação tanto no campo da
				pesquisa quanto da intervenção pedagógica, de modo a integrar e qualificar o
				trabalho realizado pela EF na infância.</p>
			<p>Como limite do estudo, põe-se a comparação de apenas dois cursos, o que não expressa
				a totalidade dos cursos de formação de professores brasileiros e italianos. Sendo
				assim, necessita-se de ampliação do número de cursos analisados a fim de compreender
				se a mesma relação é validada em uma escala maior. Outro limite esbarra na ênfase em
				apenas 3 níveis do currículo, tal que investigados os outros níveis, poder-se-ia
				trazer novos elementos interpretativos e de comparação.</p>
		</sec>
	</body>
	<back>
		<fn-group>
			<fn fn-type="other" id="fn4">
				<label>1</label>
				<p>Esta pesquisa segui-o os procedimentos éticos e de boas práticas científicas.
					Texto revisado e normalizado por Francisco Gomes Martins </p>
			</fn>
			<fn fn-type="other" id="fn5">
				<label>2</label>
				<p>O termo utilizado para essas etapas é diferente no Brasil e na Itália. No Brasil,
					denomina-se Educação Infantil (creche (0-3 anos) e pré-escola (3-5 anos e 11
					meses) e anos iniciais do Ensino Fundamental (6-10 anos) (<xref ref-type="bibr"
						rid="B8">Brasil, 2018</xref>). Na Itália, denomina-se Escola de infância (3
					a 5 anos e 11 meses) e Escola Primária (6-11 anos). (<xref ref-type="bibr"
						rid="B11">Carraro; Gobbi, 2019</xref>). Como este resultado de pesquisa é
					publicado no Brasil, e em língua portuguesa, optamos por usar a nomenclatura
					brasileira. </p>
			</fn>
			<fn fn-type="other" id="fn6">
				<label>3</label>
				<p>Convém esclarecer que a entrada do professor especialista se deve a um projeto,
					da União Europeia, chamado Esporte de Classe, que tem por finalidade o
					desenvolvimento do esporte e de uma vida saudável para os jovens. </p>
			</fn>
			<fn fn-type="other" id="fn7">
				<label>4</label>
				<p>Na Itália, as universidades são consideradas estatais - públicas e não estatais.
					Nas públicas, diferentemente do Brasil, os estudantes pagam uma determinada
					quantidade para estudarem de acordo com critérios como condições econômicas da
					família, conceitos/notas etc. </p>
			</fn>
			<fn fn-type="other" id="fn8">
				<label>5</label>
				<p>Instituto Superior de Educação Física - ISEF responsável pela formação de
					professores de EF na Itália. Iniciou suas atividades de formação, em 1952, e
					finalizou, em 1999, quando foi substituído pela formação Universitária nos
					atuais Cursos Universitários de Ciências Motora e esportiva (<xref
						ref-type="bibr" rid="B11">Carraro; Gobbi, 2019</xref>).</p>
			</fn>
			<fn fn-type="other" id="fn9">
				<label>6</label>
				<p>Artes, na Itália, ocupa um local específico no currículo de formação de
					professores, com carga horária significativa comparada ao curso brasileiro.
					Apresenta um sistema específico de formação, podendo ser oferecido nas
					universidades ou nos institutos de Alta formação Artística e Musical (AFAM).</p>
			</fn>
			<fn fn-type="other" id="fn10">
				<label>7</label>
				<p>Equivalente a planos de ensino no Brasil.</p>
			</fn>
		</fn-group>
		<ref-list>
			<title>REFERÊNCIAS</title>
			<ref id="B1">
				<mixed-citation>ARANHA, O. L. P. <italic>Currículos de formação de professores de
						Educação Física no Estado do Pará</italic>: conteúdos curriculares,
					concepções pedagógicas e modelos de profissionalidade. 2011. 270f. Universidade
					Federal do Pará, Belém do Pará, 2011. Disponível em: <ext-link
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						xlink:href="http://repositorio.ufpa.br/jspui/handle/2011/2817"
						>http://repositorio.ufpa.br/jspui/handle/2011/2817</ext-link>. Acesso em: 7
					jun. 2023.</mixed-citation>
				<element-citation publication-type="webpage">
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							<surname>ARANHA</surname>
							<given-names>O. L. P.</given-names>
						</name>
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					<year>2011</year>
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					<publisher-name>Universidade Federal do Pará</publisher-name>
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					<comment>2011</comment>
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					</comment>
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					Acesso em: 4 maio 2023.</mixed-citation>
				<element-citation publication-type="journal">
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					<article-title>Base Nacional Comum Curricular para educação infantil e os campos
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					<source>Humanidade e Inovação</source>
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					<year>2017</year>
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					<fpage>1</fpage>
					<lpage>7</lpage>
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					</comment>
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