DO REAL AO IMAGINADO: (RE)INVENÇÃO DE MARIQUINHA FONFON EM NOVA IORQUE-MA
Resumo
Este artigo propõe a reimaginação crítica da trajetória de Mariquinha Fonfon, figura emblemática da cidade de Nova Iorque, no Maranhão, cuja memória sobrevive a despeito das lacunas documentais. Inspirando-se nos pressupostos de reimaginação de Hartman (2020) e apoiando-se em autores como Halbwachs (1990), Douglas (1991), Turner (1974) e Perrot (2005), buscamos reconstruir a vida de Mariquinha a partir de duas versões orais predominantes: a de uma mulher acometida pela hanseníase e a de uma jovem envolvida em um relacionamento amoroso com o prefeito da cidade. A análise evidencia que, embora divergentes, ambas as narrativas atribuem à personagem um papel central no imaginário social da comunidade, operando um processo de ressignificação da dor, da exclusão e da transgressão em elementos constitutivos do sagrado popular. A transferência excepcional de seu corpo durante a inundação da antiga cidade, associada a relatos de fenômenos extraordinários, contribuiu para sua posterior veneração popular como "santa não oficial". Por meio da articulação entre memória coletiva, cultura popular e processos de marginalização, demonstramos que a ausência de documentos formais potencializou a construção de múltiplas versões, refletindo a capacidade de comunidades subalternizadas de reinventar seus próprios símbolos de fé e resistência. A trajetória de Mariquinha Fonfon ilustra, assim, o poder criativo da memória social frente às perdas históricas e materiais, reafirmando a força da cultura popular como espaço vivo de reconstrução identitária.
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